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quarta-feira, julho 19, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 1)



ABDUL, Aziz Ibn-Saud (1880-1953) – No mínimo bizarro este rei. Durante o século XIX as famílias Saud e Rashid lutaram pelo poder do que vem a ser hoje a Arábia Saudita.
Logo após o nascimento de Abdul, os Rashids deram um pé na bunda da família dele e ele foi curtir as areias escaldantes do anonimato no Kuwait.
Aos vinte anos, magrão, com 1,93m de altura, armou um exército e retomou o país que, modestamente, batizou de Arábia Saudita, ou seja, a arábia dos Sauds.
Em seguida descobriu que o petróleo era bom, mas que explorá-lo podia atrapalhar o esporte que ele, realmente, gostava de praticar: fuder com “u” mesmo, revisor!
Por isso em 1933 ele abriu as portas para os investidores ocidentais na base de 50%.
Como não era comunista (“esses sacanas gostam de dormir com as próprias mães, irmãs e filhas”), preferiu acreditar que o petróleo sob as areias do seu país era seu.
Agindo de consequência, não construiu escolas (“tudo que o povo precisa aprender está no Corão”) e nem hospitais (“para que, se não temos médicos?”), mas, em compensação, comprou quinhentos automóveis de luxo, entre eles um Rolls-Royce que havia pertencido a Winston Churchill que, segundo Roger Vadim, um dia tentou comer sua então mulher Brigitte Bardot.
Abdul era extremamente religioso, não bebia e não fumava.
Ver televisão, então, nem pensar!
Também não tinha tempo para esse passatempo para empregadas domésticas e madames brasileiras.
Fiel aos ensinamentos de Maomé, nunca teve mais que quatro esposas ao mesmo tempo.
As trocava, entretanto, com muita frequência: bastava que ele gritasse três vezes “divorcio-me de vós” para abrir uma vaga no seu harém.
Às vezes não gostava das mulheres escolhidas por seus olheiros mulherais e se divorciava delas depois de ver seus rostos.
Teve 200 esposas, 44 filhos legítimos e mais de 65 filhas.
Como a lei islâmica não deixa as mulheres totalmente na pior – elas devem participar eventualmente da glória de serem mulheres do monarca –, Abdul praticamente não tinha tempo para outra coisa além de fazer a ronda das alcovas.
Nunca precisou se preocupar com grana.
Ao morrer, aos setenta e três anos, pouco depois de descobrir que havia ficado estéril, sua renda mensal era de 10 milhões de dólares.
Seus súditos, porém, ganhavam pouco mais que três salários mínimos brasileiros por mês, uma miséria!

ABELARD, Pierre (1079-1142) – Unia o (para ele) útil ao agradável e (para os demais marmanjos) o inútil ao desagradável: além de ser um cara bonito, era extremamente inteligente.
Ora, num mundo dominado pelos homens ricos, essas qualidades se chocam.
Ou bem o sujeito é bonito e burro ou feio e inteligente.
Abelard deu o azar de ser bonito e inteligente. Se deu mal.
Francês, filósofo e teólogo, comia suas mulherinhas na maior moita quando aos trinta e sete anos se apaixonou por uma aluna chamada Heloísa, dona de um par de coxas e de uma bunda dessas que provam definitivamente o bom gosto de Deus, se é que ele existe.
Chato é que a jovem Heloísa tinha um tio que era uma fera que não estava interessado em ver sua sobrinha ser conhecida biblicamente em vez de conhecer a bíblia, como estava nos seus planos ao matriculá-la na escola-catedral de Notre Dame.
O tio, um tal de Canon Fulbert, deu mil palas ao Abelard pra que largasse a gata.
Em vez disso ele fugiu com ela pra Inglaterra e aproveitou para fazer um filho nela.
Enquanto os dois estavam fuque- fuque-fuque na loura Albion, o vilão Fulbert punha sua cabeça a funcionar a serviço do mal.
E quando o poder econômico está a fim de te enrabar, meu irmão, te prepara porque cedo ou tarde a marmota aparece.
No caso presente, o tio Fulbert, que devia se amarrar na sobrinha, mandou cortar o piu-piu do Abelard que se retirou para um monastério e acabou sendo excomungado por suas teorias heréticas.
Também, pudera!
Terminou seus dias tentando ser eremita, troço difícil, pois vivia cercado de discípulos-tietes que queriam saber sobre Paracelso e outros menos votados.
Heloísa morreu num convento e foi enterrada ao lado do marido uma vez que o tio Fulbert já havia ido para o inferno e Abelard, além de não ter mais pau, estava morto.
Quem tiver oportunidade procure ler a correspondência de Abelard e Heloísa que serviu de base para uma peça de teatro que Flávio Rangel dirigiu há quase vinte anos.
Em algumas cartas, Abelard deixa bem claro que coitoanalava Heloísa.
Popó dos mais perigosos da Idade Média, podeis crer.

ADÃO E EVA – Dupla complicada e difícil de acreditar. De acordo com a bíblia dos judeus e, posteriormente, dos cristãos, trata-se do casal original, pais de nós todos.
Só que Adão (Adham) é apenas uma das inúmeras palavras usadas para designar homem, geralmente, no coletivo, ou seja, espécie humana.
Já Eva (Hawma) está associada à palavra hebraica hayyim, que quer dizer vida.
Vai ver nem Adão se chamava Adão e nem Eva se chamava Eva.
No primeiro capítulo do Gênesis, não há nada que sugira a criação de um casal.
Só no capítulo III é que se relata a criação de um homem, feito do barro da terra.
Em seguida são criados os animais, que recebem, cada um, um nome dado pelo homem.
Só depois de todos os animais receberem nomes é que Deus teria criado a mulher.
De todo o Gênesis esta ordem me parece a única coisa lógica.
Já imaginaram se Eva tivesse sido criada antes dos animais? Como o Adão poderia batizar os bichos em paz?
Entre as coisas que me intrigam na História da Criação está a do batismo do chato, aquele bichinho que vive entre os pentelhos.
Adão terá dado o nome a ele antes ou depois de transar com Eva?
Outro troço: em nenhum lugar do Gênesis se fala em maçã.
Se fala em fruta proibida, que poderia ter sido uma maçã, sim, mas poderia também ter sido uma jaca, uma pitanga ou uma melancia.
Depois de serem tentados pela serpente e comerem do fruto proibido, Adão e Eva teriam sido expulsos do Paraíso.
Mais dúvidas cruéis:
1) “Meu Deus, respeito o senhor, mas não a sua obra. Que paraíso é este que tem cobra?” (Millôr Fernandes);
2) Se era para Adão não transar com Eva, por que o Criador botou um pau nele e uma buceta nela?
Ainda segundo o Gênesis e John Steinbeck, os dois foram para o leste do Éden, onde tiveram uma pá de filhos, entre eles, Abel, Caim e Seth.
Caim se sabe que matou Abel e depois constituiu família.
De Seth não se sabe nada e dos demais irmãos muito menos.
Aparentemente, o incesto não era pecado naquela época.
Pelo menos Deus não o havia proibido, o que nos leva a crer que Caim comeu a mãe ou uma eventual irmã.
Se Édipo, em vez de acreditar em Zeus, acreditasse em Deus, talvez não tivesse arrancado os olhos depois de comer Jocasta.
Mas isto é outra história.
Não se sabe se Adão e Eva eram brancos, pretos, amarelos ou mulatos-sararás.

ABC do Fausto Wolff (Parte 2)


ADULTÉRIO – Depois que a pílula anticoncepcional entrou para o menu da burguesia quase não hesito em afirmar: “Mostrem-me um homem de mais de quarenta anos que nunca foi corno e eu lhes mostrarei um homem que nunca comeu ninguém”.
Eu disse quase porque logo depois da pílula apareceu o vírus da AIDS, que acalmou um pouco as mentes mais chegadas ao adultério.
Acalmou em termos, naturalmente, pois água morro abaixo, fogo morro acima, cachorro louco e mulher quando quer dar, ninguém segura.
Mas há adultérios e adultérios.
João da Silva, quarenta anos, operário, cinco filhos, salário-mínimo, morador em Santa Cruz, sessenta quilos, mulato, poucos dentes, sai às quatro horas da manhã de casa para chegar às seis e meia na fábrica, viaja num trem da Central lotadíssimo onde teimam em esmagar diariamente sua unha encravada, fabrica um troço que não sabe para o que serve, come arroz sem feijão e sem carne e quando está tomando uma cachaça na esquina o fiscal do gerente berra: “Aí, hein, seu sacana, fazer hora extra você não quer, mas beber cachaça você bebe”.
Pois este homem, que da árvore da vida só colheu os frutos podres, chega em casa e encontra a Maria, sua mulher, a única coisa que acredita ser sua nesta merda de vida, dando pra um malandro qualquer.
O que é que você faria no lugar do João? Matava os dois?
Este é um tipo de adultério.
Eis outro: Onofrinho Paranhos Medeiros Albuquerque Zifrulli Lima de Azevedo, conhecido banqueiro, testa-de-ferro de multinacional, ex-ministro, sócio do Country Club, ladrão, enfim, é casado com Glorinha Nascimento Cruz Costalatti Brunsky de Oliveira Rocha, excelente família, pai embaixador, de prendas domésticas, assídua frequentadora das colunas sociais de Ibrahim, Zózimo e Cia.
Glorinha também é puta.
Eis que é flagrada por Onofrinho, dando para jovem surfista pobre.
O que faz Onofrinho?
Atenção para o papo: “Meu jovem, precisamos conversar. De hoje em diante, pois vejo que você é um rapaz sério, vou te pagar um salário para fazeres companhia à minha mulher, porque viajo muito. Ela fica muito sozinha e confio em você para manter afastadas as más companhias”.
Como vocês vêem, há cornos e cornos.
Mas nem sempre o adultério foi condenado.
Na Idade Média, por exemplo, um cavaleiro deveria sentir-se honrado quando sua mulher desse prum sujeito de estirpe mais nobre.
Num romance provençal, um cavaleiro repreende sua mulher infiel.
Eis a resposta dela: “Meu senhor, não há por que se sentir desonrado, pois o homem que eu amo é um nobre barão, maneja armas como ninguém, chama-se Rolando e é sobrinho do rei Carlos”.
Resposta do cavaleiro: “Poderias ter me dito logo, mulher”.

AFRODISÍACO – Qualquer negócio que sirva para aumentar o prazer sexual. Vem de Afrodisia, um festival grego em homenagem à deusa Afrodite, a mesma que emprestou seu nome latino (Vênus) para a camisa mais famosa do mundo.
Bem mais famosa que a Lacoste, usada por gente que se amarra em tênis e em pênis.
Poucas foram as comidas que em um tempo ou outro não foram consideradas afrodisíacas: ostras, quiabos, aspargos, cogumelos, tomates (conhecidos como maçãs do amor em alguns países), bulbos de tulipa, etc.
Paulinus, um sacanólogo medieval, recomendava mijo de touro, cristas de galo, trolha de burro, sangue de pardal e outras delicatesses, cuja simples menção é suficiente para brochar o locutor que vos fala.
Sangue menstrual, sangue de antílope, placenta, culhões humanos, esperma de um jovem lutador misturado com coco de falcão, cérebro ainda quente de criminosos decapitados (muito em uso na China até as primeiras décadas deste século) também aparecem cm várias receitas consideradas antibrochantes desde a época em que o Kama-sutra foi escrito.
As amazonas acreditavam que se cortassem uma perna dos prisioneiros, o chamado membro viril dele ficaria ainda mais viril.
Tanto acreditavam que usavam esta técnica para elas próprias: amputavam o seio direito das meninas, certas de que, com isso, o braço direito receberia nutrimento sanguíneo adicional e ficaria mais forte para dobrar o arco.
Um rei cíntio perguntou para a rainha amazona Antianara: “Por que seus escravos todos não têm uma perna”.
E a rainha, sorridente: “Os pernetas trepam melhor”.
Mas se você é um desses caras que já está comemorando aniversário de impotência, muita gente boa recomenda pó de corno de rinoceronte, que é vendido caríssimo por toda a África equatorial.
Se você estiver mesmo a perigo, dê um pulo até Nairobi, mas leve um especialista consigo, pois a maioria dos vigaristas em vez de corno de rinoceronte vende mesmo é osso moído de porco, que não mata, mas também não levanta.
De qualquer modo o freguês tem que ser muito brocha mesmo pra acreditar nessas besteiras.
Querem saber o que funciona? Eu digo: é a mosca espanhola.
Mas não saiam por aí caçando moscas com o Antoñito el Cambório, que se estrepou como o seu criador, Garcia Lorca.
Mosca espanhola é apenas um apelido da cantárida.
Excita a bexiga, a uretra e, de consequência, os órgãos sexuais.
Vem sendo usada há séculos, com sucesso, em cavalos e touros que têm que trabalhar muito.
Mas tem um troço chato: mata com uma facilidade incrível quando usada por leigos como vocês.
A dose que levanta o mastruço é quase a mesma que o abaixa (bem como o seu dono) para sempre.
A nux vomica, tão bem usada por Drummond em um dos seus melhores poemas, mais conhecida como estricnina, apresenta o mesmo problema: seria um maravilhoso excitante sexual se não matasse o cliente antes dele poder concluir a bimbada.
Muito amador acredita que o álcool é um estimulante sexual porque ele desinibe.
Aceitem o conselho de um profissional: a hora de encher a moringa não é a mesma do alpinismo.
O álcool, quando em excesso, torna o marmotão menos sensível, ocasião em que ocorre o famoso fenómeno da meia-bomba ou demi-bombê, como preferem os franceses.
O único negócio que funciona mesmo é o hormônio masculino conhecido como testosterona, que aumenta o desejo sexual em ambos os sexos e, às vezes, é receitado para a cura da impotência total.
Mas... se tomado por homens potentes pode causar atrofia dos testículos e se tomado por garotinhas em busca de experiências excitantes, causa masculinização.
Antes de tomar, ela se chama Rosinha e depois da dose vira Almeida.

AIDSAdquired Immunodeficiency Sindrome ou, de trás para diante, em português: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
O homem gasta em armamento alguns trilhões de dólares por ano.
Gasta outro tanto em programas espaciais na tentativa de conquistar o macrocosmo.
Se nós, terrestres, porém, pretendemos conhecer outros planetas e outras galáxias algum dia, é necessário que abandonemos por enquanto o macrocosmo para concentrar nossas atenções no microcosmo.
Seria uma lástima que a raça humana deixasse de existir por causa de um vírus sacana como o da AIDS.
Já se disse muita besteira sobre este microorganismo e não estou aqui para engordar a lista dos idiotas.
Poucos sabem alguma coisa sobre a AIDS e desconfio que esses poucos são os que não dizem nada.
De modo que aí vai um conselho: se o leitor é viado ou é chegado a um viado, pare com o esporte.
Se não é viado, procure trepar com moças que não gostem de transar, eventualmente, com viados.
Finalmente, não use uma camisa-de-vênus.
Use duas, uma sobre a outra.
E jogue fora essa seringa!

ABC do Fausto Wolff (Parte 3)


AMOR – Se você não sabe o que é talvez não valha a pena continuar lendo este livro. De qualquer modo, dê uma olhada no verbete EROTISMO.

ANDERSEN, Hans Christian (1805-1875) – Tive uma mulher, mãe da minha segunda filha, que nasceu na mesma cidade que ele: Odense, na Dinamarca.
Cidadezinha bonita, mas muito triste, principalmente durante o inverno, que lá também acontece no outono e num pedaço da primavera.
Hans tinha cara de cavalo, muito alto, pés e mãos enormes, magrão e desajeitado. Patão feio, mesmo.
Era parecido com o Ronald Reagan Jr.
Duas diferenças: o filho adotivo do homem que quer acabar com a Nicarágua tem mania de dançar balé e parece que gosta de caçar armanhos.
Hans tinha mania de ser cantor lírico, mas jamais caçou um armanho sequer.
Em compensação, nunca foi para a cama com mulher alguma.
Não porque não gostasse.
Era tímido demais.
Além de feio, era pobre e tinha uma voz aguda, muito feminina.
Seu pai era maluco e sua mãe mitômana.
Com onze anos começou a trabalhar numa fábrica de tecidos para ajudar a família.
Por causa da sua voz, os outros operários baixaram suas calças para ver se ele era homem mesmo.
Aos quatorze anos, vestido como mendigo, foi para Copenhague onde, naturalmente, não fez sucesso como cantor, mas arranjou um protetor: Jonas Collin, diretor do Teatro Real, que tomou o lugar do seu pai.
Seria muita sacanagem se não fizesse sucesso como escritor.
Não pelas obras que considerava sérias, mas pelas que considerava “bobagens”: os seus contos de fadas.
Escreveu mais de 150 e eles abriram as portas da realeza europeia para ele.
Tudo isso, porém, não foi suficiente para vencer sua timidez.
Deixava os salões e ia aos bordéis onde batia papo com as piranhas.
Pagava direitinho. Só exigia que elas batessem papo peladas.
Depois corria para seu quarto de hotel e batia uma punheta.
O autor do Patinho Feio, O Novo Traje do Imperador, A Pequena Sereia e muitos outros contos conhecidos em todos os continentes, morreu de câncer no fígado em Copenhague.
Tremenda sacanagem.

APRIL ASHLEY (1930- ) – Hoje em dia é moda. Bichona não gosta da inútil paisagem, acha que não serve pra nada, economiza uma grana, vai a um cirurgião e manda tirar fora.
Chato é o cara depois da operação – já sem a iguaba – descobrir que está apaixonado pela enfermeira.
Passa de viado a sapatão. Destino marcado pela deusa Éphoda!
Mas, como eu ia dizendo, na época da Ashley – princípio dos anos 50 – era preciso ser muito macho para mandar cortar o pau fora.
Pois o rapazinho, depois de passar algum tempo engajado na Marinha Mercante Inglesa – o que terão feito com ele os velhos lobos-do-mar, hein? –, chegou à conclusão, de que não gostava de mulheres.
Ou – quem sabe? – gostava tanto que até decidiu ser uma.
No princípio se limitou a vestir roupas de mulher.
Foi descoberto numa boate londrina de terceira pelo empresário Ali Burnett, que o contratou para trabalhar em seu inferninho, então conhecido no mundo inteiro, chamado Pigalle, em Londres.
Mas o jovem Ashley se atormentava sempre que ia fazer pipi.
Se perguntava: “O que é que eu faço com esta inútil paisagem?”
Aconselhado pelo empresário, foi até Casablanca e mandou cortar.
Em 1963 se realizou como mulher ao se casar com Mr. John Corbett.
Viveram felizes durante seis anos, ocasião em que o marido pediu a anulação do casamento porque “ele, apesar da operação, continua homem”.
Alegou que April mijava de pé e molhava o banheiro todo.
Levou um tempão para descobrir isso, o sacana, hein?
De qualquer modo, durante dois meses foram consultados endocrinologistas, andrologistas, ginecologistas, psicologistas (são psicólogos que nas horas vagas atendem no balcão como lojistas) e outros entendidos nessas sacanagens.
Depois de ouvi-los, o juiz Carl Ormerod decidiu: “Pelas evidências apresentadas até agora, as cirurgias para a mudança de sexo não são o suficientemente radicais (cáspite!!!) para que se modifique o sexo que a criança tinha ao nascer”.
Quer dizer: mesmo sem pau, Ashley, então com quase quarenta anos, foi considerado homem pela justiça inglesa e Mr. Corbett deixou de pagar a pensão que ele deveria receber caso fosse ela.
Onde andará a idosa bicha nos dias de hoje?
Eis um assunto à espera dos nossos jovens Tennessee Williams da Silva.
Conselho às bichinhas apressadas: pensem bem na triste história do Veado de Abril antes de se decidirem a dar o piu-piu pro gato.

ASTROLOGIA – Há quem diga (e eu acredito) que já foi uma ciência exata que perdeu um elo em determinado momento do trotar da humanidade. Humanidade, belo nome para uma égua, hein?
A verdade é que os antigos persas, assírios, egípcios, romanos, não davam um peido na esquina sem consultar os astros.
Minha experiência pessoal com a astrologia se passou em Roma quando, a pedido de uma dessas revistas brasileiras para se ler no barbeiro, fui fazer uma entrevista com Francesco Waldner, considerado o papa dos astrólogos europeus.
Mas fui como cliente.
O Waldner, jogando uma quantidade enorme de água fora de uma luxuosa bacia, indagava ao mesmo tempo em que apertava a minha mão: “Você, tão bem-falante, com a linha da vida tão acentuada, só pode ser...”
Deu uma paradinha.
Eu aproveitei a deixa e mandei: “Gêmeos”.
E ele:
“Isso mesmo, só pode ser Gêmeos”.
E eu, pegando de volta as minhas 20 mil liras que ainda estavam sobre a mesinha: “Mas acontece que eu sou Câncer, ragazzo”.
Há, porém, quem acredite.
Pra mim dá tudo na mesma: macumba, psicanálise, confissão, astrologia, quem faz justiça e quem está com o revólver na mão, principalmente se for juiz, militar ou latifundiário.
E o que é que isso tudo tem a ver com sacanagem? – perguntará o incrédulo leitor.
Até agora, muito pouco, mas vai ter.
Acontece que tem nego que acredita que a astrologia nos condiciona sexualmente.
Por exemplo: mulheres nascidas sob o signo de Libra podem ir fundo que, no mínimo, são ninfomaníacas.
Pensem duas vezes quando se chocarem com as representantes do Escorpião e do Touro.
Além de frias, vivem dizendo: “Mas não podemos apenas ser bons amigos?”
As mulheres leões, ou seja, as leoas, seriam fidelíssimas.
Eu, por exemplo, não concordo.
Tive uma mulher do signo de Leão que me presenteou com um par de cornos de fazer inveja a muito carro alegórico.
Já as mulheres de Câncer não esperam nem o marido dobrar a esquina para deixar o vizinho entrar.
Capricórnio não tem perdão: homem, mulher, tudo homossexual.
Os homens Escorpião seriam grandes comedores. Metafóricos.
Os sagitarianos são como o Hans Christian Andersen: não perdem uma oportunidade e quando estão sozinhos se masturbam pensando na mãe.
O Virgem homem – ainda não foram descobertas as razões – adora mijar nas pernas de senhoras idosas.
Mas deixem eu elevar um pouco o nível do nosso papo: já há alguns anos que a Academia Tchecoslovaca de Ciências está estudando o controle da natalidade através da astrologia.
Não têm mais o que fazer, esses tchecoslovacos!
É por isso que volta e meia levam uma traulitada russa.
Mas, dizia eu, o Dr. Eugen Jonas, diretor do departamento de psiquiatria da clínica Nagisurana, notou que a maioria das suas pacientes apresentava notável disposição sexual, independentemente dos seus ciclos menstruais.
Depois de inúmeros testes, ele chegou à conclusão de que esses ciclos de tesão extra relacionavam-se com a atividade planetária.
É dose, hein? Descobrir que um planetão enorme como Júpiter, várias vezes maior que a Terra, só serve pra dar tesão nas nossas mulheres!
E disse mais: “As mulheres têm maiores possibilidades de conceber durante a mesma fase da lua que as viu nascer”. (De repente, eu me pergunto se as fases da lua podem ver e ao mesmo tempo invade-me a sensação de que devo esmagar urgentemente estas baratas à minha frente, como se elas não passassem de meras metáforas representando o PMDB e o PFL.)
Mas vamos adiante.
Outro troço que o bom Dr. Eugen disse ter descoberto: o sexo da criança depende da lua estar num campo eclíptico positivo ou negativo.
Diz ele que pode informar com 90% de precisão qual será o sexo da criança e quando os pais devem ter relações sexuais para terem filhos homens ou mulheres.
Eu não acredito, mas as experiências do Dr. Eugen estão sendo repetidas na Universidade de Stanford, bem mais respeitável a Gama Filho, acreditem!

ABC do Fausto Woll (Parte 4)


BARRYMORE, John (1882-1942) – Sou grande admirador deste cara. Alguns dos nossos “astros” de TV que acham que naturalismo é fazer uma carinha de bunda e dizer “oi, bicho” diante das câmeras, deveriam ver alguns dos seus filmes.
Estou dizendo besteiras, pois a nova geração televisiva é incapaz de pensar uma frase com mais de três sílabas.
Preguiçoso desde criança e porrista a partir dos quatorze anos, John – apesar de ser filho e irmão de atores – partiu para o teatro só porque lhe pareceu um meio mole de sobreviver e porque havia sido despedido de um emprego como caricaturista do New York Times.
Deu o azar de ser bonito, inteligente e talentoso. Isso ninguém perdoa.
O pessoal sacaneava ele e ele sacaneava o pessoal.
De Louella Parsons, a Ibrahim de saias de Hollywood (escreveu que Cidadão Kane era um péssimo filme e que Ronald Reagan era um grande ator), ele disse bem alto numa festa para ela ouvir: “Parece uma teta de vaca velha”.
Embora tenha sido o maior ator shakesperiano do seu tempo e tenha criado para o cinema alguns personagens como Mr. Hyde (Robert Louis Stevenson) e Capitão Ahab (Hermann Melville), o que Barrymore gostava mesmo era de beber e de fuder, não necessariamente nesta ordem.
Só uma vez na vida tentou parar de beber.
Rico e famoso, levou sua filha Diana para um cruzeiro em seu iate do qual foi retirada toda a bebida alcoólica.
Ainda assim ele deu um jeito de permanecer de porre durante toda a viagem: bebeu o álcool do sistema de resfriamento das máquinas.
Para um cara que comeu tantas mulheres, John perdeu a virgindade relativamente tarde: aos quinze anos.
Em compensação, começou comendo a própria madrasta – no caso, uma boadrasta.
Logo depois começou a comer uma vedete famosa, Evelyn Nesbit, que já vinha sendo comida pelo célebre arquiteto Stanford White.
Os pais da moça descobriram tudo e casaram ela às pressas com o milionário psicopata Harry Thaw que, enciumado, matou White com um tiro na cabeça.
A história toda é mostrada no filme Ragtime, dirigido por Milos Forman, no qual Norman Mailer faz o papel do arquiteto.
Barrymore teve que se esconder durante alguns meses até que o caso fosse esquecido.
O homem era um fauno.
Depois de casar duas vezes em New York e excursionar muito pela Europa, se mandou para Hollywood, com um apetite insaciável.
De cara, comeu Talullah Bankhead e, em seguida, Mary Astor, que tinha só dezessete anos.
Mary aparecia na sua suíte aos domingos acompanhada da mãe.
Barrymore mandava a mãe tomar sol no terraço enquanto comia a filha no quarto.
Aliás, parece que o que mais dava em Hollywood nos anos 20 e 30 era mãe cafetinando filha.
Essas filhas, posteriormente, tinham filhos que eram não só filhos da puta como netos da cafetina.
Largou Mary Astor (conforme havia prometido a ela, deu uma declaração pública dizendo textualmente “Eu sou um filho da puta”) por Dolores Castello, que acabou por corneá-lo com seu ginecologista.
Aliás, a turma da gineca (em grego, gineka quer dizer mulher) há anos que, na moita, vem botando cornos na burguesia mundial.
Ou vocês acham que alguém escolhe a profissão de examinar xota gratuitamente?
Já bebendo uma garrafa de gim antes do meio-dia, Barrymore, assaltado pelas ex-mulheres, passou a dedicar-se às putas profissionais.
Durante mais de um mês ficou trancado num bordel em Madras, na Índia, segundo ele praticando com o mulherio todas as posições do Kama-sutra.
Quando casou pela última vez – para variar com uma carreirista – em 1936, já estava aos bagaços.
Ainda assim a mulher obrigou-o a representar ao seu lado.
Barrymore não só esquecia as falas que tinha que dizer como volta e meia mijava e vomitava no palco.
Para quem tratava o fígado tão mal, morreu tardíssimo, aos sessenta anos, deixando uma dívida de 85 mil dólares.
Um padre entrou no seu quarto acompanhado de uma enfermeira com cara de cachorro, feia pacas.
Perguntou a Barrymore se ele tinha algum pecado a confessar.
E o sacana: “Confesso que tenho desejos carnais”.
E o padre, espantadíssimo, pois o ator estava nas últimas: “Com quem?”
E ele, apontando para a enfermeira: “Com ela”.
Inteligente, bonito, talentoso, comedor de grandes mulheres, é claro que no seu enterro não apareceu ninguém, com exceção de uma puta velha que ninguém sabe quem é e à qual presto aqui minha sincera homenagem.

BATHORY, condessa Erzsebeth (1561-1630) – Mulherzinha ruim. Mas ruim mesmo. Entretanto, seus contemporâneos deixaram registrado que “tinha um olhar doce e angelical, profundos olhos azuis que contrastavam com as generosas formas do seu corpo que ao se mover deixava homens e mulheres enlouquecidos”.
Pode ser que algum dia tenha ido para a cama com algum homem.
Mas não deve ter gostado, o que, aliás, foi uma sorte para os homens.
Ela gostava mesmo era de garotas virgens entre dez e dezoito anos.
Gostava de fazer tudo com elas: amá-las e, principalmente, matá-las e bebê-las, literalmente.
Em 1611, aos cinquenta anos de idade, a condessa foi condenada a permanecer para sempre – com apenas três servas para servi-la – em seu castelo nos montes Cárpatos.
Motivo: havia matado mais de seiscentas meninas.
Sociedadezinha canalha a da Hungria do século XVII: o juiz que julgou a condessa não estava irritado com ela por ter matado tantas meninas, mas porque algumas delas eram nobres.
A bem da verdade, Erzsebeth imprimia um espírito de missão à sua tara.
Por exemplo: adorava botar uma virgem aterrorizada completamente nua numa gaiola com afiadas pontas de metal em todos os lados, de modo que a vítima, ao fazer o menor movimento, se cortava toda.
Depois mandava suspender a gaiola e sentava-se embaixo, ocasião em que se masturbava tomando um banho de sangue.
Outra brincadeirinha: mandou fabricar um robô de cujo corpo se desprendiam estiletes que penetravam no corpo das jovens virgens.
O sangue escoava por um cano que ia dar numa panela sobre o fogão, onde era esquentado para o banho da condessa.
E esta cadela – como era rica e poderosa – ainda viveu dezenove anos em seu castelo brincando de mamãe-mamãe com três criadas.
Hoje em dia, na Hungria, os ricos já vão para a cadeia.
No Brasil não vão porque, provavelmente, temos os ricos mais honestos do mundo, não é mesmo?
Quem foi que disse que para se enriquecer no Brasil não é necessário ser inteligente, basta ser simpático e não ter caráter?

BESTIALISMO — Os mais crescidinhos sabem que se trata de atividade sexual entre homens e animais. Um tabu, desde a civilização mesopotâmica, é considerado ilegal em todo o mundo. Quem nasceu, ou ainda mora, na zona rural nunca ligou muito para essa ilegalidade. (“Pois é, seu Tião, estamos aqui comendo a sua vaquinha.”)
Originalmente o ato de comer animais metaforicamente era proibido pelo temor de que, da união pouco convencional, nascesse um produto híbrido do que se convencionou chamar de um coito impuro.
Quem duvidar, vá pegando a sua vaquinha e veja se depois de alguns meses aparece um minotauro, ou melhor, um bagétauro.
De acordo com as leis inglesas, o bestialismo é uma subdivisão do coito anal, pois fala em “relações anormais com homens e animais”.
Outros países, porém, fazem uma distinção mais precisa entre a chamada intermação marmotal e o bestialismo.
Baseiam-se em antigas leis judaicas (Levítico 20: 15-16) que dividem o bestialismo do incesto e do homossexualismo.
O bestialismo sempre foi ilegal, mas nunca deixou de ser popular.
Na maioria dos casos, homens e mulheres comem (ou são comidas) por animais domésticos, estilo gato, cavalo, boi, cabrito, galinha, etc.
Na Roma antiga (e ainda hoje em Hamburgo) mulheres costumavam introduzir na vagina cobras vivas, cabeça primeiro.
Outras punham rabos de peixes vivos e havia ainda as que passavam mel na vulva para atrair moscas que, enquanto comiam o mel, as levavam ao orgasmo.
Na China, o bicho preferido pelos taradões sempre foi o ganso.
Comiam o rabo do ganso e na hora da ejaculação cortavam a cabeça dele que, ato contínuo, contraía o esfíncter, o que prolongava o gozo.
Os árabes, ainda hoje, não consideram perfeita uma viagem a Meca se, no caminho, não executarem o camelo.
Em algumas vilas na Índia é de bom-tom comer Deus, no caso, um babuíno, ou melhor, os homens comem a deusa babuína e as mulheres dão para o deus babuíno.
Na Roma de Tibério valia tudo: o próprio Estado organizava orgias com mulheres, touros, cavalos, ursos, girafas, porcos, etc.
Os esquimós contam um caso de bestialidade (e levando -se em conta o comportamento dos políticos brasileiros, não há por que duvidar): milhares de anos atrás uma mulher se recusava a ter relações sexuais com os homens.
Foi então expulsa para uma ilha, onde trepou com cachorros.
Desta união nasceram os homens brancos que, antes, não existiam.
Bestialista, ainda, de mão cheia foi Zeus ou Júpiter, que comeu Leda na forma de um cisne, comeu Perséfone na forma de uma serpente, transformou Europa numa vaca para depois comê-la onde hoje é o Bósforo (passagem do boi) e assim por diante.
Só não ganhou de Adão.
É isso mesmo: o bestialismo é o desvio sexual mais antigo da humanidade.
Adão comeu todos os animais do Paraíso até que Deus se mancou e resolveu criar a mulher.
Confesso que nas minhas andanças pelo mundo nunca vi nada em matéria de lagostas.
Sempre que eu solicitava às madames dos quatro continentes qualquer coisa do gênero, olhavam-me como se eu fosse um tarado e voltavam para suas cabritas, cachorros e vaquinhas.

ABC do Fausto Wolff (Parte 5)


BICHA – Substantivo feminino. Nome comum a todos os vermes e répteis de forma alongada: lombriga, sanguessuga; fila, fileira de pessoas; divisa ou galão em mangas de uniforme; certo brinquedo infantil (fam.); mulher muito irritada (bras.); canudinho de papelão cheio de pólvora, que estala quando se lhe põe fogo; (gír.) febre amarela. Embora o Dicionário de Língua Portuguesa, de J. Carvalho e Vicente Peixoto, não registre, há ainda bichas que tomam no rabo e chupam pau.

BIZARRIA – Segundo G. L. Simon, autor do Simon’s Book of Sexual Records, a palavra é extremamente subjetiva, pois quem pratica um ato bizarro às vezes não se considera bizarro. Por exemplo: vocês acham que o júri do Sílvio Santos, que compõe o Museu do Bizarro, se considera bizarro?
Vocês acham que a turma do poire do Dr. Ulysses considera bizarro o fato de termos esperado vinte e cinco anos para ver eles encherem a cara com aguardente de pera importado enquanto 75 milhões de brasileiros vivem abaixo de cu de cachorro?
De qualquer forma, o Simon se referia à bizarrice no ato sexual.
Tem gente que só consegue gozar enterrado na lama até o umbigo.
Outros – havia um milionário alemão famoso que morava no Rio de Janeiro – têm mania de pedir para a mulher fazer cocô no peito dele.
Existem homens e mulheres que só conseguem gozar comendo a meleca do nariz do parceiro e outros que ainda precisam ser mijados dos pés à cabeça.
Falar nisso, não sei se eles gostam, mas sempre que vocês encontrarem alguém da seita Moon ou da Tradição, Família e Propriedade enchendo o saco dos transeuntes, dêem uma mijada nas pernas deles. Não servem para mais nada.
Mas, enfim, Krafft-Ebing, um sexólogo taradão, passou a vida inteira colecionando bizarrices sexuais.
Pessoalmente, creio que os políticos brasileiros que defendem o arrocho salarial e o descongelamento de preços são todos muito bizarros.
Bebem pipi e comem cocô.
Sério: é que teriam que ser super-homens para aguentarem tanto horror.
Fazem uma sacanagem com o povão e em seguida vão até o bordel onde pagam uma moça ou um rapaz para fazer cocô e pipi na cara deles, além de xingá-los de “ladrão”, “corrupto”, “canalha”.
O bizarro, todo mijado e cagado, goza ao ouvir esses insultos, chora um pouco e, completamente purgado, sai para a rua pronto para sacanear o povão novamente.

BOCCACCIO, Giovanni (1313-1375) – Filho da puta. Na época, um troço sério. Não como hoje em dia, quando qualquer garotinho xinga outro com este epíteto. Realmente, o Brasil moderno está cheio de filhos da puta, principalmente entre a classe dominante. As mães deles, embora incluídas no insulto (e as mais insultadas) não têm nada a ver com a filha da putice dos filhos.
Deu pra entender? Não? Então eu tento de novo: chamar um cara de filho da puta hoje em dia não significa necessariamente que você tenha alguma coisa contra a mãe dele.
Virou um insulto isolado, independente da mãe, sentiram?
É um troço tão maluco que, em certos casos, vira até adjetivo carinhoso: “Dá cá um abraço, seu filho da puta”.
Eu disse que o Boccaccio era um filho da puta não para insultá-lo, que eu estou muito velho pra me iniciar na profissão de dedo-duro.
Além disso, admiro o cara.
É que o pai dele – um mercador da Toscana – sempre que ia à Florença visitava uma certa casa dentro da qual o esperava uma certa senhora e que ele certamente tascava.
Depois de certo tempo a mulher deu à luz o nosso Bocca e foi logo dizendo pro velho toscano: “Toma que o filho é teu”.
Apesar de casado com a sra. Boccaccio, ele enfrentou a barra e levou o guri para casa.
Não sei se como filho da puta, como diplomata, como professor ou como amigo de Petrarca, o jovem não levou muito tempo para fazer sucesso.
A verdade é que foi o melhor escritor da sua época.
Ou tem aí algum membro da tribo dos analphas que nunca ouviu falar no Decameron?
Pois foi ele quem escreveu.
Aliás, não escreveu só o Decameron que o Pasolini homossexualizou demais na sua versão cinematográfica.
Quando jovem escreveu contos, pastorais e poemas, entre eles Filostrato, a história de amor entre Troilus e Cressida que mais tarde foi devidamente chupada por Chaucer e Shakespeare, respectivamente.
Mas façamos justiça aos ingleses: a versão deles é melhor que a do italiano.
Il Decamerone, que foi escrito em 1358, é uma coleção de cem histórias supostamente narradas por dez aristocratas que se refugiam numa casa de campo para escapar de uma peste braba que havia atacado Florença.
As sacanas e os sacanas passavam o tempo contando histórias de sacanagem uns para os outros.
O tema favorito: estratagemas usados por jovens esposas para cornear velhos maridos.
Recentemente, jovem senhora, casada com industrial ancião, rico, ladrão e filho da puta (no sentido que expliquei pra vocês no início deste verbete), me confessou que até hoje o velho Decameron lhe fornece excelentes ideias.
Muito anticlericarismo apresentando freiras ninfomaníacas perseguindo o jardineiro do convento e padres sacaníssimos fantasiados de anjos visitando senhoras “religiosas”, casadas com senhores ciumentíssimos.
Depois da Bíblia, o Decameron é o livro mais lido e mais proibido em todos os conventos da Itália.
Recentemente foi excluído do index porque simancol não se receita só pra paisano.
Proibir Boccaccio morto e permitir Marcinkus vivo seria uma heresia, pois não?
Chaucer bebeu muito nas águas de Boccaccio ao escrever The Canterbury Teles, também enviadados por Pasolini no cinema, mas com maior fidelidade à época.
Nas tetas generosas de Boccaccio mamaram ainda Dryden, Keats, Tennyson e Swinburne, entre outros.

ABC do Fausto Wolff (Parte 6)


BOORDE, Andrew (1512-1553) – Um idiota. Se não fosse tão idiota eu provavelmente não estaria falando dele. Em 1542 este galês metido a conselheiro sexual publicou um livro chamado A Dyetary of Helth (quem manja inglês vê que a grafia é antiga) ou O Livro Onde os Bons Maridos Aprendem.
Nesta obra, Boorde solenemente previne os leitores: “Cuidado com a alface. Ela mata o desejo sexual”.
Para quem havia marcado a bobeira de já haver comido muita alface, Boorde dava o antídoto: “Muito figo para redobrar o vigor sexual”.
Pois o sacana do Boorde acabou entrando para a carreira religiosa e chegou a ser bispo de Chichester.
Deve ter comido muito figo durante o tempo em que esteve à frente da igreja, pois acabou sendo expulso quando descobriram que mantinha três prostitutas escondidas em sua casa.

BORDEL – Também conhecido como prostíbulo, puteiro, rendez-vous ou lupanar, como preferia Nelson Rodrigues. Estabelecimentos bem mais antigos que butiques, açougues, consultórios médicos, estrebarias, etc.
O mais velhinho do Rio de Janeiro fica na Rua Alice, em Laranjeiras, e resistiu à onda de termas e call-girls.
Ali na Rua Alice ainda se pode jogar biriba com as putas, que contam histórias muito interessantes.
As mais antigas insistem que Boneca Cobiçada, famoso samba de Adelino Moreira cantado por Nelson Gonçalves, é a vida delas.
As mais novas, me diz N.C., velho frequentador, não sabem mais contar histórias: são jovens estudantes de jornalismo, enfermeiras, advogadas desempregadas, donas-de-casa que, eventualmente, aparecem lá para fazer um extra.
Segundo N.C., como não se pode conversar, nem dançar, nem jogar cartas com as mais novas, o negócio é comê-las e ir embora.
Provavelmente o bordel mais antigo de que se tem notícia existiu em Atenas e era administrado pelo Estado, por volta de 550 a. C., segundo o legislador Sólon.
Na Inglaterra do século XIX, a sociedade mais puritana da Europa, havia mais bordéis que em qualquer outro país do mundo.
E bordéis para todos os gostos: para sádicos, masoquistas, fetichistas e bestialistas, especializados em meninos e meninas com menos de quatorze anos, etc, etc.
Desses bordéis todos o mais interessante talvez não tenha sido um bordel mas um clube, o Love Club, de Londres, que inaugurou no fim do século XVIII e sobreviveu até a terceira década do século XIX.
O clube dava aos sócios – homens e mulheres –, mediante uma taxa mensal de cem libras, o direito de comer quem aparecesse por lá.
E eram centenas de sócios.
Recentemente foi leiloado o diário de uma sócia do Love Club.
Nele ela apresenta a lista de 4.959 homens com os quais havia ido para a cama num período de vinte anos: 272 príncipes, 93 rabinos, 439 monges, 288 cidadãos comuns, 2 tios, 119 músicos, 929 oficiais militares, 342 financistas, 420 cavalheiros da sociedade, 117garçons, 12 primos, 47 negros e 1.614 estrangeiros.

BRUXARIA – Prática de satanismo, e aproveito para aconselhar aqueles que ainda acreditam em Satã que não deixem de ler a obra-prima de Stephen Barr chamada The Devil to Pay, bem melhor que 98% dos contos mineiros produzidos desde a Inconfidência Neoclássica contra a Poesia.
Hoje em dia, bruxarias e satanismos são muito apreciados em Los Angeles e San Francisco.
Nos casos amenos pode-se sempre comer a mulher de algum diretor de cinema barrigudinho.
Nos casos mais graves, o freguês acaba tomando Fanta Uva com cianureto em companhia do pastor Jim Jones na Guiana Inglesa.
Mas o negócio já foi mais sério.
Nos séculos XV, XVI e XVII, principalmente, nego se coçava dum jeito meio engraçado e já era considerado bruxo.
Neurótico (sei do cacófato, pombas!) com crise de depressão ou histeria ciclotímica acabava curando essas frescuras na fogueira.
Durante mais de três séculos se espalhou por toda a Europa o culto pagão a Cernanus, o Deus Cornudo.
Aliás, há menos de trinta anos, foi descoberto, debaixo da nave da catedral de Notre Dame, um altar para este tal de Cernanus, que seria o próprio diabo.
Cornudo ou não, comia mulheres pacas, pois era nisto que se resumia a sua “religião”.
Antes da “missa negra” para Cernanus começar, os satanistas se beijavam nas respectivas bundas como forma de cumprimento.
Em seguida o diabo comia todas as mulheres presentes, que descreviam o seu pênis como “enorme e muito gelado”.
Devia ser mais ou menos uma mortadela da Sadia recém-saída do freezer.
Já outros registros dizem que o monjolo satânico era coberto de escamas como um peixe.
Outras vezes o manjubão aparece em forma de forquilha, o que permitia a penetração vagi-anal ao mesmo tempo.
O que eu acho dessas histórias: o sumo sacerdote, malandro, se vestia de diabo e, com a ajuda de um consolador ou dildo tamanho família, comia as maluquetes todas.
Quando acabava, deixava que os demais vagabundos pertencentes à sua seita ficassem com as sobras.
O Malleus Malleficarum, manual do século XV sobre o esporte de caçar bruxas. É incisivo como um dente: “A Bruxaria nasce do desejo carnal que, na mulher é insaciável”.
As bruxas eram ainda responsáveis por todos os casos de impotência, falsa gravidez, onanismo, sodomia, et caterva.
Resultado desta filosofia moderna nascida 1.800 anos depois da morte de Sócrates: entre 1.400 e 1500 nada menos que 80 mil pessoas viraram churrasco nas fogueiras europeias.
A histeria (hister quer dizer útero, em grego)se alastrou até a América do Norte, onde, principalmente na cidade de Salem, queimaram muita gente boa, como Arthur Miller conta direitinho na sua melhor peça, The Crucible, que foi apresentada no Rio de Janeiro no Teatro Copacabana sob a direção de João Bethencourt que, como todos sabem, tem um pacto com o diabo, caso contrário suas peças não fariam tanto sucesso.
A prática do satanismo diminuiu bastante no fim do século XVII, mas reviveu estranhamente no Brasil durante a segunda metade do século XX, onde as bruxas foram confundidas com jornalistas, cantores populares, deputados de oposição e qualquer ser humano que ousasse dizer que militar não é bonito.
Essas pessoas durante algum tempo foram caçadas em redações, bancas de jornais, riocentros e oabês da vida. Caçados à bomba, naturalmente.
Depois, o PFL e o Centrão tomaram o poder e as coisas ficaram piores.

ABC do Fausto Wolff (Parte 7)


BOCETA – Substantivo feminino (ant.). Caixinha de forma oval ou cilíndrica; caixa de rapé.

BUCETA, Carlos (1909-1970) – Despachante aduaneiro uruguaio. Segundo o grande escritor brasileiro Lúcio Cardoso, “se buceta falasse, falaria argentino”. Presume-se que o autor de A Casa Assassinada estivesse querendo dizer que se buceta falasse falaria espanhol com sotaque argentino.
O Sr. Carlos Buceta, despachante aduaneiro, falava espanhol com sotaque uruguaio e era muito gozado pelas crianças brasileiras que passavam pela alfândega uruguaia. A gurizada vivia berrando: “Sr. Buceta, fala um troço aí pra gente ouvir”.

BUSCETA, Tommaso (1924- ) – Mafioso siciliano, atualmente preso nos Estados Unidos. Está entregando o ouro para o FBI. As cinco famílias de New York e toda a máfia siciliana querem o seu couro. Busceta, que conseguiu escapar das polícias americana e italiana, acabou sendo preso pela “competente” polícia de São Paulo, pois viveu no Brasil por muitos anos.
Ao saber disso, seu pai teria lhe dito: “Tu, figlio mio, non sei um Busceta, sei un babaca”.
Quem não souber italiano que vá chupar um prego! Eu disse um prego! Busceta pronuncia-se assim ó: Bucheta e não Busqueta, como decidiu a pudica TV Globo.

BUNDA – Já foi nobre guerreiro angolano. Vocês leram o livro de Alex Halley, Raízes, ou viram a adaptação televisiva? Os descendentes de Halley eram negros mandingas, bravos e orgulhosos, que foram caçados em sua terra natal e vendidos como escravos na América do Norte. Os negros vendidos no Brasil eram os bundas.
Como os bundas foram vendidos e comprados por portugueses que estavam ainda menos interessados na sua história, origem, identidade, cultura, etc., e como os negros bundas tinham as nádegas muito salientes, criou-se a identificação. Os negros bundas eram os que tinham as nádegas salientes e as nádegas salientes passaram a se chamar bundas.
Foram os bundas trabalhadores, cordiais, musicais, fraternos, bem-humorados que levantaram este país chamado Brasil para serem abandonados em 1888 quando a escravidão já não era mais um bom negócio.
Pensem bem: um escravo hoje em dia custaria (casa, comida, roupa lavada) bem mais que um salário-mínimo, não é mesmo? Enfim, os portugueses botaram na bunda dos bundas e os brasileiros brancos e ricos continuam fazendo o mesmo até hoje.
A propósito: os bundas viviam em Angola, onde alguns poucos ainda hoje falam o bundo.

ABC do Fausto Wolff (Parte 8)


BYRON, lorde George (1788-1824) – Este nasceu manco, filho de uma mãe chatíssima e de um pai bêbado e pobre. Teria tudo para ser um desses “deixa que eu chuto” perseguidos por latidos de crianças e pedras de cachorros efedepês, não fora ter recebido – graças à morte providencial de um tio – o título de lorde e mais algumas propriedades.
Com soldi e nobiltá o capengar do bicho passou a ter seu charme e ele mesmo passou a ser considerado um homem bonito graças aos seus poemas românticos, realmente esplêndidos.
O mulherio não deixava o Byron em paz.
Para vocês terem uma ideia, a mulher do primeiro-ministro, lorde Melbourne – o nome dela era lady Caroline Lamb –, escreveu em seu diário: “Esse tal de lorde Byron é louco, ruim e perigoso”.
Vocês acham que depois de chegar a esta conclusão ela se afastou do poetinha? Que nada!
Deu uma punhalada no próprio peito quando viu ele arrastando as asas para outra mulher num baile para aristocracia, cornificação e orquestra.
Eu, pessoalmente, acho que há mais justiça e harmonia quando os poetas comem as mulheres dos políticos que o contrário.
Ponto para Byron, portanto!
A esta altura, porém, Byron já estava literalmente em outra, ou seja, já estava comendo a sua meia-irmã (só por parte de mãe) Augusta Leigh.
Ela era Leigh porque era casada com um tal de Leigh que não se incomodava que o cunhado executasse a sua mulher de vez em quando, entre um e outro poema de amor.
Afinal, o cara era lorde!
Mas a sociedade (que, quando não tem nada mais nada sério para fazer, faz dessas cagadas), exigiu a reparação quando Byron publicou The Bryde of Abydos, um conto onde exalta o amor incestuoso.
A sociedade exigia que Byron se casasse e ele se casou com uma cri-cri chamada Annabella Milbanke que, embora rabelha, tinha muita grana.
Mesmo assim Byron continuou visitando esporadicamente a cama da irmã e acabou tendo uma filha – Medora – com ela.
Foi quando a Annabella resolveu tirar o seu time de campo e deixar Byron numa ilha rodeada por um mar revolto feito de escândalos, porres e credores.
O mancão boa pinta, porém, não se emendou.
Encheu muito a moringa companhia de Shelley na Itália, para onde fugiu, e teve uma pá de amantes e pelo menos um filho bastardo.
De saco cheio com tanto sucesso (seus livros de poemas eram vendidíssimos), lutou ao lado dos gregos contra os turcos e morreu de febre, porra, aos trinta e seis anos de idade!
Viveu pouco, mas incomodou pra cacete!
Leiam Byron, que vocês vão gostar.
Pelo menos Hugo, Musset, Heine, Pushkin, Lermantov e, mais recentemente, Ray Bradbury, gostaram.
Depois saiam mancando por aí numa boa.

CANIBALISMO – O ato de comer carne humana ainda é muito comum entre algumas tribos da África e outras perdidas nos confins da floresta amazônica que nós civilizados ainda não conseguimos exterminar.
No que diz respeito aos negros e aos índios, comer carne humana tinha (tem?) um sentido não só prático, pois matava a fome, mas também religioso, místico: quem comia o coração de um guerreiro corajoso e forte, presumia-se, recebia dele essas virtudes.
Já no caso do homem branco que gosta de comer carne humana, o negócio é mais sério.
Agora tem um troço: se me vendassem os olhos e me dessem pra provar um bife de carne de carneiro e um bife de bunda mole humana bem temperados, eu acho que não notaria a diferença.
Mas eu queria dizer que o homem branco quando come carne de gente geralmente o faz associado à atividade sexual.
O conhecido maníaco sexual Kraft-Ebbing registra, em sua Psychopatia Sexuallis, o caso de um operário cuja tara era comer um pedaço de carne branquinha, de mulher.
Andava pelos parques londrinos atrás de uma vítima da qual cortaria um pedaço de carne para depois comer em casa sossegado, numa boa.
Mas cadê coragem?
O nosso operário, enquanto esperava por ela – a coragem –, cortava pedacinhos dos seus próprios braços e pernas.
Mastigava a sua carninha, fechava os olhos e imaginava que se tratava da carne de uma bela mulher.
Acabava gozando.
Malucão, sofria demais enquanto se cortava, mas o prazer era maior que a dor.
Quando finalmente foi preso num parque, seu corpo apresentava mais de cinquenta cicatrizes.
E, agora, muita atenção, mamães e papais: amores consentidos levam ao canibalismo metafórico, mas amores contrariados podem levar à antropofagia pra valer.
O caso que passo a relatar teve lugar na Escócia, um século antes de Shakespeare escrever o seu Macbeth (teria Macbeth comido Duncan depois de matá-lo?).
O papel de Romeu foi desempenhado por um camponês chamado Sawney Beane e o de Julieta pela jovem filha de um senhor feudal.
Os pais da moça não faziam gosto do casamento dos dois e eles fugiram e se refugiaram numa caverna na costa de Galloway.
Não teriam sobrevivido, caso o moço não tivesse lido a ideia de assaltar os viajantes que passavam pela estrada, quase sempre deserta.
Os corpos das vítimas eram arrastados até a caverna onde, depois de assa dos, eram devidamente devorados.
Esta dieta manteve o casal em excelentes condições físicas.
Tão excelentes, aliás, que tiveram oito filhos, que herdaram dos pais o gosto pela carne humana.
Os filhos tiveram filhos e durante gerações a família canibal viveu muito feliz até o dia em que todos foram capturados e seus corpos, os das criancinhas inclusive, rasgados na praça central de Edimburgo.
Um detalhe interessante: na caverna, além de centenas de esqueletos, foram encontrados dinheiro e jóias dos viajantes.
Coisas que, logicamente, não tinham a menor utilidade para o clã, pois que a carne de sua preferência eles não podiam comprar.
Como vocês vêem, o dinheiro não compra tudo.
O homem moderno – tirante os taradões – não pratica a antropofagia ou canibalismo por vários motivos religiosos, éticos, legais, etc. E, principalmente, porque o produto enlatado ainda não é encontrável nos supermercados.
Paro por aqui, pois não me aguento mais de fome!

CASTIDADE, Cinto de – Aparentemente inventado por um corno cansado de ser como. Consiste de um cinto (com uma fechadura) ao qual são coligadas placas de metal que tapam a vagina e o ânus da usuária. Essas placas têm buracos suficientemente largos para sair o pipi e, eventualmente, o cocô, mas não suficientemente largos para a entrada de um pênis.
Sempre achei esta história de cintos de castidade meio mal contada.
Ora, desde os antigos egípcios que o cobre, pelo menos, já era conhecidíssimo e com ele se poderiam fazer excelentes cintos de castidade.
Porque, então, o gadget só foi aparecer lá pelo fim do século XVI?
Será que antes disso o mulherio não ornamentava a testa dos maridos?
Prefiro acreditar que os maridos simplesmente estavam se lixando, pois o moralismo só se tornou violento mesmo na Inglaterra do século XIX.
Observei, entretanto, que o cinto de castidade fez sua entrada triunfal na mesma época das grandes navegações, época também em que a gonorréia e a sífilis matavam mais gente que o AIDS hoje em dia.
Vai daí que o bravo guerreiro botava o cinto na mulher e ia para suas batalhas certo de que nenhum cara passaria gonorréia nela. Isto penso eu.
A literatura erótica, entretanto, insiste que os cintos de castidade não tinham como propósito salvar a piroca do marido, mas a sua testa.
A piada mais antiga a este respeito é a de um cavaleiro que vai para a guerra e deixa a chave do cinto de castidade da sua mulher com seu melhor amigo.
Mal cavalga alguns quilômetros quando foi alcançado pelo “amigo”: “Rapaz, me deste a chave errada!”
A história verdadeira mais engraçada sobre o assunto aconteceu na França em 1934.
Henri Littière era um padeiro casado com uma bela mulher que tinha defeito de ter fogo no rabo.
Ele vivia de olho na galinha, mas ainda assim ela deu um jeito de corneá-lo quatro vezes em menos de oito meses.
Por mais que Henri lhe aplicasse uns justos corretivos, ela não se emendava.
Um dia, passeando pelo Museu Cluny, em Paris, o padeiro viu o cinto de castidade que Henrique IV da França havia mandado fazer para a sua amante, a marquesa Catherine Henriette de Balzac D’Entragues (1579-1633).
Com ajuda de um ortopedista, de um ferreiro e de um chaveiro, Henri acabou dando de presente o cinto para a mulher.
Chaveou o cadeado direitinho e foi para a padaria.
Algumas horas depois um velho amante de mme. Littière aparece na casa para dar uma bimbada.
Tira a roupa da fogueteira e descobre o cinto.
Sai de lá direto para a polícia, onde denuncia o padeiro, acusando-o de maus-tratos para com a mulher.
Intimado, Henri comparece diante do juiz que já está pronto para condenado por crueldade quando mme. Litièrre confessa: “Não adianta, seu juiz, sem cinto de castidade eu dou mesmo!”
A História não registra nenhum caso de mordaça de castidade, mas informa que, como hoje, o coito oral era muito difundido no século XVI e subsequentes.
Quem quiser encomendar um cinto, escreva para David Renwick, Sheffield, Inglaterra.
Verdadeiras obras de arte em ferro batido, feitas à mão.
Três anos atrás custavam 80 dólares a unidade.