quinta-feira, julho 23, 2015

É possível comer a carne onde se ganha o pão? (final)


Muito bem, gafanhoto, você desistiu de comer a mulher do chefe e assestou sua bateria antiaérea para abater a mulher que é a sua chefe imediata. Ótimo. Ela tem tanto interesse em esconder o caso quanto você. Mas é melhor para a sua saúde e a sua carreira que a iniciativa parta dela. Porque se você tomar a iniciativa e ela te der um corte de navalha na lata (“Não se enxerga não, inferno?! Tô dizendo...”), seu emprego foi pra casa do chapéu. E, nessa crise econômica permanente, perder o emprego só é melhor pouquinha coisa do que torcer pelo Vasco da Gama no campeonato brasileiro. Sei disso porque sou cruzmaltino.

No mais, a ansiedade de performance (a causa mais comum de flacidez no órgão envolvido na operação) estará no pico. Uma falha aqui pode ser ainda mais desastrosa do que o normal (como se o normal não fosse desastroso o suficiente). O rompimento também não costuma ser dos mais fáceis. Se você já assistiu ao filme em que a Demi Moore transforma a vida do Michael Douglas em um inferno já sabe bem do que se trata.

Se a sua próxima alternativa for bancar o predador de colegas de empresa em festa no trabalho, fique esperto. Amadores se concentram na palavra “festa”. Profissionais, na palavra “trabalho”. Festa no trabalho não é festa. É extensão do trabalho. Ponto. Taí o grande Miguel Mourão que não nos deixa mentir.

As regras da festa no trabalho são as mesmas da empresa. Portanto, apareça, sorria e saia (sóbrio) antes de o primeiro idiota ficar bêbado, começar a abraçar o chefe e pedir pra ele cantar “Maluco Beleza”, do Raul Seixas. Sim, a Claudinha vai estar lá, vai encher a cara e vai insinuar que de repente, quem sabe?

Mas quando o primeiro babaca começar a dançar Gangnam Style usando a gravata como chicote, você deve estar bem longe – de preferência na festa de escritório de uma empresa com a qual você não tenha o menor vínculo.

Resumo da ópera: pessoas com bom senso não têm casos no trabalho. Foram elas que criaram a frase “Onde se ganha o pão…” (você sabe o resto).

Tony Soprano, o macho-alfa supremo, citava seus antepassados italianos para dizer “Non cagare dove mangi”. Menos elegante, certo, mas você pegou o espírito da coisa.

Pessoas com bom senso vivem mais e mais tranquilamente. Os outros, evidentemente, se divertem muito mais. Escolha o seu lado e boa sorte, gafanhoto! Depois não diga que não avisei.

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