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terça-feira, agosto 22, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 71)


TOLSTOI, Leon (1828-1910) – Um dos maiores escritores de ficção de todos os tempos – Guerra e Paz, Ana Karenina, Sonata a Kreutzer, etc. –, este russo aristocrata e moralista foi também um dos maiores fudedores da sua época, embora fosse feio, desdentado, fedorento, enfim, parecia um daqueles monstros que fazem figuração nos quadros de Bosch.

Se Tchaikovsky, seu contemporâneo, odiava ser homossexual, Tolstoi odiava ser heterossexual.
Peraí, não é isso que vocês estão pensando. Ele começou comendo uma prostituta aos dezesseis anos e chorou muito depois da trepada.

Apesar disso, só parou de comer mulheres aos oitenta e dois anos de idade, quando a iguaba passou a não dar mais sinais de vida.
Rico e famoso, se casou aos trinta e quatro anos com Sonya Behrs, com quem teve treze filhos.

Considerava-se um canalha por ter um apetite sexual insaciável e chegou a pensar em se suicidar em 1870, quando se tornou cristão e “descobri que a fé em Deus pode dar um sentido à existência do homem e unir as pessoas numa irmandade de justiça e amor universal”.
Seu credo pessoal era o Sermão da Montanha e vivia citando ele para seus camponeses: “Parem de fuder, seus pecadores”.
Passou a usar roupas de camponês, a fazer trabalhos braçais, e chegou a pensar em abrir mão de suas propriedades, que eram muitas, e a passar os direitos de suas obras para o domínio público.
Quando Sonya, sua mulher, que era uma santa e chegou a copiar Guerra e Paz treze vezes, soube das suas intenções, acusou-o de ser homossexual aos oitenta e um anos de idade.
Isso não era verdade. A verdade é que Tolstoi, que era considerado um santo pelos seus inúmeros seguidores, nunca praticou o que advogava: uma vida casta.
Além de comer a mulher, comeu todas as parentas, as admiradoras, as criadas e as camponesas que apareceram na sua frente e teve dezenas de filhos ilegítimos.
Sentia uma culpa terrível e costumava dizer: “Olho a companhia das mulheres como um mal social necessário, mas procuro evitá-las o mais possível”.
Não procurava tanto, pois quando não estava escrevendo, estava fudendo o que quer que usasse saias: fudia e sofria, fudia e chorava, fudia e se penitenciava, fudia e se arrependia, mas não parava de fuder, o sacana.

TOPLESS – À la galega quer dizer “nada em cima”. Bottomless quer dizer “nada em baixo”, mas vocês já viram que quem tirou as calcinhas não vai fazer muito doce para tirar o sutiã.

Desde os tempos pré-históricos que, em havendo oportunidade e motivo, a mulher mostra os peitos: Babilônia, Egito, Grécia, Roma, etc.
Só os escondem quando sentem que as chamadas glândulas mamárias, de tão vistas, perdem o interesse.
É, aliás, o que as mocinhas de Ipanema, Leblon e adjacências já deveriam estar pensando.
Às vezes passo pela praia e vejo mulheres boérrimas com os peitos de fora batendo papo com uma porrada de rapazes que parecem não estar absolutamente interessados no topless.
Mulher que vier conversar comigo de topless está me insultando: tiro as calças na hora e então sim podemos conversar.
Aliás, garotinhas ricas da Zona Sul adoram passear de topless na frente dos porteiros. Os paraíbas, que não comem mulheres há anos – só na luta dos cinco contra um –, endoidam!
Em Veneza, na época de Giordano Bruno, um dos maiores humanistas de todos os tempos que não dispensava uma mulherinha, o governo decidiu que as prostitutas deviam andar com os peitos de fora para serem diferenciadas das moças de família.
Em verdade, achavam que com o mulherio meio pelado os rapazes de boa família parariam de dar o rabo. Não pararam.
Quando Nixon decidiu invadir o Camboja, esperou para fazê-lo no dia em que dois babaconautas do Apolo (não sei se 11, 12 ou 13) se perderam no espaço. Enquanto o mundo rezava para que eles encontrassem o caminho de casa, as tropas americanas desembarcavam no Camboja sem que ninguém desse importância.
No Brasil, sempre que há uma crise caracu, onde o governo entra com a crise e o povão com o cu, aparecem umas maluquinhas de topless na praia, o que faz com que as senhoras marchadeiras se escandalizem e os jornalões coniventes com o governo editorializem pedindo o fim da falta de vergonha.
Hoje em dia o topless no Brasil é lugar-comum.

Logo, logo, porém, pintará o bottomless e já estou imaginando as grã-finas em frente ao Country, grandes lábios ao sol: – Você está divina, amor! Quem foi o gênio que tingiu os teus pentelhos de azul-turquesa?

TRÁFICO de Escravas Brancas – Não sei se com a presença da AIDS fantasiada de morte, que fez a sua aparição nada sutil no baile da vida há alguns anos, a coisa recrudesceu.

De qualquer forma, o tráfico de mulheres existe desde tempos imemoriais.
Nos últimos trezentos anos os patrocinadores deste esporte foram os milhares de sheiks espalhados pela África do Norte e parte da Ásia.

Mandavam seus correios para a Europa, onde eram escolhidas as “esposas”. Claro que se tratava de putaria, mas muito bem paga.
As moças escolhidas assinavam um contrato, geralmente de seis meses, para fazerem parte do harém do sheik.

Se o potentado árabe gostasse da moça, o contrato era renovado.

Caso contrário, ela voltava para casa cheia de dólares e se casava em Paris, Londres, Copenhague, onde quer que morasse, enfim.
O verdadeiro tráfico, a cafiolagem, exploração do lenocínio, porém, nunca tem um final tão feliz.
De um modo geral, os cafiolas se instalam num bom hotel em qualquer lugar do mundo, sob as mais diversas capas. As mais comuns são: empresários de dançarinas e cantoras ou agentes matrimoniais.
As moças, de um modo geral, ingênuas e pobres, acreditam que há um marido esperando por elas na Suíça, na Alemanha, na Inglaterra, ou que será bailarina de algum grupo de danças sempre num país remoto.
Ao chegarem ao país remoto, sem falar a língua e sem dinheiro, se tornam rapidamente dependentes de drogas e são postas na rua rodando a bolsinha. Dificilmente conseguem escapar da difícil vida fácil.
Há, entretanto, casos de sujeitos burgueses europeus de classe média que realmente querem casar com moças bolivianas, colombianas, cariocas.
Gordinhos, feios, carecas, encheram o saco com as exigências das mulheres europeias economicamente independentes, politizadas e feministas.
Mandam buscar, portanto, através de um agente, depois de troca de correspondência e fotos, alguma moça pobre de um país subdesenvolvido.
Casam com ela que, em verdade, fica sendo uma espécie de escrava do filho da puta, uma vez que não conhece a língua do país, não tem dinheiro para comprar a passagem de volta. O cara a mantém simplesmente como uma prostituta particular.
Conheci um dinamarquês que, cansado de ser corneado por suas inúmeras amantes, se casou com uma semiprostituta do Piauí e a levou para Copenhague.

Lá ela não aprendeu o dinamarquês e rapidamente esqueceu o mau português.
Fala com o marido uma língua mista que só eles entendem.

Depende dele para tudo, mas vive confortavelmente e come três vezes por dia.
Na França, até 1975, mais de 30% dos estúdios de dança eram antros de cafiolagem.
Em dezembro de 1949, a assembleia das Nações Unidas adotou a Convenção para a supressão do tráfico de pessoas e da exploração de prostitutas, que penaliza qualquer um que lucre com paixões alheias. Eis os dois artigos da lei:
1) É passível de pena de prisão todo aquele que incentivar ou organizar, com o propósito de prostituição, viagens de outras pessoas, mesmo com o consentimento delas;
2) E passível de pena de prisão todo aquele que explorar a prostituição, mesmo com o consentimento da prostituta.
Vocês acham que a lei pegou? Claro que não. Pegou só na Dinamarca, mas, para tanto, o próprio Estado se tornou gigolô.

As prostitutas são classificadas como assistentes sociais, têm assistência médica gratuita e obrigatória de quinze em quinze dias e pagam imposto de renda.

ABC do Fausto Wolff (Parte 72)


TRANSEXUALISMO – O transexual, em sendo homem, não é um homossexual e, em sendo mulher, não é uma lésbica. Em verdade, é vítima de um erro da natureza. O transsexual pode ser uma mulher que se sente um homem ou um homem que se sente mulher. São mulheres com corpos de homem e homens com corpos de mulher.
A coisa é séria, pois enquanto que o homossexual é um homem normal, exceto pelo fato de preferir ir para a cama com outros homens, e a lésbica é uma mulher normal, exceto pelo fato de preferir ir para a cama com outras mulheres, o transsexual pensa, age e sente como o seu oposto.
A situação é patética: imagine você, leitora que me honra, olhar para outra mulher e sentir vontade de penetrá-la, casar e ter filhos com ela. É exatamente assim que se sente uma transsexual com corpo de mulher.
João Nery, carioca, já foi Joana Nery (pseudônimos), professora de psicologia que, porém, jamais se sentiu uma mulher. Quando ia para a cama com outras mulheres, detestava se tratada por elas como lésbica. Queria ser tratada como homem.
A propósito de sua operação, que a transformou em João fisicamente, ela escreveu um belo livro João ou Joana?, que infelizmente não recebeu da nossa crítica e nem do poder judiciário a menor atenção. Joana, que hoje é João, mora clandestinamente e com documentos falsos no Rio de Janeiro.
Muitos transsexuais – homens e mulheres – vivem esta condição por toda a vida por pressões sociais ou econômicas.
Outros, principalmente depois da segunda metade deste século, sofrem uma alteração completa através de cirurgia e tratamento hormonal.
Os homens amputam o pênis e os testículos, que são substituídos pelos médicos por uma vagina artificial e uma vulva.
Graças ao hormônio feminino, os pêlos do rosto, das pernas e do peito desaparecem e os seios e ancas aumentam de tamanho.
Uma pequena intervenção na laringe, finalmente, faz com que a voz se torne mais aguda.
As mulheres têm seu clitóris alongado. Com ajuda de uma matéria plástica ele se torna um pênis artificial.
Os seios, ovários, tubos de falópio e o útero são removidos e a vagina fechada.
A barba e os pêlos nas pernas e no peito surgem com injeções de hormônio masculino e, finalmente, uma operação da laringe torna a voz mais grave. Coisa para macho mesmo!
Depois da operação, os transsexuais apelam na justiça para o reconhecimento do novo sexo e muitos chegam a casar. Menos no Brasil, é claro, onde o transsexualismo não é legalmente reconhecido.

TRAVESTI – Trata-se do homem que tem prazer sexual principalmente quando se veste de mulher. Existem mulheres que eventualmente gostam de usar trajes masculinos, mas são poucas e, de qualquer modo, se forem bonitinhas, ficam ainda mais femininas.
Tive um caso com uma tenente das forças da ONU, no Líbano, que não podia ser mais feminina, principalmente sem as botinhas e a farda.

Seios grandes que se mantinham eretos, desafiando a lei da gravidade. Mas tergiverso.
Mais de 98% dos travestis são homossexuais.

Há aqueles que se vestem permanentemente de mulher e outros – bancários, políticos, funcionários de multinacionais, publicitários – que o fazem ocasionalmente, durante o carnaval, ocasião em que não perdem a oportunidade de palmear qualquer coisa que lembre remotamente uma banana.
O Brasil é conhecido no mundo inteiro pelo número de travestis, sendo que os dois mais famosos são Astolfo (Rogéria) e Roberto (Roberta Close).

Esta última, embora seja um homem, é considerada por muitos a mulher mais bonita do país.
Ao contrário dos transsexuais, os travestis não se consideram mulheres. Apenas gostam de se sentir mulheres, vestindo seus trajes.
Há casos de travestis que não são absolutamente homossexuais, como, por exemplo, Knud Hansen, um dos melhores professores de matemática da Dinamarca.

Foi o filósofo Jurij Moskvitin que me levou à sua casa.
Ele nos recebeu vestido de mulher ao lado da esposa e dos filhos.

Como o cara não desmunhecasse, depois de algum tempo, acabei esquecendo que ele estava de minissaia e comecei a discutir lógica binária a sério.
Um sinônimo para travestismo é eonismo, em homenagem a Charles D’Éon, que está devidamente verbetado na letra E.
Em literatura, principalmente a teatral, o travesti é a paródia de uma obra séria.

Por exemplo: o tratamento humorístico que Shakespeare deu a Píramo e Tisbe em Sonho de Uma Noite de Verão.
Outro exemplo, este político: o congresso que votou contra as eleições diretas no Brasil em 1984 era um travesti.
Homens se vestem de mulheres desde os tempos babilônicos.

A prática foi condenada pela primeira vez no século VI, pelo bispo Isisdoro, de Sevilha: “Todo ano novo é a mesma coisa: essas criaturas miseráveis se transformam em verdadeiros monstros efeminando suas caras másculas e fazendo gestos femininos, intoxicados pelo vinho”.
Por outro lado, quem usa saia todo o dia, como os cardeais, não pode reclamar das bichas enrustidas que se largam uma vez por ano.

UBERABA – Cidade no Oeste de Minas Gerais, nas Alterosas, a 785 metros acima do nível do mar e banhada pelo rio Uberaba. Suspeito, não? Ganhou status de cidade em 1856 por razões misteriosíssimas e hoje é o centro comercial de importantíssima região bovina.

Aliás, as vacas e os bois de Uberaba são a sua principal fonte de renda.

Fonte de renda parece título de livro de poesia de Cruz e Souza, não é mesmo?

Mas não é só isso. Lá em Uberaba eles cultivam ainda arroz, feijão, laranja, café, cana-de-açúcar e, não contentes, plantam bananeiras.
Todos os anos os uberabenses fazem uma feira de gado na qual vacas, bois e touros andam nus de um lado para o outro e vai gente do Brasil inteiro para ver. Sempre no mês de maio, mês das noivas, como se sabe!!!
A cidade tem ainda grandes fábricas de cimento, de sapatos, sapatinhos e sapatões. Trens e caminhões transportam mercadorias para Belo Horizonte, a capital do estado a 422 quilômetros para o Leste, e para as cidades vizinhas do Estado de São Paulo.
Uberaba, além de ser uma arquidiocese, é ainda sede da região conhecida como Triângulo Mineiro.
O Triângulo Mineiro, como os meus leitores devem saber, já causou muitas mortes, embora os mineiros costumem esconder os seus triângulos do grande público.
Finalmente, os habitantes de Uberaba, sem exceção, e são mais de 300 mil, não escondem o fato de que a cidade é sede do Centro Regional de Pesquisas Sócio-Econômicas para a América Latina.
Vocês sabem que eu sou contra a censura, mas, francamente, tudo tem limites!

ABC do Fausto Wolff (Parte 73)


UGANDA, Mártires de – Em 1885, o kabaka (ditador) de Uganda era um negão parrudo chamado Mwanga, que substituiu o velho Mtesa.

Mtesa era tolerante e deixou que missões católicas e protestantes se estabelecessem em seu território.

Mwanga, porém, desconfiou daquelas histórias estranhas de uma mulher dando à luz a um bebé, embora fosse virgem; de uma pomba Espírito Santo e de um Deus que ninguém podia ver.

Além disso, achava que os pastores e padres fediam.
Primeiro ele massacrou o bispo anglicano James Hannington e os seus colegas.

Como era um cara imparcial, deve ter pensado com o seu umbigo, pois gostava de andar nu: “Porra, se eu massacrei os protestantes, não é justo deixar os católicos vivos”.

Foi então que ele massacrou vinte e dois jovens católicos africanos.
Quem não gostou da história foi Joseph Mukasa, membro da casa real que depois virou santo.

Chegou pro Mwanga e disse: “Olha, Mwanga, você só matou os vinte e dois porque és um tremendo boca de fogo e eles não quiseram dar pra ti”.
Foram as últimas palavras do bom José, pois Mwanga mandou que lhe cortassem a cabeça e ainda não se conhece caso de cabeça que consiga falar separada do corpo.
Os vinte e dois jovens foram canonizados por Benedito XV em 1920 e pelo papa Paulo VI em 1964. O dia dos mártires de Uganda é 3 de junho.
Mwanga teria sido protagonista de uma piada que chegou a ser publicada nas Anedotas do Pasquim.
Branco pintava em Uganda, ele mandava prender e depois perguntava: “Burunga ou Burundunga?”
Todo mundo sabia que Burunga queria dizer “Dás pra mim?” e “Burundunga” queria dizer “morte”.
Um dia ele aprisionou um americano, um russo, um francês, um inglês e um alemão e perguntou: “Burunga ou Burundunga?”
Os quatro primeiros preferiram burunga e tiveram a vida poupada. O alemão, metido a macho, berrou: “Burundunga, seu filho da puta!”
Mwanga, que não sabia o que era filho da puta, mas entendia muito bem o que era Burundunga, coçou a barriga, sorriu e disse.
– Muito bem, mas primeiro Burunga!
Mwanga foi o mentor intelectual de Idi Amim.

UGARTE, Augusto Pinochet (Confesso que não estou interessado no ano em que nasceu.) – Ditador do Chile, dono de um bigodinho bem mais modesto que o do Sr. José Sarney.

Talvez isso se deva ao fato de que pretende sodomizar apenas 11.262.000 chilenos.

Aliás, minto: aparentemente não pretende sodomizar os ricos.

Deve dar, portanto, somente uns 11 milhões de chilenos.
Manda desde 1973, quando, com auxílio da CIA, assassinou o presidente eleito, Salvador Allende.
Mandou importar técnicas modernas de tortura do Brasil e reuniu todos os opositores do regime num estádio de futebol para fuzilá-los posteriormente.
Os rapazes da escola de Chicago (a mesma de Delfim e Roberto Campos), com o auxílio de Milton Friedman, fizeram com que a economia chilena crescesse enormemente.
A economia cresceu graças às multinacionais que se instalaram no país, mas o operariado nunca esteve tão pobre.
Em 1981, Reagan acabou com as sanções comerciais que o governo Cárter havia ordenado.
A democracia de Sarney-Ulysses mantém relações comerciais e diplomáticas com o açougueiro dos Andes.
Augusto Pinochet Ugarte é necrófilo.

URETRA – Todo mundo tem, embora muitas mulheres não saibam disso. Trata-se do canal por onde sai o mijo. No homem ele sai da bexiga, passa pela uretra e bate na árvore ou no chão.

Falo de árvores e chão porque mais da metade da humanidade nunca viu um vaso sanitário.
Na mulher o buraquinho da uretra está localizado entre o clitóris e a abertura da vagina.

Mulher quando mija na terra seca faz buraco e muita fumaça.

Quando mija de pé e de pernas abertas, não faz tanto sucesso, pois se mija toda.
O esperma também sai pela uretra.

Se sair outra coisa, além do mijo e porra, você está fudido, irmão!

UROLAGNIA – Pronuncia-se “urolanhia”,seus íncrevos!Troço assaz enjoado. Amigos meus, hoje na faixa dos cinquenta, juram que, trinta e cinco anos atrás, o mictório do cinema Roxy, em Copacabana, era frequentado por uma figura tétrica, de cabeleira ruiva, olhos chupados e cor amarela, cujo apelido era Vampiro.
O hobby do vampiro, que deveria ter uns quarenta e muitos anos, era fazer uns barquinhos de papel e deixar ali onde a garotada fazia pipi no banheiro.
Quando todo mundo já tinha entrado na sala para ver o filme, o vampiro, solerte, entrava na moita no banheiro, recolhia os barquinhos e bebia o seu coquetel ainda morno.
A cuquinha do vampiro devia ter mais teias de aranha que o porão do castelo do vampiro original de Bram Stocker.
O vampiro sofria de urolagnia, excitação sexual associada ao ato de mijar.
Ao contrário do que muita gente supõe, os urolagnianos não são homossexuais, em sua maioria. Apenas se amarram em ver outras pessoas fazerem pipi.
Quando o pipi se dirige contra eles, aí a urolagnia associa-se ao masoquismo, à excitação através da humilhação e do desprezo.
O urolagniano é passivo quando é mijado e ativo quando mija nos outros.
Havelock Ellis conta o caso de um cara que vestia a mulher com roupas caríssimas, a cobria de jóias e depois mijava em cima. Vai ver era o seu modo de contestar a sociedade capitalista.

ÚTERO – Órgão reprodutor da mulher. Todas nascem com ele, podem ter certeza. Tem algumas que até nascem com dois, fenômeno que pode ser reparado cirurgicamente. Tem a forma e o tamanho de uma pêra.

Tem grossas membranas musculares e uma membrana mucosa que envolve a sua superfície. O útero está situado acima da vagina, com sua parte inferior, o cérvix, ao fundo.
Na maioria das mulheres o útero se desloca para a frente, em direção ao estômago, mas em muitos casos, principalmente após a maternidade, ele se desloca para trás, ocasião em que provoca dores nas costas e dificuldades na concepção.

Se é este o seu caso, leitorinha, consulte um médico. Um médico bom, não um aborteiro qualquer.
Agora vou explicar para o que serve o útero: serve para acomodar e alimentar o feto durante a gravidez. Aumenta dois quilos no processo.
Mulheres que já tiveram filhos costumam dizer que sentem uma sensação agradável no útero quando estão fazendo amor, principalmente quando o pênis vai fundo mesmo, o que não é pra qualquer pênis.
Isso se deve ao fato do útero escorregar durante as perfumarias preliminares à phoda propriamente dita, o que resulta numa contração repetida dos músculos durante o pré-orgasmo e o próprio.
As leitoras que por uma razão ou outra tiveram que remover o útero não devem se preocupar, pois as sensações sexuais continuam inalteradas.
Há ainda o caso do coronel da guarda nacional, Útero Epaminondas Barreto.
Quando ele nasceu no interior da Bahia, a parteira pernóstica disse para sua mãe: “A senhora tem um útero forte”.
O pai, broncão, ouviu e batizou.
O coronel Útero Barreto morreu pensando que tinha o nome de um deus grego. Coisa de baiano.

ABC do Fausto Wolff (Parte 74)


VAGINA – Tem gente que tem medo de palavras, o que é uma besteira, pois os dicionários mais sofisticados, como o Webster, por exemplo, já acabaram com a expressão “palavra chula”. Chulo é o dicionarista que escreve chulo.

As palavras não mordem e não matam. Atrás de buceta, caralho, cu, merda, bosta, puta, viado, existem fantasmas que habitam os que têm medo de pronunciá-las.

Tabuzões escondidos em cucas doentes que ajudam a criar muitos taradinhos.
As palavras só se tornam feias quando usadas dentro de uma conotação de insulto.

Ainda assim tem muito canalha que não pode nem dizer rosa, pois, na sua boca, soa mal.
Há, é claro, palavras simpáticas e antipáticas, que mudam de indivíduo para indivíduo.
Eu acho a palavra hemoptise muito bonita, embora esteja associada a uma doença e tenho ânsias de vómito quando alguém usa expressões como “a nível de” ou “espaço cultural”, etc.
Tem gente que implica com vagina. Nos Estados Unidos é pior: é vajáina.
Mas vamos ao verbete: nunca pensei que um dia tivesse que explicar o que é vagina pra ninguém. Mas como explicar vaginismo sem antes explicar o que é vagina?
Trata-se do órgão sexual feminino que recebe o pênis durante a relação sexual e expele o bebê na hora do nascimento. É um tubo de 10 a 15 centímetros que se estica da frente para trás, da vulva até o útero.
A vagina é um negócio extremamente bem bolado, pois, além de autolubrificar-se durante a excitação sexual que precede o coito, o que facilita muito o nosso trabalho, também se auto-limpa através de um ácido láctico que destrói possíveis e indesejáveis germes invasores.

Daí ser muito difícil alguém ser contagiado pelo vírus da AIDS se se limitar a comer a mulher pela frente.
É claro que se a mulher estiver contaminada, tiver uma ferida na vagina e você tiver alguma erupçãozinha no pau que permita a entrada do vírus na corrente sanguínea, então você pode estar fudendo, companheiro, mas certamente acabará fudido.
Volto à vagina: ela é capaz de incrível elasticidade, pois pode agasalhar pênises (outra palavrinha antipática, como urina e sovaco) de qualquer tamanho, bem como permite a passagem de recém-nascidos com cabeções imensos.
Há mulheres que, virgens, temem que sua vagina não será suficientemente grande para relações sexuais sem dor. Bobagem, minhas filhas.
Outras têm medo que a vagina seja larga demais e que não sintam prazer durante a trepada.
Para dizer a verdade, este segundo caso não é bobagem, principalmente se a mulher tiver tido mais de dois filhos e o seu parceiro habitual não for bem servido. Mas há jeito pra tudo.
Se este for o seu caso, minha senhora, faça alguns exercícios.
O mais simples é você imaginar que está segurando um lápis com a vagina durante vários segundos e depois relaxe. Repita este exercício cem, duzentas vezes por dia, e depois escreva para mim contando os resultados.
Vamos ao vaginismo: trata-se de uma frescura feminista que praticamente já não existe nos grandes centros, onde é mais fácil encontrar uma nota de mil cruzados na rua do que uma virgem com mais de dezoito anos.
Chama-se vaginismo o ato da mulher contrair involuntariamente os músculos da vagina, tornando assim a relação, quando não impossível, dolorosa.
Pura ignorância de mães puritanas e mal comidas que transferem este medo para as filhas.
Se sua mulher tiver medo de ter relações sexuais e você for tão convincente quanto um quibe frio, faça o seguinte: leve-a a médico que ele explicará para ela do que se trata.
Em seguida, ele introduzirá tubos de vidro ou plástico na vagina, aumentando gradativamente o tamanho.
Acabará provando que ela poderá agasalhar órgão (não aqueles que Bach e Berthoven tocavam) de qualquer tamanho senza paura e con molto piacere.
Como em muitos casos a mulher pode ter um orgasmo ali mesmo no consultório do médico, é de bom alvitre a presença do marido.
É que tem muito médico sacana que bota a mulher naquela posição de parir, esfrega as mãos e diz: “Vamos ver agora o que é que a baiana tem”.
Ninguém decide ser ginecologista por acaso.

VALDELAMAR, José (1505-1557) – Padrezinho dos mais sacanas. Violentava todas as mulheres que podia e quando não encontrava mulher partia para os garotinhos da paróquia.

Beata que não fosse muito velha, para conseguir absolvição, depois de confessar os pecados tinha que dar pra ele. Se negasse, o patife dava um jeito de todo mundo saber o que ela havia confessado.

Finalmente, foi denunciado, preso e julgado pelo tribunal de Toledo, que o condenou a passar trinta dias no convento e a pagar dois ducados, uma micharia.
Naquela época, padre só ia para a fogueira se fosse suficientemente louco para dizer que a terra era redonda e girava em torno do sol.

Hoje em dia padre só vai preso ou é assassinado se falar a favor da reforma agrária na América Latina.
É interessante que a Igreja que fez do sexo um tabu, nos bastidores sempre praticou as maiores perversões sexuais.

Ainda recentemente, em seu programa na TV Manchete, o costureiro Clodovil confessou que sua primeira relação sexual havia sido com um padre.

VALENTINA D’ANTONGUOLA, Rodolfo Alfonzo Rafaello Pierre Filibert Guglielmi (1895-1926) – A Enciclopédia Britânica afirma que este é o verdadeiro nome de Rodolfo Valentino. Veio de Castellaneta, Itália, para os Estados Unidos em 1913 e antes de se tornar a Marylin Monroe dos anos 20, foi jardineiro, lavador de pratos, dançarino de vaudeville e gigolô.
Embora fosse o protótipo do latin lover e desempenhasse na tela papéis de supermacho, foi manipulado por empresários e agentes durante toda a sua carreira.
Pintou em Hollywood ern 1918 e fez pequenos papéis em filmes sem importância até que foi indicado para interpretar Júlio, em Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, em 1921.
Mitologia e realidade se confundiram em apenas cinco filmes e nunca antes ou depois alguém suscitou tanto fanatismo por parte do público.
Quando morreu num hospital de New York aos trinta e um anos, os jornais especularam: a) teria sido envenenado por conhecida dama da sociedade, cujas atenções ele rejeitara; b) teria sido abatido a tiros por um marido enciumado; c) sempre fora sifilítico e a doença atingira o cérebro.
Mais de 100 mil pessoas compareceram ao seu enterro e até poucos anos atrás uma misteriosa mulher de preto pintava pontualmente no seu túmulo no aniversário da morte: 23 de agosto.
Logo depois da notícia, duas jovens tentaram se matar em frente ao hospital, uma terceira se suicidou em Londres e em Paris, um jovem ascensorista do hotel Ritz foi encontrado morto em sua cama, rodeado de fotos do ator.
Aparentemente, porém, sua vida real era bem diversa da dos heróis que vivia no cinema.
Verdade é que sempre tentou defender a sua fama de machão romântico e chegou a desafiar para um duelo um repórter do Chicago Tribune que pôs em dúvida a sua virilidade, dizendo que ele usava ruge, rímel e batom.
Talvez trepasse em segredo – coisa muito difícil para um cara que tinha a cara mais conhecida do mundo na época e era reconhecido onde quer que aparecesse –, mas eu duvido.
Casou duas vezes: a primeira com Jean Acker, em 1922, e a segunda com Natacha Rambova, em 1925.
As duas eram lésbicas notórias e foram apresentadas a ele por Aila Nazimova, rainha da sapataria hollywoodiana, de quem haviam sido amantes.
Como todo novo-rico sem nada no interior do cérebro, Valentino abusava de anéis, correntes e pulseirinhas de ouro, perfumes fortíssimos, gomalina no cabelo e casacos de vison.
Não dispensava uma desmunhecada aqui e ali e exigiu ser enterrado com a pulseira de escravo, presente da sua segunda mulher, a quem chamava de chefe, a mesma que, ao se divorciar dele, jurou que o casamento jamais se consumara.
Embora vivesse rodeado de lésbicas e homossexuais, é preciso fazer justiça: não apareceu ninguém para dizer que havia comido o rabo do maior amante do mundo.
Pensando bem, uma vidinha de merda. Poderia estar vivo hoje, caso houvesse permanecido na Itália.

ABC do Fausto Wolff (Parte 75)


VAMPIRO – Tem vampiros bons e maus. Bom vampiro, por exemplo, era o interpretado por Christopher Lee, em The Horror of Dracula, dirigido por Terence Fisher, em 1958.

Era um bom vampiro porque na hora em que atacava suas vítimas na tela, a gente podia aproveitar para meter as mãos nas coxas da namoradinha, na plateia.
A maioria dos vampiros, porém, são maus e óbvios. Isso não quer dizer que não existam aqueles que conseguem manter suas verdadeiras identidades em segredo.

O Brasil, por exemplo, vem sendo governado por vampiros desde 1964. Milhões de brasileiros morrem de vampirismo todos os anos sem desconfiar disso.
A palavra “vampiro” vem do sérvio (língua ainda falada na Iugoslávia) e quer dizer “demônio bebedor de sangue”. Eles começaram a aparecer na Idade Média na Grécia, Itália, Inglaterra, Rússia, Bulgária, Hungria, Tchecoeslováquia e Rumânia.
Embora ultimamente tenham se dedicado ao cinema, volta e meia aparece alguém numa delegacia qualquer para dizer que foi vítima de um vampiro.
Os vampiros, como todo mundo sabe, são mortos-vivos. Durante o dia dormem em seus caixões e à noite saem para sugar sangue, de preferência dos pescoços de jovens senhoritas.
Eu disse de preferência porque, na falta de mulher, atacam o que pintar, velhas e até rapazes. Estes são os favoritos dos vampiros-viados, ou vamviados.
Eles têm que fazer sua refeição sangrenta bem rapidinho, pois se estiverem fora do caixão durante o dia, se transformam em pó.
É claro que as pessoas mordidas por um vampiro viram vampiros também.
Aparentemente, os vampiros são assim como o Super-Homem e os demais super-heróis: não fodem nem saem de cima.
Ninguém sabe o que, realmente, fazem com as mulheres que mordem.
Deve ser algum troço metacoital, pois, uma vez mordida por um vampiro, a mulher fica na dele para sempre.
Outro negócio que sempre me deixou grilado: como é que os vampiros passam despercebidos?
É só olhar para aqueles olhos profundos, aquelas olheiras enormes, a cara magra e pálida, a capa preta, para ver na hora que se trata de um vampiro.
Método infalível para acabar com um vampiro é enfiar uma estaca de madeira no coração do bicho quando ele está dormindo com a boca cheia de sangue em seu caixão.

Para não haver dúvidas de que o sacripanta morreu mesmo, melhor botar fogo no corpo.
Alho também é muito bom para afugentar os sacanas. Muitos, porém, não se assustam com pouco alho.

Neste caso o melhor a fazer é pintar a casa inteira com extrato de alho e tomar banho de extrato de alho: você nunca mais comerá mulher alguma, mas, em compensação, também não será aporrinhado pelos bebedores de sangue.
Dizem, mas não provam, que uma cruz também os bota pra correr.
Até o meio do século passado os bons cristãos costumavam cravar uma estaca de madeira no coração dos suicidas, pois estes seriam vampiros.

Na Inglaterra teve que passar uma lei para acabar com a prática deste esporte.
Também são considerados vampiros o sétimo filho de um sétimo filho, os filhos da puta, os excomungados pela Igreja, os dentuços e, naturalmente, os que foram mordidos por um vampiro.
Mas o que é um vampiro? Como ele nasce? Negócio seguinte: nós, além do corpo, possuímos uma alma. Eventualmente, na hora da nossa morte, esta alma não encontra a saída. Fica presa e dá um jeito de fazer o corpo continuar vivendo através de rações de sangue.
Às vezes, quando encurralados, os vampiros se transformam em morcegões, estes que têm mais de um metro de asa a asa, e saem voando.

Tudo estaria muito bem se os primeiros vampiros não houvessem sido detectados na Europa Central e os morcegões não existissem apenas no México, onde preferem beber sangue de boi. E agora?
Sugiro a leitura do romance que Bram Stocker escreveu em 1897, chamado Drácula que, aliás, vem a ser o mais famoso vampiro de todos os tempos. Trata-se de uma peça literária só comparável, no gênero, ao Frankenstein, de Mary Shelley.
Stocker nos faz sentir pena do conde Drácula, condenado à imortalidade. Eis o que diz o seu personagem: “Morrer, morrer realmente... deve ser uma coisa gloriosa. Há coisas bem piores que a morte esperando pelos homens”.
Em verdade, o conde Drácula foi um príncipe chamado Vlad Tepes que viveu na Transilvânia (hoje faz parte da Rumânia, embora já tenha pertencido à Hungria) na Idade Média.

O Drácula do irlandês Bram Stocker não passava de uma fadinha se comparado ao nosso Vlad.
Ele era conhecido como Vlad, o Empalador. Em luta permanente com os turcos, sempre que fazia prisioneiros lhes enfiava um pedaço de madeira no rabo e o fazia sair pela boca.
Mas não fazia isso apenas com os inimigos. Os amigos que não se comportassem bem recebiam o mesmo tratamento.
Certa vez, uma comissão de turcos foi negociar a paz com ele. Ele, muito gentilmente, pediu que tirassem os turbantes. Os turcos eram almas sensíveis e se recusaram a obedecê-lo. Não contavam com a sensibilidade do Vlad, que ainda era maior.
Chocadíssirno com a falta de educação, mandou seus homens pregarem os turbantes nas cabeças dos turcos: Vlad, Empalador ou Vlad, o Sensível, recebeu o apelido de Drácula, que em rumeno quer dizer “diabo”.
É claro que ninguém jamais ousou chamar ele pelo apelido. Quem tem cu tem medo.
Tem um corcundinha que é empalhador de cadeiras e trabalha na calçada, ali no bairro de Fátima, no Rio de Janeiro. Não perguntem a ele onde está o conde Drácula, que ele fica putíssimo. Todo mundo sabe que ele é o assistente do Dr. Victor Frankenstein.
Desde que a Rumânia e, consequentemente, a Transilvânia, se tornaram comunistas, nunca mais se ouviu falar em vampiros por lá, o que não impede os comunas de faturar os tubos vendendo ingressos para turistas visitarem o castelo onde Vlad empalava as pessoas insensíveis e mal-educadas.
Tem uma guia turística no castelo restauradinho. Se chama Veronika e, por alguns dólares a mais, te encontra depois do expediente e...

VAN DER VELDE, Theodor Hendrik (1873-1937) – Já não disse a vocês que ninguém é ginecologista de graça? Vejam o caso do Van der Velde. Era casado com uma mulher feíssima quando resolveu se dedicar à especialidade. 
Um dia pinta uma senhora no seu consultório. Ele manda que ela tire as calças e fique naquela posição. Dá uma boa olhada na xota e gosta do que vê. Ergue a cabeça, olha para a cara da dona da xota e gosta ainda mais. 
Para vocês verem como é mentiroso o conhecido ditado: “Quem vê xota não vê carão”. 
O que faz? Diz: “A senhora não tem nada demais, volte pro seu marido?” Nunquinha. Come ela no ato e, não satisfeito, foge com ela (que era uma socialite chamada Martha Bretenstein-Hooglandt) para uma cidadezinha no interior da Holanda, pois que tudo se passou por lá.
Ora, naquele tempo, essas coisas não se faziam, principalmente na alta e respeitável burguesia. Resultado: ele perdeu a sua clínica, o que foi ruim, e a mulher, o que foi bom. Ela perdeu a grana do marido e ganhou o desprezo da família.
Os dois viajaram por toda a Europa e fuderam pacas até o dinheiro acabar. Quando o dinheiro acabou, ela passou a chamá-lo de “Van der Velde de Merda” e ele a berrar: "Você não passa de uma Bretenstein Hooglandt de Bosta”.
Como, porém, esta é uma história feliz, em 1913, a mulher de Van der Velde lhe concedeu o divórcio e ele escreveu um livro chamado O Casamento Feliz, que vendeu milhões de cópias.
Depois se mudaram para a Suíça, onde viveram felizes para sempre. O sempre ocorreu em 1937, quando ele morreu. Desconfio que o Velde era um tremendo voyeur.
Para escrever o seu livro, em verdade um manual de conselhos para recém-casados, observou suas clientes se masturbarem e com um vidro de aumento ia anotando as transformações que ocorriam na decoração interna delas.
O livro de Van der Velde foi colocado no Index Proibitorium do Vaticano porque sugeria o cunnilingus antes da penetração, embora aconselhasse às mulheres que só praticassem o felacio depois de alguns meses de casadas.
Van der Velde também disse algumas bobagens que eram consideradas axiomas até alguns anos atrás:
1) existem dois tipos de orgasmo, o clitorídio (clitoral, clitorâneo, clitorense) e o vaginal;
2) eventualmente, se o homem não tomar cuidado, o pau pode ficar preso na buceta;
3) a vagina pode se romper se o homem investir com muita fúria, ou ir com muita sede ao pote.

VASECTOMIA – Uma operação que bloqueia os canais espermáticos e, em consequência, torna o homem estéril. Em verdade se trata do meio mais efetivo de controle de natalidade, pois há casos de mulheres que cruzaram as trompas e ainda assim tiveram filhos.
No Brasil, o médico mais conhecido que realiza essas intervenções cirúrgicas é o Dr. Mauricio Nahoum, um andrologista.
Esterilizou o famoso cartunista Jaguar – Sérgio Jaguaribe –, que há anos sorri mais que a freirinha da anedota, pois a operação não afeta nem a vontade ou a capacidade de fuder.
Quem não quiser ter mais filhos converse com o Jaguar, que teve a coragem de ser um dos pioneiros do clube dos vasectomizados.

Caso Miss Brasil: o nosso racismo é “melhor” que o dos outros?


Se o mito da democracia racial ainda seduz os estrangeiros, por que uma Miss Brasil negra continua causando tanta polêmica nos arraiais tupiniquins?

Por Maicon Tenfen

Culturalmente falando, somos ou não somos um povo racista? Para não começar respondendo “de dentro”, já que estamos imersos na nossa própria realidade, nada melhor que recorrer às opiniões de estrangeiros que conhecem ou vivenciam o Brasil.

Em entrevistas recentes às páginas amarelas da Veja, um italiano e uma francesa, ambos entusiastas do eterno País do Futuro, apresentaram respostas inteiramente contrárias entre si.

O italiano é o sociólogo Domenico de Masi, autor de inúmeros estudos sobre o que chama de Sociedade Pós-Industrial. 

Recentemente lançou um livro para alardear que o Brasil, apesar da corrupção e da incompetência dos gestores públicos, “pode ser um exemplo para o mundo”. 

No que se refere à tolerância étnica sempre louvada no temperamento do brasileiro, o sociólogo tem uma resposta na ponta da língua.

“O Brasil”, diz ele, “nunca se propôs como campeão da democracia racial, embora o casamento entre brancos, índios e negros tenha consentimento desde sempre, o tratamento dos negros pelos brancos tenha sido sempre melhor do que o praticado nos Estados Unidos, e dezenas de grupos étnicos vivam juntos de forma mais pacífica e solidária que nos EUA”.


Já a ex-consulesa da França, Alexandra Loras, jornalista, professora e negra, não hesita em afirmar, com todas as letras, que “o Brasil é o país mais racista do mundo”. 

Ela também acredita que temos tudo para nos tornarmos uma superpotência. Quando o assunto é igualdade étnica, porém, deixa de lado o otimismo e pinta um quadro de decepção.

“O Brasil”, diz ela, “é o mais racista porque tem a segunda maior população negra do mundo e isso não é refletido na sociedade. Nos EUA (…) eles tiveram um presidente negro e contam com muitos negros na mídia, no show business, no Congresso, médicos, advogados, executivos. Morei quase quatro anos nos EUA (…) e nunca me senti discriminada lá. Aqui eu me sinto todos os dias, basta eu andar umas quadras e ir ao shopping”.

Segundo o seu próprio relato, Loras nunca ouviu ofensas diretas ou desqualificativos sobre a sua condição de mulher negra, mas já foi barrada num hotel cinco estrelas de Salvador, sempre tem as bagagens revistadas nos aeroportos e frequentemente é confundida com a babá do filho, que possui a pele clara.

Em quem acreditar? No italiano ou na francesa? Qual dos dois possui o melhor diagnóstico sobre o assunto?


Ainda que manifestem opiniões opostas, ambos utilizam o mesmo método de argumentação ao comparar o Brasil com os Estados Unidos. 

A comparação é inevitável por uma série de coincidências históricas, mas tenho dúvidas se ela funciona na avaliação de um tema espinhoso como o racismo.

Enquanto a abolição nos Estados Unidos se deu através de uma guerra, no Brasil ela não passou de um espetáculo demagógico, uma festança de oba-obas que resultou numa emancipação meia boca, sem programas de inclusão para os ex-escravos, sem reforma agrária (por mínima que fosse) e sem a criação de um projeto educacional capaz de atender a todos.

Essa cultura do drible diz muito sobre o nosso caráter, além de seduzir amantes do Brasil como Domenico de Masi.

Não por acaso, os melhores intérpretes de Gilberto Freyre sugerem que o mito da democracia racial só funciona enquanto um pacto de silêncio for respeitado por brancos e negros. 

Fique na Casa Grande quem finge que trata bem, fique na Senzala quem finge que é bem tratado, todos se encontram e se abraçam no terreiro, os negros decoram o Pai-nosso e os brancos aprendem a dançar o Lundu, mas depois é cada um na sua e ponto final.

Sempre que alguém da Senzala passa para a Casa Grande  ou vice-versa , o berreiro “dos que tratam bem” vai começar porque há o entendimento de que o pacto foi quebrado.


É o que podemos ver no caso de Monalysa Alcântara, a nova Miss Brasil. Como ocorreu com Alexandra Loras, ela não foi “acusada” de ser negra, não diretamente  o que ocorreu, nesse sentido, foram críticas ao concurso de beleza, que teria se deixado contaminar pela lógica das cotas. 

O comentário mais compartilhado dizia que Monalysa não devia receber a faixa porque teria “cara de empregadinha”. 

Em outras palavras, ela até teria um lugarzinho na Casa Grande, desde que figurasse como serviçal, jamais como a rainha do lar.

A única conclusão a que se pode chegar é que somos racistas  claro que sim , ainda que mais enrustidos, sutis, falsos, sub-reptícios, sarcásticos e enviesados. 

As comparações com os Estados Unidos sempre vão pesar a nosso favor. 

Dificilmente assistiremos aqui a passeatas de supremacistas brancos, mas a desconfiança e a vigilância sobre os negros, especialmente os mais pobres, continua sendo uma constante em nosso país.

O nosso racismo é “melhor”  ou menos pior  que o dos gringos, mas não se pode negar que também é, infelizmente, racismo.

segunda-feira, agosto 21, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 66)


SAFO (625-580 a.C.) – Já provei que Onan não era onanista, sugeri que Sade não era sádico e estou quase certo que Safo não era safada e nem lésbica. De uma coisa, porém, não tenho dúvida: foi a maior poeta da antiguidade grega.

Colocava-se no centro do poema e transmitia suas angústias, seu medo, mas, principalmente, o seu amor, sua capacidade de amar em frases curtas e românticas, embora contundentes.
Por que, portanto, as mulheres homossexuais são chamadas de lésbicas? É que Safo nasceu na ilha de Lesbos, na Grécia, na costa da Ásia Menor.
Nesta ilha, ao contrário do resto do país, as mulheres da classe alta tinham acesso à educação e à cultura.
Já na adolescência formavam grupos diversos que se entretinham escrevendo e declamando poemas, ao contrário do que acontecia em Atenas e Esparta, onde as mulheres eram consideradas cidadãs de segunda categoria.
Em verdade os gregos achavam que o amor homossexual entre homens (Sócrates e Aristóteles, certamente, entregavam) era o mais puro dos amores e iam para a cama com as mulheres apenas para procriar.
Deixadas sozinhas, nada mais natural que as mulheres se entregassem à luta aranhal ou botassem as aranhas para brigar, como diz o nefando cartunista Jaguar.
Em seus poemas, Safo falava gentilmente das colegas de seu clube e criticava outras de outros clubes, colocava o amor acima de todos os outros sentimentos e embora louvasse a mulher, em nenhum momento fala especificamente em prática sexual entre mulheres.
Sabe-se, inclusive, que foi casada com Cercolas, um homem riquíssimo da ilha de Andros, e que teve uma filha, Cieis.
Sua poesia, porém, deve ter impressionado seus contemporâneos e centenas de gerações futuras, pois duzentos anos depois da sua morte ainda se pintavam retratos seus que podem ser encontrados no Museu de Atenas.
Deviam admirá-la muito, pois num mundo machista apenas homens ou celebradas cortesãs mereciam essa honra.
Safo teria escrito mais de quinhentos poemas em mais de 12 mil linhas, das quais sobreviveram apenas umas setecentas, pois dois Gregórios tentaram destruir sua memória: primeiro São Gregório, em 380 d.C, e, posteriormente, o papa Gregório VII, em 1073. Ambos mandaram queimar seus poemas, acusando-a de ser ninfomaníaca.
Muitas das setecentas linhas que se salvaram dos escritos de Safo foram descobertas no século passado no Egito: durante mais de 2 mil anos serviram para embalsamar múmias.
Diante de atos tão tolos de uma humanidade que precisa de religiões, bandeiras, clubes, partidos, é difícil encontrar algum sentido para a vida.
Safo, muito provavelmente foi bissexual, prática bastante comum entre as mulheres até os dias de hoje, o que, aliás, apenas aumenta a sua feminilidade.

SACHER-MASOCH, Leopold von (1836-1895) – Vocês devem estar pensando: “Ele disse que Onan não era onanista, que Sade não era sádico e que Safo não era safada. Na certa vai dizer agora que o Leopoldinho não era masoquista”.

Ledo ivo engano! Era. Aliás, foi o primeiro masoquista. Antes dele o pessoal que gostava de levar porrada era só chamado de maluco ou santo.
Escritor austríaco, era filho do chefe de polícia da cidade de Lemberg que por si só já explica muita coisa. Para dizer a verdade, a culpada de tudo foi uma tia sua chamada Zenobia, dona de um belo par de coxas macias.
Um dia, quis o destino que o nosso herói, que na época tinha seus nove anos mais ou menos, estivesse brincando dentro de um armário da tia, em meio aos seus casacos de pele.
Tia Zenobia entrou no quarto com o amante, possuída de TG: tesão galopante. Foi logo tirando o casaco, o pulôver, a blusa, o sutiã, a saia, as doze anáguas, as calcinhas (que recém estavam entrando na moda), abrindo as pernas, recebendo o tarugo e dando gritinhos. Tudo em menos de cinco minutos.
No meio da performance os dois descobriram o garoto que espiava e tiveram que interrompê-la(o), a performance e o Leopoldo. Resolveram dar-lhe um corretivo, causa justíssima, pois não há nada mais chato que coitus interruptus. Baixaram-lhe as calças e aplicaram-lhe trinta varadas no popô! Sem nem desconfiarem, Zenobia e seu comedor haviam acabado de inventar o masoquismo oficial.
Aos vinte e cinco anos, Masoch conheceu Anna von Kotowitz, tirou-a do marido, um médico riquíssimo, e a convenceu a viver com ele. Por que o espanto? Ele, tirante o fato de gostar de sofrer, era um cara simpático, agradável, bem-falante, inteligente e boa-pinta.
Mal havia conquistado a Anninha, já estava insistindo para que ela arranjasse um amante. Ela, que também era da pá virada, adorou a ideia. Ao ver que ele gostava de apanhar, passou a lhe administrar surras diárias de chicote. Nessas ocasiões lhe contava em detalhes o que fazia na cama com o amante.
Tudo ia indo muito bem até o dia em que Anna teve o mau gosto de apanhar uma gonorréia, ocasião em que Leopoldo a mandou de volta para o marido.
Seu próximo caso foi com uma falsa baronesa, Fanny Piscator. Com ela chegou a assinar um contrato, mais ou menos, nesses termos: “A senhora F. P. tem o direito de punir o seu escravo (L. V. S. M.) do modo que achar conveniente sempre que ele incorrer na menor falta. Ele deve prestar servil obediência à sua senhora e receber como uma dádiva qualquer tratamento favorável que ela lhe dispensar. Ele reconhece, ainda, que ela não tem obrigação alguma de amá-lo. Ela, por sua vez, promete usar casacos de pele sempre que possível, e principalmente quando estiver de mau-humor”.
Assinado o contrato, o casal viajou por toda a Itália numa viagem financiada por ele, na qual ele fazia o papel de lacaio. Em Veneza, Masoch a convenceu a arranjar um amante: um atorzinho de quinta classe chamado Salvini. Masoch servia à mesa os dois como eficiente criado e vibrava (ou sofria, sei lá!) vendo-os treparem pelos mais diversos buracos de fechadura.
Esta situação lhe deu inspiração para escrever o seu livro mais importante, Venus in Furs, que, traduzido à la galega seria Vênus de Casaco de Peles, com Fanny no papel de Wanda, Masoch no papel do marido-criado Savarin, e Salvino no papel do grego-amante.
Em abril de 1872, Masoch, o masoquista, anotou em seu diário: “Eu não gosto de ser maltratado por uma mulher que me ame muito, mas por uma mulher que me ame só um pouco. Para mim, amar uma mulher significa ter medo dela”.
Alguns anos de humilhações, infidelidades e milhares de chicotadas depois, Fanny cansou o braço e encheu o saco. Pediu o boné e foi substituída por Aurora von Rumellia, que o obrigou a se casar com ela. Tiveram três filhos, aparentemente dele mesmo.
Como Fanny, para prazer-dor de Leopold, Aurora também teve vários amantes, dava-lhe surras de sair faísca do rabo quase todos os dias, cuspia na cara dele, chamava-o de cocô e outros carinhos que tais.
Depois de alguns anos, porém, não aguentou mais aquela lengalenga que se repetia ad nauseam e deu no pé.
Nos últimos anos de sua vida, Masoch começou a confundir ficção com realidade e acabou por se casar com a governanta dos seus filhos. Sintomático, não? Coitadinha, foi obrigada a corneá-lo e a cobri-lo de cacetadas até o dia da sua morte.
Agora, imaginem os filhos do Masoch, voltando para casa com um boletim cheio de notas péssimas: “Melhor não mostrar para o papai senão, de castigo, ele vai obrigar a gente a bater nele”.

SCHROEDER-DEVRIANT, Wilhelmina (1804-1860) – O pessoal na faixa dos quarenta-cinquenta anos deve se lembrar de um livro publicado clandestinamente em português, por volta de 1950, com o título de Memórias de Uma Cantora.

Era cheio de frases como: “Não resisti às suas carícias voluptuosas e pouco a pouco abri as coxas e revelei meu monte de vênus para ele que, sem perda de tempo, penetrou-me com seu dardo do amor”.

Hoje em dia isso tudo soa fané pacas, mas bati muito bife em homenagem a esse tipo de frases.
Pois a heroína do livro existiu mesmo. Tratava-se da nossa Wilhelmina (ou Guilhermina, como preferem os punheteiros do lácio inculto), famosa cantora alemã, chapinha de Beethoven e “musa trágica” de Wagner, de acordo com suas próprias palavras.
Talvez não chegasse a botar a Maria Callas no chinelo, embora houvesse interpretado, entre outras personagens, a Leonora, de Fidélio, e a Vênus de Tannhäuser. Teve, porém, uma vida bem mais sacana que a falecida amante do falecido Onassis.
Segundo Aus den Memorien emes Singerin, narrado na primeira pessoa (publicado após a sua morte e considerada a obra mais erótica do século XIX em língua alemã), já na adolescência descobriu suas duas paixões: masturbação e música, nesta ordem.
Na prática da primeira, era assessorada por uma amiguinha mais velha, chamada Gretchen (Margarida, como preferem os punheteiros, etc.).
Aos quinze anos seduziu seu professor de piano e o convenceu – o que não deve ter sido nada difícil – a ir para a cama com ela e Gretchen. “Foi quando me tornei”, diz ela em suas memórias, “a maior artista do felacio e do cunnilingus que a Alemanha já produziu”.
Ela concorda com o autor desses verbetes que não existe nada mais belo no mundo que duas belas mulheres fazendo amor. Adorava uma garotinha,mas não dispensava o que ela chamava às vezes de “lança de fogo”.
Aos vinte e poucos anos entrou em contato com as obras de Sade e se tornou uma sádica visual. Não gostava de bater, mas gostava de ver alguém bater numa terceira pessoa.
Juntamente com Gretchen, subornou o guarda de uma prisão para poder admirar uma jovem ladra ser açoitada.

Ao ver a moça gozar enquanto apanhava, Wilhelmina, à custa de grana, conseguiu a sua liberdade e tornou-a sua amante.

Tinha adoração por ela. Tanto que uma noite deu-lhe uma garrafa de champanhe e ordenou: “Bebe a garrafa toda, meu amor, que depois eu bebo de você”.
Quando Wilhelmina, seu namorado e sua namorada jantavam juntos, estavam sempre pelados. Embaixo da mesa uma empregada fazia coisas com as mãos e a língua, nos países baixos deles, que prefiro deixar à imaginação de vocês.
Morreu tranquilamente aos cinquenta e seis anos em Londres, onde, entre uma orgia e outra, se dedicava a obras de assistência social.
Vocês não imaginam o número de senhoras que saíam do apartamento no meu tempo de solteiro dizendo coisas como: “Desculpa, meu bem, mas não vai dar para você dar a segunda hoje porque meu marido está esperando para irmos ao chá no Golden Room do Copacabana Palace, em benefício dos mongolóides de Teresina”.

ABC do Fausto Wolff (Parte 67)


SEIOS – Com exceção nas amazonas, que, segundo a lenda, amputavam um seio para melhor manejar o arco e a flecha, andam sempre aos pares. Os seios são as glândulas mamárias, órgãos que produzem o leite da mulher.

Chamam-se seios, provavelmente porque ficaria muito esquisito alguém dizer: “Deixa eu dar uma chupada nas tuas glândulas mamárias”.

Deveriam servir principalmente para a mãe dar de mamar ao recém-nascido.
A propósito, aí vão duas teorias minhas, uma linguística e a outra línguo-sexual.
Creio que os seios da mulher são chamados de mamas porque o primeiro som que um bebê faz ao sentir fome e sede é “mã, mã, mã, mã”. Pela mesma razão, também, a mãe é chamada de mãe.

Explico: o bebê troglodita com sede diz “mã, mã” e a mãe troglodita, depois de alguns séculos, virou mamãe.

Provavelmente o segundo som articulado do bebé é “pá-pá”, que resultou em papa, papinha, papai.
Aí vai a teoria línguo-sexual: a razão porque a grande maioria das mulheres vai para a cama com outras mulheres e sente satisfação sexual mesmo sem ser homossexual deriva do fato de que tem contato íntimo com os seios da mãe antes mesmo de ter consciência de si mesma.
Mas eu comecei dizendo que a função principal dos seios deveria ser amamentar os recém-nascidos. Entretanto, como se trata de uma zona erógena do corpo da mulher, sua função principal é servir de estímulo (carícias manuais e labiais) para o ato sexual.

Lambidos, beijados, acariciados, após alguns segundos eles intumescem, enquanto que, ao mesmo tempo, a mulher libera os bons humores vaginais.
Enfim, os seios servem mais para o prazer dos homens (e eventualmente, de outras mulheres) que para o prazer dos bebês, uma vez que a mulher só começa a produzir leite depois de engravidar.
Os seios na mulher começam a crescer a partir dos doze anos, geralmente, e atingem a plenitude aos quinze.
Há casos raríssimos, registrados por Kinsey, Master e Johnson, Comfort e outros sexólogos, de mulheres cuja intumescência aparece nos primeiros anos e outros onde aparece somente depois dos vinte.
Há seios pequenos, médios, grandes e gigantescos. Os últimos, alguns pesando mais de dez quilos cada, podem ter seu excesso removido através de uma operação chamada mamaplastia.
Acredita-se que as dimensões dos seios dependem da herança cromossômica.
A vista de um par de seios me excita. A única vez em que isto não aconteceu foi na Mauritânia, onde vi uma mulher berbere jogar um seio para trás dos ombros para dar de mamar a um bebê que estava nas suas costas. É mole? O seio era.

SESSENTA E NOVE – Numeral (69) formado por dois algarismo que vem antes do 70 e depois do 68. Para fazer um 69 bastam um lápis, um papel ou uma maquininha de calcular.

Os gregos consideravam o número 6 perfeito por que é a soma de todos os seus divisores, exceto dele mesmo.

Já o 9 é o maior número que pode ser escrito com três algarismos: 999.

Apesar disso, se, a partir de hoje, todos os homens e mulheres da terra começarem a fazer 69, em menos de 150 anos não existirá mais um único ser humano.

O 69, por misteriosas razões cabalísticas, é o mais eficaz método anticoncepcional.

SEXO – O quê? Cosa? What? Was? Franz Kafka desejava ardentemente, e afinal conseguiu, em julho de 1908, um emprego no escritório de uma autarquia, o Instituto de Acidentes de Trabalho para o Reino da Boêmia, em Praga, mas não sabia o que era sexo.
Etimologicamente deriva do latim secare, que quer dizer seccionar, ou seja, dividir. Deveria ser unir, mas o dividir, aí, talvez tenha relação com o fato de que quando um casal tem filhos, ele se divide através deles, ou seja, parte dos pais, através dos cromossomos, estão com os filhos.

Acreditam? Quem quiser que conte outra.

SODOMA – 1900 antes de Cristo, um bom homem chamado Lot vivia pacificamente na cidade de Sodoma com sua mulher e suas filhas. Vivia esperando pelo Messias e nem sonhava que um dia, 3.800 anos depois, um general do Exército Brasileiro chamado Henrique Lott perderia as eleições presidenciais para um cidadão chamado Jânio Quadros que alguns meses depois sodomizaria toda a nação. Mas isso é outra história.
Sodoma ficava onde hoje está o Mar Morto e era vizinha de outras quatro cidades: Gomorra, Adama, Seboim e Segor.
Por que Lot foi morar em Sodoma ninguém sabe, pois sendo ele um homem pio e calmo, não se harmonizava de modo algum com o modo de viver dos demais habitantes.

É que os homens de Sodoma eram todos sodomitas. A posição sexual preferida deles era papai-papai.
Um belo dia, Lot recebeu a visita de alguns anjos, não se sabe se dois ou três, que hospedou em sua casa. Logo depois a casa foi cercada por centenas de bocas de fogo sodomitas. Berravam:
– Lot, sabemos que tens hóspedes! Manda eles aqui para fora que a gente quer, o, top, top!
O bom Lot mandou que os formigões se mandassem, mas eles não obedeceram :
– Queremos carne nova! Queremos ver o sexo dos anjos!
Lot implorou aos comilões:
– Tenho filhas virgens! Se quiserdes as mando para fora, mas não façais mal aos meus hóspedes.
Vêem que, ou o bom Lot era um mau-caráter, ou estava com as filha encalhadas há muito tempo. Os sodomitas, porém, não quiseram saber:
– Queremos os hóspedes.
Foi então que os anjos informaram ao seu anfitrião:
– Bom Lot, é bom você se arrancar com a sua família porque esta cidade está demais. Deus vai mandar uma chuva de enxofre e fogo sobre as cinco cidades pecadoras e não vai sobrar pedra sobre pedra. Esses sodomitas vão ver o que é bom para a tosse de vara.
Aparentemente, em Segor, os segorianos apenas segoriavam, o que não era tão grave. Talvez por isso mesmo, atendendo ao apelo de Lot, ela foi poupada por Deus.
Quando começou a chuva de enxofre e fogo sobre Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, Lot se mandou com a família.
Sua mulher, porém, apesar da proibição divina, parou para olhar para trás e foi transformada numa estátua de sal.
O que faziam os gomorristas, os adamanos e os seboímos não se sabe, pois não sobrou ninguém para contar a história.
Lot se mandou com suas filhas para Segor, onde viveu numa boa até morrer.
Provavelmente as cidades foram destruídas por um terremoto, aproveitado pelos autores do Gênesis para conter as sacanagens dos seus contemporâneos.

SONHOS – Bolos muito fofos de farinha e ovos, fritos em azeite ou em manteiga e passados, posteriormente, no açúcar. São também chamados de sonhos as experiências alucinatórias que ocorrem durante o sono.

Todos os tipos de especuladores já tentaram e continuam tentando ganhar dinheiro com os sonhos: videntes, curandeiros, psicanalistas.
Objetivamente, porém, ninguém sabe porra nenhuma sobre as causas e os efeitos dos sonhos, embora eles tenham sido muito positivos para poetas como Blake, romancistas como Kafka, Beckett e Joyce, e pintores menores como Dali e maiores como Picasso.
Descobriu-se que, quando as pessoas sonham, movem mais as pálpebras, o que também acontece com mamíferos, aves e répteis.
É preciso tomar extremo cuidado quando o leitor consultar um psicanalista junguiano (aparentemente, para Jung, “la vida es sueno”, como diria Lope de Vega).
Sugiro que mantenha as mãos nos bolsos para evitar pegar em canetas, lápis ou cigarros, pois a dedução imediata do jovem pitonês (pitonisa) será de que o paciente está a fim de tomar no rabo.
Além dos sonhos secos, existem os sonhos molhados. Estes ocorrem quando o sonhador ou a sonhadora sonham que estão trepando com vegetais, minerais e animais e acabam gozando, caso não sejam acordados antes do tempo.
Um dos fatos que mais me impressionaram em toda a minha vida foi a chegada do homem à lua. Acompanhei pela televisão num hotelzinho perto de Roma.

Aquela noite sonhei que estava comendo morangos quando Einstein apareceu vestido de padre e me disse: “Cuidado com esses morangos, rapaz! Por causa deles seu tio perdeu o nariz”.

A analogia, como vocês devem ter percebido, é óbvia.