quarta-feira, abril 09, 2014

DJ multiculturais agitarão a festa da Corrida do Arco-Íris


O DJ espanhol Nacho Chapado é presença confirmada no agito

Lançada oficialmente nesta terça-feira, 8, a Corrida do Arco-Íris está sendo organizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), e tem como objetivo reforçar a luta pelo direito à dignidade e o respeito à diferença. O evento, aberto ao público em geral e gratuito, será realizado no Dia Internacional de Combate à Homofobia, 17 de maio, a partir das 17h30, no anfiteatro da Ponta Negra, em Manaus.

A largada da corrida será realizada a partir das 17h30, em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA) e terá percurso de 5 quilômetros até a Ponta Negra, em Manaus (AM). Há premiações até o décimo colocado na corrida, que vão de R$ 100 a R$ 2 mil, além da entrega de medalhas.

No fim do percurso de cinco quilômetros vai acontecer uma grande festa, com a apresentação de DJs internacionais e nacionais que agitam as “baladas” LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) mais famosas do mundo.

As atrações confirmadas são o DJ espanhol Nacho Chapado, da carioca Ana Paula (rainha das baladas LGBT), o DJ Morais (residente da The Week), o paulista Márcio S. (residente do D-Edge-SP e do SUB-Manaus) e o amazonense Pedro Gaioto. A festa da corrida será no estilo sunset, ao por do sol.

Jose Ignacio Chapado, mundialmente conhecido como DJ Nacho Chapado, é um dos “queridinhos” das festas LGBT mais requisitadas do Globo. Seu diferencial é um som que alinha house music com o pop de artistas e bandas como Avril Lavigne, Icona Pop, Lana Del Rey e Pet Shop Boys.

Também é especialista em fazer remixes como o que fez para a música “The World Is Mine", do DJ Peter Rauhofer, que morreu recentemente, aos 48 anos. Aliás, Peter é uma das inspirações de Nacho Chapado que, dependendo da pista, faz uma session em homenagem ao DJ. Apaixonado pelo Brasil, ele inclui ainda em seu set hits de DJs brasileiros de alta performance como Mau Mau, Gui Borato, Renato Ratier e outros.


Já a carioca Ana Paula é a “rainha” das pistas gays mais “bombadas” do Brasil, como a residência que fazia na The Week, premiada boate que possui unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro. Também foi titular das pick-ups do clube Flexx, em Sampa, e de outras casas do circuito LGBT. Ela domina a cena eletrônica com apresentações de house, disco e alguns estilos musicais que fizeram história nos anos 90.

Fora do país, Ana Paula tem fama por “aquecer” qualquer público e, literalmente, ferver a noite. Seu talento já foi ovacionado por produtores internacionais como o DJ Offer Nissim, que a convidou para tocar na festa “Forever Tel Aviv”, a mais marcante de Israel.

Além disso, é uma das DJs que compõem as turnês itinerantes da boate Pacha, realizadas em diversos países. Das gigs de destaques da DJ, vale ressaltar as que foram feitas na White Party de Montreal; na Palm Springs, realizada no México; na Mansion de Miami; e na Fly promovida em Toronto, entre outras.


Outra atração da festa, que será realizada no fim do percurso da “Corrida do Arco-Íris”, é o DJ Márcio S., que todo mês cumpre agenda de residência no club D-Edge, localizado em São Paulo e considerado o melhor do país, segundo ranking da Cool Awards, e do SUB, situado em Manaus, no bairro Vieiralves. Entre os destaques da sua bagagem musical, Márcio se apresentou em uma das festas da edição nove do Big Brother Brasil (BBB), da Rede Globo.


O DJ local será Pedro Gaioto, que possui um público cativo na cidade, tocando muita house, eletro e deep house. Ele tem no currículo a apresentação com inúmeros DJs nacionais e internacionais e sempre está presente no line-up de eventos de referência da e-music. 
Pedro Gaioto terá a responsabilidade de “abrir” o evento e promete mostrar seu novo som, que vai “arrebentar” em 2014.

Diário de uma cinquentona


DIA 1
Celebramos hoje o 35º Aniversário de Casamento, um milagre! Tentamos reviver a nossa lua-de-mel, mas ele não conseguiu...

DIA 2
Hoje ele me contou o seu grande segredo: Está impotente!... Grande novidade. Ele realmente pensa que eu ainda não sabia.

DIA 3
Este casamento vai mal... Uma mulher tem seus direitos e suas necessidades.

DIA 4
Estou entusiasmada. Li no jornal, que há uma nova droga no mercado, que pode resolver nosso problema. Chama-se Viagra... Ele vai substituir o Prozac pelo Viagra, na esperança que levante algo mais do que só o entusiasmo.

DIA 5
Uma benção dos céus!...

DIA 6
A vida é maravilhosa!...

DIA 7
Tenho de confessar: O Viagra tem sido muito bom!... Nunca fui tão feliz...

DIA 8
Acho que ele exagerou na dose do Viagra neste fim de semana... Já começo a ficar um pouco assada e bem dolorida nas partes baixas.

DIA 9
Não tenho tempo nem para escrever... Ele pode me pegar a qualquer hora...

DIA 10
O.K., admito, estou escondida!... É que não há mulher que aguente tanto! O que hei de fazer? Estou toda moída e esfolada.

DIA 11
EU JÁ NÃO AGUENTO MAIS!... É o mesmo que ir para a cama com uma furadeira Black & Decker!... Acordei, esta manhã, vestida com duas calças jeans e colada à cama!

DIA 12
Quem me dera que ele fosse viado... Deixei de me maquiar, tomar banho, escovar os dentes... Mas, mesmo assim, ele vem atrás de mim. Até bocejar se transformou em perigo eminente!

DIA 13
Cada vez que fecho os olhos, lá vem mais um ataque... Vivo com um míssil Scud grudada no rabo! Já mal consigo andar...

DIA 14
Já fiz de tudo para ele me deixar em paz, mas não adianta. Até já me vesti como uma freira, mas foi pior ainda. Ele adorou. Socooooorro!...

DIA 15
Vou acabar por matá-lo. São umas dores infernais quando me sento... O cão e o gato fogem dele e os amigos nem se atrevem mais a aparecer em casa.

DIA 16
Hoje, sugeri-lhe que largasse o Viagra e voltasse a tomar o Prozac. Ele quase me encheu de porrada!!!

DIA 17
Eu coloquei Prozac na caixa do Viagra, mas parece que não fez efeito. Lá vem ele outra vez!...

DIA 18
GRAÇAS A DEUS!... O Prozac começou finalmente a fazer efeito! Meu marido passa agora, o dia inteiro sentado em frente à TV, com o controle remoto na mão, à espera que eu lhe faça tudo... Ele só quer saber de COMIDINHA, CERVEJINHA, FUTEBOL, FILMES, NOVELAS... Ah! Que vida calma e maravilhosa... Nunca fui tão feliz!

Nota do Editor do Mocó: Agora, responda rápido: dá pra entender as mulheres?...

Legislação complementar às Leis de Murphy


O criador dessa famosa série de leis foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy, que também foi a primeira vítima conhecida de sua própria lei. Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves. Para poder fazer essa medição, construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos.

O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane na hora do experimento e com isso Murphy foi chamado para consertar o equipamento. Ele descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”.

As principais Leis de Murphy:

Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais: dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.
A informação mais necessária é sempre a menos disponível.
O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas e quem conhece Murphy não faz nada.
Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa.
Se a experiência funcionou na primeira tentativa, tem algo errado.
Você sempre acha algo no último lugar que procura.
Não é possível sanar um defeito antes das 17 e 30h da sexta-feira. O defeito será facilmente sanado as 9 e 01h da segunda-feira.
A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
O gato sempre cai em pé.
Não adianta amarrar o pão com manteiga nas costas do gato e o jogar no carpete. Provavelmente o gato comerá o pão antes de cair em pé.

Novas leis e princípios demonstrados empiricamente:

O seguro cobre tudo, menos o que aconteceu (Lei de Nonti Pagam).
Quando você estiver com apenas uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto. (Lei de Assimetrias).
Quando tuas mãos estiverem sujas de graxa, no mínimo vai começar a te coçar o nariz. (Lei da mecânica dos fluídos).
Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. A bula sempre vai atrapalhar. (Princípio de Aspirinovisk).
Quando você acha que as coisas começam a melhorar, é porque algo te passou despercebido. (Primeiro teorema de Tamus Ferradus)
Sempre que as coisas parecem fáceis, é porque não entendemos todas as instruções. (Princípio de Atrop Lado)
Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam. (Lei da persistência de Waiterc Pastar)
Você vai chegar ao telefone exatamente a tempo de ouvir quando desligam. (Princípio de Ring A. Bell)
Se só existirem dois programas que valham a pena assistir, os dois passarão no mesmo horário. (Lei de Putz Kiparil)
A probabilidade que você se suje comendo algo é diretamente proporcional à necessidade que você tem de estar limpo. (Postulado do McDonald’s Big Nasty)
A velocidade do vento é diretamente proporcional ao preço do penteado. (Lei Meteorológica Pagá Barbero )
Quando, depois de anos sem usar, você decide jogar alguma coisa fora, vai precisar dela na semana seguinte. (Lei irreversível de Kitonto Kifostes)
Sempre que você chegar pontualmente a um encontro não haverá ninguém lá para comprovar, mas, se ao contrário, você se atrasar, todo mundo terá chegado antes de você. (Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)

Lei da atração simultânea (coisas que se atraem sem qualquer esforço):

Pobre e funk
Mulher e vitrines
Homem e cerveja
Chifre e dupla sertaneja
Carro de bêbado e poste
Tampa de caneta e orelha
Moeda e carteira de pobre
Tornozelo e pedal de bicicleta
Leite fervendo e fogão limpinho
Político safado e dinheiro público
Dedinho do pé e ponta de móveis
Camisa branca e molho de tomate
Tampa de creme dental e ralo de pia
Café preto e toalha branca na mesa
Dezembro na Globo e Roberto Carlos
Segundas-feiras e sono
Terças-feiras e sono
Quartas-feiras e sono
Quintas-feiras e sono
Sextas-feiras e cervejaaaaaaaaaaaaaaaaa
Chuva e carro trancado com a chave dentro

Leis básicas da Ciência Moderna:

Se mexer, pertence à Biologia.
Se feder, pertence à Química.
Se não funciona, pertence à Física.
Se ninguém entende, é Matemática.
Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é Informática.

Lei da procura indireta:

O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

Lei da telefonia:

Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém te liga.
Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
O seu crédito de celular sempre acaba no momento em que você mais precisa.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

Lei das unidades de medida:

Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você...

Lei da gravidade:

Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

Lei dos cursos, concursos, provas e afins:

80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.

Lei da queda livre:

Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

Lei das filas e dos engarrafamentos:

A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

Lei da relatividade documentada:

Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

Lei do esparadrapo:

Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

Lei da vida:

Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada por um médico.
Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

Lei da atração de partículas:

Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto 

Duelo de titãs: McDonald’s versus Burger King


Ana Carolina Prado

A rede de lanches McDonald’s foi fundada em Illinois (EUA) no ano de 1955 e hoje está presente em mais de 120 países. O Burger King apareceu um ano antes, na Flórida, mas perdeu espaço para a marca do palhaço Ronald e é a segunda na lista de maiores cadeias de hambúrgueres do mundo, com franquias em 69 países.

Talvez por ser uma rede maior, o Mcdonalds é o mais lembrado quando se fala a respeito dos malefícios de se comer fast food. Mas será que o Burger King é mais saudável? Listamos os 5 lanches mais calóricos de cada rede para você comparar. De quebra, ainda colocamos a quantidade de gordura trans (aquela maligna que não só aumenta o colesterol ruim, como também diminui o bom) em cada um. Prepare o babador porque isso aqui vai dar fome.


O Chicken Club Grill tem peito de frango grelhado, bacon e queijo ementhal. Fica a dica: não adianta pedir um hambúrguer de frango grelhado se ele divide espaço com o bacon, que a tua barriguinha não vai ficar mais sexy!

Em contrapartida, o 5º lugar do Burger King é bem mais calórico e tem mais do que o triplo da gordura trans do concorrente. Os culpados? Os 3 hambúrgueres, 6 fatias de bacon e 3 fatias de queijo do lanche. Não é para menos, né?


Triste: o bom e velho quarterão é uma bomba de gordura trans. O sanduíche tem esse nome porque o seu hambúrguer pesa 133g, aproximadamente um quarto de libra, ou “pound” (o nome em inglês faz mais sentido: Quarter Pounder with Cheese). E ainda tem 2 fatias de queijo, catchup, mostarda, cebola e picles.

Já o Whopper duplo do Burger King vem com 2 hambúrgueres que somam um total de 226g, além dos habituais catchup, maionese, cebola, picles e alface. Não deixa a cara saudável da saladinha te enganar, hein?


O Crispy é a versão empanada do Chicken Club Grill, feito com peito de frango. Essa opção é mais calórica porque, antes de ser frito, o peito de frango passa por uma mistura de farinha de trigo e ovos.

Mesmo assim, a quantidade de gordura trans é só o quarto do que encontramos no Steakhouse Burger, que vem com 150g de carne bovina, cebolas crocantes, molho barbecue e pão polvilhado com farinha de milho (além da saladinha e maionese). Sacanagem. VAMO BAIXAR A CALORIA AE, SEUS GOSTOSO!


Com um hambúrguer de 120g de carne bovina, queijo derretido e 2 fatias de bacon (além de cebola, maionese, catchup e mostarda), o McNífico Bacon ganhou medalha de prata no ranking do McDonald’s.

Mas não é páreo para o segundo lugar do Burger King: o seu Whopper Duplo com queijo tem cerca de 50% mais calorias. A receita inclui 2 fatias de queijo derretido e 2 hambúrgueres que, juntos, pesam 226g.


Pegue um hambúrguer de 150 gramas, 3 fatias de queijo, tomate, alface, cebola e molho especial e voilá: você tem um lanche recordista, pelo menos dentre as opções do McDonald’s. Lançado em 1996 para competir com o Whooper do Burger King (que tem um pouco mais de calorias, mas menos gordura trans), o lanche é vendido aqui como “O grande matador de fome”. Pudera: ele supre 42% das necessidades diárias de calorias de um adulto (com base em uma dieta de 2.000 kcal).

Mas o recordista do Burger King é ainda mais impressionante: com 4 hambúrgueres, 8 fatias de bacon e 4 de queijo, a delicinha supre mais da metade da sua necessidade calórica diária e manda para o seu organismo 2g do tipo mais maligno de gordura.

Resultado:


O Burger King vence bonito todas as brigas. À exceção do primeiro lugar, em que a diferença calórica é de apenas 20%, os lanches do Rei do Hambúrguer superam o oponente com mais de 50% de vantagem. A diferença só cai um pouco quando pegamos as opções menos calóricas, mas ainda é significativa (12%). 

O Hambúrguer simples do McDonald’s tem 257 kcal, enquanto o Hambúrguer Deluxe sem maionese do Burger King (que, apesar de ser a menos calórica, não é a versão mais simples da rede) tem 288 kcal.

Quem ficou com fome, mas se sente culpado levanta a mão. 

sexta-feira, abril 04, 2014

Barba, cabelo e bigode: um projeto de cinema e vídeo!


Lucio Branco

O ano da Copa do Mundo no Brasil mal começou e já promete em termos de protesto contra a sua realização. Ao que tudo indica, 2013 foi apenas um prelúdio do que virá pela frente.

As manifestações se iniciaram em junho último, durante – e também por causa – da Copa das Confederações, e o fato de o Brasil ter se sagrado campeão desta competição preparatória à Copa do Mundo não fez calar a voz das ruas.

O espírito de mobilização se estendeu para dentro das quatro linhas com a criação do movimento Bom Senso F.C., através do qual os jogadores reivindicam melhorias para a sua categoria.

A contestação associada ao esporte mais popular do mundo não é um fenômeno recente. E no Brasil nunca foi diferente. É o que Barba, cabelo e bigode pretende abordar.

Afonsinho e Nei Conceição iniciaram as suas carreiras em meados dos anos 1960, num momento histórico de forte repressão política no país. Originalmente na condição de companheiros de uma consagrada geração de craques do Botafogo, não abriram mão da liberdade justo quando a ditadura militar decidiu convocar a si mesma para também entrar em campo.

Os generais de então concluíram que até o esporte mais popular do país deveria ser escovado pelo pente fino da vigilância permanente: a rotina dos clubes passou a ser regida pelos mesmos códigos que já vinham condenando a sociedade civil ao arbítrio.

Munidos de bom senso bem antes de a expressão entrar em voga no meio futebolístico, Afonsinho e Nei Conceição enfrentaram a imposição das cartilhas de comportamento nos clubes, o regime de concentração, o controle sobre as condutas extra-campo etc.

É curioso notar que a atual causa do passe livre na questão do transporte público, que, em conjunto com a realização da Copa Mundo no país, foi um das razões da mobilização popular desde junho passado, leve o mesmo nome daquela que trouxe Afonsinho, em 1970 – noutro contexto e com outra significação específica – para o centro das discussões sobre os direitos dos profissionais da bola.

Quando o direito de ir e vir, seja dentro dos clubes, seja entre eles através das transferências dos atletas, ficou comprometido pela situação política nacional, atitudes pioneiras como as de Afonsinho e Nei Conceição foram também emblemáticas de um comportamento social característico do período.

O futebol e a vida têm relações muito mais frequentes do que se suspeita.

SOBRE O FILME


Barba, cabelo e bigode é um projeto de documentário de curta-metragem que aborda a trajetória rebelde de dois históricos jogadores de futebol que fizeram história em clubes de expressão do Brasil.

Barba, cabelo e bigode pretende ter como estrutura narrativa o diálogo entre os seus depoimentos em primeira pessoa. Sua edição dinâmica buscará confrontar e complementar as versões sobre os episódios rememorados e os respectivos pontos de vista daí originados.

Flagrantes atuais de ambos, o seu acervo pessoal de fotos e o material iconográfico de arquivos públicos consistirão em boa parte do material visual do filme. Entre algumas das imagens históricas, contaremos com aquelas do precioso documentário Passe livre, de 1974, de Oswaldo Caldeira, sobre Afonsinho.

Barba, cabelo e bigode terá por volta de 30 minutos de duração. O filme terá como cenário a ilha de Paquetá, onde ambos trabalham e costumam se encontrar para disputar partidas no clube local.


Lucio Branco é bacharel em Ciências Sociais (com monografia sobre Almir, o Pernambuquinho, jogador maldito do futebol brasileiro – condição confirmada pelo seu atual ostracismo), mestre em literatura brasileira e doutor em literatura comparada, mas trocaria essa titulação pela condição de diretor, roteirista e realizador de Barba, cabelo e bigode.

Também é ex-livreiro, ex-office boy, ex-atendente de locadora de vídeo, revisor, discotecário, produtor cultural, dentre outras formas mais ou menos dignas de sujeição involuntária ao subemprego.

No audiovisual escreveu argumentos e roteiros não filmados. Dirigiu o documentário da restauração do filme Copacabana, mon amour, do cineasta Rogério Sganzerla, para servir como extra na sua versão em DVD.

Torce pelo Botafogo, dado mais importante que todos os anteriores somados.


O valor que estamos pedindo é o de R$ 40.000,00. Com esse valor, conseguiremos arcar com a pré-produção, a produção e a finalização do documentário.

Iremos pagar uma pequena ajuda de custo para a equipe envolvida (diretor, produção, fotógrafo, técnico de som, montador, mixador e designer); aluguel de equipamento de câmera, luz e serviços de finalização; transporte e alimentação para os dias de gravação; direito de uso de imagens de arquivo etc.

Você pode contribuir com a realização desse filme, e ainda ganhar outros bônus pela sua contribuição. Dependendo da cota escolhida (que vão de R$ 25,00 a R$ 2.000,00), você pode levar – além da gratificação de ter ajudado na realização da obra – o seu nome nos créditos como agradecimento, versões estendidas e exclusivas das entrevistas que ficarão de fora do documentário, DVD do filme, imãs, camisetas e cartazes autografados e até mesmo uma tarde em Paquetá jogando pelada com Afonsinho e Nei Conceição.

Sua contribuição é essencial para resgatar/valorizar essa história e levarmos ao conhecimento de um público maior a trajetória de dois craques que sempre souberam fazer a diferença.

AGORA, UM BREVE PERFIL BIOGRÁFICO DOS JOGADORES:


Afonso Celso Reis Garcia, o Afonsinho, é conhecido por ser o primeiro jogador a conquistar o passe livre no futebol brasileiro. A aura de jogador rebelde, além de confirmada na barba e nos cabelos compridos quando ninguém ainda os exibia nos gramados, transparecia na consciência política desenvolvida em plenos anos de chumbo. Evidentemente, esses são aspectos singulares.

Mas há algo que deveria ser considerado com mais frequência sobre ele: é que o seu engajamento talvez não tivesse a mesma ressonância histórica não fosse a sua intimidade com a bola. Afonsinho foi um craque monumental. Isso, por si só, já lhe atraía os holofotes. E o fato de ter sido pouco convocado à seleção nada teve a ver com critérios técnicos.

Ainda muito novo, Afonsinho era uma promessa nas divisões de base do XV de Jaú. Apostando no próprio potencial, fez as malas para o Rio de Janeiro em 1965, movido pela mesma vontade de independência que foi a constante da sua carreira. O apelo da mística do Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos falou mais alto e ele não hesitou em escolher o seu novo destino na metrópole.

Após breve passagem pelos juniores, Afonsinho foi alçado à condição de reserva, e logo, à de titular na meia-direita na equipe principal de General Severiano. Foram alguns anos assim. Ciente da curta vida útil do atleta profissional, e também pelo desejo de se emancipar, dividia o período de treinos e concentração com a faculdade de medicina. E não demorou a se converter, para a diretoria, numa incômoda exceção à regra.

Afonsinho era articulado e exercia uma liderança espontânea entre os companheiros. Defendia direitos elementares que só o clube teimava em não considerar como tais. O pagamento em dia dos prêmios pelas vitórias do time era um deles.

O diretor de futebol Zeferino Xisto Toniato e o técnico Mario Jorge Lobo Zagallo passaram a considerá-lo muito destoante do restante do grupo. A começar pela sua aparência. Implicaram com a sua barba rala, o cabelo um pouco maior que o permitido pelo padrão vigente: – “Quer parecer um tocador de guitarra, um cantor de iê, iê, iê?” – perguntaram, tentando dar um tom brando à censura.

Em protesto, deixou-os crescer ainda mais. Afonsinho reivindicava melhores condições de trabalho para si e os outros jogadores. Dentre todas as reivindicações, a do passe livre tornou-se aquela que historicamente mais se associaria ao seu nome. Verdadeiro grilhão que aprisiona o jogador ao clube, o passe era – e ainda é, para quem não o detenha – a principal garantia de controle sobre os atletas por parte dos cartolas.

Após longa batalha judicial contra os dirigentes alvinegros pela disputa do seu passe, a Justiça, de forma inédita (e inesperada), deu-lhe ganho de causa. O sinal de alerta foi ligado nas outras agremiações. O camisa 8 tornou-se um exemplo perigosamente influente dentro do sistema do futebol brasileiro.

General Severiano foi a primeira estação da sua trajetória cigana pelo profissionalismo. Uma trajetória marcada, principalmente, pelos embates com a cartolagem e os códigos disciplinares de todos os clubes pelos quais jogou. Além dos outros três grandes do Rio, a lista inclui Santos, Olaria, Madureira e América-MG.

Não é de surpreender que fosse fichado no DOPS, ou que tivesse seus passos vigiados de perto tanto nas concentrações – mesmo quando em excursões internacionais – como na sua rotina universitária. Os infiltrados devem ter tido muito trabalho, já que Afonsinho frequentava círculos que não só o do futebol.

A amizade com músicos rendeu “Meio de campo”, de Gilberto Gil, em louvor a sua luta. A canção aparece como um dos elementos narrativos de Passe livre, formidável documentário em longa-metragem de 1974, de Oswaldo Caldeira, que flagra o seu nomadismo clubístico ao sabor das desavenças que ia acumulando com dirigentes e treinadores.

Entre as rescisões de contrato, excursionava em esquema mambembe com o Trem da Alegria, time que reunia artistas, jornalistas e jogadores temporariamente desempregados como ele. Era a solução para se manter em forma e melhor viver a liberdade conquistada.

Contestador em nome da classe, e não por ressentimento pessoal, Afonsinho se relaciona com o mundo à maneira do seu antigo fino trato com a bola. Outros reivindicaram direitos antes dele, mas nenhum o fez com tamanha consciência. Ou mesmo conseguiu conquistá-los como ele conquistou. Isolado, lutou pioneiramente por todos. Foi, com o perdão do trocadilho, um solidário solitário. E também um revolucionário, fazendo jus ao título como ninguém.

Outros dissidentes do futebol trilharam o caminho que ele pavimentou. Quanto à lei do passe, até os atletas mais alienados vieram a ser beneficiários do seu gesto precursor. A geração atual de jogadores profissionais não sabe, mas tem uma dívida descomunal para com Afonsinho.


Consta que Nei Conceição, na véspera da sua transferência do Botafogo para o Palmeiras, não parecia dar muita importância ao que estava para se consumar dentro de algumas horas. Ele iria integrar a histórica Academia Palmeirense, a maior geração de jogadores formada no Parque Antártica.

Era o início dos anos 1970, e, naquele dia, como de costume, Nei estava passando tempo na célebre comuna dos Novos Baianos, em Jacarepaguá. Caso se desse por sua falta em General Severiano, já era sabido o seu paradeiro. Havia até quem achasse que ele preferia treinar com Moraes Moreira e seus parceiros de banda – conhecidos também pelo espírito peladeiro – do que com seus companheiros de clube.

E naquela ocasião em particular, Nei intuiu a promessa de uma confluência astral com outra frequentadora do lugar, e pernoitou por lá mesmo. Sua cabeça não estava ocupada com certos detalhes da viagem como, por exemplo, a hora marcada do voo. Ou, ainda, a coletiva de imprensa e os dirigentes e torcedores alviverdes que o aguardavam para a apresentação formal do dia seguinte. Por ele, São Paulo podia esperar.

Num arroubo de responsabilidade profissional raro entre músicos do período, seus anfitriões tentaram convencê-lo que o melhor era ir. Afinal, ele iria jogar ao lado de Ademir da Guia, simplesmente, o maior ídolo da história do clube paulistano. Mas não deu resultado. E o fim foi mais que previsível: perdidos o voo e a transferência, Nei prosseguiu ganhando menos no Botafogo. Pelo menos, não teria que pegar a ponte área quando quisesse visitar os seus amigos em Jacarepaguá – deve ter calculado assim.

Nei da Conceição Moreira é um craque injustamente pouco comentado do futebol brasileiro. Habilidoso, do gênero que matava a bola no peito como ninguém e a fazia correr colada aos pés, tinha, em igual medida ao seu talento, horror à cartilha que rege a rotina dos clubes. Os ponteiros do seu relógio pessoal tinham vida própria, funcionavam conforme um compasso fora do tempo ordinário.

O técnico Zagallo, mesmo tendo sido testemunha diária do seu temperamento no Botafogo, não abriu mão de tê-lo entre os primeiros convocados logo que assumiu o grupo que viria a se sagrar, meses depois, tricampeão na Copa do México, em 1970.

Mas a aposta não foi muito longe: acabou barrando-o. O motivo alegado? Indisciplina. O regime da seleção era outro, mais rigoroso, sob intervenção militar – modelo que, dentro em breve, passaria a ser adotado pela maioria dos clubes do país.

Assim, paradoxalmente, voltou à “Selefogo” – um esquadrão de craques permanentemente a postos para qualquer convocação ao escrete canarinho –, mas na condição de não selecionável. Seguiu apresentando a mesma categoria e estilo de comportamento no clube que o revelou até encerrar a carreira, prematuramente, pelo CSA de Alagoas, em 1975.

Nei Conceição era insubmisso por reflexo até numa pelada. Numa delas, novamente com os Novos Baianos, no clube Caxinguelê, no Horto, ele foi além da conta. Após driblar o time adversário inteiro, incluindo o goleiro, e com o gol escancarado, pronto para o chute fatal, decidiu voltar e repetir o feito.

Gostou tanto da experiência que quis vivê-la mais uma vez. Porém, diante da censura dos companheiros de equipe, desistiu. E na justificativa, saiu-se com essa: “Aqui eu não pago pra jogar? Então faço o que eu quero!”.

Mais Nei Conceição, impossível.

O almanaque do golpe


Norma Couri

Almanaques são menosprezados, alimento para cérebros preguiçosos. Mas algumas vezes fazem a radiografia de um ano inteiro, com panorâmica. É o caso dos Almanachs do Correio da Manhã (“offerece aos seus assignantes”) em anos-chave como 1938, 1939, 1941, grande-angular sobre o começo da Segunda Guerra Mundial.

No caso da nossa guerra particular, os 50 anos do golpe militar ganham zoom no “Almanaque 1964 (fatos, histórias e curiosidades de um ano que mudou tudo – e nem sempre para melhor)”, de Ana Maria Bahiana, recém-lançado pela Companhia das Letras. Para a jornalista, 31 de março-1º de abril foram “dois dias sem aula, que teriam sido melhores se o tempo não estivesse tão feio (nada de pegar onda em frente à rua Joana Angélica).”

“Apenas muitos anos depois tive a visão, claustrofóbica e espantosa, de que aqueles dois dias chuvosos haviam, na verdade, definido toda a minha vida adulta. A minha e a de toda a minha geração. E a que veio antes. E as que viriam depois.”

Os anos 1960 estavam marcados por guerras. A do Vietnam, a guerra pela independência travada na Argélia, Congo, Angola, Guiné e Moçambique. A guerra das populações turca e grega na pequena ilha de Chipre e a guerra entre Cuba e Estados Unidos no episódio patético da Baía dos Porcos. O assassinato de John Kennedy, os conflitos gerados pela construção do muro de Berlim três anos antes, as mudanças do posicionamento da igreja católica definidas no Concílio Vaticano II e a explosão no mundo inteiro de uma geração jovem pós-guerra.

E o Brasil nesse ano bissexto de 1964?

Coque perfeito


Greves, apagões, a revista Manchete anuncia o fim dos problemas de abastecimento de água com a adutora do Guandu, no Rio, mas a represa Billings, em São Paulo, está seca. O Aterro do Flamengo surge quase pronto com jardins de Burle Marx, mas os bens de consumo custam absurdamente caros: é luxo para poucos ter geladeira, ar condicionado, ventilador, radinho de pilha. O Repórter Esso anuncia tudo na TV Tupi. O maiô duas-peças e o “engana-mamãe” fazem sucesso nas praias cariocas. Boliche é o esporte da moda. Tom & Jerry fazem as matinês de fim de semana nos cinemas Metro – no de Copacabana, com o célebre leão na porta.

Em 45 rotações os Beatles estouram com “I want to hold your hand”, a música mais tocada nas rádios durante sete semanas segundo a Billboard, nos Estados Unidos. Brigitte Bardot desembarca no Galeão a tiracolo com o namorado playboy brasileiro-marroquino Bob Zagury.

A cena política é marcada por JK, o ex-presidente Juscelino Kubitschek; Miguel Arraes, governador de Pernambuco até ser preso em 1º de abril; Leonel Brizola, deputado federal (PTB, Guanabara) cassado no primeiro Ato Institucional, quando exilou-se no Uruguai; João Goulart, cunhado de Brizola e presidente do Brasil até 1º de abril.

E Carlos Lacerda, o anti-Getúlio Vargas, anti-JK, anti-Brizola, anti-Jango, anti-Jânio Quadros, um dos líderes do golpe militar prevendo candidatar-se para presidente em seguida, mas o golpe se voltou contra ele quando o general Castelo Branco prorrogou o seu próprio mandato.

Em fevereiro, o governo de Minas Gerais anuncia que vai prender quem desfilar de biquíni. No Rio, a favela do Pasmado é incendiada, e os favelados expulsos da zona sul. Meses mais tarde, o Correio da Manhã informa que o Rio tem um terço da população morando em favelas. O presidente João Goulart dá um depoimento ao colunista político Carlos Castello Branco no prestigioso Jornal do Brasil advertindo que um golpe da direita pairava no ar. “Vai custar muito sangue.”

Distante da intuição de Goulart, o carnaval entoa as marchinhas “Bigorrilho”, “Se a canoa não furar” e a politicamente incorreta “Olha a cabeleira do Zezé” – “será que ele é, será que ele é?”

O “mais famoso Carnaval do mundo”, o do Theatro Municipal carioca, atrai personalidades internacionais enquanto o Ministério da Marinha pede explicações sobre a exibição do “subversivo” O Encouraçado Potemkim (filme de Serguei Eisenstein, 1925), um clássico que trata da revolta de marinheiros na Rússia.

Agora, além de água e luz, falta açúcar. Os conflitos raciais aumentam nos Estados Unidos. Luís Carlos Prestes vai a Moscou, nossa miss Brasil e miss Universo Ieda Vargas é presa nos Estados Unidos por roubo de lingeries. Há ameaças de invasão de terras ao longo da rodovia Belém-Brasília. Dias Gomes, interrogado, informa que sua peça O Berço do Herói “nada tem a ver” com o Brasil, mas assim mesmo foi censurada quando foi para o palco em 1965 e, dez anos depois, transformada na novela Roque Santeiro (“A incrível história de Roque Santeiro e sua fogosa viúva que o era sem nunca ter sido”) foi censurada outra vez.

Em março João Goulart completa 45 anos. A classe média brasileira está ocupada em copiar os modelos de Jeanne Moreau, musa de Pierre Cardin, e o Brasil chique faz com perfeição o coque de Chanel. Vamos demorar para ver As Aventuras de Tom Jones com Albert Finney e Susannah York, a melhor comédia no Globo de Ouro em Los Angeles. Mas os brasileiros curtem o caso tórrido de amor entre Liz Taylor e Richard Burton. E Glauber Rocha cunha a famosa frase em entrevista ao Jornaldo Brasil: “Arte, aqui para nós, é na base da câmera na mão e da ideia na cabeça”.

Guerra racial


Ninguém imaginava o que se seguiria ao anúncio da candidatura de Salvador Allende à presidência do Chile. A CIA e o presidente norte-americano Lyndon Johnson acham que a crise brasileira está chegando ao auge – “não ajuda em nada permanecermos aqui enquanto o hemisfério se torna comunista”. Mas o que declara à Última Hora de 6 de abril é o contrário: “Animador verificar como a mudança de governo no Brasil ocorreu dentro dos limites constitucionais”.

Jorge Ben tem estreia acachapante, Samuel Wainer, dono da Última Hora, se asila na Embaixada do Chile, começa a greve ordenada pelo Comando Geral dosTrabalhadores, realiza-se a Marcha da Família com Deus pela Liberdade – segundo o Jornal do Brasil com 1 milhão de pessoas (o Rio de Janeiro tem 2 milhões de habitantes), a Folha de S.Paulo é apreendida pelo DOPS porque havia publicado uma entrevista explosiva com João Goulart, o Centro Popular de Cultura, o famoso CPC da União Nacional dos Estudantes, é fechado.

Carlos Lacerda, em entrevista a O Cruzeiro declara: “O Sr. João Goulart é um leviano que nunca estudou – não é porque não quis, é porque não pôde. E agora, no governo do país, queria levar-nos ao comunismo”. Os Rolling Stones lançam o primeiro LP. O papa Paulo VI pede “calma” aos brasileiros.

No Jornal do Brasil de 2 de maio, o governador de São Paulo Adhemar de Barros vangloria-se: “Fizemos a revolução antes que o povo, com suas próprias mãos, o fizesse”. O jornalista e futuro deputado Márcio Moreira Alves rebateu Adhemar no Correio da Manhãde 28 de maio: “Não são as vítimas que fazem os carrascos. É o silêncio”. Marcito, como era conhecido, causaria incômodos nos quatro anos seguintes até pronunciar, em 1968, o famoso discurso no Congresso que provocou, em resposta, o Ato Institucional nº 5.

No discurso, o deputado convocava um boicote às paradas militares na Semana da Pátria e pedia às moças que não namorassem os oficiais do Exército.

Em 1964, o máximo que se fez para refrescar o clima tenso foi a inauguração na TV Excelsior do programa humorístico Dercy Beaucoup, com a irreverente comediante, que não poupava palavrões, Dercy Gonçalves.

Os poetas e diplomatas Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto são investigados pelo Itamaraty. Os livros de Celso Furtado, Oscar Niemeyer e Paulo Mendes Campos são recolhidos junto com Os Miseráveis de Victor Hugo e Guerra e Paz, de Leon Tolstói. Intimada a depor no DOPS, Cacilda Becker vai acompanhada pelo marido Walmor Chagas, vestindo Dior.

Banlon, Orlon, a moda da meia estação pega no Brasil junto com a saia de tergal plissado. Paris dita o dernier cria ser copiado pelas modistas, mas quem acaba em Cannes é a cadela “Baleia”, encontrada pela produção de Vidas Secas vagando pela locação do interior de Alagoas, que virou estrela do filme de Nelson Pereira dos Santos e a sensação na Croisette.

Millôr Fernandes, humorista, escritor, dramaturgo, poeta, tradutor, jornalista e desenhista brasileiro é demitido um ano antes da revista O Cruzeiro depois de lançar “A Verdadeira História do Paraíso” em dez páginas coloridas na sua seção “O Pif-Paf”. Os desenhos provocaram uma onda de indignação católica. Millôr lança então a revista Pif-Paf, que terá mil exemplares recolhidos pela polícia.

A casa do editor Ênio Silveira, da Civilização Brasileira,é invadida em busca de material subversivo. Um dos itens apreendidos é uma fita com sinfonias de Brahms.

Os deputados Antonio Carlos Magalhães (UDN-BA) e Pedro Braga (PTB-MA) se engalfinham por causa do discurso do deputado federal (MDB) Doutel de Andrade em defesa de João Goulart. Braga grita “vou dar uns murros nesse baiano safado lá fora”. Doutel seria cassado dois anos depois.

Os Fuzis, do moçambicano Ruy Guerra que participou do Cinema Novo no Brasil, ganha o Urso de Prata no Festival de Berlim, mas o produtor decide cortar a versão que vai para as telas brasileiras, a qual Ruy não assina. Maria Ester Bueno, a maior tenista brasileira, é novamente campeã mundial em Wimbledon depois de já ter ganho em 1959 e 1960.

A campanha “Ouro para o Bem do Brasil” termina em fiasco, Lacerda almejando a presidência reassume o governo da Guanabara. Walter Silva produz mais um show no Teatro Paramount de São Paulo – “Boa Bossa” com Elis Regina, Lennie Dale, Johnny Alf, Zimbo Trio, Agostinho dos Santos, Silvio Cesar e Pery Ribeiro.

O diretor da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, em declaração manuscrita ao Correio da Manhã de 18 de setembro, relata a tortura que sofreu na prisão. Vários presos confirmam a tortura. Quatro dias depois, no mesmo jornal, o ministro da Guerra Artur da Costa e Silva contesta: para ele, as denúncias de tortura “não passam de uma campanha bem organizada com o objetivo de desmoralizar a Revolução”.

O cantor capixaba Roberto Carlos lança o LP “É Proibido Fumar” e passa a se apresentar no programa Astros do Disco, da TV Record de São Paulo. Martin Luther King recebe o premio Nobel da Paz, em Oslo.

Guerra racial eclodindo nos Estados Unidos, aqui o Hotel Lord, na Rua das Palmeiras, em São Paulo, barra Elza Soares e Garrincha por serem negros. Helio Oiticica constrói “Parangolé” em espaço tridimensional – segundo o “Caderno B”, do Jornal do Brasil, “revolucionária” nas artes plásticas.

Leitura fútil?


O cerco aperta. As casas de Dias Gomes e Ferreira Gullar são invadidas por militares em busca de material subversivo. O filósofo e educador Paulo Freire asila-se na embaixada da Bolívia depois de passar 70 dias na prisão. Mas a Revista do Rádio, na coluna “O Mundo é dos Brotos”, de Carlos Imperial, anuncia que Elvis Presley virá rodar o filme Copacabana Bossa Nova, o que nunca aconteceu.

No ano de 1964 o genial compositor americano Cole Porter morre na Califórnia, aos 73 anos. No Brasil, o poeta e compositor (“Ninguém me Ama”), 30 anos mais novo do que Porter, Antonio Maria, morre no Rio aos 43 anos, vítima de infarto. Maior cronista do Rio n’O Jornal e O Globo, colunista feroz no jornal getulista Última Hora, adversário direto da Tribuna da Imprensa do conspirador Carlos Lacerda, Maria acabou agredido na rua por anônimos de mal com suas ideias. Concentraram golpes violentos nas suas mãos. No dia seguinte, Maria, impiedoso, sem comentar que havia sido espancado, escreve um artigo que fecha com a frase: “Que tolos! Eles pensam que jornalistas escrevem com as mãos”.

A indústria automobilística vai de vento em popa no Brasil e caminha para o lançamento do milionésimo Fusca... o que só aconteceria nos primeiros anos da década seguinte. Pelé é a estrela do futebol, mas só emplaca o milésimo gol cinco anos depois.

Natal, tudo pela hora da morte. Preços impossíveis, salários arrochados, novos impostos, falta generalizada de gêneros básicos. O ministro do Planejamento Roberto Campos garante que tudo será estabilizado. Há crediário para quase tudo.

Um mês antes, 22 de novembro, no Correio da Manhã, Millôr ironizava: “Consta que na próxima emissão, as notas de Cr$ 5.000,00 já trarão o Tiradentes enforcado”. Prisões, demissões. Nas telas A Pantera Cor de Rosa, O Candelabro Italiano, Irma La Douce, Boccaccio 70.

No Correio da Manhã de 4 de dezembro Costa e Silva justifica: “O Ato Institucional foi editado para evitar a implantação da ditadura”. Verão. Suntan para bronzear. Sai o Fusca com teto solar. É lançada a Fanta Laranja.

Neste ano de 1964 Che Guevara discursou na ONU como chefe da delegação cubana. Morre aos 85 anos, em Nova York, a compositora austríaca e femme fatale Alma Mahler, que foi casada com o compositor Gustav Mahler, o arquiteto Walter Gropius, o poeta Franz Werfel e era a musa do pintor expressionista austríaco Oskar Kokoschka. 

No Brasil o filme dos Beatles A Hard Day’s Night estreia com o título Os Reis do Iê-iê-iê. O campeonato paulista de futebol termina com Santos e Portuguesa a 3x2, e o carioca com Fluminense e Bangu a 3x1.

O presidente Castello Branco decreta a extinção do centavo do cruzeiro e a criação da nova cédula de Cr$ 100,00. O Correio da Manhã noticia que um oficial da Marinha admitiu ser um agente provocador infiltrado pelo Cenimar (Centro de Informações da Marinha). Era o notório Cabo Anselmo.

O ano de 1964 termina. Para o Brasil não terminou. Muita água vai rolar e o pior estava por vir. Foram 21 anos a partir de 1964 e se enganou quem pensava que almanaque é leitura fútil, para quem não lê. Agora é que os leitores deste Almanaque vão ter vontade de saber muito mais.


Norma Couri é jornalista

quinta-feira, abril 03, 2014

Ditadura: o que resta da transição


Cinquenta anos depois do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil – e em meio aos 25 anos de transição democrática em nosso país –, a Boitempo publica “Ditadura: o que resta da transição”.

Organizada pelo cientista político Milton Pinheiro, a coletânea enfrenta o desafio de reinterpretar uma história em que vários aspectos estão ainda por decifrar, desde o contexto por trás do golpe até a campanha pelas Diretas Já. O livro chegou às livrarias no dia 1º de abril.

Com ensaios inéditos de pensadores como João Quartim de Moraes, Anita Prestes, Lincoln Secco, Décio Saes, Marco Aurélio Santana, entre outros, o livro traça um rico panorama das continuidades e rupturas na história contemporânea brasileira, abrangendo temas como as mutações da ideologia, o lugar dos intelectuais, dos sindicatos, a mobilização comunista, as políticas econômicas e a presença dos partidos políticos.

Obra de inflexível veio crítico, é sobretudo a postura ousada que distingue Ditadura: o que resta da transição da bibliografia existente sobre o assunto: os autores enfatizam, sob perspectivas diversas, a centralidade do caráter de classe da ditadura militar para compreender suas origens, bem como seu legado. 

Marcos Del Roio, no prefácio, é categórico: tratava-se de uma “ditadura de classe, que buscava impedir a eventual realização de uma revolução democrática pelas forças populares”.

A forma pela qual se pensou a gestão da política econômica durante o regime militar é destrinchada pelo cientista político Adriano Codato, ao investigar a questão da estrutura administrativa do Estado e o problema do arranjo ideal para organizar o processo de tomada de decisões.

Aprofundando a análise das bases econômicas na ditadura e na transição, o economista Nilson Araújo de Souza divide o período em cinco momentos, que atentam para o complexo de políticas econômicas desenvolvidas e suas relações.

Já a historiadora Anita Prestes analisa o papel desenvolvido por seu pai, Luiz Carlos Prestes, histórico dirigente comunista, após o processo de anistia, para contribuir com a luta pelas liberdades democráticas e por uma transição progressista.

É também à resistência que se volta Leonilde Servolo de Medeiros em sua reflexão sobre a luta pela terra durante a ditadura militar, que procura dar conta das diversas formas de disputa que ocorreram: das ligas camponesas à reforma agrária, passando pelos processos de assentamento imposto pelo governo militar.

Com um olhar mais voltado para os impactos do período ditatorial na politização trabalhista, o sociólogo Marco Aurélio Santana desvenda a gênese de um novo sindicalismo a partir das contradições da presença política dos trabalhadores numa conjuntura de arrocho salarial e repressão, quando os sindicatos agiam em duas vertentes: afirmando e contradizendo o velho sindicalismo.

O filósofo marxista João Quartim de Moraes fornece uma aprofundada análise da natureza de classe do Estado brasileiro. Versando sobre ideologia, militarização do poder e a dinâmica do capital, Quartim desvenda a especificidade desse instrumento político durante a ditadura.

Cabe a Décio Saes uma reflexão a respeito das frações da classe dominante no capitalismo, que analisa de forma original, testando o arcabouço teórico de Nicos Poulantzas contra a configuração de classes durante a ditadura brasileira.

O historiador Lincoln Secco traça um precioso panorama analítico dos partidos políticos de 1978 até hoje, refletindo sobre o legado da ditadura. 

Para analisar a política dos comunistas brasileiros durante o período, Milton Pinheiro parte da ação teórico-prática do PCB e o desencontro de suas formulações para reinterpretar o fechamento do ciclo da revolução burguesa no Brasil.

Já David Maciel lança um olhar crítico sobre a articulação da Aliança Democrática na superação da ditadura militar e o papel desempenhado por esse bloco de forças políticas na transição para a democracia até o governo Collor.

Se a campanha Diretas Já é analisada por Vanderlei Neri sob a óptica contraditória de uma mobilização de massas com direção burguesa, é com uma perspectiva mais distanciada que o sociólogo Anderson Deo faz um balanço do processo de transição a longo prazo da ditadura militar até as últimas duas décadas, ou, em suas palavras, da “institucionalização à autocracia burguesa no Brasil”.

Toda essa complexa reflexão já parte das orelhas do livro, com o texto assinado por Marcelo Ridenti.

Gaby Amarantos abre o coração – e dá pra ver o dinheiro lá dentro


André Forastieri

Gaby Ostentação é autocomplacente, autoreferente, pseudopopular, marketeira, obcecada com a imagem, crivada de preconceito de classe, e principalmente boçal.

Claro que tinha que ser apresentada ao público pela primeira vez no episódio final de Big Brother Brasil. E apropriadíssimo que a música só alcance todo o potencial de sua escrotidão no videoclipe.

Gaby prometia mais. Deu nisso – virou “famosa”, uma Preta Gil cover, modelo plástica-e-photoshop. Anda aparecendo muito na TV. Tem música na novela das sete. Vem aí o novo disco, produzido longe do Pará e do tecnobrega, com a missão de tocar na rádio. A “música de trabalho” é Todo Mundo, produzida pelo mesmo Mário Caldato dos Beastie Boys e de Marcelo D2. “É sobre a nossa felicidade em receber a Copa em casa e sobre o otimismo de que tudo dará certo”, explica Gaby, sem ironia visível.

Artisticamente, o álbum nasce supérfluo. O vídeo de Gaby Ostentação é mais que suficiente. Reúne um bando de famosos dublando Gaby e afetando gracinhas e dancinhas. Gente como Luciano Huck, Daniela Mercury, Marcelo Adnet, Marcelo Serrado, Fábio Porchat, Valeska Popozuda, Sérgio Mallandro, Anitta, Dani Calabresa e por aí vai.

A letra passa pito no funk ostentação. Gaby está acima dessas questões materiais, agora que não é mais feia e tá na moda. Diz:

Sou rica
Tô ostentando alegria
Gostosa
Do tipo Maravilhosa
Me escuta
sente a pressão
A felicidade não se compra com cartão

O que aprendemos hoje, amiguinhos? Que “o dinheiro não traz a felicidade”. Falou completar o bordão como aquele velho comercial de Benson & Hedges, “manda buscar”. Porque o vídeo é um bando de ricos e famosos pregando à periferia. Gente que tem muito, cantando a maravilha da vida simples para quem não tem nada.

Gaby Amarantos só aparece no final, silenciosa, carregando cartazes com as mensagens:

Ostente felicidade
Ostente respeito
Ostente paz
Ostente humildade

O vídeo foi lançado no dia da mentira. Acaba com Gaby dizendo “claro que eu não virei funkeira, né galera… a gente reuniu todos esses famosos para falar que a gente pode ostentar muita coisa além do dinheiro, que tá aqui no coração!”

Ostentar muita coisa, além do dinheiro. Dinheiro que tá aqui no coração… Entendeu? Arte não é o que o artista mostra, é o que eu enxergo. Gaby abre o coração, e a gente vê direitinho a grana lá dentro.

Miranda, produtor do primeiro disco de Gaby, e o cara que fez a música do Pará acontecer nacionalmente, lamentou publicamente, postando no Facebook:

“Para a artista talentosíssima que é, que lançou um disco tão inovador e respeitado por todos mesmo que pouco ouvido pelo povo – e pode ser esse o motivo – retroagir para uma música tão fuleira, brega no sentido mais errado da palavra, ainda se valendo de uma quase crítica (oportunista?) a um dos gêneros mais autênticos do país, irmão gêmeo de sua Xirley… ainda por cima embevecida de personalidades globais! Resta-me perguntar: cadê você, Gaby? Que nunca mais apareceu aqui… (citando o mestre Odair José).”

Miranda, amigão, grande coração, segue torcendo por Gaby, e explicitou isso em um segundo post. Eu não. Nem ela precisa da nossa torcida. Tem novos amigos e boa antena. Captou e ostenta com galhardia o ethos da cena cultural carioca. Impressionante como os poucos críticos desta velha máfia não são capazes de capturá-la com tanta precisão quanto Gaby.

Gaby Ostentação navega no veio principal da cultura que compensa. Rebola no bloco dos tropicalistas ministros, e de seu cordão de puxa-sacos na academia e mídia. É o bonde do elogio da ignorância, da fetichização da favela. Trata-se de passar a mão na cabeça dos escravos, para que eles jamais ousem levantá-la. É tudo por dinheiro, sempre, sem fim, e quanto mais vier do tesouro nacional, melhor. Porque do público pagante, sabemos, não vem.

Gaby está prontinha para substituir Regina Casé no Esquenta. E o pior é que certamente consideraria isso um elogio.


quarta-feira, abril 02, 2014

‘Mrs Hemingway' enfoca a dor e a paixão das quatro mulheres do escritor


Para um escritor que explorou o mundo dos homens sem as mulheres, Ernest Hemingway certamente gostava de ter as mulheres ao seu redor.

O escritor ganhador do Prêmio Nobel foi casado quatro vezes e mal passou um dia sozinho entre cada mudança de parceira, além te ter mantido amizades com Ava Gardner, Ingrid Bergman e Marlene Dietrich.

Agora, um relato romanceado dos casamentos, inspirado em suas cartas, examina como seria estar no lugar de uma das esposas.

“Pensamos nele como um mulherengo, não pensamos nele como um marido. Esse é um papel que fica em segundo plano em relação ao caçador de grandes animais selvagens, o pescador em alto-mar, o correspondente de guerra”, disse Naomi Wood, cujo romance “Mrs. Hemingway” acaba de ser publicado.

“Eu queria investigar o que estava acontecendo aí, por que ele precisava de todas essas mulheres em sua vida. Sua vida está entupida de mulheres embora ele seja um homem focado na masculinidade”, disse a escritora britânica, de 30 anos, em entrevista à Reuters.

As quatro compartilharam bons e maus momentos com ele em Paris, Key West, Cuba e Espanha, sofreram por ser mulherengo e aguentaram seus humores e as bebedeiras, e com lealdade o seguiram até que outra o cativou.

O romance é dividido em quatro partes que enfocam uma de cada vez. Há a mulher do tipo caseiro, Hadley Richardson, que compartilhou sua situação de pobreza nos primeiros dias em Paris, em seguida, Pauline “Fife” Pfeiffer, a garota da sociedade, rica e vivaz, que toma o lugar de Hadley assim que ele começa a ganhar fama.

Depois veio Martha Gellhorn, com fama de mal-humorada, que foi seguida por Mary Welsh, que viveu com ele em Cuba por seus últimos 16 anos e que encontrou o corpo do escritor em sua casa, em Ketchum, Idaho, depois que ele se matou com uma espingarda em 1961.

ROME PAGE: Todas as notícias do Império Romano agora na Internet


Imperador Nero afirma que nada sabia de incêndio e que seu negócio é poesia

Edson Aran

Apesar de todos os escândalos revelados pela CPI do Fogo – comissão parlamentar de inquérito que investiga o incêndio de Roma – o imperador Nero continua afirmando que o assunto não é com ele. Ignobius Maximus, porta-voz imperial, afirma que Nero está irado com a oposição.

“Acusam o imperador de tocar lira enquanto Roma ardia, como se isso fosse um crime!”, disse Ignobius, ontem, no Palatino. “Ele é um poeta e, ao ver as labaredas avermelhadas iluminando a densa noite, foi tomado de súbita inspiração. Isso é motivo para crucificar o imperador?”

Além disso, reforçou o porta-voz, o decreto imperial número VII, de IX de III de XXIV, afirma, categoricamente, que a culpa é dos incendiários cristãos. O líder cristão Pedro Apóstolo não foi encontrado para comentar a acusação, pois encontra-se detido nas catacumbas do Coliseu.

PEDRO QUER VENCER LEÕES NO DOMINGO

Neste final de semana acontece mais um clássico Leões X Cristãos no Coliseu. Embora os cristãos tenham sido engolidos pelo time adversário no último jogo, o técnico Pedro Apóstolo promete dar a volta por cima: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, declarou ele, em entrevista coletiva.

Mas Decius Bracius, técnico dos Leões, não se amedrontou com as declarações do adversário. “Os Cristãos estão numas de futebol-arte”, disse ele. “O negócio agora é futebol-força. E aí nós ganhamos disparado: nosso time só tem animal!”

MESSALINA LANÇA CAMPANHA PRÓ-BÁRBAROS


A imperatriz Messalina lançou ontem a campanha “Adote Um Bárbaro” durante a reunião anual da Legião Romana de Assistência (LRA). Segundo ela, alguém tem de fazer alguma coisa por “essas criaturas imundas que ficam pedindo esmolas nos faróis”.

A prática tem congestionado o trânsito e fomentado o crime na região do Fórum. “Outro dia, estacionei minha liteira e, quando voltei, um dos meus escravos núbios tinha sido roubado!”, comentou a imperatriz. Messalina garante que a campanha livrará as ruas de Roma da ameaça, mas também trará benefícios para o cidadão que se dispor a adotar o pequeno bárbaro. Eles são ótimos para chicotear escravos, estrangular cristãos e alimentar leões.

GAYS QUEREM PODER NA GALILÉIA

O líder do Comando Armado Gay (Cagay) da Galiléia, Ben Hur, iniciou esta semana um movimento para mudar o nome da sua terra natal para Gayliléia. Os líderes religiosos hebreus posicionaram-se frontalmente contra o movimento, uma vez que se posicionar de costas poderia ser extremamente perigoso.

GAULESES NÃO QUEREM SER CHAMADOS DE BÁRBAROS

A Frente de Libertação Moderada da Gália (FLMG) enviou petição ao senado romano exigindo que o termo “bárbaro” seja banido dos documentos oficiais do Império. O líder do movimento, Jean-Paul Abracurxix, afirma que a denominação é ofensiva e deve ser substituída por “cidadão nativo gálico-romano”.

O senador Cinicus Convictus protocolou a petição, mas acha que a reivindicação tem pouca chance de ser atendida. “Esses caras se vestem com pele de bicho morto, não têm linguagem escrita e mal sabem usar talheres”, comentou. “Se o Império Romano os deixasse por conta própria, eles cairiam todos numa idade das trevas. O máximo que podemos fazer é chamá-los de aspargos ou tubérculos. Mas isso é tudo”.

ABERTA TEMPORADA DE ORGIAS


Temporada de orgias tem novas regras e passa a valer a Lei do Engate: engatou, deixa.

O Secretário Geral de Orgias e Bacanais, Pintus Minimus, abriu ontem a temporada de surubas deste ano. Pintus Minimus advertiu, porém, que as regras para participar das festividades de Baco foram alteradas. O(a)s bacantes deverão trazer lubrificante de casa, que não será mais fornecido pela organização do evento. Além disso, passa a valer a Lei do Engate: quem conseguir engatar no parceiro (a) tem o direito de permanecer ali, mesmo que o da frente berre e esperneie. As orgias deste ano terão apresentação do ator Coitus Interruptus e da modelo e atriz Lucila Meretricis.

FAMILIARES DE TURISTAS PROCESSAM POMPÉIA-TUR

A agência de turismo Pompéia-Tur está sendo processada pelos familiares dos turistas que desapareceram tragicamente no ex-aprazível balneário de Pompéia durante a erupção do vulcão Vesúvio, na semana passada. Caius Bagus, que perdeu a sogra e a mulher na turnê, exige que seus danos sejam reparados e estima o valor em dois milhões e meio de cestércios. “A sogra não era grande coisa, mas a mulher sempre chamava a atenção do imperador nas orgias e nos banhos”, explicou ele.

O proprietário da Pompéia-Tur, Eretus Falus, afirma, no entanto, que a erupção do Vesúvio não é problema da agência: “Eles que vão para o inferno e se queixem a Plutão!”

SOCIAIS

Acaba de ser lançado livro “Regras de Etiqueta para Surubas e Bacanais”, da colunável Catilina de Caracala. No tomo, Catilina dá dicas breves e precisas, como “nunca espirre durante a felação” e “nunca bata antes de entrar, a não ser que o parceiro seja um servo.”

O gladiator Spartacus não quer mais ser chamado de “animal”. O apelido tem causado sérios problemas ao craque. Devido a um mal entendido, no último final de semana ele foi escalado, por engano, para comer cristãos no Coliseu. “E eles têm um gosto péssimo. Parece peixe!”, desabafou o atleta.

Boato da semana: dizem que Agripina, mãe de Nero, está com os dias contados. Nerinho, Nerinho, lembre-se: mãe só tem uma!

Grande su o suicídio do escritor e ex-Árbitro de Elegância do Imperador, Petrônio, que abriu os pulsos numa tigela de água quente à pedido do próprio Nero. Parece que Sêneca ficou p! “Por que ele e não eu?”, comentava o senador, durante a cerimônia. Calma, Senequinha, Nero está de olho em você...

Frase da semana: “Não basta que a mulher de César seja honesta, ela tem de parecer honesta!” (Sifus, cabeleireiro núbio de Messalina, condenado a catar coquinho nas províncias africanas depois de pronunciar a frase no seu salão de beleza)



Rome Page é um site das Organizações Olimpo

Barba de astro da NBA vira arte em trabalho de desenhista


Além da grande habilidade que tem, James Harden chama bastante atenção com sua barba avantajada durante os jogos do Houston Rockets.

E não é que a pelugem virou fonte de inspiração para alguém.

O artista croata Filip Peraic resolveu fazer uma série de trabalhos exaltando a barba do ala.


“A barba de Harden é única, maravilhosa. É quase um ícone”, explicou o artista, que criou até mesmo um site oficial para divulgar o trabalho.


O resultado por sua fixação com a barba do atleta foi diversos desenhos curiosos.

Em um deles, a barba é desenhada como fosse músculos do corpo de Harden.

E em outro o artista transformou a pelugem em uma baleia. Confira: