sexta-feira, setembro 16, 2016

Sou um esquerdista desiludido, diz Verissimo


Julianna Granjeia

Em meio às denúncias do mensalão em 2005, o escritor Luis Fernando Verissimo anunciou a morte da “Velhinha de Taubaté”, um dos seus mais conhecidos personagens – a última que ainda acreditava no governo. Em conversa ontem com a coluna, após participar da Pauliceia Literária, na sede da Associação dos Advogados de São Paulo, o autor se definiu como “um esquerdista desiludido” e avisou: se estivesse viva, a “velhinha” apoiaria o governo Temer.

O senhor tem 79 anos e já passou por algumas crises da história do País. Considera essa atual mais grave que as outras?

Nós já passamos por tantas crises, suicídio do Getúlio, Jânio Quadros, cassação do Collor… Todos esses foram períodos muito conturbados, nos últimos 50 anos. Mas uma crise como esta, com posições tão arraigadas de direita e esquerda, acho que nunca tivemos.

O senhor gosta de escrever sobre política?

A gente ter que dar o testemunho sobre o que está acontecendo, comentar o que está acontecendo. Acho que todo mundo tem que ter lado e deixar claro qual é o seu. Eu preferiria escrever sobre banalidades, mas a gente quase que se obriga a escrever sobre essa situação.

E qual é seu lado?

Eu me considero um homem de esquerda, acho que houve um golpe. As novas revelações sobre o Lula são lamentáveis e vamos ver como isso se desenrola.

No que acha que vai dar esse acirramento?

É prejudicial, o ideal seria um entendimento, um congraçamento nacional. O lado bom disso tudo é que os militares não se manifestaram, não intervieram. Olhando por esse lado, a coisa está boa.

Esse radicalismo está causando uma onda de ódio…

Eu recebo muita carta desaforada. Falam para eu ir morar em Cuba, que eu deveria morar na Coreia do Norte, que sou esquerda caviar. Quando recebo uma carta com xingamento, na primeira linha vejo o que é e nem leio o resto.

Acha que temos muitas velhinhas de Taubaté atualmente?

A velhinha de Taubaté foi um comentário naquele momento do (governo do general) Figueiredo (1979-1985), o fim dos governos militares. Então, ela tinha essa função de criticar a falta de credibilidade do governo através de uma ficção, de uma figura inventada. E hoje eu não sei o que a velhinha de Taubaté diria dessa situação toda, acho que ela acreditaria em todo mundo, inclusive no Temer. E estamos cheios de velhinhas de Taubaté por aí.

O senhor é uma?

Penso que não, talvez eu tenha sido no começo do governo Lula. Eu acreditava que haveria mesmo uma mudança na política brasileira. Mas acho que hoje não sou mais, não.

Decepcionou-se com Lula?

Acho que sim, com o PT em geral. Embora entenda que o governo Lula, principalmente o primeiro mandato, foi muito importante em termos de inclusão social. Mas posso me caracterizar agora como um esquerdista desiludido.

E o que o senhor espera para o futuro do País?

É importante ver o resultado das eleições agora. Ver como todas essas questões vão repercutir no nível municipal e o que vai acontecer. Não tenho nenhuma previsão. Acho que teremos tempos difíceis nos próximos anos, é um momento confuso, o Brasil está meio sem direção. O perigo maior é de retrocesso, de todas as conquistas que nós passamos serem negadas e substituídas. Mas sou um otimista, acho que tudo se arranjará.

Um comentário:

João Luiz Pereira Tavares disse...

Bom…,

Portanto, visto que agorinha chegou o amanhecer do 1º domingo de 2017, vamos vestir-nos, tomarmos o café da manhã — de preferência um capuccino –, e vamos trabalhar no PC para ter dias melhores, tendo sempre o capacete e a espada à mão.

Os nossos inimigos já sabemos! São a picaretagem, a baranguice, a cafonice, o Kitsch, a breguice e a mentira publicitária de Mídias Sociais do Petismo.

Embora, por outro lado, já tenham sido privados daquela imagem ilusória de invencibilidade que tinha sido criada por João Santana, e feito tanta gente tornar-se isentona e alienada, postando coisinhas infantis e oba-oba em sítios como o G+ e Facebook. E, daí, esquecendo totalmente de falar mal do PT.

Todos esses bregas e essas bregas, que são categoricamente a favor das forças financeiras das trevas, vão continuar passivas e isentonas em 2017! Como se nem o ano 2016 tivesse acabado e passado. Afinal, sabemos, petistas têm Natal e reveillon ruins e antiquados. O ano 2016 foi o da vitória. Esses asseclas do Petismo [e seus satélites] estão longe de ser derrotados. A baranguice é tal qual ERVA DANINHA, cresce a minuto. Portanto fiquem de OlhOs bem abertos!

MAS, MESMO ASSIM, SERÁ UMA NOITE NÃO SOTURNA E SIM SOLAR E ALEGRE!

O que queremos dizer é que a luta continua. Mas será uma luta mais alegre e mais solar, porque vemos divisões e dúvida no coração do inimigo, e vemos as primeiras luzes do sol, depois de uma longa noite de 13 anos de toda espécie de baranguice.

¿Por quê? ¿Por que dizemos que será uma luta mais alegre?

Porque afinal a analfabeta política, de 50 milhões de votos, foi dado-lhe um ponta-pé na traseira pensante que ela leva sobre o pescoço, naquele glorioso ano de 2016.

Por mais que possa parecer estranho e paradoxal, se milhões de brasileiros encontrarem mais coragem para se opor à máquina infernal que os aprisiona, a encontrarão também os milhões de cidadãos estadunidenses, que têm demonstrado que não querem mais ser soldadinhos de chumbo dispensáveis ou vacas leiteiras. Claro que estou a falar de gente pensante, e não de bregas, nem de universitárias de unidades decadentes do interior brasileiro e muito menos estou a debater a respeito de i-sen-to-nas.

E, por mais estranho que pareça, mudando um pouco de assunto, um engraçado irlandês meio alemão que construiu um império hoteleiro, poderá, agora, jogar suas cartas no grande jogo. Digo lá nos Estados Unidos da América (país esse que nos permite estar escrevendo nesse Newsletter nesse exato momento, o inventor da Internet).

Não sabendo para que lado ele vai jogar exatamente, mas tendo em vista aqueles que tudo fizeram para impedir sua eleição, desejamos, DESPORTIVAMENTE, poder apreciar a sua devida revanche! Dia 20 é a posse. Corajoso, que fala o que pensa, sem picaretagem fingida. Sem o fingimento do politicamente-hipócrita-correto.