quinta-feira, agosto 22, 2013

Da série “Inacreditável Futebol Clube”


Na última terça feira, a Marie Jolie foi ao estádio do Sesi cumprir, mais uma vez, seu papel de musa da torcida do Nacional, no jogo contra o Vasco.

Eu, Jeziel Souza e Áureo Petita fomo assistir ao jogo no telão do Bar do Val, ali em São Francisco, nas imediações do Cafundó.

Val, eu e Jeziel somos vascaínos. O Áureo é botafoguense.

Éramos a famosa exceção da regra porque na plateia havia uns 50 flamenguistas torcendo ruidosamente pelo Nacional.

Só mesmo a mulambada para assistir um jogo do Vasco pelo prazer quase sádico de torcer contra.

Quando há jogo do Flamengo, os vascaínos não procuram saber sequer o resultado da pelada quanto mais perder tempo assistindo a mulambada jogar...

C’est la différence!

O fato é que o Nacional jogou melhor, perdeu meia dúzia de gols inacreditáveis e amargou uma inexplicável derrota de 2 a zero, para desespero da mulambada fedida.

Não há a menor chance de o Leão Azul reverter esse placar em São Januário. Ponto final.


Nesta quarta feira, a Marie Jolie estava completando 20 anos e a levei para jantar na Casa do Bacalhau, aqui perto do mocó.

Também vascaína, ela me contou que o Vasco estava completando 105 anos naquele mesmo dia (21 de agosto).

Eu não sabia.

Falei pra ela que Joe Strummer, ex-vocalista do Clash e dos Mescaleros, se ainda estivesse vivo também estaria completando 61 anos naquele dia.

Ela não sabia quem era Joe Strummer e também fiquei com preguiça de explicar.

Enquanto esperávamos pelo cordeiro à moda da aldeia e detonávamos algumas heinekens, a Marie Jolie pegou o smartphone e inocentemente postou no facebook uma declaração de amor ao Vascão.

Ela faz isso desde os dez anos de idade, por que agora seria diferente?...

A declaração simples e despretensiosa, entretanto, provocou uma hecatombe nuclear nos arraiais facebookianos.

Na mesma hora, um rebanho de tribufus enfurecidos, supostamente pertencentes à torcida feminina do Nacional, começou a postar comentários inconvenientes na linha de tempo da menina (chamando-a de traidora do Leão Azul e de “amacarioca”, o neologismo babaca criado no dia do jogo para sacanear os vascaínos da cidade).


Marie Jolie ficou vermelha, verde, bege, tom-sobre-tom, salmão, caramelo, tutti-frutti e me passou as ofensas para eu ler.

Era uma bobajada só, proveniente daquele provincianismo jeca tatu quase histérico, quase esquizofrênico, quase insano de tão ridículo.

Se você nasce em Manaus, só pode torcer por times amazonenses.

O resto é trairagem...

As tribufus estavam putas no balde ao descobrirem que a Marie Jolie é vascaína – como se ela tivesse alguma culpa pelos gols perdidos pelos pernas-de-pau do time nacionalino, que culminou no chocolate recebido pelo Nacional na noite anterior.

– Deleta esses comentários de merda e bloqueia a porra dessas vagabundas, caceta! – avisei, peremptório. “Isso é coisa de gente sem noção!”

Foi o que ela fez.


Eu não ia deixar um bando de desclassificadas sem noção estragar a noite da Marie Jolie no dia do seu aniversário.

Mais tarde, já no mocó, ela me contou que vai abandonar esse negócio de musa da torcida nacionalina porque só lhe traz aborrecimentos.

Para um rionegrino da velha guarda e vascaíno roxo, essa decisão da Marie Jolie não poderia me deixar mais feliz.

Chupa que é de uva, mulambada! 

Um comentário:

Willami disse...

Olha a Rayana.