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sexta-feira, abril 14, 2017

É o fim da picada!


A presidência do Senado mandou instalar um circuito de câmeras de TV: é para vigiar e pegar alguém que não esteja roubando no plenário

Por Agamenon Mendes Pedreira

Vida de político no Brasil tá difícil. Os caras são perseguidos pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo juiz Sérgio Moro, pelo juiz Vallisney, pelo juiz Marcelo Bretas, pela Receita Federal, pela Interpol, FBI, KGB e até pelo Mossad. Isso para não falar dos advogados, vendedores de joalheria, gerentes de banco e pelo povo na rua em geral. E agora, pra completar esse inferno, vem esse listão da Odebrecht.

Puxa vida, não foi para isso que eles fizeram caixa dois na eleição. E pior, se continuar desse jeito, eles vão ter que trabalhar.

Com medo de entrar em extinção, mesmo porque não conseguem se reproduzir em cativeiro, os mais de 30 partidos políticos brasileiros já entraram com um pedido de proteção no IBAMA e no WWF. Animal selvagem, que se alimenta da caça, pesca e coleta de propinas, o Politycus brasiliensis era topo da cadeia alimentar. Não tinha predadores. Eles alegam que, se não tiver anistia do caixa dois, vai haver um desastre ecológico nas estatais brasileiras pior que o da Samarco no ano passado. Tem muito mais lama.

Em defesa de causa própria, os políticos querem legalizar o caixa dois de campanha. Tem que separar os políticos honestos (que apenas desviaram dinheiro público para fazer campanha, se eleger e roubar com mandato) daqueles maus políticos (que roubaram direto em causa própria). Eles dizem que é preciso separar as joias do trigo: usar o trigo para fazer uma grande pizza e colocar as joias num cofre da Suíça.

Apavorados, os políticos passam o dia inteiro trancados no Congresso. Não podem nem sair para caçar as piranhas de Brasília. Estão se alimentando de verba do gabinete, que, por sinal, não está acabando. Aquilo lá parece o Titanic depois que bateu no iceberg: ninguém se entende e não vai ter caixa dois para todo mundo sair boiando.

Político brasileiro não pode mais nem dormir em casa com a mulher. A patroa já avisou que não quer acordar às 6 da matina com a PF batendo na porta de casa. Faz mal pra cútis.

(*) Agamenon Mendes Pedreira é inocente como a gente.

Barraram o Uber? Vá de Fluber...


Por Alexandre Mastrocinque, CFA

No fim dos anos 90 (acho que foi em 1997), comecei a ler algumas coisas sobre um tal de MP3 – promessa de arquivos bem menores com qualidade de CD.

Pesquisei como funcionava, instalei o Winamp e baixei Losing My Religion. O primeiro MP3 a gente nunca esquece!

Demorou um tempão – linha discada, modem de 56k, aquele barulho lindo da conexão (escorreu até uma lágrima aqui).

Depois de pouco tempo, surgiu o Napster e, para desespero do Lars Ulrich, o mundo da música nunca mais foi analógico.

Artistas e gravadoras até conseguiram barrar o “aplicativo”, mas o estrago estava feito.

Quem realmente entendeu a coisa toda foi um tal de Steve Jobs (conhece?) – o iTunes chegou e, bem, hoje você consome música com mouse e fone de ouvido.

Eu tenho menos de 40 anos (não muito menos, vai), mas já vi várias transformações como essa.

O computador acabou com a máquina de escrever, com o fax, com as cartas e um monte de outras coisas.

Fitas K7, VHS, CD, cartuchos de videogame, telegramas, calculadoras…

A Blockbuster virou o que, mesmo?... E a Kodak, faz o que hoje em dia?

Quantas pessoas andam com cheque nos bolsos?

Até dinheiro caiu em desuso – “Pode pagar no débito?"

O novo sempre vem.

Assim como as gravadoras e o Metallica, os taxistas esperneiam à toa.

Terão o mesmo sucesso de cocheiros que, em agosto de 1911, protestaram contra a chegada dos taxistas (uia!) na Estação da Luz.

Mesmo que matem o Uber, a brincadeira acabou.

A primeira vez que fui a Nova York (2009), me lembro que gritei “Taxi" no meio da chuva para parar um carro amarelo.

Foi divertido imitar a cena que vi em centenas de filmes ao longo da vida.

Ano passado, peguei meu celular e aguardei o carro preto parar à minha frente.

A cidade de São Francisco discute sobre carros autônomos enquanto o  legislativo brasileiro está “regulamentando” o Uber.

Se acabarem com o Uber, em pouco tempo vem o Fluber, ou o Gluber.

E o que dizer das operadoras de telefone?

Ainda não se conformaram com o whatsapp.

Sempre que possível tentam impedir a chamada de voz dentro do aplicativo.

Mesmo que consigam, surgirá outro aplicativo, com outra solução.

Não gostou?

Melhor ir brigar com Schumpeter.

E as TVs a cabo?

Ainda não descobriram uma forma de conter o avanço da Netflix.

A ideia brilhante foi tentar, em conjunto com as operadoras, limitar o consumo de dados para determinados aplicativos.

Eu imagino que os diretores de Vivo, Sky, Net, Claro e Oi sejam extremamente bem remunerados.

É lamentável que a saída encontrada por eles tenha sido tentar frear a inovação.

Parabéns!

É melhor se preparar para a mudança, não adianta nada brigar com novos modelos.

Isso vale para todos.

O jornalista, por exemplo, pode ficar procurando pelo em COE ovo.

Mas, talvez fosse melhor fazer seu trabalho direito e se informar.

Tribunal de Faz de Contas


Hospedados em Bangu, os conselheiros do Tribunal de Conta do Rio de Janeiro já estão cobrando propina para distribuição das quentinhas

Por Agamenon Mendes Pedreira

Lava Jato é uma espécie de Big Brother que já dura mais de três anos. A diferença é que não tem “anjo” nem “líder”. Os participantes nunca saem da Casa. Ao contrário, só entram na Casa. Casa de Detenção. A quantidade de gente que vai para o “paredão” é cada vez maior, só que ninguém precisa mandar SMS para votar em quem tem que ser preso na manhã seguinte. E o que é melhor ainda: não precisa aturar as digressões poéticas do Pedro Bial nem as análises sociológicas do Tiago Leifert.

Mas, depois do Big Brother, o maior problema do Rio de Janeiro é o aumento da criminalidade, que desceu das favelas, ocupou a Baixada, dominou o subúrbio, embicou pela Zona Sul e atacou até mesmo o Palácio da Guanabara, onde a perigosa facção criminosa ADS (Amigos do Serginho) cobrava o esculacho e dividia a grana dos achaques em plena luz do dia. Pois então: desta vez os Federais estouraram mais uma quadrilha que atuava no Tribunal de Contas do Estado! Só um conselheiro não foi preso. Aliás, uma mulher, uma conselheira, a única que não participava da roubalheira. Uma atitude machista e preconceituosa dos seus colegas!

Como diria Boris Casoy: isso é uma vergonha! É uma vergonha em mais de 80 anos de jornalismo eu nunca ter arrumado uma bocada dessas! O serviço de “conselheiro” do tribunal de contas é muito simples. O “conselheiro”, como o nome já diz, só tem que dar conselhos. E os conselhos não precisam ser bons. E taí uma coisa que eu sei fazer. Aliás, como dizia o Stanislaw Porto, o Sérgio Ponte Preta: “C**!!! **##u e conselho só se dá a quem pede!”.

Além dos conselhos, o conselheiro leva um capilé caprichado só para aprovar as contas do governador. Como todo mundo sabe, Serginho Cabral sempre foi muito bom em Matemática, principalmente nas três operações: somando propinas, subtraindo verbas e multiplicando a sua fortuna. Dividir nunca foi o forte de Sérgio Cobal.

Infelizmente, a casa caiu. Deu no que deu esconder aquela grana toda numa unidade do Minha Casa, Minha Vida. Foram todos parar em Bangu, prisão de detenção premiada. Mas nem tudo deu ruim para a Famiglia Cabral. Depois das rebeliões nos presídios em janeiro, as autoridades carcerárias resolveram tomar providências para melhorar o sistema prisional.

Depois de “dar um tapa” em cada um dos “cadeiantes”, a diretoria do Complexo de Bangu resolveu inaugurar uma nova unidade no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde o(a) apenado(a) pode cumprir a sua pena tomando banho de sol na praia e mandando vir quentinha do Antiquarius. Se tiver bom comportamento, pode até tomar um chope no Jobi ou fazer compras nas joalherias do shopping.

 (*) Agamenon Mendes Pedreira é conseglieri do Tribunal de Contas da Camorra.

quarta-feira, abril 12, 2017

A alma pura de Lula foi demitida por 13 milhões de pixulecos


Por Victor Irajá

Edson Arantes do Nascimento usa a terceira pessoa para referir-se a si próprio não por soberba, mas por humildade: ele sabe que merece ser tratada com reverência a incomparável entidade que habita seu corpo há mais de 60 anos.

“O Pelé fez isso, o Pelé faria aquilo”, conjuga a terceira pessoa do singular esse mineiro de Três Corações escalado pelos deuses dos estádios para transformar-se no abrigo humano do maior gênio da bola de todos os tempos.

Como todos os que viram o Atleta do Século jogar, Edson tem consciência de que Pelé não é coisa deste mundo. Tanto assim que, longe dos gramados desde 1977, continua instalado no trono do Rei do Futebol ─ e nele permanecerá por toda a eternidade.

Faz muito tempo que Luiz Inácio da Silva botou na cabeça que o maior dos governantes desde Tomé de Souza incorporou uma entidade do tamanho de Pelé. Não pode, portanto, caber num mofino “eu”.

Depois da entrevista em que o marqueteiro João Santana anunciou que o PT tinha “um Pelé no banco”, pronto para entrar em campo tão logo terminasse o segundo mandato de Dilma Rousseff, o ex-presidente decidiu que Lula está para Luiz Inácio da Silva como Pelé para Edson Arantes do Nascimento.

É uma singularíssima sumidade que, disfarçada de pernambucano de Garanhuns, foi enviada pela Divina Providência para que o país do Rei do Futebol fosse também o berço do Monarca da Política.

Neste domingo, o velho farsante reprisou o repulsivo espetáculo do cinismo: “Nunca antes neste país alguém foi tão perseguido quanto o Lula. Mas o Lula está acostumado com isso. Podem fazer de tudo que o Lula resiste. Estão investigando todo santo dia e não apareceu nenhuma prova contra o Lula”.

Deu azar. Nesta terça-feira, num depoimento em Curitiba, Marcelo Odebrecht depositou no colo do Amigo 13 milhões de provas ─ em dinheiro vivo. É só o começo da tempestade de pixulecos que vai desabar sobre a cabeça baldia do delinquente que ousa comparar-se a Pelé.

Não há semelhanças entre o eterno Rei do Futebol e o reizinho corrupto destronado por excesso de safadeza, cupidez e cafajestagem. Fora o resto.


sábado, abril 08, 2017

Leitura recomendada para o fim de semana




Memória Viva. Seu encontro com o passado, sem ranço de nostalgia ou mimimi de que o mundo está cada vez pior. Os destaques dessa seção ficam por conta do ex-senador Jefferson Peres falando sobre a Manaus dos anos 40 e 50, o multimídia Luiz Carlos Miele falando sobre o Rio de Janeiro dos anos 60 e o escritor uruguaio Eduardo Galeano falando sobre o nascimento do Novo Mundo. Biscoitos finos em escala industrial.


Causos de Bambas. Histórias do arco da velha envolvendo artistas consagrados e pessoas anônimas, aqui da taba e do resto do mundo. Só pra distrair e pra ter assunto pra contar nas rodas de bar. Tem causos envolvendo Afonso Toscano, Paulo Mamulengo, Zeca Pagodinho, Carlos Paulain, Martinho da Vila, Chico da Silva, Aldisio Filgueiras, Gera da Portela, Mestre Marçal, Anísio Mello e grande elenco.



Boca do Inferno. As diatribes mais engraçadas, os escrachos mais abusados e as filosofias mais caricatas nas penas dos que manjam do assunto. Os textos do Millôr Fernandes, por exemplo, são de uma atualidade impressionante apesar de terem sido escritos nos anos 70 e 80. Além do supremo mandatário do humor brasileiro tem Fran Pacheco, Ivan Lessa, Xico Sá, Edson Aran e outros papas do besteirol tupiniquim.


Papo de Botequim. Entrevistas com nossos monstros consagrados da música, do teatro e da literatura. Algumas delas são imperdíveis: a do Sérgio Ricardo (o homem da violada no auditório da Record, durante um dos FICs), a do Aldir Blanc (pela primeira vez bem mais equilibrista do que bêbado), a do Mouzar Benedito (o maior contador de causos da atualidade), a do Wando (o maior colecionador de calcinhas usadas do país) e as duas do Jaguar (que, evidentemente, não precisa de apresentações).


Cabaré Chinelo. Como o próprio nome insinua, é a seção dedicada à sexolândia e suas variações mais radicais. Aqui, o buscador vai encontrar tudo o que procura: afrodisíacos, unguentos, orações, fetiches, botas de cano longo, sapatos de salto agulha, algemas, correntes, dicas, fofocas, lambanças, enfim, uma verdadeira rotisserie da putaria franciscana inventada nos mosteiros medievais. Recomenda-se navegar pelos posts usando camisinha ou luva cirúrgica.


Chumbo Grosso. É a seção mais politizada do site. Vale a pena ler (ou reler) as matérias sobre a “guerra dos turbantes”, aquela discussão bizantina entre a apropriação cultural de tradições afro feita pelos brancos desalmados, bem como os belíssimos textos desconstruindo o liberalismo e a Escola de Chicago feitos por Amyra El Khalili, professora de economia socioambiental e editora das redes Movimento Mulheres pela P@Z! e Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras.



Leia. Divulgue. Compartilhe. O saber é a soma de conhecimentos da humanidade.

quarta-feira, abril 05, 2017

Black is beatiful!

Dentro de mais alguns dias, volto a postar coisas interessantes aqui no mocó - provavelmente trechos do livro que acabei de escrever sobre a velha Cachoeirinha. 

É que como não dá para assobiar e chupar cana, estou dando prioridade ao site Candiru, que ainda está aprendendo a engatinhar.

So sorry!

Por enquanto, curtam essa colored que tem parte com a Deusa...