domingo, junho 19, 2011

Aula 44 do Curso Intensivo de Rock: Deep Purple


Talvez você nem tivesse nascido quando o britânico Deep Purple perpetrou seus primeiros hits em 1968: “Hush” e “Kentucky Woman”.

Na época, os caras estavam mais para psicodélicos do que para mentores do heavy metal inglês no começo dos anos 70, quando rivalizavam com outros monstros sagrados como Led Zeppelin e Black Sabbath.

O Deep Purple queria fundir a apoteose detonada pelo órgão Hammond de Jon Lord com os solos e riffs impagáveis de Ritchie Blackmore, em delírios lisérgicos que às vezes sugeriam Moody Blues ou The Zombies.

Algo que, cedo ou tarde, descambaria para o som progressivo, com todas as conotações positivas e negativas do rótulo.

Mas o Deep Purple preferiu o heavy metal.

Quem sabe, você nem fosse vivo em 72, na época em que o riff de guitarra de “Smoke On The Water” dominou o mundo.

Nessa época o grupo já tinha sua formação clássica, com os vocais de Ian Gillan e o baixo de Roger Glover (ambos ex-Episode Six).

Seria o começo da fase mais conhecida da banda, com discos como “Deep Purple In Rock” (1970), “Fireball” (1971), “Machine Head” (1972) e “Who Do We Think We Are” (1973).

Hoje, com mais de 30 anos de estrada, o grupo é uma instituição, tendo desde se reunido com o line up mais conhecido, até arriscado nomes como Joe Sartriani e Steve Morse.

Por isso, é importante a reavaliação do Deep Purple, a partir dos fundamentos na fase psicodélica do grupo.


Grande enquanto banda de heavy metal, o Deep Purple continua como uma espécie de caricatura de si mesma, arrebanhando fãs por osmose.

Nesse sentido, faz bem quem recorrer à primeira série editada pela EMI brasileira, com os três primeiros álbuns do grupo (remasterizados e acrescidos de faixas-bônus), mais uma coletânea que mescla entrevistas e depoimentos dos integrantes da banda com trechos das canções conhecidas.

A partir da cidade inglesa de Hertford, o tecladista Jon Lord, o guitarrista Ritchie Blackmore e o baterista Ian Paice convocaram o baixista Nick Simper e o cantor escocês Rod Evans para o quinteto, que estrearia com o álbum “Shades Of Deep Purple” (1968), com covers para hits dos Beatles (“Help”), Cream (“I’m So Glad”) e Jimi Hendrix (“Hey Joe”).

Logo na seqüência, lançariam um outro disco no mesmo esquema: “The Book Of Taliesyn” (1968).

O terceiro álbum (1969), chamado apenas “Deep Purple”, caprichava no material próprio da banda, em temas como “Chasing Shadow”.

Depois disso, Nick Simper seguiria seu caminho e Rod Evans iria participar do Captain Beyond.

Depois de dois anos sob a batuta de Jon Lord, gastos na realização de experimentos com jazz e música clásica (que culminaram no famigerado “Concert For Group And Orchestra”, de 1970), o Purple mudou totalmente de direção.

Com a entrada de Ian Gillan e Roger Glover, a banda passou a fazer um som monolítico, pesado e agressivo, que renderia “Machine Head”, o ápice da carreira do Deep Purple.

Poucas vezes na história do rock egos tão monstruosos conseguiram conviver de forma tão explosiva e harmônica.

São apenas sete faixas, uma melhor que a outra.


Já na abertura o Purple despeja potência com o clássico “Highway Star”.

Em seguida vem “Maybe I’m A Leo”.

A estrutura jazzística da canção permite que cada elemento do grupo mostre seu talento, inclusive com um solo cristalino de Jon Lord.

“Pictures Of Home”, a faixa seguinte, é uma música pouco lembrada pelos fãs do Purple.

Mas seu andamento marcial, comandado pela marcação precisa da bateria, serviu de modelo para inúmeras bandas do thrash metal atual.

“Never Before” é um rock de acento latino cuja maior virtude é quebrar a seriedade do grupo.

O riff magistral de “Smoke On The Water” anuncia o lado B.

A música narra o acidente com Frank Zappa – seu estúdio pegou fogo na Suíça, à época do Festival de Jazz de Montreux.

Apesar do trabalho de criação estupendo de Blackmore, merece destaque a disposição dos instrumentos no arranjo escrito por Lord.

As pinceladas nos pratos, a marcação na caixa, os toques paquidérmicos do baixo e os acordes no teclado vão sendo introduzidos um a um, forjando intenso clima de expectativa.

Para realçar a qualidade da composição, Ian Gillan teve de se conter ao máximo.

Acabou obtendo uma interpretação excepcional.

“Lazy” é quase um retorno às origens do Purple.

A introdução clássica do órgão de Lord poderia, sem susto, ser tocada em uma igreja medieval.

Mas logo a seguir, Blackmore e Paice entram em cena incorporando um balanço insuspeitado à música.

Daí pra frente, o show fica por conta do virtuosismo de cada músico, numa jam nunca menos que deliciosa.

O disco fecha com “Space Truckin”, um hard rock futurista cheio de ginga.

Em termos experimentais talvez seja a canção mais instigante deste álbum seminal que ajudou a lançar as bases do som pesado que viria s ser feito nas décadas seguintes.

Para dizer o mínimo, uma obra-prima.

O álbum “Machine Head” ficou entre os dez primeiros lugares na parada americana e vendeu dois milhões de cópias, em parte devido ao sucesso do single de “Smoke On The Water”.


Ian Gillan ainda gravaria mais dois discos com o Deep Purple – o ao vivo “Made In Japan” e “Who Do We Think We Are” – antes de trombar com o ego superdesenvolvido do guitarrista Ritchie Blackmore.

Ele foi expulso do grupo e chegou a mudar de ramo, tornando-se dono de um hotel e de uma loja de motocicletas.

Nesse ínterim, outros cantores estiveram no grupo, como David Coverdale e Joe Lynn Turner.

Os LPs “Burn” e “Stormbringer” são da fase em que o Purple tinha Coverdale como frontman.

Em outubro de 1975, algum tempo após ter levado o cartão vermelho da banda, Ian Gillan foi convidado para um show de um projeto paralelo de Roger Glover no Royal Albert Hall.

Chegou timidamente, com os cabelos tosquiados, e foi ovacionado de pé pelos antigos fãs.

“Foi algo emocionante”, ele conta. “Eram pessoas muito jovens e aplaudiam muito, o suficiente para que eu chegasse à conclusão de que tinha sido um erro abandonar tudo, que eu tinha crescido com a música e era esse o meu negócio”.

Ian Gillan cantou “Child In Time” uma das canções mais famosas do disco “Deep Purple In Rock”, de 1970, quando a banda britânica de hard rock contava com sua mais famosa formação: Ian Gillan (voz), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclados), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria).

A música – que leva a assinatura dos cinco, quase uma regra para o Purple na época – tem como tema a Guerra Fria, período após a Segunda Guerra Mundial (1939-45) em que blocos de países comunistas, liderados pela então União Soviética, e capitalistas, sob o comando dos Estados Unidos, viveram momentos de relações tensas.

Apesar de ser um dos clássicos do quinteto, com uma das mais famosas frases de teclado de Jon Lord, hoje em dia raramente “Child In Time” é tocada ao vivo.

“Ela soa datada, a Guerra Fria já acabou há tanto tempo... Na verdade, também não agüento mais cantá-la”, costuma dizer Gillan.

A letra inclui um trocadilho algo mórbido: bullets flying taking toll também significa “balas voando e contando os mortos”.


Após algumas idas e vindas, o Deep Purple se estabilizou em 1996 com uma formação bem próxima da clássica, que tem o virtuoso Steve Morse no lugar de Ritchie Blackmore.

De volta ao grupo, Gillan diz que não fica muito surpreso com o crescente interesse das novas gerações pelo som da banda.

Ele crê que é o punch, a energia do som da banda que atrai cada vez mais jovens.

“Eu tenho uma filha de 15 anos que adora o som, então eu não explico, só me divirto”, ressalta.

Amigo de Jeff Beck, George Harrison e Rod Stewart, ex-Jesus Cristo na ópera-rock “Jesus Christ Superstar”, de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, Ian Gillan tem uma vida que certamente daria um livro.

Aliás, ele já teve a idéia: acaba de lançar sua história em “Ian Gillan: The Autobiography of Deep Purple’s Lead Singer”, em co-autoria com David Cohen.

Na autobiografia, o cantor conta, por exemplo, como alguns executivos da indústria da música garfaram seus royalties e o levaram à falência, nos anos 80.

“O que posso dizer sobre isso é que não sou um homem de negócios, sou um cantor e estou feliz com essa condição”, diz Gillan.

Sua produção também é bastante eclética: esteve ligado do clássico fake dos anos 70 ao jazz-rock.


Em 1976, ele criou a Ian Gillan Band, cujos álbuns não tiveram nenhum sucesso comercial.

Integrou também o Black Sabbath, gravando um disco com a banda.

Dizem que estava bêbado no dia em que assinou contrato, coisa que não confirma nem desmente.

O set do Purple costuma apresentar toda a trajetória da banda, além de canções de seu mais recente CD, “Abandon”.

Tudo bem, os músicos são todos de primeira.

Mas o fato é que o mau humor de Ritchie Blackmore sempre faz falta.

Depois que deixou a banda, em 1975, ele montou a banda Rainbow.


Além de Blackmore, o grupo tinha originalmente o vocalista Ronnie James Dio (que se juntou mais tarde ao Black Sabbath), o tecladista Mickey Lee Soule, o baixista Craig Gruber e o baterista Gary Driscoll, os três últimos egressos da banda nova-iorquina ELF.

Durante os anos seguintes, o Rainbow teve muitas mudanças da formação por conta do perfeccionismo do guitarrista, mas sempre fazendo um rock pesado acima da média.


Genioso, mimado e autoritário, um dos maiores guitarristas do rock decide abandonar a estrada, se interna em sua nova casa de campo em um Estado montanhoso dos Estados Unidos e começa a criar o seu novo projeto, um grupo de música medieval acústico, tendo a própria mulher como vocalista, com o uso eventual de instrumentos elétricos, e de preferência com canções a serem executadas somente em castelos europeus.

O que seria maluquice para qualquer artista bem-sucedido virou o principal projeto da carreira de Ritchie Blackmore, o fundador do Deep Purple, um dos mais importantes grupos de rock.

Blackmore’s Night é o quinteto de folk rock formado pelo guitarrista de 66 anos em 1997 ao lado de Candice Night, sua esposa desde 1992.

A dupla acaba de lançar seu novo trabalho, “Autumn Sky”, o nono da carreira – o oitavo de estúdio.

O grupo surgiu depois do desencanto do guitarrista com o fracasso da segunda encarnação da banda Rainbow.

O Rainbow durou até 1984, quando Blackmore e o vocalista Ian Gillan articularam a volta do Purple com a sua formação clássica.

Mesmo com muitas brigas, Blackmore aguentou o Deep Purple somente até 1993, quando brigou com todos os membros.

Um ano de molho foi o suficiente para ressuscitar o Rainbow, que durou somente um ano, acabando em 1996 por conta de vendas baixas de ingressos e CDs.


A maluquice da música medieval acabou se revelando a decisão mais acertada do guitarrista às portas do século XXI.

“Under a Violet Moon”, de 1997, a estreia do Blackmore’s Night em CD, causou um impacto tão grande no mercado que logo se transformou em sucesso de vendas na Europa.

E a premissa inicial foi posta à prova: gravar CDs e fazer shows somente em castelos medievais, “para aproveitar a acústica inigualável destes locais imporváveis e majestosos”, segundo o próprio Blackmore na revista norte-americana Rolling Stone.

E assim foi durante as três primeiras turnês do grupo, tocando quase sempre e somente na Europa, com poucas escapadas para os Estados Unidos e Japão.


Grande parte do sucesso deve-se à excelente performance de Candice Night, a bela esposa.

Afinada e muito técnica, consegue imprimir a delicadeza necessária à maioria das composições, ser perder a força e a agressividade nas múisicas mais aceleradas, como algumas versões para clássicos do Deep Purple.

Blackmore, por sua vez, mostra-se muito à vontade tocando alaúdes, violas renascentistas e outros instrumentos medievais, surpreendendo até mesmo os fãs que sempre souberam de suas influências eruditas, que vão de Beethoven a Haendel, Vivaldi e Paganini.

“Autumn Sky”, o álbum, é provavelmente o mais inspirado da banda.

O nome é em homenagem à filha única do casal, Autumn Esmeralda, nascida no ano passado.

A cada álbum a banda se aproxima um pouco mais do rock, mas nada que obscureça o folk medieval e renascentista.


Criada em 1976, a banda Whitesnake era um projeto solo de David Coverdale, ex-vocalista do Deep Purple.

O nome Whitesnake foi tomado de um de seus álbuns (Coverdale lançou dois álbuns solo após sair do Deep Purple e antes de montar o Whitesnake).

Para acompanhá-lo em sua nova tentativa de igualar o sucesso do Deep Purple, Coverdale chamou os guitarristas Bernie Marsden e Micky Moody, o baixista Neil Murray, o baterista Dave Dowle e o tecladista Pete Solley.

Com esta formação gravaram em 1978 o seu álbum de estréia, “Snakebite”.

Com John Lord (que também havia tocado com o Deep Purple) nos teclados, lançaram, no mesmo ano, “Trouble”.



Quando comparado ao Deep Purple, ficava claro que o caminho escolhido pelo Whitesnake era outro: abandonar a temática e sonoridade de hard-rock-blues tradicionalista e enveredar pelos caminhos do hard-rock moderno americanizado.

Isso ficaria cada vez mais claro no decorrer dos lançamentos da banda, “Lovehunter” (1979), “Ready Na’ Willing” (1980, com Ian Paice na bateria, mais um egresso do Deep Purple), “Live In The Heart Of The City” (1980), “Come And Get It” (1981) e “Saints & Sinners” (1982).

Um comentário:

Anônimo disse...

bom dia
ouço a banda desde a adolscencia e acho inigualavel o som que fizeram nas segunda e terceira formação ,os vejo como um hard rock harmonico ,não heavi metal ,embora tenham lançado as bases prá isso como o led e outros ,pena que o tempo passa rapido, lord morreu e sabemos que não existira uma banda como essa .
No mais é só relembrar e viajar.