segunda-feira, maio 16, 2011

Aula 75 do Curso Intensivo de Rock: Anthrax


Os fãs do Korn ainda não sabiam soletrar o bêabá quando a banda de heavy metal Anthrax entrou em turnê com o grupo de hip hop Public Enemy, dando impulso à mistura entre os dois gêneros e seus respectivos públicos.

Das quatro bandas que inauguraram a cena thrash – as outras são Metallica, Slayer e Megadeth –, só Anthrax teve peito de cruzar estilos e encerrar o ciclo de preconceito naquela que, até então, era considerada a mais branca das formas de rock.

É evidente que depois da MTV e do “álbum negro” de 1991, ficou fácil apontar o Metallica como inventor e propagador do thrash metal no planeta.

Mas quem viveu à época em que o estilo nascia, de bandas como Testament, Exodus e Overkill, sabe que o (então) quinteto novaiorquino Anthrax tem grande parte da responsabilidade na invenção do estilo.

Formado em 1981, o Anthrax tinha na sua primeira formação Scott Ian (segundo guitarrista), Danny Lilker (primeiro guitarrista), Dave Weiss (bateria), John Connelly (vocal) e Kenny (baixo).



“Howling Furies” foi uma das primeiras músicas que Scott escreveu, juntamente com Dave.

A banda fez suas primeiras apresentações no porão de uma igreja.

Meses depois banda passou por suas primeiras mudanças na formação: saíram Kenny e Dave, entrando Paul Kahn e Gregg D’Angelo em seus lugares respectivamente.

No início de 1983, eles gravaram uma demo que continha “Across the River”, “Howling Furies” e “Panic”, entre outras.

Ainda neste ano, gravaram outra demo, agora com Charlie Benante na bateria, que chamou a atenção da recém formada gravadora Megaforce Records.

Danny “Dan” Spitz (ex-Overkill) juntou-se à banda, no lugar de Danny Lilker, que assumiu o baixo no lugar de Paul Kahn (que deixou a banda).

Saem em turnê com o Metallica e o Raven.

Em 1984 gravam o primeiro LP “Fistful Of Metal”, de onde saiu alguns de seus principais clássicos, tais como “Metal Thrashing Mad”, “Panic” e “Deathrider”.



Ocorrem mais mudanças: Danny Lilker é trocado por Frank Bello (na época, roadie da banda) e Joey Belladonna é recrutado para os vocais.

Em 1985, gravam o EP “Armed And Dangerous”, que garante um contrato com a Island Records.

No mesmo ano o Anthrax grava seu segundo LP, que seria um grande marco da banda e da cena thrash: “Spreading The Disease”, de onde saíram grandes hits como “A.I.R”, “Madhouse”, “Gung-Ho” e “Medusa”.

A música e o videoclipe de “Madhouse” chegaram a ser praticamente proibidos na Europa por mostrar a banda pulando feito loucos (e eles estavam apenas se divertindo!).

O LP vendeu mais de 100 mil cópias nos Estados Unidos, e praticamente a mesma quantidade na Europa.

Scott Ian formou nessa época um projeto paralelo, o Stormtroopers of Death (ou simplesmente S.O.D., como ficou conhecida), juntamente com o baterista do Anthrax e com o ex-baixista do Anthrax, Danny Lilker.



Em 1987 saiu o terceiro álbum, “Among The Living (dedicado, entre outros, a Cliff Burton do Metallica), que é considerado o melhor álbum da banda e um dos maiores clássicos do thrash metal.

O disco começa com a faixa-título, que tem letra inspirada no livro “The Stand”, de Stephen King.

De cara se conhece o estilo único da banda: riffs pesados como bigornas e vocais que vão da melodia fácil de refrões do Kiss às raias do rap.

A afinação de Joey marca presença, ao lado da competência dos guitarristas.

E lá vem a pedrada: “Caught In A Mosh” conta como o roadie Billy Milano foi parar no hospital após se jogar do palco.

“I Am The Law” apresenta o juiz Dredd, aquele mesmo depois interpretado por Sylvester Stallone no cinema, sob uma parede de guitarras digna do Black Sabbath.

É difícil parar de pular ouvindo o disco, e isso acontece em “Indians”, uma das melhores faixas da história do metal.



Descendente de índios, Joey deixa as gracinhas de lado para falar dos apaches, comanches, sioux e outros, tratados como bichos lá e aqui.

A canção tem uma introdução de guitarra destinada a ocupar o hard disk da memória de qualquer fã de música.

Em dez canções, todas merecem atenção e nenhuma enche o saco.

Bons tempos em que as bandas não precisavam compor 80 minutos de música para lançar um álbum.

“Não ouvia nada desse tipo até que um amigo me recomendou o disco”, relembra Chuck D, líder do Public Enemy. “Achei muito rap e rock de boa qualidade no meio daquela barulheira, e antes mesmo de gravarmos juntos já era fã do Anthrax”.

Em 1988 saiu o primeiro VHS, N.F.V. (Oedivnikufesin), nome que sugere uma brincadeira feita pela banda, que lido ao contrário revela-se “Nisefukinvideo”, além do quarto LP, “State Of Euphoria”.

Nesse ano, eles também lançam outro EP na Europa, “Penikufesin”, com quatro novas canções, uma versão francesa de “Anti-social” e uma regravação de “Now It’s Dark”.



Em 1990, saiu o quinto LP, “Persistence Of Time”, mantendo o mesmo peso dos anteriores, porém meio sem graça segundo um crítico da Rolling Stone.

Durante a gravação desse álbum, o estúdio da banda entrou em chamas.

O disco mostrou bons hits como “Time”, “Got The Time”, “Keep It In The Family”, “In My World” e “Blood”.

Em 1991 é lançado “Attack Of The Killer B’s”, com apresentações ao vivo, canções nunca lançadas antes e também “Bring The Noise”, outra mistura de rock com rap, gravada com o Public Enemy.

Depois disso assinam um contrato com a Elektra Records, e, para a tristeza de muitos fãs, o vocalista Joey Belladonna é despedido por divergências musicais, em março de 1992.

Eles passaram alguns meses em busca de um novo vocalista e, finalmente, John Bush foi convidado.



O novo álbum, “Sound Of White Noise” foi lançado um ano após a saída de Joey.

O som da banda continua pesado, porém não tão rápido como era costume da banda.

Em 1993 e 1994, tocaram em algumas trilhas de cinema (“Last Action Hero” e “Airheads”).

Em 1994, foi lançado o primeiro álbum ao vivo, “Live Yhe Island Years”.

Em março do ano seguinte, Danny Spitz saiu da banda e não houve um substituto.

A guitarra é revezada por Dimebag Darrel (do Pantera), Scott e Paul Crook no álbum “Stomp 442”.

Em 1996 a banda realizou uma grande turnê pelos Estados Unidos e Europa.

Em 1997 surgiram rumores de que a banda iria terminar, o que não aconteceu.

O Anthrax criou a Skism Records, um selo próprio para gravar o próximo álbum.



O álbum “Volume 8: The Threat Is Real” é lançado em fevereiro do ano seguinte, trazendo a rapidez, o peso e a ferocidade que se haviam se perdido no início da década.

Se John Bush não urra do jeito que a nova geração prefere – ou como o vocalista anterior do Anthrax –, o guitarrista Scott Ian demonstra estar em forma com seus famosos riffs de bater cabeças.

O que destaca “Volume 8” é sua diversidade.

O disco abre com um estouro de percussão tribal e passa até pelo country.

Há coro que lembra o grupo Kiss, uso moderno de microfonia e experiências com barulhinhos de sintetizador, mas tudo o que a banda precisa para impressionar os fãs do Korn são dois minutos de hardcore contundente.

A grande ironia é que, perto de Korn, Anthrax soa melódico.

O que ninguém poderia imaginar é que, depois de aproximadamente quinze anos de ter batizado a banda, Scott Ian teria que dar entrevistas sobre o nome escolhido.

É que depois dos atentados terroristas a Nova Iorque em 2001, todos os jornais divulgaram uma onda de contaminação pela bactéria Anthrax, causando alguns transtornos para o grupo.

Nesse ano também lançam a coletânea “Madhouse – The Best Of Anthrax”, com todos os maiores hits da banda.

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