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segunda-feira, abril 25, 2011

Rock Progressivo para principiantes (Parte 1)


Música de bichos-grilos do período jurássico, trilha sonora do fim do sonho, música de penteadeira de bicha velha e sons viajandões para descerebrados terminais.

Para que não se lembra, esses eram alguns dos epítetos lançados ao tipo de rock que os hippies adoravam curtir e a critica adorava odiar.

Na atual revisão geral da década de 70, o progressivo ressurge como influencia para o heavy metal, o reggae e a dance music.

Bandas como Primus e Rancid deixam a coisa explicita: tocam covers de Pink Floyd e Genesis na maior sem cerimônia.

Os músicos do Easy Star All-Star foram mais abusados: fizeram a recriação, em dub, de um dos álbuns mais consagrados do Pink Floyd, o “Dark Side Of The Moon”, e o batizaram de “The Dub Side Of The Moon”.

E o que dizer do remix clássico do Daft Punk intitulado “Pink Floyd Proper Education”?

Será o retorno do monstro das faixas de vinte minutos?


Na verdade, ele nunca foi extinto. Seja com o nome duvidoso de progressivos seja como o muito mais vago e pretensioso de art rock, se trata de um rótulo sem limites muito claros.

De modo muito geral, pode se dizer que diz respeito àqueles grupos que incorporaram bem ou mal ou simplesmente saquearam elementos da música erudita, com algumas pitadas de jazz e o que mais aparecesse.

Dá para notar que é uma etiqueta fácil quando não se acha gaveta para uma obra muito ampla ou muito esquisita.

As produções inclassificáveis e absolutamente diversas de Frank Zappa ou dos Residents costumam cair no mesmo saco, assim como qualquer coisa mais rebuscada que tenha um sintetizador na frente.

Também porque, no final dos anos 60 e início dos 70, esse tipo de ecumenismo musical era uma mania em toda música pop.

Havia uma necessidade de sofisticação (até no soul estava rolando isso, como se pode perceber nos discos daquela época dos Temptations e de Marvin Gaye).

Hoje, à distância segura, dá para se dizer que alguns grupos se superestimaram demais, levaram muito a sério a publicidade das gravadoras.

Uns poucos fizeram coisas realmente duráveis, com massa consistente sob tanto glacê instrumental.


As origens da criatura se perdem em viagens de ácido.

Foi com a psicodelia dos sixties que os músicos de rock começaram a encompridar os improvisos.

Daí passaram a se interessar por sons diferentes do blues e do R&B.

Criou-se um gosto por mudanças abruptas dentro de uma música, por composições menos lineares, mesclando “climas” diferentes.

Ao mesmo tempo, foram descobrindo as maravilhas que a eletrônica começava a oferecer nos estúdios para realizar essas mudanças.

Não é por acaso que se costuma culpar os progressivos de terem feito uma “leitura errada” das idéias contidas no Sgt. Pepper´s, dos Beatles, que por sua vez foi inspirado em parte em outra gema de estúdio, Pet Sounds, dos Beach Boys.


A partida teria sido dada pelo Moody Blues, ao colocar uma orquestra em seu álbum Days Of The Future Passed (67).

Nessa abertura para a mistura de sons de outras origens, principalmente na “alta arte”, estava o motivo que pôs a crítica com os dois pés atrás quando se tratava de progressivo.

O rock estava deixando para trás suas raízes negras, seu balanço e seu descompromisso, ficando complicado, difícil de tocar e de se entender e, principalmente, perdendo o bom humor.

No lugar, entravam uma queda por truques fáceis para causar espanto na platéia e uma temática místico-científica de almanaque, nos piores casos.

Em sua origem, o rock progressivo foi um estilo britânico.

Boa parte de seus primeiros músicos veio da classe média inglesa, gente que estudava música e que tinha costume de ouvir clássicos e jazz.

Sua atuação, à primeira vista, parecia querer obter respeitabilidade para o rock, fazer “arte” na velha perspectiva do “sério” versus o “fútil” – o que não combinava com um ritmo associado à rebeldia adolescente.


O sintoma estava em nomes do tipo Emerson, Lake & Palmer, que procuravam a pompa de um trio de cordas ou de um conjunto de câmara.

Além dos medalhões (Pink Floyd, Yes, Genesis, Emerson, Lake & Palmer), o progressivo se ramificou bastante.

Nos EUA, proliferaram filhotes com um pé no hard rock, que alcançaram grande sucesso comercial – caso do Rush.

Muitas das bandas incorporaram elementos progressivos para envernizar um rock basicamente careta – caso do Journey.

Mas a maioria das crias veio da Europa.


Houve uma linha interessante e anárquica na França, centrada no grupo Gong, do australiano David Allen e do guitarrista Steve Hillage.

Outra voltada para o folk e o som medieval inglês (Jethro Tull e Renaissance).

Uma terceira apostou em cruzar música contrapontística e algum jazz (Gentle Giant).

E ainda existiu aquela que foi mesmo para o lado do jazz de vez (Soft Machine) ou grupos que se basearam na música erudita do século 20.

Destes últimos saíramos trabalhos de pouco sucesso pop mas de mais influência no rock posterior a 80.


Sujeitos como Brian Eno, que a começar de sua participação no Roxy Music e colaborações com Robert Fripp, do King Crimson, exploraram as novas possibilidades oferecidas pelo estúdio de gravação.

Sua pesquisa teve paralelo na Alemanha, com gente também da área progressiva, como o produtor Conny Plank e o ex-baixista do Can, Holger Czukay – todos nomes importantes para o rock pós-80.

Outro personagem veio do movimento Rock In Opposition: o guitarrista Fred Frith, ex-membro do Henry Cow.

Morando hoje em Nova York, Frith é um dos mais ativos representantes de um bando de artistas classificados como “alternativos”, que funcionam no esquema “faça-você-mesmo”.


Para contrariar a regra, o velho Genesis, uma banda relativamente pop nos padrões do art rock, pariu Peter Gabriel, hoje uma espécie de guru multimídia.

O progressivo também rendeu alguma coisa também em termos de negócios.

As turnês megalômanas do Pink Floyd, do ELP e do Yes contribuíram para a montagem do tipo de infra-estrutura que depois serviu a eventos muito mais inflacionados, como a Zoo TV, do U2.


Apadrinhados por instrumentistas como Keith Emerson e Rick Wakeman, os teclados passaram a ser equipamento-padrão do rock.

Atrás da moda, a indústria foi desenvolvendo eletrodomésticos que desembocaram nos atuais samplers (que aliás, são a versão computadorizada do instrumento típico progressivo: o mellotron).

Os conservatórios e escolas de música também fizeram muito dinheiro com a molecada que resolveu estudar algo mais que três acordes.

Os sons “de época” dos moogs e mellotrons, as estruturas musicais complicadas – mas fascinantes para quem sabe tocar – e a idéia de “viajar” numa daquelas faixas imensas estão entre as fontes da renovação de interesse pelo progressivo.

Rock Progressivo para principiantes (Parte 2)


A mística cultivada por boa parte das bandas progressivas tem tudo a ver com uma época que tomou best sellers livros como “Eram Os Deuses Astronautas?”

VaJon Anderson e Chris Squire, do Yes, por exemplo, tinham como regra ser vegetarianos e ligados em algum tipo de meditação transcendental.

Foram alguns dos que tentaram levar um “modo de vida progressivo”.

Peter Hammill, do Van Der Graaf Generator, era obcecado por reencarnação.

As origens britânicas do progressivo ainda forneciam um material de imagens e histórias inspiradas na obra de autores como J.R.R. Tolkien (“O Senhor Dos Anéis”) e Lewis Carroll (“Alice No País Das Maravilhas”).

A queda por temas medievais lembrava a arte “pré-rafaelita”, que surgiu na Inglaterra no final do século 19.


O surrealismo, outra fonte de letras e capas de discos, já aparecia no hit do Procol Harum, “A Whiter Shade Of Pale”, em 67, só que num clima depressivo, diferente do nonsense alegre dos Beatles e dos grupos psicodélicos.

Sem falar nos dinossauros e nas imagens épicas que pareciam tiradas de um gibi do Conan.

Se as músicas passavam a envolver temas complexos, ficando longas ao ponto de ocupar álbuns inteiros, as capas também teriam de fazer parte da concepção geral.


A partir de 71, o Yes passaria a ter um designer de capas e shows: Roger Dean, que deu a cara definitiva para a banda com seus desenhos misturando surreal e art déco.

Também faria capas de “filhotes” do Yes, como o Asia e outros progressivos, como o Greenslade.

Hoje, ele projeta casas “new age” na Califórnia.

Assim como Dean, o estúdio Hipgnosis faria escola nos anos 70.


Um de seus fundadores, Storm Thorgerson, foi (como Dean para o Yes) responsável pelo visual do Pink Floyd, com capas que incluíam porcos infláveis voando sobre Londres.

Com uma queda pelo surreal à Ia René Magritte, a Hipgnosis trabalhou para muita gente fora do progressivo, como o Led Zeppelin.

O Genesis também teve seu capista por algum tempo, Paul Whitehead.


Nos anos 80, esse trabalho conceitual continuaria com Peter Saville, para o selo Factory, Nigel Grierson, para o 4AD, ou Russell Mills, para o Opal.

O progressivo também teve seu lado engajado, expresso no movimento Rock In Opposition.

Eram bandas que divulgavam idéias de esquerda por um veículo “popular” como o rock, mas buscando referências no atonalismo e outras concorrentes de vanguarda da música erudita.

Seus formadores: o Henry Cow e bandas da Europa continental como Etron Fou Leloublan, Stormy Six, Samla Mammas Manna e Univers Zero.

Com eles, não tinha florzinha ou duendinho: um exemplo é a capa do melhor disco do Henry Cow, com uma foice e um martelo explícitos.

Curiosidades

Grupos de nomes esquisitos sempre foram regra no rock, mas o progressivo criou casos à parte, como o Samla Mammas Manna, da Suécia.

O guitarrista Glenn Branca, antes de sua carreira solo, tocou em um art group chamado Theoretical Girls.

Mas nesse departamento de títulos é difícil bater o brasileiro Recordando O Vale Das Maçãs.


Nem Keith Emerson, nem Rick Wakeman: o recordista de teclados ao vivo é Geoff Downes, ex-The Buggles, ex-Yes, com 21 deles entortando o palco na turnê de 83 do Asia.

Os teclados evoluíram o bastante depois disso para ele não precisar esbanjar tanto.

O ELP poderia ter sido FELP ou até HELP.

Isso porque tanto Robert Fripp quanto Jimi Hendrix mostraram interesse em participar do grupo quando ele estava em fase de formação, em meados dos anos 60.

Mas Keith Emerson não queria concorrência.

Fripp mandaria bala contra o trio em entrevistas, algum tempo depois.


O mellotron, instrumento fundamental de bandas como o Moody Blues e o King Crimson, era na verdade uma versão não-licenciada de um outro instrumento, o Chamberlin, fabricado nos EUA.

Ambos eram teclados que acionavam fitas gravadas com sons de instrumentos de orquestra.

Davam muitos problemas de manutenção, mas seu som era tão particular que hoje muitos tecladistas têm mellotrons sampleados.

Ainda no capítulo dos instrumentos: o solo de Keith Emerson em “Lucky Man” (70) foi o primeiro realizado com um sintetizador.


No caso, era um Moog 3C, um monstrinho que lembrava mais um fliperama, conhecido anteriormente pelas gravações de Bach feitas por Mr. Walter (hoje Mrs. Wendy) Carlos.

De todas aquelas “obras conceituais” do rock progressivo, a mais curiosa e engraçada é a trilogia amalucada que conta a história do planeta Gong e cujo personagem principal chama-se Zero (The Hero).

Os discos são Flying Teapot (73), Angel’s Egg (73) e You (74).


David Allen, líder do Gong e autor da história, tem um currículo raro.

Entre outras aventuras, ele musicou uma obra do poeta beat William Burroughs em 62, a pedido do autor.

Além disso, em 79, montou em Nova York a base do que seria o grupo Material, com o baixista Bill Laswell.

Nos anos 70 a música progressiva foi usada e abusada na TV, como trilha predileta para telejornais.

Dois exemplos no Brasil: “Karn Evil 9”, do ELP, no antigo Jornal Da Globo, e “Summer 68”, do Pink Floyd, no Jornal Nacional.

O Pink Floyd teve intenções de realizar a trilha sonora para “2001 – Uma Odisséia No Espaço”, de Stanley Kubrick. Não conseguiram.

Em compensação, o grupo alemão Popol Vuh colaborou bastante com o diretor Werner Herzog, em filmes como “Aguirre, A Cólera Dos Deuses”.

Rock Progressivo para principiantes (final)

Os dez grandes discos do progressivo? Impossível chegar num consenso. Mas aí vão algumas sugestões interessantes para começar a entrar no clima

Pink Floyd – Ummagumma (69)


The Piper At The Gates Of Dawn continha a criatividade de Syd Barrett, The Dark Side Of The Moon vendeu mais, mas Ummagumma trouxe o Pink Floyd mais influente, em fase de transição.

Soft Machine – Third (70)


Experiência radical no sentido do free-jazz, em álbum duplo do grupo-mestre do chamado Canterbury sound, nome comum do Soft Machine e das bandas que derivaram de suas formações.

Yes – The Yes Album (70)


Este foi o último disco do Yes antes da entrada de Rick Wakeman e foi o que mostrou os melhores resultados das colagens musicais que o grupo cultivava antes de descambar para a megalomania.

Can – Tago Mago (71)


O grupo alemão foi buscar inspiração na música erudita contemporânea, como a obra de Karlheinz Stockhausen, mas adicionou doses de anarquia e psicodelismo sobre seu ritmo minimal.

Van Der Graaf Generator – Pawn Hearts (71)


Peter Hammill pôs em música aquela típica confusão de misticismo e ciência que a revista francesa Planéte cultivava na época. Aqui, suas melhores letras encontraram a trilha apropriada.

King Crimson – Larks Tongues In Aspic (72)


O guitarrista Robert Fripp remontou sua banda (surgida em 69) e revisou sua música puxando para o free-jazz, explorando a percussão e contrastes violentos, do quase-silêncio ao heavy metal.

Emerson Lake And Palmer – Brain Salad Surgery (73)


O dino-trio na melhor forma, antes do ego inflar às dimensões incontroláveis dos álbuns seguintes. Atrás de muita pompa e circunstância, a faixa do balaco era a “segunda impressão” de “Karn Evil 9”.

Brian Eno – Before And After Science (77)


Eno e convidados como Robert Fripp, Freei Frith e Phil Collins em sua última coleção de canções até “Wrong, Way Up”, de 90. A música apontava para os caminhos do trabalho delineado por Eno como produtor ao longo dos anos seguintes.

Frank Zappa – Zappa In New York (78)


Se o estilo único de Frank Zappa coube de alguma forma no rótulo progressivo, este álbum duplo ao vivo trouxe suas melhores incursões no gênero, como “Black Lagoon” e a valsa-country “Sofá”.

Henry Cow – Western Culture (79)


O “rock de esquerda” do HC em sua versão mais rigorosa, instrumental, sem improvisos. Música complicada, clima pesado, destacando a bateria “invertebrada” do americano Chris Cutler.

quarta-feira, abril 20, 2011

Causos de Bambas: Tom Jobim


No início do ano, o Google preparou uma bela homenagem ao aniversário de 84 anos de Tom Jobim.

Tom Jobim, autor de canções como “Garota de Ipanema”, “Águas de Março” e “Insensatez” foi um dos maiores nomes da música brasileira e principal referência para grandes cantores de várias gerações.

Em 1964, mesmo concorrendo com nomes como Beatles, Elvis Presley e Rolling Stones, Tom conseguiu vencer o Grammy de música do ano com “Garota de Ipanema”.

Não bastasse isso, até mesmo Frank Sinatra se rendeu aos encantos da música do brasileiro e gravou dois discos com músicas de Jobim.

Com tamanho sucesso no mundo, Tom Jobim acabou tocando com inúmeros artistas de renome, entre eles Gerry Mulligan, Frank Sinatra, Elis Regina, Vinícius de Moraes e João Gilberto.

Vale lembrar ainda, que até mesmo a Mangueira homenageou Tom Jobim no ano de 1992.

Naquele ano a escola de samba desfilou com o samba enredo “Se Todos Fossem Iguais a Você”.


O maestro, arranjador, pianista, cantor e compositor Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 25 de janeiro de 1927 e faleceu em New York, nos EUA, em 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos.

O que fez de Tom nosso maior representante da MPB na música mundial foi, com certeza, o brilhantismo pessoal, talvez o mesmo que o tornava o centro das atenções nas mesas dos bares.

Tom desafinou a bossa nova, cantou o amor, o silêncio do namoro, a expressão dos olhares. Cantou Heloísas, Luízas, Lígias e Teresas.

Tom Jobim musicou de maneira real e imaginária nossa terra, nossos bichos, nossas matas, suas sombras, ruídos, seus vôos e movimentos.


Um belo dia, o nosso maestro soberano estava dormindo de bruços no sofá da casa de Vinicius, uma cobertura perto da rua Faro, no Jardim Botânico.

Testemunhas oculares e auditivas: Vinicius de Moraes, Nelsinho Mota e Marcos de Vasconcellos.

Era um comecinho de tarde, logo depois do almoço.

Aí, chega um bando álacre de menininhas, todas normalistas, para lamber o poeta.

Uma delas identificou o maestro e perguntou, com unção:

- É ele? É ele?

E ajoelhou-se para a devoção, para o encaminhamento, para o êxtase.

Sem abrir os olhos, o maestro deu uma ajeitada nos fundilhos e soltou um pum no narizinho dela. Daqueles brabos.

Vinicius, Marcus e Nelsinho saíram correndo da sala.

Causos de Bambas: Roberto Burle Marx


Conhecido internacionalmente como um dos mais importantes arquitetos paisagistas do século 20, Roberto Burle Marx estudou pintura em Berlim, na Alemanha, no final dos anos 1920.

Lá, ele era freqüentador assíduo do Botanischer Garten Und Botanisches Museum Berlin-dahlem, o mais antigo jardim botânico alemão, fundado no século 17 como um parque real para flores, plantas medicinais, vegetais e lúpulo (para a cervejaria do rei).

Esse jardim foi reformado no início do século seguinte e se tornou um dos mais importantes centros de pesquisa em botânica da Europa.

Foi lá, a mais de 10.000 km de sua casa no Rio de Janeiro, que o rapaz de 19 anos notou pela primeira vez a beleza das plantas tropicais e da flora brasileira.

De volta ao Brasil, ele continuou seus estudos na Escola de Belas Artes, no Rio.

Os jardins planejados por Burle Marx eram comparados a pinturas abstratas, alguns bem curvilíneos, outros de linhas retas, usando plantas nativas brasileiras para criar blocos de cor.

Além de paisagista de renome internacional, ele também foi um pintor notável, escultor, tapeceiro, ceramista e designer de jóias.

Seu primeiro projeto paisagístico foi o jardim de uma casa desenhada pelos arquitetos Lucio Costa (que projetou Brasília) e Gregory Warchavchik, in 1932.

Dali em diante não parou mais de projetar paisagens, pintar e desenhar.


Em 1949, Burle Marx comprou uma área de 365.000 m2 em Barra de Guaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. Ali começou a organziar sua enorme coleção de plantas.

Em 1985 ele doou a propriedade à Fundação Pró-Memória Nacional, entidade cultural do governo federal que atualmente se chama Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Hoje em dia pode-se encontrar um jardim ou uma estufa projetados por Burle Marx em várias partes do mundo, como em Longwood Gardens (Filadélfia), na Universidade da Califórnia, na cobertura da sede de um banco paulista, no aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), em Caracas (Venezuela).

Mesmo sem ter uma educação formal em arquitetura paisagística, o aprendizado de Burle Marx na pintura influenciou a criação de seus jardins.

Ele aceitava, embora de forma relutante, que pintava com as plantas.

Mas seu trabalho não pode ser reduzido ao efeito pictórico e visual produzido por suas paisagens. Marx se autodefinia como um artista de jardins.

Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, ele inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante.

Foi ele quem valorizou as bromélias, por exemplo, e tornou-as populares: hoje essas plantas naturais da Mata Atlântica se tornaram conhecidas e são cultivadas em viveiros para serem vendidas.

O estilo Burle Marx tornou-se sinônimo de paisagismo brasileiro no mundo.


Um belo dia, durante uma festa de casa grã-fina, Roberto Burle Marx exagerou no vinho e nos canapés.

Sentiu que não dava mais para manter o líquido dentro do estômago e partiu voando para o lavabo.

Abriu a porta já com a pasta aflorando na garganta e topou com uma senhora de costas, curvada, à cata de papel higiênico, traseiro exposto.

Não deu tempo. O esguicho grená foi direto na bundoca de madame.

Dona da bunda vomitada: Flor de Oro Trujillo.

Causos de Bambas: Maciel do Trombone


O mineiro Edson Maciel nasceu numa família de músicos ou, mais exatamente, de trombonistas.

Seu pai e pelo menos dois de seus irmãos tocaram trombone, sendo que o mais velho, Edmundo, seguiu carreira e, em vários momentos, participou de gravações junto com Edson.

Foi nesse meio que se deu a iniciação musical de Edson Maciel, embora não haja informações sobre com que idade, com quem e o quê aprendeu, além do trombone.

A trilha da formação de Edson Maciel reaparece em meados da década de 1950, no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, quando é citado constantemente como um dos principais músicos de sopro que ajudaram a criar a moderna música instrumental brasileira.

Junto a alguns dos maiores instrumentistas que o Brasil produziu, teve contato com o jazz e com a intensa disputa que caracteriza o convívio dos músicos de primeira linha.

Conheceu e tocou com diversos jazzistas que visitavam o Brasil e davam “canjas” no Beco, e pôde ouvir ao vivo Nat King Cole, Dizzy Gillespie, Bud Shank e outros que por aqui passaram.

Com arranjos de Tom Jobim, o disco Sergio Mendes e Bossa Rio foi um marco na MPB porque contava com uma gama de instrumentistas de alto quilate: Sérgio Mendes (piano), Edison Machado (bateria), Tião Neto (baixo), Aurino Ferreira (sax tenor), Edson Maciel (trombone de vara), Raul de Souza (trombone de válvula) e Hector Costita (sax tenor).

Maciel era um mulato sestroso, muito engraçado, cabeça meio pensa, que debochava de tudo e de todos.

Depois do sucesso do disco de Sergio Mendes, ficou mais abusado ainda.

Uma noite, o trombonista foi jantar num restaurante chiquérrimo, no Rio de Janeiro, provavelmente o Le Bec Fin (que a Ilka Soares chamava de Fim do Beco).

O maitre aproximou-se com o cardápio, ou melhor, com o menu. O Maciel perguntou:

- O que é que tem?

O maitre, suntuoso, imperial, vingando-se da Lei Afonso Arinos, responde com arrogância e desdém:

- Tudo, cavalheiro.

- Ah é? - comanda Maciel - então me traz rã com endívias, farofa de asa de morcego e suco de capim navalha com hortelã...

O maitre queria briga.

Causos de Bambas: Joel Silveira


Domingo cedo, o jornalista e escritor Joel Silveira telefona para o arquiteto e escritor Marcos de Vasconcellos, quer companhia para o uísque.

- Não posso, Joel! -, responde o arquiteto. "Tenho um compromisso em Niterói."

Joel, com aquele exagero calmo que era direito seu, merecido, pois morreu na FEB, defendendo a pátria, como ele mesmo dizia, estranhou a viagem:

- Você? Domingo? Niterói? Não combina.

E contou:

- Uma ocasião, fui com o Rubem (Braga) a Petropólis num domingo e lá visitamos o Soares Sampaio, grand seigneur, elegantíssimo, superior. O Rubem, lá pelas tantas, quis dar um passeio pela cidade. Soares Sampaio soterrou-lhe a idéia com uma sentença histórica, proferida com majestade: deixemos o domingo à patuléia.

E concluiu:

- Nada de Niterói! Venha já pra cá!

O arquiteto foi.

Causos de Bambas: Richie Havens


Casa do músico Luiz Bonfá, um grupo pequeno de amigos foi escalado para o sabido prazer de conhecer e ouvir um dos grandes cantores americanos de jazz, Richie Havens, monstro sagrado de todos os grandes festivais do mundo.

Havens não se fez de rogado e cantou horas seguidas para uma turma embasbacada.

Detalhe: ele não tinha um único dente na boca deserta, tal como pode ser visto no filme Woodstock.

Uma das moças tomou coragem e, animada pela simplicidade do músico, perguntou por que ele não metia lá a terceira dentição.

Resposta de Richie Havens:

- Pra que? Não tô a fim de morder ninguém...

Causos de Bambas: Ubiratan


Em certos hotéis na Suécia, o sistema individual de calefação só é acionado quando abastecido com moedas do país, equivalentes mais ou menos a meio dólar.

Como os aparelhos são destinados a turistas nem sempre escandinavos, cuidou-se para que fosse impossível qualquer forma de fraude ou violação, sendo praticamente impossível enganar o artefato.

Brasileiros. Equipe de basquete. Inverno em Estocolmo que quem conhece sabe que congela até rabo de foca e é inevitável a calefação, além dos mil cobertores.

No fim de semana, o gerente do hotel onde estavam os nossos patrícios foi fazer o circuito para recolher as moedas.

Em todos os quartos, os depósitos dos calefatores estavam cheios de dinheiro, nos dos brasileiros nem um níquel.

- Impossível! - pensou o pobre homem. "Ninguém sobrevive ao inverno sueco sem o quarto aquecido, mormente esse tropicais."

Foi lá um investigador investigar. Os aparelhos estavam perfeitos, nenhum arranhão, nenhum sinal de crime.

E assim foi durante toda a temporada.

A brasileirada acordava fagueiríssima, os quartos quentinhos e moeda, que era bom, nenhuma.

Fim da temporada, a turma já de partida, o gerente fez um apelo ao coração humanitário dos atletas.

E jurou que não faria qualquer retaliação, só queria saber - pelo amor de Odin! -, qual o truque.

Ubiratan Maciel resolveu contar. Afinal, não iam voltar lá mesmo.

O truque: eles compravam aquelas moedas de chocolate, usavam a embalagem como forma, faziam moedads de gelo, acionavam os aparelhos, aqueciam-se, as moedas se evaporavam.

Um crime perfeito!

Campeão mundial de basquete pela seleção brasileira em 1963, Ubiratan Maciel, morto em 2002, passou a fazer parte do Hall da Fama do Naismith Memorial, em Springfield, no estado americano de Massachusetts.

Ubiratan foi indicado para a lista no ano passado ao lado de astros como Karl Malone, Scottie Pippen e Cynthia Cooper, em anúncio que também homenageou o “Dream Team” dos Estados Unidos, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1992 com uma equipe formada por astros como Magic Johnson e Michael Jordan.

Causos de Bambas: Bororó



Alberto de Castro Simões da Silva, o famoso compositor Bororó (A Cor do Pecado, Curare), sobrinho da Marquesa dos Santos, carioquíssimo, foi um dia visitar um amigo, que morava no 8º andar de um edifício de Copacabana.

O visitado não estava e a empregada, solícita, convidou-o a entrar e esperar o dono da casa.

Bororó ficou sentado na sala distraindo-se com um exemplar da Manchete, como sempre antiquíssimo, e afagando a barriga de um gatinho branco, angorá.

Passa-se o tempo. Mais. Passa-se muito tempo.

Bororó desiste da espera e vai procurar a empregada para despedir-se e agradecer.

A porta do corredor para os quartos e a cozinha está trancada.

A empregada tinha saído.

Bororó deixa um cartão e vai embora.

Impossível. A doméstica, esquecendo-se do visitante, ao sair, trancara a porta da rua.

Ilhado, o compositor vê aproximar-se a sua sagrada hora de ir ao banheiro que finalmente chega e não dá para segurar.

No desespero, Bororó abre a Manchete e deposita lá sua cagadinha (maneira de dizer. Estava mais para ona).

E limpa a bunda com o gato angorá.

terça-feira, abril 19, 2011

Primeiro as coisas primeiras


Uma semana sem internet pode não ser o fim do mundo, mas ajuda muito a mudar nossos conceitos sobre interatividade, interconectividade e outras deidades a qualquer prova.

A fornecedora do serviço explicou que um cabo de fibra ótica havia se partido na região do Parque Dez e ficou por isso mesmo.

Ainda bem que não sou um dependente químico dessa merda e só entro nas redes sociais se for absolutamente necessário.

Aproveitei a semana involuntária de folga para colocar a leitura em dia, lendo alguns livros pela primeira vez (as biografias de Bussunda e Ricardo Amaral, por exemplo), relendo outros pela undécima vez (Espere a Primavera, Bandini!, por exemplo).

Nas releituras, acabei esbarrando em um antigo texto do meu ídolo Millôr Fernandes, que transcrevo abaixo:


Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação

Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.

Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.

O comando "browse" permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.

Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.

Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S.

Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.

sexta-feira, abril 08, 2011

Informativo do Projeto Cultural Uakti


A cada semana Manaus nos surpreende com a quantidade e a qualidade de espetáculos de alto nível, a maioria da iniciativa de particulares, de gente que quer fazer, mostrar seus trabalhos, sua arte.

Assim, está ficando cada vez mais difícil para nós, do Projeto Uakti, escolher o destaque da semana.

Pra começar no sábado teve (com pouquíssima divulgação, infelizmente) uma iniciativa fantástica da Cia. Vitória Régia de unir cultura e valorização do centro histórico de Manaus, através de um projeto denominado “Cultura na Rua do Frei”, do qual participaram Lucinha Cabral, Nonato Tavares, Regina Melo, Paulo Góes, Marinho Simoes, Moacir Parnaiba, Koia Refkalefsky e Sabrina Oliveira, além da Companhia Vitoria-Regia e Grupo de Capoeira Cativeiro, Armando de Paula, George Jucá e Raymond de Sá, entre outros.

Ainda na semana passada foi destaque a criação, pelo governo estadual, do Serviço Social Autônomo denominado Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural.

Já nesta semana Manaus se tornou a centro da moda com o Projeto Vitrine Rosa Choque (Saraiva Megastore e Elegance Festas & Convenções) que está estimulando a criação de um mercado de moda em Manaus bastante promissor. Os debates, as oficinas e a feira foram um sucesso e empregou bastante gente, inclusive artistas multi-mídia.


Na semana cultural de Manaus dois grandes destaques para a memória dos artistas e intelectuais de Manaus: lançamento de livro, debate e exposição sobre a obra do grande artista plástico Anísio Mello (Livraria Valer, amanhã, 9h00) e a criação do Prêmio de Jornalismo Narciso Lobo, pelo Sindicato dos Jornalistas do AM.


O Uakti se junta a estas justas homenagens e publica algumas fotos de ambos no Uakti, em 1989.

Já na área da música tem espetáculo para todo tipo de público e gosto. Mas o Uakti recomenda:
Hoje, dia 08/04,

1) O Show “Canções do Norte” (Fino da Bossa, 22h00), com Salomão Rossy que homenageia os grandes compositores do Acre, Amapá, Roraima, Pará e Amazonas.

Excelente idéia essa de montar um cancioneiro regional pan-amazônico; um pulo para reunir os próprios autores das músicas, como fez o Itaú Cultural com “Gente da mesma floresta”, da qual participou, pelo AM, o grande Célio Cruz.


2) O novo show do Karine Aguiar Quinteto (Chefão, 22h30) que apresenta um novo repertório, novas concepções de arranjos, muito jazz, blues, soul, samba e bossa nova.


O Quinteto é formado pelos músicos Anderson Cavalcante (piano), Emerson Marcelo Figueiredo (guitarra/violão), Felipe Romagna (sax), Miquéias Pinheiro (baixo), Ygor Saunier (bateria e percussão) e Karine Aguiar (voz). A base do quinteto que foi para Minas dentro do Projeto Cultural Uakti (vejam fotos anexas).

Já amanhã, sábado, 9, além dos “Causos e Canções” de Pedro Cesar Ribeiro e Assis Mourão às 20h30 no ICBEU e de mais uma despedida do diretor Ricardo Risuenho e da Cia. de Intérpretes Independentes “Com Shakespeare na Rua” (Parque dos Bilhares, 19 e 20h30), temos mais duas excelentes pedidas:

1) O Show “Artistas Reunidos” (Gargalo Sport Beer, 21h00), com Eduardo Dornellas, Raulnei, Márcia Novo, Cileno, Mirtes Melo, Bella Queiroz e participação especial da Banda Heroes.

Essas reuniões vão acabar dando em samba.

2) O show “Noite do Beiradão” (Aomirante, 22h00), com o Grupo Cordão do Marambaia e a Banda Tucumanus.

Essa experiência do movimento Marambaia é um ótimo filão a ser explorado em termos de música e resgate da memória cultural dos povos da Amazônia.

Tem baião, xote, carimbó, maracatu, marabaixo, çairé, marambiré, tambor de minas, lundu, entre outros.

É bom lembrar que já na segunda-feira tem ótimos debates sobre política cultural.

para conferir a programação cultural desta semana, clique aqui.

Neste sábado, tem boca livre na Livraria Valer. Prestigie!



quinta-feira, abril 07, 2011

Tudo que você queria saber sobre punheta, mas tinha medo de perguntar


Muito bem, caro neófito da AMOAL. Antes de avançarmos nos conhecimentos ultra-secretos de nossa organização, vamos falar um pouco sobre o nosso melhor amiguinho (ou “anjo da guarda”, se preferir).

Se você não sabe de quem se trata, estamos falando daquele sujeito roliço, cabeçudo e educado, que sempre se levanta para uma mulher sentar.

De acordo com alguns estudiosos, até o período Neolítico os homens não sabiam qual era sua função na geração de uma nova vida.

A partir do momento em que o homem descobriu que tinha papel importante na concepção, a estrutura da sociedade passou de matriarcal a patriarcal.

Foi quando o homem descobriu que o pênis não servia apenas para mijar.


Associado à determinação e à força, o pênis é o símbolo máximo da masculinidade e, por esta razão, fonte imensa de prazer, mas também de ansiedade e de dor.

Os romanos davam a ele o nome de “fascinum” – de “fascinar” e “fascinação”.

Para o psiquiatra Carl Jung, “o falo é fonte de vida, da libido, o criador e fazedor de milagres e, como tal, é adorado por toda parte”.

O xivaísmo é um culto dentro do hinduísmo e seu símbolo é o linga ou falo.

Xiva disse: “Eu não sou diferente do falo, o falo é idêntico a mim. Portanto, ambos, eu e meu falo, que sou eu mesmo, devem ser adorados. Onde quer que haja um órgão masculino ereto, eu e eu mesmo estamos presentes”.

Em outras palavras, a gente fala pelo falo e ponto final.

O culto fálico possuía um caráter mágico na Antigüidade.


Filho de Baco e Vênus, Príapo nasceu com um pênis desproporcionalmente imenso e sempre duro.

Envergonhado, fugiu para o campo e se tornou protetor de hortas, jardins e gado.

Seu nome deu origem ao priapismo, uma ereção prolongada de mais de seis horas e muito dolorida, causada por traumas e algumas doenças.

Em algumas civilizações do passado, o falo era considerado um símbolo religioso.


O “digitus infamis” – gesto feito com o dedo médio estendido e o anelar e o indicador retraídos, que para nós significa outra coisa – representava um pênis e era utilizado como amuleto contra doenças, maldições, inveja, mau-olhado e paqueras de mocréias na menopausa ou tribufus em estado terminal.

Na Grécia antiga, as figuras masculinas sempre ostentavam órgãos sexuais pequenos.

Os gregos consideravam o membro avantajado “feio e ordinário”.

Aristóteles acreditava que um pênis pequeno era mais fértil do que os maiores, porque o esperma tinha menos espaço para percorrer.

Um dos deuses preferidos do antigo Egito era Osíris, geralmente representado na figura de um touro enfurecido com três pênis.

Para seus sacerdotes, os genitais masculinos eram considerados troféus de guerra.

Uma vitória dos egípcios contra os líbios lhes rendeu 13.230 pênis.


Os habitantes de Komaki, a 250 quilômetros de Tóquio, celebram há 3 mil anos o festival da fertilidade chamado Hounen Matsuri.

A procissão pelas ruas da cidade até o altar de Tagat Jinja é acompanhado por cânticos e homens carregando um pênis enorme ereto.

O falo gigantesco, feito de cipreste, pesa mais de 400 quilos e é ofertado a Hounen para que todos tenham dias frutíferos, colheita abundante e um ano de prosperidade.

A arte japonesa de tatuar cada centímetro do corpo é chamada Irezumi.

Nem mesmo o pênis escapa.

É a última parte do corpo a ser tatuada por ser a mais dolorida.


Na tribo Walibri da Austrália, o cumprimento entre amigos não é dar as mãos, mas apertar o pênis um do outro.

O ditador fascista Benito Mussolini repelia o mau-olhado tocando seus testículos.

O símbolo de Pompéia era um pênis alado.

Grigory Rasputin, o monge, que supostamente possuía poderes sobrenaturais, foi um mestre da sedução.

Num livro sobre seu pai, Maria Rasputin afirma que os rituais religiosos de seu progenitor invariavelmente se transformavam em orgias nas quais seu pênis era cultuado.

Em tribos da África, maridos traídos se vingam envenenando os próprios pênis.

Preparam o veneno e o antídoto. Tomam o antídoto e depois lambuzam o pau com o veneno.

Transam com suas mulheres (os mais bonzinhos dão antídotos para as esposas também), e quando o Ricardão chega para se divertir, é acometido por uma dor alucinante, parecida com queimaduras, que o deixa gravemente doente.

As tribos Ngoni e Zulu usam uma poção que não causa a morte, mas a impotência.


O general e conquistador francês Napoleão Bonaparte não tinha um pinto muito grande.

Ocorre que, no fim da vida, seu pênis encolheu drasticamente – um dos sintomas de envenenamento por arsênico.

O pau do general francês continua causando polêmica.

John Lattimer, ex-catedrático de Urologia do Hospital Columbia, em Nova York, afirma ter em sua coleção o pênis de Napoleão.

O mito nunca foi confirmado.

No cemitério Pére Lachaise, em Paris, acredita-se que a escultura Victor Noir – jornalista francês assassinado por Pierre Bonaparte, primo de Napoleão III – tem poderes mágicos.

Uma esfregada nos órgãos genitais de Noir seria suficiente para estimular a fertilidade feminina.

Pelo aspecto gasto dos países baixos de Victor, o remédio é muito procurado.

Uma das receitas do Kama Sutra para causar a ilusão de um pênis mais, digamos, vibrante é esfregar o membro com água morna, antes do sexo, e depois lambuzá-lo com uma mistura de mel e gengibre.


O vick vaporub, o iodex, o benguê e a nossa velha e conhecida pomada Tigre também produzem o mesmo efeito.

Para prolongar o prazer, o Kama Sutra sugere: frite muitos ovos de codorna na manteiga e depois mergulhe-os no mel de abelha.

Rebata tudo com um litro de catuaba.

Essa iguaria irá lhe proporcionar uma ereção que durará a noite toda.

A mistura de leite de camelo com mel também foi documentado como um potente afrodisíaco.

No século 5 a.C a circuncisão era prática tradicional no Egito.

Tanto que para estudar num templo local, o matemático grego Pitágoras fez a cirurgia.

Era uma questão cultural: os egípcios antigos consideravam bárbaros os não-circuncidados.

Os gregos consideravam os circuncidados bárbaros.

Os romanos cagavam e andavam para a questão: o que eles queriam mesmo era foder as mulheres egípcias e os guerreiros gregos, não necessariamente nesta ordem.


Defensores da circuncisão citam inúmeros benefícios à saúde: menor probabilidade de problemas urinários, diminuição da incidência de câncer e eliminação da balanopostite (inflamação da glande e do prepúcio em decorrência da falta de higiene).

Circuncidados também têm duas vezes menos probabilidade de pegar herpes, sífilis e HIV.

Os defensores de que pau não foi feito para ser cortado consideram a cirurgia uma mutilação.

Alegam que uma boa higiene diária tem feito as doenças diminuírem.

Outro fator para manter a gola rulê: as terminações nervosas contribuem para aumentar o prazer dos homens e são insubstituíveis durante a prática da punheta.

Segundo os judeus, para quem a circuncisão é obrigatória, não há diferença de sensibilidade.

O que pode acontecer é uma mudança temporária na sensibilidade dos homens adultos que se submetem ao procedimento, mas logo tudo volta ao normal.

Há controvérsias a respeito.

No Senegal, a etnia Ehing realiza a cada 25 anos um ritual de circuncisão chamado Kombutsu.

Os homens têm seus prepúcios cortados com uma faca.

Significa um renascimento masculino.


A tribo Dogon, da África, acredita que o prepúcio contém a alma feminina do homem e que o clitóris tem a maldade da mulher.

Nos dois casos, a circuncisão foi a solução encontrada para acabar com os problemas de identidade.

Entre os muçulmanos, a circuncisão tornou-se comum – não obrigatória –, pois o profeta Maomé era circuncidado.

Durante o reinado de Elizabeth, um cientista inglês recomendou a circuncisão como prevenção contra a masturbação, que, segundo ele, poderia levar a uma morte horrível.

Hoje em dia, muitos hospitais vendem prepúcios de bebês para a indústria farmacêutica.

Um pedaço de prepúcio possui material genético para o desenvolvimento de duzentas mil unidades de pele artificial.


Em média, o volume de uma ejaculação cabe numa colher de café e possui de 200 a 600 milhões de espermatozóides.

Cada um deles pode viver até 48 horas no corpo feminino.

São necessários 10 dias aproximadamente para fabricar um espermatozóide.

A frutose é o componente principal do esperma.

É ela que dá aquele gosto agridoce e travoso de que as mulheres se queixam tanto.

Uma colher de sêmen possui 5 calorias e 6 milímetros de proteínas.

O número médio de jatos durante a ejaculação varia entre 3 e 10.

A velocidade da ejaculação pode atingir 40 km/h.

O tempo estimado do orgasmo masculino oscila em torno de 4 segundos.

Homens com menos de 40 anos – e turbinados com viagra – são capazes de ter uma ereção em menos de 10 segundos.


O Livro dos Mortos dos egípcios, escrito por volta do ano 2000 a.C, traz a primeira condenação à masturbação de que se tem registro.

No início do comunismo na China, a masturbação também era condenada porque poderia “minar a vontade revolucionária”.

Deve ser por isso que o regime comunista foi pro beleléu.


E aqui cabe um registro histórico.

Como alguém pode ter coragem de condenar a prática universal da bronha?

Ora, não me venha com falso moralismo.

Somos todos adultos, de maior, vacinados e aptos a discutir nossas próprias punhetas.

Ou vai me dizer que nunca descascou uma neneta embaixo do chuveiro, pensando no traseiro bem fornido da empregada? Ou da vizinha casada? Ou da cunhadinha? Ou da nova estagiária da firma?

Se não descascou, alguma coisa está errada.

Todo mundo, dos grandes mestres da AMOAL aos estudantes do ensino fundamental, pratica uma masturbaçãozinha de vez em quando, ou de vez em sempre, como preferem os adolescentes.

E essa bronha sagrada é sempre em homenagem a alguma coisa que nos desperte a libido.


Por exemplo, padres se masturbam pensando nos novos seminaristas, políticos, pensando na tomada do poder, ricos, pensando nos paraísos fiscais, mulheres, pensando em dinheiro, homens, pensando em mulheres, viados pensando em viados que praticam musculação, e a molecada, pensando em qualquer coisa que mije de cócoras e não seja sapo.

Não há como negar. É gostoso, prático, eficiente e faz bem pro organismo.

É bobagem o Vaticano condenar e os defensores da moral e dos bons costumes gritarem que isso provoca doença mental.

Se fosse assim, o mundo seria um tremendo hospício.

Leia um jornal diário, qualquer jornal.

Leia uma revista semanal, qualquer revista.

Ou assista um telejornal, qualquer um, até mesmo o da RBN.

O quê que você vai ficar sabendo?

Que 20 milhões de mulheres são estupradas anualmente no planeta.

Que a cada 2 minutos uma mulher é violentada no Brasil.

Que a prostituição infantil não pára de crescer.

Que a aids está correndo solta entre os países africanos.

Que o tráfico de escravas sexuais já rende mais dinheiro do que o narcotráfico.


Portanto, nada mais justo que recorrermos a um sexozinho solitário no aconchego de nossos lares para diminuir a violência sexual do mundo moderno.

Temos notícias de casais separados por incompatibilidade de gênios, porém jamais soubemos de algum onanista que se divorciou de sua piroca.

Ah! Isto não! Punheteiro é fiel pra caralho. Pro seu caralho, bem entendido.

Afinal de contas, como diz Woody Allen, tocar punheta é fazer amor com a pessoa de quem mais a gente gosta.

Talvez nesse exato momento você esteja isolado do mundo exterior, num raro momento de sossego.

Talvez esteja acomodado, confortável, relaxado.

Talvez volte a olhar como um lobo faminto para o burrão da empregadinha de short, que começou a espanar a estante ali na sua frente e agora está meio vergada, tentando tirar a poeira de trás do seu computador.

E nesse momento, relaxado, você talvez exercite o direito básico e inato a todos os seres vivos, o direito sagrado e inalienável de alisar o próprio corpo.

Talvez alise o apêndice que mais preserva e protege. O que lhe provoca as mais profundas e selvagens sensações de prazer.

Pois, como dizia Woody Allen, o cérebro está em segundo lugar na lista dos nossos órgãos favoritos.

Aquele amontoado de cartilagens, veias e artérias, tecidos cavernosos à espera de sangue, agora cresce na sua mão.

E está passando o momento de desistir.


Em um dado momento, você atinge o ponto sem retorno.

Já não mais se controla e passa a ser comandado por hormônios em fogo, o sangue pulsando visivelmente sob a pele esticada.

Ainda bem que a empregadinha já foi embora para limpar outra parte da casa, senão seria bem capaz de você voar em cima dela.

Um pouco de saliva na mão, movimentos de pressão e alívio, o sobe-e-desce em ritmos variados.

Conexão perfeita e coordenada entre as pontas dos dedos, a palma úmida e os benditos terminais de sexo em seu córtex cerebral.


No turbilhão de seu imaginário erótico, a empregadinha faz exatamente o que você quer que ela faça, e não pede nada em troca.

Ela sussurra seu nome, oferece o burrão, pede mais.

Você geme, sua respiração pesa.

Ela chama outras empregadinhas da vizinhança.

A farra está completa.

Num último grito engasgado, sua consciência transita no terreno do prazer absoluto.

O orgasmo dura alguns poucos segundos.

Você se entrega e se lambuza.

Seu cérebro exausto sai do ar pedindo um tempo.

Um sorriso abobado nos lábios, a mão coberta, a mente se apaga no mais completo e profundo dos estados de relaxamento.

Deus devia estar de bom humor quando inventou essa terapia cardiovascular.

Salvou 100 bilhões de almas!


O simples, banal e cotidiano ato da masturbação representa um dos maiores tabus de toda a história da civilização humana.

A masturbação feminina já está liberada há tempos.

Saiu das catacumbas para as capas da revista Cosmopolitan.

As feministas aplaudem.

A mulher que se masturba está exercendo sua própria sexualidade, num ato de independência com relação aos homens.

Mulheres se tocam nos filmes pornôs de um jeito sexy, sublime, delicado, sutil.

Já um homem que se masturba é ridículo. Grotesco. Patético.

Com toda a sinceridade: nós, homens, sabemos disso. Não é um espetáculo bonito.

Gera cenas cômicas irresistíveis em filmes como “Quem Vai Ficar com Mary?”

Mas a questão não é só estética. Por convenção cultural, o punheteiro é considerado antes de tudo um perdedor.


Segundo o lugar-comum, homem só se masturba quando não consegue mulher.

É um incompetente, e teve que se dar uma espécie de prêmio de consolação.

Por ironia, o patrono da masturbação foi vítima de um grotesco equívoco histórico.

Um sinônimo mais discreto para a masturbação masculina é “onanismo”. Refere-se a Onan, personagem bíblico citado em Gênesis 38 (8:10).

E Onan virou uma espécie de ícone dos tocadores de bronha em geral.

Punheteiros compulsivos são citados até hoje como “adoradores de Onan”.

A rápida passagem de Onan pela Bíblia ocorre nos tempos de Iavé, vingativo e irado Senhor do Velho Testamento.


Iavé, ou Jeová, nesses livros, parece sempre envolvido numa campanha permanente de geopolítica, demografia e legislação ordinária.

No Gênesis, Onan é o segundo filho do patriarca Judá.

Ele, Judá, obriga seu filho mais velho, Er, a se casar com Tamar.

O primogênito de Judá, porém, era “perverso para o Senhor”, que por causa disso “o fez morrer”.

Seguindo os preceitos demográficos de Jeová, Judá ordena então que o segundo filho, Onan, “possua” a viúva Tamar para que ela tenha filhos. Onan obedece ao pai – mas até certo ponto.

O irmão de Er transa com a cunhada, mas pratica o “coitus interruptus”.

Segundo o Velho Testamento, Onan sabia que a fecundação da criança seria creditada ao irmão morto.

Resolveu não correr o risco. Assim, todas as vezes que possuía a mulher de seu irmão, Onan “deixava o sêmen cair na terra”.

Jeová não gostou. E o segundo filho de Judá também foi rapidamente eliminado.

Dessa forma, Onan poderia ser considerado hoje o santo patrono do controle populacional, mas nunca um ídolo dos punheteiros.

Acabou sendo esta imagem distorcida que ficou e marcou profundamente a chamada civilização judaico-cristã: a de Onan, um pecador que cometeu um terrível crime e foi punido com a morte.

Isso em duas linhazinhas perdidas no mar de sangue, suor e lágrimas do Gênesis.


Dos tempos de Onan para cá, nada foi capaz de melhorar a imagem da masturbação masculina.

Tratada como doença, condenada como perversão, logo as lendas começaram a se espalhar.

O escritor (evangélico) Lambert Dolphin cita que em 1758 um médico suíço conhecido como “doutor Tissot” escreveu um tratado arrasador sobre a masturbação, segundo ele capaz de “provocar loucura”.

A obra do doutor Tissot permaneceu sendo uma “verdade científica” até o ínicio do século 20.

Segundo Lambert Dolphin, “entre 1856 e 1919 o Escritório de Patentes dos Estados Unidos registrou 49 aparelhos antimasturbação”.

Um deles dava choques em quem se excitasse fora de hora.

Outro espetava agulhas no bilau dos garotos com ereção noturna.

O doutor Sigmund Freud deu uma chance à auto-suficiência.

De acordo com a Larousse Cultural, o pai da psicanálise pediu moderação aos adultos quando vissem seus filhos tocando os próprios órgãos genitais.

Um castigo fora de hora poderia causar um medo irracional e permanente castração.


Mas foi sua contemporânea Melanie Klein que percebeu algo mais importante: o de que a masturbação em si não importa, o que importa são as fantasias que a acompanham.

Durante o ato, nossos fantasmas estão à solta.

Em alguns casos pode ser uma ótima válvula de escape para pessoas perturbadas por fantasias violentas.

A masturbação, entretanto, só veio a ser clinicamente aceitável a partir da segunda metade do século 20.

Se o amor era livre e sem limites, por que não liberar também o auto-erotismo (junto com o LSD)?

O problema está enunciado desde os tempos do velho Sigmund: a masturbação em si não é problema nenhum.

O problema é não aproveitar o que o quente, apertado, úmido e inigualável Planeta Mulher tem a oferecer.

E acabar apaixonado por toda a vida pela própria mão.

Mas isso não justifica tanto preconceito.


Existem ainda dois pontos muito importantes para os punheteiros de responsa.

O primeiro é que ela pode se tornar uma terapia muito eficiente no controle da ejaculação precoce.

Se você aprende a se controlar sozinho, vai aprender a se controlar com a parceira.

O segundo ponto mais importante é outro.

A palavra “masturbação” significa basicamente sexo com as mãos. Não quer dizer necessariamente auto-satisfação.

As mãos suaves e macias de uma mulher podem representar seu maior prazer.

Se você ensinar a ela os segredos que aprendeu sobre seu próprio pênis desde a mais tenra idade, aí poderá chegar a um paraíso que nem imaginava existir.

Ainda mais se ela for do tipo que ao perceber que você está quase chegando lá, coloca o bilau para ejacular na sua (dela) boca.


Como você já sabe, a prática do onanismo não é nova.

Ela vem sendo difundida há séculos e séculos, ora como método de contracepção natural, ora como ginástica localizada para tonificar o cheio-de-varizes.

Desde os primórdios da raça humana existem estudos sobre o assunto.

O renomado cientista português Thomaz Turbando Pinto, que ao longo de sua carreira tem defendido teses que revolucionaram a história do onanismo mundial, afirmou, no seu último livro (Do Silex ao Silício: 40 mil Anos de Punheta, 1975), que o crescimento de cabelos na palma da mão dos adeptos do onanismo prova que os homens da pré-história eram peludos porque se masturbavam dia e noite.

Afinal de contas, fazer o quê naquele tédio do começo do mundo?


Correr atrás daquelas mocréias suarentas, cheirando a pitiú de ovos de ptereodáctilo?

Encarar aquelas hordas de turus e jaburus, todas com a cara do Don King e o corpinho da Wilza Carla? Nem pelo caralho.

Ser um bom onanista, entretanto, não é tão fácil quanto parece.

A arte do sexo solitário para ser bem-feita, deve ser calçada em estudos profundos e técnicas que, com o tempo, vão se desenvolvendo e se adequando ao gosto de cada praticante.

Para se praticar o onanismo numa boa é preciso ter um membro, no caso dos homens, e não ter, no das mulheres.

Para os de sexo masculino é fundamental que o membro, em comparação com a mão participante, esteja em vantagem.

Tem de sobrar órgão, caso contrário só com uma pinça você conseguirá friccionar esse pinguelinho de merda.

Obviamente, o mastruço deve estar em posição de combate, ereto, duro, pronto para o que der e vier.


Para reduzir a fricção da pele sobre o corpo cavernoso durante o vaivém, é necessário usar um pouco de cuspe ou creme hidratante.

O cuspe (ou o creme) deve ser colocado sempre na parte superior do colar do prepúcio, exatamente na divisão entre a chapeleta e o resto do pau.

E o vaivém não pode ser tão desordenado e desconexo que provoque hematomas no bendito.

Hay que endurecer sim, mas sem jamais perder a ternura.

Também é sempre bom alertar que masturbação não é sujeira.

O praticante não precisa borrar as paredes, manchar o lençol, o teto ou o lustre.

Tenha sempre à mão uma toalhinha de papel, um lenço, uma flanela ou qualquer coisa que limpe essa melequeira que você acabou de fazer no chão do banheiro, seu porco imundo! Se dê tenência, patife!

Tocar punheta com maestria é mais ou menos como fazer omelete sem sujar os dedos na clara dos ovos.

A pressão exercida pela mão é fundamental para a qualidade do orgasmo.

Muita pressão pode fazer doer o saco escrotal, pouca pressão deixa o bicho amolecer.

Sendo destro, a mão direita serve para acelerar o carro e a esquerda para reduzir a velocidade, retardando o gozo.


A primeira vez, claro, ninguém esquece. Somos adolescentes com as calças pegando fogo, e não é preciso prática nem habilidade.

Com o tempo e a prática, aprendemos como fazer do jeito certo.

Descobrimos os pontos mais sensíveis, as técnicas de manipulação, o ritmo, a pressão.

Vislumbramos as maravilhas da lubrificação. Haja cuspe.

E aí vem a parte mais importante: a imaginação.

Em algumas ocasiões, não há a menor dificuldade. Depois de um “amasso”, por exemplo.

Ou quando há uma mulher na vizinhança pela qual você está obcecado, mas ainda não conseguiu chegar lá.

Com o tempo, essa única mulher costuma não ser suficiente.

Aí elas costumam se alternar em nossa imaginação, uma ciranda de mulheres desesperadas pelo nosso pequerrucho.

Nessa fase, damos mais um passo, e essas mulheres – muitas das quais nem conhecem uma às outras – unem-se todas ao mesmo tempo para se entregar entre sussurros e gemidos aos nossos desejos mais secretos.

O estímulo a punheteiros é uma indústria de bilhões de dólares.

Temos revistas aos montes, prateleiras de vídeos nas locadoras, fotos e filminhos na Internet, canais eróticos na tevê a cabo.

Mas chega um momento na nossa vida em que toda essa parafernália já não é suficiente.

Aí é a hora da especialização.

E cada um de nós vai fundo em sua obsessão particular.


Fora a imaginação, o resto é uma questão de know-how.

A maioria fica no equivalente ao “papai-e-mamãe”: a mão direita deslizando pelo corpo do pênis, tocando de passagem a base da glande.

Outros vão em frente e criam técnicas bem complexas para atingir o orgasmo sem ajuda externa.

Vale tudo. A imaginação é o limite.

Se quiser incrementar a punheta, por exemplo, deixe por alguns minutos um peso sobre a mão direita, até ela ficar parcialmente adormecida, e só então comece a atividade.

Como você não vai sentir a mão no seu pau, pode até imaginar que está comendo alguém de verdade.

Se quiser incrementar ainda mais, pinte suas unhas com o esmalte da sua prima e imagine que é a mão dela que está fazendo o trabalho sujo.

Eis aí alguns truques dos tarimbados mestres da AMOAL, que você pode utilizar ao bel-prazer:

Com uma das mãos, estique a pele do seu pau ao máximo.

Com a outra (bem lubrificada), finja que você vai abrir uma garrafa girando a tampa.

Não entendeu? Tente de novo, gafanhoto.

Outro truque: sabe aquele gesto típico de esfregar as mãos para aquecê-las?

Coloque seu objeto de prazer no meio delas.

Mais outro: deitado de lado, simule com suas mãos entrelaçadas o órgão sexual feminino.

Uma coisa é você mover as mãos, outra – bem mais realista – é mover os quadris.

É evidente que o prazer vai ser proporcional ao que você estiver usando como lubrificante.

Alguns recomendados por quem já experimentou e aprovou: vaselina líquida, xilocaína gel, óleo de coco, óleo de amêndoa, óleo de soja, óleo para bebês, cremes e loções para pele, manteiga sem sal, banana amassada, requeijão, azeite português, K-Y gel, brilhantina e vick vaporub.

Mas se utilizar este último, evite o contato com água.

Se um dia experimentar, você vai descobrir o porquê.


A solidão numa banheira quentinha é um estímulo natural à masturbação.

Os antigos chineses usavam um truque: enchiam a banheira de forma que apenas a ponta do pênis ficasse acima do nível da água.

Aí, largavam um pequeno inseto na água.

Para não se afogar, o inseto tinha de caminhar pela “ilha vermelha”.

Afundando o pau um pouco mais, o inseto ia começar a se agitar desesperado, com a perspectiva de entrar na água novamente e se afogar.

Os chineses garantem que, nessas condições, o ciscado do inseto sobre sua pomba só pode ser comparado a um boquete da Divine Brown. O ator Hugh Grant que o diga.

Existem também as modalidades de punhetas sem o concurso da mão. A mais conhecida é a do pepino.

Corte uma das extremidades de um pepino médio. Esvazie parcialmente seu interior.

Coloque-o no microondas por 30 a 45 minutos. Resfrie.

Recubra a casca do pepino com fita crepe ou isolante.

Recheie o interior com K-Y gel e faça bom proveito.

Bananas, laranjas e mamões pequenos (de preferência verdes) podem ser usados de maneira basicamente semelhante à do pepino, mas sem o uso do microondas.

Mas não vá comer essas porcarias depois que acabar de gozar, seu nojento!


Outra técnica avançada de auto-satisfação é a da bananeira.

Você faz um pequeno talho com canivete no tronco da árvore e enfia seu pinto naquele buraco úmido.

A seiva que corre no tronco da bananeira e a suavidade gelada daquele tronco liso vão lhe dar a sensação de estar comendo uma mulher de verdade, talvez uma cantora inglesa. Ou o Boy George.

Se preferir uma coisa um pouco mais quentinha, com movimentos súbitos e imprevisíveis, as cloacas de galinhas, patas, peruas e marrecas se prestam admiravelmente bem para a prática.

O estágio seguinte (cadelas, cabras, mulas, éguas e viados) não é mais uma punheta, mas também não pode ser considerado ainda uma trepada.

Aliás, nunca esqueça, trepada só com mulher.

Bom, mas, conforme já foi explicado, não adianta sair por aí esfolando o pinto a torto e a direito, inventando mil e umas presepadas para turbinar o orgasmo. Não vai ser legal.

Toda bronha de responsa tem que ter um motivo, um porque, um catalisador que desencadeie o processo.

Sem ter claramente este detalhe na mente a coisa fica xoxa (não confundir com Xuxa, apesar da rainha dos baixinhos, evidentemente, ainda merecer uma neneta).


E quais são esses detalhes? Pode ser uma nesga da calcinha roxa da sua tia moderninha ao cruzar as pernas.

Os peitinhos da colega pudica da sala de aula, quando se abaixou para pegar uma moedinha no chão.

Aquela delicada mancha de pano branco nas coxas da sua prima.

O físico sarado da professora de Física ao arrebitar a bunda no microscópio e assim por diante.

Você decide.

Chamam de sexo solitário, mas também pode ser feito no coletivo.

Sabe como é, uma mão lava a outra e as duas enxugam o banheiro.

Quando criança, fazia-se concurso para ver quem cuspia mais longe, quem era o gatilho mais rápido do oeste, quem enchia primeiro um copinho de café.

Depois, com o sujeito já adulto, o lance é suruba no iate Cisne Branco, com o balé do Murilinho, Renatinho e Otavinho, ou coquetel de lançamento de livro da Editora Valer, uma punheta inenarrável já que não rola birita.

Na adolescência é bom tomar cuidado.

Tranque a porta do banheiro a sete chaves e abra a água do chuveiro no volume máximo.

Se puder, utilize um rádio de pilha sintonizado na Jovem Pan, também no volume máximo, sintonizando no programa “Hora do Pânico”.

Os pais sempre se acham no direito de saber o que o filho está fazendo no banheiro.

Batendo punheta, ora porra!


Adulto é escroto mesmo.

Ataca a empregada, transa com a mulher do cara do açougue, passa a mão na bunda da secretária, vai pro motel com a vizinha, come a frentista do posto de gasolina que aceita cheque pré-datado e esbofeteia o filho adolescente quando descobre uma manchinha comprometedora no lençolzinho com estampas do Piu Piu.

Também, quem mandou eles comprarem aqueles lençóis de estampas fuleiras?

É isso aí!

Agora você já sabe as mumunhas para se bater uma punheta, numa boa.

Mas é bom ficar ciente de que o onanista de respeito tem de ser dotado de uma coragem e perspicácia extrordinárias, pois surgem situações que requerem rapidez e ousadia por parte do praticante.

Tem gente que se masturba em elevadores, repartições públicas, em janela de prédio, banco de praça e em tudo quanto é lugar.

Até no Congresso Nacional, onde, aliás, tudo não passa de uma tremenda punheta.


Como identificar um onanista profissional?

É fácil. O sacana tem sempre a mão direita sensivelmente maior que a esquerda.

Afinal, são anos de exercício no metiê (não confundir com “meter”), exercitando a palma da mão e os dedos.

Seus olhos são mortiços e cansados, com um leve toque anêmico, calçados em duas enormes olheiras esverdeadas, estilo Boris Karloff.

Ele possui algodão no ouvido, para não ouvir todo mundo batendo na porta do banheiro reclamando de sua demora, e restos de saliva seca no canto da boca.

O punheteiro por excelência é, antes de tudo, um sujeito babão.

Seu hobby é colecionar calcinhas roubadas, que ele cheira como um verdadeiro somelier.

Entre os seus troféus, tem uma de oncinha da prima, outra estilo asa delta da vizinha, uma outra meio furada, mas de rendinha branca, da cunhada, e por aí afora.

Mexer nesses trecos equivale a cutucar com vara de marmelo uma casa de maribondos.


O sacana também se amarra em fitas de videocassete com filmes da Nastassja Kinsky, Beatrice Dalle e Valéria Kapriski, revistas de mulher nua, de todos os tipos de vagabundas, das bregas às chiques.

Qualquer coisa serve, porque o verdadeiro punheteiro não tem nenhum critério.

O que ele quer ver é o bicho escarrar.


A seguir, algumas verdades e mentiras sobre o onanismo:

Cabelos na palma da mão – Consta que, com o tempo, os onanistas se tornam vítimas de terríveis crescimentos de pêlos na palma das mãos. Se for verdade, aconselhamos o uso parcimonioso de cremes rinse e xampus neutros, além de idas regulares ao cabeleireiro, para evitar caspas e seborréias.

Alongamento do nariz – A realidade é dolorosa, mas temos de saber enfrentá-la. Um dos efeitos colaterais do onanismo é o repentino alongamento da área nasal. Assim você não terá só fama de punheteiro, como também de narigudo. Para se transformar em um aspirador de pó de cocaína, vai ser conta de multiplicar.

Espinhas no rosto – Afirmam os estudiosos que muita bronha causa espinhas no rosto. Não podemos dizer que sim nem que não. O melhor é prevenir do que remediar. Portanto, recomendamos a todos os onanistas ativos que carreguem sempre um potezinho de creme antiespinhas ou pomada Minâncora, cada vez que forem praticar o sexo solitário.

Perda de memória – Pode acontecer, pode acontecer. Para testar se sua memória ainda não foi pro beleléu, tente se lembrar quando foi a última vez que você se masturbou e, obviamente, quem foi a homenageada. Ou o homenageado, se você não for chegado a uma lebre.

Vista ofuscada – O problema é grave. O onanista corre um sério risco de sofrer gradativamente, de bronha em bronha, a perda parcial da visão. Consulte seu oculista. Míope se masturbando é como bêbado tentando enfiar chave em fechadura, simplesmente deprimente.

Seios inflamados – No caso de mulheres com seios pequenos, tudo bem, é uma puta vantagem! Já as de peitos volumosos, basta trocarem o número do sutiã. Agora, para os homens é uma tortura. Imagine que chateação não vai ser quando todo mundo na rua começar a te chamar de “punheteiro peitudinho”. A não ser que você resolva sair do armário e assumir de vez seu lado mulher, sem precisar do uso de silicone.

Clitóris avantajado – As mulheres chegadas numa fricçãozinha de velcro podem tirar o clitorizinho da chuva (ou colocar, claro), pois está confirmadíssimo que onanismo causa um assustador alongamento do dito-cujo. Algumas vão adorar. Outras, fatalmente, terão problemas ao fazer massagens nas costas de seus maridos.


Pecado carnal – Mentira da grossa. Se masturbação fosse pecado, coitado dos padres que não podem casar! Neste caso, o Santíssimo Papa já estaria excomungado, pois, convenhamos, com aquela cara de papa-anjo ele não engana ninguém. Portanto, mãos à obra e fé na santa.

Crescimento do pau – Ainda não está confirmado, até porque ninguém sabe qual a medida normal de um pênis em ereção (os números variam de 18 a 28 cm). Como este é um assunto filosófico que interessa a todos os garanhões do planeta, vamos esmiuçar o assunto de uma vez por todas no post Síndrome do Big One, que pode entrar no ar a qualquer momento. Fiquem ligados.