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sexta-feira, novembro 09, 2012

Celebration Day



Era o final da tarde desta quinta-feira. Eu tinha acabado de colocar o ponto final no novo livro sobre a Banda Independente Confraria do Armando (BICA), que eu e o compadre Chicão Cruz, atual chairman do MPE, pretendemos lançar em janeiro, quando o telefone tocou novamente.

Fui atender e não era o meu amor.

Era o Careca Selvagem, sempre incisivo e peremptório:

– O Juarezinho passou no exame da OAB e vai comemorar a façanha com a cachorrada, lá na casa dele, no Japiim. Ele comprou cinco grades de cerveja e um boi inteiro pra fazer churrasco. Estou passando aí pra te pegar!

Quando o Careca Selvagem me liga pra avisar que vai ter cerveja na casa de alguém, ele está insinuando que não vai ter Antarctica.

A cerveja do pinguim é dita pelo nome e grafada (ou gritada, tanto faz) em maiúsculo: “Vamos tomar umas Antarcticas lá em casa, porra! E vê se não demora...”

O resto – kaiser, brahma, schincariol, sol, cerpa, backer, skol, etc – é adjetivado como “cerveja” porque deve ser coisa pra quem gosta de tomar no redondo...

A Backer 3 Lobos - Exterminador é um exemplo disso.

– Ela tem acidez marcante e notas cítricas e herbais herdadas dos lúpulos e do capim-limão, o que dá um toque nacional ao rótulo – afirmou a mestre cervejeira e sommelière de cerveja pela Doemens Akademie de Munique, Cilene Saorin, em entrevista publicada na revista Bom Gourmet.

Sinceramente, uma definição dessas é ou não é coisa de viado? (ou de corsa deslumbrada, no caso específico da Cilene Saorin)...

Mas voltando à vaca fria.


O Simas me pegou em casa, passamos na Top Castelinho, aqui nas imediações do mocó, onde providenciamos duas ampolas de Red, depois passamos no posto LM pra comprar cigarros e gelo, e fomos pra guerra.

Dos amigos de infância do Careca Selvagem, o Juarezinho Tavares deve ser o homeboy pelo qual tenho mais carinho.

Quando o conheci, ele era um moleque de dez anos – o que significa que já faz um bom tempo.

Acompanhei suas incursões pelo judô, o início de sua carreira profissional na Eletronorte e, mais tarde, sua militância sindical (ele foi diretor do Sindicato dos Urbanitários) e sua conversão ao petismo.


Não bastasse isso, o sacana é filho do saudoso Juarez Tavares, um dos melhores jogadores de dominó com quem já tive o prazer de jogar, e da amável Dona Ceci, uma eterna lady e a gentileza em pessoa.

Na abertura dos trabalhos, Juarezinho fez questão de elogiar o curso preparatório do advogado Aniello Aufiero, que obteve uma marca magistral: dos 70 advogados inscritos, 65 obtiveram êxito no exame da OAB.

Não é pouca porcaria.

Vou repetir para os interessados: o caminho das pedras para alcançar a ambicionada carteirinha da OAB é se matricular no curso preparatório do Aniello Aufiero, ali na rua Monsenhor Coutinho, 259, no centro da taba.

E, pra quem não sabe, Aniello Aufiero é advogado militante há vinte e cinco anos e o primeiro jurista amazonense a lançar um código que contém o regimento interno do Tribunal de Justiça, a Constituição do Amazonas e lei da organização judiciária do Amazonas.


Voltando de novo à vaca fria.

Pra animar a churrascada, Juarezinho convocou a rapaziada do grupo “Gente Junta”, capitaneada pelo Paulo Caramuru.

O grupo, que também se apresenta com o estiloso nome de “Exalasamba”, era formado só por cobra criada: André (voz e tantam), Cacheado (voz e banjo), Ivan (violão), Robson (cavaquinho), Cebola (surdo de primeira), Zanata (surdo de segunda, que ele teima em chamar de “tantam de corte”) e Paulo Caramuru (pandeiro, gritos e apito).

Entre os convidados, Marília (irmã do Mário Adolfo e esposa do Epitacinho Almeida, que não compareceu ao panavueiro porque estava acamado), Luiz Lobão, Alexandre, Passarinho, Adrial, Jorge, Wesley, Bosco, Meireles, Marco, Lúcia, Hamilton, Sildomar (campeão industriário de tênis de mesa), Abrahão e Willy Wellington, entre outros.


Patrícia e Luiza, esposa e filha do anfitrião, deram um show de charme e simpatia na celebração festiva do mais novo advogado da praça, que só terminou por volta das 22h porque os pagodeiros tinham um compromisso na Praça de Alimentação do São Francisco.

Eu e o Careca Selvagem aproveitamos a deixa para se refugiar aqui no mocó, encher a caveira de birita e discutir o fim do mundo ao som de Chico Science & Nação Zumbi, Comadre Florzinha, Cordel do Fogo Encantado, Querosene Jacaré, Bonsucesso Samba Clube, Joelho de Porco, Lagoa, Mula Manca, Pedro Luís & A Parede, Língua de Trapo, Elomar (“Toca Raul!”, gritava o alucinado), Sheik Tosado, Zeca Baleiro, Vital Farias, Quinteto Violado, Odair Cabeça de Poeta e outros menos votados.

Quase que nós dois nos acabamos primeiro do que o mundo.


Pra lá de Marrakesh, o safado abandonou a rinha por volta das 4h da manhã, me deixando com a ingrata tarefa de detonar a terceira garrafa de Red sozinho.

Já não se fazem mais irmãos como antigamente.

Abaixo, alguns flashes do barulho que rolou na mansão do Juarezinho.






















quinta-feira, novembro 08, 2012

Caxuxa e a louraça belzebu do Japiim



Setembro de 2002. O comerciante Selmo Nogueira (aka “Caxuxa”) estava tomando uma cervejinha no Bar da Lindalva, ali na Cachoeirinha, quando encontrou casualmente uma velha conhecida, a comerciária Kátia Expedita, que ia passando pela frente do bar acompanhada de seu filho de oito anos. 

Os dois conversaram rapidamente. 

Kátia estava vindo da casa de uma amiga do bairro e se dirigia para a parada do ônibus para voltar à sua residência.

Cavalheiro como sempre, Caxuxa prontificou-se a dar uma carona à amiga, moradora do Japiim. 

Mãe e filho aboletaram-se na velha Kombi do comerciante e ele foi cumprir sua missão. 

Era um início da noite de sábado. 

Caxuxa deixou sua amiga e o filho na residência e, quando se preparava para voltar para o Bar da Lindalva, percebeu uma louraça belzebu de corpo monumental, parada no canto da rua, nas proximidades da Feira Coberta do Japiim, como se também estivesse esperando um ônibus.

Cavalheiro como sempre, Caxuxa parou a Kombi ao lado da garota e disparou:

– Ôi, minha filha, você está indo pra onde?...

A louraça se aproximou da janela do comerciante:

– Eu vou pra onde você me levar, meu rei...

– Então, entra aí... – avisou Caxuxa, enquanto, discretamente, engolia uma drágea de Cialis.

A garota aboletou-se ao lado do comerciante e foi logo lhe enfiando um beijo de língua.

– Não se preocupe que nós vamos fazer um amor bem gostoso, meu rei... – ronronou a garota no ouvido do comerciante.


Caxuxa percebeu que havia acabado de ganhar a mega sena acumulada porque aquela garota era mesmo um mulherão.

Por sugestão da louraça belzebu, o comerciante resolveu rebocar sua presa para a Pousada do Alemão, localizada em frente ao Makro Atacadista, ali na rua Rodrigo Otávio (antiga Estrada do Contorno), que costuma cobrar R$ 10 por duas horas de tatame.

Assim que chegou à pousada, Caxuxa deu uma nota de R$ 100 para a recepcionista da espelunca, uma morena estrábica e bem mirradinha. 

A zarolhinha falou que não tinha troco. 

O comerciante não deu a mínima. 

Disse que pegava o troco depois que saísse.

Os dois pombinhos se dirigiram ao quarto. 

Enquanto a louraça assistia um filme pornô na televisão, Caxuxa foi tomar banho – na verdade, ele queria ganhar tempo para o Cialis fazer efeito.

Uma hora depois, ele saiu do banheiro. 

A louraça belzebu estava vestindo um provocante baby doll vermelho. 

O comerciante estrilou:

– Ô, minha filha, pensei que você já estivesse peladona... Tira essa roupa e vem matar o velho, vem...

A garota riu discretamente, mas não disse nada.

Caxuxa se deitou na cama e a louraça belzebu, com uma técnica invejável, começou a fazer um trabalho de sopro básico.

Apesar de estar gostando muito do boquete, o comerciante insistiu:

– Ô, minha filha, não foi pra isso que nós viemos aqui... Tira essa roupa que eu quero me acabar nesse seu corpinho sarado... Vem matar o velho, vem...

A garota se levantou da cama, tirou o baby doll e apresentou suas armas.


Caxuxa quase teve um troço.

A louraça belzebu tinha um mastruço do tamanho do dele.

– Puta que pariu, vagabunda, eu não sabia que você era um traveco... Vou te capar agora mesmo e encher tua cara de chumbo...

Dito isso, ele pulou da cama e correu para o banheiro para apanhar seu Colt 45 com cabo de madrepérola.

O traveco recolheu suas roupas e saiu do quarto cantando pneu.

Só de cueca e revólver na mão, Caxuxa foi se queixar da fraude na portaria da pousada, desconfiado de que o traveco havia armado aquela parada em conluio com os proprietários do local.

Pacientemente, a zarolinha explicou que o traveco havia levado o troco e que não podia fazer nada porque era norma da pousada não exigir documentos dos clientes.

– Eu não sei porque o senhor está tão irritado... Todos os clientes da Laurie Anderson saem daqui satisfeitos e elogiando seus dotes... Vocês dois passaram mais de uma hora no quarto... O senhor não gostou não?...


Caxuxa ficou possesso. 

Caraco, a zarolhinha achava que ele gostava da fruta?...

Aquilo não podia ficar assim.

Caxuxa voltou ao quarto, pegou seu celular, ligou para a Polícia Militar explicando que havia sido assaltado e deu o endereço da espelunca.

Cinco minutos depois, dois carros da Rocam entraram no estacionamento da pousada, de sirenes ligadas, fazendo o maior salseiro da paróquia.

Ouvindo aquilo, os demais clientes da pousada meteram o pé na carreira, se embrenhando em um matagal próximo e deixando a pousada praticamente às moscas.

Mais perdida do que cego em tiroteio, uma adolescente de 14 anos, que estava fazendo sexo anal e cheirando cocaína no quarto ao lado do Caxuxa, resolveu se esconder dos meganhas e entrou no único quarto que estava com a porta aberta: o do comerciante.


Na portaria, Caxuxa estava contando seu drama para a tenente Rosa Augusta, que comandava a operação policial, quando surgiram dois meganhas trazendo a adolescente encontrada em seu quarto e as roupas do comerciante.

Envolta em uma toalha de banho, a adolescente foi sincera:

– Eu não conheço esse homem, não! Eu estava dando a bundinha pro meu namorado, o Airton Pezão, mas ele me colocou pra fora do quarto, trancou a porta e saiu correndo assim que escutou a sirene da polícia. Aí, eu entrei no quarto ao lado...

A tenente Rosa Augusta, que já havia confiscado o revólver do comerciante, não deu a mínima.

– Portando arma sem registro, praticando sexo com adolescente e ainda por cima bastante alterado, com indícios de ter usado substâncias tóxicas a noite inteira... O senhor está bem encrencado, seu Selmo Nogueira...

Caxuxa já estava a ponto de chorar. 

Ele contou seu drama pela milésima vez. 

A tenente estava irredutível.

– Essas meninas sempre inventam novas histórias para livrar a cara dos marmanjos, mas dessa vez não vai colar... O senhor vai direto pra cadeia pública, seu Selmo Nogueira, pra aprender a não fazer indecências com menores de idade...


Caxuxa começou a vestir sua roupa vagarosamente, para depois ser algemado e entrar no camburão, quando, dali a cinco minutos, dois meganhas surgiram na portaria da pousada trazendo o travesti que havia iniciado a confusão.

– Esse cafajeste está me devendo R$ 200 do programa! – berrava o traveco, apontando para o Caxuxa. “Quando a gente entrou no quarto, ele disse ‘Vem, mata o velho, mata!’, aí, quando fiquei pelada para satisfazer seus instintos bestiais, ele armou esse barraco todo, dizendo que ia me matar...”

Fazendo força para não rir, a tenente Rosa Augusta obrigou o travesti a devolver o troco do comerciante.

Aí, depois de conversar longamente com a adolescente, se convenceu de que ela estava falando a verdade e que Caxuxa não tinha nada com o peixe. 

A menor foi embarcada em um carro da polícia, que partiu em busca da localização de seus responsáveis.

Já era quase meia-noite quando a tenente resolveu liberar o comerciante e dar os trâmites por findos.

– Seu Selmo Nogueira, nós só vamos lhe liberar porque o nosso papel constitucional é garantir a segurança de todo e qualquer cidadão, mas, principalmente, de pessoas incapazes, como crianças, adolescentes e anciãos! – avisou. “Mas na próxima vez em que quiser se divertir, escolha direito a sua parceira para não levar gato por lebre. O senhor não tem mais idade para pagar esses micos. De qualquer forma, a sua arma vai ser confiscada para evitar que da próxima vez ocorra uma tragédia.”

Caxuxa ficou tão agradecido que só faltou beijar a mão dos policiais.

Dirigindo para casa em silêncio, contabilizando perdas e danos, Caxuxa tomou uma decisão radical: nunca mais dar carona pra Kátia Expedida. 

Vem cumprindo a promessa até hoje.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Tartarugada na Chácara do Major



Nessa última segunda-feira, 5, atendendo a um convite especial do vereador Afrânio Jr. e do publicitário Ozeilson Araújo, eu, Gil da Liberdade e João Carlos estivemos na Princesinha do Solimões para uma sessão de comes & bebes a partir do meio-dia.

A fuzarca rolou na aprazível Chácara do Major, no km 19 da rodovia Manaus-Novo Airão, cujo igarapé repleto de matrinchãs e a permanente revoada de araras vermelhas nas copas da árvores se transformam em um espetáculo à parte.




Como prato de sustentação, uma tartarugada regional feita com rara competência pelas quituteiras Janilce e Neide, importadas diretamente de Alvarães.


Antes que pensem alguma besteira, a tartaruga foi adquirida no criatório do Manuel Chikó, autorizado pelo Ibama, pela bagatela de R$ 450 (ou R$ 18 por quilo).






Para acompanhar, uísque Johnnie Walker (Red e Black) e cervejas Itaipava geladas que só a gota serena.


Além dos anfitriões, das cozinheiras e dos convidados especiais, também bateram ponto no pedaço os homeboys Antônio Junior, Robson, Guguinha, Severino, Diego e Bruno Carvalho.

No próximo sábado tem mais, dessa vez com a presença do jornalista Mário Dantas e do sindicalista Vicente Filizzola.

Meu fígado já está sendo domesticado com Hepatilon. Te mete!