sábado, outubro 03, 2015

Caxambu, terra de contrastes!


Pelo Dr. Amílcar Nogueira, cirurgião-dentista, espada e matador

Todo ano eu e minha senhora, a Arminda, tiramos umas férias. Nos últimos anos, nos últimos 35 para ser mais exato, vamos sempre para o mesmo hotelzinho em Caxambu. Muito aprecio veranear nesta estação de águas para me refazer de mais um ano de trabalho aprovei­tando para regenerar o fígado e a vesícula, órgãos dos quais, infeliz­mente, padeço. Há uns 38 anos mais ou menos. Vamos, como já disse, Arminda e eu, e ficamos lá um mês, jogando paciência, eu contra ela. Quem perder primeiro volta para casa. De ônibus.

No hotel em que ficamos, a comida é caseira e, portanto, muito saudável, mesmo porque não posso exagerar nos temperos, pois, como já disse, sofro da vesícula, a qual, inclusive, já operei duas vezes. Já tentei de tudo, inclusive, cirurgia mediúnica, homeopatia e medicina ortomolecular. Como tudo cozidinho, a bem dizer a comida, e com pouco sal para prevenir a hipertensão arterial. Em seguida ao almoço, procedemos à higiene oral, onde preconizo o uso da linha encerada, pois somente essa permite a perfeita profilaxia da cavidade bucal. Feito isto, vamos caminhar para fazer o quilo e sorver as águas medicinais. Cada um de nós leva a sua canequinha de matéria plástica que compramos por ocasião de nossa lua-de-mel, há 39 anos. Tomamos vários tipos de água. Tem a magnesiana, tem a alcalina, tem a sulforosa, tem a ferruginosa...

Depois vamos andar de pedalinho, mas com moderação que é para não forçar demasiado o músculo cardíaco. Aí a Arminda, minha se­nhora, cultivando um hábito de mais de 40 anos, dá para os patos (anatídeo anseriforme) do lago as migalhas de pão do almoço. Flanamos um pouco pelo parque e nos recolhemos para uma pestana antes do jantar. Terminado o jantar, assistimos à novela, mas somente à das sete, pois a das oito tem emoções fortes e muitas cenas de sexo. Às dez já estamos na cama. Leio um pouco de literatura científica, para manter-me informado. A Arminda lê o suplemento feminino.

Terminada a leitura, aí sim começa a função, pois em férias fico impossível. Tiro a camiseta e fico de ceroulas e mando a piroca ver no burrão velho da minha senhora. Vocês precisam ver só! A vara canta a noite inteira e ninguém dorme naquele hotel, há uns trinta e sete anos. E como grita na peia a minha coroa. Eu sou assim! Eu mando brasa!!! E quando eu resolvo comer um cu? Ninguém me segura. Não adianta a Arminda chorar, berrar e espernear. Eu não quero nem saber o preço da manteiga, eu quero é comer gorduroso... Eu não perdoo, afinal estou de férias. Vou chegando e vou logo dizendo “Não quero nem saber, hoje é cu!”, “Mas Amílcar...”, “Não tem mas, mas, mas.... Hoje vamos tocar o lado B do disco! Não adianta, pode ir virando!”

A velha grita mais que porco na faca, mas não tem conversa, eu mando vara naque­le cagador! Pra mim férias é isto: Caxambu pra comer cu! Há uns 37 anos, mais ou menos...

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