domingo, maio 15, 2011

Aula 83 do Curso Intensivo de Rock: Oasis


Na última década, as músicas inglesa e americana tomaram direções opostas.

Enquanto os americanos embarcaram nas distorções do grunge e do hardcore, os ingleses continuaram ouvindo Beatles, The Who, The Smiths, Stone Roses e a new wave, ou seja, aquela música pop que a América esqueceu de como fazer.

O britpop, também chamado de “Noelpop”, em referência ao compositor do Oasis, está longe de ser uma novidade.

No início dos anos 90, bandas americanas como The LA’s, The High e The Dylans tocavam a mesma fórmula sem o marketing da nomenclatura atual.

Promovido pelo sucesso transatlântico do Oasis, esse tipo de música se tornou a cara do pop inglês.

Desde a época em que Boy George era uma drag queen bonitinha, mas ordinária, a música britânica não conhecia tanta popularidade fora de sua ilha-umbigo.

Na cena britânica acabou surgindo o mais espantoso fenômeno recente do rock (com apenas três discos, o Oasis já tinha 20 milhões de cópias vendidas em todo o mundo): a banda dos irmãos Gallagher que, entretanto, continua sendo um poço de contradições.

Ao mesmo tempo em que vendem discos que nem água, seus integrantes são acusados maldosamente de êmulos bastardos dos Beatles e heróis sem caráter na era nerd da reciclagem musical.


A história da banda começa no dia 18 de agosto de 1991.

O Oasis faria seu primeiro show abrindo para seus conterrâneos do grupo Sweet Jesus.

Liam Gallagher (voz), Bonehead (guitarra), Guigsy (baixo) e Tony McCarrol (bateria) estreariam numa biboca chamada Boroadwalk, na cidade industrial de Manchester.

O irmão do vocalista, Noel, que não passava de um roadie do grupo indie-dance Inspiral Carpets com um punhado de composições que ainda não havia visto a cor do sol, voltava de uma excursão americana e decidiu ir ao clube prestigiar o evento do irmão caçula.

Se não fosse grande coisa, no mínimo daria umas boas risadas.

As cerca de 20 pessoas assistiram uma tímida performance de 15 minutos.

Noel achou o show uma merda e foi falar para os integrantes. A intimidade era total.

Tirando McCarrol, aqueles caras tinham crescido com ele, na mesma vizinhança, roubando bicicletas para conseguir uma grana a mais do que o seguro social oferecia.

A resposta de Liam veio na lata: “Se somos tão ruins, entre na banda e nos ajude a melhorar!”.

O irmão mais novo tinha total noção do talento do mais velho.

Há pouco tempo, havia chamado Noel para formar um duo, os Gallagher Brothers.

Envolvido com o Inspiral Carpets e sem saber o que queria, o guitarrista nem cogitou a idéia.


Mas dessa vez era diferente. Noel, um apaixonado por música, já tinha 24 anos e nunca havia feito parte de uma banda, o que o afligia bastante.

Convidou o Oasis para ouvir umas composições em seu flat. Pegou seu violão e mostrou meia dúzia de canções para os rapazes. “Live Forever” era uma delas.

Liam, Bonehead, Guigsy e McCarrol ficaram excitadíssimos com o que ouviram e passaram o mês seguinte tentando convencer Noel a entrar de vez no grupo.

A única certeza do Gallagher mais velho era que ele queria estar no universo da música. E o trabalho de roadie, que lhe rendia uma boa grana, já era algo.

Na época do convite, Noel tinha turnês com o Inspiral marcadas no Japão, Argentina e no Uruguai.

Naqueles dias, seu cérebro estava totalmente entregue ao fantástico “Achtung Baby”, do U2, e sua maior felicidade era ter finalmente aprendido a tocar “Stairway To Heaven” – sim, aquela do Led Zeppelin.


A história do problemático e desempregado Liam era diferente.

Foi em um show da banda local Stone Roses (eles estavam abrindo para a James Dio Band no dia em que Noel completava 21 anos) que ele decidiu que iria virar cantor e ser famoso.

A atuação do vocalista Ian Brown lhe deixou maluco. A postura drogada, os trejeitos econômicos, a linha melódica da voz...

Liam tinha certeza de que poderia fazer aquilo.

Com a perícia de gatuno que a vida miserável nos cafundós de Manchester lhe rendeu, apossou-se do melhor de Ian (que, às vezes, sentava no palco e ficava encarando a platéia, imóvel) e glamorizou um estilo de cantar.

Enquanto ficava sentado na cozinha de sua casa dizendo para a mamãe Peggy que um dia seria famoso, nascia a banda Rain.

O guitarrista Bonehead juntou Guigsy, McCarrol e um vocalista chamado Hutton e, já no primeiro show, Liam desejou estar em cima do palco com eles.

Sua sorte foi que Hutton, descrito pelos membros como um grande idiota, rapidamente perdeu seu lugar no grupo.


O gogó do menino Gallagher pôde ser ouvido pela primeira vez no apartamento de Bonehead, num dia em que o amigo passava suas canções no violão.

Liam improvisou qualquer coisa e ganhou o posto.

Sua primeira medida foi mudar o nome Rain.

Noel tinha um pôster do Inspiral Carpets em seu quarto, que trazia o nome de várias casas em que a banda havia tocado.

De tanto olhar para aquilo, o irmão mais novo encontrou um clube chamado Swindon Oasis Leisure Centre.

“É isso aí”, comunicou aos outros três. “Oasis é um nome bem melhor do que essa porra de Rain”.


Passado o mês de indecisão, Noel aceitou entrar na banda do irmão, sob a condição de que todos se comprometessem 100% com aquilo.

Seria demitido quem se atrasasse para os ensaios e/ou não soubesse lidar com as drogas (todas eram permitidas e bem-vindas, desde que o aspecto artístico não fosse prejudicado).

Até o fim de 1992, surgiriam pérolas do tamanho de “Whatever”, “Hello”, “All Around The World” e “She’s Eletric”, que acabaram nem sendo aproveitadas no disco de estréia da banda.

Mas foi “Rockin’ Chair” (relegada a lado B do single de “Roll With It” e depois incluída na coletânea “The Masterplan”) que encantou Alan McGee.

O escocês Alan McGee já havia marcado seu maior gol na música ao descobrir e contratar o Jesus & Mary Chain nos anos 80.

Dono do selo Creation, ele cumpria sua rotina de caçar novos talentos quando viu o quinteto Oasis abrindo um show para outra banda num bar em Glasgow, na Escócia.

Os versos sinceros de Noel deixaram o empresário e produtor boquiaberto.

Futuramente – após a sábia decisão de contratar o quinteto – o deixaria também milionário.


“Eu costumava ir a clubes em 1989. Foi assim que começou a onda Stone Roses, com os caras de guitar bands indo a clubes”, recorda Noel Gallagher.

“Eu tomei o meu primeiro ecstasy na Sunrise e não conseguia sair do chão. Ficava falando merda pra todo mundo. Quando voltava dos clubes, ouvia Beatles e Stone roses, e depois começava a compor. Eu costumava tomar toneladas de ecstasy e até hoje ainda tomo”, ironiza.

O Oasis explodiu na Inglaterra em 94, misturando Sex Pistols e Beatles, e logo conquistaram a América.

Mas transformaram o que era bom em fórmula surrada nos discos seguintes.

Só que, em 1994, a novidade era um maná para ingleses famintos.

O pop britânico tentava um retorno depois da ressaca das bandas dark / new wave, subjugadas pela predominância incontestável do grunge americano.

As dezenas de publicações pop faziam de tudo para esquentar a cena local e suas capas.

Inventaram a “new wave da new wave”, juntando bandas emergentes como Elastica, S.M.A.S.H. e Compulsion.

E bombardeavam os leitores com notícias do Blur.



Um protoshow em Londres e o primeiro disco, “Definitely Maybe”, foram o pretexto para apresentar a banda de Manchester como “a próxima sensação inglesa”.

O Oasis dava o que os moleques britânicos aspiravam no próspero neocapitalismo pós-tudo: um verniz frio e rebelde para pessoas frias e conformistas.

Mais do que uma mistura de Beatles com Sex Pistols, eles são a projeção de como os Beatles seriam se tivessem aparecido depois do punk.

Noel escreve e seu irmão, Liam, canta músicas que ficam cravadas instantaneamente na cabeça dos ouvintes, mas que também são canções perenes.

“Hey Jude” gruda no ouvido na primeira audição, mas isso também acontecia com “Ursinho Blau-Blau”.

A diferença é que a primeira o público ainda escuta hoje e vai continuar a ouvir daqui a 20 anos.



Quando o Oasis lançou seu primeiro álbum, algumas de suas canções já eram conhecidas do público.

Aclamado como banda do ano e autora do melhor álbum, o Oasis invadiu o território de outra banda então já muito querida, o Blur.

Ao longo dos dois anos seguintes, Oasis e Blur travaram uma batalha pelas paradas que repetia de certa forma o que Beatles e Rolling Stones fizeram na metade da década de 60.

Depois de ser aclamado pelo álbum “Parklife”, o Blur ganhou fama – injusta – de banda bem-comportada e quadradinha por causa de “The Great Escape”.

A face que o Oasis preferiu mostrar ao público foi a inversa: os irmãos Gallagher sempre gostaram de espalhar a fama de causadores de problemas e suas entrevistas geralmente eram uma coleção de impropérios.

No mundo idealizado pelos irmãos Gallagher, todas as mulheres são loiras, peitudas e bundudas, a cerveja substitui a água, as drogas de qualquer tipo estão liberadas, o futebol viram uma atividade obrigatória e o politicamente correto simplesmente não tem vez.



Esse receituário, mais o look desleixado e a fama de encrenqueiro – evidentemente de Liam –, são os componentes básicos de qualquer “lad”, gíria semelhante a “cara”, que identifica os rapazes da banda e seus seguidores.

Com a ascensão do Oasis ao estrelato pop, “lad” virou uma subcultura jovem no Reino Unido, quase sempre sem deixar lugar para as garotas, que foram relegadas a mero objeto de prazer sexual.

Seu ápice aconteceu quando o segundo disco da banda, “(What’s The Story) Morning Glory”, bateu de vez nas paradas o álbum “The Great Scape”, do Blur, definindo a briga pelo título de maior banda do britpop.

Se o primeiro disco do Oasis deixou a Inglaterra de joelhos, o segundo provocou rendição mundial.

A histeria dos fãs não passou despercebida pelos jornais sensacionalistas, particularmente o The Sun, que começou a estampar manchetes com os escândalos da banda.

Uma coisa puxava a outra e o álbum ficou mais de dois anos entre os 50 mais vendidos do país.



A consagração definitiva do grupo aconteceu em agosto de 1996, quando duas apresentações no parque Knebworth, a nordeste de Londres, reuniram 250 mil pessoas.

Considerado o show da década, ele marcou também o início da saturação de seu público – a arrogância dos Gallagher não teria espaço no ano seguinte, quando a música se dividiu em dois caminhos opostos, o pop comercial e o rock mais cerebral.

O Oasis ganhou fama aliando uma respeitável dose de informação musical com um inigualável estoque blasé de injúrias, atacando o establishment musical britânico (chamaram os Rolling Stones de velhos caquéticos, entre outras bravatas).

Outra capacidade sempre renovada do grupo é a de achincalhar a mídia, categoria que Liam Gallagher chama placidamente de “o inimigo”.

É esse grupo de apetite indistinto e incapacidade de discernimento (na sua visão) o principal alvo dos irmãos belicosos – ídolos dos hooligans ingleses, que entoam suas canções como hinos em confrontos de seus times de massa.



De qualquer forma é justo dizer que os irmãos Gallagher reencaminharam o rock para as searas melódicas do rock, sempre forçando uma comparação aparentemente óbvia com os Beatles.

Pouca gente enxergava nisso mais do que autopromoção, mas não era.

Em 1996, Pauline Sutcliffe, irmã de um quase-beatle, Stu Sutcliffe (que integrou uma das primeiras formações do grupo) descobriu uma série de composições inéditas do irmão e dos ex-parceiros e disse que gostaria que o Oasis – “o único grupo da atualidade que conserva o espírito dos Beatles” – gravasse o material.

Liam e Noel Gallagher induziram não só a mudanças musicais no cenário artístico, mas também comportamentais.

Foi só Liam aparecer com aqueles blusões escolares com logotipo e listas nas mangas que a juventude européia passou a copiá-lo.

Eles conseguiam irmanar clubbers e hooligans na paixão pela sua estética neomod, misturando as roupas desajeitadas de Roger Daltrey em “Tommy” com a carência de lâminas de barbear de Mel Gibson em “Mad Max”.

Em sua trajetória para o estrelato pop, os Gallagher carregaram e mesmo intensificaram as características que trouxeram de casa.

Seu sotaque – típico da classe trabalhadora britânica – obrigou até a MTV a exibir suas entrevistas nos Estados Unidos com legenda.


Liam e Noel nasceram em uma família proletária com ascendência irlandesa e longe de uma educação refinada.

Ambos frequentam estádios de futebol desde crianças e são fanáticos pelo Manchester City – time que tem 5% dos torcedores da cidade, contra a esmagadora maioria arrebanhada pelo Manchester United.

O certo é que no biênio 95-96, no metrô, no restaurante, no estacionamento, gente de qualquer idade e de várias classes sociais era flagrada cantando, sem motivo, os hits do Oasis.

Lançado em 1997, o terceiro álbum, “Be Here Now”, atingiu rapidamente os 25 milhões de discos vendidos.

Explosões, código Morse, palmas, portas batendo, helicópteros e um baú de ruídos transformaram o disco numa espécie de “Sgt. Pepper’s” hardcore.

No meio de tantos elementos, sobra um conjunto de canções mais consistentes do que dos outros CDs.



Além de “D’You Know What I Mean?”, um single com sample do NWA, peso zeppeliano e guitarras gravadas ao contrário, havia outras fortes candidatas a hit.

“Stand By Me” é uma balada épica que embala versos tipo “existe algo que eu nunca pude te dar/ Meu coração nuca será um lar”.

“Be Here Now” é um rock pesado com cozinha fortíssima criando um arrastão hipnótico.

“Don’t Go Away” é outra balada matadora, cheia de cordas, dentro de um formato mais pop.

“Fade In-Out” começa com uma tossida, tem Johnny Deep tocando slide guitar – gravada ao contrário –, um grito de porco morrendo e, depois de uma longa primeira parte, é inundada por uma sonzeira indiana.

Lançado em 1998, o quarto disco da banda, a coletânea “The Masterplan”, cujas faixas foram todas extraídas de lados B de singles, apenas reforçou o mito de Noel Gallagher como grande compositor.

Parte dessa coletânea caberia perfeitamente num álbum convencional do Oasis.



Boas músicas costumam ser a motivação de qualquer compra de disco.

Quando o disco foi lançado, o noticiário da MTV americana, reproduzido na Internet, trazia uma frase que abria o jogo: “Vendas desapontadoras do último álbum de estúdio...”, referindo-se ao Oasis.

Vale lembrar que o disco anterior, “Be Here Now”, foi feito como prioridade do conglomerado Sony – o Michael Jackson da vez.

Só que o CD não fez diferença nenhuma na parada que conta – a americana.

O disco “The Masterplan” funcionou como um acerto de contas – complementando o orçamento da banda e injetando dinheiro na gravadora sem novos gastos de estúdio.

Foi um grande negócio.

O problema é o status dos singles nos dias finais do CD (a revolução do MP3 está em marcha, mas essa é outra história).

Para começar, o óbvio: CD não tem lado B. Essa incongruência física há muito se transpôs para a realidade dos estúdios.

As bandas de rock têm concentrado seus esforços na produção de álbuns.

A faixa que acaba tocando no rádio só é decidida após a audição do repertório completo.

Ela é hoje apenas um chamariz do CD e não mais um produto em si como nos anos 60 – a vendagem dos singles está em queda livre.

O tal lado B virou um mero apêndice. Sua gravação tem o objetivo de preencher espaço e, muitas vezes, ocorre nas poucas horas que sobram do orçamento de produção de um álbum.



Costuma-se incluir faixas recusadas para o repertório principal, covers displicentes e gravações de shows – caso do registro ao vivo de “I Am The Walrus”, dos Beatles, nessa obra do Oasis.

O álbum “The Masterplan” não se rebela contra a lógica industrial, mas mostra brechas em suas faixas acústicas, gravadas por Noel Gallagher durante uma frustrada turnê americana, que terminou com Liam Gallagher voltando mais cedo para casa.

Noel teve um acesso de inspiração, pegou o violão e se mandou para estúdios do Texas e de Las Vegas.

Os registros de estrada acabaram conferindo autenticidade a esse caça-níqueis envergonhado.

São 14 músicas extraídas de oito singles, lançados entre 1994 e 1997, e escolhidas com ajuda dos fãs pela Internet.

Há músicas que a banda costuma tocar ao vivo, como “Acquiesce” e “Swamp Song”.

E as faixas acústicas, cantadas por Noel, apontam a perspectiva de uma carreira-solo.

Faixa a faixa, “The Masterplan” sai-se melhor que o hypado “Be Here Now”, o que merece nova reflexão: seriam esses lados B tão superiores ou os A é que não tinham toda aquela qualidade apregoada na propaganda oficial?



Ecoando U2, um ex-lado B se transformou em single e acabou estourando nas paradas, ajudando a demonstrar que as rádios só tocam o que vem mastigadinho das gravadoras.

Ignorada quando saiu em 1995, “Acquiesce” foi a faixa escolhida para testar a cara-de-pau das FMs e acabou colando.

Há muitos e muitos anos, o físico Isaac Newton (1642-1727) escreveu em latim, em seu caderno de notas: “Platão é meu amigo, Aristóteles é meu amigo, mas meu maior amigo é a verdade, e eu não teria chegado aonde cheguei se não tivesse me apoiado no ombro de gigantes”.

O Oasis sabe que chegou até onde chegou apoiado nos ombros de quatro gigantes nascidos em Liverpool.

Lançado em 2000, o quinto disco da banda – sabiamente intitulado “Standing On The Shoulder Of Giants”, citação da frase de Newton – mostrou que a influência não os escravizou, ao contrário do que parecera em seu disco anterior.

O álbum é a prova de que eles merecem ter chegado aonde chegaram, amparados ou não nos Fab Fours.

“Standing On The Shoulder Of Giants” foi saudado entusiasticamente por diversos críticos.

Fred Shuster, do The New York Times, escreveu: “Abra uma (cerveja) Guinness pelo Oasis, que enfrentou seus temores e engendrou o mais satisfatório e direto álbum de rock da atualidade”.



Em “Fucking’ In The Bushes”, a maravilhosa faixa instrumental de abertura, o som da guitarra de Noel é amparado por samplers do filme “Message to Love”, dirigido por Murray Lerner, em 1970, e que mostra em ação, no festival da Ilha de Wight, gente como The Who, Doors, Hendrix, Joni Mitchell, Miles Davis e outras feras.

É um rito de passagem: o passado impulsionando o futuro, ambos em galáxias distintas.

Esse início do disco insinua que os irmãos Gallagher estão enveredando pela psicodelia explícita.

Mas não é exatamente isso.

Há até uma balada meio INXS, a gasosa “Sunday Morning Call”.

Tirando “Little James”, a baladinha pastel-família de Liam Gallagher, o disco é irrepreensível.

“Gas Panic!” mostra o estilo Oasis em sua plenitude, com a farra de guitarras tomando conta dos espaços da canção e uma adição inesperada de gaitas e flautas.

Em faixas como “I Can See A Liar”, eles visitam o hardcore primitivo do início dos anos 70, apesar dos mesmos vocais sessentistas de Liam e Noel à frente.

É uma levada um pouco à moda do Ten Years After.



“Roll It Over” volta à seara psicodélica, as cordas dedilhadas preguiçosamente, com sonoridade acústica e viajante.

Em “Put Yer Money Where Mouth Is”, o segredo da sonoridade está numa cítara eletrificada, que é tocada por Mark Coyle.

Em “Go Let It Out”, há um sampler do bluesman Johnny Jenkins, numa homenagem inusitada.

Esse disco é o melhor trabalho da banda desde 1995.

Malgrado ter feito fama como um bando de garotos irascíveis, o Oasis é uma banda de rock de fato.

Explorando uma fórmula ultramelodiosa e arranjos sofisticados, eles fizeram ao longo dos anos 90 um punhado de hits inquestionáveis. Não é pouca porcaria.

Um comentário:

Thiago disse...

só uma correçãozinha,Manchester City não tem somente 5% da torcida de Manchester,pode ser menor claro,devido aos grandes titulos de seu rival,mas nunca 5%,cheguei a ouvir certos especialistas em futebol inglês e alguns dizem q tem até mais que o seu rival United.

Dá-lhe Oasis haha