quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Saudades do Velho Lobo


Na semana passada, o Mario Adolfo me presenteou com algumas fotos que nós fizemos juntos com o escritor e jornalista Fausto Wolff, quando ele esteve em Manaus para lançar o livro À Mão Esquerda.

O rebuceteio rolou na casa do Joaquim Marinho, que tinha sido companheiro de batente do velho lobo na extinta revista Status.

Vasculhando o computador, encontrei esse texto do Márcio Pinheiro, que foi publicado originalmente no caderno Literatura, do jornal Zero Hora, alguns dias depois da morte do escritor. Curtam.


Contrariando a nobreza européia que seu nome carregava, Fausto Wolff – nascido Faustin von Wolffenbüttel – optou pela versão reduzida e preferiu o lado plebeu da vida.

Como definiu Millôr Fernandes, parceiro de Pasquim, “Fausto Wolff, em toda parte, procurou e conviveu com os da sua estirpe – escritores, cineastas, poetas e grã-finas. E com os da sua laia – bêbados, putas e brigões”.

Seu perfil, era o de um homem de excessos. Mais de 1m90cm, voz tonitruante, capacidade infinita para tomar chopes e steinhagers. Tantos exageros cobraram seus preços e, no dia 5, Fausto Wolff morreu de uma infecção generalizada. Estava com 68 anos.


Fausto Wolff tinha também um talento para se inventar. Primeiro no Rio Grande do Sul, onde nasceu (em Santo Ângelo, em 1940) e começou sua carreira jornalística de mais de cinco décadas. Depois, ainda com menos de 20 anos, no Rio, cidade onde se tornou uma das maiores referências da boemia e da inteligência ipanemense.

No Rio, fez sucesso também como homem da noite e conquistador. Pelo seu apartamento na Rua Saint-Roman passaram algumas das mulheres mais desejadas de sua época, aí incluída Tônia Carrero em seu esplendor.

O momento profissional era grandioso, com ele à frente de três colunas. Escrevia sobre TV no JB (sendo pioneiro a tratar o tema com a seriedade devida), teatro na Tribuna da Imprensa e política no Diário da Noite.

Suas opiniões se amplificavam mais ainda através do Jornal de Vanguarda – comandado pelo produtor Fernando Barbosa Lima, que, coincidentemente, morreu no mesmo dia 5.


Tanta exposição – e de maneira tão vigorosa e veemente – chamou a atenção da censura e, aos 28 anos, Fausto Wolff se mandou para Europa.

Passou dez anos por lá, dividindo-se entre a Dinamarca e a Itália. Voltou em 1978, quase que na mesma leva de tantos brasileiros que retornavam com a anistia.

“Ao retornar, verifiquei que a liberdade adquirida na Europa não me permitiria trabalhar com a consciência tranqüila na grande imprensa, sócia do poder, e fui ficando no Pasquim”, lembrou ele há três anos.

Fora das redações, aproximou-se da política. Apoiou a vitoriosa campanha de Leonel Brizola ao governo do Rio em 1982 e, três anos depois, comandando uma turma de 60 estagiários, produziu um dos mais completos retratos sociológicos de uma metrópole.

A partir de depoimentos de operários, travestis, policiais, bancários, camelôs e tantos outros personagens que compõem a fauna urbana, Fausto Wolff organizou Rio de Janeiro: Um retrato – A Cidade Contada por seus Habitantes.

No ano seguinte, tentaria, sem sucesso, uma vaga na Assembléia Constituinte, concorrendo a deputado federal pelo PDT do Rio.


Longe do dia-a-dia do jornalismo, Fausto Wolff pôde se dedicar aos livros. E a literatura saiu ganhando. Era um autor criativo, incisivo, versátil, engraçado e mordaz. Duvida? Confira em obras como O Acrobata Pede Desculpas e Cai (1997), O Nome de Deus (1999), A Imprensa Livre de Fausto Wolff (2004) – que ele brincava que o título poderia ser lido por qualquer ângulo.

Além desses, vale ao leitor buscar uma experiência: À Mão Esquerda, obra quase memorialística, lançada em 1996. À Mão Esquerda foi um ajuste de contas com seu passado, um depoimento regado a hectolitros de uísque e que revirava boa parte das aventuras jornalísticas, teatrais, políticas e sexuais do autor.

Foi elogiado por todo mundo, de Cony a Sérgio Augusto, de Millôr a Ziraldo. Apenas Ivan Lessa – talvez por conta de antigas brigas – resolveu esculhambar o livro em uma resenha na revista Veja.

Sabendo que não era fácil ser escritor num país que ninguém lê, Fausto Wolff dizia que para exercer seu ofício era preciso ter caráter e honestidade, saber absorver as experiências e, finalmente, passar isso tudo para o papel com um estilo.

Poderia parecer um nefelibata, mas era um realista que sabia que a verdade é o alicerce da ficção e só a ficção coloca a realidade nos eixos.

2 comentários:

claricewolff disse...

É isso aí!!!Grande tio também!!!

Anônimo disse...

SIMÃO,AMIGO DE FAUTÃO E QUASE MEU IRMÃO>>>>>

EM 1989 BRIZOLA ME COLOCOU COM SENDO O SEU COORDENADOR NACIONAL DE
CULTURA EM SUA CAMPANHA PRESIDENCIAL (ESTÁ NOS JORNAIS DA ÉPOCA).
CRIEI ENTÃO UM GRUPO DE 12 (O NÚMERO DO PDT) ILUSTRES PEDETISTAS NUM
CONSELHO DE CULTURA QUE IRIA FORMULAR A POLÍTICA DE CULTURA DO GOVERNO
BRIZOLA. FAUSTÃO (DOIS METROS DE ALTURA) FAUSTO WOLF ESTAVA NESTE
GRUPO. FOI MEU AMIGO DE MUITOS PÓRRES E SACANEADOS BRASILIENNES QUE
ÉRAMOS EXILADOS NOS BARES DA VIDA. >CASOS MIL TENHO A CONTAR DO
FAUSTÃO,,,,,,,HILÁRIOS.
SAIBA UM POUCO DESTE MEU AMIGO DO CARÁI........O FASTÃO.
UMA VEZ EM PARIS, NO CARTIER LATIN (12* ARRONDISSEMENT), FAUSTÃO ME
ENCONTROU NUM BISTRÔ........BEBEMOS MAIS DE 10 LITROS DE VINHO *DE LA
MAISON*.......DORMIMOS NUM CABARÉ DO SENA AO SOM DE EDIT PIAF E NEM
TÍNHAMOS GRANA PARA PAGAR A *HOSPEDAGEM*, MAS COMO NÃO CONSUMISMO NADA
NO CABARÉ, EM FRANCÊS DISSE À SENHORA DONA DO CABARÉ QUE ÉRAMOS
EXILADOS DA DITADURA BRASILEIRA........MA DAME NOS OFERECEU UM *PATIS
45* POR TODA A MANHÃ E CURAMOS NOSSO PÓRRE COM ESTA DÁDIVA DAS DEUSAS,
NO CASO, A DONA DO CABARÉ, QUE GOSTAVA MUITO DE VINÍCIUS DE MORAIS E
SUAS MÚSICAS QUE CANTAMOS O TEMPO TODO COM TRADUÇÃO SIMULTÂNEA DO
FAUSTÃO E MINHA.
EM 89 EU E FAUSTÃO E MAIS BETH CARVALHO E TANTOS OUTROS ARTISTAS E
INTELECTUAIS (CAMPANHA DE PRESIDENTE DO BRIZA) INAUGURAMOS A *PEDREIRA
PAULO LEMINSKY* EM CURITIBA, NO GOVERNO DE RAPHAEL GRECCA, O PREFEITO
DA CIDADE DO PDT. UM PUTA CENTRO CULTURAL DO CARÁI, O MELHOR DE
CURITIBA ATÉ HOJE. (MAIS OUTRO PÓRRE DO CARÁI)
FAUSTÃO.......UM GRANDE E ENORME AMIGO NOSSO.......CARA DU CARÁI.
SAIBA UM POUCO SOBRE ELE, >UM MENINO GRANDE.

PEDRO CUNHA
jornalista, Rio de Janeiro, RJ
pdrcnh7@gmail.com