segunda-feira, abril 25, 2011

Rock Progressivo para principiantes (Parte 2)


A mística cultivada por boa parte das bandas progressivas tem tudo a ver com uma época que tomou best sellers livros como “Eram Os Deuses Astronautas?”

VaJon Anderson e Chris Squire, do Yes, por exemplo, tinham como regra ser vegetarianos e ligados em algum tipo de meditação transcendental.

Foram alguns dos que tentaram levar um “modo de vida progressivo”.

Peter Hammill, do Van Der Graaf Generator, era obcecado por reencarnação.

As origens britânicas do progressivo ainda forneciam um material de imagens e histórias inspiradas na obra de autores como J.R.R. Tolkien (“O Senhor Dos Anéis”) e Lewis Carroll (“Alice No País Das Maravilhas”).

A queda por temas medievais lembrava a arte “pré-rafaelita”, que surgiu na Inglaterra no final do século 19.


O surrealismo, outra fonte de letras e capas de discos, já aparecia no hit do Procol Harum, “A Whiter Shade Of Pale”, em 67, só que num clima depressivo, diferente do nonsense alegre dos Beatles e dos grupos psicodélicos.

Sem falar nos dinossauros e nas imagens épicas que pareciam tiradas de um gibi do Conan.

Se as músicas passavam a envolver temas complexos, ficando longas ao ponto de ocupar álbuns inteiros, as capas também teriam de fazer parte da concepção geral.


A partir de 71, o Yes passaria a ter um designer de capas e shows: Roger Dean, que deu a cara definitiva para a banda com seus desenhos misturando surreal e art déco.

Também faria capas de “filhotes” do Yes, como o Asia e outros progressivos, como o Greenslade.

Hoje, ele projeta casas “new age” na Califórnia.

Assim como Dean, o estúdio Hipgnosis faria escola nos anos 70.


Um de seus fundadores, Storm Thorgerson, foi (como Dean para o Yes) responsável pelo visual do Pink Floyd, com capas que incluíam porcos infláveis voando sobre Londres.

Com uma queda pelo surreal à Ia René Magritte, a Hipgnosis trabalhou para muita gente fora do progressivo, como o Led Zeppelin.

O Genesis também teve seu capista por algum tempo, Paul Whitehead.


Nos anos 80, esse trabalho conceitual continuaria com Peter Saville, para o selo Factory, Nigel Grierson, para o 4AD, ou Russell Mills, para o Opal.

O progressivo também teve seu lado engajado, expresso no movimento Rock In Opposition.

Eram bandas que divulgavam idéias de esquerda por um veículo “popular” como o rock, mas buscando referências no atonalismo e outras concorrentes de vanguarda da música erudita.

Seus formadores: o Henry Cow e bandas da Europa continental como Etron Fou Leloublan, Stormy Six, Samla Mammas Manna e Univers Zero.

Com eles, não tinha florzinha ou duendinho: um exemplo é a capa do melhor disco do Henry Cow, com uma foice e um martelo explícitos.

Curiosidades

Grupos de nomes esquisitos sempre foram regra no rock, mas o progressivo criou casos à parte, como o Samla Mammas Manna, da Suécia.

O guitarrista Glenn Branca, antes de sua carreira solo, tocou em um art group chamado Theoretical Girls.

Mas nesse departamento de títulos é difícil bater o brasileiro Recordando O Vale Das Maçãs.


Nem Keith Emerson, nem Rick Wakeman: o recordista de teclados ao vivo é Geoff Downes, ex-The Buggles, ex-Yes, com 21 deles entortando o palco na turnê de 83 do Asia.

Os teclados evoluíram o bastante depois disso para ele não precisar esbanjar tanto.

O ELP poderia ter sido FELP ou até HELP.

Isso porque tanto Robert Fripp quanto Jimi Hendrix mostraram interesse em participar do grupo quando ele estava em fase de formação, em meados dos anos 60.

Mas Keith Emerson não queria concorrência.

Fripp mandaria bala contra o trio em entrevistas, algum tempo depois.


O mellotron, instrumento fundamental de bandas como o Moody Blues e o King Crimson, era na verdade uma versão não-licenciada de um outro instrumento, o Chamberlin, fabricado nos EUA.

Ambos eram teclados que acionavam fitas gravadas com sons de instrumentos de orquestra.

Davam muitos problemas de manutenção, mas seu som era tão particular que hoje muitos tecladistas têm mellotrons sampleados.

Ainda no capítulo dos instrumentos: o solo de Keith Emerson em “Lucky Man” (70) foi o primeiro realizado com um sintetizador.


No caso, era um Moog 3C, um monstrinho que lembrava mais um fliperama, conhecido anteriormente pelas gravações de Bach feitas por Mr. Walter (hoje Mrs. Wendy) Carlos.

De todas aquelas “obras conceituais” do rock progressivo, a mais curiosa e engraçada é a trilogia amalucada que conta a história do planeta Gong e cujo personagem principal chama-se Zero (The Hero).

Os discos são Flying Teapot (73), Angel’s Egg (73) e You (74).


David Allen, líder do Gong e autor da história, tem um currículo raro.

Entre outras aventuras, ele musicou uma obra do poeta beat William Burroughs em 62, a pedido do autor.

Além disso, em 79, montou em Nova York a base do que seria o grupo Material, com o baixista Bill Laswell.

Nos anos 70 a música progressiva foi usada e abusada na TV, como trilha predileta para telejornais.

Dois exemplos no Brasil: “Karn Evil 9”, do ELP, no antigo Jornal Da Globo, e “Summer 68”, do Pink Floyd, no Jornal Nacional.

O Pink Floyd teve intenções de realizar a trilha sonora para “2001 – Uma Odisséia No Espaço”, de Stanley Kubrick. Não conseguiram.

Em compensação, o grupo alemão Popol Vuh colaborou bastante com o diretor Werner Herzog, em filmes como “Aguirre, A Cólera Dos Deuses”.

2 comentários:

Anônimo disse...

Jimmy Hendrix cogitando entrar para o ELP em meados dos anos 70 ?! Só se foi em espírito. Jimmy morreu em setembro de 1970.

EU KIWI disse...

Foi um opuco antes dele morrer mesmo