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quinta-feira, dezembro 01, 2011

Para entender de uma vez por todas o tal de “conflito das gerações”


Meados dos anos 70. Cada vez mais desaforado e irônico, o semanário Pasquim havia se tornado um fenômeno editorial e, evidentemente, seus editores e colaboradores gozavam de justa e merecida fama nos arraiais cariocas.

Recém-entrados na faixa dos 40 anos, Tarso de Castro e Ziraldo estavam se bronzeando na Praia de Ipanema e observando o mulherio com um ar professoral.

De repente, o jornalista gaúcho interpelou o cartunista mineiro:

– Porra, Ziraldo, você lembra quando a gente ainda era uns moleques mal saídos da adolescência e vinha pegar jacaré aqui nesse pedaço?

– Lembro, cara. Lembro, sim. Levei uns caixotes inesquecíveis.

– Lembra que depois que a gente saía do mar, ficava aqui, de bobeira, simplesmente olhando as menininhas gostosíssimas que passavam pra lá e pra cá, com cara de cachorro que quer ganhar um osso?

– Lembro, cara. Lembro, perfeitamente. Eu fiquei apaixonado por muitas delas um sem número de vezes.

– Lembra que a gente ficava se perguntando “quem será que come essas menininhas?”, porque elas nem davam bola pra gente?

– Lembro, cara. Lembro, mesmo. Passei várias noites em claro apenas pensando nisso.

– Porra, Ziraldo, sabe quem é que come aquelas menininhas gostosíssimas?... A gente, porra, a gente...

Quando o cartunista entendeu a mensagem, quase morreu de rir.


Eu e Mestre Pinheiro no boteco lá de casa

Há alguns meses, me encontrei com Mestre Pinheiro num canavial da pesada, lá pras bandas do Bar do Cipriano.

Nós dois, evidentemente, já passamos pelo Cabo das Tormentas dos 50 anos faz um bom tempo.

Mestre Pinheiro é um celibatário convicto há duas décadas.

Eu comecei meu noviciado nesse setor há dois anos.

É evidente que ele tem muito mais experiência do que eu.

Mas isso não vem ao caso.

O certo é que Mestre Pinheiro estava pilotando um Mustang conversível de tala larga e motor V8 turbinado, com, no máximo, 23 anos.

Eu estava com meu jeep AMG Hummer H3, que tem apenas 21 anos, mas enfrenta qualquer terreno e nunca me deixou na mão.

Os olhares malsãos da mais legítima inveja com que nos brindavam, era suficiente para São Francisco de Assis escrever duzentas epístolas aos flamenguistas ensinando que não deve se dar arroz aos urubus.

Lá pelas tantas, casualmente, eu e Mestre Pinheiro nos encontramos nas proximidades do mictório congestionado.


Jaques Castro, eu e Mestre Pinheiro, em mais uma tentativa real de malhar o abdome com cerveja

Depois de parabenizá-lo pelo bom gosto, contei a história do Tarso de Castro pra ele, que riu pra caralho.

Aí, me afastei cinco metros da barreira, olhei a posição do goleiro e bati na bola de três dedos:

– Mas, porra, bicho, você sabe quem é que come aquelas menininhas aqui em Manaus?

Pinheiro, com sua pureza característica, meneou a cabeça.

– A gente, porra, a gente! – afirmei.

Pinheiro riu tanto que os garçons foram ver se a gente estava aproveitando o mocó para cheirar lança perfume.

Acontece.


O poeta Zemaria Pinto, que também descobriu o óbvio ululante e estava com a gente no canavial do Cipriano

Deve ser por isso que a molecada com menos de 25 anos tem tanto medo de nós.

Somos, mesmo sem querer, o seu pior pesadelo.

Daí, o nosso velho e cansado grito de guerra:

– Vão malhar em academias seis horas por dia e injetar “bombas” nos canos até construir um abdome de tanquinho, cambadas de feladaputas!

Enquanto vocês suam sangue pra ficar marombados achando que vão comer alguém, a gente continua do mesmo jeito – flácido e adiposo, mas com grana no bolso.

Existe melhor atalho para pegar suas gostosíssimas parceiras de malhação?


O violonista Moisés Sete Cordas e Mestre Pinheiro, dois pegadores em tempo integral

Mas não somos tão cruéis assim:

Vocês podem ficar com todos os baitolas disponíveis – a começar pelos professores de academias (voltarei ao assunto qualquer dias desses...).

Afinal de contas, quem gosta de homem marombado é viado.

Mulher gosta mesmo é de dinheiro.

Entender essa verdade universal é fácil, extremamente fácil – até mesmo para sujeitos que desenvolveram os músculos e atrofiaram o cérebro.

E não se fala mais nisso.

Um comentário:

José Ribamar Mitoso disse...

Simão, cão que muito late não morde! Rssssssssssssssss. Coma quietinho.