sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Império Serrano


A primeira escola de samba a apresentar um destaque na forma em que conhecemos hoje, isto é, com muito luxo e requinte, foi a Império Serrano. E foi uma mulher quem apareceu com a novidade. Olegária dos Anjos Filho, casada com Calixto, que inventou os pratos de metal na bateria de escola de samba. Como se vê, um casal que uniu nome à escola.


Compositora desde os doze anos de idade, na época em que se homem metido no samba era malvisto, imaginem mulher, dona Ivone Lara custou a ver o seu talento reconhecido. Mas valeu a pena esperar. Hoje ela é uma autora requisitada e uma intérprete aplaudida. Tocando o seu cavaquinho ou rodopiando a sua fantasia de baiana, é uma alegria vê-la com seu passo miudinho e o seu sorriso largo.


Para Décio Antônio Carlos, o Mano Décio da Viola, bastaria o samba-enredo Tiradentes para colocá-lo em lugar de distinção na galeria dos grandes sambistas. Acontece que a sua participação na história do Império Serrano é também importante e intensa. Descobridor e parceiro de Silas de Oliveira, o Império já desfilou 19 vezes, e em muitas foi campeã com sambas de sua autoria.


Cada arte tem um mestre, e na arte de fazer samba-enredo Silas de Oliveira foi um mestre. Pegue-se ao acaso um samba seu e estaremos diante de uma obra de inspiração e acabamento quase artesanal. Só ou com parceiros, dos quais Mano Décio foi o mais constante, Silas deixou um legado que honra a todos os sambistas.

GRES Império Serrano


O morro da Serrinha, em Vaz Lobo, já foi um ponto importante na geografia carnavalesca da cidade. Houve certa época em que, no mês de outubro, já se ouvia os primeiros trinados do apito que comandava os ensaios frequentados religiosamente pelas moças e rapazes da vizinhança. A brava e simpática escola de samba Prazer da Serrinha reunia um grupo dedicado e animado, do qual faziam parte Alfredo da Costa, o fundador, Delfino Coelho, Cafua do Trombone, Mano Décio da Viola, Fuleiro, Carlinhos Bem-te-vi e Sebastião de Oliveira, o Molequim.

Foi no carnaval de 1945, quando depois de ter ensaiado o samba-enredo A Conferência de São Francisco, de Mano Décio e Silas de Oliveira, aliás, o primeiro samba da dupla, a escola foi obrigada a cantar outro intitulado Alto da Colina, por ordem do presidente Alfredo Costa, que houve a cisão. A escola foi desclassificada e o mal-estar que já havia contra a ditadura do seu Alfredo cresceu e explodiu.

Na Quarta-feira de Cinzas daquele mesmo ano, durante o almoço de confraternização, tradição que ainda hoje é cultivada por algumas escolas de samba, Sebastião Molequim fez um samba, e samba-protesto, narrando o incidente que tanto prejudicou a Prazer da Serrinha. Não foi difícil arranjar um lápis e um papel para que o próprio Molequim recrutasse as assinaturas dos que estavam de acordo com a formação de uma outra escola de samba, e ali mesmo nascia a Império Serrano.

O Mano Elói (Elói Antero Dias), que acabava de participar da extinção de outra escola de samba, a Deixa Malhar, e tinha todas as peças da bateria, aderiu imediatamente à nova agremiação, que elegeu como primeiro presidente o João de Oliveira Gradinho e tinha na diretoria figuras como o Sebastião Molequim, o compositor Silas de Oliveira, o próprio Elói e muitos outros.

A primeira reunião da nova escola foi realizada na casa de dona Eulália Nascimento, e lá foram escolhidos o nome da escola e as cores do seu pavilhão. Sebastão Molequim sempre afirmou que a escolha do nome teve relação direta com o titulo de uma outra agremiação, a Império da Tijuca, e foi ele quem propôs as cores azul e amarelo-ouro, que não foram aceitas.

A sugestão do verde-e-branco partiu de Antenor Rodrigues, autor do primeiro samba da escola, que diz:

O branco é a paz,
O verde, esperança.
Diz o ditado
Quem espera sempre alcança
E alcancei.
Império, por ti tudo farei.

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