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quarta-feira, outubro 24, 2012

No Nordeste é diferente, é assim que a gente fala



Ismael Gaião

No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado


O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado


Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem estar mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada


Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
Uma sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha


Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco do lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropeia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borreia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado


Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga


Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala mais alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha


Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego

Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dar Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala



NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Meu avô Raymundo Monteiro Pessoa era cearense de Aurora. Meu sobrinho Bruno Cavalcante é filho de um pernambucano. Minha filha Marisa Pessoa é bisneta de uma paraibana. Minha namorada Camila é neta de maranhenses. Resumindo: Manaus talvez seja a cidade nortista que mais recebeu influência da cultura nordestina. Não é a toa que todos esses vocabulários esgrimidos por Ismael Gaião sejam de uso corrente na cidade. Por isso, nos 343 anos de Manaus, resolvi prestar esta pequena homenagem aos nossos colonizadores preferenciais. Hoje estou estribado!

terça-feira, outubro 23, 2012

Eu, eu, eu! O Zé se Dirceu!



O ex-poderoso Josef Dirceu já recebeu a chave da cadeia e, como futuro apenado do Sistema Carcerário Brasileiro, agora vai virar personagem do próximo livro do Dr. Drauzio Varella

Agamenon Mendes Pedreira (*)

A Justiça foi feita. Foi feita para os ricos e poderosos não irem em cana no Brasil.

Mas depois do chocolate que o PT (Partido dos Trambiqueiros) levou no Supremo, isso mudou!

Agora o Josef Dirceu vai ver o PSOL nascer quadrado.

Quem diria... até outro dia o homem forte Josef Dirceu era o principal membro do núcleo duro do governo.

Hoje em dia, coitado, mal consegue ir pro segundo turno numa ereção, quer dizer, eleição.

Esse escândalo do mensalão provou que o PT não é mais aquele bom e velho partido esquerdista socialista de antigamente.

Na verdade, o PT resolveu sair do armário e assumir que é um partido de direita, entusiasta do capitalismo neoliberal globalizante e do livre comércio de parlamentares.

É uma injustiça a condenação de Josef Dirceu!

Conheço Josef Dirceu desde os tempos do movimento estudantil.

Dirceu era um gênio precoce da ejaculação política.

Com seus discursos inflamados, Dirceu incendiava as massas na porta do Família Mancini, do Gigetto e do Jardim de Napoli em São Paulo.

Pra ver se eu conseguia pegar alguém, resolvi me engatar na luta política e fiz sociedade com o Zé Dirceu uma banquinha que falsificava carteirinhas da UNE.

Perseguidos pela Ditadura e pelo rapa, fomos presos pela repressão.

Quando o Gabeira sequestrou o embaixador americano, acabamos sendo trocados por uma figurinha do Golias que ia completar o álbum Perdidos no Espaço.

Cansados da ditadura opressiva e sanguinária no Brasil, resolvemos nos mandar para Cuba.

Lá, pelo menos, a polícia estava do nosso lado.

Hóspedes de Fidel Castro (que ainda era vivo na época), Zé Dirceu e eu fomos treinados em Cuba pela KGB: ele pra ser espião e eu pra ser cafetão no Malecón.

Formado em guerrilha na Universidade de Havana, Dirceu organizou outro grupo revolucionário, o Buena Bosta Social Club.

Em seguida , para voltar ao Brasil clandestino, fez uma operação plástica e uma lipoaspiração.

A lipo ele só fez porque estava se achando muito gordo.

Com a sua nova identidade de Gislayne, Dirceu se escondeu numa pequena cidade do interior do Paraná.

Para não despertar suspeitas naquela pequena e conservadora comunidade interiorana, assumiu um relacionamento lésbico e gravou um disco como cantora eclética de MPB.

Com a final da ditadura, Gislayne, quer dizer, Zé Dirceu, exausto de fazer sexo sem usar o seu bilau, revelou para a patroa sua identidade secreta e voltou pra política, onde arrumou um emprego de presidente do PT.

Foi aí que o Zé Dirceu cometeu o seu maior erro político: pagou com um cheque sem fundos do Delúbio a renovação da assinatura de VEJA.

A partir daí, a revista semanal passou a persegui-lo implacavelmente, levando o Zé Dirceu a cassação pelo SPC e pelo SERASA.

Já o trambiqueiro, quer dizer, o tesoureiro do PT (Partido da Treta), Decúbito Soares, por conta de suas maracutaias, é hoje considerado o PT Farias do Lula.

Homem das sombras, soturno e misterioso, Delábio Soares também frequentava o famoso apartamento de Josef Dirceu em Brasília, onde também moravam o José Ingenoíno e o cantor Latino.

Aliás, foi inspirado no movimentado aparelho petista que Latino compôs o mega hit “Festa no PT”.

Derroubio era o homem de desconfiança do presidente Luis Ingenuácio da Silva, que nunca desconfiou de nada.

Lula não só não desconfiava, como também não sabia de nada e não enxergava coisa nenhuma.

Na verdade, Luís Cegácio Lula da Silva não viu o mensalão porque usa as Lentes Transitions que escureciam automaticamente sempre que ele entrava no Palácio do Planalto.

Josef Dirceu é um homem obcecado pela ética e pela estética.

Depois de implantar uma nova cabeleira, procurou um dentista para implantar a dentadura do proletariado.

Falastrão, arrogante e autoritário, Josef Dirceu, infelizmente, tem alguns defeitos.

Ele se diz perseguido pela mídia golpista, mas, na verdade, quem perseguiu o ex-Poderoso Chefão do PT foi a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal.

Mas a condenação pelo Supremo não baixou a crista de Josef Dirceu, o czar vermelho!

Depois que pagar a sua etapa, Dirceu promete que vai botar pra quebrar.

Quebrar a cara dos jornalistas golpistas que pegam no seu pé, ao contrário da minha pessoa que só fala bem: bem mal!!!

Pode vir, Dirceu! O medo é uma palavra que não existe no meu dicionário!

Como também não existem as palavras medonho, meditar, médium e medíocre: eu arranquei essa página pra enrolar um charuto de maconha.


(*) Agamenon Mendes Pedreira é jornalista em regime semi-aberto.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Sindicalistas cobram promessa da presidente Dilma Rousseff



A Força Sindical do Amazonas e a Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM-Regional Norte) estão aproveitando a vinda da presidente Dilma a Manaus, nesta segunda-feira, para cobrar a liberação dos recursos da Suframa contingenciados pelo governo federal.

Dezenas de outdoors com o apelo “Dilma, libera o dinheiro da Suframa” foram espalhados pela cidade.

Os trabalhadores estimam que os recursos contingenciados já alcancem R$ 1 bilhão, ou quase um terço do orçamento do município de Manaus para o próximo ano.

“Esses recursos financeiros são provenientes da Taxa de Serviços de Administração paga pelas empresas da ZFM à Suframa para serem investidos na Amazônia Ocidental”, diz o sindicalista Carlos Lacerda, da CNTM-Regional Norte. “São recursos gerados aqui em Manaus e que não estão retornando para a sociedade. É por isso que a infraestrutura do Distrito Industrial está completamente abandonada e nós estamos perdendo o apoio das bancadas do Acre, Rondônia, Roraima e Amapá no Congresso Nacional”.


O sindicalista Vicente Filizzola, da Força Sindical, é mais incisivo.

“Quando esteve em Manaus, há dois anos, como candidata a presidente, a ex-ministra Dilma Rousseff prometeu que liberaria os recursos contingenciados, mas até hoje não cumpriu a promessa”, relembra o sindicalista. “O pior é que não sabemos por que o contingenciamento dos recursos da Suframa tornou-se permanente e porque os recursos gerados aqui estão sendo investidos nos estados mais ricos do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”.

domingo, outubro 21, 2012

Cachaça ainda mata um louco desses...



Na sexta-feira, 19, a pretexto de inaugurarmos o fantástico painel Guernica, feito pelo Marius Bell, reuni uma meia-dúzia de amigos aqui no mocó para encher a caveira de birita, escutar boas músicas e jogar conversa fora.

A turma era de cachaceiros de carteirinha: Gil da Liberdade, Sérgio Bastos, Vicente Filizzola, Chico Rogildo, Gigio Bandeira, Áureo Petita, Deive da Força Sindical, eu e o Careca Selvagem.

No cardápio, seis tipos de queijos (saint paulin, gruyère, ementhal, provolone, gouda e tilsit), salame italiano e camarão frito.





Se alguém quisesse alguma coisa mais substancial poderia traçar uma suculenta picanha na pedra, acompanhada de maionese, arroz e farofa, que agora está sendo vendida pelo meu vizinho do lado esquerdo.

O meu vizinho do lado direito também está no ramo da alimentação informal, mas seu negócio é churrasquinho de carne, de frango e de calabresa e os indefectíveis croquetes de camarão, pastéis de palmito, rissoles de bacalhau e minis pizzas de vários sabores.

Outro vizinho, um pouco mais afastado daquele que vende churrasquinho, coloca diariamente uma banca de tacacá com todos os petiscos de uma festa junina: bolo de macaxeira, bolo de trigo, pudim de leite, banana frita, pé de moleque, tapioca doce, pamonha, mungunzá, curau, aluá, refresco de mangarataia, etc.

Quer dizer, de fome meus convidados não morreriam.

Quando chegou de Brasília, esta semana, o Carlos Lacerda me presenteou com dois sifões de soda gaseificada La Priori e resolvi colocar um deles na roda, já que ninguém mais está querendo encarar os energéticos à base de cafeína.


Eu havia comprado duas garrafas de Red e o Careca Selvagem havia providenciado uma grade de cerveja Skol e refrigerantes para os cervejeiros e abstêmios, mas o Gil da Liberdade inventou de comprar uma terceira garrafa de Red e a esbórnia ficou sem controle.

É impossível uma dezena de coroas detonarem três garrafas de uísque e uma grade de cerveja sem ficarem enlouquecidos.


Começamos a beber pontualmente às 19h e fui dormir por volta da meia-noite, completamente chaparral.

Aliás, não lembro sequer que tipo de música a gente estava ouvindo (Rock setentista? Black music? Reginaldo Rossi?).

Pelo visto, o edifício está desmoronando numa velocidade bem superior àquela que eu previa com certo pessimismo.

E ainda tem gente que acredita nessa baboseira de “melhor idade”.


“Melhor idade é o caralho!”, costuma esbravejar o septuagenário Selmo Caxuxa, às voltas com dezenas de comprimidos que precisa ingerir diariamente para controlar a pressão, a diabetes e o colesterol.

Ainda não estou nessa fase, mas seguramente estarei lá em menos de quatro anos (estou sendo otimista, claro! Como diz o poeta Ferreira Gullar, “eu não quero ter razão, eu quero ser feliz!”).

O certo é que minha gueixa foi embora pra casa mais cedo e se poupou do constrangimento de ver seu amado completamente chapado.


Ela nunca ter me visto num porre de juntar crianças deve ser um dos fatores que mantém nosso relacionamento cada vez mais estável.

Se bem que o principal fator mesmo é não morarmos junto e só nos vermos quando estamos com saudade um do outro porque a convivência diária detona qualquer paixão

Abaixo, alguns registros do fuzuê feitos quando ainda estávamos ligeiramente sóbrios.

Ô, raça!



















sábado, outubro 20, 2012

Um gênio chamado Marius Bell


Conheço o artista plástico Marius Bell há quase 50 anos.

Ele foi meu contemporâneo no grupo escolar Getúlio Vargas, nos anos 60, estudando na mesma classe de minhas irmãs Silene e Simone.

Entre seus outros colegas de classe estavam os irmãos Ana e João Bosco Gomes (hoje poeta e engenheiro urbanista, radicado no Rio de Janeiro desde 1974, que estudou comigo na ETFA e me apresentou às obras de Torquato Neto e Chacal), os irmãos Ernestina “Neta” e Lúcio Branco (primo do Nelson, marido da Selane, e um dos poucos caras da Cachoeirinha a dar porrada no invocado Otinha, o terror de Educandos), Nancy Torres (irmã do Nilton Torres, que jogou de centroavante no imbatível “Murrinhas do Egito”), Mário Cortez (dono da Cortez, Câmbio e Turismo e atual presidente do Nacional, o único sujeito que conheço a tirar 10 em todas as matérias, do primeiro ao quinto ano primário – e tive a petulância de conferir o boletim dele, pessoalmente, no arquivo do grupo) e Nancy Souza, irmã da Paula, minha atual diarista e mulher do Ivanci Belém, campeão amazonense de jiu-jitsu e jogador-cartola do “Canto do Villas”, que tem como eterna presidente a estonteante Lorena Printes.

Quer dizer, desde garotinho o Marius Bell sempre esteve bem acompanhado.

Os hoje coronéis PM Wilson Martins, Arimatéia e Encarnação também estudavam no Getúlio Vargas, na mesma época.


Nos anos 70, Marius Bell ajudava o cartunista e futuro jornalista Mário Adolfo a produzir os invocados carros alegóricos do bloco Andanças de Ciganos e dava expediente “full time” nas principais agências de publicidade da cidade.

Nos anos 80, depois que se firmou como o mais habilidoso cartazista dos cinemas de Manaus, Marius Bell foi entrevistado pelo Mário Adolfo e rendeu uma matéria intitulada “Hoje, em cartaz, os painéis do Marius... nos melhores cinemas desta cidade”, publicada no jornal A Crítica.

Curtam a abertura da matéria:

O nome dele nunca esteve destacado com letras luminosas nos cartazes dos grandes cinemas.

Ao contrário, é ele que faz os cartazes dos grandes cinemas.

No longa metragem da vida, ele não é o artista principal (embora também seja artista).

Ao contrário, ele pinta com perfeição e promove o nome de outros artistas.

É assim que Marius Bell vive, aliás, sobrevive, pintando os cartazes dos grandes filmes.

Mas, hoje nós é que vamos tentar pintar um painel... O painel da sua vida.

Quando um grande filme chega à cidade, os admiradores da sétima arte são avisados de antemão e atraídos pelo enorme cartaz exposto na frente dos cinemas.

Multidões se acotovelam diariamente em frente do painel pintado com perfeição.

Os olhos curiosos procuram logo os nomes dos atores famosos, do produtor, do diretor.

Na pressa de entrar, o espectador nem repara um pequeno nome, sem nenhum destaque, pintado no canto do painel: Marius Bell, um pintor publicitário de primeira linha, cujos cartazes às vezes chegam a confundir quem o descobre.

Eu pensei que fosse uma fotografia ampliada...  


Depois de passar 15 anos pintando os cartazes dos diversos cinemas do radialista Joaquim Marinho, de ter produzido a gigantesca escultura de Santo Antônio de Borba, que virou cartão postal da cidade, e de ter revisitado a belle époque nos muros da penitenciária Vidal Pessoa, Marius Bell viu-se diante de um novo desafio: “decorar” o abatedouro de lebres de um velho garanhão.

Dei apenas as instruções básicas: nas duas paredes do quarto, mulheres quase peladas e, na terceira, encimando a cama, a Marilyn Monroe mostrando as coxas.

Que era pras lebres não tentarem nenhuma manobra evasiva depois que atravessassem o portal dos grandes mistérios, transformado por Marius Bell em um quase vitral de Mondrian.


Meu homeboy botou fodendo.

O maior painel foi uma homenagem às neguinhas do cartunista Lan – mas, para impressionar a galera, explico que são as minhas cinco ex e a minha atual companheira, pela ordem que entraram em cena na minha vida.


A Camila ficou meio injuriada com a parte que lhe coube neste latifúndio, apesar de ser a única que está de posse do título definitivo do lote há dois anos.


Eu vou morrer sem entender as mulheres.

A Marilyn Monroe, o Marius Bell desenhou de cabeça porque já está careca de pintar a atriz.


As duas meninas na praia foram inspiradas em Ziraldo e Chico Caruso.


Na sala, encimando o computador, que também atua como central de música do boteco-pardieiro-mocó, Marius Bell desenhou um John Lennon básico também de cabeça porque já está careca de pintar o cantor.


Na parede da sala, veio o maior desafio: reproduzir o painel “Guernica brasileira”, uma releitura da “Guernica”, de Picasso, que Ziraldo fez em 1981, para celebrar o centenário do artista catalão.

“Sou um apaixonado por Picasso. Sou capaz de desenhar o Guernica todinho de cor. Já transformei o Guernica duas vezes. Na primeira, transformei ele no inferno, que é uma charge que fez muito sucesso no mundo inteiro. Depois fiz um que é o caos urbano: é ônibus, trânsito, violência, assalto, tudo desenhado em cima da estrutura do Guernica”, explicou Ziraldo durante uma entrevista ao jornal OESP.

“Ele ficou conhecido como Guernica Verde e Rosa porque o Brasil é verde e rosa! – avisou ele. “Você vai para o interior do Brasil e o pessoal adora verde e rosa. Até as igrejinhas são verde e rosa. No Rio de Janeiro, no subúrbio, é tudo verde e rosa, a Mangueira é verde e rosa. Todos que fazem um bangalozinho, pintam a casa de verde e a varanda de rosa, ou vice-versa. Quando papai conseguiu fazer a casa dele, na hora de pintar, o arquiteto perguntou que cor ia ser: ‘Verde e rosa, naturalmente’. (risos) O Brasil é uma melancia, porque é verde e rosa.”

Marius Bell usou como base um novo desenho de Ziraldo, publicado no “Almanaque Bundas”, que tem predominância das cores azul e cinza.









O melhor de tudo é que Marius Bell trabalha com tinta a óleo, uma garantia de que as obras vão manter suas características originais por, no mínimo, dez anos – e até lá já pretendo estar morto e cremado (“ser colocado em suspensão criogênica” é para os fracos de espírito e “ser enterrado” é terminantemente proibido pelos protocolos secretos da AMOAL, inclusive com o sujeito ainda vivo...).

Como não quero ser o único a possuir essas obras-primas dentro de casa, aí vai uma dica para meus homeboys arquitetos (Achilles Fernandes, João Bosco Chamma, Sammya Cury, Roberto Moita, etc), que eventualmente dão dicas de decoração de interiores para seus clientes: o Marius Bell está aceitando encomendas para pintar o que pintar.

Nesse caso, a imaginação do cliente é o limite: qualquer coisa que possa ser reproduzida em alguma superfície, o Marius Bell dá conta.


Isso inclui desenhos de crianças, jovens e adultos, paisagens dos quatro cantos do mundo, personagens de qualquer série animada ou não, releituras de obras de arte (sacam a Marilyn Monroe naquela clássica série do Andy Warhol? A Camila vai ganhar de presente seu próprio rosto naquele padrão, pintado na parede do quarto de seu apartamento), cães de estimação, gatos, iguanas, guerrilheiros zapatistas (sim, ele também pinta animais em extinção), artistas de cinema, grupos musicais, popstars e o diabo a quatro.

Se não bastasse isso, o trabalho do Marius Bell é bem econômico: um painel tipo esse do meu Guernica (3,5 X 1,20m), feito em uma semana, sai por meros R$ 2 mil – o custo de 1 m² de um tapete persa de terceira categoria.


Além de customizar as paredes, os clientes vão valorizar o trabalho de um dos artistas plásticos mais criativos de nossa época – e contar com a minha eterna gratidão.

O Marius Bell merece.

Para entrar em contato com o artista mande um e-mail para marius.bell@bol.com.br ou para simaopessoa@gmail.com.

Ontem, rolou a festa de inauguração da obra de arte, mas isso é assunto para outro post.