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quinta-feira, agosto 27, 2009

Altamont Free Concert e o fim de uma era


No dia 6 de dezembro de 1969, os Rolling Stones resolveram encerrar sua excursão americana de forma apoteótica com um grande concerto grátis no autódromo de Altamont Speedway, na Califórnia e, quem sabe?, ofuscar o recente festival de Woodstock, ocorrido em agosto, em Nova York.

Cerca de 300 mil pessoas se reuniram para ver os shows – em ordem de apresentação – de Santana, Jefferson Airplane, The Grateful Dead, The Flying Burrito Brothers, Crosby, Stills, Nash & Young e The Rolling Stones. Alguns diziam que este festival de música seria o “Woodstock do oeste”.

Albert e David Mayles e Charlotte Zwerin filmaram o evento e o incorporaram ao documentário Gimme Shelter, sobre a turnê dos Rolling Stones nos Estados Unidos. Problemas de logística como barracas médicas e banheiros insuficientes e um palco de apenas 1, 20 cm de altura cercado por Hell’s Angels bêbados e liderados por Ralph “Sonny” Barger tornou o lugar perfeito para acontecimentos como atropelamentos, um afogamento, brigas e até um homicídio. Os Stones tiveram de parar o show diversas vezes por causa das brigas.


Alguns dizem que a idéia de contratar os Hell’s Angels para a segurança foi dada aos Rolling Stones pelos membros do Grateful Dead. Eles ja haviam feito a segurança de shows do Grateful Dead sem que houvesse notícia de violência. O tour manager dos Stones, Sam Cutler, disse que o único acordo era que “os Angels garantiriam que ninguém fodesse com os geradores”.

Um dos membros dos Hell’s Angels, Sweet William, lembra-se da conversa que teve com Cutler antes do show:

– Nós não policiamos as coisas. Nós não somos uma força de segurança, porra! Nós vamos aos shows para se divertir...

– Bem, e sobre ajudar as pessoas... Você sabe dar toques simpáticos e coisas do tipo?...

– Claro, essas paradas aí nós podemos fazer...

Quando Cutler perguntou como eles gostariam de ser pagos, William respondeu: “Olha, bicho, nós gostamos mesmo é de cerveja”. 500 dólares em cerveja foi o pagamento.


Lá pelas tantas, o escritor Ken Kesey, um dos papas da contracultura, convidou os Angels para fazerem alguns testes de ácido e a merda começou a dar no meio da canela. Conforme o dia foi passando, os membros do Hell’s Angels foram ficando mais agitados e violentos. Abastecidos com álcool e ácido, armados com tacos de bilhar, atropelando brigões e causando sérios ferimentos, era desse jeito que eles controlavam a multidão.

Depois que um membro deles foi nocauteado durante uma briga com uma gangue hispânica, os Hells ficaram mais violentos ainda, atacando até mesmo os músicos que se apresentavam no palco.

Após uma discussão com um membro dos Hell’s Angels, o guitarrista Marty Balin, do Jefferson Airplane, foi nocauteado e ficou inconsciente. O Grateful Dead se recusou a tocar e, capitaneados por Jerry Garcia, os músicos abandonaram o palco, sob vaias da platéia que não estava entendendo nada.


Os organizadores esperavam aliviar as tensões fazendo com que os Rolling Stones se apresentassem mais cedo. Mas os Stones só se apresentaram muitas horas depois. Alguns dizem que Mick Jagger não queria subir ao palco enquanto ainda não tivesse escurecido totalmente, mas no documentário Gimme Shelter foi relatado que o baixista dos Stones, Bill Wyman, estava tendo dificuldades em chegar ao local por causa do engarrafamento de trânsito nas ruas de acesso.

A morte de Meredith Hunter


Meredith Hunter antes de ser morto. Alan Passaro pode ser visto com uma faca pouco antes de atingir Hunter.

Quando os Rolling Stones estavam terminando “Under My Thumb”, Meredith Hunter, um rapaz negro de 18 anos, se envolveu em uma briga com os Hell’s Angels. Hunter estava aproximando-se do palco e sacando um revólver, para atacar ou se defender, ninguém sabe, quando Alan Pássaro, dos Hell’s, o impediu de sacar a arma com a mão esquerda e com a mão direita o esfaqueou na parte superior das costas. Hunter foi esfaqueado cinco vezes, espancado com tacos de bilhar e chutado até a morte. Isto tudo ocorreu perto do palco e foi gravado pelas câmeras.

“Vimos um tipo vestido de verde dançando alegremente e depois uma grande confusão”, explicou o cinegrafista que filmou o crime sem perceber o que se passava. Os Rolling Stones, sem saber que Hunter estava morto, decidiram continuar o show para evitar maiores tumultos. Sam Cutler pode ser visto no palco sussurrando nos ouvidos de Mick Jagger e Keith Richards sobre a morte de Meredith Hunter e depois retornando ao palco para convencer a banda a recuar.



Quando o show terminou, quatro pessoas estavam mortas: duas atropeladas, uma afogada e uma esfaqueada. Foi um choque violento no mito pacífico e revolucionário que Woodstock tinha ajudado a criar em torno dos festivais. E houve quem atribuísse as desgraças ao satanismo dos Stones que, por via das dúvidas, nunca mais dedicaram canções ao diabo.

Em 1972, Alan Passaro foi preso e julgado pelo assassinato de Meredith Hunter, mas absolvido depois de o júri concluir que ele agiu em defesa própria porque Hunter portava uma arma de fogo. Passaro acabou tendo morte acidental por afogamento.

Ainda hoje, o festival de Altamont é comparado com o festival de Woodstock, que ocorreu quatro meses antes. Enquanto Woodstock é representado como um festival de “paz e amor”, Altamont veio a ser visto como o fim da era hippie. Ninguém fez estardalhaço em torno do vigésimo aniversário do Altamont Concert. Vamos ver o que acontece quando dezembro chegar.

Um comentário:

Anônimo disse...

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