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quinta-feira, julho 19, 2018

Chico Anysio, o melhor humorista do Brasil


O humorista Chico Anysio, de 80 anos, morreu na tarde do dia 23 de março de 2012, no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, onde estava internado. O ator sofreu duas paradas cardíacas após sofrer falência múltipla dos órgãos e não resistiu.

Chico Anysio estava internado desde dezembro de 2011, quando apresentou um sangramento intestinal. Ele chegou a receber alta, mas um dia depois foi internado novamente, onde permaneceu sob cuidados médicos até entrar em óbito.

Durante todo o tempo em que esteve internado, sua mulher, Malga di Paula, deu informações sobre o estado de saúde para fãs e admiradores. Durante esse período, Chico foi submetido a uma laparotomia exploradora, que retirou um segmento de seu intestino delgado.


No final de 2010, ele foi levado ao mesmo hospital com falta de ar, e ficou internado por 110 dias, sendo liberado em março de 2011. Após ser detectada uma obstrução da artéria coronariana, ele passou por uma angioplastia, procedimento para desobstrução de artérias.

O comediante foi novamente internado no início de novembro com fortes dores nas costas. No fim daquele mês, foi descoberta uma contaminação por fungos, que foi tratada com antibióticos.

No começo de dezembro de 2011, Chico voltou a ser internado, desta vez com infecção urinária. A internação durou 22 dias. O humorista voltou para o hospital no dia 22 de dezembro, vindo a falecer três meses depois.

Chico Anysio nasceu em Maranguape, no Ceará, no dia 12 de abril de 1931. Ele se mudou com sua família para o Rio de Janeiro quando tinha seis anos de idade.


Iniciou a carreira na Rádio Guanabara, onde exercia várias funções, desde radioator até comentarista de futebol. Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava em filmes da Atlântida Cinematográfica.

Em 1957 estreou na TV Rio o Noite de Gala. Em 1959, estreou o programa Só Tem Tantã, mais tarde chamado de Chico Total.

Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, TV e cinema, sempre com humor inteligente, Chico se aventurou no jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções como Hino ao Músico e Rancho da Praça XI.

O humorista estava na Rede Globo desde 1968 onde se destacou em programas como Escolinha do Professor Raimundo e Chico City.

Sua galeria de personagens conta com mais de duzentos tipos consagrados na televisão, como o Professor Raimundo, Alberto Roberto, Coronel Limoeiro, Qüem-Qüem, Bozó, Painho, Paulo Brasilis, Pantaleão, Bento Carneiro, Divino, Tim Tones, Nazareno, Preto Velho, Salomé, Coalhada e tantos outros.


Suas últimas participações na emissora foram em 2009 no especial Chico e Amigos e no Zorra Total, em 2010. Pouco tempo depois de receber alta, Chico se apresentou ao lado de Tom Cavalcanti o show Chico.Tom.

“Ainda estou muito debilitado. Para mim, o mês de agosto não passou, fui eu que passei por agosto. Tem três coisas que me deixam muito triste. A principal é não poder andar. Mas, se Deus quiser, até mês que vem já posso fazer isso. Vou começar a fisioterapia agora”, disse Chico antes da apresentação.

Em entrevista à jornalista Maria Beltrão, do programa Estúdio I, da Globo News, Agildo Ribeiro e Jô Soares falaram sobre como era o grande amigo.

“É o chamado luto nacional, o Brasil está mais triste, sem perspectiva de alegria. Morre um herói nacional, um combatente, um homem que lutou até o fim. Estou com meu coração arrebentado, dilacerado, de tanto que amava esse homem. Fiquei doido quando ele disse que eu era o maior humorista nacional”, declarou Agildo Ribeiro, que interpretou o personagem Andorinha, na Escolinha do Professor Raimundo.


“Acho que o Brasil inteiro estava pendurado nessa terrível agonia do Chico. Me lembra a agonia que o país passou com o Tancredo, foi grande ídolo nacional. Espero que ele não tenha sofrido, que tenha passado sem sofrer muito. Tem uma frase que diz que ninguém é insubstituível, mas o Chico é. Foi um grande criador, um dos grandes atores do mundo. Dirigi espetáculo dele onde aprendi demais. Ele sempre pegava a gente de surpresa com cada personagem”, diz Jô Soares.

“Trabalhar com ele na Escolinha era mais que trabalho, foi um aprendizado. Não que ele focasse ensinando, mas via nas suas pequenas reações. Foi importantíssimo para todos nós. Ele criou oportunidade para que uma nova geração confrontasse com a velha geração de comediantes. Aprendemos muito, foi um homem raro. Mais que comediante e ator, foi um homem importante para a história do Brasil”, falou David Pinheiro, que fez Sambarilove na Escolinha.

“A gente se conheceu há 50 anos. O Chico é um dos fenômenos humanos que não se repetem na vida da gente. Nunca mais vai ter um Pelé no futebol e nem outro Chico Anysio. Nenhum ator conseguiu fazer a quantidade de personagens que ele fazia. Ele era muito generoso, levava todos os artistas para os programas dele. A Escolinha do Professor Raimundo era para ajudar um monte de atores e prolongar a vida artística deles. Eu que fazia todos os cartazes de peças dele e as capas de livro. Sempre achei um absurdo não homenagearmos o Chico. Vou torcer muito para ele não ser esquecido. Vamos esperar que ele esteja em paz, pois foi muito tormentoso o fim dele”, declarou o escritor Ziraldo.


Ele foi casado com a atriz Nancy Wanderley, com quem teve o filho Lug de Paula, ex-marido de Heloísa Perissé e intérprete do Seu Boneco da “Escolinha do Professor Raimundo”. Lug nasceu em 1957.

Anos depois, Chico Anysio casou com a vedete Rose Rondelli. Quando Chico se uniu a Rose, ela já tinha o filho Duda, do casamento com Carlos Gil. Chico adotou Duda como filho.

Depois, Rose e Chico tiveram dois rebentos. O primeiro nasceu em 1964 e é Nizo Neto, ator, dublador e mágico. Entre os trabalhos mais famosos de Nizo, estão o Seu Pitolomeu da “Escolinha do Professor Raimundo”, e a voz de Ferris Bueller (Matthew Broderick) na dublagem de “Curtindo a Vida Adoidado” (1986).

O outro filho desse casamento é Rico Rondelli, hoje diretor de TV.

No final dos anos 1960, Chico adotou André Lucas, hoje comediante teatral e último empresário do próprio pai.


Chico e a atriz Alcione Mazzeo viveram juntos nos anos 70. O filho do casal é o hoje célebre Bruno Mazzeo, humorista, redator, apresentador. Com o programa de TV e filme “Cilada”, Bruno tornou-se ainda mais famoso. Bruno nasceu em 1977.

A atriz e cantora Regina Chaves fez parte do grupo As Frenéticas, que esteve no auge no Brasil entre 1977 e 1983. Em 1981, Regina deixou a banda e se casou com Chico, com quem teve Cícero Chaves, nascido em 1983, hoje DJ profissional, envolvido com produção de música eletrônica.


A economista Zélia Cardoso de Mello, ex-ministra da Economia do Governo Collor, se casou com Chico no início dos 90. Eles tiveram dois filhos: Rodrigo e Vitória. Zélia e seus filhos vivem hoje nos EUA.

A empresária Malga de Paula foi a última esposa de Chico e a única com quem o humorista não teve filhos. Eles viveram juntos por 14 anos.


Chico teve três irmãos artistas: o compositor Helano de Paula, o cineasta Zelito Viana – pai do ator Marcos Palmeira – e a atriz Lupe Gigliotti, falecida em dezembro de 2011.

Lupe é mãe da atriz e diretora Cininha de Paula.

Cininha, por sua vez, foi casada com o ator e diretor Wolf Maya, com quem teve a filha Maria Maya, também atriz.



Em vida, Chico Anysio assumiu a identidade de dezenas de personagens e ancorou programas inesquecíveis. Nas suas contas, foram 209 personagens, alguns para outros atores – caso do inesquecível Primo Rico, com Paulo Gracindo, em dueto com Brandão Filho, o Primo Pobre. Vamos recordar alguns deles:
Bento Carneiro – O vampiro brasileiro, de sotaque interiorano, se apresentava como “aquele que vem do aquém do além, adonde que véve os mortos”, mas não assustava ninguém. Bordão: “Vampiro brasileiro... pzztt!”.
Hilário – Médico que tem por hábito fazer perguntas constrangedoras.
Alberto Roberto – Galã e âncora de um talk show, se considera um símbolo sexual. Sua marca é uma touca de renda na cabeça. Bordão: “Não garavo”.
Nazareno – Funcionário público que trata mal a mulher por ela ser muito feia. Bordões: “Ca-la-da!”; “Isso não é mulher”.
Popó – Apolônio Trunfas de Pandolé e Pandolé é um museólogo aposentado e ranzinza que diz ter 364 anos. Arrancava gargalhadas devido às brigas com seu amigo Alpamerindo. Bordão: “Alpamerindo, você é idiota. Você é iiidiota!”.

Coalhada – Jogador de futebol estrábico, de bigode e cabelos encaracolados. Apesar de jogar mal, se considera um craque.



Divino – Guia espiritual, líder de uma “seita religiosa”. Dá preferência às mulheres em suas consultas. 
Salomé – Personagem gaúcha ficou famosa por conversar intimamente com o presidente Figueiredo. Bordão: “Eu faço a cabeça do João Batista ou não me chamo Salomé”. 
Urubulino – Sujeito pessimista e agourento, que sempre acredita que tudo dará errado.
Idalino ou Fumaça – Português e vascaíno, dono de um boteco, conhecido pelo nervosismo. Tem o bordão “Tatata tarariu!”.
Gastão Franco – Homem rico e extremamente pão-duro. 
Painho – Pai de santo homossexual que lê os búzios para baianos ilustres.
Pantaleão – Com visual inspirado em Dom Pedro II, o personagem aposentado vivia em sua cadeira de balanço a contar histórias falsas. Bordão: “É mentira, Terta?”.
Bozó – Diz que trabalha na TV Globo como “diretor-gerente” e usa um crachá para tentar provar. 

Professor Raimundo – O famoso personagem retratava as decepções e as esperanças de um professor brasileiro mal remunerado. Bordão: “E o salário, ó!”.
Haroldo – Personal trainer que tenta convencer todo mundo de que não é homossexual. 
Tim Tones – Personagem era paródia de psicopata fanático religioso. Só queria se dar bem às custas dos fiéis. Bordão: “Que a paz de Tim Tones esteja em todos os lares”.
Justo Veríssimo – Político corrupto que não suporta pobres. Bordão: “Quero que pobre se exploda!”.
Azambuja – Trambiqueiro carioca e ex-jogador de time de futebol. Famoso pelas trapaças em parceria de seu colega Linguiça. Bordão: “Tô contigo e não abro
Baiano – O personagem era uma sátira do cantor Caetano Veloso em sua época de integrante do grupo Novos Baianos. Bordão: “Legal... Tô numa boa. Tá sabendo, Paulinho?”.

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