quinta-feira, outubro 16, 2014

Recordando as nossas musas do passado


Jane Fonda: primeira super-heroína na história do cinema

Danilo Barba

Por que as “musas” da atualidade são facilmente esquecidas enquanto outras, que viveram num passado relativamente distante, até hoje nunca deixam de ser citadas?

Sim, a beleza sempre ajuda a alavancar uma carreira, ainda mais quando ela se aproxima de beldades como Beyoncé, Jeniffer Lopez e Brithney Spears.

Mas será que ser bonita e jovem é o suficiente para lembrarmos destes nomes daqui, digamos, 50, 60 ou 70 anos à frente?

Musas são tudo aquilo que podem inspirar um poeta. Conheça a seguir alguns detalhes sobre a vida e carreira de mulheres que foram (e boa parte continua sendo) consideradas verdadeiras musas do passado, e saiba por que elas jamais serão relegadas ao esquecimento.

6. Jane Fonda


Protagonista do primeiro filme de uma super-heroína na história do cinema, a eterna “Barbarella”, a atriz nova-iorquina foi precursora da noção que temos hoje de “símbolo sexual”. 

Além de escritora e modelo, Jane Fonda é ativista política e estudou artes em Paris. 

Linda, talentosa e provocadora, ela ganhou duas estatuetas do Oscar por A Noite dos Desesperados de 1969 e Klute – O Passado Condena de 1971. 

Era filha de um ator e uma socialite, que se suicidou quando Fonda tinha apenas 12 anos.

5. Sophia Loren


Ícone do neorrealismo italiano, Sophia Loren é a encarnação definitiva da musa completa: além da admiração universal por suas curvas, seu talento maiúsculo e encanto de “cantora de jazz” revelaram ao mundo uma personalidade feminina nunca antes vista. 

Sophia cresceu numa Roma devastada pela Segunda Guerra, e iniciou sua carreira aos 14 anos, quando participou de um concurso de beleza. 

Forte, bela e determinada, poucos anos depois já contracenava com lendas como Frank Sinatra e Cary Grant (que levou uma bota ao pedi-la em casamento). 

Ganhou fama mundial em 1962, quando foi a primeira mulher estrangeira a receber o Oscar de Melhor Atriz pelo filme Duas mulheres, que também lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

Gravou mais de 85 filmes durante sua carreira, muitos deles polêmicos para sua época.

4. Brigitte Bardot


Considerada uma dama a frente de seu tempo, mesmo sem ganhar grandes prêmios no cinema, Bardot foi eleita uma das cem pessoas mais influentes da história da moda pela revista Time nos anos 60. 

Se tornou estrela internacional depois de protagonizar o polêmico filme E Deus Criou a Mulher, produzido pelo seu então marido, Roger Vadim. 

A atriz chamava a atenção da intelectualidade francesa e Simone de Beauvoir chegou a descrevê-la como “uma locomotiva da história das mulheres”, por ser considerada uma das moças mais livres do Pós-Guerra na França. 

Causava histeria na imprensa mundial por incorporar uma mistura de ninfeta com femme fatale, juntamente com seus cabelos longos e loiros, (inéditos para época). 

O estilo então virou mania entre as mulheres e influenciou o comportamento das gerações seguintes, mudando para sempre a forma de representar o feminino.

3. Audrey Hepburn


Eleita em 2009 a atriz mais bonita da história de Hollywood, Hepburn foi a terceira maior lenda feminina do cinema, de acordo com o American Film Institute. 

Seu arquétipo minimalista se tornou símbolo de finesse, e apesar de ser clássico, influencia mulheres e garotas até os dias de hoje. 

Foi a quinta artista, e a terceira mulher, a conseguir ganhar as quatro principais premiações do entretenimento norte-americano, o EGOT – acrônimo de Emmy, Grammy, Oscar e Tony. 

“Casar é trocar a admiração de vários homens pela crítica de um só”, dizia a lenda do cinema.

2. Elizabeth Taylor


Sem medo de exagero: Elizabeth Taylor passou praticamente toda sua vida diante das câmeras. 

Nascida na Inglaterra, de pais americanos, ela começou a carreira em Hollywood aos 9 anos e, antes dos 30, já havia se tornado a primeira atriz da história a ganhar um milhão de dólares (por “Cleópatra”). 

Reverenciada como uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos, sua marca registrada eram os traços delicados de seu rosto e seus olhos de azul-violeta, uma cor extraordinariamente rara, emoldurados por sobrancelhas desenhadas, escuras e espessas. 

Diva eterna dos anos de ouro do cinema norte-americano, Taylor era a melhor amiga do "Rei do Pop", Michael Jackson, que participou de perto e a ajudou nos momentos de crise de seus oito casamentos, dedicando-lhe vários de seus trabalhos.

1. Marilyn Monroe



Desde os anos 50 até hoje, Marilyn é a figura mais emblemática da cultura americana e símbolo sexual mais conhecido de todos os tempos. 

Sua irreverência e conturbada vida pessoal, combinadas ao sucesso em Hollywood, transformaram seus cabelos loiros, batom vermelho e sorriso contagiante em verdadeiros ícones de estilo da mulher moderna. 

Depois de passar boa parte de sua infância morando em lares adotivos, Monroe começou sua carreira como modelo, o que a rendeu um contrato no cinema em 1946, com a 20th Century-Fox. 

Sua morte, na tenra idade de 36, é uma das primeiras “mortes misteriosas” de celebridades na cultura popular. 

Transbordando glamour e sensualidade, ela teve um affair com John F. Kennedy e, apesar de nunca ter levado um Oscar pra casa, ganhou o Globo de Ouro duas vezes por sua atuação em Quando Mais Quente Melhor (1959) e Os Desajustados (1961).
”Não ligo de viver no mundo de um homem, desde que eu possa ser uma mulher nele”, dizia a lenda. 

O cheiro da infidelidade


Site gringo mostra pesquisa para saber qual é o cheiro da traição, e nós fizemos a nossa e comparamos. Veja os perfumes dos infiéis

Marcel G Costa

Recentemente o site de relacionamento extraconjugal “gleeden.com” perguntou aos seus usuários quais eram os perfumes que eles usavam. Mil homens e mil mulheres responderam a enquete e o site publicou ambas as listas, com o cheiro dos traidores.

Mas como nós somos a favor do amor, da fidelidade, da família, e do respeito, resolvemos fazer uma nova pesquisa e compará-la com a lista dos puladores de cerca.

Perguntamos a mais de 100 mulheres, quais são seus perfumes masculinos preferidos, e comparamos com a lista do Gleeden e descobrimos, que fora algumas exceções, no geral a mulherada não curte muito o cheiro dos mulherengos. 

Duvida? Então vamos comparar:

Lista Gleeden

Yves Saint-Laurent – L’Homme
Paco Rabanne – One Million
Chanel – Bleu
Dior – Dior Homme
Paco Rabanne – Invictus
Lancôme – Hypnose Homme
Yves Saint-Laurent – La Nuit de L’Homme
Jean Paul Gaultier – Le Mâle
Giorgio Armani – Acqua Di Gio
Dior – Eau Sauvage

Lista CANDIRU

Carolina Herrera – 212
Hugo Boss – Bottled
Calvin Klein – One
Paco Rabanne – One Million
Ferrari – Black
Polo – Blue
Montblanc – Individual
Azzaro – Pour Homme
O Boticário – Malbec
Natura – Kaiak


Bem, o que isso evidencia é que o único perfume de malandro que a mulherada brasileira gosta é o One Million, mas não pense que outros nomes não foram citados também, tais como o Invictus, Le Mâle e Acqua Di Gio.

Mas como nós também não queremos apenas prestar um desserviço aos homens infiéis resolvemos entregar as minas infiéis também.

Então, gafanhoto, fique de olho se a sua namorada tem um destes perfumes na penteadeira, porque talvez isso explique as dores constantes na sua cabeça de viking:

Guerlain – Shalimar
Chanel – Coco Mademoiselle
Guerlain – La petite robe noire
Dior – Hypnotic Poison
Givenchy – Very Irresistable
Lancôme – La Vie Est Belle
Giorgio Armani – Si
Yves Saint-Laurent – Parisienne
Lancôme – Trésor
Nina Ricci – L'air du temps

O anel que tu me destes


Como propor sexo anal a sua namorada e como fazer bem para que ela tope incluir a prática ao roteiro sexual de vocês

Um tabu para as mulheres e um desejo para os homens. Estes são os itens mais comuns que rodeiam a prática do sexo anal entre os casais.

As mulheres reclamam de dor e falta de prazer, enquanto os caras sentem exatamente o contrário, então como convencer a parceira a praticar com frequência?

Um dos casos marcantes do desespero em atingir o objetivo tornou ainda mais famoso o @morroida, famoso heavy user do Twitter com mais de 14 mil seguidores, que próximo ao Dia dos Namorados lançou até campanha para convencer a namorada, em pedido de clemência solicitou a ajuda de seus followers publicando a tag #tchulimliberaoanel.

Resultado: os seguidores do cara foram solidários, deram RT e ele foi parar nos Trending Topics e ela nem aceitou a proposta.

Mas, como chegar aos finalmentes sem precisar da exposição nas redes sociais? Anote o caminho das pedras.

Proposta

Não precisar ficar horas pensando em como abordar o assunto. Relacionamento tem que ter diálogo e você não pode ficar com vergonha de falar sobre sexo com sua namorada. Sem pressionar, diga que tem curiosidade ou que gosta, caso já seja iniciado, e que tem vontade de fazer com ela.

Contraproposta: E se ela falar não?

Caso ela recuse, procure saber o motivo. Se for preconceito, vale a pena conversar sobre o tema, sempre sem pressionar. Essa história de que mulher não gosta é mentira: tem mulher que gosta sim! E não dá para dizer que não gosta de uma coisa que nunca experimentou.

Se ela já tentou antes com outro cara e não curtiu, o argumento é: para sexo anal ser bom, o cara tem que saber fazer direito. E mostre a ela que você faz direito!

Passo a passo

Conversamos com o Casal Sem Vergonha, nossos colunistas e experts no tema, e eles dão algumas dicas de como fazer para que ela goste e adicione a posição ao cardápio sexual de vocês.

Dedos

Comece com um dedo, já usando lubrificante e, depois, pode colocar o pênis.

De lado ou de bruços

Essas posições são as melhores para começar porque a penetração não é tão profunda. De bruços, coloque um travesseiro embaixo do quadril dela. Conforme ela for se sentindo mais confortável, outras posições podem entrar na brincadeira.

Tesão

As primeiras penetrações são as mais dolorosas, então você tem que se esforçar para deixá-la com muito tesão: beijos na nuca e sussurrar o que ela mais gosta de ouvir no pé do ouvido são boas táticas. O ideal é que ela já tenha gozado antes e esteja quase lá de novo.

Pediu para parar, parou!

Não precisa explicar, precisa?

Lubrificante e camisinha

Use sempre lubrificante e camisinha. O primeiro para facilitar as coisas para ela e para você. A camisinha é item obrigatório porque a forma mais fácil de contrair DSTs e HIV é através do sexo anal. E nunca use a mesma camisinha para continuar a penetração vaginal.

Entenda que a mulher precisa de confiança para liberar o anel, por isso, é preciso paciência, talvez você tenha que tentar uma dezena de vezes até conseguir o que deseja. Faz parte!

Não é de bom tom insistir em saber se ela já fez com outro cara, até porque agora você está no comando, então sugira este novo movimento para a relação, um momento mais quente na cama do casal, um ato diferente que pode gerar diversidade no prazer.

O tom da proposta é: “vamos diversificar a performance na cama”.

O editor do mocó deseja boa sorte!

Klévisson Viana conta a chegada de Ariano no céu


Nada é mais empolgante em termos de cultura nordestina do que a música e a literatura de cordel.

É incrível como os cordelistas são rápidos em contar proezas de nomes importantes que, de repente, deixam o Planeta.

Com Ariano Suassuna não seria diferente.

Os poetas Klévisson Viana, cearense, e Mestre Bule-Bule, da Bahia, se anteciparam a outros e já textualizaram “A chegada de Ariano Suassuna no Céu”.

Tinha que ser um cara bom como Klévisson para cumprir essa tarefa.

Como? Você não sabe quem é Klévisson?...

Manhã de domingo, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza.

O sujeito grita “tô indo como Deus quer” e emenda numa gaitada, tirante ao relincho satisfeito de um jegue cardão.

É Klévisson Viana, poeta e cartunista nascido em Canindé (Quixeramobim – CE), responsável pela renovação de uma das mais engenhosas criações populares: o cordel.

Através da Tupynanquim, Klévisson publica autores contemporâneos e reimprime os mais famosos títulos de folhetos, que fizeram a fama de poetas, xilógrafos e editores durante os anos de 30 a 50.

Os mais novos lançamentos são Iracema, cordelizado por Alfredo Pessoa de Lima e reeditado para comemorar os 140 anos do romance de José de Alencar, e uma caixa com 12 folhetos de Leandro Gomes de Barros, nascido também há 140 anos.

O Romance de Iracema vem com dois tipos de capa, em amarelo e em papel reciclado, todo ilustrado e com o histórico do autor, o poeta e advogado paraibano Alfredo Pessoa de Lima.

A coisa mais maravilhosa deste folheto é que é extremamente atencioso ao romance de José de Alencar”, repara Klévisson.

A caixa de Leandro Gomes de Barros vem com os folhetos Juvenal e o Dragão, O Testamento do Cachorro, Meia Noite no Cabaré, A Sogra enganando o Diabo, A vida de Pedro Cem, A vida de Cancão de Fogo, Casamento e Divórcio da Lagartixa, O Cavalo que Defecava Dinheiro, O Cachorro dos Mortos e A Donzela Teodora, além do folheto sobre a vida do poeta, O Pioneiro da Literatura de Cordel, por Klévisson Viana (texto e xilo da capa).

Os folhetos podem ser adquiridos nas livrarias Livro Técnico, nas lojas da Ceart e pontos de venda da Praça do Ferreira (banca de informações turísticas), e na banquinha do Dragão do Mar.

Desde que o Centro foi fundado, a gente tá por lá”, diz o poeta.


O xodó por cordéis começou cedo, relata Klévisson.

Desde menino véi que compro folhetos. Me enchia de folhetos nas festas do Canindé. Eu trabalhava de vendedor ambulante. Nas romarias, vendia imagem de santo, tercinhos, bijuterias. No inverno, vendia bombom. Hoje não tenho só a maior coleção de folhetos mas de folclore. São 286 livros, verdadeiras raridades que eram do escritor Barros Alves. Ele não quis vender pra ninguém, só pra mim. Só que meu dinheiro tava mais curto do que coice de barrão. Ele pediu uma grana preta, eu disse, dou a metade, que era pra ele desistir... Me pegou na palavra, tive que comprar”.

No balaio, de Câmara Cascudo, Leonardo Mota, Silvio Romero, Alceu Mainardi, Juvenal Galeno, Catulo da Paixão. “Só os fracos”. (...)

O gosto que começou na infância tem antecedentes familiares, lembra Klévisson.

O bisavô, seu Fitico, era primo do cantador Jacó Passarinho, “aquele da famosa peleja com o Cego Aderaldo, registrada em livro por Leonardo Mota. E minha vozinha, mãe de meu pai, Alzira de Sousa, já era uma colecionadora e leitora de folhetos. Contaminou meu pai com este gosto. Meu pai tentou se tornar um cantador – é improvisador de mão cheia – mas nunca foi incentivado pela família. Papai é poeta mas nunca publicou nada. Sempre tem uma estrofe, uma glosa na ponta da língua pra receber as pessoas. Ele tem um caderno, com as coisas que ele escreve. Qualquer dia, roubo aquele caderno”.


Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.

Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.

Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.

Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!

Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!

A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.

Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.

A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.

Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!

A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.

Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.

Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
Ele mora em Pernambuco!

A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!

Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.

João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.
Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.

Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João,
Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.

Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!

Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.
Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro!

Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.
Se dependesse de mim,
Ariano não morria.

A morte na internet
Comprou passagem barata.
Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
Eita que viagem chata!

Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.
Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!

Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!

A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.

Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado.

Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.

Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.

Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: – O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.

Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.

São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.

Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira.

E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: – Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!

Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.

Logo chegou Jesus Cristo,
Com seu rosto bronzeado.
Veio de braços abertos,
Suassuna emocionado
Disse assim: — Esse é o Mestre,
O resto é papo furado!

Suassuna que, na vida,
Sonhou em ser imortal,
Entrou para Academia,
Mas percebeu, afinal,
Que imortal é a vida
No plano celestial.

Jesus explicou seus planos
De fazer uma companhia
De teatro e ele era
O escritor que queria
Para escrever suas peças,
Enchendo o Céu de alegria.

Nisso Ariano responde:
Senhor, eu me sinto honrado,
Porém escrever uma obra
É serviço demorado.
Às vezes gasto dez anos
Para obter resultado.

Nisso Jesus gargalhou
E disse: — Fique à vontade.
Tempo aqui não é problema,
Estamos na eternidade
E você pode criar
Na maior tranquilidade.

Um homem bem pequenino
Com chapeuzinho banzeiro,
Com um singelo instrumento,
Tocou um coco ligeiro
Falando da Paraíba:
Era Jackson do Pandeiro.

Logo chegou Luiz Gonzaga,
Lindu do Trio Nordestino,
E apontou Dominguinhos
Junto a José Clementino
E o grande Humberto Teixeira,
Raul e Zé Marcolino.

Depois chegou Marinês
Com Abdias de lado
E Waldick Soriano,
Com um vozeirão impostado,
Cantou “Torturas de Amor”,
Como sempre apaixonado.

Veio então Silvio Romero
Com Catulo da Paixão,
Suassuna enxugou
As lágrimas de emoção
E Catulo, com seu pinho,
Cantou “Luar do Sertão”.

Leandro Gomes de Barros
Junto a Leonardo Mota,
Chegou Juvenal Galeno,
Otacílio Patriota.
Até Rui Barbosa veio
Com título de poliglota.

Chegou Regina Dourado,
Tocada de emoção,
Juntinho de Ariano,
Veio e beijou sua mão
E disse: — Na sua peça
Quero participação.

Ariano dedicou-se
Àquele projeto novo.
Ao concluir sua peça,
Jesus deu o seu aprovo
E a peça foi encenada
Finalmente para o povo.

Na peça de Ariano
Só participa alma pura.
Ariano virou santo,
Corrigiu sua postura.
Lá no Céu ganhou o título
Padroeiro da cultura.

Os artistas que por ele
Já nutriam grande encanto
Agora estando em apuros,
Residindo em qualquer canto,
Lembra de Santo Ariano
E acende vela pro santo.

Ariano foi Quixote
Que lutou de alma pura.
Contra a arte descartável
Vestiu a sua armadura
Em qualquer dia do ano
Eu digo: viva Ariano
Padroeiro da Cultura!

FIM

Ariano Suassuna tinha aversão à cultura de massa


Escritor não media as palavras para criticar ícones da cultura pop como Elvis Presley

O escritor Ariano Suassuna, falecido na tarde de 23 de julho deste ano, tinha verdadeira aversão à cultura de massa e criticava esses produtos com frequência.

Em um texto publicado no jornal Folha de S. Paulo, no ano 2000, ele afirmou: “Algumas pessoas acham que para preservar uma impossível e indesejável pureza da cultura brasileira eu seria contrário a seu contato com outras culturas. De modo nenhum. Sou contrário somente ao mau gosto da cultura de massas, brasileira ou americana”.

No mesmo texto, ele não media as palavras para criticar ícones da cultura pop.

(...) a imitação seria ainda pior no caso do rock, música na qual os jovens americanos brancos, liderados por um imbecil como Elvis Presley, falsificam uma raiz popular negra, enfraquecendo sua força original e achatando-a de acordo com o gosto médio e o mau gosto dos meios de comunicação de massa”.

Ariano dizia ter antipatia ao tipo de arte massificada, vinda de fora, que o povo precisava “engolir”.

Foi com base nisso que criticava o mangue beat, na década de 1990.

Ele contava que certa vez Chico Sciente, de quem se considerava amigo pessoal, foi procurá-lo e disse que “também era armorial”. Ariano então perguntou por que o “Science” no nome.

Nos dois elementos do nome dele, eu estava ao lado do Chico e ao lado do maracatu rural, mas tava contra o Science, que queria misturar o maracatu com duas coisas tão feias, o rock e o hip-hop”.

Na visão do escritor, a globalização deveria ser evitada, pois reduzia os problemas culturais “ao nível do gosto médio”.

Por posições como essa, foi chamado de fundamentalista, conservador, e até comparado com Dom Quixote.

Aos insultos, respondia com bom humor.

Fui chamado pejorativamente de Dom Quixote por estar esgrimindo os moinhos de vento da globalização. Fiquei honradíssimo. Disse que a pessoa era um incompetente, não sabe nem insultar. No meu modo de ver, Dom Quixote não é derrotado. Ele tem a intenção de lutar”.

Para Ariano, a Disneylandia era o maior “monumento à imbecilidade” do mundo.

O equivalente brasileiro seria a réplica da Estátua da Liberdade construída no Rio de Janeiro.

Ainda não fui lá, mas tenho raiva. Já não gosto da original, e muito menos de uma cópia de segunda classe brasileira”, disse em entrevista em 2007.

As maiores obras de arte produzidas no Brasil, dizia o escritor, eram o Santuário de Congonhas, pelo escultor Aleijadinho, nas artes plásticas, a obra de Villa-Lobos, na música, e Os sertões, de Euclides da Cunha, na literatura.