terça-feira, setembro 29, 2015

O Castelo de Romã ou A quase tragédia, o Chico e o Djavan


 O marido ciumento meteu o pé na porta e pegou a mulher na cama com o compositor de olhos cor de ardósia.

– Vou te matar, Chico Buarque! – berrou o homem com a pistola na mão.

– Calma, meu amigo, eu sou Djavan! – respondeu o outro, guardando sua própria pistola na cueca de algodão.

– Que nada, você é o Chico Buarque  mesmo! – protestou o corno.

– Sou não, quer ver?... Castelo de romã no oceano/ Pirão, peixe e batata/ Na manhã do desengano/ Eu pisei numa barata...

– Não entendi nada... – gemeu o traído.

– Tá vendo?... Eu sou mesmo o Djavan. Agora, com licença que tá na minha hora.

O cantor e compositor foi caindo fora do quarto. De tão feliz, até cantarolava: “Vai passar, nessa avenida um samba popular...”

Ele já estava no corredor, quando o marido saiu do estupor e apontou de novo a arma pra ele:

– Alto lá, vagabundo! Eu ouvi isso. Você é o Chico Buarque sim!

E o Djavan de olhos cor de ardósia emendou: “Popular feito dinossauro samurai/ Sabor de maça pra copular/ Odin, Zeus, Manitu e Adonai!”


E pegou o elevador rimando “marsupial” com “pega no meu pau”.

(Edson Aran in O Imbecilismo e Outros Textos de Humor)

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