O lendário Palácio Rodoviário, um dos símbolos da Cachoeirinha
34. O primeiro time de futebol
fundado na Cachoeirinha foi o Madureira Atlético Clube, vulgo MAC, surgido no
início dos anos 40, na Rua General Glicério, na casa nº 75, de Luiz Gonzaga,
que foi também seu primeiro presidente.
Nos anos seguintes, o MAC se transformaria no melhor time
suburbano da cidade, tendo em sua melhor formação vários craques que depois se
tornariam profissionais consagrados: Ney, Sabá Baima, Sabazinho, Barbeirinho e
Lupércio; Reginaldo e Regildo; Caiado, Luiz Oneti, Paulo Oneti e Alexandre.
Apesar dos títulos conquistados, o MAC nunca teve uma sede
social definitiva e desapareceu em 1965, quando seu presidente era João Franco,
o “Bolaça”. Na época, o clube possuía uma sede provisória no início da Rua
Borba.
Mesmo tendo surgido no dia 1º de maio de 1939, o Orion
Football Clube, fundado por Antônio Altino da Silva, conhecido como “Mestre
Ceará”, só começou a participar de partidas oficiais em 1942, transformando-se
no grande saco de pancadas do MAC.
Sua sede provisória era na Rua Ajuricaba nº 1.140, nas
imediações do curral do bumbá Corre Campo, mas depois se mudou para a Rua Borba
nº 170, quando ganhou a denominação de Orion Esporte Clube, em razão de
participar de várias modalidades esportivas.
O clube chegou a ter uma sede própria na Rua Borba, onde
promovia bailes de serestas e de carnaval muito concorridos, mas acabou sendo
extinto em 1965, quando seu presidente era Henrique Alves. A sede própria
continua de pé até hoje.
O Ypiranga Futebol Clube foi fundado no dia 5 de setembro
de 1942, pelos irmãos Horácio, Manoel e Osvaldo Nascimento, João Gomes, Nilo
Pereira de Souza, Waldemar Alves de Lima, Waldemar Lisboa, Celso Potoqueiro e
José Lázaro.
A sua sede continua até hoje no cruzamento das ruas
Carvalho Leal e Barcelos, em terreno doado pela prefeitura, e seus bailes de
carnaval continuam sendo os melhores do bairro. O Ypiranga foi o time da
Cachoeirinha mais bem-sucedido no campeonato da segunda divisão, tendo
conquistado vários títulos.
Seu primeiro campo de futebol foi encampado pela prefeitura
e no local foi erguido o Palácio Rodoviário para servir de sede para o
Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM). O prédio foi
inaugurado em 26 de janeiro de 1960, pelo governador Gilberto Mestrinho, e a
cobertura passou a funcionar também como residência oficial dos governadores do
estado.
O atual presidente do Ypiranga é o professor Aldemir
Martins, o “Mimico”, também responsável pela campeoníssima quadrilha caipira
“Juventude na Roça”, que este ano conquistou seu 21º título no Festival
Folclórico do Amazonas, coroando seus 50 anos de existência.
O Santos Futebol Clube foi fundado no dia 1º de maio de
1952 por Jorge Lima, Artur Silva, Jorge Cordeiro, Hugo, Pretinho, Gestê e Sabá.
Foi o único time da Cachoeirinha que disputou o campeonato da primeira divisão,
uma classe especial do futebol amador, uma vez que ainda não existia a
categoria profissional.
Ele conquistou o título máximo de 1958, vencendo o
Guanabara Esporte Clube por 3 a 1. Nessa partida, o time do Santos era formado
por Ney, Raimundinho, Silvino, Paulo e Roberto; Melo e Tucupi; Gestê, Pretinho,
Pinguim e Cacheado. Como não possuía sede própria, o Santos utilizava a sede
provisória do MAC, na Rua Borba.
O Botafogo Futebol Clube foi fundado em 1955, na Rua
Carvalho Leal, por Valdemar Torres, Miguel Sena, Antenor Noia, Paulo Biribá,
Esteves e Boanerges. Alguns anos depois, eles adquiriram um terreno na Rua J.
Carlos Antony, entre a Carvalho Leal e a Waupés (atual Castelo Branco), onde
construíram sua sede social.
Apesar de participar intensamente do esporte amador, o
Botafogo tinha seu foco voltado para as promoções sociais. Alguns dos melhores
bailes de carnavais do bairro eram realizados em sua sede.
Nos anos 70, os sócios venderam a sede do clube e o
Botafogo deixou de existir.
O Expressinho Futebol Clube foi fundado em 1962 pelo
onipresente índio piratapuia Marajara e se tornou o primeiro clube de
peladeiros do bairro. Entre seus atletas estavam Carlito Bezerra, Beto Folha
Seca, Zeca, Laércio, Walter Oliveira (aka “Nego Walter”, primo do Carlito),
Leandro, Wando, Flávio Oliveira (aka “Flávio Cupu”, irmão do Nego Walter) e
Ariosto (filho da conhecida professora Maria Emília).
As reuniões noturnas à base de lamparina, já que os
moleques trabalhavam ou estudavam durante o dia e na “sede” do clube ainda não
havia energia elétrica, eram realizadas na casa do Carlito Bezerra, na Rua
Borba, nº 350, em frente à atual quadra do GRES Andanças de Ciganos.
Quando as reuniões estavam muito chatas, um dos atletas,
“distraidamente”, apagava a lamparina dando um discreto sopro na chama, o que
fazia Marajara ir à loucura, tendo que encerrar prematuramente a reunião. Se
fosse descoberto, o autor da façanha recebia dez bolos de palmatória e ficava
suspenso duas partidas. Marajara era abusado.