quinta-feira, julho 02, 2015

Mulheres querem machos de verdade!


A liberdade sexual das mulheres transformou o seu comportamento em todas as etapas do relacionamento com os homens. Hoje elas são femistas – a versão feminina dos machistas – e circulam livremente pela cena sexual. Vão atrás do cara que desejam, transam com quantos e com quem quiserem, experimentam todas as modalidades sexuais e declaram isso tudo, sem a menor barreira ou constrangimento. Mudaram muito sim e isso é bom, inclusive para nós, homens que ainda gostam de mulheres. Mas em um aspecto elas não mudaram: na cama.

Como sempre, as mulheres querem um macho na hora de transar. Gostam que o homem seja moderno, sensível, preocupado e aberto. Que ajudem a trocar a fralda, que discutam relacionamento, que choram e se sentem frágeis. Gostam de tudo isso, sim. Mas não abrem mão de ter na cama um verdadeiro macho, um macho de pegada e que nunca fuja da raia. Macho dominador, macho alfa, macho protetor e macho safado. Tudo isso num macho só.

Você pode gostar de dar uns beijinhos, falar palavras doces, ser carinhoso e atencioso. Tudo bem, elas vão gostar disso também. Mas não seja mole na cama. Elas querem que você as pegue de quatro, pegue de lado, pegue por cima, pegue por baixo, que você as conduza, que você seja vigoroso (sem violência, claro!) e sempre cai muito bem um puxão de cabelo e uns tapinhas. Ah! E não se intimide de chama-la de puta. Ela vai adorar.

Sim, gafanhoto, a biologia sempre supera a sociedade. Por mais que as mulheres sejam tão independentes e livres e tenham conquistado essa posição social, ainda serão sempre mulheres na cama: deliciosamente frágeis e submissas, prontas para satisfazer seu macho, desde que ele tenha uma boa pegada. Seja um deles. Se não quiser virar corno.

quarta-feira, julho 01, 2015

A fonte da eterna juventude ao alcance de todos


Quer viver até os 105 anos, como o arquiteto Oscar Niemeyer? Então faça sexo regularmente, gafanhoto. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de South Wales, na Grã Bretanha, determinou que homens que “gozam” de orgasmos frequentes tem 50% menos de chance de morrerem cedo.

A pesquisa coloca duas transas semanais como um número razoável para um ser humano adulto. A explicativa seria a redução de stress, além da maior circulação de sangue no corpo. O sexo também libera o DHEA, uma proteína que age diretamente com a testosterona e corta risco de doenças.

Para as mulheres, sexo também traz benefícios para uma vida mais saudável. E muito mais feliz. Já foi comprovado que o ato funciona como um antidepressivo natural para elas, só comparável a comprar sapatos caros em shoppings centers.

Algumas pesquisas também mostraram que o esperma seria outra fonte de nutrientes capaz de prevenir contra a tristeza. Mulheres que fazem sexo oral sem preservativos têm menos sintomas de depressão, desde que não se encuquem com a dúvida se é pra cuspir ou pra engolir.

Quem garante que o sexo oral é uma prática saudável para as mulheres e ajuda em tratamentos de depressão, são os pesquisadores da State University of New York, uma das mais respeitadas do país. De acordo com os cientistas, o sêmen possui três substâncias antidepressivas e reguladora de humor, induzindo a afeição maior entre o casal e até um sono mais tranquilo para a parceira.

O estudo também mostrou que mulheres que fazem sexo regular sem camisinha são menos tristes. As casadas ou em relacionamento sério, que tendem a transar sem preservativos, tem menos sintomas de tristeza do que outras mulheres.

A pesquisa ainda ressalva que o simples contato com o sêmen já causa efeitos positivos. Os psiquiatras consultaram cerca de 293 mulheres com um questionário sobre a vida sexual delas para chegar às conclusões. O estudo foi publicado no Archives of Sexual Behaviour.
Se você queria um argumento científico para convencer sua patroa a lhe pagar dois quetes por semana, acabou de encontrar. Faça bom proveito.

terça-feira, junho 30, 2015

O existencialismo fashion é tudo de bom


Edson Aran

A grande novidade deste São Paulo Fashion Week é a entrada em cena da Camu’s Models, primeira agência de modelos existencialista do mundo. A agência é uma criação do sociólogo e empresário Jean-Paul Largerfield. “Enfado é demais de chique”, explica ele. “Daí a idéia de procurar intelectuais existencialistas que sentem náuseas autêntica da vida e, por isso, são muito mais naturais.”

A modelo mais bem paga da Camu’s Models é a brasileira Berenice Beauvois, a Berê Deprê, estrela do ensaio “The Fashion Winter of Our Discontent” da revista inglesa I-Depressive de novembro passado.

O fotógrafo Dick Small não poupa elogios á brasileira: “Ela é demais! Berê acredita que a concepção hegeliana da existência não é permeável à práxis marxista que tem, evidentemente, derivação rosseauniana. Ela e a Nana Never, uma sartreana, discutiram horrores durante o make-up. Eu amei.”

Numa das fotos, Berê Deprê sintetiza a nadificação da consciência com uma pose calculadamente desleixada e um olhar propositadamente entediado.

Nesta edição do SPFW, o estilista Alexandre Hepatitich escalou todo o cast da Camu’s Model para o desfile de sua nova marca, a Engajé Jeans.

“O principal modelo da coleção masculina seria o Paulo Zulu”, disse Hepatitich, “mas ele está ocupado demais escrevendo um paper sobre a influência da Mitologia Afro-Teutônica na Concepção Junguiana do Inconsciente Coletivo, por isso não pôde vir. Foi aí que eu preferi desfilar a coleção inteira com a Camu’s Models.”

A coleção de Hepatitich tem como tema o inverno nas favelas brasileiras. “Nunca pisei numa favela, mas deve ser o ó”, declarou o estilista. “Por isso, fiz uma coleção socialmente engajada com jeans estrategicamente rasgados. É o que eu chamo de índigo indignado.”

Depois do surgimento da Camu's Models, a procura por intelectuais que modelam tem crescido exponencialmente. Novas agências como a Freud Fashion (especializada em paranóicos esquizofrênicos para desfiles performáticos) e a Kant Casting (para desfiles mais formais, de precisão quase matemática) tomaram conta do mundo da moda.

“Renovação é tudo de bom”, declarou a crítica de moda Erika Leibniz. “Mas o contraponto dialético é um componente intrínseco ao mundinho fashion. Ou, como diria Parmênides, essa coisa muito pitagórica é, tipo assim, o stylish da contra-tendência.”

segunda-feira, junho 29, 2015

Sexo anal não se pede


Xico Sá

Um jovem, moço mesmo, ali na casa dos vinte e poucos anos, pede um autógrafo em um dos meus livros e, com a timidez de um Woody Allen juvenil versão Brooklin paulistano, indaga se pode fazer uma pergunta que não pôde fazer em público, no debate sobre os quereres das mulheres etc. Solene, nervoso, óculos maiores do que os meus, diz que precisa de um conselho para a sua vida amorosa. Uma dica.

Com o fuzuê de gente por perto, cochicha no meu ouvido. Quase passo a pergunta ao amigo Marcelo Rubens Paiva, que autografava ao meu lado, na Livraria Cultura, no Market Place, SP, “As verdades que ela não diz” (Ed. Foz). Paiva certamente daria uma melhor resposta ao noviço.

– Como pedir sexo anal à minha namorada? – era a indagação do moço, pobre moço.

Contou que já estavam juntos havia uns dois anos e nada do gênero, ao contrário de alguns amigos, que haviam praticado o ato sexual mais heterodoxo.

Meu caro leitor, ponha uma coisa na cabeça: Sexo anal não se pede. Sexo anal é dádiva, oferecimento, mimo, presente. Atitude da menina que louva aquele que bem merece. Pode ser também, em alguns casos, medida emergencial para tentar segurar o vagabundo que está de partida. Pode ser, mas não é regra.

Se você insiste, meu Woody do Brooklin paulista, fica chato, já era. Se você força, pior ainda. Aliás, forçar a barra nunca, amigo, respeite a moça que ela merece. Sexo anal, a menos que seja uma mocinha mais perversa – nada contra! –, só acontece em momentos especiais. Uma viagem a uma praia mais distante, por exemplo, é uma ocasião e tanto.


Você pode até sugerir, de leve, ao acariciá-la na cama, na delicadeza, toques dos dedos etc, mas, repito, sem forçar a barra. Se sentir que não tem chance, que ainda não chegou a hora, esqueça, meu rapaz, relaxe e continue amando, digamos assim, pelas vias mais convencionais. Assistir juntos a clássicos do cinema erótico como “O Último Tango em Paris”, que trata –poeticamente! – do tema… também ajuda a iniciar a jovem no assunto. Gera uma oportunidade para os dois, quem sabe, conversarem livremente sobre o desejo em pauta. 
E vou ficando por aqui, meu rapaz, e tomar meu café da manhã com uma gostosa tapioca com manteiga de garrafa, tipo assim, meu guri, o derradeiro tango do Agreste.

domingo, junho 28, 2015

Elas gostam daquilo grande


A menina, 22 anos, braços completamente tatuados, designer, cara de anjo e olhar safado, muito gostosinha, acabou de chegar ao Brasil, depois de uma temporada de dois anos na Suíça. Ela estava muito bem lá. Tinha trabalho e até um noivo. Mas resolveu voltar assim mesmo. Dá muitas explicações sobre seus motivos e acaba sentenciando, despudorada: “Não aguentava mais pau pequeno”. A declaração é reveladora.

Em primeiro lugar, deixa claro que os suíços não são lá muito avantajados, ao passo que nós, brasileiros, segundo a gatinha, temos do que nos orgulhar. Em segundo lugar, mostra como no fundo as mulheres gostam de volume e dão importância a isso. Pelo menos algumas. E, pelo jeito, não são poucas. Faça uma pesquisa com suas amigas e comprove. E aproveite para perguntar os motivos.

Quando começou a ocorrer a liberação sexual das mulheres nos anos 1960-70, com a descoberta da pílula e o discurso do amor livre, as sexólogas de plantão ganharam notoriedade com sua sabedoria feminina. O orgasmo é clitoriano e, portanto, tamanho não importa, diziam elas, cheias de razão. Sim, é verdade. Do ponto de vista mecânico, o que importa é estimular o clitóris. Mas do ponto de vista emocional, há muitos outros elementos que estimulam o orgasmo feminino.

Um deles é a sensação de estar sendo invadida, possuída, submetida por uma grande rola. O tamanho importa também em outros sentidos, como o de estimular as sensações visuais. Nada abre tanto o apetite sexual feminino como a visão de uma grande e ereta rola, cheia de desejo por ela.

Claro que você vai encontrar aquelas que não fazem questão e até algumas que declaram preferir tamanhos médios — afinal, os extra GG podem às vezes até machucar. Mas se você é um big size, já sai com alguma vantagem no mercado. Do contrário, não desanime: os pequenos também têm suas vantagens. Mas isso é assunto pra você conversar com o seu psiquiatra.

quinta-feira, junho 25, 2015

Como manter a sanidade mental no trabalho?


O seu chefe é um cretino? O mala-sem-alças está a ponto de te deixar louco? Não se avexe, gafanhoto. Aqui estão algumas dicas que vão lhe ajudar a manter a sanidade mental (e talvez o emprego) nesses ambientes corporativos cada vez mais insalubres:

No seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado no meio-fio, coloque seus óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade.

Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se ele quer “fritas de acompanhamento”.

Encoraje seus colegas de sala para fazer uma dança de cadeiras sincronizada com você.

Coloque sua lata de lixo sobre a mesa, afixe um cartaz nela e escreva “Caixinha de Sugestões”.

Desenvolva um estranho medo a grampeadores.

Coloque café descafeinado na máquina de café por três semanas. Quando todos tiverem superado o vício à cafeína, mude para expresso extraforte.

No canhoto de todos os seus cheques escreva “Ref. favores sexuais”.

Sempre que alguém lhe falar alguma coisa, responda com “Isso é o que você pensa, asshole!”

Termine todas as suas frases com “De acordo com a profecia 117 das centúrias de Nostradamus”.

Sempre que possível, pule em vez de andar.

Pergunte às pessoas de que sexo elas são. Ria histericamente depois que elas responderem.

Descubra onde seu chefe faz compras e compre exatamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois que o seu chefe usá-las. Isso é especialmente efetivo se seu chefe for do sexo oposto.

Mande e-mails para o resto da empresa para dizer o que você está fazendo. Por exemplo: “Se alguém precisar de mim, estarei no banheiro, no vaso sanitário três, à esquerda de quem entra.”

Coloque um mosquiteiro tamanho família ao redor do seu cubículo. Toque um CD com sons da floresta durante o dia inteiro.

Ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida) e não fale nada.

Faça seus colegas de trabalho lhe chamarem pelo seu apelido, “Duro na Queda”.

Quando sair dinheiro do caixa eletrônico, bata vigorosamente nos peitos e dê aquele grito de guerra dos grandes macacos, que celebrizou John Weissmuller no cinema.

Quando for cobrado por alguma tarefa que esqueceu de fazer, fale para o seu chefe “São as vozes na minha cabeça que não me deixam em paz”.

Com um dia de antecedência, avise aos seus colegas de trabalho que você não pode ir à festa de amigo oculto deles porque não está no clima.

quarta-feira, junho 24, 2015

O medo da fêmea diante da balança


Xico Sá

Você, amigo, sai com a pequena e ela só belisca, qual um passarinho, uns saudáveis farelos ou engole umas folhinhas sem graça. Que desgosto. Você caprichou na escolha do restaurante, acordou com água na boca por um prato que só você sabe onde encontrá-lo, quer fazer uma presença, fazer bonito com a cria da sua costela. Que desgosto, a gazela mira o ambiente com “nojinho”, de tão fresca. Uma estraga-prazeres, eclipse de um belo sabadão ensolarado.

Ah, nada mais bonito do que uma mulher que come bem, com gosto, paladar nas alturas, lindamente derramada sobre um prato de comida, comida com sustança. Os olhinhos brilham, a prosa desliza entre a língua, os dentes, sonhos, o céu da boca. Ela toma uma caipirinha, a gente desce mais uma, sábado à tarde, nossa doce vida, nossos planos, mesmo na velha medida do possível.

Pior é que não é mais tão fácil assim encontrar esse tipo de criatura. Como ficou chato esse mundo em que a maioria das mulheres não come mais com gosto, talher firme entre os dedos finos, mãos feitas sob medida para um banquete nada platônico. Época chata essa. As mulheres não comem mais, ou, no mínimo, dão um trabalho desgraçado para engolir, na nossa companhia, alguma folhinha pálida de alface. E haja saladinha sem gosto, e dá-lhe rúcula!

A gente não sabe mais o que vem a ser o prazer de observar a amada degustando, quase de forma desesperada, um cozido, uma moqueca, uma feijoada completa, uma galinha à cabidela, massa, um chambaril, um sarapatel, um cuscuz marroquino/nordestino, um cabrito, um ossobuco, um bife à milanesa, um tutu na decência, mocotó, um baião de dois, uma costela no bafo, abafa o caso! Foi embora aquela felicidade demonstrada por Clark Gable no filme “Os Desajustados”, quando ele observa, morto de feliz, Marilyn Monroe devorando um prato de operário. E elogia a atitude da moça, loa bem merecida.

Além do prazer de vê-las comendo, pesquisas recentes mostram que as mulheres com taxas baixíssimas de colesterol costumam ser mais nervosas, dão mais trabalho em casa ou na rua, barraco à vista, intermináveis discussões de relação... Nada mais oportuno para convencê-las a voltar a comer, reiniciá-las nesse crime perfeito.

Moças de todas as geografias afetivas e gastronômicas, aos acarajés, às fogazzas, aos pastéis, aos cabritos assados e cozidos, ao sanduíche de mortadela, à dobradinha à moda do Porto, ao lombo – de lamber os lábios! –, ao churrasco de domingo para orgulho do cunhado que capricha na carne e sabe a arte de gelar uma cerva. E aquela fava, meu Deus, com charque, enquanto derrete a manteiga de garrafa, último tango do agreste.

O importante é reabrir o apetite das moças, pois, repito, senhoras e senhores, o velhíssimo mantra: homem que é homem não sabe sequer – nem procura saber – a diferença entre estria e celulite. Até a próxima e desejo a todas as mulheres um final de semana com muita gula e todos os pecados capitais possíveis. Sem culpa, meninas!

terça-feira, junho 23, 2015

Quatro filmes para ganhar o Oscar e comer mulheres


Edson Aran

O cinema brasileiro, quem diria, chegou lá. É mostra no MoMA, urso de ouro, piranha de prata, indicação pro Oscar. Uma beleza. Como eu também quero ficar rico, vou aproveitar a Lei Ruanê e sair por aí angariando recursos. Pago os 50% de praxe ao empresário que, gentilmente, resolver assaltar a Receita comigo. Não sou filho de banqueiro – que morre de tesão por pobre e comunista – mas também sou engajado e socialmente responsável. Meu negócio é denunciar as mazelas do país. Mazela da Silva, por exemplo, residente na Alameda Che Guevara, número 23, fundos, nunca deu pra mim. Pronto. Já denunciei.

LAMPIÃO CONTRA A FILHA DE FRANKENSTEIN – Incompreendida na sua terra natal, a baronesa Von Frankenstein (Juliana Paes) troca a Alemanha pelo nordeste brasileiro para continuar as experiências do pai. Auxiliada por um corcunda caolho (Cid Moreira), madame Frankenstein resolve usar a eletricidade para ressuscitar gente morta. Eles roubam o corpo do cangaceiro Corisco (Marcos Palmeira), mas descobrem, na última hora, que não tem rede elétrica no nordeste, o que torna a experiência inviável. De qualquer forma, o roubo do cadáver desperta a ira de Lampião (Marcello Antony), que invade o castelo da baronesa com seu bando (turma do Didi).

TIRADENTES NO VALE DAS MULHERES PRÉ-HISTÓRICAS – A Inconfidência Mineira dá errado e Tiradentes (Murilo Benício) tem de escapar do líder das tropas portuguesas (Agildo Ribeiro). Felizmente, ele é salvo por Chico Rei (Miguel Falabella), que o esconde numa mina de ouro. Mas o subterrâneo termina num misterioso vale pré-histórico habitado por selvagens seminuas (Sheila Carvalho, Sheila Mello e Tiazinha), que são oprimidos por uma raça de lagartos alienígenas mutantes (Dedé Santana e Ronald Golias). Apaixonado por Sheila Carvalho, Tiradentes lidera as mulheres na luta contra a tirania. Ele vence e instala uma república tropical socialista no submundo.

MAURÍCIO DE NASSAU CONTRA O IMPÉRIO DO MAL – O Recife holandês de Maurício de Nassau (Reynaldo Gianecchini) é atacado por navegantes do reino perdido da Atlântida (Oscarito e Grande Otelo). Para resistir aos invasores, Nassa (para os íntimos) se junta a Tiradentes (Murilo Benício), Lampião (Marcello Antony) e Zumbi dos Palmares (Fábio Assunção) para criar um exército guerrilheiro. A luta é feroz e desigual, mas, quanto tudo parece perdido, a deusa Iemanjá (Xuxa) surge do mar para ajudar os bravos combatentes. Os efeitos especiais vão ter coordenação do Joãosinho Trinta.

ISAURA, A ESCRAVA BRANCA DE DRÁCULA – Cansado do engajamento ecológico e do blábláblá sem fim da escrava Isaura (Lucélia Santos), seu dono (Rubens De Falco) a coloca a venda. Ela é arrematada por Drácula (Francisco Cuoco), que refugiou-se no Brasil depois da confusão na Transilvânia (Pindamonhangaba). O conde transforma Isaura em vampira, mas a moça continua falando sem parar, mesmo depois de morta. Para dar um fim na pentelha, o conde contrata o matador de vampiros Van Helsing (Tarcício Meira). Mas como ninguém tem coragem de enfiar a estaca no tribufu das trevas, o filme acaba.

segunda-feira, junho 22, 2015

10 bons motivos para você carcar uma mocreia


No último dia 12, você fez trocentas simpatias para Santo Antônio e até agora não choveu um único broto na sua horta? É, gafanhoto, está ruim pra todo mundo. Mas não se avexe. Nesse período de seca intensa, você pode abrir uma exceção e investir no abatimento de mocreias. Há algumas vantagens para a prática desse esporte radical de alto risco. Confira aí:

1. É um mercado promissor – Nove entre dez mulheres feias têm amigas bonitas. E essa feia que sobra tem sempre uma prima arrumadinha.

2. É emocionante – Você vai se sentir o próprio James Bond tentando esconder a mocreia dos seus amigos e inventando desculpas mirabolantes para não circular com ela nos botecos frequentados pela sua turma.

3. É seguro – Se você parar o carro num local ermo, dependendo do calibre do canhão que estiver te acompanhando, os marginais não vão te incomodar com medo de serem comidos vivos pela sua acompanhante.

4. É muito fácil – Uma mocreia normalmente não escolhe muito as companhias masculinas por força da lei da oferta e da procura. Quer dizer, mesmo que você seja uma mistura mal ajambrada de Pedro de Lara, Tiririca e Nerso da Capitinga, a possibilidade de levar um fora é praticamente zero.

5. É econômico – Um dragão de Komodo sabe que é um dragão de Komodo. Logo, portanto, por conseguinte, o drago não vai pedir jantares em restaurantes chiques, nem flores no dia seguinte. No máximo, duas ou três cervejas em lata dentro do carro. Sim, as mais desesperadas vão pedir uma sopa. E só.

6. É um ato de fé e piedade cristã – Você se sente melhor espiritualmente quando sai com um tribufu. É a sua boa ação da semana.

7. É um excelente parâmetro – Imagine duas feias juntas. Uma delas sempre será a “mais bonitinha” por pior que ela seja. E isso vai te ajudar a ficar afiado na hora de escolher uma mulher bonita de verdade.

8. É interessante – Pode ser que a mocreia seja dona de um milhão de cabeças de gado ou então filha única de um poderoso empresário da cidade (empresários e políticos poderosos sempre são pais de tribufus, já reparou?). Sem contar que você não tem a menor vocação para ser um pobretão pelo resto da vida, né mesmo?

9. É uma mão na roda pros seus estudos – Uma feia sempre copia tudo o que o professor fala na sala de aula, o que facilita em muito na hora de tirar cópias das matérias que você perdeu. As bonitas normalmente fazem isso também, mas não vão sair com você nem muito menos emprestar o caderno.

10. É cinematográfico – Nos casos desesperadores, uma mocreia é mais do que suficiente porque elas costumam não ter preconceitos na cama sob pena de perder o parceiro. Ela vai topar qualquer coisa que você sugerir, de canguru perneta a catando coquinho na Polinésia, de vaca atolada a candelabro italiano, de beira de cama a cachorro pirento. Se quiser, você pode encarnar o milionário sadomasoquista do romance “50 Tons de Cinza” que ela vai ser a subserviente Anastácia. E, o que é melhor, sem gastar um pau (além do seu, evidentemente).

domingo, junho 21, 2015

Você não passa de um Homem!


Millôr Fernandes

“Besta! Você é uma besta!” Besta é como aprendemos a xingar desde cedo. E chamamos de animais os que matam com crueldade, os que violentam, agridem, ferem: “O criminoso reagiu à polícia como uma verdadeira fera!” Como? Correu? Não – atirou, esfaqueou, matou.

Porco-chovinista. A hiena-nazista. Alimentei uma serpente no meu seio. “Rato!” “Cavalos, são todos umas cavalgaduras!” Pato. Cão. Teimoso como uma mula. Bêbado como um gambá. Burro. Galinha. Lesma. Lágrimas de crocodilo. Traiçoeiro como uma raposa. Praticamente todos os animais têm sido usados pelo homem para símiles das suas próprias fraquezas e defeitos. E os animais, dóceis, continuam sua vida, ignorando que os usamos para cobrir toda a gama de nossa imensa canalhice, quando bebemos mais do que podemos, espancamos os mais fracos, prevaricamos sem medida, agimos, enfim, “como verdadeiros animais selvagens”.

Talvez isso se deva ao fato de que os animais sempre nos evitaram, com raras exceções, como a do cão (um quisling animal, o Pai Tomás da espécie). Mas, agora que a história natural sabe muito mais sobre os animais, você já tentou ler, ao mesmo tempo, paralelamente, a biografia de uma família “ilustre” e a monografia de um grupo de chimpanzés? Em qualquer família “ilustre” a prevaricação sexual é a constante, a traição sentimental, a regra, o ciúme, o impulso, e a violência, resultado quase fatal.

Mas um grupo de chimpanzés do Quênia, estudado detidamente por naturalistas holandeses, mostrou que os brutos (perdão!) ficam satisfeitos com apenas seis atos sexuais por ano, já que as fêmeas só se interessam pelo assunto duas ou três vezes por mês e nem querem ouvir falar (grunhir) disso em todo o período da gestação e da lactação. O problema, porém, vejam bem, não é saber se os gorilas são ou não melhores que o homem porque se importam menos com sexo, mas apenas mostrar que não é válido, na descrição de violência sexuais, num caso de estupro, por exemplo, dizer que o homem “cedeu a seus instintos bestiais”. O que ele cedeu mesmo foi a seus instintos humanos.

Mas, se alguns animais copulam menos, todos brigam menos do que os homens. Ainda estou para ver elefantes se adestrando militarmente para atacar leões, tigres se mobilizando para enfrentar uma horda de jacarés invasores, búfalos matando bisões por questões de fronteiras, rinocerontes vendendo chifres a girafas, e assim por diante. Quando não se sentem efetivamente atacados, todos os animais deixam pra lá. Não brigam por conceitos, não reagem por pressupostos, não se ofendem por questões linguísticas, não matam por religiões. E, mesmo atacados por razões vitais, inúmeras vezes rugem (zurram, escoiceiam, berram), mas, assim que podem, satisfeitas as necessidades teatrais da espécie, fingem que não foi nada e dão o fora. Paz! Paz!

Mesmo os animais definitivamente vitoriosos em lutas quase nunca procuram tirar partido disso. Viram as costas e vão embora. No máximo comem um pedaço do inimigo, se for o caso; se o caso é fome. Não há condecorações, butins de guerra nem retaliações em nome do passado, tratados preservando um pasto para o futuro, colinas de Golan contestadas entre jaguatiricas e cascavéis, e, sobretudo, não há arcos do triunfo.

Pois é: já é tempo de inverter os termos e afirmar que uma pessoa é “suave como um elefante”, “maternal como uma cobra”, “tímido como um rinoceronte”, “delicado como um urso”, ou que “o coelhinho me olhou com um olhar quase humano”, isto é, de ódio ou inveja. Pois desde a Bíblia a interpretação foi sempre contra os animais: a serpente era pérfida e perdeu o homem. E, no entanto, tudo que a serpente fez, afinal, foi contestar uma portaria aparentemente sem nexo. Possivelmente ela teve apenas a intenção de instigar o homem a um prazer que ele até então não desfrutara. E certamente a coisa não teria o desfecho desastroso que teve (o pão com o suor de nosso rosto, etc.) se não tivesse se metido na história o elemento agressivo e agressor, o anjo com a espada de fogo na mão. Um homem!

quinta-feira, junho 18, 2015

Adultério & tecnologia de ponta


Xico Sá

A amiga W., tão amadora em novas tecnologias quanto este cronista pterossáurico da Chapada do Araripe, me diz, entre o riso e o espanto:

 Esses programas de geolocalização vão acabar com o mistério mais velho e bíblico da humanidade: a suspeita de estar ou não sendo traído.

A mulher com W. maiúsculo, personagem de uma letra da banda Mundo Livre S/A, discorria sobre a possibilidade de sermos facilmente rastreados a um simples clique. A velha história contada pelo camarada George Orwell, no seu livro “1984”, que agora se torna banalidade.

Alheio ao novidadismo mais radical, não esquento com essa história das máquinas saberem onde estamos, mas a observação da amiga faz sentido. Você pode simplesmente entrar em um motel na Marginal Pinheiros, em São Paulo, e ser traído pelo emaranhado do sistema, do GPS, da rede fenomenal do Big Brother.

Não estou aqui na defesa da pulada de cerca 100% segura, essa é uma utopia fora do nosso alcance. Simplesmente lamentamos, depois de várias caipirinhas na agradável e sexy companhia de W., o fim do suspense hitchcockiano do chifre.

Como se não bastassem os instagrams, facebooks e twitters da vida, onde transmitimos nossos atos e mesquinharias para toda a humanidade, o avanço dos programas de geolocalização radicaliza essa transparência. O pretexto dos criadores de tais ferramentas é a cadeia de consumo, mas ignoram a tragédia grega ou a comédia humana que podem estar por trás de cada rastreamento.

Um homem ou uma mulher ciumentos são capazes de fazer as maiores besteiras diante de qualquer desconfiança. Imagine com o mapa do crime do(a) suposto(a) adúltero(a) riscado na telinha de uma aparelho móvel!

A prosa com W. não é naquela linha nostálgica e velhaca de quem se nega a viver no novo mundo. É de gracejo com os destinos da raça humana e as gambiarras modernas.

No que a linda afilhada de Balzac, depois de mais uma caipirinha de frutas vermelhas, tira mais uma onda:

 O que os olhos não vêem o coração não sente? Esqueça essa velha crença, amigo, pois agora tudo está à mostra.

Exagerada essa moça, capaz de nos deixar coçando a testa e refletindo horas sobre o que denominamos, mais literal do que nunca, de tecnologia de ponta.

quarta-feira, junho 17, 2015

Que tipo de bar você frequenta?


Se você costuma tomar umas e outras pra criar coragem e enfrentar a vida cara a cara, um desses botecos deve ser a sua cara. Confira:

Bar Charel – Ambiente sóbrio, frequentado por aqueles que concluíram o curso de ensino superior.

Bar Bilônia – Esplendoroso, embora os fregueses cultivem hábitos e costumes dissolutos, o que leva o bar a estar em constante decadência.

Bar Coniano – Clientes cadastrados. Para obtenção do cadastro é preciso ser partidário da filosofia de Francis Bacon. Ou gostar muito de bacon com ovos.

Bar Quiteriólogo – Frequentando por bacteriologistas.

Bar Dalação – Pra quem gosta de acontecimentos sociais, cuja finalidade é a autopromoção.

Bar Derna – Bar preferido por bagunceiros de toda espécie para que, ao se embriagarem, promovam atividades pândegas.

Bar Fafá – Fecha sempre antes do último tumulto, para que a confusão não se alastre.

Bar Gatela – Onde os preços são uma mixaria.

Bar Gaço – Estabelecimento de mau aspecto, envelhecido e caindo aos pedaços.

Bar Gulho – Ao lado do Bar Gaço.

Bar Nana – Frequentado por frouxos e palermas.
 
Bar Afunda – Ninguém se entende. O ambiente é uma baderna. Bêbados fazem algazarra, garçons sobem nas mesas. E ninguém reclama. O importante é a balbúrdia.

Bar Agnose – Frequentado única e exclusivamente por pessoas que não sentem o peso do corpo. Nem do copo.

Bar Alho – Admite somente 52 fregueses, divididos em quatro naipes, séries de às a rei, com peças intermediárias até dez e mais as figuras do valete e da dama. O garçom é o curinga.

Bar Atinado – Ambiente transtornado, perturbado, ninguém é de ninguém. Uma loucura.

Bar Atinha – Para as pessoas que acordam transformadas em baratas. Ou em baratinhas.

Bar Bada – Local indicado para quem está acostumado a vencer facilmente a ressaca no dia seguinte. Mesmo que seja de licor de ovos.

Bar Bacenense – Estabelecimento onde é proibida a entrada de pessoas não nascidas em Barbacena (MG).

Bar Bearia – Loja de barbeiro, com botequim anexo. Para quem gosta de beber com um pano quente no rosto.

Bar Bicha – Boteco muito suspeito.

Bar Bitúrico – Um barato. Casa especializada em batidinhas ácidas.

Bar Ganha – Onde se pode beber na base da troca. Depois do terceiro uísque só são permitidas trocas de impressões.

Bar Nabé – Bar preferido por funcionários públicos de categoria modesta, embora até hoje nenhum deles tenha sido encontrado no local. Apenas os respectivos paletós nas cadeiras.

Bar Baridade – Um espanto de bar gaúcho, tchê! Bah!

Bar Bante – Para quem está com a vida por um fio.

terça-feira, junho 16, 2015

Coronel Feliciano, o milagreiro do sertão!


Princesa Isabel, cidade do Alto Sertão da Paraíba, terra onde se aquartelava a tropa cangaceira do temido Zé Pereira, berço da saga biográfica do Coronel Feliciano, homem de muita fé, mas só em si mesmo. Homem de truculência e bizarrice. Homem para homem nenhum botar defeito mode continuar vivo.

Homem que não acreditava que a Terra fosse redonda e girasse sobre seu próprio eixo. “Coisa de padre pra contar história. Se fosse redonda e girasse ia ter muita indecência. Os home tudo por cima das mulé”. Homem que odiava padre e santo e que negava esmola a cego. “Vá pedir dinheiro pra quem te cegou, peste miserável!”. Homem que negava a existência da Arca de Noé com uma argumentação imbatível:

– Uma vez teve um circo aqui. O elefante comeu sozinho umas cinquenta arrobas de resto de cana. Imagine um barco inteiro cheio de bicho por quarenta dias e quarenta noites! Onde o velho ia guardar a comida dos animais?

E concluía:

– Só de piolho eu conheço umas dez raças diferentes e uma vez eu quis pegar um casal de rolinhas, só peguei macho.

A mulher do Coronel Feliciano, ao contrário do marido, era beata de ralar joelho, vivia na missa, vivia rezando. Na grande seca de 1936, toda a população se reuniu numa procissão para pedir água ao céu abrasador. O Coronel pediu a seu modo: pegou uma imagem de São Judas Tadeu – um “calunga”, como ele chamava –, amarrou no talo de um rojão – na “taboca” como tratam o rabo do foguete por lá – e disparou a peça de artilharia que se espatifou, junto com a imagem, a uns cem metros de altura. Coincidência ou milagre, no dia seguinte desabou o maior pé-d’água do Sertão. Explicação prática do Coronel:

– Uai! E não era pra chover, cabra? Já imaginou um pipoco do pé do ouvido a duzentos metros de altura! Tinha mais é que tomar providência!

O problema é que não parou mais de chover por três dias seguidos, o açude estava pra estourar. O Coronel encheu um saco de santo, foi no açude e, segundo ele, “pipinou os calungas de metro em metro” e avisou pras santificadas imagens:

– Agora é com vocês! Se estourar desce tudo por água abaixo. E vocês descem junto...

Dia seguinte parou de chover.

segunda-feira, junho 15, 2015

Decálogo de um homem feio


Xico Sá

Dez coisas que um homem feio deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata:

I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg – o tio francês que pegava a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outras deusas. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro.

II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.

III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.

IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.

V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.  

VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.

VII)  Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade.

VIII)  Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras.

IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova.

X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas. Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade!

Eu dirijo, a estrela guia!


Edson Aran

A constelação da Anta Menor, à esquerda da estrela anã do Circo Orlando Orfey, adverte: sair de casa sem consultar os astros faz mal à saúde. Veja o que destino vai aprontar contigo.

Áries (21/03 a 20/04)
O trânsito de Saturno interrompido por um congestionamento na casa sete adverte: não confie nos amigos. Como você não pode confiar nos inimigos, sua vida vai ficar uma merda. Número da sorte: amarelo. Cor: ametista. Pedra: 3,14.

Touro (21/04 a 20/05)
No início do mês, você estará sentado num bar quando entrará no recinto um moreno de olhos azuis frios e penetrantes. Seus olhares se cruzarão e o amor que não ousa dizer seu nome encherá seu coração de desejos inconfessáveis. Eu, se fosse você, ficava em casa.

Gêmeos (21/05 a 20/06)
A conjunção carnal de Marte com a Lua fará nascer três lindos planetinhas: Asteróide, Planetóide e Hemorróide. Isso provocará uma vontade irresistível de cacarejar às quatro e meia da madrugada. Negócios emperrados de terça a domingo. Amor: azulzinho.

Câncer (21/06 a 21/07)
Trabalho favorecido. Suncê pega galinha preta que nunca viu a lua. Reserva. Prepara galinha com cachaça, água de sereno, azeite de dendê e coentro. Servir na encruzilhada com vela vermelha e terrine de canard. É cordon bleu com candomblé.

Leão (21/07 a 22/08)
Projetos culturais favorecidos. Gerald Thomas vai se interessar por aquela sua peça onde todos os personagens se chamam 'Estrôncio', inclusive as mulheres. Na noite de estréia, a platéia cometerá suicídio coletivo antes do final do primeiro ato.

Virgem (23/08 a 22/09)
Na noite de 10 de agosto, à meia-noite, você entregará sua virgindade para um homem alto, robusto e totalmente calvo chamado Estrôncio. Ele pagará em cheque e você ficará ali na rua, chorando, enquanto a virgindade se afasta, ganindo na noite vazia.

Libra (23/09 a 22/10)
Índios ferozes atacarão seu ônibus no meio do túnel Dois Irmãos. Os passageiros vão quebrar as janelas e trocar tiros com os silvícolas. A Sétima Cavalaria só conseguirá alcançá-los na altura da Barra da Tijuca. Marte recomenda cuidado com escalpo.

Escorpião (23/10 a 21/11)
Urano, Netuno e Plutão entram na casa de Júpiter e ficam bebendo até de madrugada. O Sol aparece no litoral até seis da tarde. Marte vai a uma festa na casa de Saturno, mas esquece o número do apartamento e aperta a campainha de todo mundo.

Sagitário (22/11 a 21/12)
Por determinação do Supremo Tribunal Astrológico, a partir deste mês, todos os 'sagitarianos' serão chamados de 'estrôncios'. Previsões anteriormente feitas para os nativos de Sagitário, serão automativamente transferidas para os estrôncios. Obrigado.

Capricórnio (22/12 a 20/01)
Marte, o planeta vermelho, olha feio para Netuno. Júpiter tenta segurar a onda, mas o Sol lhe dá um tapão no pé do ouvido. Saturno mostra seu anel para Urano, provocando a ira da Lua, que resolve se entregar a Mercúrio, Vênus e Apolo 11.

Aquário (21/01 a 20/02)
O luar, estrela do mar, o sol e o dom advertem: cabelo pode ser pentelho, cabelo pode ser suvaco. Cabelo pode estar na cara. Cabelo pode estar no saco. A estrela Dalva no céu desponta e a Lua anda tonta com tamanho esplendor. 

Peixes (21/02 a 20/03)
Você vai ganhar sozinho na Sena acumulada, comprar uma ilha no Pacífico Sul, instalar vários mísseis nucleares de longo alcance e exigir uma cadeira no conselho de segurança da ONU. Tudo isso só na parte da manhã. Estrôncio recomenda cautela.

A palavra ‘corrupção’ não aparece entre as mais de 9 mil desperdiçadas por Jô Soares e Dilma na conversa de comadre ufanista


Augusto Nunes

Pelos padrões da TV, 70 minutos são uma eternidade — e foi essa a duração da conversa entre Dilma Rousseff e Jô Soares. Sobrou tempo até para o diálogo de hospício reproduzido abaixo, transcrito da íntegra da entrevista publicada pelo Portal do Planalto:

Jô Soares: Presidente, a gente não falou ainda, mas é fundamental que a gente fale. Em 2012 você mudou o comando da Petrobras. É que você já pressentia que havia algo de podre no reino do petróleo?

Presidenta: Olha, ô Jô, quero te dizer o seguinte: eu não tinha…Não eram pessoas da minha confiança. Quando você sobe ao governo, você coloca as pessoas da sua confiança. Bom, a Petrobras não é um barquinho que você vira rapidamente, não é? Então, passou um ano e eu troquei a diretoria toda e coloquei uma diretoria da minha confiança, foi isso que eu fiz.

Jô Soares: Agora, o pré-sal, eu cheguei a lamber uma pedra do pré-sal…

Presidenta: Eu te mostrei ela.

Jô Soares: É, ficou de me mandar uma e não mandou.

Presidenta: Vou mandar, vou mandar. Prometi, agora eu vou mandar.

Jô Soares: Não, porque agora prometeu no ar. Tem cheiro de querosene, não é?

Presidenta: É.

Jô Soares: E eu lambi e senti que tinha gosto de sal, mas eu acho que foi a minha imaginação. A pedra está aí, não, não é? Deve estar no…

Presidenta: Não, a pedra está no Planalto.

Jô Soares: É uma pedrona.

Presidenta: Uma pedra.

Jô Soares: Tem gente que não sabe que o pré-sal já está funcionando, com mais de 500 mil barris/dia.

Presidenta: Bem mais. O pré-sal…

Jô Soares: Já me perguntaram quando é que vai funcionar o pré-sal. Quando funcionar, o preço do petróleo vai estar tão baixo que não vai mais compensar. Eu queria que você explicasse um pouco sobre isso, porque isso é uma falta de informação em vários níveis, porque as pessoas acham: “Ah, isso aí não vai dar em nada, o pré-sal não vai dar em nada”. Não têm ideia de que já está produzindo.

Presidenta: Olha, para você ter uma ideia dessa questão: não só está produzindo, como a Petrobras ganhou o “Oscar” na área de… este ano, a Petrobras ganhou o Oscar na área de óleo e gás.

O besteirol acima consumiu quase 400 das mais de 9 mil palavras ditas em parceria por Jô e Dilma. Mas na montanha de consoantes e vogais não aparecem uma única vez expressões inevitáveis numa entrevista com a presidente do Brasil do Ano da Graça de 2015. Corrupção, por exemplo. Ou Petrolão. Ou pelo menos escândalo.

Até bebês de colo e índios de tribos isoladas  hoje associam a Petrobras a essas palavras — além de roubalheira, ladroagem e outras bem menos gentis. A entrevistada, previsivelmente, tentou driblar todas. O entrevistador, lastimavelmente, também. Dilma mentiu em todas as respostas. Jô não contestou nenhuma.

Ele sabe que a estatal foi saqueada por uma quadrilha parida pelo padrinho Lula e amamentada pelo governo Dilma. Achou mais relevante contar que já lambeu uma pedra do pré-sal. Ele sabe que o maior esquema corrupto da história engoliu bilhões de dólares. Preferiu celebrar milhares de barris imaginários.

Foi assim que o que deveria ter sido uma entrevista acabou virando conversa de comadre ufanista.

Jô Soares volta ao humor com o programa Viva a Dilma: ‘A presidenta que não sabe responder recebe o entrevistador que não sabe perguntar’. E enfim descobre o paradeiro do cachorro oculto atrás de cada criança

Celso Arnaldo Araújo


Saudosos do programa “Viva o Gordo” já não precisam se contentar com as reprises do canal Viva. O grande humorista Jô Soares – que cedeu lugar ao pior entrevistador da TV brasileira — está de volta com um programa fresquinho: “Viva a Dilma”. Resgatando a tradição das duplas que faziam o Brasil gargalhar no tempo das chanchadas da Atlântida e da rádio Nacional, como Oscarito e Grande Otelo, Primo Pobre e Primo Rico, a dobradinha Dilma e Jô, ele como escada, desmentiu a fama de Brasília como cidade sem graça, embora nada séria. Em pleno Palácio da Alvorada, ambos – em grande forma – interpretaram a si mesmos, sem precisar de ensaio ou laboratório.

O comediante que decidiu virar dono de talk show e que, nessa função há 27 anos, jamais conseguiu extrair de um convidado uma única frase que repercutisse no dia seguinte. A presidente que, em quatro anos e meio de mandato, e nada indica que será diferente nos três anos e meio que ainda faltam, jamais extraiu de seu cérebro uma única frase que fizesse sentido no dia seguinte ou para a História. Química infalível para o riso fácil, frouxo e indevido – potencializada por um detalhe que coloca Jô ao mesmo nível da cara de bacalhau, filhote de pombo, pescoço de freira e político honesto, isto é, de coisas que ninguém nunca viu: ele é o humorista a favor.

Já na introdução interminável para justificar a defesa intransigente de Dilma, o Jô de sempre: a hesitação e a sem-gracice em forma da pessoa real que é, despido de seus antigos personagens. Também pudera: é preciso se desmanchar em tibieza e falta de informação para, preparando a primeira pergunta, afirmar isto:

“Bom, você é uma leitora fanática, de chegar a andar com mala cheia de livros e, de repente, na ânsia de ler, até bula de remédios não escapavam (sic) dos seus olhos”.

Ainda a Dilma leitora fanática? A claque da Zorra Total teria de ser acionada para produzir gargalhadas frenéticas, apesar de a piada ser muito velha – menos para o Jô. Na mala de livros que Dilma leu sem nunca ter lido ainda cabe Jô Soares – ela é imensa.

Mas, espere. A pergunta no horizonte envolve não um livro comum – mas o livro dos livros. E aqui ressalta o inclassificável talk showman que é Jô Soares: imagine, é a primeira pergunta de sua primeira entrevista com a presidente da República num momento delicadíssimo da vida nacional e você se sai com essa – uma insignificante fabulazinha de cadeia sem um ponto de interrogação no final:

“E como é que é a história da Bíblia, quando você estava presa, encarcerada, e essa Bíblia tinha que passar pra outros prisioneiros. Conta essa história pra gente”.

Dilma:

“Ah, Jô, era uma história que é assim: num tinha livros…”.

Só pelo “num”, não tinha mesmo. Mas, segundo consta, tinha uma bíblia que fora deixada por um padre e que passava pela portinha do calabouço, e ia de cela em cela, introduzida pela fresta. Dilma enfatiza, para provável espanto da plateia: “Porque as portas das celas não ficavam abertas…” Puxa, mas uma bíblia fazendo sucesso num calabouço de marxistas? Sim, porque não era qualquer bíblia. Mas a Bíblia de Dilma, a hermeneuta:

Eis sua gênese:

“A Bíblia é algo fantástico, ela é uma leitura que ela envolve de todas as maneiras. Além de sê uma expressão religiosa, da religião da qual nós, a maioria do Brasil, compartilha. Mas, além disso, ela tem alta qualidade literária e tem, também, histórica. Então, é uma leitura que, eu quero te dizer o seguinte: para mim foi muito importante, principalmente porque ela trabalha com metáforas. E é muito difícil, a metáfora é a imagem, o que é a metáfora? Nada mais que você transformá em imagem alguma coisa. E não tem jeito melhor de ocê entendê e compreendê do que a imagem”.

Dilma como metáfora seria aqui uma imagem impublicável. Mas a entrevista caminha biblicamente para o apocalipse, com Jô fazendo o papel de um embasbacado Cirineu para a cruz de Dilma pensando o Brasil e discorrendo sobre qualquer assunto. Caprichando como sempre na saúde:

“Agora, eu quero te dizer que, além disso, faltam no Brasil especialidades. Porque, hoje, uma pessoa que quebra a perna precisa de ter um exame; ela precisa de ter um outro tratamento. Então as especialidades são a grande coisa que nós queremos focar nesses próximos quatro anos. E são três especialidades que nós vamos começar, porque você tem que começar. Uma é ortopedia; a outra é cardiologia; e a outra é oftalmologia. Eu esqueci de falar, falei da traumatologia, dos pés, das “quebraduras” em geral. Então são três”.

Já pisando nas quebraduras da Pátria Educadora, Dilma – que conquistou Lula ao chegar para uma reunião com um laptop – fala da importância de se controlar virtualmente, tintim por tintim, as verbas da Educação destinadas às creches (sim, as seis mil de sempre).

“Nós montamos o controle. E você só pode montar o controle no Brasil se você digitalizar. Você digitaliza…torna.. Coloca na internet, digitaliza, sabe onde é cada uma das escolas. Então, o prefeito recebe um SMS: “Prefeito, você recebeu tanto, você tem que fazer…”. E ele tem que tirar o retrato, tirar uma foto daquela creche e tem de botar no…

“Na internet”, sopra Jô.

“Não, ele bota no celular dele, que vem pra nós, que entra na internet, não é? Aí, nós descobrimos que um prefeito que tinha quatro creches tava mostrando a mesma creche. E advinha (sic) como é que a gente descobriu”?

“Como”?

“O cachorro era o mesmo. O cachorro parado na frente da creche era o mesmo das quatro creches. O que causou uma grande indignação em nós aqui. Que história é essa desse cachorro aí? Eu te contei essa história justamente pra mostrar o seguinte: você tem de acompanhar”.

Sim, a entrevista foi constrangedora, claro. Mas Jô conseguiu uma façanha: descobriu, sem querer, onde foi parar aquele cachorro de Dilma que era a figura oculta atrás de cada criança: ele se materializou na frente de cada creche.

Viva o Gordo, Viva Dilma.

domingo, junho 14, 2015

10 coisas que você precisa saber sobre o amor


1 – O amor não é uma chama que não se apaga. O nome disso é incêndio no cerrado. O amor é outra coisa.

2 – O dinheiro não pode comprar o amor. Mas consegue alugar por meia hora.

3 – Amar é nunca ter de pedir perdão. Dizer “mal aí”, então, nem pensar.

4 –  É possível viver apenas com um amor e uma cabana. Desde que seja, no máximo, por uma semana.

5 – Se você ama alguém, deixe-o ir. Se voltar, é porque pertence a você. Se não voltar, é porque o ônibus quebrou.

6 – O amor é uma coisa esplendorosa, mas não adianta: o primeiro lugar é sempre do Evandro de Castro Lima.

7 – O amor é uma chama que arde intensamente, mas ter fogo no rabo é muito mais divertido.

8 – O amor não é uma coisa que você não pode perder porquê nunca possuiu de fato. O nome disso é caminho de casa. O amor é outra coisa.

9 – O amor não é para sempre. Ex-mulher é.

10 – Quem encontra um verdadeiro amor, encontra um tesouro. Mas quem encontra um verdadeiro tesouro está se lixando pro amor.  

quinta-feira, junho 11, 2015

Histórias da Zona Norte


Aldir Blanc

Guinga me contou a última de hoje:

Zé Bode, não por coincidência morador da... Penha!, resolveu dar aula de educação sexual pros netos. Foi uma falação louca, entremeada de termos técnicos como “barquete”’ e “gualibão”. As crianças adoraram. A primeira aula teria sido um êxito retumbante se um dos meninos não tivesse criado caso:

– E a Roberta Close?

Zé Bode armou a retranca:

– Que qui tem?

– Dizem que era homem, fez uma operação e virou mulher.

Zé Bode continuou de líbero:

– E daí?

O menino aplicou uma sucessão de dribles de fazer inveja ao Bebeto:

– Bom, é mulher agora, mas também era antes. Não é mais homem, mas antes também não era...

Zé Bode se encrespou:

– Era homem, tinha tarugo.

– Mas não usava!

Já vi situações assim no hospital. Diante de um impasse, o jeito é apelar pro cientificismo. Zé Bode não vendeu barato:

– A genitrolha não é de somenos dada a circunstância, ainda que hipotética, de descabelamento do palhaço. Outrossim, não se apresentava, logo abaixo do bombril, a perseguida. Muito pelo contrário, delineava-se ali, ainda que modesto, o cipó de aroeira.

A classe aplaudiu tamanha erudição, mas o menino tinha uma derradeira dúvida:

– Ela transa por onde?

Zé Bode cauteloso:

– Aparada a genitrolha, constituiu-se a genibrenha. É por ali.

– E antes?

– Antes o quê, porra?

– Antes, ora essa. Como é que ele, ou ela, fazia a coisa?

Com um suspiro de resignação, Zé Bode revelou o segredo:


– Através das partes caganentais.

quarta-feira, junho 10, 2015

Na santa paz do Senhor


Jornalistas do Pasquim: A partir da esquerda Ivan Lessa (sentado), Millôr Fernandes (de branco), Caulos (na janela) e Jaguar (em pé)

Millôr Fernandes

Estou lembrando: faz muitos anos, íamos, eu e o jornalista Jaguar, andando pela Praia Grande, em Arraial do Cabo, tendo pela frente dezenas (oitenta?) de quilômetro de areia branca, quase pó-de-arroz. Era meio-dia de um dia de semana. As ondas dessa praia são sempre curtas, rápidas, verdes e transparentes.

Pode-se caminhar dentro d’água centenas de metros e mergulhar tranquilamente na água fria, sem perder o pé. O fundo do mar, coisa rara em praias rasas, é também de areia limpa e sólida, nenhum lodo. Além da areia, na praia, há uma vegetação ondulando permanentemente.

No recanto em que  morávamos – Jaguar tinha alugado uma casa de pescador, o que, nele, nada tinha de folclore – havia uma elevação, uma pequena montanha. Lá de cima caía uma pequena cascata de águas da Álcalis, e a própria poluição da Álcalis era belíssima, jogando pro ar uma nuvem de brancura diáfana.

Junto com a paisagem constante, a paisagem mutante. Pescadores em suas tarefas normais, redes espalhadas, abertas na praia, uma ou outra sendo remendada vagarosamente, pássaros às centenas, sem medo, voejando rente ao chão, um ou outro burro carregando pequenas mercadorias. Estávamos em pleno paraíso.

Fomos saindo da praia, eu e Jaguar, passamos por um pequeno grupo de pescadores que, numa sombra, junto de algumas canoas, olhavam o horizonte, trocando algumas palavras preguiçosas, na indolência do começo da tarde. Jaguar disse: “Isso é que é gente pura!” E eu disse: “Tá bem, Jaguar! Um tá querendo comer a mulher do outro e outro tá querendo ficar com a canoa do um. Aquele vesguinho até bateu a carteira do crioulão. O microcosmo é igualzinho ao macrocosmo, ô cara!”

Uma semana depois Jaguar entrou na redação do Pasquim, onde trabalhávamos então, e me disse: “Pô, que coisa, seu! Você tem toda a razão. Ontem apareceram três pinguins lá na praia e os pescadores, sem a menor hesitação, pegaram uns paus e transformaram os pinguins numa poça de sangue. Não entendi. Fiquei besta!”

É por essas pequenas coisas que eu nunca perco a fé no ser humano.