53. Maio de 1966. O Rio Negro estava
enfrentando o time carioca do São Cristóvão no Parque Amazonense e vencendo por
3 a 0, gols de Horácio, Edson Piola e Cândido.
No segundo
tempo, o time carioca foi para o tudo ou nada obrigando o goleiro rionegrino
Clóvis, o “Aranha Negra”, a fazer verdadeiros milagres embaixo da trave.
De repente, o
lateral esquerdo Antenor dá uma voadora no atacante Aladim, do São Cristóvão, e
é expulso de campo.
Reclamando
barbaridade do árbitro, ele se dirige para o vestiário, quando é interceptado
pelo repórter de pista Raimundo Moreira, da Rádio Baré:
– E aí,
Antenor, por que é que você está saindo mais cedo de campo?...
– Sei lá! –
resmunga Antenor. – Pergunta daquele juiz filho da puta...
– Ôpa, ôpa,
palavrão não! Palavrão não! – reage o repórter de pista. – Essa aqui é uma
rádio familiar!
– Eu sei, eu
sei! – se desculpa Antenor. – Mas eu falei juiz filho da puta no bom sentido...
O repórter de
pista quase foi demitido na mesma hora pelo comentarista Luiz Saraiva, chefe da
equipe esportiva da rádio.

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