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segunda-feira, janeiro 21, 2013

A história de um lobo mau



Abril de 1971. O velho Nagib Bader estava sonhando com os anjos em sua residência, na Rua General Glicério, na Cachoeirinha, quando ouviu alguém batendo na porta da casa com violência.

Devia ser perto de meia noite.

Ele estranhou aquela visita em horário tão inoportuno, mas ainda assim resolveu abrir a porta e ver do que se tratava.

Era o folclórico Raimundo Ribeiro da Silva (aka “Lobo”, hoje dono da boate Remulo’s e de dezenas de casas de strip-tease), na época um sujeito tarimbado na arte da sinuca e que dela fazia seu ganha-pão.

Ele ganhou o apelido de “Lobo” nas rodas da malandragem porque possuía na boca apenas os dois caninos – o resto da mobília havia sido removida.

Além disso, Lobo não podia calçar sapatos porque contabilizava 17 verrugas “olho de peixe” na planta dos pés.

Ele vivia permanentemente calçado com uma surrada sandália Franciscana e andava devagarzinho, meio arrastando os pés, para não despertar a fúria das verrugas.

– Seu Nagib, eu preciso falar urgente com o meu compadre. Ele está aí?... – disparou ele, sem esconder o nervosismo.

O compadre de Lobo era Marco Aurélio, um dos filhos do seu Nagib, outro sujeito também muito talentoso na sinuca e conhecido nas rodas de malandragem como “Louro do Pezão”.

O velho foi acordar o filho. Ainda meio sonolento, Marco Aurélio foi saber com Lobo qual era o borogodó.

– Meu compadre, pegue seus tacos de sinuca que nós vamos fazer uma pescaria de malhadeira no puteiro “Rosa de Maio”, onde o dinheiro está caindo no chão. O nosso trabalho vai ser só ajuntar a grana... – avisou Lobo.

– Porra, Lobo, amanhã eu tenho um jogo pelo América e preciso ir pra concentração daqui a pouco – devolveu Marco Aurélio. “Se eu chegar atrasado na concentração, o técnico Amadeu Teixeira me capa...”

– Pare com isso, meu compadre, pare com isso! O dinheiro está caindo no chão, meu compadre, está caindo no chão! Nós só vamos ter o trabalho de ajuntar. Se eu tivesse grana, já estaria lá fazendo a feira. Ocorre que estou liso! Quero que você me empreste um pouco de dinheiro, que vou te devolver com juros e correção monetária ainda hoje.

Diante da insistência quase suicida de seu compadre, Marco Aurélio acabou pegando seu velho fusquinha, a maleta com os tacos de sinuca, embarcou Lobo no veículo e se mandou para o puteiro mais famoso da cidade.

No caminho, Lobo foi lhe contando o que havia acontecido.

Segundo ele, o conhecido punguista Abacate, morador da Vila Mamão, havia feito um roubo milionário na Casa 22 Paulista e surrupiado 200 sapatos Motinha, que era o sonho de consumo da rapaziada.

Abacate já havia vendido todos os sapatos e estava com a grana da transação no bolso, jogando sinuca a dinheiro no “Rosa de Maio”, pedindo pra ser “alisado”.

Quando chegaram ao lupanar, Marco Aurélio emprestou uma boa soma de dinheiro ao seu compadre, lhe deu o melhor taco de sinuca da maleta e ficou dormindo dentro do carro.

Lobo foi jogar sinuca com Abacate.

Três horas depois, Lobo estava batendo no vidro da janela do fusquinha:

– Compadre, compadre, me empreste mais dinheiro que o homem me alisou...

Ainda meio sonolento, Marco Aurélio bateu pesado:

– Como lhe alisou? Mas, porra, compadre, não era só ajuntar o dinheiro do chão?... Agora, fodeu geral porque quem ficou liso fui eu...

Os dois entraram no puteiro para ver se havia algum conhecido que lhes emprestasse uma grana para Marco Aurélio apostar contra Abacate.

Perto do salão de sinuca, Abacate descansava placidamente em uma cadeira de balanço, com duas prostitutas sentadas em seu colo e dois engraxates agachados aos seus pés, cada um deles dando o brilho num dos seus sapatos Motinha.

– Êi, Lobo, sabe quem é que tá pagando essa mordomia toda? É você, meu amigo... Você é um cara legal! – zombava Abacate.

Aí, enfiava um dos dedos na xereca de uma das prostitutas, levava o nariz e dizia:

– Essa aqui está usando perfume Bond Street pago pelo Lobo...

Depois, repetia a operação na outra garota.

– Essa aqui está usando perfume de Gardênia pago pelo Lobo...

Mais lisos do que lombo de pão doce, os dois compadres abandonaram o puteiro cuspindo fogo.

Em vez de voltar pra Cachoeirinha, Marco Aurélio foi para o bairro de São Raimundo.

Ele parou em frente de uma humilde casa de madeira e começou a bater na porta com violência.

Um sujeito, ainda meio sonolento, abriu a porta.

Era José Ramos (aka “Pixuí”), um dos mais hábeis jogadores de sinuca do bairro.

Marco Aurélio contou o que acontecera. Pixuí pediu um tempo para escovar os dentes, tomar café e trocar de roupa.

Uma hora depois, os três estavam de volta ao “Rosa de Maio”.

Nem sinal do Abacate.

Um dos garçons informou que ele havia saído com as duas prostitutas para continuar a farra em Educandos.

Os três se mandaram pra Educandos e passaram em revista todos os bares que possuíam mesa de sinuca.

Foram encontrar Abacate, morto de bêbado e ainda com as duas prostitutas no colo, no Brasília Bar, do comerciante Zé Félix.

Assim que avistou Lobo, o folgado Abacate foi logo perguntando:

– Veio me trazer mais dinheiro, meu pato? Entre e fique à vontade...

Lobo fez de conta que a indireta não era pra ele.

Sério que só cu de touro, Marco Aurélio permaneceu calado.

Marrento a vida toda, Pixuí pegou um dos tacos pendurados na parede, passou giz branco na ferramenta, tirou uma pacoteira de grana do bolso, casou a aposta na mesa e começou a comer Abacate pela beirada.

Duas horas depois, ele havia recuperado o dinheiro de Marco Aurélio e embolsado todo o dinheiro que o Abacate havia apurado com a venda dos 200 sapatos Motinha.

Afinal de contas, malandro é malandro e mané é mané.

Os três deixaram o bar do Zé Félix de alma lavada e com dinheiro suficiente para farrear durante uma semana.

Ainda morto de sono, Marco Aurélio chegou à concentração do América, localizada na Rua Silva Ramos, no Alto do Nazaré, por volta das 7h da manhã.

Quase foi capado pelo irascível treinador Amadeu Teixeira, que achava que seu melhor jogador havia passado a noite na gandaia.

Também tem dessas coisas.

domingo, janeiro 20, 2013

Aniversário do Juarezinho Tavares



Neste sábado, 19, a charmosa Patrícia Tavares resolveu fazer uma festança para celebrar mais um ano de vida do maridão, o novel advogado Juarezinho Tavares, e convidou seus homeboys para uma sessão de “samba, feijoada e birita”.

No cardápio, além da legítima feijoada brasileira, havia bacalhau à portuguesa, bacalhau à Zé do Pipo, pirarucu de casaca, escondidinho de pirarucu e mais meia dúzia de opções.






Comi à tripa forra, claro, já que como diz o filósofo-sambista Chico da Silva, “boca livre e pênalti só perde quem é otário”.

O fuzuê começou pontualmente ao meio-dia, com o grupo Mixtura Fina abrindo o gogó e mandando ver nos melhores sambas da história.



Empresariado por Marcos Caramuru, a formação matadora da banda tinha Cabi Sicsu nos vocais, Zanata no tantã de corte, Bruno BB no banjo, Cacheado no cavaquinho, Andrezinho da Balaku-Blaku no tantã de primeira, Vítor no reco-reco e Davizinho no pandeiro.

Na disputa entre brahmeiros e pinguins, novamente a turma da Antarctica levou a melhor.


Os brahmeiros haviam recebido um reforço de peso: Luiz Lobão, Vladimir Brother, Marlon, Edlúcio Castro, Caramuru (pai do Marcos e do Zanata), Ubirajara (irmão do Caramuru e amigo do Pai Simão), Meio Quilo, Pedro Carioca, Renan e Vicente.


Nós, do pinguim, continuávamos em minoria: eu, Careca Selvagem, Arlindo Jorge, Beth (esposa do Arlindo) e Hilário Prado.

Ainda assim, obrigamos o Juarezinho Tavares a providenciar uma terceira caixa de cerveja por volta das 16h, enquanto os brahmeiros não conseguiram detonar a segunda grade.


Entre os convidados, estava o sempre admirável casal Ruth Miranda e Oswaldo Bustamante, sinônimo de conversa agradável em qualquer circunstância.

O filho mais velho deles, o veterinário Jonatan, se transformou instantaneamente em um de meus heróis favoritos.

Explico melhor.


No final de 2006, Jonatan estava pilotando uma motocicleta Kawasaki Ninja 250R, na estrada do Aero Clube, em direção ao campus da UniNilton Lins, quando percebeu um Opala ziguezagueando na sua frente.

Ele deu luz alta, buzinou, e o sujeito nada de dar passagem para a motocicleta.

Joanatan conseguiu emparelhar a motocicleta ao lado da janela do carona do Opala e notou que o sujeito, além de bêbado, estava transformando sua acompanhante em saco de pancadas.

Ele fez alguns xingamentos ao vagabundo e foi embora.

O vagabundo saiu em perseguição ao motoqueiro.

Jonatan foi abalroado por trás pela primeira vez, mas conseguiu manter o equilíbrio, levantou a viseira do capacete, deu um cotoco pro vagabundo e acelerou.

O Opala continuou sua perseguição e abalroou o motoqueiro por trás pela segunda vez.

Jonatan mesmo derrapando, conseguiu restabelecer o equilíbrio da motocicleta e acelerou de novo, pelo lado direito da pista, praticamente encostado ao meio-fio.

O Opala foi atrás em alta velocidade e, dessa vez, simplesmente imprensou com violência o motoqueiro contra a sarjeta.

Jonatan foi cuspido da moto e se chocou contra o muro de uma borracharia existente no local.


Passou 55 dias em coma, perdeu o baço, parte do fígado e foi submetido a uma traqueostomia para poder continuar respirando.

O vagabundo foi preso pela polícia, mas como tinha bons advogados acabou sendo solto e foi embora de Manaus.

Não pagou um tostão de indenização ao acidentado, que teve todas suas despesas médicas custeadas pela própria família.

Quando eu defendo a execução sumária de motoristas embriagados, os apedeutas ainda me chamam de exagerado.

Apesar de tudo, Jonatan não perdeu o bom humor e se ressente apenas de nunca mais na vida poder ingerir álcool.


Mesmo abstêmio, ele curte doom metal – e isso sim é verdadeiramente “crazy”!

Fiquei de selecionar alguns álbuns do gênero para lhe dar de presente na próxima gandaia juareziana.

Abaixo, alguns flashes da fuzarca.
































NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Também neste sábado, o Setembro Negro ganhou de 2 a 1 do Tricolor e se isolou na liderança do campeonato de masters do Penarol. A comemoração pela vitória foi no Bar do Jacó e entrou pela madrugada. No próximo fim-de-semana tem mais.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Carta de Washington



Durante a campanha do prefeito Artur Neto, eu acabei me tornando amigo de dois sujeitos fantásticos: o jornalista goiano Ivan Paulo Penna, que era redator dos programas e trabalhava feito um mouro, e o carioca radicado na capital dos Estados Unidos Francisco Rogildo (aka “Frei Chico”), responsável pelas pesquisas online diárias (os famosos “disparos”) e piadista em tempo integral.

Nós três ocupávamos uma das salas da produtora Digital, praticamente isolados do restante da malta.


O colored Ivan Paulo era meio arredio e biritou comigo uma única vez, durante uma festa no Solarium Eventos, onde apareceu na companhia da jornalista Liduína Mendes e do DJ Kleber Romão, também meus parceiros de labuta na campanha do tucano.

O Frei Chico era mais despachado e andou amarrando uns porres federais com minha turma, tanto no meu mocó particular, em Adrianópolis, como no Bar do Jacó, na Cachoeirinha.


Quando ele se mandou para os Estados Unidos, após o término da campanha do segundo turno, dei-lhe a incumbência de entregar pessoalmente ao filósofo Olavo de Carvalho alguns livros de minha autoria.

O Olavo havia me cobrado os livros no início do ano, em um programa que ele mantém na web, semanalmente, chamado True Outspeak.


Nunca soube se Frei Chico havia ou não cumprido a promessa até receber dele um e-mail nesse domingo, que transcrevo na íntegra:

Mestre

Sei que é a maior baitolagem dizer que sinto saudades de você.

Mas é foda.

Sinto mesmo, Simão.

Volta e meia leio teu blog e teus livros para matar a saudade.

Bom, no sábado pela tarde, deixei teus livros na casa do Olavo de Carvalho.

Estava há meses para manda-los pelo correio, pois o homem mora longe para carai, praticamente uma zona rural, numa cidade chamada Carson, perto de Richmond, um dos berços da guerra civil e onde provavelmente campeiam milícias doidas para pegar um fodido latino como eu, de porrada, de  tiros de pistolas semiautomáticas e de pauladas.

A zona aparentemente é produtora de algodão.

As fazendas, vistas da estrada, são imensas.

Bom, o fato é que eu já estava sem graça com o tempo de enrolação.

Enfim, na sexta fomos todos a North Carolina para deixar minha mãe na casa de uma prima dela.

No sábado pela manhã, voltamos, eu, a patroa e as crianças.

Sete horas com os respectivos rabos no carro.

Resolvi levar os livros comigo e dei um desvio de uns 40 minutos na estrada para deixa-los.

O dia era cinzento.

Antes de chegar, resolvi passar um e-mail desses que te localiza num mapa para teres a certeza de que eu estava lá, naquele cu do mundo, deixando os livros.

A patroa até me disse uma coisa que ela raramente fala em português:

– Porra, avisa pro Simão que, na hora de te agradecer, não esquecer de mim e do Gabriel e da Stella, por que carai, isso aqui é o fim do mundo...

Eu ri, só pensando que aqueles algodoais, naquele fim de tarde bem escuro, pareciam, ou bem podiam parecer, um daqueles cenários do Faulkner em Luz de Agosto.

Eu só pensando...

E se esse caralho desse carro, que vive dando problema, resolver parar aqui?...

Enfim, entreguei os livros ao filho do homem, que disse que os passaria ao pai.

Portanto, mestre, a missão está cumprida.

Estou pronto para receber minha faixa vermelha, com as insígnias do Red Label.

Bom, mas falemos do futuro.

Simão, meu amigo, estou indo a Manaus nessa semana.

Quero tomar umas contigo, conversar, falar merdas e coisas sérias.

Cara, tô morando num quarto lá no D. Pedro.

O lugar é legal.

Os donos da casa, apesar de evangélicos, não enchem o saco.

Em novembro, fui aí por uma semana, mas não deu pra gente se ver porque, além de tudo, tive que procurar casa, pois aquele negócio de hotel ia ficar puxadíssimo.

Tô abrindo mesmo a microempresa.

Ando trabalhando pra caramba, com a pouca grana que tenho.

Tenho que me desdobrar.

Chegando aí a gente vai sentar para falar disso.

Então, já tenho um telefone Vivo aí: 9XX5 7XX1     

Abração, Chico.


NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Via telefone, Felipe Lobo me avisou que a lovely Aline Cavalcante tirou dez com louvor na Defesa de Dissertação de Mestrado intitulada “O riso e tudo o mais... interfaces literárias entre Simão Pessoa e Efraim Medina Reyes”, ocorrida na manhã de hoje, na Universidade Federal de Roraima.

Ele agora à noite deve participar da boca-livre que a Aline vai patrocinar em sua residência e deve levar a tiracolo um de meus gêmeos, o analista de sistemas Marcel Pessoa, que também está morando em Boa Vista e trabalhando na Embrapa.

Sorry, periferia, but I’m so happy!

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Cartas de Roraima



O escritor colombiano Efraim Medina Reyes

Na quinta-feira passada, 10, recebi este e-mail da professora Andréia Silva, da Universidade Federal de Roraima (UFRR):

O Programa de Pós-Gradução em Letras-PPGL da Universidade Federal de Roraima tem a satisfação de convidá-los para a Defesa de Dissertação de Mestrado de Aline Cavalcante Ferreira, intitulada “O riso e tudo o mais... interfaces literárias entre Simão Pessoa e Efraim Medina Reyes”.

Será no Campus do Paricarana no bloco I, sala 01, no dia 15 de janeiro de 2013 às 10h.

Na sexta-feira, 11, enviei um e-mail a Aline Cavalcante explicando que como havia sido nomeado pelo vereador Bosco Saraiva para um cargo de confiança na Diretoria de Comunicação da Câmara Municipal de Manaus (CMM) estava praticamente impossibilitado de deixar a cidade para assistir sua dissertação.

Informei, também, que o Felipe Lobo, recém-nomeado professor titular da UFRR, iria me substituir na plateia do evento.

Nesta segunda-feira, 14, a lovely Aline Cavalcante me enviou o e-mail abaixo, que compartilho com vosmecês:

Queridíssimo Simão

Não vou dizer que fiquei feliz com essa notícia, porque  não fiquei mesmo (kkkkk). Mas compreendo perfeitamente... E só me resta desejar muito sucesso a você... Que Deus o ilumine nessa nova jornada. Tenho certeza que a comunicação da CMM não será a mesma sob os seus comandos...

Querido, na verdade, gostaria que você estivesse presente para poder te agradecer pessoalmente, diante da banca e de todos, o carinho e atenção com que fui agraciada por você. Não tenho palavras, adjetivos... enfim, fiz os devidos agradecimentos na dissertação e cito o quanto você foi importante, colaborou desde o primeiro contato...

Queria que todos soubessem quem é o verdadeiro autor dos “manuais”... um espada que escreve poesias e não me venha com essa história de “ex-poeteiro”... as suas poesias são lindas... uma vez poeta, sempre poeta...

Queria ouvir você falando sobre o Humor na literatura...

Queria apresentá-lo para o meu professor Mibielli – um autêntico espada – e para o Randerson, meu marido – um espada mais comedido (kkkkk).

 Queria, também, você aqui na terça à noite, quando reunirei um grupo de pessoas especiais...

Porém, o fato de você não poder vir não me desanimou... o carinho e a gratidão continuam firme e forte e sei que teremos outras oportunidades. Só não te perdôo se souber que esteve em Boa Vista e não me avisou...

Estou muito feliz com o meu texto... (me emociono só de ler).  Certamente tudo dará certo, a defesa é mais uma apresentação, digamos que algo necessário para se encerrar um ciclo. Contudo, outros serão iniciados... O doutorado me aguarda e não descarto a possibilidade de trabalhar seus poemas (kkkk)... Vou só dar um tempo, cuidar do marido (ele ficou carente), filhos e casa... estudar inglês... e retomo os estudos...

 Vou te enviar o texto após as devidas correções, considerações etc

 Um abraço forte,

 Com carinho

 Aline Cavalcante


NOTA DO EDITOR DO MOCÓ


Conhecido e aclamado por seus romances, o colombiano Efraim Medina Reyes está com um novo livro na praça: Pistoleiros/Putas e Dementes.

Trata-se de uma magnífica coletânea de poemas de clima inquietante – em que se entrelaçam céus e infernos – e refinado senso de humor.

Esta obra, da mesma forma que ocorre nos romances de Medina, está distante de qualquer tradição.

É inovação, linguagem pura.

O que mais impressiona neste autor é a ousadia com que aborda os temas mais profundos, conseguindo ao mesmo tempo provocar reflexão, emoção e riso.

Efraim, Medina, sem cerimônia, desmitifica o próprio ofício da literatura.

E vocês ainda não querem que eu me emocione por estar em tão boa companhia nessa tese de mestrado da Aline Cavalcante? 

Tá bom...

domingo, janeiro 13, 2013

Setembro Negro strikes again



Sob a coordenação de Nei Santos Costa, o campeonato de veteranos do Penarol começou há duas semanas, com 12 times se pegando entre si.

Na primeira fase, os quatro piores times serão despachados.

Na segunda fase, serão duas chaves de quatro times, que jogam entre si.

Classificam-se os dois primeiros e as semifinais serão pelo cruzamento de chaves: o primeiro de uma chave joga contra o segundo da outra.

O time campeão vai embolsar R$ 3 mil, o segundo lugar R$ 500.


Careca, Paulinho e Abílio

Um dos destaques do campeonato é o brilhante árbitro Paulo Jorge (aka “Paulinho”), considerado o melhor juiz do Peladão durante três décadas.

O Setembro Negro estreou neste sábado, 12, derrotando o Cruz Azul, do Japiim, por 2 a 1, numa virada sensacional.

Basta dizer que o time não tinha goleiro e o ex-meia-armador Áureo Petita foi improvisado na posição, tendo levado um gol simplesmente bisonho: o ponta-esquerda do Cruz Azul foi no final da linha de fundo e cruzou na área.

Parado quase embaixo da trave, Áureo foi encoberto pela bola porque sequer levantou uma das mãos para tentar cortar a pelota.

O centroavante do Cruz Azul completou de cabeça praticamente embaixo da trave.


Depois dessa verdadeira cagada, Áureo foi substituído pelo quarto-zagueiro Ruído, que fez algumas defesas importantes.

O Setembro Negro também não tinha um único reserva, o que é quase um crime de lesa-pátria em se tratando de jogos de veteranos.

Neguinho com 50 anos não tem fôlego para correr 60 minutos num campo daquele tamanho.

A comissão técnica – eu (Murrinhas do Egito), Val Wilkens (Canto do Villa’s), Marcus Caramuru (Santos) e Ivancy Wilkens (Vila Mamão) – ficou encarregada de se reunir no Bar do Manuel para resolver o assunto.

Reforçado por três veteranos vindos diretamente de Itacoatiara, o Setembro Negro mostrou muita disposição e garra para vencer a partida, mas se ressentiu da ausência de seus principais jogadores: Renan, Fabinho, Sildomar Abtibol e Junior Perturbado.


O time jogou com Áureo Petita (Ruído), Cláudio, Jacó, Marco Antônio, Roberto, Cléo, Laércio, Ronilson, Titanor, Toinho e Zanata.

Como os próprios atletas estranharam o nome do time, aí vai um resumão da história.

Em setembro de 1970, ocorreu uma frustrada tentativa de golpe de estado na Jordânia contra o Rei Hussein II, comandada pela então terrorista Organização da Libertação Palestina (OLP).

Na ocasião, o rei jordaniano iniciou uma violenta campanha contra militantes políticos palestinos no país, matando centenas de pessoas.

Em resposta à repressão de estado jordaniana, foi criada a organização paramilitar Setembro Negro, comandada por membros da Al-Fatah (Movimento da Libertação da Palestina, organização comandada por Yasser Arafat), contando com o apoio de membros da As-Sa’iqa e da OLP.

O terrorista Mohammed Daoud Oudeh foi o mentor intelectual das ações da organização.

Entre seu estabelecimento, em meados de 1971, até o “Massacre de Munique“, como ficou conhecido o incidente nas Olimpíadas de 1972, o Setembro Negro capitaneou diversas ações terroristas como cartas-bomba para autoridades diplomáticas israelenses, sequestro de aviões, tentativas de assassinatos contra oficiais jordanianos e ainda o assassinato do primeiro-ministro jordaniano Wasfi Tel em 1971.

Depois do atentado em Munique, outras ações do Setembro Negro continuaram a ocorrer até seu desmantelamento no final de 1974, por obra e graça do Mossad, o serviço secreto israelense.

Parte dessa história foi contada no emblemático filme “Munique”.


Em 1983, a gente resolveu tocar terror colocando um novo time no Peladão, depois do falecimento precoce do Murrinhas do Egito ocorrido cinco anos antes.

Batizamos o time de Setembro Negro e, para intimidar os adversários, optamos por um equipamento digno de policiais do Bope: camisa, calção e meiões absolutamente negros.

O escudo do time era uma caveira com um lírio atravessado na boca, desenhada pelo Jorge Palheta, e aplicada sobre o fundo negro nas cores prata (o crânio) e amarelo fosforescente (o lírio).

Uma espécie de terrorismo lírico.

Pra completar, montamos uma senhora equipe com vários ex-jogadores profissionais, como havia virado moda na competição: Gato (ex-América), Luiz Alberto (ex-Rodoviária), Petronio Aguiar, Coca (ex-Fast) e Juldecir (ex-São Raimundo); Paulinho Preto (irmão do Horácio, ex-Rio Negro), Paulo César e Mário Gordinho (ex-Fast); Zezé (ex-América), Zeca Boy e Luiz Lobão.

Dessa vez eu era apenas o treinador, mas vira e mexe acabava sendo convocado para substituir o Coca ou o Petrônio no meio da zaga.

No banco estavam Gilson Cabocão, Heraldo Cacau, Chico Porrada, Gilmário, Ratinho, Roberto Doido, Francisco Neto e Jaques Castro.

O Luiz Lobão sugeriu a contratação do Áureo Petita, que havia retornado de Itacoatiara após uma rápida passagem pelos times do Penarol e Gelopesca e ainda tinha um futebol de encher os olhos.


Mantive a promessa que havia feito em 1975, quando o maior craque da história do Murrinhas se bandeou para o time da Dona Norma:

– Se você quiser ir, você vai e não há nada que eu possa fazer a respeito, além de lamentar e ficar muito puto! – expliquei. “Agora, é o seguinte: se você for, não tem volta. Nós vamos ser amigos de infância pelo resto da vida, mas eu nunca mais vou jogar em um time tendo você ao meu lado!”

E assim foi feito.

Áureo Petita foi jogar na Escola de Datilografia Santa Rita, deletei seu nome da minha lista de jogadores preferenciais e nunca mais disputamos uma partida juntos, nem mesmo em “peladas” de ruas, já se vão mais de 30 anos.

Amigo é pra essas coisas.