Pesquisar este blog

sábado, fevereiro 20, 2010

A Evolução do Ensino da Aritmética


Via e-mail, o produtor cultural Julio César Costa envia esse texto de humor que também serve de reflexão.

Extrapolando o exemplo do ensino de Aritmética para o do ensino de Português, chegamos às razões do problema cavernoso que tem tirado o sono do Magal nos últimos tempos. Curtam:

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...

Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional, antes de iniciar as aulas.

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas.

A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00. O cálculo está correto?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2010 vai ser assim:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.

Isso é um bundão ou um cara forte?

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Boca livre no Espaço Cultural Valer


O programa Literatura em Foco completa dez anos ininterruptos de transmissão pelo AmazonSat.

Esta vitória será comemorada com um café da manhã nesse sábado, dia 20, às 9h, na Livraria Valer – Av. Ramos Ferreira, 1195, Centro.

O programa apresenta ao mundo uma amostragem representativa da produção literária regional, tendo como principal item a inserção de autores que produzem história, prosa, poesia, contos e qualidades literárias capazes de assegurar sua importância no cenário local e nacional.

Ao escritor Abrahim Baze, âncora do programa, as felicitações do mocó.

O bailarino das palavras e a dançarina caiapó


A dança do carimbó foi introduzida no Pará por ex-escravos maranhenses que se estabeleceram em uma região nas proximidades de Belém, batizada de zona do Salgado, que hoje compreende os municípios de Marapanim, Curuçá e Algodoal.

O nome da dança vem do nome do tambor de troncos de árvore e couro de gato com o qual se marca o ritmo. Em tupi, o instrumento se chamava curimbó, mas foi abrasileirado para carimbó.

A dança não difere muito das quadrilhas tradicionais. Quando começa a música, uma fila de homens se dirige ao encontro de uma fila de mulheres, que também vai de encontro aos homens e, na hora do encontro entre as duas filas, os homens batem palmas.


Formam-se os casais. Num movimento de rotação e translação, os casais se agrupam num grande círculo, com todos de mão dadas. Aí, começa a esculhambação propriamente dita.

Soltando as mãos dos machos, as mulheres vão para o salão, rodopiam suas saias rendadas e, segurando a barra da saia, jogam em cima dos machos (na parte de baixo das saias, elas usam uma espécie de bermuda ou short de lycra).

As mais atrevidas chegam a cobrir o parceiro com a saia rendada e depois dão marcha a ré, sempre girando no seu próprio centro. Pense numa “gira de umbanda”. É por aí mesmo.

No meio do agito, um casal vai para o centro do salão e faz um número solo, intitulado de “dança do peru” (não, não é isso que vocês estão pensando).

O parceiro da dama é obrigado a apanhar com a boca, sem deixar de dançar, isto é, sem parar de girar sobre o seu próprio centro de gravidade, um lenço que a vadia deixou cair no chão.

Caso o sujeito não consiga executar tal proeza sua companheira atira-lhe a barra da saia no rosto e ele é forçado a abandonar a dança, debaixo de vaias dos outros casais. Caso consiga, é aplaudido e indica outro sujeito para tentar a façanha.


Há alguns anos, o artista plástico Inácio Evangelista foi passar as férias em Belém do Pará e aproveitou para conhecer o Festival de Carimbó de Marapanim, realizado em novembro.

Acompanhado de sua irmã, ele dirigiu-se ao Barracão das Tradições e ocupou uma das mesas do Restaurante da Paróquia, onde o festival de gastronomia inclui a apresentação de grupos locais de carimbó de raiz.

Ele estava sentado em uma mesa exatamente na borda do salão, quando uma fogosa dançarina, provavelmente da etnia caiapó, se aproximou dele, rodopiando alegremente, segurou a barra da saia e jogou a saia sobre ele, encobrindo-o totalmente.

A caiapó estava nua em pelo.

Com extrema presença de espírito, Evangelista passou sua língua de camaleão, de baixo pra cima, no pacurau da dançarina, que retornou para o salão quase em estado de choque.

A caiapó continuou dançando com seu parceiro e, depois de alguns minutos, repetiu a brincadeira com o artista plástico amazonense.

Dessa vez, Evangelista segurou a índia pela cintura e enfiou sua língua na caverna do dragão, demorando quase um minuto. A caiapó quase chegou ao orgasmo.

Ela conseguiu se desvencilhar do artista e retornar para o salão, onde seu parceiro iniciava a dança do peru.

Aparentemente, ninguém dentro do restaurante havia percebido o que estava acontecendo.


Assim que a dança terminou, Inácio Evangelista convidou a fogosa caiapó para lhe fazer companhia.

A menina, que ainda estava meio abalada com aquele inesperado beijo francês desferido pelo artista plástico, aceitou o convite com certa relutância.

– Escuta aqui, minha filha, todo mundo dança carimbó sem calcinha?... – quis saber Inácio.

– Não, só as dançarinas que são filhas de guerreiros. É para manter a tradição dos indiosdescendentes! – explicou a menina, timidamente.

– Interessante. Eu também sou indiodescendente, mas ainda uso cueca... – avisou Evangelista.

– Você é indiodescendente? De que tribo? – espantou-se a menina.

– Dos temidos papakus, que habitam o nordeste do Amazonas! – explicou Evangelista. “Por enquanto eu ainda sou um papakuzinho, mas depois que fizer o ritual de iniciação da dança do macaco aranha, vou me transformar em um respeitado papakuzão...”

A caiapó estava encantada com aquela conversa fiada. Evangelista foi em frente:

– Lá em Manaus, eu estou organizando o MRI, a sigla do Movimento pela Reparação aos Indiodescendentes. Logo faremos o nosso primeiro congresso. Na última reunião preparatória, os guerreiros e guerreiras me perguntaram se não devemos portar alguns instrumentos de luta, alguma coisa ligada às nossas tradições. Claro que sim, garanti! Escolhi o cartão de crédito. Cada indiodescentente deve ter um cartão de crédito.

– Ah, mas isso não é tipicamente indígena! – devolveu a menina.

– Como não? Provo pra você, com a ajuda da Funai e da Polícia Federal. Esses dois órgãos não sustentam que o facão é parte da cultura dos caiapós? Isso significa que, quando os portugueses aportaram por aqui, os silvícolas indomáveis já se dedicavam à fundição de metais, certo? Então, por que o meu cartão de crédito, que abre todas as portas, não pode ser considerado tão autêntico quanto um facão caiapó?...


Ele disse isso enquanto estendia o cartão de crédito ao garçom para o pagamento da despesa no restaurante.

A caiapó estava completamente bestificada. Inteligente daquele jeito, o papakuzinho só podia ser São Sumé em pessoa, o grande “mair” tupi (“grande feiticeiro branco e barbado”).

Enquanto assinava a fatura do cartão de crédito sem sequer conferir a conta - provavelmente para impressionar a caiapó -, Inácio Evangelista continuava deitando falação:

– Nós, os índios, somos uma gente muito avançada. Quando os caraíbas chegaram ao litoral brasileiro, a indiarada já voava pela floresta usando o cipó voador, como nos filmes do Tarzan. A Amazônia era atravessada em poucos dias, bastava fazer baldeação e trocar de cipó. Funcionava mais pontualmente que o metrô de São Paulo. Quando o índio estava de saco cheio, enfadado ou deprimido, não usava cocaína como caraíba. Bastava lamber um bom sapo alucinógeno ou o pacurau de uma indiazinha entrando na puberdade. Agora, tudo ficou tumultuado, neste nosso país. Tem petralhas demais, tem missionários demais, tem ongs demais, tem roubo demais em Brasília. Acho que precisamos fazer como o Hans Staden observou e voltar a comer alguns caraíbas assados no espeto. Proteína nunca é demais e ainda nos livraríamos de muitos corruptos. Você não acha?...

A caiapó assentiu com a cabeça, rindo nervosamente.

Inácio Evangelista se despediu da irmã, chamou um táxi, embarcou junto com a caiapó e, na mesma noite, o papakuzinho fez mais uma vítima.

Sem contar que foi na base do 0800, já que indiodescendentes não cobram entre si pelos serviços sexuais prestados.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Caipirinha de lima-da-Pérsia? No, thanks...


Luiz Alberto, Alberto Castelo Branco, Sergio Bastos e eu, durante um dos aniversários da Saga Publicidade

Dezembro de 1992. Empolgado com o sucesso que o nosso outdoor “Ecologists, go home!” havia feito na Eco-92, o empresário Valdo Garcia, dono da agência G&F Comunicações, resolveu enviar eu e Sergio Bastos para participar de um seminário internacional de publicidade e propaganada, que iria acontecer no hotel Rio Othon Palace, na Cidade Maravilhosa.

A estrela do seminário era o publicitário inglês David Ogilvy, considerado o melhor redator publicitário de todos os tempos e o “pai da propaganda moderna”, mas também havia uma constelação de publicitários brasileiros que seriam palestrantes, como Washington Olivetto, Roberto Duailibi, Nizan Guanaes, Marcelo Serpa, Lula Vieira e Alexandre Gama.

Seriam três dias de seminário, de quinta-feira a sábado. O credenciamento seria feito a partir do meio-dia de quinta feira.

Quando eu e Sergio fomos deixados no aeroporto Eduardo Gomes por um carro da agência, a primeira presepada: algum funcionário, inadvertidamente, havia colocado a minha mochila no carro do Valdo Garcia, porque ele supostamente havia dito que iria me deixar no aeroporto. Só que, de repente, o Valdo mudou de idéia e o funcionário esqueceu da minha mochila.

Viajei apenas com a roupa do corpo – e isso porque havia colocado o bilhete de passagem e a carteira de identidade no bolso de uma jaqueta de couro, comprada exclusivamente para enfrentar as madrugadas cariocas. Minha carteira porta-cédulas com o adiantamento para a viagem havia ficado dentro da mochila.


Chegamos ao Rio Othon Palace por volta das 14h e nova presepada: a data do seminário havia sido mudada. O credenciamento seria na sexta-feira e o seminário iria se estender até domingo.

Serjão, que não pisava na sua terra natal há 15 anos, resolveu aproveitar aquela quinta-feira livre pra botar no toco.

De cara, ele foi até uma agência bancária e tirou o seu salário integral (algo, hoje, em torno de R$ 8 mil). Ele me emprestou a metade da grana e guardou a outra metade.

Do banco, fomos até uma loja Sears. Comprei calças, camisas, camisetas, tênis e uma nova mochila.

De lá, ele resolveu me levar até sua antiga agência, a Contemporânea, ali nas imediações da Cinelândia. Os caras fizeram uma festa com a presença do Sergio.

No subsolo do prédio onde fica a agência, funciona um restaurante frequentado pelos publicitários, que depois do expediente se transforma em um ruidoso botequim. Depois de meia-hora conversando com o pessoal da Contemporânea, descemos para o restaurante.

Em vez de almoçar, Serjão já pediu logo uma jarra de caipirinha de lima-da-Pérsia, considerada por ele a “melhor batida do país”. Eram 16h.

Resolvi acompanhá-lo na aventura sabendo de antemão que por volta das 18h nós dois estaríamos fora de combate.

Ingerir bebida destilada de estômago seco é convite certo para nocaute técnico. Não deu outra.

Depois de quatro jarras de caipirinha de lima-da-Pérsia, o Serjão já estava filosofando em alemão. Pagamos a conta e voltamos pro hotel.

Calculei que se a gente tirasse uma soneca, por volta das 21h estaríamos de novo prontos pra fuzarca. Sergio não quis nem saber e começou a detonar as bebidas que haviam no frigobar. Quando elas acabaram, ele desceu para o lobby do hotel.

Liguei para o Antonio Paulo Graça, que estava na cidade fazendo seu doutoramento em Literatura na UFRJ, e combinamos de nos encontrar às 21h.

Pedi pra ele avisar o músico Rui de Carvalho de que eu estava na cidade. Depois, fui dormir.

Acordei com o Paulinho interfonando da portaria. Tomei um banho rápido, coloquei a jaqueta de couro e desci. A gente estava conversando no lobby do hotel, quando o Serjão apareceu pra lá de Marrakesh.

Ele havia alugado um carro da Localiza e queria nos levar até o bar da Contemporânea pra gente “pegar umas putas”.

Vendo ele naquele estado, Paulinho foi direto na jugular:

– Serjão, há quanto tempo você não dirige no Rio de Janeiro? – questionou.

– Ah, desde que fui embora, há uns quinze anos. Por que? – devolveu Sergio.

– Bicho, então é melhor a gente ir de táxi. Eu morei aqui durante três anos, passei dois anos em Manaus e voltei pra cá esse ano. Nesse meio tempo, metade das ruas mudaram de direção. Esse trânsito carioca está um verdadeiro inferno! – explicou Paulinho.

– Porra, professor, deixa comigo que eu me garanto. Não sou nenhum mané não! – avisou Sergio, já ficando meio injuriado.

Ficamos ali, naquele impasse. Paulinho achando que a gente ia se ferrar, Sergio afirmando que se garantia, e eu dividido entre os dois.

É claro que confiava mais nas ponderações do Paulo do que nos argumentos do Sergio, que estava totalmente louco. Mas, porra, o cara havia me emprestado a grana. Não dava pra eu largá-lo daquele jeito, sem mais nem menos.

Convenci o Paulinho a dar uma chance pro piloto tarimbado. Na primeira fuleiragem, a gente abandonava ele e ia embora de táxi. Cabreiríssimo, Paulinho aceitou o desafio.


Pra gente ir de Copacabana, aonde fica o Othon Palace, ao centro, onde fica a Cinelândia, foram duas horas de sufoco.

Na maioria das vezes, a gente entrava na contra-mão e era um pára pra acertar até conseguirmos pegar a mão correta – sem contar os xingamentos dos motoristas vindos no sentido contrário.

Quando uma carreta de três eixos a 100km/h passou em sentido contrário tirando fino do nosso lado direito, avisei pro Sergio que a brincadeira já tinha ido longe demais.

Ele parou o carro pra eu e Paulinho descer, mas de repente seu rosto se iluminou:

– O prédio da Contempoânea é aquele ali! Me esperem lá, que eu vou só estacionar o carro...

Reconheci o edifício, que estava a uns 100 metros de distância. Eu e Paulinho nos dirigimos para lá.

Serjão parou o trânsito da avenida Rio Branco manobrando no meio da rua para colocar o carro no sentido correto. Coisa de maluco!

Dali a uns 20 minutos, ele se juntou a nós e descemos para o porão onde era servida a famosa caipirinha de lima-da-Pérsia.

Os criativos da agência estavam aguardando ele em uma mesa gigantesca sem disfarçarem a apreensão pela demora.

Nova festa de confraternização. O sacana era mesmo muito querido pelos sujeitos.

Serjão apresentou o Antonio Paulo Graça para a galera como “o maior intelectual do Amazonas de todos os tempos”, o que não estava muito longe da verdade.

Ficamos bebendo com eles, eu, acompanhando o Serjão na caipirinha de lima-da-Pérsia, o Paulinho indo de chope.

Lá pelas tantas, um garçom se aproximou e nos entregou um novo cardápio. Era um fantástico book de meninas de programa, cada uma mais bonita do que a outra.

Duzentas pilas o programa completo, incluindo o apartamento. Elas apanhavam o sujeito no local, levavam pra transar e depois devolviam em casa.

Serviço garantido, sem aprontação, porque todas elas eram registradas no boteco.

O Paulinho escolheu uma ruiva e eu, uma morena cor de jambo, mas antes que acionássemos o garçom para chamar as duas lias, ele se lembrou que o Rui de Carvalho estava nos esperando no Bar Diagonal, no Leblon.

Avisei pro Sergio que ia puxar o carro. Empolgado com a bajulação dos velhos camaradas, ele apenas enfiou uma das mãos na minha jaqueta - provavelmente para não cair – e me deu um beijo na testa.

O sacana estava deixando de filosofar em alemão para se converter em dirigente de PC soviético, única explicação para aquele beijo despropositado.


Eu e Paulinho pegamos um táxi e fomos para o Diagonal. Devia ser quase meia-noite. O Rui de Carvalho estava nos esperando desde as 21h, puto da vida, achando que a gente havia dado bolo. Ficou feliz em nos ver.

Nos apresentou para vários músicos, poetas, professores universitários, meninas gostosíssimas sonhando em ser atrizes, enfim, para a fauna que frequenta aquele tipo de bar. Bebemos até umas três da madrugada e combinamos de nos encontrar na noite seguinte.

Aí, peguei um táxi e fui deixar o Paulinho em casa, lá em Botafogo, depois retornei pro hotel. Nem sombra do Sérgio.

Por volta das 10h da manhã de sexta-feira, toca o telefone do quarto. Eu estava no melhor do sono, mas resolvi atender.

Do outro lado da linha, a voz cavernosa do Sergio:

– Bicho, ontem à noite eu fiz a maior merda aí no hotel. Se eu aparecer aí, é capaz de o gerente querer me dar porrada...

– Você está aonde? – indaguei.

– Em um motel, aqui na Barra... – explicou o Sergio.

– Puta que pariu, bicho, o que qui você foi fazer do outro lado da cidade? – perguntei, mas antes de ele responder já dei a dica:

– Faz o seguinte. Vem pra cá agora, que o gerente da noite já se mandou. O gerente do turno da manhã não te conhece. Entra na maior cara de pau, pega o elevador e sobe, que eu vou deixar a porta do quarto aberta.

Dali a meia-hora, o Sergio entrou no apartamento visivelmente deprimido.

Daí a pouco, sem dizer nada, começou a arrumar suas coisas. Estranhei.

– Porra, bicho, que merda foi que aconteceu?... – insisti.

Ele parou a arrumação, se sentou na beira da cama e abriu o jogo.


– Cara, a gente parou de beber por volta das 3h da manhã. Eu estava voltando pro hotel, quando vi no calçadão de Copacabana uma mulata sestrosa que era o teu estilo. Dois metros de altura, sapato plataforma de 15 centímetros, uma saia curtíssima, bundão empinado, de lábios vermelhos, sombra roxa, camisa amarrada na cintura mal cobrindo os dois melões. Resolvi contratar ela pra te dar de presente.

A mulata chamou uma amiga pra ficar comigo. Quando cheguei no hotel, o gerente impediu elas duas de subirem pro quarto. Começou a se arretar comigo, dizendo que aquilo era um hotel de respeito, que não aceitavam mulheres de programa, essas coisas. As meninas não abriram a boca.

Levei elas duas pra um dos bares que ainda estavam funcionando. Quando a tua mulata se sentou no estofado, a saia dela subiu até a altura do umbigo. Os gringos que estavam lá ficaram pirados. O garçom trouxe uma rodada dupla de chopes.

Pedi um suflê de camarão para as minhas duas convidadas, que estavam brocadas, e o garçom falou que o restaurante já estava fechado. Entrei na cozinha do restaurante, coloquei o chapéu de mestre-cuca e comecei a preparar o suflê. O gerente chamou os seguranças e me expulsaram de lá. Resolvi não pagar a conta. Deu a maior confusão.

Peguei minhas duas convidadas, coloquei no carro e levei pra um motel da Barra. Elas jantaram, beberam, me comeram, fizeram tudo a que tinha direito. A grana que eu ainda tinha no bolso só deu pra pagar a despesa do motel. Elas queriam 100 pilas, 50 pra cada uma porque me disseram que tinha sido uma foda completa. Disso eu não me lembro.

Passei num caixa eletrônico, minha conta estava sem saldo. A tua negona ficou injuriada, puxou uma gilete e quis me cortar. A gente estava naquela confusão, quando passou uma rádio-patrulha.

Mostrei pros policiais meu cartão de hospedagem no Othon Palace, expliquei que as vadias haviam me roubado até os documentos e que eu estava sem um puto para telefonar pro meu chefe – você, claro! – para contar o que estava acontecendo. Os policiais levaram as duas vadias para averiguações, pediram desculpas pelo ocorrido e me deram duas fichas de orelhão. Foi com elas que te liguei...

Pra mim, aquela história era totalmente surrealista.

– E o que qui você vai fazer? – perguntei.

– Vou me mandar agora pra Manaus. Eu não estou me sentindo bem. Não quero nem pensar no que vai acontecer quando eu contar pra Marilda que meu salário de dezembro se evaporou... – explicou ele, tristemente.

Convenci ele a subir comigo pra piscina na cobertura do hotel e a comer alguma coisa, antes de viajar. O filho da puta estava há 24 horas se alimentando exclusivamente de caipirinha de lima-da-Pérsia, só podia dar naquilo mesmo.

Ele mal provou o polvo com brocólis que eu havia pedido pra nós dois. Se despediu apressadamente e me deixou jiboiando na piscina.

Liguei pro Antonio Paulo Graça, relatando o ocorrido.

À tarde, peguei a minha credencial e a do Sergio, o riquíssimo material do seminário e fui assistir a palestra do David Ogilvy, a única que realmente me interessava.


Anotei os dez pontos básicos que ele abordou e exemplificou com maestria, que continuam mais atuais do que nunca:

Na publicidade, o que você diz é mais importante do que como você diz.

Na publicidade, quanto mais informativo, mais persuasivo.

O consumidor não é tolo. Ele é sua esposa. Não insulte sua inteligência.

Nunca pare de testar suas idéias e sua publicidade nunca deixará de se aprimorar.

Nunca escreva um anúncio que você não gostaria que sua família visse. Você não mentiria para sua própria esposa. Não minta para a minha.

Na era moderna dos negócios, é inútil ser criativo ao menos que você saiba vender o que você cria.

Se você está tentando persuadir pessoas a fazer algo ou comprar alguma coisa, me parece que você deveria usar a linguagem delas, a linguagem que elas usam no dia-a-dia.

É preciso uma grande idéia para atrair a atenção de consumidores e fazê-los comprar seus produtos. Ao menos que a publicidade contenha uma grande idéia, ela passará como um navio na noite. Duvido que mais de uma campanha entre 100 contenha alguma grande idéia.

O segredo de uma vida longa é uma carreira dupla. Uma para você realizar até os 60 anos e outra para os próximos 30.

A publicidade reflete os costumes da sociedade, mas não os influencia. Pense sempre nisso antes de querer inventar alguma coisa “revolucionária”.

Naquela mesma noite, o Antonio Paulo Graça passou no hotel e expliquei a situação esdrúxula em que estava envolvido pela ausência do meu parceiro.

Ele me aconselhou a fechar a conta no Othon Palace e ficar hospedado na casa dele. Foi o que fiz.

As despesas do quarto foram debitadas do pagamento antecipado das diárias. Me devolveram umas 500 pilas, porque estavam na estação de alta temporada. Aquilo era o suficiente para a gente beber sem se preocupar durante dois dias.

Fomos nos encontrar com o Rui de Carvalho no Bar Diagonal e, novamente, ficamos bebendo e conversando até de madrugada.

No sábado, eu e Paulinho passamos o dia batendo pernas pelos sebos da cidade.

Quando retornamos pra casa dele, por volta das seis horas da tarde, uma outra surpresa: a Cláudia, esposa do Paulo, resolvera lavar minha jaqueta de couro e encontrara cerca de R$ 3 mil em um dos bolsos. Eu não fazia a menor idéia de como aquela grana tinha ido parar ali.

No domingo à noite, no vôo de volta pra Manaus, caiu a ficha. Aquela grana devia ter sido colocada pelo Sergio quando enfiou a mão na minha jaqueta e me deu um beijo na testa.

Porre do jeito que estava, ela não se lembrava da presepada. Eu, muito menos. Na hora do ocorrido, pensei que ele havia feito aquilo para não cair no chão.

Quando entrei na agência G&F na segunda-feira pela manhã, o Sergio estava finalizando um anúncio no computador, entre o miseravelmente triste e o mais que perfeito macambúzio.

Entreguei pra ele o seu material do seminário (uma pasta contendo livros, jornais, boletins, fitas VHS, o diabo a quatro), os R$ 3 mil que a Cláudia havia encontrado no bolso da jaqueta e os R$ 4 mil que ele havia me emprestado.

De repente, o seu salário do mês de dezembro havia se materializado de novo.

O Serjão ficou tão feliz e agradecido, que quase que a gente começava uma nova cachaçada na mesma hora. Mas, dessa vez, sem caipirinha de lima-da-Pérsia, pelo amor de Deus!

Grande Serjão!

Celito Chaves e Pedrinho Ribeiro na Terra do Guaraná


Alfredo Loureiro, Garçon, Afonso Toscano, Mrs. Pennington, Celito, Heloisa Chaves e Rita Loureiro. Ao fundo, David Pennington com violão. Essa é mais uma foto-relíquia do fuderoso Rogelio Casado.

Setembro de 1984. O empresário Henrique Mendonça entra no Bar do Armando nervosíssimo. Ele havia contratado o músico Carlinhos e seu teclado mágico para inaugurar uma churrascaria em Maués, na noite daquela sexta-feira, mas havia levado um cano. Carlinhos tinha ido se apresentar em Santarém (PA).

Como ele havia passado um mês anunciando a inauguração e prometido uma atração musical de Manaus, queria saber se ali no recinto havia alguém disposto a substituir o “furão”.

O avião para levar os músicos estava só aguardando no Aeroclube. Cachê e hospedagem não era problema. No dia seguinte, o avião traria os músicos de volta pra Manaus.

Lisos e confiados, os músicos Pedrinho Ribeiro e Celito Chaves, acompanhados de seus respectivos instrumentos (um violão e um atabaque), se apresentaram para a tarefa.

Nenhum dos outros músicos presentes (Afonso Toscano, Guto Rodrigues, Américo Madrugada, Manuel Batera, Beto Blue Bird, etc) topou a empreitada.

Henrique Mendonça acertou o pagamento, colocou os dois músicos no carro e se mandou para o Aeroclube. Uma hora depois, os três estavam descendo no aeroporto de Maués e foram diretamente para a churrascaria.

Pedrinho Ribeiro percebeu logo o tamanho da encrenca. A churrascaria era apenas o anexo de um gigantesco clube, onde seria realizada a festa.

Em vez de um show acústico típico de churrascaria, como eles estavam imaginando, os dois teriam de animar um baile de gala para metade da cidade.

Muitas mulheres de vestido longo e homens trajados impecavelmente já estavam nas mesas, aguardando o início do fuzuê.

Pedrinho conferiu a possante aparelhagem de som e não teve dúvidas: solicitou ao técnico de som que posicionasse quatro microfones na frente do atabaque do Celito, já que para animar o forrobodó aquele atabaque teria que soar como uma bateria sendo tocada pelo lendário John “Bonzo” Bonham, do Led Zeppelin. O Celito que desse o jeito dele.

Acostumado a animar bailes nas noites de Belém, Pedrinho sabia de cor e salteado a dinâmica do espetáculo. Na primeira hora, só músicas lentas, depois, músicas mais frenéticas e, finalmente, uma nova desacelerada para o público tomar fôlego.

O empresário providenciou uma garrafa de uísque para cada um deles e acertou que o baile começaria às 11h da noite de sexta e terminaria às 3h da madrugada de sábado.

No horário estabelecido, Pedrinho Ribeiro iniciou com uma seqüência de músicas lentas (Roberto Carlos, Paulo Sérgio, Márcio Greick, Odair José, Miltinho), que Celito levou só na manha.

O gigantesco salão se encheu rapidamente de casais dançando de rosto colado.

A partir da meia-noite, começou o calvário do Celito.

Pedrinho Ribeiro enfiou uma seqüência da Jovem Guarda (Renato e seus Blue Caps, The Fevers, Golden Boys, Leno e Lílian, Jerry Adriani) e emendou com uma seleção de carimbó (Pinduca, Verequete, Mestre Lucindo, Mestre Ninito). O baile pegou fogo.

Para acompanhar a presepada, Celito teve que incorporar a deusa indiana Lakshmi, que possui quatro braços.

Com os dedos prestes a estourarem de tão inchados, ele cochichava pro Pedrinho Ribeiro:

– Diminui esse ritmo, porra! Diminui esse ritmo que eu não estou mais agüentando...

Pedrinho cochichava de volta:

– Te fode, caralho! Você não é músico? Faz o teu papel que eu faço o meu...

Depois de duas horas naquele ritmo alucinado, Pedrinho Ribeiro começou uma seqüência de boleros (Agustin Lara, Bienvenido Granda, Lucho Gatica, Gregório Barros) e levou naquele diapasão até o encerramento do baile.

Na mesma hora, Celito se livrou do atabaque e foi atrás de gelo para tentar diminuir o estrago. Seus dedos estavam tão inchados que ele não conseguia fechar as mãos.

O empresário Henrique Mendonça ficou tão empolgado com a apresentação dos dois que queria contratá-los para um repeteco no dia seguinte.

Celito, com as duas mãos imersas em um saco de gelo, não topou:

– Se meus dedos não gangrenarem de hoje pra amanhã, eu só volto a pegar em atabaque daqui a seis meses. Esse Pedrinho Ribeiro é um filho da puta!...

No dia seguinte, os dois músicos voltaram pra Manaus. Nunca mais Celito quis acompanhar Pedrinho Ribeiro no atabaque.

Brasileiro lê, em média, um livro por ano, diz pesquisa


Leitor habitual do mocó, o universitário Cláudio Magalhães (aka “Magal”) pede que eu comente essa matéria publicada no jornal O Povo, de Fortaleza:

Um levantamento do Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7 ainda assim baixo.

Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios de todos os estados em 2007. “O livro é pouco presente no imaginário do brasileiro”, explica o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro.

Detalhes dos hábitos do brasileiro relacionados ao livro, revelados na pesquisa, atestam esta afirmação. O levantamento considera como não leitores aqueles que declararam não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, ainda que tenha lido ocasionalmente ou em outros meses do ano.

Entre os leitores, 41% disseram que gostam muito de ler no tempo livre, enquanto 13% admitiram que não gostam. Também entre os 95 milhões de leitores brasileiros, 75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22% sustentaram que leem apenas por obrigação.

Com as estatísticas nas mãos, Fabiano dos Santos diz que há dois caminhos a percorrer para fazer do Brasil um país de leitores: ampliar o acesso ao livro e investir na formação de leitores.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil sugere que a maior influência para a formação do hábito da leitura vem dos pais, o que explica o fato de que 63% dos não leitores informaram nunca terem visto os pais lendo.

Por outro lado, o levantamento sugere que o hábito de ler é consolidado na escola e quanto maior o nível de escolaridade, maior o tempo dedicado à leitura.

Entre os entrevistados com ensino superior, há apenas 2% de não leitores e 20% disseram que dedicam entre quatro e dez horas por semana aos livros. Este índice cai para 12% entre estudantes do ensino médio.

“É em casa e na escola, que os leitores são formados. Depois dos pais, os professores são os maiores incentivadores, mas poucos têm a experiência da leitura. E, neste caso, fazer do aluno um leitor é uma mágica”, diz o diretor do Livro do Ministério da Cultura.

O professor de Literatura Dilvanio Albuquerque considera que o desinteresse do brasileiro pelos livros não pode ser atribuído apenas à família e à escola. “O problema é mais amplo. Não podemos falar que a culpa é da instituição, seja ela familiar ou escolar, porque, na verdade, o problema é cultural”.

Para o professor, até entre os universitários, o hábito da leitura não é comum, inclusive nos cursos em que o contato com a escrita é fundamental. “Normalmente a universidade não oferece um bom acervo. Moramos em um país em que os livros são caros e de difícil acesso”, disse.


Meu caro Magal, confesso que não tenho qualquer receita pronta para estimular a leitura entre nosotros.

O presidente Lula disse uma vez que ler é pior do que fazer exercício de esteira e ele deve saber bem do que está falando, já que encarna como ninguém o papel midiático de “guia iluminado do povo”.

Eu, particularmente, acho que ler é melhor do que andar em esteira. Pelo menos o livro nos leva a algum lugar.

Muita gente que eu conheço diz que não lê por falta de tempo. Será?

Bom, somente nesses primeiros dois meses do ano já devorei os seguintes títulos, discriminados por gênero literário:

1. Memórias
a) Meu Bloco na Rua, de Mário Adolfo
b) À Mesa do Vilarino, de Fernando Lobo
c) Campeão de Audiência, de Walter Clark
d) Poeira das Estrelas, de Luiz Carlos Miéle
e) Eles e Eu, de Ronaldo Bôscoli

2. Ensaios
a) Linguagens da Violência, Carlos Alberto Messeder Pereira e outros
b) As Marchinhas de Carnaval, de Carlos Henrique Camacho
c) Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, de Felipe Ferreira

3. Crônicas
a) Noites de Sábado e Outras Crônicas Cariocas, de Luiz Pimentel
b) Bib Bip 40 anos - A História de um Bar, de Chiquinho Genu e outros
c) Dias de Cachorro Louco, de Edney Silvestre
d) Outros Tempos, de Edney Silvestre
e) Flanando em Paris, de José Carlos de Oliveira

4. Humor
a) Conspirações, de Edson Aran
b) Delacroix escapa das chamas, de Edson Aran
c) Suíte Gargalhadas, de Henrique Cazes

E isso tudo sem parar de trabalhar diariamente, de blogar aqui no mocó, de escrever e rescrever dois novos livros que estou concluindo, de encher a cara nas noites de sexta e nas tardes de sábado, de visitar os filhos e netos, e de fazer sexo casual três vezes por semana.

Quer dizer, essa desculpa de falta de tempo é meio furada.

Dizer que livro custa caro é outra bobagem sem tamanho.

No Sebão de Manaus, onde o Simas trabalha, e no sebo O Alienista, comandado pelo poeta Celestino Neto, você encontra bons livros a partir de R$ 2 - o preço de uma cerveja em lata.

Existem hoje cerca de 300 milhões de blogs na Web. Pelo menos 0,01% (30 mil) deles publicam coisas interessantes.

As informações estão ali, na mão, e só precisam de alguns segundos de pesquisa no Santo Google pra você encontrar um assunto que lhe desperte a atenção.

A verdade verdadeira, meu caro Magal, é que as pessoas não lêem porque não querem.

A maioria do povo brasileiro ainda prefere ficar quatro horas diárias hipnotizada pela telinha colorida a fazer seus neurônios trabalharem um pouco mais.


A esse respeito é elucidativo o artigo do Miguel Reale Júnior, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP e membro da Academia Paulista de Letras, que transcrevo abaixo:

Programas como Big Brother indicam a completa perda do pudor, ausência de noção do que cabe permanecer entre quatro paredes. Desfaz-se a diferença entre o que deve ser exibido e o que deve ser ocultado.

Assim, expõe-se ao grande público a realidade íntima das pessoas por meios virtuais, com absoluto desvelamento das zonas de exclusividade. A privacidade passa a ser vivida no espaço público.

O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso.

Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos.

Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado "paredão", quando um dos protagonistas há de ser eliminado.

Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima.

As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação.

Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite.

Outra convivente resiste a uma conquista, mas depois de assediada cede ao cerco com cinematográfico beijo no insistente conquistador que em seguida ridiculamente chora por ter traído a namorada à vista de todo o Brasil.

A moça assediada, no entanto, diz que o beijo superou as expectativas. É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante?

Instala-se o império do mau gosto. O programa gera a perda do respeito de si mesmo por parte dos protagonistas, prometendo-lhes sucesso ao custo da violação consentida da intimidade.

Mas o pior: estimula o telespectador a se divertir com a baixeza e a intimidade alheia.

O Big Brother explora os maus instintos ao promover o exemplo de bebedeiras, de erotismo tosco e ilimitado, de burrice continuada, num festival de elevada deselegância.

O gosto do mal e mau gosto são igualmente sinais dos tempos, caracterizados pela decomposição dos valores da pessoa humana, portadora de dignidade só realizável de fixados limites intransponíveis de respeito a si própria e ao próximo, de preservação da privacidade e de vivência da solidariedade na comunhão social.

O grande desafio de hoje é de ordem ética: construir uma vida em que o outro não valha apenas por satisfazer necessidades sensíveis.

Proletários do espírito, uni-vos, para se libertarem dos grilhões da mundialização, que plastifica as consciências.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Unidos da Tijuca encerra jejum e vence carnaval do Rio


Do G1, em São Paulo

Pela primeira vez em 74 anos, a Unidos da Tijuca conquistou o título de melhor escola de samba do carnaval do Rio de Janeiro.

O resultado saiu nesta quarta-feira (17), após uma acirrada apuração de quesitos na qual a Beija-Flor de Nilópolis e a Grande Rio figuraram como maiores rivais.

A agremiação somou 299,90 pontos, seguida da Grande Rio, com 299,40, que ficou com a segunda colocação. A Beija-Flor somou 299,20, seguida de Vila Isabel (298,10), Salgueiro (297,90) e Mangueira (297,60).

A Unidos do Viradouro foi rebaixada e, em 2011, vai ser substituída pela São Clemente, campeão do Acesso.

O último campeonato da escola da Zona Norte do Rio havia sido no distante 1936, ainda na primeira década de desfiles oficiais, quando a Tijuca saiu com o samba-enredo "Natureza Bela do Meu Brasil".

Nos últimos dez anos, a escola havia sido vice-campeã duas vezes, em 2004 e 2005, ambas com o atual carnavalesco, Paulo Barros.

O título de 2010 é o primeiro da escola do Morro do Borel na era do sambódromo. É também o segundo ano consecutivo em que o título do carnaval do Rio fica no bairro da Tijuca. Em 2009, o Salgueiro, também do bairro, havia sido o campeão do Grupo Especial.

A Unidos da Tijuca, que desfilou na primeira noite do Grupo Especial na Sapucaí, explorou mistérios da humanidade. O enredo foi sugerido ao carnavalesco Paulo Barros por um adolescente, pelo Orkut.

O desfile "pop" da Tijuca teve truques de mágica, “fogo dourado”, mafiosos, personagens de quadrinhos esquiando em plataformas e até uma homenagem ao cantor Michael Jackson, morto em 2009.

A Tijuca desfilou com seis carros alegóricos e 3,6 mil componentes, divididos em 32 alas. A surpresa veio logo na comissão de frente.



Um camarim gigante montado na avenida desafiou o público a descobrir os truques dos mágicos.

Bailarinas usaram o ilusionismo para trocar de roupa em segundos, seis vezes a cada execução da coreografia. Os vestidos mudavam de estampa e de tecido, e formavam, juntos, o nome da escola.

Grávida, Adriane Galisteu acompanhou a bateria como rainha. Com uma peruca preta curta, a apresentadora se destacou no grupo em homenagem aos mafiosos e suas reuniões secretas e códigos de honra.

A bateria, com integrantes vestidos com ternos pretos, fez uma paradinha para que um carro antigo passasse pelo caminho, com mafiosos de armas em punho.


No abre-alas, a Tijuca mostrou o mistério do incêndio da biblioteca de Alexandria, instigando o público sobre o que estaria escrito nos papiros que foram queimados.

O fogo foi simbolizado com um “efeito especial”: turbinas de ventilador embaixo do carro “sopravam” fios dourados pra cima, criando chamas no carro alegórico.

Paredes móveis da biblioteca giravam e revelavam foliões que estavam dentro da estrutura.

Outros mistérios da história também foram contados na avenida, como as minas do Rei Salomão, o cavalo de Tróia e o desaparecimento da Arca Sagrada que guardava os dez mandamentos.

A escola também lembrou as fórmulas secretas da juventude e os mistérios da natureza, como a transformação de lagartas em borboletas.

Chamou a atenção a ala que lembrava o mistério sobre o túmulo de Cleópatra.

Escravos egípcios enfileirados puxavam, com cordas, um pequeno carro alegórico em homenagem à rainha.

Na terceira alegoria, os foliões brincaram de arqueologia, vasculhando vestígios dos antepassados.

Placas na base do carro giravam, relevando outras faces que simbolizavam resquícios da história.

A identidade secreta de heróis de quadrinhos foi a brincadeira da quarta alegoria. Uma grande plataforma foi usada para que fantasiados de Batman esquiassem por ela. Inclinada, também foi usada para a escalada de homens-aranha.

Na ala sobre o mistério do Triângulo das Bermudas, um trocadilho: foliões com triângulos na cintura, onde bermudas estavam penduradas.

No penúltimo carro, que falava da área 51, a base militar no deserto de Nevada, foi feita uma homenagem a Michael Jackson, com um sósia fazendo “moonwalk” no carro. “Michael vive em todas as estrelas”, dizia uma placa no carro.

Símbolo da escola, um pavão gigante fechou o desfile.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Um peixe chamado Amanda


Abril de 1986. Eu estava almoçando com o Mario Adolfo no restaurante Galo Carijó, quando ele subitamente se levantou da mesa e foi conversar rapidamente com duas mulheres que estavam saindo do restaurante. Depois que retornou, me avisou:

– Aquela mais alta é a Amanda, a secretária da Federação das Indústrias que diz que está apaixonada por ti...

Como eu estava de costas para a rua, me virei rapidamente para ver as minas, mas elas já haviam embarcado em um carro e ido embora.

– Por que você não me apresentou pra Amanda? – indaguei.

Ele fez um gesto de “deixa pra lá” e começou a detonar seu jaraqui frito.

Mário Adolfo, que na época era assessor de imprensa da FIEAM, já vinha me falando da Amanda há algum tempo.

Ela recortava tudo que eu escrevia nos jornais e colecionava amorosamente os recortes em grandes cadernos de capa dura.

Quando soube casualmente que o Mário Adolfo era meu amigo de infância, começou a insistir para que ele nos apresentasse.

O sacana, até então, vinha refugando as propostas. Ali tinha coisa.

No mês seguinte, eu e ele fomos entrevistar o lendário jornalista Otávio Ribeiro (aka “Pena Branca”) para o primeiro número do jornal Candiru, que estávamos produzindo.


O jantar no restaurante Panorama, em Educandos, logo se transformou em uma alegre bebedeira, com o Pena Branca lembrando seus tempos heróicos de repórter policial no Rio de Janeiro, nos anos 60 (foi o primeiro jornalista a subir o morro e entrevistar o famoso bandido Mineirinho).

De madrugada, depois de deixarmos o Pena Branca no hotel e já voltando pra casa, paramos em um boteco no bairro do Coroado para a saideira.

No meio da conversa sobre as pautas do Candiru, entrei de sola:

– Bicho, me fala sinceramente: você ainda não me apresentou pra Amanda porque está pensando em comer ela primeiro do que eu, né não?...

O Mário Adolfo quase se engasgou com o copo de cerveja.

– Não, porra, não é por isso não. É porque eu te conheço. A Amanda é uma pessoa muito sensível, solidária, prestativa. Vocês vão se conhecer, vão se apaixonar e como você só quer saber de pegar mulher, transar e mandar embora, a Amanda vai sofrer. E eu não quero que ela sofra...

Porra, levar lição de moral de um parceiro de infância àquela altura da vida não estava no script, mas ainda assim não discuti. Deixei pra lá.


Na capa do número zero do Candiru, tivemos que meter uma notícia às pressas:

“Este é um jornal de humor. A única coisa séria neste primeiro número é a entrevista do jornalista Otávio Ribeiro, o Pena Branca, que quando se encontrava em Manaus resolveu ajudar “os malandros do Candiru... Um bando de terroristas!”, como costumava dizer.

Na entrevista, Pena Branca falou do Esquadrão, do Caso Mário Eugênio, Luta Armada, Escadinha, Mineirinho, Menor Abandonado e fez uma pergunta: por que a criança vira marginal? Confessou ainda uma antiga neurose: desvendar o Caso Carlinhos.

Pena Branca não teve tempo de escrever esta última reportagem. Muito menos de ler sua última entrevista publicada neste Candiru, que nasceu sob o signo da coragem, como o próprio Pena Branca.

No último dia 22 de junho, o malandro partiu e deixou uma puta saudade na gente. Pena enfrentou a máfia da cocaína, subiu o morro debaixo de bala, denunciou o esquadrão da morte, brigou com milicos e encarou bandidos e poderosos. Só a morte venceu o grande repórter!”


Na abertura da entrevista, Mário Adolfo dava um novo toque para captar o clima:

Era um desses dias malucos, neuróticos e barulhentos como outro qualquer de uma redação de jornal, quando Pena Branca (Otávio Ribeiro) invadiu a redação de A Crítica, a cotê do fotógrafo da Folha, Ronaldo Kotscho (irmão do outro, Ricardo).

Assim, de cara, ele não disse os motivos de sua vinda ao Amazonas. “Qualé, malandro, assim é boi com abóbora. Compra a revista que tu vai saber a matéria!”, descartou a curiosidade da rapaziada.

Otávio Ribeiro, o Pena Branca, considerado o último grande repórter policial brasileiro, que inspirou a série Plantão de Polícia da Rede Globo (lembram do Waldomiro Pena feito pelo Carvana? Pois é...), detesta tietes e tentou a todo custo fugir da entrevista para o Candiru. “Quer dar uma de Pasquim pra cima de mim, ô meu! Esse jornal ainda nem existe, é farofa!”, protestava.

A coisa foi muito rápida. Ninguém tinha gravador, fita cassete, nem nada. Só mesmo um tesão maluco de entrevistar o Pena, desde o dia em que lemos sua primeira entrevista no Pasquim, no lançamento do seu livro “Barra Pesada”. Aos poucos, as coisas apareceram. Não sei quem entrou com o gravador. A fita foi roubada da gaveta não sei de quem. E lá fomos nós, Bar do Armando abaixo.

Mas o Pena Branca exigia de cachê um tucunaré, “que é meu peixe rei”. Depois, o Bar do Armando, reduto de jornalistas, petistas, comunistas, sapatões, bichas e cornos (mas todos com uma coisa em comum, são boêmios) estava muito barulhento. E lá fomos nós Galo Carijó acima.

Só depois que arrumamos a mesa, ligamos o gravador, acendemos os cigarros e pedimos as cervejas, é que a garota deu o ultimato: “Não tem tucunaré!”. Pena foi o primeiro a levantar da mesa e o papo acabou mesmo acontecendo lá no Panorama, do Educandos, de frente para o rio Negro, que também é “rio rei”.

Eu, Simão Pessoa e Carlão Dias (fotógrafo) acabamos ouvindo o depoimento mais completo já dado por Otávio Ribeiro em toda a sua vida de jornalista-herói. Este jornal, na época (uma noite quente de maio) nem existia. O Candiru passou a ser parido em função da entrevista do Pena Branca, repórter da justiça, dos oprimidos, dos direitos humanos e cidadão do mundo.

Mais do que nunca, esse jornal é dedicado a você, Pena Branca!”


No começo de julho, em uma sexta-feira, a gente estava fazendo o lançamento do “jornal de maior penetração do Amazonas” no Bar do Armando, quando se aproximaram da mesa um casal e uma mulher.

O Mário Adolfo se levantou da mesa, conversou com os três alguns minutos, aí se virou pra mim e falou:

– Êi, bicho, essa aqui é a Amanda, que trabalha comigo lá na Federação das Indústrias. Essa outra é a Regina, irmã dela, e esse é o Carlos Augusto, marido da Regina. Me passa logo três jornais que eles vieram aqui só pra comprar o Candiru e já estão indo embora...

Por Tutatis, Obelix, mas o que era aquilo?...

Eu me levantei da mesa para cumprimentar o trio e entregar os jornais. De cara, notei que a Amanda tinha quase a minha altura.

Ela estava usando um vestidinho de motivos florais e sandália baixa, mas dava pra perceber que se enquadrava na categoria de mulherão. Seu olhar era radiante. Seios magníficos.

Eu estava diante de uma verdadeira mulher melancia. Foi amor à primeira vista.

Na maior cara de pau do mundo, pedi do Carlos Augusto e da Regina que deixassem a Amanda com a gente, que depois nós dois a deixaríamos em casa sã e salva.

Eles concordaram, ficaram conversando uns dez minutos, aí se despediram e foram embora.

A Amanda ficou sentada em nossa mesa nos ajudando a vender os jornais.


Por volta das 23h, quando o movimento dentro do boteco diminuiu, eu, Mário Adolfo, Jorge Estevão e Amanda fomos comemorar a boa vendagem (mais de 300 jornais) no Bar Noturno, onde havia música ao vivo.

Eu tirei a Amanda pra dançar e, na segunda música, já lhe tasquei um beijo na boca. Ela correspondeu. Começamos a namorar naquela mesma noite.

Nós a deixamos em casa por volta das três da madrugada. Eu estava em estado de graça. O Mário Adolfo não dizia nada, mas dava pra sentir que não havia gostado do meu novo affair.

No dia seguinte, sábado, peguei a Amanda em sua casa por volta das 21h e fomos para o Bar Galvez.

Eu a apresentei pro Antonio Paulo Graça, Rogelio Casado, Inácio Oliveira, Rosendo Lima, Almir Graça, Narciso Lobo, Ademir Ramos, etc.

Ficamos conversando e bebendo com eles. Cerca de duas horas depois, resolvemos nos encafuar no motel Le Baron. A minha avaliação inicial foi plenamente confirmada.


As medidas da Amanda (1,72 m de altura, 68 kg, 98 cm de busto, 68 cm de cintura e cerca de 120 cm de quadril) eram de deixar qualquer sujeito babando no colarinho.

Aquilo não era um simples avião. Aquilo era um Airbus A 380, com fuselagem de titânio, duplamente turbinado e com um compartimento de carga de desmoralizar qualquer popozuda do funk.

A Amanda tinha sido precoce em tudo que fizera. Com 14 anos, foi eleita Garota Biquíni, com 15 anos se casou, com 16 teve o primeiro e único filho, com 18 se separou e nunca mais voltou a viver com alguém.

Ela estava com 34 anos. Seu filho estava com 18 e morava com o pai em São Paulo.

Tinha tido namorados ocasionais, mas os relacionamentos acabavam naufragando por causa do excessivo ciúme dos parceiros.

Ela estava adorando sair comigo porque em apenas dois dias ela já havia conhecido mais botecos e pessoas divertidas do que nos últimos dois anos.

Fui deixá-la em casa por volta das 4h da madrugada de domingo. Nos três meses seguintes, nossa lua de mel continuou a todo vapor.


Podia chover canivetes, mas toda sexta-feira eu a pegava em casa, levava a um novo boteco (Caranguejo, Amoricana, São Marcos, Paulo’s Bar, etc) e invariavelmente terminávamos a noite em um motel.

Começamos a discutir seriamente a possibilidade de alugarmos um apartamento e juntarmos os panos.

Na segunda quinzena de outubro, ela me avisou que estava saindo de férias da Federação da Indústria e que iria passar uma semana em São Paulo na companhia do filho. Assim que retornasse, me telefonaria.

Nesse dia, a gente nem quis perder tempo com botecos. Assim que ela entrou no carro, fomos direto para os embates de Eros. Eu estava viciado naquela mulher. E ela em mim.


Na última semana de outubro, ela retornou pra Manaus e me telefonou, numa tarde de sexta-feira:

– Houston, we have a problem...

Comecei a rir nervosamente, pensando que ela estivesse se preparando para me dar um chute na bunda. Era muito pior.

Em São Paulo, ao brincar de colocar o filho no colo, ele, já um galalau de 1,80 cm, tentou se debater para se livrar do abraço desmoralizante e acabou acertando, sem querer, uma cotovelada em seu seio direito. O melão ficou com um inchaço arroxeado.

Ela havia chegado a Manaus há dois dias, o inchaço no seio continuava e ela começou a sentir febre.

A Regina lhe levara a um médico. Passaram alguns antibióticos, o problema persistiu, aí, na manhã daquela sexta-feira, fizeram uma incisão no seu seio e colocaram um dreno.

Ela estava me ligando apenas pra me manter informado, já que estava morrendo de saudades, mas não queria que eu a visse naquele estado.

Telefonei pra ela no sábado. Os antibióticos não estavam fazendo efeito e o dreno continuava expelindo sangue pisado e uma secreção pustulenta. Ela permanecia com febre.

Implorei para ela me deixar lhe ver, talvez se eu fizesse alguma oração rosacruz pudesse reverter o quadro, sei lá.

Ela bateu pé. Não ia me deixar vê-la naquela situação nem depois de morta. Mas jurou de pés juntos que estava cada vez mais apaixonada por mim.

Sim, eu já podia procurar um apartamento pra nós dois. Ela queria viver comigo pelo resto da vida.

Na quarta-feira, a Regina me telefonou, visivelmente nervosa. O quadro se agravara, o presidente da Federação das Indústrias, o saudoso João de Mendonça Furtado, havia entrado no circuito e despachara a Amanda para o hospital Albert Einstein, em São Paulo.


A Regina me deu o endereço onde ela ficaria hospedada enquanto não concluísse os exames de rotina. Mandei uma carta pra ela no mesmo dia.

Uma semana depois, chegou uma pequena carta, quase um bilhete, da Amanda.

O inchaço havia evoluído para um pré-câncer de mama. Ela teria que ser submetida a uma mastectomia profilática (cirurgia para a retirada da mama, antes do desenvolvimento do câncer).

Garantia que continuava me amando, mas não tinha certeza se eu ainda ia lhe querer depois da cirurgia radical.

Dessa vez, quem entrou numa depressão indescritível fui eu.

Em novembro, ainda mandei mais três cartas para a Amanda. Além de não ter obtido resposta, as duas últimas cartas foram devolvidas ao remetente.

Até hoje nunca soube o que aconteceu com a minha princesa.

O Mário Adolfo acredita que ela morreu de câncer em São Paulo.

Eu nunca acreditei nessa possibilidade, mas também nunca mais acreditei em Deus do mesmo jeito.

E estou pouco me lixando se Ele ainda acredita em mim.

Ter levado o Pena Branca e a Amanda no mesmo ano, ambos de câncer, pô, isso é coisa que não se faz nem ao pior inimigo.

Pérola roubada do Buteco do Edu


Os compositores, cronistas e boêmios Moacyr Luz e Aldir Blanc

(...) Deixo com vocês, expostas no balcão do BUTECO, a gravação do choro BOLA PRETA, de Jacob do Bandolim, e a sensacional letra (póstuma) escrita pelo gênio Aldir Blanc. Taí o primeiro desafio (e sacrifício!) do Carnaval: tente cantar a letra encaixando nota por nota, que o Aldir não é mole! Bom Carnaval a todos. Profundamente emocionado, me despeço. Até! (EDUARDO GOLDENBERG)



Miudinho da Penha a Xerém
eu sei onde tem...
Um balanço de vem-ou-não-vem
no bonde ou no trem.
Socialaite beijou Zé-Ninguém:
nenhum nhém-nhém-nhém.
Chupeta, meu bem, pro neném...

Um inglês que trocou por Roskoff
o tal Big Ben,
o glamour de João Valentão
no Rio:
olha o cabra-da-peste,
deixa estar,
pintando o sete,
beliscou a Elizeth
e foi beber no Tangará!

Malícia e Inocência moram lá.
São gêmeas e só querem namorar.
A Banda do Sodré
desabrocha e faz lembrar
o flamboiã em flor de Paquetá.
- mas, ai, meu Deus que saudade que dá...

Já são 10 horas da manhã
de sábado e o Bola vai passar.
Passou e não passou,
foi pra Lapa mas ficou.
O Bola Preta sabe eternizar.
- Eu sou de lá...

Mas tem um risco Brasil de mulhé
com a tal cana-caiana e café
e bota fé que o Bola chegou
não tem Zé-Mané!
Colombina dá bola pra mim
que ando assim-assim
- Sou meio Pierrô e Arlequim.

Tô na máquina do velho Wells
descida dos Céus,
um Balzac soltando no mundo
traque bom de pelica.
Tô no Bola,
a dica é de cuíca,
tão feliz a gente fica,
paquerei Carminha Rica
e fui beber no Bar Luiz.

Demorô,
oi, Iaiá, ai, Ioiô,
eu tô que tô
ou tu fica ou não fica...
A mulher ideal
é a Neuma, a Zica, a Surica
- ai, cumé qui eu vô fazê? Hein?

Duvidô,
de-ó-dó,
chororô, ô,
se encrencou,
o segredo é viver.
Pro Bola Preta
eu vou de muleta
e sinto a caceta
rejuvenescer.

Vem Caymmi,
Noel, Lamartine, Ari, Bororó,
Ademilde também, o Orestes,
Sinhô, Donga, Jota Efegê
- Ai, o Tatu subiu no Pau!
Da Saúde, da Vila, do Estácio e de Madureira,
na uca, a Tijuca também quis comparecer,
pagou pra ver porque

eu vou sambar
no Bola, meu cordão,
o sangue e o coração
com Pato Rebolão, Porrete
e outros bambas sem par...
o Bola Preta, preta, é meu segundo lar
e é lá que eu quero
me curar.

Os Democráticos e os Fenianos
são pau-a-pau.
A Vivinha mamava na minha:
ensaio geral.
Trinca-Espinha virou K-veirinha
- Hoje é Carnaval!
Não chora, meu bem:
é norrrrmal!

Preto e Branco, as cores do time:
feijão bom de sal.
Na moral, a moçada não quer
o teste da farinha.
Quem apaga e perde a linha
- amor com amor se paga –
liga pra Zezé Gonzaga
e vai beber no Nacional.

Vou pro Bola, já.
Tô ainda lá...
Eu vou me esbaldar
pra eternizar,
pra eternizar,
pra eternizar..."


(Abaixo, a gravação na voz de Aldir Blanc e Jayminho Vignoli!)

Grande Rio, Vila e Mangueira se destacam na 2ª noite do carnaval do Rio


Do G1, em São Paulo

Grande Rio, Vila Isabel e Mangueira foram os destaques do segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro.

O encerramento do carnaval na capital carioca foi marcado pelas belas homenagens da Grande Rio à história da Sapucaí e ao carnavalesco Joãosinho Trinta.

Além destas escolas, desfilaram Portela, Porto da Pedra e Mocidade. Nenhuma escola extrapolou o limite de tempo na passagem pela avenida.

A Grande Rio levou para o sambódromo uma homenagem aos principais carnavais já realizados por outras escolas na Marquês de Sapucaí.

Joãosinho Trinta foi um dos grandes lembrados: a alegoria "A genialidade de Joãosinho Trinta" lembrou a fantasia "do luxo ao lixo". Os garis também foram homenageados em uma ala.

A Mangueira realizou um carnaval embalado por suas tradições e renovado em sua concepção. O resultado visto na Sapucaí é reflexo de um ano de mudanças em sua direção.

A escola desenvolveu um enredo sobre a música brasileira e colocou o sambódromo para cantar durante as paradinhas da bateria.

A ala se destacou ainda com uma coreografia de Carlinhos de Jesus que simulava a prisão dos ritmistas, lembrando a censura aos músicos.

No começo da apresentação, um princípio de incêndio no abre-alas precisou ser contornado para a escola seguir na avenida. O incidente não parece ter afetado a evolução da agremiação.


O enredo sobre a música popular atraiu para a escola nomes como o de Fernanda Abreu, que veio apresentando a escola ao lado de Emílio Santiago, Wanderléa e Alcione.

Marcos Valle, Miéle, João Donato e Wanda Sá desfilaram no carro que representava o Beco das Garrafas, berço da Bossa Nova.

Milton Nascimento e Sandra de Sá saíram na alegoria sobre os festivais.

A outra novidade foi o funk, incorporado pela bateria a partir dos 52 minutos de desfile, quando o último carro - homenagem aos bailes funk - entrou na avenida, levando MCs como Rômulo Costa e o DJ Marlboro.

A Vila Isabel fez do samba de Martinho da Vila um dos seu trunfos na disputa do título.

Para homenagear o centenário do poeta Noel Rosa, a escola contou ainda com belas alegorias do carnavalesco Alex de Souza e a vibração da comunidade.

A escola escolheu relembrar detalhes da vida e da obra do seu mais ilustre poeta para marcar o ano em que o sambista completaria 100 anos.

Noel Rosa foi escolhido, segundo o carnavalesco Alex de Souza, porque o sambista foi e continua sendo uma figura muito importante para o bairro.

A homenagem ao poeta foi realizada em oito carros alegóricos e 31 alas, com um total de aproximadamente 3,5 mil componentes.

Julinho e Ruth Alves formam o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, responsável por abrir caminho para o desfile da escola do presidente Wilson Alves.

A comissão de frente encantou ao mostrar um grupo de passistas que representava amigos de Noel.

Carregando um violão, eles transformaram o instrumento em mesa de bar, mulata e mostraram um efeito especial: os instrumentos deixados apoiados no chão "deslizavam" em direção aos foliões.


A Mocidade Independente de Padre Miguel defendeu com luxo e animação o enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura".

A agremiação abriu o segundo dia de desfiles com uma apresentação de uma hora e vinte minutos.

A comissão de frente "Anjos - Os guardiões do paraíso" apresentou a escola com dois jovens bailarinos que eram conduzidos dentro de um tripé, acompanhada por anjos.

Os responsáveis por conduzir a alegoria tiveram dificuldade durante as manobras.

A porta do tripé da comissão de frente teve problemas e atrapalhou o desfile no momento em que passava em frente aos jurados.

Os principais termos e conceitos do mundo tecnológico viraram inspiração para o samba da Portela.

A escola defendeu o enredo "Derrubando fronteiras conquistando a liberdade - Rio de paz em estado de graça" e levou palavras como link, backbone, senha, código binário e bluetooth para o sambódromo.

No carro abre-alas, "Águia, backbone do espaço sideral e Rio de Janeiro, portal digital", a destaque Val Carvalho chegou a ficar parte do desfile sentada.

Ela passou mal e, após tomar água e se recuperar, terminou o desfile de pé.

Na dispersão, ela disse que teve uma alteração em sua pressão por causa do calor e da emoção.

A Porto da Pedra resgatou a história das tendências e enfeitou a avenida com laços, fitas e babados.

Antenado, o enredo "Com que roupa eu vou?" fez reverência à moda contemporânea e a estilistas queridinhos do mundo da moda.


O último dia de desfiles teve alguns incidentes. Um dublê que representaria um astronauta e faria um vôo no desfile da Grande Rio sofreu um incidente e a apresentação foi cancelada.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que quatro pessoas ficaram feridas no acidente. Ainda durante a madrugada, a escola negou que o dublê de astronauta tenha se ferido.

A estudante Geisy Arruda, que ficou conhecida após ser hostilizada por usar um vestido curto, passou mal após o desfile. Ela foi atendida e logo liberada.

O calor, que teria causado o mal estar da estudante, também fez outras vítimas. Pelo menos duas baianas da Grande Rio e um destaque da Portela se sentiram mal.

Foi também o dia das musas. Solange Gomes levou seus “seios cônicos” para desfilar à frente da bateria da Porto da Pedra.

Raíssa Miure, musa da Vila Isabel, desfilou só com meia arrastão e chamou a atenção por colocar a inicial do nome do namorado, uma letra “F”, no bumbum.

Na Grande Rio, a atriz Susana Vieira, que desfilou como “musa inspiradora” da agremiação, contou que desfilou com a costela quebrada.

Tijuca, Ilha e Salgueiro brilham na 1ª noite de desfiles no Rio de Janeiro


Do G1, em São Paulo

As escolas Unidos da Tijuca, União da Ilha e Salgueiro foram os destaques da primeira noite de desfiles do Carnaval 2010 do Rio de Janeiro.

As celebridades internacionais e os milhares de foliões que lotaram a Marquês de Sapucaí se surpreenderam com as brincadeiras da Unidos da Tijuca no enredo “É Segredo”, que levou toques de mágica e inovação em suas alegorias.

Primeira a desfilar, a União da Ilha fez um bom retorno ao Grupo Especial com um enredo sobre Dom Quixote e os sonhos impossíveis. O Salgueiro, campeão de 2009, briga pelo título com a história dos livros. A escola levou acrobatas e um robô gigante para a Sapucaí.


O primeiro dia de desfiles não teve registros de incidentes graves. Nos bastidores, a cantora Madonna e a socialite Paris Hilton atraíram os holofotes e o assédio do público.

Na avenida, musas como Luiza Brunet, Adriane Galisteu, Letícia Spiller, Viviane Araújo e Sabrina Sato emprestaram beleza às escolas.

A receita da Unidos da Tijuca para encantar com o enredo foi levar brincadeiras para seus carros e alas.

A comissão de frente deu o tom do que seria o desfile: com toque de mágica, bailarinas usaram o ilusionismo para trocar de roupa em segundos, seis vezes a cada execução da coreografia.

A bateria da Tijuca impressionou com sua paradinha que abriu espaço para uma réplica dos carros dos gângsteres, de onde saíram foliões fantasiados de mafiosos.

Ao falar dos sonhos impossíveis, a União da Ilha fez uma referência também ao seu próprio sonho de permanecer no Grupo Especial e sair vitoriosa. A história de Dom Quixote rendeu alegorias caprichadas.

Na busca pelo título, a escola apostou na comissão de frente. Bem coreografados, foliões e bailarinos vestidos de toureiros jogaram rosas para o público e mostraram sincronia ao movimentar os mantos coloridos, simulando uma tourada.



Em busca do segundo título consecutivo, o Salgueiro levou livros que marcam a história mundial e clássicos nacionais para a avenida. A escola fez um desfile com 1 hora e 19 minutos e sem registros de incidentes graves.

Na evolução do enredo "História sem fim", se destacaram acrobatas desfilando nos carros, tripés grandiosos que acompanharam as alas, e um robô gigante de movimentos delicados que fechou o desfile.

Com o enredo "Brasil de todos os deuses", a Imperatriz Leopoldinense mostrou a formação religiosa do Brasil. A escola teve que driblar incidentes durante o desfile.

O carro abre-alas preocupou os responsáveis pelo movimento da escola. Um par de cavalos alados que antecediam a parte principal do carro não estavam acoplados à alegoria central e teimavam em não seguir em linha reta.

Já o segundo carro alegórico custou a entrar na pista e quase atrapalhou o desfile da escola.


A Viradouro escolheu buscar o título de campeã exaltando a cultura e a história do México.

No time de personagens que ajudaram a montar o retrato do país, a escola buscou artistas como Frida Kahlo, figuras religiosas como a Virgem de Guadalupe e até personagens pop, como Chaves e Chapolim.

A pequena rainha de 7 anos, Júlia de Souza Lira, filha do presidente da Viradouro, Marco Lira, chamou a atenção. Ela obteve na Justiça o direito de se apresentar e usou uma saia e um top, com plumas roxas e detalhes em prata para simbolizar o "tesouro dos piratas".

O desfile da Beija-Flor foi uma aposta nos 50 anos de Brasília, com uma viagem pela história da capital brasileira.

Longe dos mensalões e protestos, a escola optou por privilegiar a audácia dos pioneiros e a esperança no futuro da cidade.

A escola de Nilópolis defendeu o enredo "Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança".

sábado, fevereiro 13, 2010

Galo da Madrugada toma as ruas do Recife


Foliões celebram a grande festa do carnaval pernambucano (Foto: Marcos Michel/JC Imagem/AE).

Luísa Brito
Do G1, no Recife

Milhares de foliões já lotam as ruas do Recife para assistir o desfile do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo. O desfile começou por volta das 9h deste sábado (13).

Este ano, a expectativa da diretoria é que 1,6 milhão de foliões acompanhem a agremiação que contará com 25 atrações em trios elétricos, quatro orquestras no chão, além dos vários blocos que aproveitam o desfile para participar da festa.

Outras atrações previstas são Fafá de Belém, Elba Ramalho, Alceu Valença e Calypso. A previsão é que o desfile acabe entre 18h e 19h.


A técnica em segurança do trabalho Etaciria Maria Pontes, de 52 anos, e sua colega de trabalho, a secretária Jane Pinheiro, de 50 anos, nem dormiram durante a madrugada para preparar um reforçado café da manhã para os cerca de cem funcionários da empresa onde trabalham.

O café da manhã tinha cachorro-quente, linguiça, macaxeira, carne de charque, carne de sol, tapioca e munguzá.

"Para todo mundo aguentar ficar de pé até a noite", disse Jane. Elas garantiram que não sentiriam sono e também ficariam no bloco até o fim.


Outros que estavam animados para enfrentar o calor e a multidão no Recife eram os Pinguins Retirantes, grupo de cerca de 30 pessoas que, fantasiadas de pinguins, fazia uma brincadeira em torno das consequências do aquecimento global.

"Minha casa derreteu", anunciava uma das placas carregadas pelo grupo. "Não tem gelo nem para o meu uísque", dizia outra placa.

O analista de sistemas Luiz Fernando Miranda, de 51 anos, explicou que o grupo sempre faz fantasias com temas da atualidade. No ano passado, a fantasia deles foi de espantalhos da crise econômica.


Já o pequeno João Manuel Costa, de 5 anos, escolheu uma fantasia que tem a ver com a sua aversão a tomar banho e se vestiu como o personagem Cascão, dos quadrinhos de Mauricio de Sousa.

A mãe, a administradora Bianca Cosmo, de 27 anos, contou que o filho que pede para ir para a folia. "Nem eu nem o pai dele somos muito de carnaval, mas ele adora", disse.

Mulheres mostram o derrière no carnaval de Salvador



Glauco Araújo
Do G1, em Salvador

Mulheres dançam com o corpo pintado como fantasia no carnaval de Salvador, na madrugada deste sábado (13).

As beldades estavam no trio de apoio do Bloco É Massa/Traz a Massa, no circuito Dodô (Barra-Ondina).

No carro anterior estava a estudante Geisy Arruda, que arriscou passos da coreografia da música "Todo enfiado", do grupo No Troco.




A estudante Geisy Arruda provocou frisson ao dançar a coreografia da música "Todo Enfiado", um dos hits do grupo O Troco, na madrugada deste sábado (13). A atração desfilou no Bloco É Massa/Traz a Massa, no circuito Dodô (Barra-Ondina).

Ela ganhou notoriedade após ser hostilizada ao tentar entrar em sala de aula com um vestido rosa curto, em uma universidade de São Paulo.

Geisy disse ao G1 que quer aproveitar o carnaval para mostrar a "recauchutada" que ela deu no corpo. "Gostei mais do meu bumbum. Tenho que mostrar tudo agora no carnaval porque ficou muito bonito", disse a loira, que mostrou um pouco de timidez no começo do desfile.

Aos poucos ela foi ganhando confiança e equilíbrio no palco do trio elétrico e chegou à Avenida Oceânica com mais desenvoltura.

Geisy praticamente vai ficar acordada até voltar a São Paulo, na manhã de sábado. "Parece que eu vou ficar a noite toda acordada. O meu voo de volta é bem cedinho. Mas eu quero mesmo é aproveitar a festa do carnaval baiano".

Ela vai encarar uma maratona de carnaval. Ainda neste sábado (13) ela deve desfilar pela Gaviões da Fiel em São Paulo, e na segunda-feira (15) deve sair pela Porto da Pedra, no Rio.


Nota do Gerente do Mocó: Eu já havia avisado que a pintura de corpo seria o must do carnaval deste ano. Agora, só falta eu utilizar melhor esse talento para prever o futuro e descobrir os números da megasena acumulada...