sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Portela, nunca vi coisa mais bela!


Três pilares sobre os quais se erguem as tradições, as lutas, as conquistas e as glórias da Portela: Paulo da Portela, Antônio Rufino e Antônio Caetano.

Paulo, também conhecido como Príncipe Negro, foi o introdutor do enredo nas escolas de samba, Rufino criou as finanças da Portela e Caetano é o autor do símbolo da escola: a águia.


Entre 1924 e 1925, na casa de dona Ester, em Osvaldo Cruz, ensaiava o Bloco Come Mosca. A rapaziada do local, muito alegre e desinibida, contava com a boa vontade da dona da casa e, no quintal, se divertia fazendo passos de samba e improvisando versos.

Mais tarde, no mesmo bairro, surgiu o Bloco Osvaldo Cruz, frequentado pela chamada “turma de Bento Ribeiro”: Heitor dos Prazeres, Manuel Gonçalves Natalino José do Nascimento, o Natal, e Paulo Benjamim de Oliveira, que entrou para a história do samba como Paulo da Portela.

O bloco além de brincar pelas ruas do bairro, desfilava na Pra Onze, tendo ganho em 1927 uma taça que veio decorada com fitas azuis e brancas, cores logo adotadas pelos integrantes, e que seriam mais tarde as da Portela.

Pouco depois o bloco mudou de nome. Passou a se chamar Bloco Vai Como Pode, e venceu os concursos da Praça Onze, organizados pelos jornais A Pátria e A Nação, nos anos de 1929, 1930,1931 e 1932.

Foi em 1925 que o então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, o Dr. Pedro Ernesto, oficializou os desfiles de carnaval. Blocos de diversos bairros apresentavam-se lá na Praça Onze, na época o maior reduto do samba e do carnaval. A disputa era acirrada, os ânimos também.

No final, quando o resultado era proclamado, e o era logo após o desfile, as discussões degeneravam em conflito e muita gente mergulhava – ou era mergulhada – no canal do Mangue, numa antecipação do agora conhecido refrão: “Quem samba fica, quem não samba vai embora.”

Naquele ano, o primeiro dos desfiles oficial, o Vai Como Pode foi campeão com o enredo O Samba Dominando o Mundo, tendo ficado em 2º lugar a Mangueira, em 3º, Prazer da Serrinha (atual Império Serrano) e em 4º lugar, a Vizinha Faladeira.

A esta altura já havia uma grande confusão nas denominações bloco e escola de samba. O Vai Como Pode já era conhecido não-oficialmente como Escola de Samba Portela, já que o outro título não agradava ao delegado Dulcídio Gonçalves, autoridade encarregada de dar licença para as agremiações desfilarem. Mas só em 1939 é que foi adotado definitivamente o nome de Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela.

Pioneira e renovadora, a Portela foi a primeira escola a usar corda para evitar intrusos, e também a primeira a apresentar alegoria, porta-bandeira e mestre-sala, comissão de frente, enredo, bateria fantasiada e surdo de marcação. É também a única escola heptacampeã (1941 a 1947).

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