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sábado, julho 09, 2011

Aula 19 do Curso Intensivo de Rock: Elvis Presley


Apesar do impacto inicial causado por Bill Haley, os produtores musicais torceram o nariz.

Bill Haley não tinha a menor chance de se tornar um ídolo da juventude.

Além de ser um bocado gordo e barrigudo, os músicos que o acompanhavam lembravam muito mais as fantasias neuróticas de um pai caretão do que a rebelião sem causa defendida pela massa de adolescente da classe média urbana.

O que esses produtores musicais queriam era encontrar um músico jovem com qualidades suficientes para catalisar a revolta juvenil e subverter o gosto musical do mundo wasp.

Não sabiam onde encontrar o sujeito, mas de uma coisa tinham certeza: para conquistar a classe média americana era preciso ser branco e cantar com aquela voz rouca, arrastada e sentimental de um legítimo crioulo.

Tinha que ser branco, mas cantar como negro.

A cidade era Memphis, o ano, 1953, e esse negócio de racialmente integrado ainda dava a maior encrenca.

A Sun Records era uma gravadora meio fundo de quintal, que vivia de gravar talentos amadores para seu próprio deleite ou de fornecer matrizes originais às grandes companhias por uma mixaria.

Dizem que o cavalo só passa encilhado uma vez na vida para cada ser humano.

Sam Phillips, dono do negócio, teve a sua chance numa tarde de verão, quando um rapaz de 18 anos entrou em seu pequeno estúdio para registrar, só com violão, duas músicas: “My Happiness” e “That’s When Your Heartaches Beguin”.

O compacto resultante era para ele dar de presente para sua mãe, que aniversariava naquele dia.

O nome do sujeito era simplesmente Elvis Presley.

Sam vivia repetindo que queria “encontrar um branco com o som e o sentimento de um negro, para ganhar um milhão de dólares”.

Elvis Presley, um jovem aspirante a cantor, queria ter o melhor carro da cidade.

O encontro dos dois assumiria uma dimensão mitológica.


Chofer de uma firma de artigos elétricos, Elvis estacionou a caminhonete da companhia na sua hora do almoço em frente da Memphis Recording Service, uma subsidiária da gravadora Sun Records.

Ali, pagando quatro dólares, qualquer um podia gravar qualquer coisa num disco de acetato de dez polegadas.

Quem cuidava do serviço para Sam era Marian Keisker, ex-Miss Rádio de Memphis, que ficou impressionada com a voz e o tipo físico de Elvis.

Bastante excitada, Marian pegou o endereço e o telefone do rapaz.

E o recomendou vivamente ao patrão, que acabou ouvindo o aspirante a cantor.

Em outubro daquele ano, a convite de Sam Phillips, Elvis Presley estava de volta ao estúdio para gravar em bases mais profissionais.

Os sentimentos de Philips em relação a Elvis eram ambivalentes.

Acreditava no seu potencial, mas não conseguia acertar com ele.

Apresentou-o ao guitarrista Scooty Moore e ao baixista Bill Black e fez com que iniciassem um verdadeiro laboratório Presley.

Finalmente, foi marcada uma sessão para 5 de julho de 1954.

Corria tudo morno, como de costume, até que num dos intervalos, Elvis começou a brincar com uma versão envenenada de um blues de Arthur “Big Boy” Crudup, “That’s All Right (Mama)”.

Entrando na zoeira só de pirraça, o músico Bill Black pegou a batida em seu baixo acústico e Scott Moore começou a tirar os riffs que iriam definir o rockabilly.

Sam sentiu aquele estalo e gritou da cabine: “Que é que vocês estão fazendo?”.

Um dos músicos respondeu: “Sei lá...”

Sam ordenou: “Então descubram. Vamos rodar de novo!”

O resultado foi o que um crítico de rock definiu como “a Pedra da Roseta do Rock’n’Roll”.

Phillips selecionou os melhores takes e o enviou para a estação de rádio WHBO, onde “That’s All Right (Mama)” entrou como novidade no ar.

Em questão de minutos, os troncos telefônicos não suportavam mais a carga de chamadas querendo mais, muito mais.

“Quem é esse negro?”, perguntavam os ouvintes.

Ele era branquinho, mas tinha chegado para bagunçar de vez com o coreto dos segregacionistas e de outros caretas.


Começava ali a carreira daquele que viria a se tornar o maior furacão da música popular americana e depois mundial: Mr. Elvis Presley.

A associação de Elvis com Sam Philips durou 16 meses, até novembro de 1955, quando a Sun Records vendeu o cantor para a RCA por 40 mil dólares.

Sam não conseguiu o seu milhão de dólares, mas teve a glória de figurar no centro de uma verdadeira revolução cultural.

Elvis teve um pouco mais de sorte: com as luvas do contrato, comprou o primeiro de uma frota de Cadillacs.

Desta breve e insólita colaboração nasceu um punhado de canções que a RCA, muito tempo depois, reuniria num LP com o título “The Sun Sessions”.

Está tudo ali. A fusão ideal das duas grandes correntes sonoras – a branca e a negra, o country & western e o rhythm & blues – num estilo único, o rock’n’roll.

Estão ali o Elvis roqueiro, o Elvis caipira e o Elvis pop, o cantor romântico, às vezes até meloso, que arrebatava os corações carentes de todas as latitudes, de todas as idades.

É curioso ouvir, numa canção como “I’m Left, You’re Right, She’s Gone”, os Beatles dos primeiros tempos.

É intrigante captar, em “I’ll Never Let You Go”, a sensibilidade vocal lancinante do Lennon da fase pós-Beatles.

Como escreveu o crítico Albert Goldman, “20 anos antes, os músicos de jazz estavam fazendo o mesmo truque, tocando canções de maneira convencional e depois improvisando sobre elas. Vinte ou trinta anos antes do swing, o truque era o ragtime. O que Elvis fez nas sessões da Sun foi repetir instintivamente aquele processo de inovar a música recarregando o seu ritmo de um modo que tem caracterizado cada revolução estilística na história da música popular do século vinte. É isso que dá às sessões da Sun sua qualidade arquetípica”.

Uma faixa resume particularmente a vitalidade deste som que marcaria a nossa época.

É “Good Rockin’ Tonight”, com o baixo na marcação do boogie e a guitarra já saindo de suas funções meramente rítmicas para se alçar aos solos que alucinariam toda uma geração, enquanto Elvis faz o anúncio: “Well, I heard the news, there’s good rockin’ tonight!” (“Legal, eu soube da última: está rolando uma puta noitada de rock!”)

Um dos líderes mais carismáticos dos Panteras Negras, Eldridge Cleaver assim analisou o surgimento de uma nova música para um público novo: “Elvis Presley está lançando as sementes de um novo ritmo e estilo nas almas brancas dos jovens brancos da América, cuja fome interior e necessidades não se satisfaziam mais com os antissépticos sapatos brancos e as canções ainda mais brancas ainda de Pat Boone.”

Ele havia percebido a fina ironia presente na música “Blue Suedes Shoes”, gravada por Elvis.

“Você pode fazer o que quiser”, cantou Elvis para os sapatos brancos de Pat Boone, “só não pise nos meus sapatos azuis de camurça.”


Em pouco tempo a idolatria por Elvis atingiu tais proporções que a televisão – veículo até então numa posição marcadamente reacionária diante da nova música – se viu finalmente forçada a contratá-lo.

Em 1956, ele foi convidado para o famoso show de Ed Sullivan.

Mas o apresentador impôs uma condição: que Elvis só fosse focalizado pelas câmaras da cintura para cima, pois a ginga de seus quadris era considerada “obscena”.

O excesso de sensualidade foi uma das primeiras acusações lançadas contra o rockabilly.

Seu caráter primitivo de dança de acasalamento, herdado da música fortemente sincopada do negro africano, era enfatizado até na letra dissimulada de alguns sucessos, como na canção-manifesto de Chuck Berry, “Rock And Roll Music”: “It’s gotta be rock and roll music / If you wanna dance with me” (“Será uma música de rock and roll / Se você quiser dançar comigo”).

Era um convite dissimulado para uma boa trepada, claro, mas os versos davam a entender que se tratava apenas de uma nova onda musical...

Depois de seu primeiro grande sucesso mundial, o cultuado “Heartbreak Hotel”, Elvis Presley emplacou vários outros hits, como “Hound Dog”, “Blue Suedes Shoes”, “Don’t Be Cruel”, e estrelou os primeiros filmes – “Love Me Tender” (“Ama-me Com Ternura”) e “Jailhouse Rock” (“Prisioneiro Do Rock”).

O público jovem encantou-se com seu vigor e sua sensualidade, que originou o apelido Elvis the Pelvis (devido ao rebolado, até aquele momento, completamente inusitado), além de muitas controvérsias.

Os mais velhos, por exemplo, ficaram chocadíssimos: acharam aquele rebolado extremamente pornográfico e proibiram seus filhos de comprarem discos, posters ou revistas que falassem a respeito daquele músico libertino.

Convencido de que o rock era uma moda passageira, Elvis ficou obcecado pela idéia de mudar de profissão, tornando-se ator de cinema, a tal ponto que já fora convocado para prestar o serviço militar numa base na Alemanha, mas seu empresário, coronel Tom Parker, conseguiu dois meses de adiamento para que concluísse seu quarto filme, “Balada Sangrenta” (“King Creole”, 1958).

Fã de Marlon Brando e Humphrey Bogart, Elvis ambicionava tornar-se um ator de verdade e não um ídolo caça-níqueis.

Em seus planos, “Balada Sangrenta” representava um passo nessa direção. Fracassou.

Primeiro porque ele não era Brando nem Bogart.

Segundo, porque não conseguiu driblar os executivos da indústria do entretenimento: os filmes que fazia vendiam muito disco, mas ninguém achava que o contrário fosse possível.

Era impensável desperdiçar aquele filão de ouro em troca de papéis dramáticos no cinema.

Galã canastrão os estúdios tinham de sobra, mas ninguém tinha o cantor Elvis Presley.

A história de “Balada Sangrenta” dá uma boa medida desse jogo pesado.

O papel principal e o roteiro foram reescritos sob encomenda para Elvis, uma vez que tratava originalmente de um lutador de boxe.

O Danny do título virou cantor, mas continuou distribuindo tabefes, num arremedo do papel concebido, originalmente, para James Dean.

Com a morte de Dean, Elvis era a opção de sucesso garantido.

Michael Curtiz, criador de clássicos como “Casablanca”, foi contratado para dirigir o roqueiro.

Vacilou, mas acabou sendo o único a tentar fazer de Elvis o ator que ele sempre quis ser.

Os filmes de Elvis renderam algo como 180 milhões de dólares.

Calcula-se que mais de 1 bilhão de pessoas, de quarenta países, tenham assistido ao especial de TV “Elvis: Aloha from Hawaii”, em 1973.

Até sua morte em 16 de agosto de 1977, dependente de drogas, gordo e decadente, Elvis foi um dos cantores mais populares do planeta.


O auge de sua carreira aconteceu no começo dos anos 60, após servir por dois anos na Alemanha.

O roqueiro topetudo dos primeiros tempos encontra o mercado infiltrado de baladeiros e passa a cantar conforme a música.

Da sonífera “Are You Lonesome Tonight?” até as infalíveis “Love Letters”, seu novo repertório vem salpicado de flertes com sotaque latino (“For The Millionth And The Last Time”) e nem a canção napolitana tradicional “O Solo Mio” escapa de transformar-se numa convulsão dançante sob o nome de “It’s Now Or Never”.

Daí para “Torna A Sorriento” virar “Surrender” bastou um requebro de quadris.

A história de Elvis é tão excitante quanto sua música e dança.

Acompanhar os lances dessa história é como montar o quebra-cabeça do show business, incluindo seu lado desumano.

Sabe-se que seu médico particular, George Nichopoulos, acabou processado por receitar indiscriminadamente 5.300 pílulas a Elvis nos sete meses que precederam sua morte.

As mirabolantes cartadas do coronel Tom Parker, tentando colocar o músico nos eixos, mostram uma verdade: não havia astro assim antes de Elvis.

Muita gente acha que Parker fez o que pôde.

O fato de Elvis Presley nunca ter feito um show na Inglaterra era, até bem pouco tempo, um dos grandes mistérios do rock.

Nos anos 70, ele chegou a receber propostas milionárias para um único concerto, mas recusou.

Ao longo dos anos, seus biógrafos repetiram a desculpa oficial, a de que sua saúde não permitia longas viagens e ele tinha medo de cruzar o Atlântico de avião, preferindo permanecer em sua mansão em Memphis, no Tennessee.

O FBI, porém, tem outra teoria para as constantes recusas de Elvis em apresentar-se em território inglês.

Entre os arquivos de Washington abertos ao público em razão da Lei de Liberdade de Informação, surgiu um dossiê elaborado por um experiente agente do FBI, encarregado de fotografar as pessoas que entravam e saíam das mansões de Elvis em Memphis, Los Angeles e Las Vegas.

De acordo com ele, Elvis negou-se a ir a Londres por temer que sua dependência de drogas fosse revelada.

“Atualmente, Elvis Presley é psicologicamente dependente e usuário contumaz de cocaína; por causa disso, recusou uma oferta de milhões de dólares para apresentar-se em Londres”, diz o agente, cujo nome foi omitido no relatório que aparece no site do FBI na Internet. “Presley temia ser preso por porte ou consumo de drogas no exterior”, conclui o dossiê.

Segundo os arquivos do FBI, quem fornecia a droga ao cantor era uma ex-namorada, que na época vivia em Nova York e mantinha relações com a Máfia.

Apesar das informações de que dispunham, os agentes do FBI não agiram e Elvis acabou morrendo três anos depois, aos 42 anos.

Presley tinha verdadeira obsessão pelo FBI e chegou a escrever uma carta de fã para seu diretor, o hoje desacreditado J. Edgar Hoover, que lhe enviou uma credencial.

Elvis nunca soube, porém, que era constantemente espionado pela agência, que vigiava também os “hippies comunistas”, como John Lennon, a quem Elvis particularmente odiava.


No dia 16 de agosto de 1977, Elvis Presley tirava dos seus ombros a carga de ter de ser Elvis Presley o tempo todo.

Aos 42 anos, Elvis descobria que era um ser humano, não um mito.

O grande espelho do banheiro king size de Graceland, a mansão do astro, mostrava o homem de 1,75 m de altura com 116 quilos, inchado, cabelos pintados de preto para esconder o branqueamento quase total.

Uma imagem que o narcisista Elvis não tolerava.

Prisioneiro do seu mito, não se conformava com o envelhecimento.

O pior: o corpo fustigado por regimes severos começava a pagar tributo.

Diabetes, pressão alta, problemas cardíacos, uma infecção nos olhos e um bloqueio do cólon submetiam o rei do rock a freqüentes idas a clínicas e hospitais.

Para segurar a barra de uma indústria que dependia dele (não parava de fazer shows, de gravar discos e fazer filmes), Elvis, como disse um dos seus guarda-costas, virou “uma farmácia ambulante.”

O médico George Nichopoulos providenciava as drogas que mantinham Elvis ligado.

Em troca, Elvis perdoou um empréstimo de mais de US$ 100 mil e ainda lhe deu um Mercedes.

A autópsia do seu corpo mostrou 14 tipos de remédios e drogas, entre elas várias à base de morfina e anfetaminas.

Elvis tinha medo dos fãs, evitava sair à rua, por não se sentir fisicamente à altura do Elvis Presley que era o rei do rock.

Longe dos tempos em que o mundo estava a seus pés, virou um recluso na gaiola dourada da mansão em Memphis que batizou de Graceland.

Cercou-se de um bando de guarda-costas e com eles vivia na casa, recebendo visitas femininas ocasionais.


A mulher, Priscila, com quem se casou e teve uma única filha, Lisa, desistiu da esquisitice e da ausência do marido, teve um caso com o treinador de caratê dele e logo sumiu da vida de Elvis.

Nos últimos meses do cantor, ele estava com Ginger, uma garota de 20 anos, invariavelmente descrita como uma idiota pelos que a conheceram, com quem planejava se casar no Natal de 1977.

Nos últimos shows, a decadência de Elvis era flagrante.

Ele errava as letras ou cantava lendo os versos, enquanto a antiga voz sensual e empolgante soava simplesmente metálica.

Era visível que o cantor já não gostava do que fazia, o que antes era uma das suas marcas registradas.

Sua coreografia baseada em golpes de caratê já não era possível, pois estava com uma distensão no joelho e uma torção no tornozelo.

Cantava quase parado, inclusive para não rasgar as calças, como aconteceu em cena aberta.

No dia 26 de janeiro de 1977, Elvis resolveu casar com Ginger.

Mandou, de madrugada, um joalheiro fazer um anel de brilhante com 11,5 quilates.

Queria que ela, após dizer o sim, já viesse morar em Graceland, mas a menina recusou.

Quando se encontraram, uma discussão terminou com um tiro dado por Elvis que raspou a orelha da noiva.

De mau humor, Elvis cancelou gravações que iria fazer.

Mas as turnês o obrigaram a viajar, deixando a crise de lado.

Quando terminou, voltou a Memphis e assinou seu testamento, a 3 de março.

Ginger foi uma das testemunhas (mas não foi mencionada nele).

Depois, em péssimas condições, Elvis foi fazer uma série de shows, até que na Universidade Estadual da Louisiana desabou no palco, interrompendo a apresentação.

Era 31 de março.

Prato cheio para os tablóides, que começavam a detalhar o que chamavam de “o lado secreto” de Elvis.


O biógrafo Albert Goldman resumiu a coisa, citando os atos sádicos de Elvis contra namoradas, os tiros contra televisores, as fraldas que usava à noite, pois não controlava mais seu sistema excretor, o horror de tomar banho, a fixação na mãe, as orgias com coristas e starlets, o voyeurismo que o fazia ceder a própria cama a homens da sua equipe, enquanto ficava olhando por trás de espelhos de dupla face, ou excitando-se com lutas de ninfetas no chão do quarto.

No dia 15 de agosto, Elvis foi ao dentista e, ao voltar para Graceland, decidiu jogar raquetebol na quadra atrás da casa.

Já era noite e fazia muito calor.

Num agasalho para perder peso, Elvis jogou um pouco.

Cansou-se e foi relaxar no piano ao lado, onde cantou trechos de “Blue Eyes Crying In The Rain”, fez um pouco de bicicleta e o sol aparecia quando resolveu dormir.

Vestiu o pijama azul, ligou a televisão e começou a ler um livro.

Às 6h30 da manhã, chamou o meio irmão Rick, pedindo remédios para dormir.

Ginger acordou às 8h e Elvis ainda estava acordado, pedindo mais soníferos e uma garrafa de água bem gelada.

Às 9h30, avisou a Ginger que iria ler um pouco no banheiro e levou o livro “O Poder de Jesus”.

Ela dormiu de novo.

Graceland começou sua rotina habitual, com Vester Presley, o tio de Elvis, cuidando dos portões.

O show do dia seguinte seria em Portland, no Maine, onde já estava o coronel Tom Parker.

Elvis deve ter se sentado na grande cadeira estofada que havia no banheiro, enquanto sentia o corpo desistir da luta.

Caiu no carpete grosso sem barulho.

Ginger acordou por volta das 13h. Chamou-o. Nada.

Abriu a porta do banheiro e lá estava o namorado, caído em posição fetal.

O rosto estava roxo e a língua presa entre os dentes.

Ela tentou abrir um dos olhos. Nenhum sinal vital.

Desesperada, ligou para a cozinha e chamou um dos guarda-costas.

O principal homem do séquito de Elvis, Joe Esposito, chegou imediatamente, tentando fazer respiração boca-a-boca e massagens no peito.

Mas não havia resposta.

Os paramédicos logo chegaram à mansão.

Ginger começou a rezar.

Cinco homens colocaram Elvis na ambulância e o levaram ao Hospital Batista, enquanto um médico tentava reanimar Elvis.

Levado a uma sala da UTI, os médicos do hospital tentaram reanimá-lo por 30 minutos, mas logo veio a notícia: Elvis Presley tinha morrido.

A notícia não foi dada imediatamente.

Primeiro, o hospital revelou a repórteres que Elvis tinha dado entrada com complicações respiratórias.

O coronel Parker foi informado em primeiro lugar.

Joe Esposito ligou para Priscilla Presley.

No hospital, o relações-públicas dizia à imprensa: “Elvis Presley foi considerado morto às 15h30 por insuficiência cardíaca...”

Uma multidão se formou do lado de fora de Graceland.

O corpo foi para a necrópsia, que durou cinco horas.

Revelou que o coração estava dilatado, as artérias entupidas e o fígado danificado pelo uso de remédios.

A causa inicial foi dada como arritmia cardíaca.

Elvis foi para o caixão revestido de cobre.

Enquanto alguns milhares choravam, muitos começavam a ganhar dinheiro com o morto.

E outros não queriam acreditar.

Elvis começou a ser visto em várias partes do mundo.

O mito acabou virando culto.

E até hoje muita gente acha que ele não morreu.

2 comentários:

Anônimo disse...

Mesmo com esses detalhes da decadencia que eu não sabia, continuo idilatrando o cara... parabéns pela postagem, uma longa história de fácil leitura... gostei :)
Déa

José nito dantas disse...

Elvis foi e sempre será o rei,nunca será visto outra pessoa igual a Elvis presley no mundo,foi o unico e sempre será.