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quinta-feira, julho 05, 2012

É melhor ser alegre que ser triste!



Eu, Mário Adolfo e Dona Inês, que faz 90 anos agora em setembro, numa festa em Goiânia, que só perderei se morrer antes

No sábado passado, 30, o jornalista Mário Adolfo passou aqui no mocó, por volta das 21h, com a dura incumbência de me convencer a irmos juntos tomar umas cervejas no Bar do Armando.

Relutei. Eu havia enchido a cara na noite anterior no bar Dom Garcez, do Sergio Garcez, lá no Dom Pedro, e estava saindo da ressaca por meio da leitura de “Gerônimo – Uma Autobiografia”, da L&PM Editores, quarto volume da série “A Visão dos Vencidos”.

A história do maior líder apache da História era boa demais para eu largá-la no meio e ir encher a caveira em um boteco qualquer.

Mário Adolfo insistiu com uma argumentação absolutamente calhorda: “Não é toda vez que a gente tem oportunidade de beber e conversar sozinhos, tal como na nossa juventude...”

Sim, o argumento é absolutamente desleal e não há como resistir, ainda mais ele sendo meu melhor amigo desde quando eu tinha dez anos de idade.

Resolvi acompanhá-lo na encrenca.


Eu não entrava no Bar do Armando desde 2007, por conta de um mal entendido absolutamente imbecil: puto com um mísero versinho da quilométrica letra “Arca da Lambança”, de nossa autoria, o saudoso portuga proibiu a venda de cervejas para nós dois.

Naquela noite, em companhia do meu irmão Simas, deixei o boteco cuspindo fogo, jurei nunca mais voltar lá e fui encher a cara no Bar Cinco Estrelas, do Charles Stones, onde fiquei ouvindo Pink Floyd, Bob Marley, U2, Dire Straits e Rolling Stones até o dia amanhecer.

O Mário Adolfo não arredou o pé do Bar do Armando até finalmente ser servido pessoalmente pela Dona Lourdes, já no começo da madrugada.

Nesses cinco anos, o Mário Adolfo continuou frequentando o bar, tendo a gentileza de, algumas vezes, me ligar de madrugada para que eu fosse até lá, participar do panavueiro.

Nunca fui.

Na verdade, eu passei lá uma meia dúzia de vezes, durante o dia, exclusivamente para conversar com o Armando (ele era um bom contador de histórias), mas jamais pedi uma única cerveja para beber.

Não era birra, mágoa ou viadagem: era coisa de taurino. E quem é taurino sabe do que estou falando.

Pra ser sincero, já faz algum tempo que deixei de frequentar botecos.

Prefiro reunir a moçada aqui no mocó pra gente escutar músicas selecionadas e biritar até o cu fazer bico do que aguentar a má vontade de garçons e as contas quase sempre exorbitantes.


Por conta disso, os únicos botecos que ainda frequento, porque me sinto em casa, são o Snoopy (do Oliveira, ali na Praça 14), o Bar do Manuel (em São Francisco) e o Bar do Ferrinho (no campo do Peñarol, em Petrópolis, esse cidadão sem camisa, aí na foto comigo, Ivanci, Simas e Luiz Lobão, e considerado o lateral direito mais perverso da história do Canarinho).

De qualquer forma, ao entrar no Bar do Armando (que estava colocando gente pelo ladrão, como nos velhos tempos) senti o mesmo alumbramento de quando estive lá pela primeira vez, no começo dos anos 80, levado pelo mesmo Mário Adolfo.

Filha mais velha do português e atual responsável pelo boteco, Ana Cláudia, a gestante mais bonita da cidade, conversou longamente com a gente.

Também conheci seu marido, Roberto, um perfeito cavalheiro na acepção plena do termo e, algumas horas depois, contamos com a presença de Dona Lourdes em nossa mesa.


Expliquei a ela que, por conta da insistência do procurador Chicão Cruz, atual chairman do MPE e fundador da BICA, eu e Mário Adolfo estávamos produzindo um livro chamado “Armando Brasileiro”, para ser lançado no final do ano.

Além de contarmos a história de seu marido e da BICA, o livro vai ter um CD com todas as músicas da banda, de 1987 a 2012 (a música desse ano, quando a BICA não desfilou pela primeira vez por causa da doença do português, foi creditada à Banda do Cinco Estrelas, mas foi feita por Mário Adolfo, Edu do Banjo, Duduzinho do Samba e Mestre Pinheiro e, portanto, cabe perfeitamente na antologia musical).

Meus brothers Chicão Cruz, Mário Adolfo e Rogélio Casado pertencem à ala que defende a perenização da banda, ou seja, continuar colocando a banda na rua é uma maneira de perpetuar a memória do Armando Dias Soares.

Eu, Jomar Fernandes e Deocleciano Souza, modestamente, pertencemos à ala do “the dream is over”, ou seja, o sonho acabou e não vemos mais nenhum sentido em continuar colocando a banda na rua sem a presença física do Armando.

O tira-teima entre as duas correntes vai se dar em dezembro, provavelmente logo após o lançamento do livro “Armando Brasileiro”. Façam suas apostas.


Depois de nos refestelarmos com o tradicional pernil e uns fantásticos bolinhos de bacalhau, eu e Mário Adolfo deixamos o Bar do Armando por volta da meia-noite.

Nesse meio tempo, tivemos tempo de relembrar histórias imemoriais do nosso tempo de Cachoeirinha, que contarei qualquer dia desses.

Estávamos felizes pra caralho, apesar de ele sentir o tempo inteiro a ausência de sua querida Maria Mestrinho, e eu, evidentemente, de minha doce e terna Camila.

Resolvemos tomar a saideira na Confraria do Mineiro, no Vieiralves, onde fizemos o lançamento oficial do site CANDIRU.

O bar estava fechado.

Sugeri ao Mário Adolfo irmos ao Bar Galvez, do querido Álvaro José e da inesquecível Ana Domingues, ali em frente da UTAM.

O bar estava fechado.

Acabamos no meio daquela barafunda chamada Praça de Alimentação do Conjunto Eldorado, com dez telões ligados ao mesmo tempo em dez atrações diferentes, cada uma delas tentando disputar nossa atenção por meio do som mais alto.

Bebemos meia-dúzia de Itaipavas, pedimos uma porção de frango a passarinho e uma porção de macaxeira frita, e o Mário Adolfo ficou mais pobre em R$ 80.

Um assalto à mão armada em plena madrugada!

Resolvemos puxar o carro e ir embora – ainda felizes, apesar de tudo.

Fazia uns dez anos que a gente não saía junto para exorcizar os fantasmas escondidos nos porões.

A vida é bela.

Ou como dizia o mestre Vinicius de Moraes, “é melhor ser alegre que ser triste / alegria é a melhor coisa que existe / é assim como a luz no coração”.

So sorry, periferia!

Valeu, Mário Adolfo!

2 comentários:

Cynara disse...

Sou uma cabocona daí de Manaus mas atualmente moro em BH.Estive aí esses dias e fui ao Bar do Armando.Menino,uma pena que este bar tão bem localizado,lugar agradável e acessível tenha um banheiro tão destruído,sujo, e nem um sabonete os propietários colocam para podermos fazer a higiene :(
É muita falta de carinho com os frequentadores.

Lúcio Bezerra de Menezes disse...

Porreta meu caro Simão.