42. Fevereiro de 1980. Naquela noite, o
Olímpico Clube estava realizando o seu badalado Baile do Havaí. A venda de
mesas havia se esgotado com um mês de antecedência. Só entrava individualmente
quem tivesse convite autenticado pelo presidente do clube. Sem convite, nem o
Papa João Paulo II, o polonês Karol Józef Wojtyła, teria acesso ao panavueiro.
Chega Francisco
Cavalcante, simples e tranquilo. Meteu a mão no bolso da camisa, tinha
esquecido o convite. Procurou, não achou. Foi entrando, o porteiro barrou:
– Sem convite,
não entra.
– Sou o
radialista F. Cavalcante, faço o programa radiofônico “E Éramos Todos Jovens”, de
segunda a sábado, na rádio Difusora, e o baile mensal “For Making Love”, no Juventus,
de Santo Antônio, com mesas liberadas. Devo
ter esquecido o convite no estúdio da rádio...
– Se o senhor é
o F. Cavalcante, eu sou o rei do Sião, meu amigo! Sem convite, não entra nem
pelo caralho!
F. Cavalcante
deu meia volta, ficou esperando.
Chega o
advogado Ari de Castro Filho, presidente do clube.
– Meu querido
radialista, que bom que você veio. Vamos entrar.
– Não posso.
Esqueci o convite.
– E daí? Quem
disse que você não podia entrar?
– O rei do
Sião, aquele senhor simpático que está logo ali...
Ari ficou puto
da vida e deu uma espinafrada básica no rei do Sião por não ter reconhecido o
radialista mais famoso de Manaus. Entraram os dois.

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