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quarta-feira, janeiro 07, 2015

Esquentando os tamborins (Parte 6)


Denise Carla
Os ranchos carnavalescos começaram a surgir na cidade do Rio de Janeiro em fins do século 19. As datas variam: 1872, 1895 e 1896. 
A princípio, desenvolviam apresentações bem próximas das características do folclore nordestino. 
Com seus emblemas e símbolos, formavam cortejos, cantando chulas ingênuas de origens africanas, acompanhados por uma “orquestra” composta de violões, violas, ganzás, pratos, castanholas e, às vezes, flautas. 
Os ranchos diferem das escolas de samba pela organização do desfile, pelo instrumental semelhante ao de bandas de coreto e pela música que, sempre inédita, constava de três peças: marcha-rancho, alusiva ao enredo, de andamento arrastado e acentuada riqueza melódica, a chamada marcha-de-passeio, de exaltação ao carnaval, e um samba-rancho.

Em sua fase áurea (1919-1939), os ranchos se apresentavam com fantasias luxuosas e criativas, figuras de damas e cavaleiros, com esplendores nas costas, pórticos e painéis com pinturas artísticas, além dos seguintes elementos: abre-alas, comissão de frente, figurantes, alegorias, mestre de manobra, mestre-sala (baliza) e porta-estandarte. 
Havia ainda as grandes sociedades, com seus carros alegóricos repletos de mulheres bonitas, alegorias mitológicas, históricas e cívicas. 
Os carros de crítica política encerravam, no fim da noite de terça-feira gorda, os disputados festejos. 
Tais agremiações se chamavam Tenentes do Diabo, Fenianos, Pierrôs da Caverna, Clube dos Democráticos, Congresso dos Fenianos, Clube dos Embaixadores e assim por diante.
A grande concentração popular se fazia na Avenida Rio Branco, da Cinelândia até a Rua do Ouvidor. A classe média alta preferia as imediações do Jóquei Clube, entre a Avenida Almirante Barroso e a Rua Araújo Porto Alegre. 
Alguns levavam os próprios assentos, cadeiras e banquinhos, mais tarde substituídos por palanques e arquibancadas montados pela prefeitura. 

A segunda-feira era célebre não só pelo desfile de ranchos, que usavam fogos de artifícios coloridos, mas também porque os frequentadores do baile do Municipal eram observados pelo populacho, que ia admirar-lhes as fantasias. 
A Galeria Cruzeiro, hoje edifício Av. Central, era o ponto focal do trecho entre a Rua São José e a Avenida Almirante Barroso, na época a área de maior animação dos carnavalescos tradicionais, que cantavam e dançavam ao som das músicas lançadas nos palcos dos teatros de revista e nas emissoras de rádio.
Com o desaparecimento gradual dos cordões, outros foliões, que não haviam aderido aos ranchos carnavalescos, se juntaram a conjuntos mais simples, não dramatizados, sem fantasias elaboradas e sem alegorias, que ainda mantinham certo paralelismo com os famosos cordões. 
Eram os blocos carnavalescos, que logo se organizaram em estruturas mais fechadas, formadas nas comunidades (“blocos de samba”) e outras formas mais livres e populares (“blocos de sujos” ou “de rua”) e logo cresceram em número e qualidade. 

Os primeiros foram predominantemente influenciados pela cultura negra e se tornaram os “embriões” de renomadas escolas de samba do carnaval carioca: o Vai Como Pode deu origem à Portela, o Arengueiros à Mangueira, e o Prazer da Serrinha ao Império Serrano.

Os “blocos de sujos” deram origem aos “blocos de clóvis”. 
Segundo alguns especialistas da história do carnaval, o nome “clóvis” é uma corruptela de “clown”, palavra que em inglês significa “palhaço”. 
Também conhecidos como bate-bola, os clóvis se assemelham a antigos arlequins medievais, que usavam bastões para agredir os desafetos e carregavam uma bexiga de porco ou de boi cheia de urina para arremesar nos incautos. 
Outros “blocos de sujo”, como os de mascarados e de nega maluca, também se transformaram em manifestações populares típicas do carnaval de rua, onde o improviso e a desorganização dão um sabor especial.

Esquentando os tamborins (Parte 5)


Denise Carla
Em 1935, o Cordão dos Laranjas construiu um salão, em forma de navio, que “atracou” na Esplanada do Castelo, e ali se realizariam alguns dos mais alegres bailes de três ou quatro carnavais. 
Enquanto o Teatro Municipal iniciava concursos de fantasias de luxo (a princípio só femininas, e, depois dos anos 50, também masculinas), os bailes que atraíam multidões eram os do Botafogo, Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama e América. 
Bem familiares em suas primeiras versões, reunindo a sociedade abastada em trajes de gala, foram-se tornando cada vez menos bailes de fantasia. 
Já não se conseguia dançar, apenas pular, e à casaca e ao smoking juntavam-se o traje-esporte e o mulherio semidespido. 
E existiam os bailes gremiais, como o das Atrizes, o Vermelho e Preto, o dos Pierrôs etc.
Nos bailes, as danças variavam de polca, lundu e tanguinho a sambas, marchinhas, frevos, jongos e cateretês, com todos os participantes cantando, pulando e “fazendo cordão”. 
Já nos banhos de mar à fantasia, porém, os foliões cantavam a plenos pulmões as músicas de sua preferência e também aquelas que eram divulgadas por discos e nos coretos municipais animados por bandas de música. 

Os banhos de mar à fantasia criaram hábito no intervalo entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. 
Os blocos e foliões trajavam fantasias de papel crepom e, após desfilarem nas praias, caíam na água, tingindo-a por horas, pois as fantasias de papel desbotavam fortemente. 
Havia, é claro, outro traje de banho, normal, sob aqueles trajes carnavalescos efêmeros.
A serpentina, aquela fita colorida de papel que é arremessada sobre os brincantes, tem origem francesa e chegou ao Brasil em 1892. 
No mesmo ano, também chegou o confete, de origem espanhola. 
Já o lança-perfume era uma bisnaga de vidro ou metal que continha éter perfumado, também de origem francesa, mas só chegou ao Brasil em 1903. 
Utilizados inicialmente nos bailes de carnaval de salão, o confete, a serpentina e o lança-perfume contribuíram enormemente para o êxito dos corsos que deram vida ao carnaval de rua. 
E, neste novo tipo de entretenimento, as batalhas de confete constituíam o momento culminante. 

A moda do corso, iniciada timidamente logo após a chegada dos primeiros automóveis, atingiria seus momentos de glória entre 1928 e a década de 1940. 
O corso consistia de uma passeata carnavalesca de carros de passeio conversíveis, de capota arriada, enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, conduzindo famílias ou grupos de foliões que se sentavam não só nos assentos, mas também sobre a capota arriada, sobretudo as moças fantasiadas de saias bem curtas, cantando ou jogando serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas para vê-las passar.
Essa gente motorizada brincava também com os ocupantes dos carros vizinhos e, por vezes, com os veículos rodando lentamente, emendavam o cortejo atirando montes de confete e milhares de metros de serpentina que enlaçavam os carros e se acumulavam no asfalto das avenidas a cada noite. 
O lança-perfume também era usado em profusão, enquanto a confraternização com os pedestres se ampliava não só pelos jatos de lança-perfume – o que abria caminho para conhecimentos mais íntimos, namoricos e paqueras – como também de caronas momentâneas na disputa de músicas entoadas por uns e por outros. 

Cada cidade possuía seu local de corso. O do Rio de Janeiro ocorria, principalmente, na Avenida Rio Branco (antiga Avenida Central), mas a certa altura, em vários carnavais, o corso se prolongava à Avenida Beira-Mar, atingindo o Flamengo e Botafogo até o Pavilhão Mourisco, no final da praia.

Quase consequência do corso, que desapareceu com o advento das limusines e carros fechados, as batalhas de confete ocorriam em locais determinados que possuíssem torcidas de bairro organizadas ou blocos suficientemente fortes para desenvolver a disputa – uma competição de canto, dança na rua e corso (nem sempre). 
Nas semanas ou meses que antecediam o tríduo de Momo, essas torcidas ou blocos organizavam as festas em que se gastavam quilos de confete e serpentina, litros de lança-perfume, e em que se dava a disputa entre as músicas preferidas de cada agremiação. 
Tais batalhas se prolongavam, às vezes, até o amanhecer, algumas superando a empolgação dos dias de carnaval “legítimo”, porque ali se exibiam os blocos, os ranchos e os foliões avulsos.

Esquentando os tamborins (Parte 4)


Denise Carla
O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de setenta anos de sucesso, indo de 1870 até o início do decênio de 1950. 
Começou a declinar depois de 1930, quando encareceram os materiais para confeccionar as fantasias (fazendas e ornamentos), sapatilhas, botinas, quepes, boinas, bonés etc. 
As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas ao traje mais sumário possível, em nome da liberdade de movimentos e da fuga à insolação do período mais quente do ano. 
Aí foram desaparecendo os disfarces mais famosos do tempo do Império e início da República, como a caveira, o velho, o burro (com orelhões e tudo), o doutor, o morcego, diabinho e diabão, o pai João, a morte, o príncipe, o mandarim, o rajá e o marajá. 
E também as fantasias clássicas da Commedia dell’Arte italiana, como dominó, pierrô, arlequim e colombina – de largo emprego entre foliões e que já não tinham razão de ser, depois que a polícia proibiu o uso de máscaras nos salões e nas ruas.

Aliás, desde 1685 as máscaras ora eram proibidas, ora liberadas. 
E a proibição era séria, bastando dizer que as penas, já no século 17, eram rigorosíssimas: um proclama do governador Duarte Teixeira Chaves mandava que negros e mulatos mascarados fossem chicoteados em praça pública, e brancos mascarados fossem degredados para a Colônia do Sacramento. 
Mas, na década de 1930, muitas daquelas fantasias ainda eram utilizadas, inclusive com máscaras. Entre elas estavam as de apache, gigolô, gigolete, malandro (camiseta de listras horizontais, calça branca, chapéu de palhinha, lenço vermelho no pescoço), dama antiga, espanhola, camponesa, palhaço, tirolesa, havaiana e baiana. 
Aos poucos, os homens foram preferindo a calça branca e a camisa-esporte, até chegar à bermuda e ao torso nu, mas isso só depois da década de 1950. 
As mulheres passaram às fantasias mais leves, abusando das transparências, atingindo, depois, o maiô de duas peças e alguns colares de enfeite, e logo depois adotaram o biquíni, o busto descoberto (“top less”) e por aí afora.
O carnaval europeu começou, na rua, com desfiles de disfarces e carros alegóricos, e, em ambiente fechado, com bailes, fantasias e máscaras. 
O carnaval carioca, certamente o primeiro do Brasil, surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei dom João IV, restaurador do trono de Portugal. 
A festa durou uma semana, do domingo de Páscoa em diante, com desfile de rua, combates, corridas, blocos de sujos e mascarados. 
Outro carnaval importante foi o de 1786, que coincidiu com as festas para comemorar o casamento de dom João com a princesa Carlota Joaquina. 

Mas o primeiríssimo baile de máscaras ocorreu em 22 de janeiro de 1840, no Hotel Itália, no Largo do Rocio, no mesmo local em que se ergueria depois o teatro e depois cinema São José, na Praça Tiradentes, no Rio. 
A entrada custava dois mil-réis, com direito à ceia. 
A moda dos bailes carnavalescos em casas de espetáculos só se generalizou, no entanto, na década de 1870. 
Aderiram à moda o Teatro Pedro II, o Teatro Santana, e aí até os estabelecimentos populares entraram na dança, como o Skating Rink, o Clube Guanabara, o Clube do Rio Comprido, a Societé Française de Gymnastique, e em teatros que se alinhavam ao lado dos bailes públicos, mas em área social selecionada.

O carnaval se alastra: surgem “arrastões” em casas de família, bailes ao ar livre, bailes infantis e pré-carnavalescos, bailes em circos, matinês dançantes. 
Muitos bailes ganharam fama nacional e até internacional, realizados em grandes clubes, hotéis ou teatros: em 1908, houve o primeiro dos bailes do High-Life, que chegaram ao fim nos anos 40. 
Em 1918, iniciou-se a tradição do baile dos Artistas, no Teatro Fênix. 
Em 1932, o primeiro grande baile oficializado, o do Teatro Municipal, abriu caminho para muitos outros. 
E logo vieram os do Hotel Glória, Palácio Teatro, Copacabana Palace, Palace Hotel, Cassino da Urca, Cassino Atlântico, Cassino Copacabana, Quitandinha (em Petrópolis) e Automóvel Clube do Brasil.

Wolinski, lenda do cartum francês, é uma das vítimas de ataque em Paris


Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)


O cartunista francês Georges Wolinski, conhecido por seu trabalho de forte teor erótico e político, considerado um dos símbolos de maio de 68, está entre os mortos no ataque contra o escritório da revista satírica "Charlie Hebdo", em Paris, nesta quarta-feira (7). Ele tinha 80 anos.

Além de Wolinski, outros três cartunistas estão entre as vítimas: o editor da publicação, Stephane Charbonnier, o "Charb"; Jean Cabut, o "Cabu"; e Tignous.

"Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna... O cara era uma ESCOLA. Que dia tenebroso!", escreveu o cartunista brasileiro André Dahmer em seu perfil no Twitter.

Ao G1, Dahmer comentou por e-mail: "É uma perda irreparável. Assassinaram o maior cartunista em atividade no mundo. Um homem que influenciou três gerações de desenhistas".

Já Arnaldo Branco completou: "Wolinski era meu favorito – até por aproximação, por conta do seu desenho tosco (opcional, no caso do francês, que na verdade desenhava muito bem). É difícil até comentar, dada a imbecilidade da morte desse grande mestre – que causa é essa que precisa retaliar um cartum?".

Quem era Wolinski


Nascido na Tunísia em 1934, Georges Wolinski se mudou com a família para a França em 1946.
Começou a publicar suas tiras nos anos 1960, em trabalhos satíricos que envolviam política e sexualidade.

Durante o maio de 1968 francês – série de manifestações e protestos estudantis por reformas na educação que logo teve adesão de trabalhadores e resultou em uma greve geral –, Wolinski foi confundador da revista "L'Enragé".

Na década seguinte, passou a fazer parte de jornal comunista "L'Humanité". Outros veículos com os quais colaborou foram "Liberácion", "Paris-Match" e "L'Écho des Savanes", além de "Charlie-Hebdo".

Uma das personagens mais marcantes de Wolinski foi a polêmica Paulette, criada junto do artista Georges Pichard (1920-2003) também o início dos anos 1970. Ela foi uma espécie de musa dos quadrinhos da época e apareceu pela primeira vez nas páginas da revista de humor "Charlie Mensuel" .

Em seu perfil no Facebook, o cartunista brasileiro Rafael Campos Rocha lembrou o lado "libertário" do francês: "WOLINSKI foi acusado de falocrata, masculi e todas essas merdas, porque era um LIBERTÁRIO. quem matou foi mais um desses patrulheiros filhos da p**a, para o qual a causa (seja religiosa, política ou de gênero) não serve para LIBERTAR, mas sim para COIBIR, CASTRAR e DESTRUIR, além de, é claro, de manter a sociedade de exploração, que vocês, moralistas de merda, precisam para continuar transformando a vida dos outros em um inferno".

Quem era Charb


Stephane Charbonnier, o Charb, era o editor da "Charlie Hebdo" e tinha 47 anos. Sempre defendeu a posição da revista de publicar os desenho do profeta Maomé (segundo o islamismo, essas representações gráficas são consideradas blasfêmia).

Em 2012, ele afirmou à agência de notícias Associated Press que "Maomé não era sagrado para ele". Charb disse na mesma entrevista que vivia "sob a lei francesa. Não sob a lei do Corão".

Quem era Cabu


Jean Cabut, conhecido como Cabu, tinha 76 anos e era o cartunista por trás da capa de 2006 da "Charlie Hebdo" que mostrava o profeta Maomé. Aquela edição veio na esteira das ameaças contra um jornal dinamarquês que publicou desenhos de Maomé.

Ele era um cartunista veterano de vários jornais franceses. De acordo com o britânico "The Independent", ele poderia ser o profissional de charge mais bem pago do mundo.

Quem era Tignous


Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, nasceu em 1957 e colaborava com as revistas "Charlie Hebdo", "Marianne" e "Fluide glacial".

Seu último trabalho é de 2011 e tinha o título de "Cinco anos de Sarkozy", sobre o período de Nicolas Sarkozy na presidência da França.

O ataque


Pelo menos 12 pessoas morreram no tiroteio em Paris nesta quarta. Entre os mortos estão dois policiais e 10 funcionários da revista, segundo a France Presse. A agência Reuters, citando a polícia, diz que outras dez pessoas ficaram feridas, cinco em estado crítico.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, Rocco Contento, porta-voz do sindicato dos policiais local, disse aos jornalistas que três suspeitos fugiram em um carro dirigido por um quarto homem. O veículo seguiu no sentido de Port de Pantin, onde o veículo foi abandonado e os suspeitos roubaram um segundo carro, no qual continuaram fugindo.

O número de suspeitos envolvidos no crime ainda é incerto e não foi confirmado pela polícia. Eles ainda são procurados e são perigosos, segundo as autoridades.

Michel Houellebecq


A sede da "Charlie Hedbo" foi alvo de um ataque a bomba em novembro de 2011 após colocar uma imagem satírica do profeta Maomé em sua capa.

Coincidência ou não, a "Charlie Hebdo" fez a divulgação em sua edição desta quarta-feira do novo romance do controvertido escritor Michel Houellebecq, um dos mais famosos autores franceses no exterior.

A obra de ficção política fala de uma França islamizada em 2022, depois da eleição de um presidente da República muçulmano. "As previsões do mago Houellebecq: em 2015, perco meus dentes... Em 2022, faço o Ramadã!", ironiza a publicação junto a uma charge de Houellebecq.

A revista de humor tem sido ameaçada desde que publicou charges do profeta Maomé em 2006.

Em novembro de 2011, a sede da publicação foi destruída por um ataque criminoso, já definido como atentado pelo governo na época.


Em 2013, um homem de 24 anos foi condenado à prisão com sursis por ter pedido na internet que o diretor da revista fosse decapitado por causa da publicação das caricaturas do profeta muçulmano.





terça-feira, janeiro 06, 2015

Barba de lenhador e medo de barata?


Ricardo Coiro

Só nesta semana, a unidade do Procon localizada na Rua Augusta, em São Paulo, recebeu mais de cem reclamações, todas realizadas por mulheres que foram descaradamente enganadas por homens com pinta de lenhador, mas que, na verdade, não passam de frágeis hipsters com pegada frouxa e que, acredite se quiser, usam pomadinhas modeladoras no bigode e vivem procurando dicas de looks em blogs de moda.

Aquele aspecto viril de lenhador durou pouco, muito pouco, não mais do que dez minutos. Quando eu entrei no carro dele estava rolando um CD do Fresno, você acredita?”, desabafou uma das moças ludibriadas, bravíssima por ter topado sair com um emo sensível escondido dentro da carcaça bruta de um viking.

E ela não foi a única a dar um depoimento revelador a respeito desse novo golpe que tem secado muitas xoxotas ingênuas por aí: “Quando a barata – que nem voadora era – entrou no bar, o cara que parecia um personagem recém-saído de uma das batalhas épicas do Game of Thrones iniciou um chilique de dar inveja ao David Brasil: gaguejou, pisou na pontinha do coturno e falou fininho! Logo ele que, à primeira vista, parecia um adestrador de ursos pardos ou um daqueles seres corajosos que vemos no Discovery Channel, comendo olhos de cabra com a mesma expressão de satisfação que fazemos quando devoramos um Doritos”.

As vítimas do “golpe do lenhador” – como vem sendo chamado por aí –, geralmente, são moças que têm aversão aos metrossexuais e que, nos barbudões de aparência – só aparência! – durona, esperam encontrar doses consideráveis de paudurescência, pegada firme e pouquíssima vaidade.

Doce ilusão, pois o que elas têm encontrado, de fato, são homens cujas atitudes nada condizem com a aparência que ostentam, e que tomam suco detox ao invés de cerveja, vêem The Vampire Diaries ao invés de Sons of Anarchy e assinam Men’s Health ao invés de Playboy.

Como o arcaico estatuto brasileiro ainda não possui leis específicas para regulamentar o uso da imagem de lenhador, os poucos lenhadores verdadeiros que ainda não foram presos pelo Ibama, devorados por ursos ou esmagados por troncos se uniram e criaram o ELCG (ESTATUTO DO LENHADOR CASCA GROSSA) – um conjunto de regras pensadas com o intuito de impedir que homens com aparência lenhador e alma de pole dancer queimem o filme dos verdadeiros barbados sem frescura.

As regras do ELCG são:

1. Se você, mesmo sem nunca ter cortado uma árvore, amansado um búfalo selvagem ou tomado uma garrafada na cara, deseja aderir ao estilo lenhador, tudo bem, mas nunca, em hipótese alguma, use luvinhas na academia. Um lenhador de mãos macias é tão inverossímil quanto um bailarino dançando com um revólver na cintura.

2. Se você quiser andar por aí com uma barba encorpada como a nossa, não tem problema, mas nada de passar cera nela, ok? Aliás, você até pode passar cera, desde que seja cera de abelhas africanas assassinas, coletada por você sem o uso de roupas protetoras ou dequalquer outra frescura do tipo.

3. Se o pneu do seu carro furar, nem pense em ligar para o seu pai ou pedir ajuda à sua seguradora. Troque a porra do pneu, irmão. Está sem macaco? Levante o carro no braço. Está sem braço? Tem pernas pra quê? Vire-se. Ou aceite que a sua atitude, na verdade, combina com o estilo Pelanza de se vestir.

4. Ler poesia? Chorar? Dizer “eu te amo”? Assistir a comédias românticas no cinema? Todas essas atividades são permitidas, desde que você as faça depois de invadir uma boca de fumo, dizer “Quem é o filho da puta que está vendendo merda por aqui?”, atear fogo em toda a maconha do lugar e, por fim, arrastar o chefe do tráfico – pelos culhões – até a delegacia mais próxima.

5. Está achando que a pele do seu rosto anda muito ressecada? Nada de hidratante facial ou idas a clínicas estéticas. Unte seu rosto com o maravilhoso lubrificante natural que sai da pepeca das mulheres com tesão. Ou, se estiver sem uma moça por perto, recorra à lama ou à gosma verde que sai de dentro de mandruvás esmagados.

6. Lenhadores nunca comem sorvetes gourmets, entendeu? Nada de paletas mexicanas afrescalhadas e recheadas com leite condensado. Se você quiser alguma coisa gelada, gostosa e nutritiva, irmão, pesque um salmão, espete-o em um graveto, congele-o e depois o coma, começando pelos olhos. E se reclamar de sensibilidade no dente, você será automaticamente expulso e terá o seu machado retido.

7. Depilação? Nunca faça uma coisa dessas. Os ursos pardos não respeitam homens de peito liso.

8. Drinks coloridos, docinhos e cheios de enfeitinhos? Dry Martini? COSMOPOLITAN? Você é um lenhador ou uma personagem consumista do Sex and the City? Hein? Decida-se! Nós bebemos cerveja, pinga, uísque, rum, absinto, conhaque, perfume, urina (em caso de desidratação no deserto), sangue de cascavel e suor de stripper. Só. Ah, também bebemos água, quando tomamos tiros e somos obrigados a fazer ultrassom.

9. Animais de estimação são permitidos, mesmo os de pequeno porte, como jaguatiricas, jararacas e demônios-da-tasmânia. Só não dê nomes como Ariel, Sandy, Bela ou Titi.

10. A aparência viril não lhe dá o direito de desrespeitar mulheres, gays, homens com fofura no sangue ou qualquer outro ser que não lhe esfaquear. Quando você quiser dar uma amenizada no seu stress ou testar os seus níveis de brutalidade, inscreva-se no LFC (Lenhadores Fight Championship) – evento no qual lenhadores de toda a galáxia demonstram técnicas de combate. As lutas acontecem dentro de rios cheios de jacarés e só terminam quando um dos participantes morre, tem algum membro acidentalmente amputado, diz “Nossa, nossa, assim você me mata” ou imita o Ney Matogrosso.


11. Nunca tire a barba, nem se você for convocado para ser o padrinho de casamento do seu irmão ou se precisar entrar nos EUA no dia 11/09. Você só poderá remover os pelos da sua face caso esteja perdido na selva e precise, urgentemente, de algum material para iniciar uma fogueira. 

Esquentando os tamborins (Parte 3)


Denise Carla
O entrudo, importado dos Açores pelo colonizador português, foi o precursor das festas de carnaval. 
Grosseiro, violento, imundo, constituiu a forma mais generalizada de brincadeira popular no período colonial e monárquico. 
Consistia em lançar sobre os outros foliões baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos de cera), pó de cal (uma brutalidade, que poderia cegar as pessoas atingidas), vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos, como a urina, que estragavam roupas e sujavam ou tornavam malcheirosas as vítimas. 
Esta estupidez, porém, era tolerada pelo imperador Pedro II e foi praticada com entusiasmo, na Quinta da Boa Vista e em seus jardins, pela chamada nobreza. 
E foi livre até o aparecimento do lança-perfume, do confete e da serpentina, todos trazidos da Europa. 
Na verdade, o entrudo era a oportunidade de as pessoas das camadas pobres da população (incluindo os escravos) se manifestarem contra as situações consideradas opressivas da época, ao mesmo tempo em que se divertiam e reinventavam a brincadeira entre eles próprios.
Em todo o Brasil, mas, sobretudo, no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos de Momo. 

O mais famoso tipo carioca foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes, que teve seu sobrenome trocado e ficou conhecido como “Zé Pereira”. 
Segundo o historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra natal. 
O “Zé-Pereira” cresceu de fama no fim do século 19, quando o ator Vasques elogiou a barulhenta manifestação encenando a comédia carnavalesca “O Zé-Pereira”, na qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: “E viva o Zé-Pereira/ Pois que a ninguém faz mal./ Viva a pagodeira/ Dos dias de Carnaval!”. 
A peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896. 
No início do século 20, por volta da segunda década, a percussão do “Zé-Pereira” cedeu a vez a outros instrumentos, como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as frigideiras, e há até quem diga que por meio dessa manifestação surgiram os blocos de rua, uma vez que o povo acompanhava o “Zé-Pereira” por onde ele passasse.

O surgimento dos cordões carnavalescos, por volta de 1870, representou uma diversificação do carnaval de rua, ainda dominado pelo entrudo, mas já convivendo com os “zé-pereiras”. 
Eles foram chamados de cordões porque, como as ruas eram muito estreitas, desfilavam praticamente em fila indiana.
Os cordões eram formados por negros, mulatas e brancos de origem humilde, e a animação ficava por conta do som dos instrumentos de percussão, com forte influência dos rituais festivos e religiosos africanos. 
À frente dos cordões, como se fossem batedores, vinham os “panos” (enormes estandartes, de aproximadamente dois metros de comprimento, por um de largura). 
As figuras de destaque eram o porta-estandarte e uma composição própria para a sua exibição. 
Os cordões tiveram sua fase áurea no começo do século 20, quando o número de agremiações chegou a 200. 
Entre os mais conhecidos destacavam-se Teimosos da Chama, Dália de Ouro, Destemidos do Livramento, Rainha do Mar e Rosas de Ouro.


As principais figuras carnavalescas eram a Colombina, o Pierrô e o Arlequim, todos personagens da Commedia dell’Arte, uma companhia italiana de atores que se instalou na França entre os séculos 16 e 18 para difundir uma forma de teatro original com tipos regionais e textos improvisados. 
Os três personagens tinham a função de divertir o público nos intervalos das peças teatrais, com piadas, chistes e estripulias lúdico-amorosas. 
Nos salões, Pierrô era o sujeito sentimental, que usava como indumentária calça e casaco muito amplos, ornada com pompons e de grande gola franzida, e se derretia de amores pela volúvel e sedutora Colombina. 
O palhaço Arlequim, de traje multicor, feito em geral de losangos, era seu rival. 
Ele divertia-se com a ingenuidade de Pierrô e usava todas as suas artimanhas para conquistar o coração da Colombina. 
Esta, namoradeira, alegre, fútil, bela, esperta, sedutora, gostosa e volúvel, vestia-se de seda ou cetim branco, saia curta e usava um bonezinho. 
Nos dias de hoje, a Colombina seria uma típica “cachorra” de baile funk carioca. 

Já o rei Momo, personagem que personifica o carnaval brasileiro, foi inspirado no Bufo, ator de procedência portuguesa que representava pequenas comédias teatrais que tanto divertiam os nobres.
Nos últimos anos, por conta da praga do politicamente correto, alguns apressadinhos começaram a pleitear que o rei Momo seja magricela, esbelto ou marombado, já que esse é o novo padrão de saúde imposto pela medicina contemporânea... 

Esquentando os tamborins (Parte 2)


Denise Carla
No Brasil, ao contrário do que ocorreu em outros países, o carnaval se caracterizou acima de tudo como uma manifestação do delírio coletivo, do desabafo popular e do humor ingênuo das multidões que saíam às ruas para cantar suas alegrias, como se observou durante anos nos blocos dos “sujos” e nos grupos de mascarados. 
Tempos depois, no entanto, o carnaval brasileiro perdeu, em parte, esse cunho popular e adquiriu um sentido grupal, aristocrático e clubístico, com bailes suntuosos e reservados apenas às classes sociais economicamente mais favorecidas. 
Hoje em dia, o carnaval é um conjunto de festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma. 
Embora centrado no disfarce, na música, na dança e em gestuais específicos, a folia apresenta características distintas nas cidades em que se popularizou. 
O termo carnaval é de origem incerta, embora seja encontrado já no latim medieval, como “carnem levare” ou “carnelevarium”, palavra dos séculos 11 e 12, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne.
Os dias exatos do início e fim da estação carnavalesca variam de acordo com as tradições nacionais e locais, e têm-se alterado ao longo do tempo. 
Assim, em Munique e na Baviera (Alemanha), ela começa na festa da Epifania, seis de janeiro (dia dos Reis Magos), enquanto em Colônia e na Renânia, também na Alemanha, o carnaval começa às 11h11min do dia 11 de novembro (undécimo mês do ano). 
Na França, a celebração se restringe à terça-feira gorda e à mi-carême, quinta-feira da terceira semana da Quaresma. 

Nos Estados Unidos, festeja-se o carnaval principalmente de seis de janeiro à terça-feira gorda (“mardi-gras” em francês, idioma dos primeiros colonizadores de Nova Orleans, na Louisiana), enquanto na Espanha a quarta-feira de cinzas se inclui no período momesco, como lembrança de uma fase em que esse dia não fazia parte da Quaresma. 
No Brasil, até a década de 1940, sobretudo no Rio de Janeiro, as festas pré-carnavalescas se iniciavam em outubro, na comemoração de Nossa Senhora da Penha, crescia durante a passagem de ano e atingia o auge nos quatro dias anteriores às Cinzas – sábado, domingo, segunda e terça-feira gorda. 
Hoje em dia, tanto no Recife (PE) quanto em Salvador (BA), o carnaval inclui a quarta-feira de Cinzas e dias subsequentes, chegando, por vezes, a incluir até o sábado de Aleluia.

Hoje, nem um décimo do povo participa ativamente do carnaval, ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, período que compreende o fim do século 19 até a década de 1950. 
Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros, seja por boa parte dos brasileiros, principalmente pelo público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular. 
Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo, musicólogo e folclorista, “o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922, era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto”.

Esquentando os tamborins (Parte 1)


Denise Carla
Ainda hoje a origem do carnaval é motivo de acirradas discussões e controvérsias em mesas de botequim. 
Só pra se ter uma ideia, há quem o situe há 10.000 a.C., tendo origem nos festejos rurais, quando homens, mulheres e crianças cobriam os rostos, pintavam e adornavam os corpos, e então se reuniam durante o verão para promoverem danças com o objetivo de afastar os demônios da má colheita ou simplesmente para comemorar o retorno do trabalho nos campos. 
Há também quem credite sua origem à evolução e à sobrevivência do culto à deusa Ísis e ao touro Ápis (entre os egípcios) ou à deusa Herta (entre os teutônicos), aos festejos em honra de Dionísios (na Grécia), ou ainda às Saturnais Romanas (homenagem à memória do deus Saturno, com cortejos de abertura apresentando grandes carros imitando navios – os carrum navalis), às Lupercais (celebradas após as Saturnais, como uma espécie de purificação, comemorando a fecundidade), às Bacanais (celebração ao retorno do sol e o começo da primavera, durante os meses de fevereiro e março, em homenagem ao deus Baco) e até mesmo às festas dos “inocentes” e dos “doidos” na Idade Média, que depois de sucessivos processos de deformação e abrandamento foram apontadas como responsáveis pelo surgimento dos mais famosos carnavais dos tempos modernos, como os de Nice, Paris, Veneza, Roma, Nápoles, Florença, Colônia e Munique.
Alguns autores afirmam que o carnaval já era encontrado na Antiguidade Clássica, e até mesmo na Pré-Clássica, com suas danças barulhentas, suas máscaras e licenciosidades, características que seriam mantidas até os dias atuais. 
Na Idade Média, a Igreja Católica, se não adotou o carnaval, pelo menos o tolerou (ainda que de forma branda) com certa benevolência. 
Alguns de seus representantes foram terminantemente contra aos festejos, porém o papa Paulo II, no século 15, foi mais tolerante e chegou até a permitir que se realizasse na Via Lata (rua fronteiriça a seu palácio) o carnaval romano, com suas corridas de cavalos, carros alegóricos, batalhas de confete, feéricas luminárias de tocos de vela (“molcoletti”), corrida de corcundas, lançamento de ovos e de outras manifestações populares. 
Com o decorrer do tempo, porém, essas “modalidades carnavalescas” entraram em declínio e o carnaval tornou-se menos violento e debochado, mas com um perfil cada vez mais tétrico e fúnebre.


Da Alta Idade Média, ficou o registro das célebres Danças Macabras, quando homens e mulheres desfilavam perante a Morte que ouvia, impassível, as queixas de cada um e depois lhes descarregava a foice. 
O carnaval do Renascimento foi marcado pelo romantismo e o lirismo. 
O baile de máscaras foi introduzido pelo já citado papa Paulo II e começou a fazer sucesso nos séculos 15 e 16, principalmente na França e na Itália. 
Ainda no século 17, um baile promovido em 1884 pelo Instituto Real de Pintores e Aquarelistas ficou muito famoso em Londres. Artistas ingleses se fantasiaram com máscaras de seus gloriosos mestres do passado ou de príncipes e monarcas amigos dos artistas e brincaram de forma ordeira e pacífica. 
Dessa forma, o carnaval passou a ser visto como uma celebração de caráter estritamente artístico, com bailes e desfiles alegóricos.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Maconha: comer ou fumar?


Entenda como as diferentes formas de consumir a droga podem impactar o corpo e a mente


Sabemos que de toda nossa audiência entre o site, a Fan Page no Facebook e demais seguidores em redes sociais, poucos vão nos prestigiar com um like ou um share neste post por conta dos problemas sociais que assumir o consumo da maconha causam.

Nosso objetivo é que você use este link para se informar e para ajudar os milhares de usuários que são seus amigos/conhecidos a entender as diferentes reações do consumo da maconha no organismo, evitando futuros percalços relacionados à ignorância ou até a inocência de novatos e entusiastas.

Em tempos de legalização em vários países versus a grande controvérsia que envolve o dilema do uso medicinal contra os efeitos do vício perante a droga, superar preconceitos é o esperado. 

Até a última ponta!

Entre os jovens, a modinha de usar a droga como ingrediente em alimentos como bolos e até no meio de outros pratos mais elaborados parece divertir quem ainda não foi pego pelo baque que o THC ingerido sem medidas pode causar.

A principal diferença entre a maconha fumada e a ingerida, seja na forma de bolo, manteigas e etc é a absorção dos princípios ativos.

Segundo o neurocientista e psicofarmacologia Fabrício Pamplona, ao fumar, a formação da fumaça carrega o THC para dentro dos pulmões e a absorção é quase que imediata.

Ainda assim, demora alguns minutos para começar a bater, e diz-se que em geral se tem um pico de THC no sangue após 15-20 minutos.

Já comendo, principalmente space cakes, você tem uma absorção muito mais lenta, e o nível máximo de THC deve acontecer em torno de uns 40-60 minutos, ou até mais.

Ao comer, os níveis de THC têm um poder maior de efeito no organismo, visto que fumando é possível regular a dosagem.

O problema do “descontrole” na dose fica no tempo que ela demora para agir entre as ações, como foi dito lá em cima por Pamplona: ao fumar é possível sentir que bateu mais rápido, ao comer, as sensações podem demorar até uma hora para aparecer.

Durante essa espera, ingere-se mais e mais e quando bate vem como uma tijolada na mente, principalmente entre os consumidores iniciantes que ainda não estão acostumados com os efeitos da droga, sendo atingidos pela superdosagem.

Pamplona é categórico no parecer: “A tendência ao excesso de consumo vem da falta de informação. Ainda assim, superdosagem nenhuma de maconha já matou alguém, isso é papo furado. A pessoa pode no máximo passar muito mal, baixar a pressão e no fim das contas, vai dormir em algum canto.”

Outro ponto nessa discussão é o preconceito em fumar, visto que o cheiro exalado pela droga pode ser facilmente identificado, o que não diminui a curiosidade de muitos em experimentarem o barato.

Daí vários neguinhos optam por fazer isso comendo e, como é sabido, todo excesso é condenável...

No caso da maconha não é diferente somente pelo fato de ela ser uma droga mais fraca do que muitas outras: excesso pode terminar em bode, a popular bad trip...

Fabrício ainda chama a atenção para uma preparação que tem aparecido recentemente no mercado brasileiro: os óleos de maconha. 

Esses sim alcançam concentrações muito altas de THC: “É pra usar uma gotinha ou duas, e o povo que não sabe corre o risco de exagerar.”

Quando se fala de maconha medicinal, o papo é bem outro.

Uma forma recomendada é a vaporização, diferente da queima (combustão) que acontece com o baseado, é uma fumaça mais limpa e ‘fria’ que reduz ou mesmo elimina o risco de câncer de boca, que é inerente à atividade de fumar (seja lá o que for).

Aí sim, pode-se preparar óleos com baixa concentração ou usar formas farmacêuticas que facilitem o controle da dosagem, como o spray de extrato hidroalcóolico (Sativex) que foi produzido pela GW.

Cerveja: 8 utilidades além de beber


Além de refrescar as ideias, essa loira é capaz de fazer muita coisa por você

Marcel G Costa

Que cerveja é tudo de bom, sabemos.

Que a cerveja pode fazer coisas incríveis com (e por) você, é de conhecimento comum, afinal quem nunca viveu momentos épicos (e outras nem tanto, vide ressaca) depois de alguns (ou muitos) goles de cerveja?

Mas acredite se quiser, a cerveja pode fazer muito mais por você além de te embebedar, confira:

#1 Relaxa seus pés

Experimente embebedar seus pés após um longo dia de trabalho. Saiba que as enzimas da cerveja podem suavizar seus calos. Encha uma bacia com água quente, de preferência o suficiente para que chegue até a altura do tornozelo, em seguida, adicione meia garrafa de cerveja à bacia. Então relaxe e deixa que a cerveja faça a magia acontecer.

#2 Dá um up no seu cabelo

Seu cabelo anda meio opaco e seco? Tente lavá-lo com cerveja. O malte é rico em proteínas que nutrem o cabelo e a levedura melhora a saúde geral dos fios.

#3 Limpa joias

Sabe aquele seu anel de prata ou a sua corrente de ouro? Então se você não os usa mais porque eles estão oxidados, seus problemas acabaram, basta mergulhar por 10 minutos em um recipiente com um pouco de cerveja (serve a cervea quente do churrasco), retire e lustre suas joias e voilà, elas estarão como novas.

#4 Diga adeus à insônia

Você sabia que o lúpulo causa sonolência? Pois é, e cerveja tem lúpulo, então basta tomar uma brejinha antes de dormir, e pronto, você dormirá como um bebê, agora caso você não queira beber antes de dormir, basta tomar um chá de lúpulo, é melhor que pílulas.

#5 Serve para amolecer a carne
Sabe aquela carne dura que o açougue te vendeu? Ela tem jeito! Basta deixar marinanda por uma noite na cerveja. A acidez da cerveja quebra as cadeias musculares da carne e a deixa mais mole e saborosa.

#6 E para cozinhar também

A cerveja não serve apenas para amolecer uma carne dura ou harmonizar com uma infinidade de pratos, a nossa santa cerva também serve como ingrediente para os mais diversos pratos, tais como: almôndegas, bolos, pães, arroz, entre outros.

#7 Desenferruja parafusos

A carbonatação da cerveja pode dar um fim a este problema. Despeje um pouco de cerveja sobre o parafuso enferrujado, aguarde em torno de 15 a 20 segundos e de sobrevida ao parafuso.

#8 Serve como armadilha contra pragas

Não é só de queijo que ratos gostam, eles não resistem a uma cervejinha. As baratas também são grandes fãs. Então se você quer armar alguma arapuca contra essas pragas indesejáveis, saiba que a cerveja pode servir como uma bela isca.

Coisas que você não deveria fazer quando está com raiva


Uma acalorada discussão não apenas pode te deixar de mau humor como ainda pode comprometer a sua capacidade de realizar tarefas cotidianas, como dirigir, trabalhar e se exercitar.

Saiba o que você nunca deve fazer – e dizer – quando está sob a influência da raiva e confira dicas para recuperar a sua compostura:

Você não deve dormir com raiva: Nunca levar para a cama a raiva é um conselho conhecido e válido.

Ir dormir depois de uma briga ou discussão pode reforçar ou preservar as emoções negativas.

Você não deve dirigir: Guiar o carro quando você está furiosa pode ser perigoso.

Pesquisas mostram que motoristas irritados costumam assumir mais riscos e provocam mais acidentes.

Especialistas alertam que até a visão fica comprometida quando a pessoa está mais alterada.

Você não deve bufar: Tirar a raiva para fora de seu peito soa como uma boa ideia, mas ele pode realmente piorar a situação.

Estudos mostraram que a ventilação por raiva, ou bufar, não só aumentou a ira, mas criou uma situação de comportamento agressivo mais provável no futuro.

Você não deve comer: Descontar sua raiva através da comida é uma péssima solução.

Quando estamos irritados, geralmente fazemos escolhas alimentares pouco saudáveis e, posteriormente, pode causar indigestão, prisão de ventre ou diarreia.

Você não deve discutir: Se o debate ou a troca de ideias estiver mais acalorada do que de costume, não adianta tentar continuar.

A situação certamente vai ficar pior.

A melhor coisa a se fazer é dar uma pausa de, pelo menos, dez minutos antes de retomar a conversa de forma mais clara e civilizada.

Você não deve postar sobre seu conflito no Facebook: Quando você está com raiva, transmitir os seus sentimentos a amigos, colegas de trabalho e familiares provavelmente vai te deixar arrependida no futuro.

Evite o excesso de exposição e não compartilhe seus dramas pessoais nas redes sociais.

Você não deve escrever e-mails: Antes de escrever aquele longo e-mail raivoso e apertar o botão de enviar, respire fundo e reflita.

Você certamente não vai querer deixar registrado um momento de ira que, muitas vezes, não fará sentido no futuro.

Você não deve ruminar: Pensar obsessivamente em como outras pessoas foram ruins com você não leva a nada.
Tentar resolver de forma objetiva e calma os problemas que você venha a ter em seus relacionamentos é a melhor maneira de seguir a vida com maior tranquilidade.

O que seus posts no Facebook revelam sobre seu relacionamento


Vamos admitir: quase ninguém gosta de acompanhar no Facebook aquelas pessoas que insistem em compartilhar cada momento da vida.

Desde o horário que acorda, passando por briga no trabalho até jantares em lanchonetes.

O mesmo acontece com sua vida íntima.

Trocas de palavras apaixonadas e álbuns infinitos de fotos de beijos e carinhos podem se tornar cansativos para seus amigos.

E isso não é raro.

Uma pesquisa da Faculdade de Albright relacionou postagem em excesso sobre relacionamento a baixa auto-estima.

Ao contrário do que possa parecer, muitas mensagens de amor e ostentação de um “amor perfeito” podem significar que a confiança da pessoa está ligada demais ao seu status de relacionamento.

O estudo sugere ainda pessoas que compartilham demais eram mais propensas a sentir a necessidade de se vangloriar sobre sua relação, ou mesmo controlar o seu parceiro na rede social para manter a sua auto-estima.

Outra pesquisa recente também já mostrou que pessoas que usam o Facebook mais do que uma vez por dia correm mais riscos de ter conflitos de relacionamento justamente por causa de ciúmes ou intrigas nas redes sociais.

Portanto, é preciso sempre se policiar para saber se você está realmente satisfeita com sua relação e, claro, com você mesma, ou se quer apenas reforçar uma imagem para as outras pessoas.

Concentre-se em coisas que você realmente gosta de fazer, seus talentos e o que te deixa satisfeita de verdade a cada dia.

Atitudes simples ajudam a fortalecer seu amor próprio e se manter fiel a seu relacionamento.