sexta-feira, setembro 27, 2013

Amazônia – Planeta Verde marca 1º dia do Festival de Cinema do Rio


O diretor Thierry Ragobert e o meu brother Chicão Fill, um dos melhores cineastas da taba

Começou nesta quinta-feira, 25, à noite, o Festival de Cinema do Rio.

E o destaque da festa de abertura foi uma produção franco-brasileira sobre a Amazônia.

 O filme Amazônia – Planeta Verde é uma coprodução Brasil-França, todo feito em 3D e com animais de verdade, no habitat natural deles.

“A cena da onça, não era onça que estava na gaiola, era a equipe toda que estava na gaiola, com câmeras 3D, e a onça solta caminhando”, diz Luiz Bolognesi, roteirista.


O roteirista explica que o filme é uma espécie de deslumbramento com a floresta, e a história é contada do ponto de vista de um pequeno macaco, único sobrevivente de um acidente de avião.

O diretor francês Thierry Ragobert tem uma relação antiga com a Amazônia.

Há 30 anos fez filmes sobre a floresta com Jacques Cousteau, documentarista famoso por suas viagens de pesquisa pelo mundo.

Trinta salas no Rio vão exibir cerca de 380 filmes de 60 países.

Quem gosta de cinema tem programa garantido pelos próximos 15 dias.

“O Festival do Rio está se primando cada vez mais, vêm filmes que depois não entram em cartaz, filmes raros”, declara a atriz Leona Cavalli.

O festival também vai encerrar com um filme brasileiro: o documentário Serra Pelada – A Lenda da Montanha de Ouro, sobre a famosa mina de ouro no Pará.

O que o público vai ver a partir desta sexta-feira, 27, é um trabalho rigoroso de pesquisa e seleção.

“É pensar ‘nossa, o público vai ficar absolutamente extasiado e feliz de ver esse filme’. E esse é o grande motor da seleção”, diz Ilda Santiago, diretora executiva do festival.

quinta-feira, setembro 26, 2013

O monstro de um olho só


Carlos Cardoso

Ron Jeremy é o ator pornô mais famoso de todos os tempos, com mais de 1900 filmes pelas costas, pela frente, de ladinho…

Ele também é conhecido por ser super gente-boa, não gostar de balada, não beber, não fumar e ser vegetariano.

Já apareceu em um monte de filmes “normais”, sempre fazendo uma pontinha (epa!).

Agora ele (ou pelo menos parte dele) estrela seu próprio filme: “One Eyed Monster – O Monstro de um Olho Só”, que se você achou que era sacanagem, acertou.

No filme uma equipe está se preparando para filmar um pornô em uma cidadezinha do interior, quando um meteoro ou algum outro evento cósmico atinge Ron em cheio, separando-o de seu membro viril varonil Brasil sil sil de 9,75 polegadas.

Adquirindo vontade própria, o Membro Possuído (normalmente é o contrário) aterroriza a cidade, e a única chance de detê-lo em sua conquista global está nas mãos da equipe de filmagem.

Para aumentar a penetração (com trocadilho) da campanha de divulgação do filme, a trosoba de Ron Jeremy está no Twitter sob o singelo nome de “Ron’s Monster“.

Ah, sim, o supracitado pau possui um blog também: ronjeremydick.blogspot.com.br, que apesar do domínio brazuca é totalmente em inglês.

As gracinhas vão até os créditos do filme, onde listam os atores e no final aparece um “e introduzindo Ron Jeremy”...


Infelizmente isso não vai chegar aqui nem via DVD, mas é para isso que inventaram os Torrents.

A volta do terror “old school”


André Barcinski

Confesso que estava sem paciência para filme de terror “mainstream” nos últimos tempos.

Não aguento filmes em 3D, e acho o “torture porn” – títulos como “O Albergue” e “Jogos Mortais”, exercícios de sadismo que lembram videogames – uma chatice sem tamanho.

O último filme do gênero de que gostei, entre os feitos por estúdios de Hollywood, foi “Deixe-me Entrar” (2010), refilmagem da excelente produção sueca “Deixa Ela Entrar” (2008). Caso raríssimo de refilmagem que não fica a dever ao original.

Mas dois filmes recentes me surpreenderam. Em agosto, estreou por aqui “Os Escolhidos” e, há duas semanas, “Invocação do Mal”.

É reconfortante saber que ainda existem filmes como “Os Escolhidos”, que, embora não seja nenhuma obra-prima, pelo menos ressuscita um estilo de cinema fantástico que parecia morto e enterrado: o que assusta pela sugestão.

A história é manjada: família de classe média começa a ser assombrada por aparições de “espíritos” e acontecimentos bizarros, como ver toda a mobília da casa empilhada em estranhas esculturas.


No princípio, os pais, Lacy (Kerri Russell) e Daniel (Josh Hamilton), acreditam se tratar de brincadeiras dos filhos, o adolescente Jesse (Dakota Goyo) e o pequeno Sam (Kadan Rockett). 

Mas logo o casal descobre que alienígenas estão de olho na família. 

Sam começa a ter pesadelos com seres que descem do céu e faz desenhos onde ele próprio aparece cercado por criaturas.

Não há nada muito inovador em “Os Escolhidos”. Há ecos de “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” e uma desnecessária incursão pelo artifício narrativo típico da série “Atividade Paranormal” (os pais colocam câmeras nos quartos dos filhos para tentar flagrar os “espíritos”).

Mas o diretor, Scott Stewart, mostra talento ao criar um clima de suspense sem precisar, de fato, mostrar as criaturas, preferindo focar nas reações da família e em pistas que o roteiro vai espalhando pelo caminho (marcas, pegadas, etc.).

Numa época de superexposição e YouTube, em que nos acostumamos a ver e rever tudo e de todos os ângulos possíveis, é bom saber que existe um filme que ainda deixa algo para a imaginação do espectador.


Dirigido por James Wan (“Jogos Mortais”), “Invocação do Mal” é mais uma história sobre exorcismo e uma casa assombrada por espíritos malignos, mas contada com estilo, clima e uma boa dose de humor.

O filme é inspirado em um caso supostamente real envolvendo Ed e Lorraine Warren, investigadores especializados em fenômenos paranormais e conhecidos pelo caso de Amityville, que gerou dois filmes, alguns livros e muitas acusações de charlatanismo.

“Invocação do Mal” se passa em 1971. O casal Perron – Carolyn (a ótima Lili Taylor) e Roger (Ian Livingston) – se muda com as cinco filhas pequenas para uma velha mansão à beira de um lago. 

A família não demora a perceber que algo está errado com a residência: pássaros caem mortos no jardim, barulhos de passos são ouvidos à noite e todos os relógios da casa param de funcionar na mesma hora. 

Os Perron chamam Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) para ajudar, e o filme vira uma assustadora caçada ao demônio.

Muitos filmes do gênero cometem o erro de empilhar efeitos especiais por toda a história, o que tira o impacto do clímax. 

Mas o diretor James Wan mostra talento para criar um clima de suspense crescente com cenas simples e bem arquitetadas, incluindo uma envolvendo uma inocente brincadeira de cabra-cega.

O filme culmina em uma ótima sequência de exorcismo, aí sim, com muito barulho e efeitos especiais.

Wan é esperto e não tenta empurrar o filme como uma experiência “real”, a exemplo de alguns filmes do gênero “found footage”, como “Atividade Paranormal”. 

Quem quiser acreditar, que acredite. 

O roteiro traz alguns diálogos engraçados e até ingênuos, que tornam a coisa toda meio cômica.

Quando perguntam aos Warren se basta sair da casa mal-assombrada para se livrar dos espíritos, eles dizem: “Demônio é que nem pisar em chiclete: você pode mudar de lugar, mas acaba levando ele junto.”

Os dois filmes não vão mudar a vida de ninguém e não são obras-primas, mas pelo menos mostram uma tendência de volta a um estilo “old school” do cinema de horror, em que a história e ambientação valem mais que efeitos especiais e pirotecnia.

O que mais me incomoda no cinema fantástico recente é a overdose de “sustos”. 

Como já disse antes, os roteiristas parecem achar que basta empilhar cenas assustadoras uma em cima da outra, sem nada no meio.

Mas os grandes clássicos do gênero têm um equilíbrio entre cenas de preparação e o clímax.

Há alguns dias, o Telecine Cult reprisou “O Bebê de Rosemary”. 

É impressionante como Roman Polanski passa o filme inteiro só preparando o espectador para a sequência do parto. 

Antes disso, não há sangue ou violência, só mistério. 

E mesmo as cenas pós-parto não são explícitas e chocam muito mais pelo que não mostram.


Claro que hoje ninguém vai ao cinema esperando ver um novo “Bebê de Rosemary”. 

Mas esses filmes recentes não envergonham ninguém. 

E o final de “Invocação do Mal” é bem assustador. 
Recomendo.

Em depoimento à PF, investigada fala em ser capa da 'Playboy'


Suspeita de participar da quadrilha que lavava dinheiro e desviava recursos de fundo de pensão, a modelo e agente de investimentos Luciane Hoepers ainda não firmou nenhum acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Mas já fez confissões à polícia.

Ao ser presa no dia em que a operação Miqueias foi deflagrada, na semana passada, Luciane admitiu à polícia que atuava visitando prefeitos e oferecendo vantagens indevidas para que aplicassem em fundos de investimentos suspeitos.

Ao saber que as meninas jovens e bonitas que desempenhavam essa função foram definidas pela polícia como “pastinhas” do esquema, Luciane disse que poderia ser capa da “Playboy” como “A Pastinha”.

A declaração, dada pouco depois de a polícia ter dado voz de prisão à modelo, arrancou gargalhadas até mesmo da delegada responsável pela investigação, Andrea Pinho.


Luciane Hoepers, 33, é loira, tem olhos verdes e aparece em fotos e imagens sensuais, todas espalhadas pela internet. 

Os atributos físicos da modelo e de outras pastinhas presas pela polícia chamaram atenção até mesmo de advogados que passaram pela Superintendência da PF em Brasília no dia em que a operação Miqueias foi deflagrada. 

Um deles chegou a dizer que as academias da capital federal devem ter ficado vazias, porque as “mulheres frutas” estavam detidas.

A beleza da modelo também foi assunto de um dos diálogos interceptados pela PF em abril deste ano. Luciane falava com o deputado estadual de Goiás Samuel Belchior (PMDB) que alertou para ela tomar cuidado com o “poder grande” de atrair as pessoas.

“[...] Agora, cê tem que tomar cuidado. Um poder grande que cê tem é (...) físico. Então, a pessoa, às vezes, se aproxima de você primeiro pelo que? Primeiramente pela beleza sua, pela pessoa e tal, depois pelas outras coisas. Uma coisa leva a outra. Então vá com cuidado”, disse.

Numa entrevista para a revista Fluir, acompanhada de um ensaio de fotos, Luciane se definiu como “nem bruxa, nem Cinderela”. 

Para a Polícia Federal, no entanto, ela é suspeita de participar do esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos de fundos de pensão por meio da empresa Invista, usada pela quadrilha para oferecer investimentos aos regimes de previdência de municípios.


“O envolvimento da ‘pastinha’ Luciane Lauzimar Hoepers no esquema criminoso desenvolvido pela Invista é inconteste”, diz diz relatório da PF. 

O documento afirma que Luciane abordou os prefeitos de Porto Murtinho/MS, Ponta Pora/MS, Cuiaba/MT, Catalao/GO, Joinville/SC, Blumenau/SC e Jundiaí/SP, entre outros municípios.


Além de confessar que participou do esquema, ela afirmou à polícia que pelo menos um dos prefeitos procurados por ela aceitou propina. 

Foi oferecido à Luciane o benefício da delação premiada. 
No entanto, como ela ainda não tem advogado, o acordo de colaboração não foi feito.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Empresa russa lança curso especializado em sexo oral


Sexóloga Katherine Lyubimov ministra curso de sexo oral para alunas

Com quatro unidades espalhadas pelo país, uma empresa russa se tornou famosa ao oferecer um curso completo de sexo oral exclusivo para mulheres, ensinando técnicas, métodos e abordagens para que as mulheres possam satisfazer seus parceiros.

Ministrado pela sexóloga Katherine Lyubimov no Centro de Treinamento Sexual, a russa afirma que “o sexo é uma arte”, de acordo com o site da empresa, e que, pelo preço de 3.500 rublos por três horas de curso (cerca R$ 250), as candidatas recebem instruções de como fazer o ato sexual no parceiro, e treinam com brinquedos sexuais, seguindo as orientações da professora.

A empresa disse que o diferencial da empresa é evitar “livros médicos, manequins e psicólogos entediantes”, e contar com uma abordagem prática em um ambiente confortável e livre.

“É importante não apenas ensinar as técnicas e métodos diferentes, e liberar o potencial total do sexo, quebrar as barreiras internas e tabus associados ao assunto, ajudar a fazer a pessoa se sentir livre”, afirmou Katherine.

“O sexo é o principal caminho para o coração do homem”, anuncia o site da companhia. O curso é apenas para maiores de 18 anos, e, nas dependências da empresa, há regras explícitas proibindo o uso de celulares e registrar em fotos ou vídeos os treinamentos.

O local também oferece aulas e cursos sobre sexo anal e utilização de brinquedos e acessórios sexuais.

Novas regras do grosso e vibrante Manual de Redação do CANDIRU


Este site, face aos novos dispositivos constitucionais que proíbem, com pena de reclusão inafiançável, quaisquer manifestações de caráter machista ou preconceituosa, tanto contra como a favor das minorais, resolve:

Doravante nossos redatores estão proibidos de escrever expressões como imagem do cão, preto retinto, bombom de onça, picolé de açaí, pipoca de luto, preto de alma branca, tição, negro por derradeiro, e demais frases ou adjetivos que denigram os morenos e as morenas deste país de dimensões continentais.

Tais expressões deverão ser substituídas por afro-brasileiros carregados na cor, afrodescendentes de ectoplasma incolor, pedaço de madeira inteiramente carbonizado ou afro-brasileiro em último lugar.

Como já foi cientificamente comprovado, as mulheres do sexo feminino, com exceção do racha no meio, são iguaizinhas aos homens. Portanto, não há mais razão para discrimina-las como se elas fossem de uma categoria inferior.

Por isso os nossos redatores acompanharão os novos tempos e não mais escreverão que lugar de mulher é na cozinha, que a mulher tem não apenas o cérebro menor como usa muito pouco e coisas que tais.

“Rainha do Lar” ainda pode ser utilizado, porém somente durante o mês de maio.

Adjetivos pejorativos tais como mocreia, tribufu, baiacu, canhão, muié paia ou que o boi cagou estão automaticamente vetados.

Está terminantemente proibido neste site o verbo judiar e todas as suas variações, além de trocadilhos e piadas de maus gosto duvidoso com indivíduos de raça israelita.

Um exemplo: o samba “Agora é cinza”, de Bide e Marçal, jamais poderá ser referido novamente nas reportagens como a “melô dos judeus”.

Também não mais será permitida a prática de fazer pouco caso dos indivíduos que optaram por acasalarm-se com seus iguais, os chamados homossexuais.

De maneira que este site não mais permitirá termos como fresco, viado, boiola, qualira, baitola, falso-à-bandeira, frango, sapatão, pochetinha, 44 tala larga, saboeira, dando-se preferência ao termo drag-queens para as antigas bichas loucas e, para os homossexuais pós-modernos, de ator performático, poeta transformista ou menina veneno.

Tampouco serão toleradas expressões como botar as aranhas para brigar, fazer sabão, escorregar no quiabo, entubar uma brachola, agasalhar um croquete, esconder uma cobra ou sentar em cadeira ocupada.

Os ditos anões (e as anãs também) não poderão mais ser tratados como toco-de-amarrar-jegue, pintor de rodapé, meia-foda, salva vidas de aquário, tampinha, segurança de festa infantil ou tamborete de puteiro.

Opte-se pelo politicamente correto pessoa de sexo masculino ou feminino verticalmente inferiorizado ou prejudicados.

Da mesma forma, os obesos (e as obesas também) não poderão mais ser chamados de rolha de poço, cintura de ovo, pudim de banha, gorduchinho, bola de sebo, pneu de trator, botijão, almôndega de Itu, barril de chope ou Moby Dick.

No lugar disso, utilizem o tratamento neutro de “pessoa de porte avantajado”.

Por fim, mas não menos importante, não há problemas em chamar os indivíduos de pigmentação clara de galego de água doce deu um peido e se cagou-se, urso branco, galegão,  barata cascuda, penico esmaltado, boi do cu branco, sarará e visagem, tendo em vista que não há nenhuma ONG nem lei protegendo os branquelos.

Os Editores

(um branquelo feito macaxeira descascada e outro moreno cor de jambo)

CANDIRU volta a introduzir o Q.I.B. na baitolagem


Boilagem é foda. Como o sarampo, o político safado e a sogra da gente, quando se pensa que sumiu, ela retorna com força total. Como vosmecês se arrecordam, alguns números atrás – lá no ano passado! –, o CANDIRU andou publicando a relação dos sintomas associados à boiolagem que assola o país. 

Telefonemas, cartas, e-mails, sinais de fumaça, enfim todos os meios de comunicação são utilizados diariamente por nossos milhões de leitores espalhados pela galáxia.

Wal Borges, Clodoaldo Torres, Ricardo Tibau, Esquerdinha, Muniz, Léo Cavalcanti – enfim toda a turma do Vagão, do Empório Sertanejo e do Moscouzinho – imploravam por uma nova lista contendo pontuação mais atualizada do Q.I.B. (Quociente Internacional de Boiolagem).

Esta descoberta do Dr. Alizando Kresce, PhD em Boiologia da Universidade de Pelotas, atesta o nível de viadagem do cristão. 

Confira o seu índice e o do seu macho, lembrando que 300 pontos é a marca fatal.  

Usar bermuda e tênis com meia longa: 18 pontos
Usar trancelim: 21 pontos
Usar pulseira: 24 pontos
Usar fitinha do Bonfim: 26 pontos
Usar anel: 32 pontos
Usar anel no dedo mindinho: 43 pontos
Deixar crescer a unha do mindinho: 51 pontos
Fazer as unhas em manicure: 20 pontos
Tirar cutícula: 25 pontos
Usar esmalte incolor: 35 pontos
Coçar o ouvido com o dedo mindinho: 19 pontos
Usar cotonete: 21 pontos
Usar contonete pegando com dois dedos e revirando os olhinhos: 61 pontos
Usar fio dental (nos dentes): 19 pontos
Usar fio dental (na praia): 190 pontos
Usar cueca decorada: 28 pontos
Malhar: 17 pontos
Fazer musculação: 32 pontos
Usar camiseta colada pra realçar os músculos: 56 pontos
Caminhar usando bermudão, sem camisa e levando um pitbull pela coleira: 81 pontos
Embalar criança: 17 pontos
Embalar criança cantando cantiga de ninar: 21 pontos
Fazer cafuné em criança alheia: 43 pontos
Ir pra futebol: 11 pontos
Ir pra futebol balançando uma bandeirinha: 22 pontos
Usar bandeirinha de time no carro: 26 pontos
Amarrar fita de time na cabeça: 44 pontos
Fazer parte de torcida organizada: 46 pontos
Sofrer quando o time perde: 17 pontos
Ficar “re-vol-ta-do” quando o time não ganha nada no ano do centenário: 72 pontos
Ficar “ar-ra-sa-do” quando o time perde dois pênaltis e em seguida leva um gol besta num mesmo jogo: 101 pontos
Fazer karaokê: 31 pontos
Fazer videokê: 42 pontos
Fazer videokê ou karaokê dançando enquanto canta: 99 pontos
Ir pra teatro: 16 pontos
I pra teatro pra ver ópera: 35 pontos
Fazer parte de cineclube: 17 pontos
Assistir a filme de arte: 18 pontos.
Comentar filme de arte em mesa de bar, tomando água mineral: 29 pontos.
Ir pra reunião de partido: 32 pontos.
Ir pra reunião de partido e levantar questão de ordem: 62 pontos
Ir pra restaurante jantar: 17 pontos
Ir pra restaurante jantar com outro macho: 38 pontos
Pedir pratos exóticos à base de molho de manga, de maracujá e otras frescuritas más: 77 pontos
Comer salada com pétalas de flores: 101 pontos
Jogar porrinha: 21 pontos
Jogar porrinha caprichando na desmunhecada: 51 pontos
Jogar xadrez: 13 pontos
Jogar tênis: 23 pontos
Jogar polo: 43 pontos
Jogar golfe: 56 pontos
Jogar botão: 100 pontos
Jogar frescobol: 123 pontos
Jogar rugby: 157 pontos
Praticar esgrima: 160 pontos
Praticar esgrima de roupa colante, sapatilha, espadinha segurada com a munheca virada pra cima e mãozinha nos quartos: 222 pontos

Se vosmecê conferiu sua pontuação até aqui, acaba de ganhar um bônus de 240 pontos para completar os 300 a que tem direito.

A seita que jurava combater a roubalheira agora luta para conseguir que os sacerdotes corruptos passem só as noites na cadeia


Augusto Nunes

Leiam sem pressa os quatro parágrafos, transcritos em itálico, extraídos de um artigo publicado pelo Estadão sob o título “A corrupção e morte da cidadania”. Volto em seguida com o nome do autor e a data da publicação.

A corrupção representa uma violação das relações de convivência civil, social, econômica e política, fundadas na equidade, na justiça, na transparência e na legalidade. A corrupção fere de morte a cidadania. Num país tomado pela corrupção, como o Brasil, o cidadão se sente desmoralizado porque se sabe roubado e impotente. Sabe-se impotente porque não tem a quem recorrer. Descobre que os representantes traem a confiabilidade do seu voto, que as autoridades ou são corruptas ou omissas e indiferentes à corrupção, que os próprios políticos honestos são impotentes e que a estrutura do poder é inerentemente corruptora.

Dessa impotência se firmam as noções de que “nada adianta” e de que no fundo “são todos iguais”. A fixação desses sentimentos representa o fim da cidadania, pois ela se baseia na participação ativa do indivíduo na luta por direitos e na cobrança e fiscalização do poder. Quanto mais agonizante a cidadania, mais ativa se torna a corrupção. O corrupto sente-se à vontade para se justificar e até para solicitar o aval eleitoral para continuar na vida política.

O poder no Brasil protege os corruptos. A estrutura do poder público é corruptora. Em paralelo, a estrutura fiscalizadora favorece a impunidade. Mas se a corrupção, sua proteção e a impunidade se tornaram estruturais, há uma vontade explícita de manter intacta a estrutura corruptora. Essa vontade se manifesta de várias formas. A principal é a falta de iniciativa das autoridades constituídas. Outra ocorre pelo bloqueio das mudanças institucionais e legais que visam a ampliar e aperfeiçoar os instrumentos de combate à corrupção. No Congresso, medidas de combate à corrupção e mudanças moralizadoras da Lei Eleitoral foram sistematicamente derrotadas pela maioria governista, com o apoio de chefes dos poderes superiores.

A sociedade já percebeu que a corrupção estrutural está albergada na falta de vontade de mudar e de punir e na vontade explícita de proteger. A racionalidade do cidadão não consegue compreender o porquê e o como de tantos casos de corrupção não resultarem em nenhuma prisão dos principais envolvidos. E porque a razão não consegue compreender essa medonha impunidade, o cidadão sente-se desmoralizado. A corrupção assume a condição de normalidade da vida política do país. A degradação e a ineficiência do poder público atingiram tão elevado grau que não se pode mais acreditar que, apesar de lentas, as mudanças virão.

O autor só pode ser algum falso moralista enfurecido com a transformação do embargo infringente em primo do habeas corpus, certo? E o texto só pode ser coisa da elite golpista ainda inconformada com a derrota decidida pelo voto do ministro Celso de Mello, certo? Errou duplamente quem embarcou nessas deduções. O artigo saiu na edição de 29 de abril de 2000. E foi escrito por José Genoino, então ─ como agora ─ deputado federal do PT paulista. Parece mentira, mas é isso mesmo.

Também parece mentira que há menos de 14 anos, quando já ia longe o ataque aos cofres estaduais e municipais controlados pelo partido, as vestais de araque ainda reivindicassem aos berros o monopólio da ética. Na virada do século, embora Delúbio Soares já ocupasse o posto de tesoureiro da quadrilha em formação, José Dirceu seguia recitando de meia em meia hora, com sotaque de Passa Quatro, o mantra hoje reduzido a refrão do hino do grande clube dos cafajestes: “O PT não róba nem dêxa robá”.

É compreensível que o deputado federal José Genoino, sem ficar ruborizado, ousasse exigir cadeia para quem fazia o que ele faria na presidência do partido que, ao alcançar o poder federal, acabou transformando o assalto ao dinheiro público em programa de governo. O artigo publicado pelo Estadão sugere que são até brandas as penas aplicadas pelo STF aos companheiros condenados por corrupção ativa: 7 anos e 11 meses para José Dirceu, 6 anos e 8 meses para Delúbio Soares e 4 anos e 8 meses para Genoino.

Não há embargo infringente que dê jeito nisso. Para recorrer à esperteza que justificou um novo julgamento e provavelmente os livrará  da punição por formação de quadrilha, os três mensaleiros precisariam de quatro ministros dispostos a não enxergar o que eles são: corruptos ativos.  Dirceu, condenado por 8 a 2, teve o apoio de Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Genoino (9 a 1) só foi socorrido por Lewandowski. Delúbio (10 a 0) não comoveu sequer o ministro da defesa dos pecadores.

A seita que prometia acabar com a ladroagem, quem diria, agora luta para conseguir que três sacerdotes corruptos se safem da pena adicional por formação de quadrilha, que submeteria a trinca à prisão em regime fechado. Eufóricos com o adiamento do embarque no camburão, os devotos já preparam um carnaval temporão para festejar a conquista do regime semiaberto. O desfile da Unidos do Mensalão, de qualquer forma, não poderá ultrapassar o fim da tarde.

No começo da noite, os três destaques terão de recolher-se à cadeia. É lá que os companheiros presidiários vão dormir por centenas de noites.

quarta-feira, setembro 18, 2013

Jimmy Henchman, o pivô das mortes estúpidas de Tupac e Notorious B. I. G.


Um haitiano pilantra e traficante de drogas provocou uma das maiores tragédias no meio musical do hip hop

No dia 20 de maio de 2012, o Village Voice publicou uma matéria intitulada “Tupac Shakur, Los Angeles Times e por que eu continuo desempregado: uma história pessoal por Chuck Philips”, que transcrevemos abaixo:

Durante vários anos, Chuck Philips produziu algumas das melhores reportagens sobre os assassinatos de Tupac Shakur e Biggie Smalls. Na semana passada, um julgamento no Brooklyn começou com uma situação estranha.

No julgamento federal criminal de James Rosemond – aka “Jimmy Henchman” – uma das primeiras coisas que o advogado de Rosemond fez foi chutar pra fora do tribunal um jornalista desempregado chamado Chuck Philips, acusando-lhe de ser uma testemunha do caso.

Philips foi repórter investigativo do Los Angeles Times durante 18 anos, cobrindo as seções de polícia e de entretenimento.

Em 1999, ele ganhou um prêmio Pulitzer com seu colega, Michael Hiltzik, por uma série de reportagens denunciando a corrupção na indústria do entretenimento.

Em 1996, ele ganhou o Prêmio George Polk pelo conjunto de artigos sobre arte e cultura negra na América.

Um ano depois, ele ganhou um prêmio da Associação Nacional de Jornalistas Negros pela cobertura consistente e detalhada dos negócios suspeitos da música rap.

Durante vários anos, ele investigou os assassinatos de Tupac Shakur e Biggie Smalls, produzindo algumas das reportagens mais importantes sobre esses crimes.

Em 2008, entretanto, a carreira de Chuck Philips no jornalismo acabou, de repente, com sua demissão sumária do jornal californiano.

Agora, pela primeira vez, ele está falando longamente sobre como isso aconteceu e como ele se tornou uma testemunha em um julgamento federal.

No final do texto, temos uma declaração do Los Angeles Times, que recebi depois de informar ao seu advogado de que estávamos publicando esta matéria – Tony Ortega, editor.

“Meu nome é Chuck Philips. Passei os últimos dez anos de minha vida profissional no jornal Los Angeles Times procurando investigar o assassinato do artista de rap mais importante do mundo, Tupac Shakur, e do seu rival, Biggie Smalls.

Minha investigação me levou de volta a uma brutal emboscada, em 1994, no Quad Recording Studios, em Manhattan – um momento crucial na história do hip hop e um presságio da violência que estava por vir: a sangrenta batalha entres as duas costas (Leste e Oeste), que culminaria com o assassinato de 2Pac e de Biggie .

A emboscada de 1994, que vitimou Tupac, classificada pela polícia de Nova York (NYPD) como um assalto, nunca foi esclarecida. Nenhuma acusação foi feita. Nenhuma prisão foi executada.

Os policiais nunca investigaram Sean “P. Diddy” Combs e outros proeminentes membros da Bad Boy Records, entre funcionários e colaboradores, presentes no Quad, naquela noite de novembro.

As autoridades não tinham a menor simpatia por Tupac nem por suas letras repletas de muita discurseira anti-policial.

Desde o início, a polícia não mostrou nenhum interesse em resolver o crime.

A reputação de Tupac como um encrenqueiro era ofuscada pela sua arte.

No dia de sua morte, dois anos depois, quando ele tinha apenas 25 anos, o que perdemos foi um talentoso poeta e orador de alto nível, cujo homicídio não solucionado deixou uma cicatriz na consciência criativa da América.

Tupac não era o bandido que acabou sendo retratado pelos meios de comunicação.

Desde cedo, o artista buscou apoio na filosofia. Ele estudou Shakespeare e Nietzsche. Sun Tzu. Maquiavel. Aristocracia não lhe impressionava. Xenofobia o incomodava. Ele não tinha tempo para o racismo.

No mundo de Tupac, os manos obedeciam a um único recado: “Nunca seja ignorante sobre os caminhos certos para atingir os objetivos pretendidos.”

Ele também era um homem das mulheres. Bonito. Carismático. Um iconoclasta. Um anarquista.

Criados pelos pais revolucionários, ele se manteve fiel às suas raízes de fora da lei, desafiando até o fim os policiais corruptos e os gangsteres psicopatas.

E foi isso que o matou, em 7 de setembro de 1996, com uma saraivada de balas, na frente de centenas de testemunhas, na Las Vegas Strip.

Eu poderia ter me importado bem menos com os policiais.

Na polícia de Las Vegas, o sargento Kevin Manning, que iniciou o inquérito sobre o caso, me disse que a investigação do assassinato de 2Pac terminara pela mesma razão que a maioria dos inquéritos de gangue-contra-gangue resulta num beco sem saída: porque as testemunhas desconfiam dos policiais serem corruptos e se recusam a cooperar.

Quando eu comecei a minha investigação do assassinato, em 1999, a indiferença dos agentes da lei me surpreendeu.

Foi então que me propus a rastrear todas as pessoas que tivessem tido conhecimento em primeira mão dos acontecimentos.

Em vez de apenas falar com os detetives, fui para prisões de todo o país.

Eu desenvolvi relacionamentos com gangsteres e suas famílias e amigos em áreas de LA e NY, onde tiroteios são frequentes.

Entrei em bairros em que poucas pessoas de fora entravam.

Todos os caminhos levaram ao Quad.

No momento em que comecei a investigar a emboscada, em 2007, havia caído o estatuto de limitações sobre o assalto de 1994 e o crime havia prescrito depois de sete anos.

A polícia nunca tentou encontrar ou investigar os assaltantes de 2Tupac.

Então eu tomei essa tarefa pra mim.

Com a orientação de fontes da rua, eu fui capaz de identificar quem eram os assaltantes e onde viviam.

Eu os visitei na prisão e os entrevistei.

Dois dos homens que entrevistei confirmaram as suspeitas de Tupac sobre quem tinha sido o mandante do atentado.

Um deles fez um depoimento em letras escritas à mão e enviou pra mim no verão de 2007.

O outro até se ofereceu para me vender a corrente de ouro roubada de Tupac.

De acordo com os assaltantes, o homem que encomendou e financiou o atentado contra Tupac era um informante federal e membro da posse de Sean Combs, chamado James Rosemond, mais conhecido nos círculos do hip hop como “Jimmy Henchman” – um criminoso condenado, de ascendência haitiana, que havia criado um inexplicável rancor contra 2Pac.

Quatro anos atrás, eu publiquei um relato sobre essa emboscada fatídica, em 1994, em Manhattan, em que 2Pac quase foi morto.

O rapper foi baleado, recebeu uma saraivada de socos, chutes e uma coronhada dada por assaltantes desconhecidos quando ele entrou no Quad Recording Studios, depois de ter sido convidado por Henchman.

Os agressores foram instruídos a não matar 2Pac, apenas feri-lo.

Os assaltantes roubaram do rapper pelo menos US$ 40 mil em joias de ouro e diamantes e o deixaram no chão desfalecido.

Shakur sobreviveu e culpou publicamente Henchman por orquestrar o ataque.

(Há alguns anos, após a publicação da minha matéria, eu vim saber, por meio dos assaltantes, que tinha sido 2Pac que atirara, acidentalmente, na sua virilha, durante a briga, usando sua própria arma, na tentativa de se defender. A arma disparou no começo da treta, me contaram, antes de os agressores começarem a bater nele e dar-lhe uma coronhada que o jogou no chão. Foi quando começaram a chutá-lo seguidamente, sem piedade. Não houve testemunhas do crime. Assim, 2Pac, ainda segundo eles, usou de licença poética para dramatizar o fato, transformando o assalto em uma tentativa de assassinato, exagerando o número de vezes em que foi baleado e extrapolando a gravidade de seus ferimentos.)

Meu artigo intitulado “Um ataque contra Tupac Shakur iniciou uma guerra no hip hop”, foi publicado em 17 de março de 2008, no website do Los Angeles Times.

Baseei minha reportagem em entrevistas exclusivas com os homens que atacaram Shakur, que nunca antes tinha falado com um repórter, e com outros gangsteres de Nova York familiarizados com o ataque – os quais confirmaram a avaliação do rapper de quem tinha sido o mandante.

A reportagem foi ilustrada com os relatórios FBI-302s, que eu tinha obtido a partir de um caso arquivado em um tribunal da Flórida, meses depois de terminar a minha investigação.

Tratava-se de documentação oficial que apoiava em parte aquilo que minhas fontes entrevistadas tinham me contado anteriormente.

Em 26 de março de 2008, oito dias depois de a reportagem ter sido publicada, os relatórios FBI-302s foram expostos pelo site thesmokinggun.com como sendo frutos de uma falsificação grosseira – e o mundo desabou.

Devo observar aqui que não era minha ideia publicar no website os documentos com os números originais ou mesmo citar livremente seus números no artigo.

Essa foi uma decisão tomada por meu editor e pelos advogados do jornal – e autorizado pelo então editor-chefe do Los Angeles Times, que era na prática o chefe supremo do jornal.

Minha reportagem original quase não mencionava os relatórios 302s nem o indivíduo que mais tarde foi acusado de ter fabricado os documentos.

Informação que eu tinha inicialmente atribuída a fontes anônimas mais tarde foi substituída pelos editores na minha reportagem pela frase “de acordo com o informante do FBI”, o mesmo que fez acusações semelhantes nos supostos relatórios 302s.

A decisão de se basear em documentos oficiais, o velho estratagema comum de um jornalismo legalmente defensivo adotado pelos editores e advogados, provocou o escândalo que matou a história.

Na mesma hora em que os relatórios FBI-302s foram expostos como falsificações, Henchman me acusou publicamente de fabricar documentos para difamá-lo.

Ele alegou que a minha reportagem era insultuosa e que tinha danificado para sempre sua reputação.

Para mim, parecia cômico que um criminoso condenado que se autodenominava “o Feitor do Gangsta Rap” poderia culpar uma reportagem como a minha para manchar sua reputação.

Afinal, mesmo depois de Tupac acusar Henchman de orquestrar a emboscada de 1994, ninguém na indústria musical realmente prestou atenção nesse autêntico zero à esquerda.

Na verdade, Henchman construiu seu nome de “fodão do pedaço” por meio da força dos boatos de seu envolvimento no assalto brutal, que acabou reforçando sua credibilidade nas ruas, na década de 1990.

Antes da emboscada na Quad, Henchman era apenas mais um traficante de cicatriz no rosto feito uma letra de rap, com várias detenções por homicídio, roubos e múltiplas violações por uso de armas de fogo.

Ele havia sido indiciado por tráfico de cocaína – um caso em que a polícia disse que ele tinha emboscado pessoalmente um homem (prenúncio do ataque a Tupac) e atirado no rosto da vítima.

Na verdade, na noite em que Henchman convidou Tupac para ir ao estúdio, ele era um fugitivo da justiça decorrente de uma violação por arma de fogo ligada à emboscada já citada antes, que o envolvia diretamente em um caso de tráfico de drogas.

Naquela época, Henchman se dizia ser o sumo sacerdote da cruzada anti-informantes do gangsta rap e dirigia uma agência de talentos, na prática um pequeno depósito de ratos, que odiavam os artistas de rap que cantavam sobre tráfico de drogas, tiroteios e mortes.

Antes de sua prisão, seu cliente mais famoso era um conhecido rapper de Los Angeles chamado Game.

Autoridades acreditam agora que a agência de Henchman era, na verdade, apenas a fachada de uma empresa nacional de tráfico de drogas.

Henchman e seu advogado, Jeffrey Lichtman, iniciaram uma agressiva campanha online atacando a minha credibilidade, pedindo minha demissão da MTV e de outros meios de comunicação.

Por quê? Eu não era a primeira pessoa a levantar a questão do envolvimento de Henchman no ataque do Quad.

Antes de Tupac ser morto a tiros em 1996, ele culpou Henchman em várias entrevistas publicadas e identificou-o pelo nome como o autor do ataque em sua canção “Against All Odds”.

Várias publicações de música tinham feito reportagens especulando sobre o possível papel da Henchman na emboscada – sem sofrerem represálias.

Mas no meu caso, Henchman retaliou com um ataque pessoal coordenado contra minha pessoa, que dominou a Internet por várias semanas.

Henchman veiculou na web diversas mentiras sobre mim enquanto seu advogado atormentava meus chefes na época com telefonemas cada vez mais ameaçadores.

O advogado ameaçou me processar com base nas leis federais, mas nunca fez.

Ele não precisou.

O jornal cedeu ao seu assédio moral.

O escândalo da falsificação de documentos surgiu num momento em que o LA Times estava prestes a implodir financeiramente e sua tinta vermelha se transformara em hemorragia.

Com a sua empresa-mãe à beira da falência, o jornal foi eliminando postos de trabalho, demitindo quem tinha mais tempo de serviço e salários mais altos.

Aos funcionários foram oferecidos “compensações”, mas ficou claro que se eles não aceitassem os termos estabelecidos pela administração, seriam demitidos sem direito a nada.

Centenas de trabalhadores perderam seus empregos imediatamente e uma nova onda de demissões teve início.

Editores e advogados ficaram de joelhos muito mais preocupados com os seus próprios futuros profissionais do que com minha batalha legal.

Como foi que os documentos surgiram?

No final de 2007, muito tempo depois de concluir minha investigação de rua sobre a emboscada do Quad, recebi, por telefone, uma dica não solicitada de um detento federal chamado Jimmy Sabatino, que me informou que o sumário das entrevistas contidas nos relatórios FBI-302 faziam referências à briga do Quad em um caso que ele havia respondido em uma Corte Distrital dos EUA, na Flórida.

Sabatino estava na prisão por uma condenação por fraude.

Eu não o conhecia, mas logo passei a confiar no preso, depois que ele ajudou a orientar-me em direção a um punhado de valiosos (e autênticos) registros do tribunal que eu encontrei no National Archives and Records.

A partir das dicas do Sabatino, obtive os 302s do tribunal da Flórida, porque eles continham informações que apoiavam algumas das coisas que eu tinha descoberto a partir de minhas próprias fontes.

Para mim, a papelada do FBI era apenas a cereja no bolo, uma verificação independente da minha própria investigação.

Meu editor e o advogado do jornal ficaram muito emocionados porque eu tinha localizado documentos privilegiados que reforçavam a minha reportagem.

Os 302s traziam os mesmos elementos de design gráfico que todos nós tínhamos visto antes em relatórios do FBI.

Eu não tinha nenhuma razão para acreditar que eles eram falsos.

Jornalistas são treinados especificamente para buscar documentos judiciais porque eles são considerados os mais legítimos. Irrepreensível.

Os relatórios do FBI em questão tinham sido analisados por um juiz federal em audiência acontecida na Flórida e foi estudado por dezenas de editores e advogados nos LA Times.

Nenhuma pessoa que os viu questionou a sua autenticidade antes de meu artigo sair.

Nem mesmo o advogado de Henchman, Jeffrey Lichtman, a quem eu havia enviado por fax os 302s para seu conhecimento, várias semanas antes da publicação da minha história, questionou sua autenticidade.

Oito dias depois de minha reportagem ter sido publicada, Bill Bastone, ex-repórter do The Voice, com renomada experiência em East Coast FBI-302s, escreveu um artigo para thesmokinggun.com, especulando que os documentos eram falsos.

Seu artigo levantou sérias dúvidas em minha mente sobre a autenticidade dos documentos.

Eu não sabia se ele estava certo ou não, mas depois de passar horas matutando, eu decidi confiar no julgamento de Bastone e comecei a agir.

Na manhã de 26 de março de 2008, eu cheguei cedo à redação do LA Times e imediatamente tentei convencer meus superiores a fazerem uma chamada de primeira página seguida de um texto de minha autoria em que eu reconhecia que tinha sido enganado pelos falsos 302s e pedia desculpas aos leitores pelo erro.

Inicialmente, a ideia encontrou resistência nos editores e advogados que me informaram que seria uma insensatez admitir publicamente o erro.

Ao meio-dia, entretanto, a administração mudou de ideia e solicitou a um dos editorialistas do jornal, James Rainey, que escrevesse o texto que eu havia sugerido. (Aquele texto imparcial, de 27 de março de 2008, levou assinatura de Rainey.)

Para esclarecer: a única coisa que eu me desculpava era por ter publicado documentos supostamente falsos.

Eu nunca disse que o que eu escrevera antes estava errado.

Alguém podia ter me enganado, mas essa falha não invalidava aquilo que eu reportara.

Eu nunca teria concordado em publicar os 302s se eles não batessem com o que eu já tinha descoberto na minha própria investigação.

A minha reportagem havia sido apurada substancialmente.

Disso eu tinha certeza naquela época. E ainda tenho.

Colegas acharam que eu tinha pisado na bola.

Eu não sou um teórico da conspiração, mas uma frase que o advogado de Henchman disse à MTV naquela semana me fez refletir: “Qualquer advogado de primeiro ano saberia que os relatórios do FBI 302 que formaram a base da história do LA Times foram fabricados”.

Primeiro, que os supostos documentos do FBI não formavam a base do meu texto. Minhas fontes, sim.

Em segundo lugar, Jeffrey Lichtman, o advogado que agora atacava a autenticidade dos documentos, teve cerca de três semanas para inspecionar os 302s supostamente falsos antes de minha história ser publicada.

Eu tinha enviado por fax os 302s para ele antes da publicação buscando uma resposta de Henchman ou dele próprio para citar na história.

Se fosse tão óbvio que os documentos tinham sido fabricados, ele não teria a obrigação legal de avisar o seu cliente e me avisar, antes que a matéria fosse publicada?

Publicamente, Henchman aproveitou o momento, tentando transformar o meu pedido de desculpas sobre o 302s em uma exoneração de seu papel na emboscada do Quad.

A imprensa engoliu a história.

Particularmente, Lichtman ameaçou processar o jornal.

Eu disse aos advogados e editores que agradeceria a oportunidade de enfrentar Henchman no tribunal.

Eu estava certo de que iria prevalecer a minha versão e encorajei os administradores e assessores jurídicos do LA Times a deixarem Henchman abrir o processo.

A longa folha corrida de Henchman recheada de detenções e condenações teria tornado difícil para “o Feitor do Gangsta Rap” provar danos à sua reputação.

E também teria sido difícil para Henchman explicar por que ele nunca havia processado antes qualquer outra publicação que tinha levantado acusações semelhantes.

Henchman estava ciente de que eu tinha descoberto outros crimes em que ele estava envolvido e que eu poderia denunciar durante o julgamento – sem contar que ele havia sido o mentor do ataque a Tupac.

Eu tinha provas documentadas de suas atividades criminosas adicionais e disse isso aos advogados do LA Times.

Eu estava convencido de que Henchman não ousaria correr o risco de ser confrontado durante um interrogatório público.

Na pior das hipóteses o que eu tinha feito era cometer um erro: eu obtive o que eu achava que eram 302s autênticos em um tribunal federal.

Não foi premeditado ou malicioso da minha parte. Foi um erro. Na verdade, foi provavelmente uma pisada na bola.

Eu não podia prever que alguém tinha ido tão longe a ponto de apresentar ilegalmente documentos falsos em um tribunal federal.

Eu ainda não tenho nenhuma prova de que Sabatino teria feito os documentos falsos, mas se ele fez, parece agora que não agiu sozinho.

No ano passado, um velho amigo de Henchman assinou uma declaração (que Henchman fez circular na mídia) dizendo que tinha ajudado Sabatino a fabricar os documentos e arquivá-los no tribunal.

Se o jornal tivesse enfrentado Henchman no julgamento, poderíamos solicitar, sob juramento, o depoimento de todos os envolvidos na minha reportagem e na própria emboscada do Quad.

Se Henchman realmente nos processasse, o processo iria nos presentear com a oportunidade de fazer o que as autoridades não haviam feito: resolver o crime, em um tribunal de direito.

Além disso, tínhamos a Seção 47 do Código Civil da Califórnia do nosso lado, uma lei à prova de balas que permite aos jornalistas publicarem e informarem sobre qualquer documento arquivado em um processo judicial – mesmo aqueles onde mais tarde se encontrem exageros, mentiras e falsificações.

Advogados e editores rejeitaram as minhas recomendações, argumentando que seria temerário lutar contra o caso.

O LA Times se recusou a defender a história no tribunal.


Chuck Philips queria enfrentar Henchman nos tribunais: o LA Times deu pra trás

Em vez disso, o editorialista fez uma nova retratação que soava como se eu tivesse inventado toda a história e me esgueirado para publicá-la escondido dos administradores, sem o conhecimento, consentimento ou orientação dos editores seniores e advogados envolvidos diretamente na sua publicação.

Durante dias, fui pressionado para aceitar a retratação de 7 de abril do jeito que o editorialista queria.

Mas não aceitei. Minhas fontes eram sólidas. Meu relato era sólido.

Foram apenas os documentos que acabaram se mostrando uma farsa.

A retratação me faria soar como Jayson Blair ou Janet Cooke.

Nada poderia estar mais longe da verdade.

Nenhum repórter pode publicar qualquer coisa que não tenha sido examinado por editores e advogados do seu jornal.

O jornal, não o repórter, decide o que publicar e o que não publicar.

A retratação de 7 de abril parecia destinada a me culpar e proteger os cargos das pessoas que autorizaram a publicação da minha história.

Não era verdadeira ou mesmo remotamente perto do que uma verdadeira retratação deveria ser.

Depois dessa nova retratação, relatórios contundentes apareceram na Internet – mentiras e boatos que me fizeram ter “um dia de cão” por várias semanas.

Eu fui atacado tantas vezes em tantos artigos que até o Google entrou em contato comigo e me ofereceu a oportunidade de responder.

Mas o editorialista não queria isso.

Recebi ordens para não me comunicar com o Google.

Eu também fui proibido de retornar telefonemas de repórteres em busca de comentários.

E também fui impedido de enfrentar a avalanche de afrontas on-line.

Enquanto isso, eu fiquei esperando que o LA Times assumisse a minha defesa.

As mesmas pessoas que me elogiaram quando eu trouxe prêmios para o jornal não conseguiam esboçar qualquer defesa para um repórter consciencioso que, na pior das hipóteses, tinha cometido um erro honesto – a minha primeira vez em 18 anos.

Apesar de sua incapacidade para defender a minha história, os principais editores do jornal asseguraram-me em particular que o meu emprego estava a salvo.

Além dessas promessas, na quarta-feira antes da nova onda de demissões ser anunciada, eu perguntei ao recém-nomeado editor da seção em que trabalhava se teria algo com que me preocupar.

Ela disse que não.

Dois dias depois, ela me chamou na sua sala e me disse estar muito desapontada.

O editorialista, segundo ela, tinha decidido me mandar embora.

Eu fui despedido na mesma tarde em que Henchman concordou em assinar em segredo um acordo com o LA Times fora dos tribunais.

Eu tinha permissão para me candidatar a uma operação de compra de ações da empresa (a título de compensação) e fui informado para dizer às pessoas que estava saindo do jornal por conta própria.

Minha demissão foi vista amplamente como um agrado para Henchman.

Antes de pagar o meu passe de estacionamento, fui informado de que o LA Times havia pago US$ 200.000 em dinheiro para Henchman.

Mas não foi isso o que Henchman disse.

Ele se gabava de ter conseguido meio milhão de dólares, mais a minha cabeça em uma bandeja, como se tivesse sido inocentado pelo jornal.

Ele anunciou minha demissão em seu site antes mesmo de eu ser demitido do LA Times. (Na semana passada, no tribunal, o advogado de Henchman disse na corte que o acordo havia lhe pago US $ 250.000)

A campanha de Henchman para desviar a atenção da emboscada no Quad não diminuiu depois da minha demissão.


Henchman e mais um parceiro do submundo do crime

Em outubro de 2010, quatro meses depois que deixei o LA Times, Henchman intensificou seus esforços para me desacreditar, dessa vez fabricando uma ação judicial e distribuindo cópias para dezenas de meios de comunicação, afirmando falsamente que ele havia me processado em US $ 120 milhões.

O eternamente pilantra Henchman alegou que eu tinha armado um novo plano para difamá-lo, desta vez com um repórter do New York Daily, que publicou uma reportagem em setembro de 2010, alegando que ele era um informante federal.

Eu nunca trabalhei para o New York Daily News.

A reportagem do Daily News foi baseada em documentos judiciais obtidos pelo seu repórter mediante consulta de arquivos e registros oficiais dos próprios casos criminais de Henchman, que provou que ele era um dedo-duro.

Após a reportagem do Daily News ser publicada, o advogado de Henchman imediatamente atacou as autoridades, chamando o artigo de “nada menos do que uma tentativa de assassinato direcionada pelo governo.”

Mas não demorou muito para que Henchman transferisse a culpa para mim, alegando que os documentos em que o artigo foi baseado eram falsificados – e que de alguma forma a culpa era minha.

Pouco depois de o Daily News ter detonado Henchman, um novo fanzine apareceu de repente na Internet.

Era chamado de hiphopconspiracy.com.

Supostamente seria um veículo para publicação de reportagens verdadeiras sobre o mundo do rap.

Na verdade, não era nada disso, mas um veículo para espalhar mentiras a meu respeito.

O primeiro link no topo da primeira página do site era “Chuck Philips”.

Clicando no meu nome, o leitor seria levado a um processo de US$ 100 milhões contra mim, por calúnia e difamação, que nunca tinha sido apresentado em qualquer tribunal, além de uma série de outros documentos legais fictícios criados para manchar minha reputação. (Em 25 de maio, menos de uma semana depois que esta história apareceu pela primeira vez, Go Daddy retirou do site todos os seus falsos documentos anti-Philips.)

Henchman forneceu cópias desse falso litígio para a revista Vibe e outras publicações de rap.

A Vibe publicou o processo falso, apesar do fato de que ele claramente não tem qualquer data ou carimbo do tribunal, e a linguagem macaqueada é exatamente a do Henchman em suas falsas afirmações usadas para ameaçar o LA Times.

Os 302s falsos não eram a principal razão pelas quais Henchman e outros pilantras queriam me ver demitido do jornal.

Olhando agora pra trás, eu suspeito que eles estavam menos preocupados com o que eu já tinha descoberto do que sobre o que eu estava certo de descobrir, se eu tivesse sido autorizado a continuar investigando.

Henchman tinha razão para estar nervoso.

Ele sabia que eu estava me comunicando diretamente com os seus ex-parceiros de crime – velhos amigos a par de seus segredos mais contundentes.

Eu tinha atravessado pontes que ele havia queimado há muito tempo.

Seus ex-companheiros não só sabiam que o líder anti-delator do rap underground era, na verdade, um dedo-duro: eles me disseram que Henchman tinha esqueletos ainda maiores escondidos no armário.

No verão passado, agentes do DEA prenderam o irmão de Henchman em Atlanta pelo crime de tráfico de drogas.

No outono, os federais prenderam outro parceiro de Henchman envolvido com o contrabando de grande quantidade de cocaína de Los Angeles para Nova York.

Em seguida, as autoridades prenderam a esposa desse seu parceiro depois de encontrar uma pistola de 9 mm carregada, um Intratec Tec-9, vários depósitos carregados de caixas de munição, além de 39,5 mil dólares em dinheiro escondidos em sua Mercedes Benz.

No início de junho de 2010, o DEA emitiu um mandado de prisão para Henchman sob a acusação de tráfico de cocaína.

Henchman divulgou um comunicado culpando seus problemas no Ministério Público pelo excesso de zelo e por minha causa, mas prometeu dar a sua versão dos fatos.

Ele acabou fugindo.

Em 21 de junho, ele foi preso após uma dramática perseguição a pé no entorno do luxuoso W Hotel, em Manhattan.

Os federais o acusaram de tráfico de cocaína e crack, obstrução da justiça, lavagem de dinheiro e prenderam dois de seus comparsas por causa de um golpe planejado por Henchman.

A vítima de assassinato ousara humilhar Henchman esbofeteando seu filho em plena luz do dia na frente da agência de talentos do próprio Henchman. (Henchman já tinha sido acusado por assassinato.)


O jornalista Chuck Philips bem que devia processar o LA Times por perdas e danos

Sete meses atrás, Jeffrey Lichtman, que se tornara famoso por haver defendido o filho do chefe da máfia John Gotti, foi desqualificado como advogado de Henchman.

O tribunal decidiu que ele estava diante de um conflito de interesses.

No passado, Lichtman havia representados alguns dos co-réus de Henchman.

Dias antes da prisão de Henchman no último verão, seu ex-melhor amigo, Dexter Isaac, o condenado que liderou o ataque ao Quad, em 1994, confessou publicamente que tinha sido Henchman que o contratara para roubar e espancar Tupac com uma pistola.

Dexter, que conhece Henchman desde os 14 anos, foi a principal fonte para a minha história sobre o Quad, publicada em 2008.

Ele é apenas um de um punhado de soldados descontentes das ruas que me ensinou a navegar pelo mundo traiçoeiro de Jimmy Henchman.

“Em 1994, [Jimmy Henchman] me contratou para assaltar 2Pac no Quad Studio. Ele me deu US$ 2.500, além de todas as joias que eu tomei, com exceção de um anel, que ele ficou pra ele. Foi o maior dos dois anéis de diamante que pegamos. Ainda tenho como prova a corrente de ouro que levamos no assalto daquela noite. Agora eu não vou falar sobre a morte do meu amigo Biggie ou a morte de 2Pac, mas eu gostaria de dar alguns toques para suas mães. Já é hora de alguém fazer isso e eu vou fazê-lo de um jeito diferente. Jimmy, você e Puffy gostam de sair na foto como se fossem todos inocentes, mas como diz o ditado: você pode enganar algumas pessoas por algum tempo e todas as pessoas algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo”.

A revelação de Dexter causou uma tempestade de merda e foi repercutida por agências de notícias em todos os lugares: Washington Post, New York Times, Wall Street Journal, Baltimore Sun, New York Post, LA Weekly e dezenas de publicações em todo o mundo.

Mesmo a despeito de Dexter ter me citado em sua declaração – “[Jimmy Henchman] andou crucificando bons repórteres como Chuck Phillips, do LA Times, por dizer a verdade sobre ele e suas atividades” –, o LA Times não piscou.

Enterraram a confissão de Dexter em uma pequena notinha descartável dentro de uma coluna de quinta categoria da seção de entretenimento do jornal.

Além de terem rejeitando a defesa de minha reportagem feita pelo Dexter, a administração do LA Times ainda me deu um tapa de volta: “Nada aconteceu desde 2008 para justificar a retirada ou revisão da retratação [07 de abril]”, disse o LA Times em um comunicado divulgado em outubro passado pelo LA Weekly. “Nenhuma nova informação surgiu para dirimir os erros pelos quais pedimos desculpas e nos retratamos.”

Ao não reconhecer a confissão de Dexter, o LA Times evitou ter que admitir que cometeu um erro me demitindo.

A retratação de 7 de abril não só manchou a minha reputação, mas me tornou praticamente incapaz, dentro e fora do mundo do jornalismo.

Tenho sido rejeitado para centenas de vagas de repórter.

Uma editora de Nova York adorou minha proposta de escrever um livro sobre o assassinato de Tupac e Biggie, mas se recusou a publicar o livro depois que me “googlou” e encontrou a retratação de 7 de abril do LA Times.

Da mesma forma, a Columbia Journalism Review deletou um ensaio que escrevi sobre a retratação de 7 de abril logo após o seu editor executivo receber um telefonema do LA Times – apenas alguns momentos antes de o ensaio ter sido programado para ser publicado.

O editor diz que o LA Times não influenciou na sua decisão de deletar o artigo...

Desde então, minha reportagem de 2008 sobre a emboscada do Quad tem se provado verdadeira e precisa.

Mas o LA Times permanece irredutível.

Como poderia a confissão pública e autêntica de um assaltante de Tupac em 1994 ser recebida com essa apatia?

NOTA DO VILLAGE VOICE

Pedimos e recebemos esta declaração do Los Angeles Times sobre a retratação da história do Chuck Philips – (TO)

Nós fizemos a retratação de Chuck Philips, pelo artigo de 17 março de 2008 sobre um ataque ao rapper Tupac Shakur, porque verificamos que os documentos e fontes em que ele se baseou não apoiavam o artigo. Especificamente, os supostos documentos do FBI sobre o ataque a Shakur, em 1994, que eram falsificados. O homem que forneceu os documentos, James Sabatino, também forneceu informações adicionais significativas que foram incluídas no artigo como sendo atribuídas a uma fonte anônima. Mais tarde, Chuck e seus editores descobriram que o que Sabatino lhe dissera tinha sido inventado.

Nestas circunstâncias, não tivemos outra alternativa senão reconhecer o erro, pedir desculpas aos nossos leitores e retirar o artigo do site. Nada aconteceu desde então para justificar a retirada ou revisão da retratação. Nenhuma nova informação surgiu que dirimisse os erros pelos quais pedimos desculpas e nos retratamos.

NOTA DO EDITOR DO MOCÓ


O haitiano pilantra sendo preso pelos federais

No dia 25 de junho de 2012, um mês depois de o desabafo de Chuck Philips ter sido publicado no Village Voice, o site The Urban Daily publicou uma matéria intitulada “Jimmy Henchman finalmente confessa ter planejado o assassinato de Tupac em 1994”, que transcrevemos abaixo:

Um dos maiores mistérios do hip hop finalmente chegou ao fim.

A pessoa que planejou o assalto a Tupac Shakur, no Quad Studios, em 1994, resolveu abrir o jogo.

Depois de ser acusado de participar de uma operação interestadual de tráfico de drogas, Jimmy Henchman confessou às autoridades que ele era o cérebro por trás do tiroteio e roubo de Tupac Shakur, que desencadeou a guerra entre os rappers da Costa Oeste e da Costa Leste.

De acordo com o Village Voice, Henchman participou do programa “Rainha por um Dia”, no ano passado, onde confessou ser o cérebro por trás da operação que terminou com Tupac na enfermaria de um hospital com cinco ferimentos de balas.

(A “Rainha por um Dia” é um programa que permite que assaltantes suspeitos sob investigação possam entrar em um acordo com o governo para confessar o conhecimento de certos crimes com a garantia de que a informação não será usada para processá-los.)

Antes de ser assassinado, Tupac gravou uma música chamada “Against All Odds” (“Contra todas as probabilidades”), onde afirmava que Henchman era o responsável pela emboscada de que fora vítima no Quad Studios.

Confira um texto da letra: “Promised a payback, Jimmy Henchman, in due time/ I know you bitch niggas is listenin’ The World Is Mine/ Set me up, wet me up, niggas stuck me up/ Heard the guns bust but you tricks never shut me up,” (“Prometi vingança a Jimmy Henchmen, na hora certa / Eu sei que vocês, pilantras, estavam ouvindo The World Is Mine (O Mundo É Meu) / Armou pra mim, atirou em mim, me fodeu, grandão / Ouvi o barulho dos tiros, mas a sua trama não conseguiu me calar”.

Ou seja, Chuck Philips estava certo desde o começo e o LA Times foi, no mínimo, covarde, pusilânime e venal por não ter apoiado até o fim o seu mais renomado repórter na ativa.

O jornalismo investigativo não morreu.

(Essas duas matérias estão disponíveis na internet, em inglês. Eu me limitei a traduzi-las com meu inglês macarrônico aprendido no Ida Nelson sabe lá Deus como. Desculpem qualquer coisa.)

A morte de Tupac Amaru Shakur


Os rappers Notorious B.I.G e Tupac Shakur no início da carreira

No começo dos anos 90, os rappers Tupac Amaru e Notorious B.I.G. e os produtores Marion “Suge” Knight (dono da Death Row) e Sean “Puff Daddy” Combs (dono da Bad Boy) eram amigos e até se davam bem.

Os rappers, inclusive, gravaram um single juntos, “House Of Pain”, onde Notorious apresentava Tupac.

A presepada começou a rolar no fatídico ano de 94, quando vários incidentes colocaram o quarteto em pé de guerra.

O pivô de tudo, ao que parece, foi Tupac (ou 2Pac, como ele gostava de assinar nos autógrafos), o mais agressivo gangsta rapper da Costa Oeste.

A história dele poderia se tornar facilmente um maravilhoso roteiro de filme para Spike Lee dirigir.

A mãe do rapper, Afeni Shakur, era integrante dos Panteras Negras, nas altas esferas, e estava entre os 21 suspeitos de um atentado a bomba em Nova York, nos anos 70 – aquele mesmo que fez com que a ativista negra Angela Davis passasse 15 meses na cadeia.

Com Tupac no ventre, Afeni também passou um bom tempo na cadeia, até ser solta, livre das acusações.

Sem advogado, ela defendeu-se sozinha na corte e provou que era inocente.

Nascido no dia 16 de junho de 1971, Tupac Amaru Shakur – batizado com o nome do líder inca assassinado cruelmente pelos espanhóis e que serviu de modelo para o movimento esquerdista-underground uruguaio dos anos 70, os Tupamaros – nasceu e cresceu no Harlem, em Nova York, mas na adolescência mudou-se com a família para Baltimore e daí para Marin City, perto de San Francisco.

Adolescente, estudou teatro e balé na Baltimore High School of Performing Arts, mas foi em Marin City que ele teve seus primeiros contatos com o mundo das gangues.

Apesar de não confirmado pela família de Shakur, muitas fontes (inclusive o relatório do médico legista) mostram seu nome de nascimento como Lesane Parish Crooks.

Este nome teria supostamente entrado em sua certidão de nascimento porque Afeni temia que seus inimigos pudessem atacar seu filho e disfarçou sua verdadeira identidade usando um sobrenome diferente.

Ela mudou o nome na certidão depois de se separar de Billy Garland, pai de 2Pac e também outro destacado líder dos Panteras Negras, e se casar com Mutulu Shakur.

Sofrimento e encarceramento rodeavam Tupac Shakur desde criança.


A gatíssima Assata Shakur e a alta cúpula dos Black Panthers

Seu padrinho, Geronimo Pratt, um membro importante dos Panteras Negras, foi condenado pelo assassinato de uma professora durante um assalto em 1968, apesar da sentença ter sido revogada mais tarde.

Seu padrasto, Mutulu, passou quatro anos na lista dos dez mais procurados do FBI, tendo entrado na lista em 1982.

Mutulu era em parte procurado por ajudar sua irmã Assata Shakur (também conhecida como Joanne Deborah Chesimard) a escapar de uma penitenciária em New Jersey, onde estava presa por matar um policial em 1973.


Mutulu foi pego em 1986 e preso pelo assalto de um caminhão blindado, onde dois policiais e um guarda foram mortos.

Tupac Shakur tinha uma meia-irmã, Sekyiwa, dois anos mais nova do que ele, e um meio-irmão mais velho, Mopreme “Komani” Shakur, que se tornou rapper e apareceu em muitas das gravações de 2Pac.


Militante do Black Panther Party e do Black Liberation Army, Assata Shakur, que além de tia também era madrinha de 2Pac, foi a primeira mulher a entrar na lista dos dez mais procurados do FBI, acusada de “terrorismo doméstico”.

Ela está refugiada em Cuba desde 1987.

Nascido numa família extremamente politizada, Tupac incorporava o medo de que a mensagem do rap violento fosse apenas um modismo para vender mais discos.

Por isso, quando se lançou como rapper, em 1991, pela gravadora Digital Underground, com o álbum “2Pacalypse Now”, resolveu agir como um verdadeiro “macho” dentro e fora do palco.

Já nessa ocasião, um crioulo condenado à morte pelo assassinato de um policial jurou que o primeiro single de Tupac o tinha influenciado a “fazer aquilo”.

Em 1992, num festival ao ar livre em Marin City, Tupac esteve metido num tumulto em que uma bala perdida matou um garoto de seis anos.

No ano seguinte, foi acusado, mas não condenado, de ter atirado em dois policiais à paisana, em Atlanta.

Nesse mesmo ano, atacou um colega artista de rap com um bastão de beisebol durante um concerto em Michigan, quase matando o sujeito.

Em 1994, foi acusado de ataque sexual a uma fã em Nova York (com uma arma, obrigou a garota lhe fazer sexo oral e depois a segurou enquanto seus amigos a estupravam).

Na véspera do julgamento, em novembro, Tupac foi roubado, espancado e baleado dentro de um estúdio de gravação, em Manhattan, num episódio até então não esclarecido.

Levaram dele 40 mil dólares em joias e o balearam cinco vezes, inclusive na cabeça.

De acordo com os jornais, o rapper entrou no Quad Recording Studios, onde Notorious B.I.G. era um dos sócios, para gravar uma música.

No prédio do estúdio estavam vários produtores e rappers, inclusive Sean “Puffy Daddy” Combs e Notorious B.I.G.

De repente, dois homens armados invadiram o prédio, agrediram o rapper, lhe deram cinco tiros (dois deles na cabeça) e roubaram várias joias de Shakur.

Mesmo levando cinco tiros, ele conseguiu entrar no elevador e subir até o estúdio.

Segundo Shakur, quando Sean Combs o viu sangrando, mas ainda vivo, ficou completamente aterrorizado, pensando estar diante de um fantasma.

Tupac Shakur acusou Sean Combs de ter armado uma emboscada para ele.

Os rappers Andre Harrell, Randy “Stretch” Walker e Notorious B.I.G. teriam sido cúmplices na tentativa de assassinato.

“Meu amigo, esses caras conhecem cada bandido, cada traficante e cada assassino de Nova York. Eu estava na área deles. Dois homens aparecem no prédio onde fica o estúdio deles, me enchem de balas e eles dizem que não sabem de nada? Que não sabem quem são os caras? Ah, vá se foder!... O Notorious vivia me dizendo: ‘Não anda com esses caras, Tupac. Isso tá ficando perigoso’. Porra, ele sabia o que os vagabundos estavam planejando me ferrar e não me avisou... Ele foi cúmplice do Combs”, desabafou Shakur, na época, para a revista Vibe.

Depois desse episódio, Tupac Shakur mudou-se para Los Angeles e começou a se enturmar com a galera da gravadora Death Row, de Suge Knight.


Tupac Shakur e Marion Suge Knight

Depois de ter sobrevivido milagrosamente ao atentado, o rapper foi julgado (pelo estupro da fã) e condenado a quatro anos e meio de cadeia.

Prestes a ir preso, lançou o álbum “Me Against The World” (“Eu contra o mundo”), onde surpreendeu fãs e crítica ao elogiar o esforço de sua mãe, a referida ex-Pantera Negra Afeni Shakur, por tentar criá-lo sozinha, apesar de todas as decepções que foi capaz de lhe causar.

Até hoje, este é considerado o álbum mais sincero do hip hop canalha.

Depois de puxar oito meses de cana, Tupac saiu da prisão, com a fiança de US$ 1,4 milhão paga por Marion Knight e um novo contrato para produzir três álbuns para a gravadora Death Row.

O primeiro deles trazia o irônico título de “All Eyez On Me” (“Todos os olhos sobre mim”).

Além da bala, haviam metido na cabeça de Tupac Shakur que os responsáveis pelo atentado que quase lhe tirara a vida eram mesmo Notorious B.I.G. e Puffy Daddy, com inveja da sua crescente popularidade no meio gangsta.

O rapper resolveu ir à forra. O álbum duplo, com 28 faixas, foi gravado às pressas, porque Tupac poderia voltar para a cadeia a qualquer momento.

Lançado em agosto de 95, vendeu na primeira semana de lançamento mais de 250 mil cópias, um recorde na sua área.

Na mesma semana, o casca-grossa Marion Knight insultou publicamente Puff Daddy na entrega do prêmio da revista The Source, em Nova York.

O produtor e rapper Puff Daddy era conhecido por cantar nas músicas dos seus contratados e aparecer em seus videoclipes.

“Se alguém aqui quer ser uma estrela e se manter como uma estrela, sem ter que se incomodar com o produtor executivo querendo dar pitacos em todas as músicas e aparecer em todos os vídeos dançando, então venha para a Death Row”, detonou Marion Knight.

No mês seguinte, um dos grandes amigos de Knight, Jake Robles, foi assassinado em uma festa em Atlanta.

Puff Daddy, que estava presente no local, acabou sendo acusado de estar envolvido no homicídio.

Começou, então, a história do bangue-bangue-final-de-século-rap-vida-real.

As participações de Snoop Doggy Dogg, Dr. Dre e The Dogg Pound, aliadas à reputação de Tupac Shakur, haviam ajudado a colocar “All Eyez On Me” no primeiro lugar da parada americana.

Mesmo assim, a música mais importante ficou de fora: aquela capaz de provocar um assassinato.

Mais famoso do que nunca, depois dos recentes escândalos em que havia se envolvido, Tupac lançou em maio daquele ano o rap “Hit’em Up”, como lado B de um single.

A música dizia, com todas as letras, que ele havia comido a cantora Faith Evans, mulher de Notorious B.I.G., a quem aproveitava para insultar e também para afirmar que ia detonar todos os rappers da gravadora Bad Boy: “Primeiramente foda-se a sua mulher / E o seu grupo inteiro / Lado Oeste, quando saimos no rolé, vamos todos preparados / Você diz que é um malandro, mas eu comi a sua mulher / Nós vamos acabar com os Bad Boys / Vocês estão fudidos pra vida toda…”.

A música até sampleava uma frase da banda Junior M.A.F.I.A , que acompanhava Biggie: “Peguem suas armas quando virem Tupac.”

A música “Hit’em Up” seria uma resposta a “Who Shot Ya” (“Quem atirou nele”), de Notorious B.I.G., que Tupac ouviu como uma confissão de autoria do seu atentado.

No vídeo de “2 Of Americaz Most Wanted”, o último hit de Tupac em parceria com Snoop Dogg, dois personagens chamados Pig e Buff (as semelhanças com os nomes B.I.G. e Puff não eram mera coincidência) são acusados de armar o atentado à vida do rapper.

As baixarias não paravam por aí.

Tupac chegou ao ponto de dizer que Faith Evans cantava, sem crédito, na faixa “Wonda Why They Call You Bitch” (“Fico imaginando porque chamam você de puta”), o que já era canalhice demais.

Na letra de “No More Pain”, uma das muitas faixas iradas do álbum, Shakur encostava Biggie na parede: “Você me baleou cinco vezes, mas negros de verdade não morrem, seu filho da puta!”

A guerra entre os dois rappers estava declarada. O álbum tem falação amparada em grooves cavalares, inspirados até a alma na nave-mãe do funk, Parliament-Funkadelic.

Sua majestade funk, George Clinton, dá o ar de sua graça em “Canõt C Me”.

Há participações especiais de Snoop Dogg (“All About U”) e dos top charmeiros do Jodeci (em “How Do U Want It”), mas mesmo “California Love”, com seu título romântico e participação do lendário funkeiro Roger Troutman (do grupo Zapp), é uma jura de amor que descamba para o sangue.

A música, escrita por Dr. Dre, traz Tupac brandindo orgulho pelo Oeste e querendo mais é que todo o resto se foda (entendendo-se como “resto” os rappers da Costa Leste).

O disco traz ainda a participação de Redman e de outros rappers, mas tudo empalidece diante da tragédia da vida real.

O que fica são as frases de “Only God Can Judge Me Now” (“Só Deus pode me julgar agora”), mencionando mais balas, enfermeiras, dor e “flatline” (a linha reta, no monitor que controla batidas cardíacas, que significa morte clínica).

“Deixe-me viver, baby. Deixe-me viver”, suspirava o rap.

Um ano depois, rolava o suposto acerto de contas.

No início de setembro de 96, durante o show de premiação da MTV, em Nova York, Tupac e meia dúzia de amigos tiveram um entrevero com a comitiva de Notorius B.I.G.

A polícia teve de entrar em cena para evitar um tumulto generalizado.

Três dias depois, Tupac foi tocaiado em Las Vegas.


O rapper momentos antes de ser fuzilado em Las Vegas

Segundo a polícia, ele passava num comboio de cinco carros pelo meio da avenida principal da cidade, quando um Cadillac branco parou ao lado do BMW 750 de Knight e um dos quatro homens no outro carro começou a atirar.

O cantor foi atingido quatro vezes, duas delas no peito.

Knight teve ferimentos leves na cabeça, causados por fragmentos de bala e vidro.

Depois do atentado, o empresário sumiu da cidade sem dar nenhum depoimento à polícia.

Tupac havia ido a Las Vegas para assistir a uma luta de Mike Tyson, que era seu amigo particular.

O atentado ocorreu após a luta, a caminho do Club 662, que pertence a Knight.

Ao ser retirado do veículo, paramédicos contaram que Tupac estava semiconsciente e balbuciando coisas sem nexo.

Ele foi levado às pressas para a UTI da University Medical Center de Las Vegas.

Apesar de ter apenas 25 anos e uma saúde de ferro, Tupac não resistiu aos ferimentos, morrendo uma semana depois.



Snoopy Doggy, um dos grandes manos de Tupac

Uma semana depois do assassinato de Tupac Shakur, a revista Vibe entrevistou Notorious B.I.G. Vejamos o que rolou:

Vibe: Se pudermos, vamos falar um pouco sobre a morte de Tupac. Onde você estava quando ficou sabendo que ele havia morrido?

The Notorious B.I.G.: Quando eu ouvi sobre isso eu estava com o Little Cease em um restaurante em Nova York. Alguém me mandou uma mensagem no pager. Fiquei ouvindo falar que ele havia morrido a semana inteira. Você sabe como são esses boatos... Todo dia ouvia coisas diferentes. Mas eu não dava muita atenção para o que ficavam dizendo. Eu conhecia o Tupac. Não era só um cara qualquer da música que havia sido baleado. Nós dividimos várias paradas juntos, eu sabia como ele era forte. Quando ele foi baleado, eu cheguei a pensar: sem problema, ele foi só baleado... Ele vai se recuperar como da última vez, vai se levantar e vai fazer algumas músicas sobre isso. Mas quando eu fiquei sabendo que ele tinha realmente morrido, aí pensei, caralho, agora a chapa esquentou. A morte dele me fez pensar que poderia ter acontecido com qualquer um. Ele estava no auge da carreira, sua música era conhecida, estava fazendo músicas do caralho, fazendo muito sucesso. Algumas coisas que ele falou a meu respeito nas músicas dele me machucaram muito, mas, ao mesmo tempo, ele estava na mesma correria que eu. Ele era um jovem negro ganhando sua grana numa boa, bebendo pra caramba, fumando pra caraio, a banca dele era enorme. É tipo assim, você tem uns 40 manos com você e de repente um dos putos faz uma coisa que você não gosta... É embaçado você chegar e dizer pro cara pra ele nunca mais fazer aquilo.

Você disse que tentou ensinar algumas coisas pra ele, é verdade?

Eu amo todos os meus manos, não importa o que eu tenha que dizer para eles, eu vou sentar com eles e dizer: “Você não pode fazer isso desse jeito. Desse jeito você vai acabar assim. Quando as coisas ficam assim, só tem um fim...” Eu não gosto disso... Quero dizer, o mano tinha muito talento. Algumas vezes eu ia ver o Tupac em um hotel e era tipo 9 horas da manhã, ele ia até o banheiro pra cagar e saia de lá com duas músicas prontas. Ele escrevia só com um rádio do lado dele e alguns livros no banheiro. Ele tinha muito talento mesmo. E eu odeio que as coisas tenham ficado assim. O mano foi morto e eu sinto muito pela mãe e pelos amigos dele, tá ligado? Foi uma grande perda para o hip-hop.

Parece que você realmente se importava com Tupac levando-se em conta o atrito entre vocês dois...

Ele era meu mano, tá ligado? Foi só um mal entendido que ganhou proporções maiores. E isso me fez sentar e pensar na situação... Eu pensava: “Caramba, nós dois devemos ser os filhos da puta mais poderosos daqui porque eles tornaram uma briga pessoal entre eu e ele numa briga entre as duas costas (East/ West).”

Quem são eles?

A mídia. Tupac nunca disse “todos vocês da West Coast tem que odiar a East Coast” e eu nunca disse “todos vocês da East Coast tem que odiar a West Coast.” Eles fizeram o seguinte, ele é do West, eu sou do East... Então é East contra o West.

Então você se arrepende de nunca ter se sentando com Tupac para tentar amenizar a situação?

Pra falar a verdade, depois que o Tupac foi baleado no estúdio, eu só vi ele depois daquilo uma vez. E foi no Soul Train. E como eu disse antes... A banca dele tava toda lá, na correria, ele tava numa correria da porra... Eu não sabia o que se passava pela cabeça dele. Era uma situação difícil, de repente poderia acabar rolando alguns tiros... E não dá pra conversar nessas circunstâncias. Eu queria ter agarrado ele, jogado ele na limusine e dizer para o motorista: “dirija...” Pelo menos seria só eu e ele. Seria bem mais fácil pra conversar com ele.

Porque ele achava que você e Puffy tinham algo a ver com os tiros que ele levou?

Tupac sabia quem havia atirado nele. Escute as músicas no álbum “Makaveli (The 7 Days Theory)” dele. Ele explica tudo que aconteceu aquela noite. Os malucos que ele cita nos sons são os caras que ele acha que tiveram algo a ver com isso. Ele sabia. Ele não podia fazer dinheiro rimando sobre os caras que realmente atiraram nele, tá entendendo? Ele precisava de outro alguém para culpar. E eu fui essa pessoa. Eu acho que foi isso, foi algo trágico. Eu queria ter sentado com ele e conversado sobre isso. Eu sempre disse isso, eu queria que ele não tivesse morrido para ele ver que eu poderia lançar um álbum duplo também e nem falar sobre toda essa merda, tá ligado?

NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Apesar de tudo, o rapper Notorious B.I.G. despontou como um dos primeiros suspeitos e imediatamente tornou-se alvo de toda a gangue da Costa Oeste.

Seis meses depois foi assassinado.