segunda-feira, setembro 28, 2015

A Santíssima Trindade dos Heréticos


Quem lê um pouco sobre ciência humanas, não só antropologia mas coisas como genética, mecânica celular e até o misterioso funcionamento do cérebro, fica impressionado com a confirmação constante da teoria da evolução das espécies que, como as principais sacadas do Einstein na física, ainda não foi desmentida. No fim, dos três pensadores revolucionários do século 19 – Marx, Freud e Darwin –, só Darwin continua com seu prestígio em alta e sua teoria intacta. Só Darwin derrotou a oposição.

Nem Marx nem Freud foram exatamente desautorizados pelo tempo. O marxismo continua dando as melhores direções para se entender o processo do mundo e há quem diga que nem como professor Marx fracassou, pois nada do que está acontecendo por aí foge muito do seu manual. Mas a sua revolução do pensamento foi absorvida e, para a grande parte da humanidade, continua sendo a heresia, não a verdade. Freud ainda é importante, mas ele e a sua revolução também foram engolidos, digeridos e, em grande parte, evacuados, para usar uma imagem como as de que ele gostava.

A terapia freudiana individual se modificou, embora ainda não esteja perto do dia quem os comprimidos substituirão os analistas, e nenhumas das implicações sociais das suas descobertas chegou a ter muita influência na História. E, de certa maneira, as idéias de Marx e de Freud tiveram que brigar entre si, o que as enfraqueceu na sua corrida pela relevância com a heresia de Darwin.

Talvez Darwin deva sua permanência não apenas à autenticação científica, mais fácil no seu caso do que nos casos de Marx e Freud, mas ao fato de ter um inimigo mais fraco, embora parecesse ser mais formidável. Marx teve que brigar com o capital internacional. Freud teve que enfrentar a mentalidade vitoriana e todos os mitos estabelecidos da nossa sexualidade e do nosso caráter. Darwin parecia que tinha contra si uma Igreja tirânica e seus dogmas de ferro, e só tinha a singela parábola inaugural de um homem e uma mulher e um paraíso.

O criacionismo ainda tem seus defensores mas, desde o século 19, estava condenado ao descrédito, e pela própria Igreja. Na verdade, estava condenado ao descrédito desde que Eva desobedeceu ao Criador e comeu aquela fruta, e a ciência começou.

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