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segunda-feira, maio 30, 2016

Missy Elliot, uma paixão definitiva


Conheci Missy Elliot em junho de 2011, durante um arraial realizado na Praça Villas Lobo, em São Francisco. Eu estava participando de um canavial com o Careca Selvagem e o Áureo Petita no Bar do Manuel, quando ela parou de motocicleta ao lado da nossa mesa. Salvo engano, foi o Áureo Petita que nos apresentou.

Cursando o primeiro ano de jornalismo na UniNorte, articulada, falante, estilosa (até hoje é viciada em boinas, gorros, chapéus, bonés e turbantes), eu logo a apelidei de Missy Elliot porque sua voz límpida lembrava muito a tonalidade da rapper americana.

Missy Elliot tinha 20 anos, morava com o namorado, dono de uma construtora, e trabalhava como fiscal de campo dos serviços realizados pela referida construtora.


Conversamos durante quase uma hora sobre jornalismo, poesia beat, surrealismo, paganismo e esoterismo, aí ela montou na motocicleta e foi embora.

Tornei a vê-la mais uma ou duas vezes, sempre no Bar do Manuel, mas nossas conversas eram meramente literárias. Do tipo mignon e um pouco magra para meus padrões estéticos, Missy Elliot não me falava ao pau.

Dois anos depois, em maio de 2013, durante o aniversário do Meio-Quilo, na quadra dos GRES Andanças de Ciganos, voltamos a nos encontrar.

Ela estava meio triste. Havia terminado com o namorado, saído do apartamento que ajudara a mobiliar só com a roupa do corpo, voltado pra casa da mãe, perdera o emprego e trancara a faculdade porque não tinha como pagar.

Filha única, de pais separados, sua mãe garantia casa, comida e roupa lavada administrando uma pequena lanchonete no bairro da Raiz.


Perguntei se ela não queria trabalhar comigo no site Candiru. Como as duas redatoras matinais (Lady Marmalade e Paula Lorena) trabalhavam das 8h às 13h, ela poderia fazer dupla com o redator vespertino Zé Paulo Motorhead e trabalhar como redatora das 13h às 17h.

Ela topou. E, como soe acontecer nessas ocasiões, começamos a namorar.

Não sei se foi para me agradar ou para me dar porrada algum dia, mas Missy Elliot, pela parte da manhã, se matriculou em uma academia de musculação e começou a treinar muay thai.

Em pouco tempo, havia adquirido 10 quilos de massa muscular e se transformado em uma bombshell de parar o trânsito.

Seu ex-namorado, quando viu seu novo shape, pirou o cabeção e fez de tudo para reatarem o romance. Ela mandou ele tomar no cu. A caboca é invocada.


Em 2014, Missy Elliot voltou a estudar jornalismo na UniNorte, no período noturno, custeando as mensalidades da faculdade com seu salário do site, e começou a frequentar um círculo de wiccas aqui da taba. Nossas conversas sobre o assunto são divertidíssimas.

No ano seguinte, ela se matriculou no curso técnico de Rádio e Televisão, da Fundação Rede Amazônica, e durante oito meses não perdeu uma única aula. Foi aprovada com distinção.

Em dezembro de 2015, por uma série de fatores fortuitos (sendo o mais grave deles a falta de patrocínio em virtude de nossa posição política de não refrescar a vida de ninguém envolvido em corrupção), o Candiru saiu do ar.

A nossa festa de confraternização de fim de ano foi uma das coisas mais tristes da história da humanidade (o site já contava com doze funcionários).

Continuei pagando o salário de Missy Elliot com o compromisso de que ela não abandonasse a faculdade.


Em fevereiro deste ano, ela começou a estagiar como Assistente de Produção da Rede Record, na TV A Crítica, trabalhando, chova ou faça sol, das oito da manhã às 18 horas, de segunda a segunda. Sem contar os “pescoções” nas madrugadas de sábados, domingos e feriados.

Quando ela, morta de cansaço, vem se queixar eu apenas ironizo: “Mas, também, porra, com tanta merda de novas profissões por aí pra que você foi escolher logo jornalismo?...”

Para celebrar nossos três anos de namoro, na última sexta-feira estivemos no Galvez Botequim se deliciando com um suflê de frutos do mar (siri, lula e camarão) de se comer ajoelhado.

De volta ao mocó, varamos a noite assistindo os melhores clipes da Missy Elliot original: “Get Up Freak On”, “Lose Control”, “Gossip Folks”, “One Minute Man”, “Oops (Oh My)” e Work It”, entre outros. Amar é bom.

No próximo dia 29 de julho, minha bruxinha favorita estará completando 25 anos de idade. Não sei o que a vida nos reserva. Mas, por enquanto, está de bom tamanho. So sorry, periferia!.


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