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segunda-feira, agosto 22, 2011

Irmãos Gallagher vão ao tribunal para resolver antigas disputas


Agência Reuters, de Londres

Os irmãos Gallagher, que foram um sucesso do pop britânico nos anos 1990 quando estavam juntos na banda de rock Oasis, levaram sua guerra verbal cada vez mais amarga ao tribunal.

O irmão mais novo Liam, ex-vocalista do grupo e que hoje integra o Bready Eye, emitiu um comunicado confirmando que estava processando o compositor e guitarrista Noel por comentários que ele fez sobre o motivo do rompimento da banda, em 2009.

Noel, de 44 anos, que fez os comentários durante uma coletiva de imprensa em julho, no qual anunciou o lançamento de sua carreira solo, não tinha comentários imediatos para fazer sobre o processo no Tribunal Superior de Londres, disse seu porta-voz.

Liam disse em seu comunicado:

– Eu tomei medidas legais contra Noel Gallagher por afirmações que ele fez durante a coletiva de imprensa Electric Cinema em 6 de julho, no qual ele alega que o Oasis cancelou seu show no 5º Festival Chelmsford de 2009 porque eu estava de ressaca. Isso é uma mentira e eu quero que os fãs do Oasis, e os outros que estavam no show, saibam a verdade.

Ele explicou que ficou angustiado depois que teve de se retirar do evento, e que o real motivo foi laringite, como foi diagnosticado pelo médico e explicado a Noel.

- Noel também afirmou falsamente que o fim do Oasis ocorreu depois de uma enorme discussão, no qual ele alegou que eu havia exigido divulgar minha marca de roupas Pretty Green na programação da turnê do Oasis, afirmou Liam. “A verdade é que não houve tal discussão ou briga entre nós. Existem muitas razões pelas quais o Oasis se separou. Mas não tem nada a ver com a minha marca.”

Noel tinha dito pouco sobre o rompimento de uma das bandas de maior sucesso na Grã-Bretanha até a coletiva em julho, quando deu a sua versão dos acontecimentos em Paris, há dois anos.

Liam, de 38 anos, disse que o processo não era pelo dinheiro, mas que queria extrair um pedido de desculpas de seu irmão.

- Estou acostumado a ser chamado de várias coisas pelo Noel e eu já disse coisas sobre ele no passado, mas o que Noel alegou naquela época foi muito além das brincadeiras do rock-and-roll e colocou em questão o meu profissionalismo.

A banda Oasis, famoso por sucessos como Don’t Look Back in Anger, Wonderwall e Champagne Supernova, vendeu um número estimado de 70 milhões de álbuns pelo mundo.

Sábado vai ser Dia de Saci


Oi, amigos,

O livro "Saci" tem 7 contos de 7 autores diferentes.

Eu sou só o organizador.

Está muito bonito.

É para criança que lê com fluência ou que tenha alguém que leia para ela.

O lançamento é em 27 de agosto (sábado), das 11h às 13h, na Livraria da Vila - rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena - São Paulo.

Os autores são Márcia Camargos, Robson Moreira, Rudá K. Andrade, Dilair Aguiar, Flávio Paiva, Paulo Pepe e Luís Manetti.

Todos cederam os direitos autorais à Sosaci - Sociedade dos Observadores de Saci.

Abraços.

Mouzar Benedito

Jutica, o brilho da terra


Abril de 1999. Na companhia de Jones Cunha, eu e o fotógrafo Frank Sena viajamos até Tefé para fazer uma matéria jornalística sobre uma suposta invasão de terras particulares promovida pelo prefeito Hélio Bessa na zona rural do município.

Interessado em aumentar o número de eleitores de Tefé, onde seria candidato a reeleição, Hélio Bessa estava convencendo um grande número de famílias de agricultores de Alavarães a se transferir para o seu município, com promessas de doação de lotes de terra, sementes e implementos agrícolas.

O castanhal Jutica, que pertencia a família de Jones Cunha há mais de seis décadas, era um dos alvos escolhidos pelo prefeito.

Descemos em Tefé no final da tarde de uma sexta-feira e ficamos hospedados no Hotel, Bar e Restaurante Panorama, no centro da cidade.

Por volta das 20h, quando nos dirigimos ao restaurante para jantar, encontramos Orlando Carioca, que estava morando na cidade há dois meses, comandando uma equipe de perfuração de poços artesianos por conta de um convênio da Prefeitura.

O grande pajé branco estava hospedado no mesmo hotel.

Solícito como sempre, Orlando nos levou para o melhor cabaré da cidade, o Bar Renascer (aka “Casa das Gueixas”), onde já era cliente preferencial.

O grande pajé branco continuava em boa forma.

No boteco, conhecemos duas vendedoras de assinaturas da revista IstoÉ, uma goiana meio recatada e uma baiana arretada de boa, e ficamos conversando amigavelmente, enquanto eu e Jones decidíamos qual das duas escolheríamos pra rebocar pro hotel.

Frank Sena aproveitou o vacilo para fazer meia dúzia de fotografias de nós dois em pré-colóquio amoroso com as vagabundas.

Saímos do pardieiro de madrugada, completamente bêbados, mas bem acompanhados.

Deixamos a cidade na manhã de sábado, em uma pequena lancha fretada pelo Jones, e chegamos ao castanhal do Jutica por volta do meio dia.


Assim que a embarcação parou no porto, os peões da casa grande desceram o íngreme barranco e nos ajudaram a levar nossas tralhas e os mantimentos (cachaça, uísque, embutidos, enlatados, pães, bolachas e cereais) para o terreiro da residência.

Toda feita em madeira de lei, a casa grande possuía cinco imensas suítes com ar condicionado, uma imensa sala de estar, uma imensa sala de jantar, uma imensa cozinha e estava repleta de móveis, pratarias e eletrodomésticos de todos os tipos.

A luz elétrica era fornecida por um potente gerador localizado no quintal, a uma distância suficiente para seu ronco não ser ouvido dentro da casa.

A água encanada vinha de um poço artesiano.

Uma antena parabólica acoplada a um televisor de 42 polegadas garantia o contato com o mundo externo.

Era um autêntico hotel cinco estrelas no meio da selva.


A imponência da casa em estilo colonial contratastava com as miseráveis casas de madeira existentes no entorno.

Eram cerca de 30 famílias, que viviam, basicamente, da coleta de castanha.

O castanhal tem 13 mil hectares e está praticamente intacto.

Ele é cortado pelo cristalino igarapé do Jutica.

A idéia do Jones era transformar a área em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), mas a burocracia do Ibama já havia lhe tirado do sério.

O prefeito Hélio Bessa estava se aproveitando do impasse para assentar seu eleitores no local, na maior cara dura.

As duas primeiras tentativas de invasão, ocorridas em janeiro, foram abortadas por Jones e seus peões na base da bala.

O prefeito estava programando uma terceira tentativa para aquele mês de abril.

Era essa que a gente ia documentar.

Jones nos apresentou a Carlos Russo, um caboclo baixinho e engraçado, que era uma espécie de seu secretário informal.

Casado e pai de seis curumins, Carlos Russo havia sido nomeado padre ad hoc da comunidade pela igreja católica.

Ele celebrava suas missas nos domingos pela manhã.

Quando não estava no papel de padre, ele também era vigia, cozinheiro, piloto de voadeira, bombeiro hidráulico, marceneiro, eletricista, pescador e barman da casa grande.

Seguindo as ordens de Jones, Carlos Russo foi preparar nosso almoço (uma caldeirada de tambaqui) e três litros de “caipirinha do Jutica” (mel de abelha no lugar do açúcar e folhas de hortelã em vez de casca de limão).

Fiquei meio cabreiro ao perceber que a caldeirada não tinha uma única verdura.

Nem sombra de tomate, cebola, pimentão ou coentro.

– Porra, Frei Russo, não dava pra arranjar pelo menos umas duas folhas de chicória ou um maço de cebolinha e cheiro verde? – ironizei. “Não é possível que nenhuma dessas casas tenha uma horta com plantação de cheiro verde...”

– Bicho, pra viver aqui, eles só precisam de sal, pólvora e óleo diesel! – explicou Jones. “Eles não produzem porra nenhuma porque a natureza é farta. Ela dá tudo que eles precisam. Pra comer peixe, basta ter sal e farinha, que eles arrumam trocando por castanha. Vão perder tempo fazendo horta pra que?...”

– E essa folhas de hortelã na caipirinha? – insisti.

– É de um pé que eu plantei aí atrás da casa! – avisou Jones. “Eu também plantei um pé de cidreira e outro de capim santo e, de vez em quando, eles vêm me pedir algumas folhas pra fazer chá. Mas, eles mesmos não plantam porra nenhuma!”

– Porra, Jones, essa história de que o caboco amazônico é preguiçoso por natureza sempre me pareceu uma grande lenda urbana... – provoquei.

– Lenda urbana, um caralho, meu irmão! Isso é real! Isso é real! – exasperou-se o nosso anfitrião.

Depois do almoço e de termos derrubado os três litros de caipirinha, Jones resolveu nos dar uma aula prática sobre o que havíamos acabado de discutir.


Ele pediu ao Frei Russo que abastecesse uma das voadeiras com óleo diesel e pegou em uma das dependências da casa duas espingardas, uns doze cartuchos, um facão e uma tarrafa.

Nós quatro (eu, ele, Frank Sena e Frei Russo) embarcamos na voadeira, cruzamos o rio Solimões exatamente em frente ao castanhal do Jutica e entramos no Lago do Guariba.

Com quinze minutos de exploração, Jones já havia abatido meia dúzia de aves (pato do mato, marreco, maguary, mergulhão, o diabo a quatro).

O sacana tem uma mira de atirador de elite porque cartucho, naquela região, vale ouro.


Paramos o barco próximo de um aningal para beber algumas doses de uísque e Jones deu três lances de tarrafas.

Pegou dezenas de peixes (tucunarés, carás, pescadas, bodós, piranhas).

Aquilo era mais fácil do que pescar em bilha.


Ele então pediu que Frei Russo nos levasse de volta ao castanhal.

A viagem toda não durou 45 minutos.

– Aqui tem proteína animal para alimentar aquelas famílias durante dois dias! – explicou Jones. “Como eles não possuem geladeira, não podem fazer grandes estoques de peixes ou de carnes. Então, alguém tem que fazer isso todo dia. Foi por isso que te falei: basta ter óleo diesel, cartucho e sal. Se não tiver óleo diesel e cartucho, eles ainda assim podem pescar de canoa. Vão criar galinha pra que? Vão fazer horta pra que? A única coisa que eles precisam é de farinha...”


Jones separou pra gente um maguary e alguns tucunarés e pediu que Frei Russo distribuísse o restante da “feira” entre os moradores.

A comunidade ficou alvoroçada com a farta distribuição de proteína animal.

Jantamos “maguary a cabidela”, preparado pelo próprio Jones, que também fez um delicioso “baião de dois”.

Passamos o resto da noite se embriagando com uma nova fornada de caipirinha do Jutica preparada pelo nosso afável padre, que também se mostrou um excelente contador de causos.


Acordei no domingo por volta do meio dia, com uma ressaca de ternanteontem.

A mesa do almoço já estava posta: tucunaré a escabeche, tucunaré frito e tucunaré cozido, arroz branco, pirão, feijão de praia e farofa de calabresa.

Limitei-me a comer um sanduíche de patê de fígado e a tomar litros e litros de suco de jenipapo.

Jones e Frank Sena haviam saído de barco para fotografar os coletores de castanha no coração da floresta.

Os dois retornaram por volta das 13h.

Almoçamos e fomos assistir ao jogo Brasil e Zâmbia, pelo campeonato mundial Sub 20.

Querendo curtir com a minha cara ou querendo ficar doidão, sei lá, Frei Russo fez uma aposta comigo completamente idiota: a cada gol da Zâmbia, eu deveria tomar um copo inteiro de uísque puro, sem gelo.

A cada gol do Brasil, ele tomaria um copo inteiro de cachaça.


Com dez minutos de jogo, o filho da puta do Sinkala fez 1X0 pros africanos e tive que ingerir um copo de uísque no estilo cowboy.

Quase que devolvo o escabeche de tucunaré, o sanduíche de patê de fígado e o suco de jenipapo.

Ronaldinho Gaúcho empatou o jogo aos 27 minutos e foi a vez de Frei Russo tomar seu copo de cachaça.

Ele ainda estava se recuperando do primeiro copo, quando Fábio Aurélio fez 2X1.

Teve que encarar o segundo copo e já ficou meio grogue.

No segundo tempo, Fernando Baiano fez 3X1.

Frei Russo começou a chamar Jesus de genésio, cair pelo chão e não falar coisa com coisa.

Mancini aumentou pra 4X1.

Frei Russo começou a entrar em coma alcóolica.

Rodrigo Gral fez 5X1.

Frei Russo bebeu o quinto copo de cachaça e simplesmente apagou no meio da sala.

Acordou, todo urinado e vomitado, na hora em que estava começando o Fantástico.

Eu já estava no meu quarto lendo um livro.


Jones chamou alguns peões para carregarem o religioso para casa, depois que ele tentou ir sozinho, caiu numa poça de lama e quase morreu afogado.

Ele foi levado nos ombros do musculoso Zé Arigó, um dos seguranças da casa grande.

Frank Sena ficou tão penalizado que não quis fotografar a presepada do padre.

Ainda passamos mais dois dias no Jutica, mas Frei Russo nunca mais apareceu na casa grande.

Na quarta-feira, a lancha fretada foi nos buscar.

Na cidade de Tefé, ficamos sabendo que o prefeito Hélio Bessa havia abortado a nova invasão e viajado pra Manaus.


Aparentemente, ele soube que havia dois jornalistas de Manaus no município para documentar a presepada e não quis pagar pra ver.

Desconfio que o Orlando Carioca teve participação direta na história.

Nos despedimos do Jones e voltamos pra Manaus.

Uma semana depois, Frank Sena passou na redação da revista Amazônia 21 e deixou as fotos da expedição com a minha cara metade.

Inocente, puro e besta, ele esqueceu de deletar as fotos em que uma das vagabundas da IstoÉ aparecia sentada no meu colo.

Deu uma encrenca federal, mas isso é outra história.


Ah, propósito: há dois anos, Jones Cunha lançou o livro Jutica, o brilho da terra, em que conta a história da conquista do castanhal pelos seus antepassados.

Eu recomendo.

sábado, agosto 20, 2011

Duas histórias do Grande Pajé Branco

Orlando Carioca me explicando como se faz um cavalo marinho invertido sem matar a parceira de rir

Outubro de 1983. Comandando uma frente de trabalho de 30 peões, Orlando Carioca estava na região do lago Urucuri, em Codajás, retirando madeira de lei para trazer pra Manaus.

Sua meta era conseguir 500 metros cúbicos de madeira em pranchas, equivalente a 1.500 toras de árvores extraídas.

A derrubada das árvores estava sendo feito no entorno das florestas alagadas para aproveitar as enchentes anuais do rio Solimões e de seus tributários mais próximos.

Para quem não sabe, a derrubada de árvores nas florestas alagadas é um dos trabalhos mais espinhosos do planeta.

Os madeireiros embrenham-se na floresta e cortam as madeiras de lei (cedro, peroba, maçaranduba, mogno, etc) com motosserras individuais, numa espécie de garimpagem na selva, durante o período da estiagem (maio a outubro).

As árvores ficam caídas no chão.

Quando começa o período das chuvas (novembro a abril), ocorre o aumento do nível da água nos rios, que podem chegar a 10 metros ou mais, e os troncos flutuam.

Só então eles são acorrentados uns aos outros e passam a ser rebocados por uma balsa com empurrador até seu destino final.


Diariamente, Orlando Carioca, acompanhado de dois mateiros, saía de voadeira pelos paranás para acompanhar o trabalho dos peões em picadas distantes até 10 quilômetros do acampamento principal.

Numa dessas viagens, ele percebeu que o som de uma motosserra vindo lá dos confins da floresta estava meio diferente.

– Quem é qui está derrubando árvore aqui nessa colocação? – perguntou ele a um dos mateiros.

– O compadre Pernambuco. Por que? – questionou um dos mateiros.

– Deve ter acontecido alguma coisa. O som da motosserra é de quem está serrando o vazio... – explicou Orlando Carioca.

Eles pararam a voadeira na beira do paraná e entraram na mata.

Uns cinco quilômetros depois, encontraram Pernambuco se esvaindo em sangue e a motosserra rugindo no chão a uns dois metros de distância.

O sujeito explicou o que havia acontecido.

Ao enfiar a motosserra num tronco de cedro, a máquina resvalou e veio em sua direção, atingindo-lhe no meio do joelho.

Sua rótula saiu inteira.

Ele estava com a rótula guardada no bolso.

Supostamente descendente dos índios Katukina, do alto Juruá, Orlando Carioca improvisou um torniquete de cipó na coxa de Pernambuco, orientou os dois mateiros a construírem uma padiola com pedaços de galhos e conduziram o ferido até a voadeira.

Meia hora depois, estavam chegando ao acampamento principal.

Orlando Carioca pegou a rótula de Pernambuco, esterilizou com água quente na caçarola de fazer café, depois lambuzou a mesma de terramicina, o único antibiótico existente no acampamento.

Na sequência, esterilizou com álcool o buraco aberto no joelho de Pernambuco, encheu o buraco de terramicina e reposicionou a rótula no local.

Aí, fez Pernambuco beber meia garrafa de cachaça Praianinha.

Com Pernambuco já meio grogue, Orlando colocou um pedaço de pano na boca do sujeito recomendando que ele “mordesse com vontade”, pediu para os dois mateiros imobilizarem o paciente e começou a costurar o ferimento, a sangue frio, com uma agulha de costurar bola de futebol e linha de pesca, grossa que só papel de embrulhar prego.

Depois de dar quinze pontos no ferimento, cobriu o mesmo com folhas de capeba embebidas em óleo de copaíba, e enfaixou o joelho do paciente com gaze.

Pernambuco passou três meses com a perna imobilizada.

Diariamente, Orlando Carioca trocava as folhas de capeba embebidas em óleo de copaíba do joelho avariado.

Seis meses depois do acidente, Pernambuco já estava participando de acirradas disputas de futebol no campinho próximo do acampamento.

Orlando Carioca passou a ser chamado pelos mateiros de “o grande pajé branco”.

E, graças ao medo imposto aos trabalhadores pelos seus poderes sobrenaturais, nunca se derrubou tanta árvore em tão pouco tempo na história de Codajás.

Quase que a região do lago Urucuri se transforma em um novo Saara.


Arnaldo Botelho, eu, Rogelio Casado, Orlando Carioca e Afonso Toscano, durante um lançamento do jornal Candiru no Bar do Armando

Fevereiro de 1996. O empresário Arnaldo Botelho foi incumbido pelo então prefeito de Maués, Sidney Leite, de perfurar um poço artesiano na comunidade Nova Vida, no coração da Terra Indígena Andirá-Marau.

Maués tem uma população de aproximadamente 50 mil habitantes dos quais ao menos 5 mil são indígenas da etnia sateré-maué.

Eles são conhecidos pelo manuseio do guaraná, planta que é cultivada no município e vendida como matéria-prima de refrigerantes e como estimulante natural.

Na Terra Indígena, vivem aproximadamente 8 mil índios de várias etnias distribuídos nas calhas dos rios Andirá, Marau e Abacaxis.

Vivo como sempre, Arnaldo Botelho incumbiu seu braço direito, Orlando Carioca, de executar a tarefa.

Comandando uma equipe de 20 trabalhadores, o “grande pajé branco” deixou a cidade de Maués em um barco entupido de matéria prima, ferramentas e mantimentos (cimento, seixo, perfuratriz, brocas, sacos de feijão, arroz, macarrão, etc) e entrou no rio Marau.

A região do rio Marau tem pouco mais de 3,2 mil índios sateré e é composta por pequenas comunidades de casas de madeira cobertas com palha.


Há muito tempo os sateré deixaram de viver em malocas.

Na maioria das comunidades indígenas da Amazônia, as malocas foram combatidas por missionários religiosos que viam as casas coletivas como redutos de “promiscuidade”.

Na região do Marau, a maior parte da população divide-se entre católicos e evangélicos.

As habitações ficam no alto de um pequeno morro e se dispõem ao longo de quase um quilômetro mata adentro.

Depois de quase um dia de viagem, o piloto da embarcação descobriu que estava mais perdido do que cachorro quando cai do caminhão de mudança.

Sem se afobar, Orlando Carioca pediu que ele encostasse o barco no porto da comunidade Paraíso, uma instalação erguida na selva por missionários católicos, e foi pedir informações.

– Bom dia, cacique! Como é que eu faço pra chegar na comunidade Nova Vida? – perguntou, amistosamente, Orlando Carioca.

– O que ocês vão fazer lá na terra dos crente? Aquilo lá só tem bicho ruim! Tudo fi da égua! – devolveu o cacique, visivelmente puto.

Uns vinte guerreiros armados de arco e flecha se aproximaram dos dois.

Sem saber que a comunidade Nova Vida era território dos missionários evangélicos, Orlando Carioca abriu o jogo:

– É que o prefeito Sidney Leite pediu pra gente fazer um poço artesiano lá na aldeia!

– E prefeito virou crente? Virou fi da égua? – questionou o cacique, aumentando o tom de voz.

– Que eu saiba não! – tentou desconversar Orlando Carioca.

– Pois então! – disparou o cacique. “Vão fazer poço lá porra nenhuma. Vão fazer poço aqui. Tá todo mundo preso. Só largo ocês depois de poço pronto”.

Dito isso, os vinte guerreiros desceram o barranco, expulsaram os passageiros do barco e começaram a descarregar as tralhas na aldeia.

O barco ficou sob o controle dos índios.

Sem perder o sangue frio, Orlando Carioca tentou a última cartada:

– Sendo assim, cacique, eu vou ter que voltar lá com o prefeito e explicar que houve uma pequena mudança nos planos!

– Ocê vai, mas todo trabaiadô fica aqui furando poço! Quero ver fi da égua falar contrário! – avisou o cacique, enquanto autorizava um dos guerreiros a levar Orlando de volta pra cidade numa pequena voadeira.

Orlando Carioca desceu no porto de Maués na tarde da terça-feira gorda de carnaval.


Nem sombra do prefeito Sidney Leite, atualmente deputado estadual dos Democratas.

Tentou localizar Arnaldo Botelho em Manaus.

Nem sombra do empresário.

Puto da vida, ele se enfurnou no bar do Praia Hotel e começou a encher a cara de truaca.

Por volta das 17h, o economista Adilson Dineli e o comerciante Mauro do Osnam avistaram no boteco o seu velho parceiro de noitadas etílicas e o convidaram para desfilar no bloco Viracopos, que iria se apresentar dali a algumas horas na avenida Antarctica.

– Quanto custa a fantasia? – questionou Orlando.

– Cem pratas! – devolveu Dineli.

– Porra, é cara pra cacete, hein? – argumentou Orlando.

– Que cara que nada! Nós somos bloco especial, bicho, e vamos arrebentar na avenida! – avisou Mauro.

Dineli disparou alguns telefonemas, se sentou a mesa e começou a beber com o velho parceiro.

Meia hora depois, apareceu um sujeito no bar e entregou uma fantasia ao novo folião: era um pequeno saco plástico, contendo dentro uma pequena sunga imitando pele de onça e um adorno plumário para ser atado em um dos bíceps contendo uma única pena de arara.

Ao tentar entrar na sunga de tamanho M (de “miúdo”), Orlando Carioca, que usa cueca GGL (“grande”, “grande” e “larga”), já descosturou completamente a parte de baixo da fantasia.

Seu saco ficou pendurado pra fora do buraco da sunga.

Alguém providenciou um alfinete de segurança para evitar a pouca vergonha.

Dez minutos depois, chegou o maquiador Agê, para fazer uma pintura corporal nos foliões.

Deslumbrado com a pele cor de rosa do “grande pajé branco”, Agê utilizou tinta preta e amarela para transformá-lo em um verdadeiro tigre de bengala.

Por volta das 21h, o bloco Viracopos entrava na passarela carnavalesca.

Eram cerca de 150 pessoas completamente bêbadas, utilizando orgulhosamente a fantasia minimalista, mas que se destacavam dos demais blocos por causa da caprichadíssima pintura corporal.

O “bonde” era puxado por Orlando Tigrão.

A música entoada pelo bloco a plenos pulmões, com o apoio de uma pequena orquestra de sopros, era a clássica “As águas vão rolar”.

Diante do palanque das autoridades, Orlando localizou o prefeito Sidney Leite e, em meio a algazarra dos foliões e da cantoria cada vez mais alta da marchinha, travou um discurso surrealista:

– Os índios do Marau botaram no nosso cu! – ele gritava para o prefeito, fazendo com as mãos o clássico gesto do “top top”.

O prefeito, que não escutava direito o que o tigrão estava dizendo, limitava-se a estender a mão com o polegar pra cima como quem diz “tudo bem, vocês estão arrebentando, o bloco está muito legal!”

Percebendo que o prefeito não estava entendendo direito a mensagem, Orlando mudou o gesto para dois dedos em forma de círculo sendo penetrado pelo dedo maior de todos e continuou a berrar:

– Os índios do Marau estão metendo até o toco na nossa bunda!

Sidney Leite, que continuava não entendo nada, limitava-se a aplaudir e cantar a marchinha.

Orlando Tigrão resolveu invadir o palanque das autoridades para explicar a situação, mas, de repente, desabou o maior pé d’água da paróquia.

As autoridades escafederam-se em questão de minutos.

As tinturas corporais, a base d’água, começaram a se desmanchar.

Orlando Tigrão se transformou em uma “rasga mortalha” pintada por Salvador Dali.

Cinco dias depois, ainda de ressaca, ele conseguiu localizar o prefeito e explicar o ocorrido.

Na mesma hora, Sidney Leite requisitou um barco, encheu de policiais armados de fuzis, e, em companhia de Orlando Tigrão, se mandou para a comunidade Paraíso.

Foram recebidos com festa na aldeia.

Trabalhando em regime de escravidão, 24 horas por dia, os 20 trabalhadores braçais haviam construído um magnífico poço artesiano de 200 metros, de onde jorrava uma estupenda água cristalina.

O cacique da aldeia estava em estado de graça e bebendo há três dias sem parar.

Até hoje os índios da comunidade Nova Vida, que continuam sem seu poço artesiano, não sabem o que aconteceu.

terça-feira, agosto 16, 2011

Festival de teatro de bonecos reúne companhias da Europa, América Latina e do Brasil


Um cortejo do grupo mineiro Giramundo, com 25 bonecos, marcará a abertura do projeto Sesi Bonecos, um dos maiores festivais de teatro de animação do mundo, que será realizado entre os dias 17 e 21 deste mês na capital paulista e reúne companhias da Europa, América Latina e do Brasil.

Além da apresentação, o Giramundo aproveita o evento para fazer uma exposição comemorativa dos 40 anos de existência, com seus 120 bonecos mais importantes.

Entre as mais de mil marionetes, o grupo selecionou heróis e vilões que marcaram suas criações.

De acordo com a idealizadora do Sesi Bonecos, Lina Rosa Vieira, o projeto foi criado em 2004 com o objetivo de envolver multidões diante de uma cultura sofisticada, que dá acesso ao teatro de bonecos com suas diferentes técnicas e conceitos.

– Esse espetáculo mostra que bonecos não são coisas só para as crianças e não são só uma manifestação folclórica, podendo ser muito sofisticados.


Segundo ela, quando eventos como esse conseguem reunir até 30 mil pessoas tanto a autoestima da plateia quanto a do artista é resgatada, por conta da democracia cultural e na dedicação em fazer um evento de qualidade.

Lina disse que um destaque dessa edição é a possibilidade de o público poder trocar de papel, passando a ser boneco e bonequeiro por meio das atividades oferecidas.

– Os participantes poderão entrar na cenografia, que é viva e propõe jogos teatrais com a plateia. Também pode interagir com a tenda dos mestres tradicionais mamulengueiros. Esses mamulengos interagem com a plateia e trocam de papel porque fazem parte do jogo cênico.

No evento haverá uma casa fotográfica com palco e fios para que as pessoas se amarrem nesses fios e tenham a vivência de um boneco que gostariam de ser.

– Nós fazemos uma sessão fotográfica, entregamos uma cópia para a pessoa na hora e disponibilizamos cópias na internet, tudo de graça.

Durante os cinco dias de espetáculos, que serão realizados no Parque do Ibirapuera e no Teatro do Sesi, também serão promovidas oficinas e exposições.


Participam dos desfiles artistas de companhias internacionais como a de Victor Antonov (Rússia), que trará o Circo en Los Hilos – uma obra de diferentes números de circo realizados com a técnica dos fios.

Antonov é tido como um mestre das marionetes não apenas na Rússia, mas em toda a Europa.

Outros grupos que chamam a atenção são a Companhia Hugo e Inês,que encena Cuentos Pequeños captando momentos poéticos do dia a dia, e La Santa Rodilla (O Santo Joelho), que apresentará a obra Manologías.

As duas são do Peru.

Ainda na grade internacional estão Jordi Bertran (Espanha), Girovago & Rondella (Itália), Hugo e Ines/La Santa Rodilla (Peru) e ViajeInmóvil (Chile).

Entre as companhias brasileiras estão XPTO (São Paulo), Trip Teatro de Animação (Santa Catarina) e Duas Companhias (Pernambuco).


Entre as brasileiras estão também o Duas Companhias, que vem de Recife para apresentar Caetana, uma forma poética de denominar a morte.

Na peça, uma rezadeira se vê diante da morte e encontra algumas almas anteriormente encomendadas por ela.

Três grupos virão do Rio Grande do Sul.

O Mosaico Cultural encena os Corsários Inversos, a Cia Gente Falante com o Circo Minimal, e a Caixa do Elefante, com Histórias da Carrocinha.

Há também o ateliê ao vivo dos Mestres Mamulengueiros, cultura popular originária do Nordeste.

O mamulengo vai ganhar vida com os ensinamentos dos mestres Chico Simões, Tonho de Pombos, Zé de Vina, Waldeck de Garanhuns e Josivan, que se dividirão em oficinas montadas na Tenda dos Mestres.

O público poderá ver de perto como se confecciona e manuseia os bonecos.


No sábado, o festival será encerrado com um show do grupo Pequeno Cidadão, formado pelos músicos Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Antônio Pinto e Taciana Barros, que tocam músicas para crianças.

Todos os espetáculos têm classificação livre, com exceção dos também brasileiros O Teatrinho de Dom Cristóvão, com o XPTO, e O Incrível Ladrão de Calcinhas, com o Trip Teatro de Animação.

O diretor do grupo XPTO, Oswaldo Gabrieli, contou que desde o início do projeto os bonecos do XPTO fazem parte do evento.

Este ano o espetáculo de luvas será para os adultos com a obra de Federico Garcia Lorca, na qual dom Cristóvão é um velho rabugento que precisa de dinheiro para se casar com uma moça muito mais nova.

– Essa é a única peça de Garcia Lorca feita para bonecos. É uma peça bem popular, simples, curta, de segundas intenções nas palavras e ao mesmo tempo muito poética.

Participam da peça cinco artistas, sendo dois músicos, dois atores com os bonecos e um ator de verdade.

Gabrieli explicou que o teatro de bonecos surgiu há quase 300 anos com uma função social.

Apresentado nas praças públicas para os adultos, discutia temas contra a monarquia, a política atual.

– Eles faziam um trabalho muito forte de luta política por meio do teatro de bonecos. Às vezes, a polícia chegava e destruía o teatrinho.

Depois de passar por São Paulo, o evento vai para o Rio de Janeiro.

Todas as atividades são gratuitas.

sexta-feira, agosto 12, 2011

O cobra criada do Bariri


Em pé: Soraya, Veramilton Almeida, Henrique Medeiros e Walter Lobato. Sentados: Pedrinho Ribeiro, Carlos Paulain, Aldisio Filgueiras, eu, Edmilson Pai da Mata, Suhelen e Zé Prego

Junho de 2002. Por volta das 14h de uma quinta-feira, 27, eu e o músico Pedrinho Ribeiro embarcamos em um barco fretado, no porto da Manaus Moderna, com a intenção de assistir ao Festival Folclórico de Parintins, que começaria no dia seguinte.

Passamos a tarde enfurnados dentro das redes, no barco completamente lotado.

Por volta das 19h, os passageiros do barco começaram a desatar as redes e abandonar a embarcação.

Pedrinho Ribeiro foi ver o que estava acontecendo.

O agenciador de passagens, reponsável pelo “fretamento”, havia sumido com a grana e o dono do barco decidiu que não ia para Parintins de jeito nenhum.

Por volta das 21h, estávamos apenas eu e Pedrinho Ribeiro no barco, como duas almas penadas.

Um moleque apareceu com uma caixa de isopor vendendo cervejas.

Pedi uma pra mim e outra para o músico e lhe estendi uma nota de R$ 50.

O moleque disse que ia trocar o dinheiro.

Deixou, em consignação, sua pequena caixa de isopor.

Não voltou mais.

Dentro do pequeno isopor, apenas quatro latinhas de cerveja, já mornas, porque o gelo havia derretido.

Quebrei a caixinha de isopor na base da patada.

Aquilo era um claro sinal dos deuses de que a gente devia desisitir da viagem.

Mas, foda-se, sou taurino, teimoso e brasileiro.

Brasileiro não desiste nunca.

Dormimos no barco fantasma, agarrados com nossas bagagens, para evitar um prejuízo ainda maior.


Na manhã seguinte, fizemos um rápido café da manhã no mercado Adolpho Lisboa e depois fomos procurar um barco retardatário com destino a Parintins.

Encontramos o magnífico “Comandante Freitas”.

Comprei as duas passagens, embarcamos, atamos nossas redes e fomos para o convés do barco apreciar a paisagem e fumar.

Por volta das 11h (o barco ia sair às 12h), a gente ainda estava ali, conversando sobre a presepada da noite anterior, quando ouço uns gritos de alguém me chamando da amurada do cais.

Olho para a direção do chamado e me deparo com a figura extraordinária do engenheiro Mário Gilson, professor de Matemática do CEFET, meu amigo de adolescência e tremendo gozador.

– Você está indo pra onde, poeta? – ele dispara.

– Para o festival de Parintins! – respondo.

– Ainda tem vaga aí nesse barco? – insiste.

– Vaga, acho que tem. O que não tem é rede! – ironizei.

Mário Gilson se despediu de mim e foi embora.

Quinze minutos depois, ele estava entrando no barco com uma rede debaixo do braço, comprada nas imediações do mercado Adolpho Lisboa.

Achei aquilo meio esquisito.

Apresentei ele para o Pedrinho Ribeiro, falei que o sacana era casado com uma das irmãs do Romito, outro homeboy da Cachoeirinha e um dos fundadores do famoso bloco “Aluga-se Moças”, expliquei que o Mário Gilson era meu amigo há mais de 30 anos, um excelente jogador de futebol, piadista incorrigível, louco de pedra, aquelas coisas.


Rindo o tempo todo, Mário Gilson começou a armar sua “baladeira” ao lado da nossa, enquanto explicava a situação:

– Poeta, eu vim aqui no mercadão fazer algumas compras com o meu filho, mas resolvi ir com vocês. Faz tempo que não ando de barco. Dei a chave do carro pro moleque levar pra casa, junto com as compras, e pedi pra ele dar a boa notícia para a dona Encrenca, que vai ficar uma fera. Já desliguei até o celular. Estou indo só com a roupa do corpo, mas em Parintins eu compro o que for preciso. Vamos tomar uma cerveja?

Nós três subimos para a área de lazer do barco, nos instalamos perto do bar e começamos a encher a cara.

As gargalhadas que eu e Pedrinho Ribeiro davámos diante das presepadas contadas pelo Mário Gilson despertaram a atenção de um sujeito que estava bebendo sozinho em uma das mesas.

Meio sem jeito, ele se aproximou de nós três e abriu o coração:

– Desculpe o incômodo, mas é que estou indo pela primeira vez a Parintins e não conheço ninguém, nem aqui no barco nem lá na cidade. Eu posso sentar aqui com vocês e participar da conversa? As cervejas vão ser por minha conta!

– Meu irmão, pagando as cervejas, você pode até se sentar no meu colo e me beijar na boca! – disparou Mário Gilson.

Com dez minutos de conversa, o sujeito já era nosso amigo de infância.

Ele se chamava Paulo Emílio e era auditor fiscal da Secretaria de Fazenda (Sefaz).


Nascido e criado no Bariri, uma favela de palafitas imprensada entre o bairro da Matinha e o igarapé de São Raimundo e considerado um dos lugares mais barra-pesadas de Manaus, Paulo Emílio havia se separado da mulher há pouco tempo e estava indo a Parintins para esfriar a cabeça.

Ele tinha comprado uma camarote para quatro pessoas, mas suas três convidadas haviam dado o “bolo”, na última hora.

Estava sem eira nem beira, quem nem um barco sem quilha.

– Meu brother, você vai conhecer tantas cunhans porangas naquela terra, que é bem capaz de se casar de novo! – avisou Mário Gilson. “Eu nunca vi uma cidade pra ter tanta mulher bonita como Parintins!”

Pedrinho Ribeiro explicou ao Paulo Emílio como funcionava o esquema do festival:

– O portão da galera abre às 16h porque os torcedores precisam treinar a sua participação no evento. Como a entrada é de graça, aquilo vira a maior muvuca. Se você for Garantido, não pode usar nada azul, se não será trucidado pelos torcedores do seu boi. Se for Caprichoso, idem. Nada de vermelho, nem na cueca. Os camarotes são só para convidados e você recebe um crachá de acesso, que dá direito a circular por todo canto. As cadeiras numeradas podem ser adquiridas na frente do bumbódromo, na mão de cambistas, mas é preciso ter cuidado com os ingressos falsificados!

– Quanto custa uma cadeira numerada? – questionou Paulo Emílio.

– No ano passado, custou 200 pilas! – avisou o músico. “Esse ano, deve estar entre 200 e 250 pilas!”

– Porra, é caro pra caralho! – resmungou Paulo Emílio. “Eu acho que vou ficar na galera...”


– Se você for pra lá, precisa entrar na fila antes das 14h. Aproveite para comer, beber, mijar e cagar antes de se meter lá dentro, porque o espaço da galera fica tão cheio e apertado que quem se levanta não consegue mais sentar! – explicou Pedrinho Ribeiro.

– A não ser que você goste de sentar em cadeira ocupada! – disparou Mário Gilson.

– Que é isso, mano, eu sou cobra criada do Bariri! Sou macho paca! – avisou Paulo Emílio, vermelho como um pimentão.

– Eu e o poeta somos lá da Cachoeirinha! É por isso que a gente não se mete com o pessoal da galera, porque se um daqueles putos passar a mão na nossa bunda a porrada come no centro! Se a gente tiver de entrar pra ver o espetáculo, nós vamos pros camarotes ou pras cadeira! – explicou Mário Gilson.

– E vocês vão ficar aonde, na galera ou nas cadeiras? – questionou o auditor fiscal.

– Orra, meu, a gente vai ficar mesmo é na putaria franciscana, que rola nos botecos fora do bumbódromo! – detonou Mário Gilson. “É lá que ficam as cunhans porangas! O nosso negócio é pegar muié, não é ver porra de boi bumbá!”

Paulo Emílio ficou meio cabreiro, mas não disse nada.

Paramos de beber quando o bar fechou, por volta da meia noite.

Descemos para as nossas “baladeiras” e deixamos o Paulo Emílio dormindo, de bruços, em cima da mesa.

Alguém da tripulação que depois o levasse para seu camarote.

A gente é que não ia servir de pajem para um cobra criada do Bariri.

Na manhã seguinte, iniciamos nova sessão de bebedeira por volta das 10h da manhã.

Por volta do meio-dia, Paulo Emílio deu as caras na área de lazer.

Recusou polidamente um copo de cerveja estupidamente gelada oferecido pelo Mário Gilson.

– Obrigado, mano, mas hoje eu não consigo beber. Estou com a maior ressaca da paróquia! – explicou. “Que horas o barco chega na cidade?”

– Por volta das 15h! – avisei. “Se você quer mesmo ir pra galera é melhor se arrumar logo e se concentrar para a guerra!”

Paulo Emílio voltou para o seu camarote.

O barco chegou a Parintins na hora prevista.


Como o cais estava superlotado de barcos, a solução foi o “Comandante Freitas” ficar ancorado no “Maresia”, que, por sua vez, estava ancorado no “Cidade de Nhamundá”, que por sua vez estava ancorado no “Coronel Tavares”.

Do último barco saía uma prancha pra orla da cidade, nas imediações do Bar Chapão.

Ou seja, para se alcançar a terra seria necessário atravessar por dentro dos três barcos.

Sóbrio, eu pularia de uma embarcação pra outra de olhos fechados, mas com a cabeça cheia de truaca aquilo era um convite certo para o suicídio.

Resolvi maneirar na bebida.

De camisa polo amarela, bermuda branca e tênis branco, Paulo Emílio foi lá com a gente se consultar se podia entrar daquele jeito em qualquer galera porque ele ainda não tinha escolhido um boi para torcer.

Ele só iria decidir a parada diante do bumbódromo.

Não colocamos nenhuma objeção.

Falamos apenas para ele tomar cuidado com os “punguistas” vindos de Manaus, que costumam descer em peso na cidade nessa época do ano e depois ensinamos o caminho do bumbódromo, tomando como referência o Bar Chapão.

– Eu sou cobra criada do Bariri, parente, não dou mole pra malandro não! – disparou, antes de se despedir da gente e partir, todo serelelepe, em direção a arena.

Continuamos bebendo no barco.

Por volta das 19h, resolvemos encarar a encrenca.


Fretamos um triciclo em frente ao Bar Chapão e um sujeito extremamente raquítico, condutor do veículo, quase morreu de cãibras depois de conseguir, milagrosamente, nos transportar até as imediações da Catedral.

De lá em diante, fomos a pé.

No meio do caminho, encontramos Paulo Emílio completamente transtornado, vindo da direção do bumbódromo e chorando feito uma criança.

– O que qui tá pegando, compadre? – perguntei amistosamente.

– Porra, bicho, acabou o festival pra mim! Acabou o festival pra mim! Porra, caralho, buceta! Acabou o festival pra mim! – gemia Paulo Emílio, sem segurar as lágrimas.

– Não vai me dizer que você encontrou sua ex-esposa com o ricardão no meio da galera e eles te chamaram pra brincar de boi! – espantou-se Mário Gilson, que podia perder um amigo, mas não perdia a piada.

– Foi muito pior, porra, muito pior! – lamentava-se Paulo Emílio. “Acabou o festival pra mim! Acabou o festival pra mim!”

Conseguimos levá-lo para um boteco, para entender seu drama.

Ele continuava se recusando a beber uma cerveja estupidamente gelada, mas abriu o jogo.

Em Manaus, o analista fiscal havia sacado todo o seu dinheiro (salário do mês, férias e adiantamento do décimo terceiro) porque pretendia passar três noites nababescas com suas três amigas.

Como elas fizeram “forfait”, ele resolveu viajar sozinho.

Com tanto dinheiro vivo na mão (uns R$ 30 mil), ele ficou com medo de deixar a grana no camarote do barco e ser roubado pela tripulação.

Colocou tudo numa carteira porta-cédulas, arrumou a tranqueira no bolso traseiro da bermuda e resolveu entrar na fila da galera do Garantido, “porque sou muito fã do David Assayag”, explicou.

No meio do empurra-empurra de centenas de torcedores, quando é aberto o portão, algum garoto esperto “aliviou” o bolso do distinto.

Ele só foi perceber que havia dançado, duas horas depois, quando chamou um vendedor de picolé e procurou pela carteira.

– Os cartões de crédito e o talão de cheques eu já consegui sustar, mas, porra, naquela carteira estavam todos os meus documentos! Todos, porra, todos! Eu vou levar um ano pra tirar a segunda via de todos eles! – urrava de dor, raiva e frustração. “Tinha uma foto da mamãe fazendo a primeira comunhão e que era uma espécie de talismã sagrado! Eu nunca mais vou ver aquela foto, porra, nunca mais! Acabou o festival pra mim! Acabou o festival pra mim!”

– Porra, bicho, você não disse que era cobra criada do Bariri? Como é que você caiu numa esparrela dessas? – questionava Mário Gilson, visivelmente puto. “Os moleques da Cachoeirinha entram na galera do Garantido só de sunga e saem de bermuda, camiseta, óculos espelhado, máquina fotográfica, relógio, tênis importado, bandana, cordão de ouro e o diabo a quatro. Eles roubam geral. Porra, e você, lá do Bariri, vem aqui em Parintins e me faz uma merda dessas? Ser roubado na galera do Garantido? Porra, bicho, assim você está nos desmoralizando...”

Tentando engolir o choro, Paulo Emílio se despediu da gente e foi embora, em direção ao barco, discutindo com mil seres imaginários, supostamente os reais causadores de seu infortúnio.

Telefonei para o radialista Tadeu de Souza relatando o ocorrido.

Ele colocou um anúncio na rádio Alvorada.

Como não adiantava chorar pelo leite derramado, eu, Mário Gilson e Pedrinho Ribeiro fomos para “a putaria franciscana que rola do lado de fora do bumbódromo”.


Estacionamos numa barraquinha de um vendedor de “capeta” (vodka, canela em pó, leite condensado, pó de guaraná, pó de mirantã e gelo picado) e só saímos de lá quando estávamos totalmente encapetados, cada um enrabichado com uma capetinha de quatrocentos talheres.

O calor na casa das vadias era um verdadeiro inferno.

Saímos de lá, com o dia amanhecendo.

Por volta das 11h de domingo, o Tadeu de Souza me telefonou avisando que a carteira porta-cédulas do Paulo Emílio havia sido encontrada por um moleque em um terreno baldio próximo da delegacia.

A carteira estava esperando por ele na portaria da rádio Alvorada.

Anunciamos a boa nova pro mané do Bariri e ele se mandou pra lá.

Foi a última vez que falamos com ele.


Na noite de domingo, último dia do festival, voltamos pra barraquinha de “capeta”, ficamos novamente encapetados, descolamos três diabinhas e fomos participar alegremente de uma nova estação nos infernos.

Deixamos a casa das capetinhas por volta das 3h da madrugada, depois que me lembrei que o barco ia zarpar pra Manaus assim que as luzes do bumbódromo se apagassem.

O comandante só estava esperando por nós três para levantar âncora.

Continuamos frequentando a área de lazer do barco na viagem de volta para encher a cara, mas o Paulo Emílio tomou chá de sumiço.

O Mário Gilson acredita que ele se matou de vergonha e a tripulação jogou o corpo no rio para se livrar de problemas posteriores com a polícia.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Retratos 3X4 de Amantes 100%










NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

O cidadão está pegando uma mulher casada (infringindo uma das cláusulas pétreas da AMOAL) e ainda fica com uma conversa mole de que será absolvido pela Justiça Divina. Pode?

Adele é indicada a prêmio Mercury de melhor álbum


Da agência Reuters, de Londres

A cantora britânica Adele, que chegou ao topo das paradas britânicas e norte-americanas com seu segundo álbum “21”, está entre os 12 artistas indicados no mês passado ao prêmio Barclaycard Mercury para álbum do ano de 2011.

Entre os outros indicados estão os vencedores de edições anteriores Elbow e PJ Harvey, além do rapper londrino Tinie Tempay e James Blake, por seu álbum auto-intitulado de estreia.

O prêmio homenageia artistas britânicos e irlandeses de qualquer gênero musical e é baseado unicamente nas músicas contidas num álbum.

Segundo o Official Charts Company (OCC), em termos comerciais, Adele lidera a lista de indicados.

O vencedor do prêmio será anunciado em 6 de setembro.

Os 12 álbuns indicados venderam um total de 3,9 milhões de cópias na Grã-Bretanha, de acordo com o OCC, sendo que “21”, de Adele, correspondeu a 2,7 milhões das vendas.

Em um segundo lugar distante estava “Disc-Overy”, de Tempah, com 620 mil cópias vendidas, e em terceiro “Build A Rocket Boys!”, de Elbow, com 230 mil.

Três álbuns na lista de indicados ao Mercury venderam menos de 10 mil cópias cada: “Diamond Mine”, de King Creosote & Jon Hopkins, “Peanut Butter Blues And Melancholy Jam”, do Ghostpoet, e “Good Days At Schloss Elmau”, de Gwilym.

Cantora diz que bebida a inspira


A cantora Adele garante que o segredo para escrever um álbum best-seller é uma garrafa de vinho barato.

A cantora revelou ao jornal britânico The Sun que sua melhor letra veio depois que ela passou algumas horas consumindo a bebida.

– Eu costumava me trancar na minha casa, ficar muito bêbada e escrever. Fazendo isso, eu posso admitir as coisas para mim mesma. Nós somos honestos quando bebemos e na manhã seguinte, de ressaca, absorvo os sentimentos sobre mim mesma –, disse.

Adele contou ainda que quer compor para um filme do diretor Martin Scorsese.

– Sou fã de trilhas sonoras. Não sei se eu sou treinada o suficiente para oferecer algo bom para um de seus filmes. Mas sou sua fã.

Álbum de Jay-Z e Kanye West é aclamado após o lançamento


Da agência Reuters, de Nova York

Watch the Throne, álbum lançado por Kanye West e Jay-Z, recebeu críticas entusiasmadas na imprensa e na internet.

O Allhiphop.com deu ao trabalho 9 estrelas, num máximo de 10, considerando “no mínimo uma vitória criativa, e no máximo uma mudança de paradigma para o hip-hop”.

Watch the Throne foi lançado exclusivamente pelo iTunes à 0h da última segunda-feira (hora da Costa Leste dos EUA; 1h em Brasília).

O músico e produtor Questlove disse pelo Twitter ainda durante a madrugada que estava encantado com a atuação de Jay-Z em Who Gone Stop Me, desde já candidato a hit no álbum.

– A faixa está sendo ouvida pela quarta vez às 2h da manhã –, escreveu ele.

Também no Twitter, o DJ e historiador do hip-hop Davey D disse que Watch the Throne é “melhor do que illmatic, 36 chambers, Aquemini, Sgt Pepper & Joshua Tree juntos” – referindo-se aos álbuns de Nas, Wu-Tang Clan, Outkast, Beatles e U2.

Em resposta, o jornalista e escritor Toure deu um conselho a Davey D: “Amigos não deixam os amigos exagerarem”.

Mas Toure também se mostrou impressionado com o álbum, que chamou de “ótimo”, especialmente por causa das letras “substanciais” em faixas como New Day, na qual Kanye e Jay-Z se dirigem aos seus futuros filhos.

Alguns poucos comentários tenderam para o negativo.

Greg Kot, do Chicago Tribune, disse que o álbum merecia duas estrelas (o máximo são quatro).

Para ele, Jay-Z perdeu o gás e “não surpreende mais, simplesmente precisa preencher as atualizações anuais lembrando à gente que, afinal de contas, ele é Jay-Z, e a gente não é”.

Já Kanye West, segundo o crítico, parece “desesperado, transparente, estranho, vulnerável.”

Os fãs do hip-hop esperavam impacientemente por Watch the Throne desde que Kanye West falou pela primeira vez a respeito do trabalho, pelo Twitter, há quase um ano.

A parceria da dupla já dura mais de uma década – Kanye West estourou como produtor do selo Roc-a-Fella, que tinha Jay-Z entre os seus criadores.

O álbum tem participações especiais de Frank Ocean, Beyoncé e Mr. Hudson, além de incluir vocais dos falecidos Otis Redding e Curtis Mayfield.

A boa repercussão deve ser um alívio para West, que no fim de semana causou polêmica ao dizer num show na Inglaterra que as pessoas o olham como se ele fosse Adolf Hitler, e que ele gostaria de ser mais compreendido e apreciado.

Cowboys and Aliens decepciona em Locarno


Por Rui Martins, de Locarno

Cowboys and Aliens é uma superprodução americana reunindo Daniel Craig e Harrisson Ford, os astros de James Bond e Indiana Jones, num estranho western, no qual um bandido procurado pela polícia, um criador de gado, o sherife, os bandidos da região e os índios se unem contra extraterrestres atraídos pelo ouro e decididos a conquistar o planeta.

O tema extraterrestre é marcante no Festival de Locarno, aberto com o filme Super-8, onde o exército combate um extraterrestre, e Attack the Block um inventivo filme inglês sobre o ataque de extraterrestres numa periferia de Londres, onde são liquidados pelos pivetes, traficantes e bandidos descendentes de imigrantes.

Mas o público internacional - que constitui a principal renda de Hollywood, segundo o diretor Jon Favreau de Cowboys and Aliens - dirá se essa mistura heterogênea de índios e cowboys e cowgirl com invasores vindos de outro planeta é bem aceita ou se provoca indigestão.

Ao terminar a projeção do filme para a crítica, o clima era de decepção, mesmo se no passado já houve western de cowboys contra a filha de Frankestein e se Bill the Kid já enfrentou o Drácula.

Deixando-se de lado a história pouco convincente, salvam o filme as interpretações de Daniel Craig e Harrisson Ford.

Não fossem eles, a frustração seria total.

Harrison Ford não se sentiu preterido por interpretar o segundo papel no filme Cowboys and Aliens, exibido em estréia européia, no Festival de Locarno.

E é com bom humor seu comentário de “quem sabe ele me proporá para o papel de vilão no próximo filme de James Bond”.

O ator conhecido por seu papel em Indiana Jones, confessa que, depois de lidas as 30 primeiras páginas do roteiro do filme Cowboys and Aliens, ter pensado “este não é o gênero de filme para mim, mas o pessoal à minha volta argumentou que o meu gênero de filme não dá mais dinheiro e, no fim, achei que tinham razão. Quem sabe é a minha idade, ou mudou o tipo de espectadores ou ainda o entretenimento cresceu demais e não haverá mais lugar para o cinema”.

Depois dessas considerações, surpreendentes de um ator de tão grande sucesso, Harrison Ford conta ter lido todo o roteiro e ter falado com Steven Spielberg que acabou por despertar seu interesse.

“O projeto era muito mais ambicioso do que o título e se tornou um filme divertido”, acrescenta.

Assim, Harrison Ford cumpriu uma frase do diretor do filme Jon Favreau de que todo ator americano sonha trabalhar num western.

Harrison acha que isso está ligado ao passado dos EUA e que os western lhes faz sentirem-se orgulhosos.

Mas com um ressalva, para ele Cowboys and Aliens é mais verdadeiro que muitos outros westerns porque restaura a questão das fronteiras, reconhecendo aspectos esquecidos.

Explicando porque não se fazia mais westerns, Richard Harrison acha que para os produtores, esse gênero era dispendioso e se tornava mais lucrativo fazer filmes de espionagem, sobre a CIA ou comédias para atrair mais espectadores.

Uma pena, diz ele, porque ele tem uma especial predileção por Os Profissionais, de Richard Brooks, com Burt Lancaster e Lee Marvin.

O gênero western teve seu sucesso porque cowboy do faroeste se tornou de certa forma o símbolo da conquista americana, e a jovem nação precisava de um mitologia ligada à conquista da terra, à conquista dos pioneiros.

Os EUA são o berço do individualismo, diz Harrisson Ford, e o cowboy é o principal símbolo disso.

segunda-feira, agosto 08, 2011

A festa de George Clinton no Brasil


Por Nina Emerich

No último dia 22 de julho, sexta-feira, um dos maiores nomes da música norte-americana, a mente louca responsável pelas bandas de funk dos anos 70 Parliament e Funkadelic, George Clinton comemorava 70 anos em palco brasileiro com direito a convidados, bolo e até... vela.

Sua apresentação fechava o primeiro dia do festival Black Na Cena, que aconteceu na Arena Anhembi entre os dias 22 e 24 de julho.

Pontualmente às 2h30 da madrugada, o rapper Thaíde anunciava que dali em diante não sabia mais o que poderia acontecer, pois estava prestes a subir no palco uma das maiores lendas da música negra.

Thaíde fez o público cantar parabéns para o tio Clinton antes de ele entrar em cena.

Para a surpresa de todos, antes dos 26 integrantes da banda que acompanha George Clinton iniciarem seu funk, Flavor Flav e Chuck D, da banda de rap Public Enemy, que se apresentaria no dia seguinte, aparecem no palco saudando São Paulo e pedindo para a plateia fazer barulho para o que viria a seguir.

Iniciando a apresentação com o hit Cosmic Stop, do Funkadelic, e em seguida Flash Light, do Parliament, contando com o apoio de três backing vocals, três guitarristas, os rappers Flavor Flav e Sativa Clinton (neta de George) e uma numerosa trupe, tio Clinton conduziu o funk como se gosta até as 4h da manhã.

Quando sua neta entrou no palco cantando um rap sobre maconha, George começou a olhar para o pessoal da primeira fila do show com cara de quem também queria unzinho para comemorar seu aniversário e eis que um rapaz da plateia finalmente lhe oferece um beise.

Para delírio de quem presenciava aquilo tudo, George pega seu presente, acende e traga, mas logo tira de seu bolso um baseado bem maior, enrolado num blunt.

Outra surpresa da noite foi o veterano do hip-hop no Brasil Nelson Triunfo, que acompanhado de outros dançarinos deu um show a parte na frente do palco, chamando a atenção de George Clinton e Flavor Flav, que pararam de cantar para prestigiá-lo.

Como se não faltassem momentos surreais nessa apresentação, um bolo de aniversário foi oferecido pela produção a George Clinton ainda no palco, do qual o cantor pegou um pedaço com as próprias mãos, lambuzando toda sua cara e a de Flavor Flav com a cobertura branca de chantilly.

Até a própria equipe da banda veio fotografar a cena com seus celulares.

E foi assim, com encontros inesperados e clima de festa entre amigos que o primeiro dia do festival Black Na Cena terminou, mostrando que apesar de sua idade, George Clinton ainda comanda uma boa noite de funk como ninguém.

Festival Black Na Cena


Sandra de Sá, Naughty by Nature e Thaíde foram algumas das atrações do festival

Considerado o primeiro evento da América Latina dedicado à influência da cultura afro na música, o Black Na Cena Music Festival rolou na Arena Anhembi, no penúltimo final de semana do mês passado.

O festival reuniu nomes do hip hop, rap, reggae, R&B, rock, samba rock, soul e v-funk, para uma celebração conjunta da música mais dançante do planeta.

Entre as atrações, o fundador do Parliament-Funkadelic, George Clinton, que comemorou seu aniversário de 70 anos no palco, assim como Public Enemy, Redman (em sua primeira visita ao Brasil), Method Man, Lee "Scratch" Perry e Naughty by Nature.

Além de atrações nacionais como Seu Jorge, Sandra de Sá, O Baile do Simonal, Marcelo Yuka, Jorge Ben Jor, Racionais MC's, Xis, Thaíde e Olodum com participação especial de Carlinhos Brown.

No total, foram 21 atrações.

Só o palco pesava 45 toneladas.

Foram utilizadas 30 toneladas de som (o equivalente a 140 mil Watts de potência), 120 mil Watts de luz e 3400 KVAs energia (nos geradores).

Na segurança estavam disponibilizadas 1500 pessoas, entre brigada de incêndio, policia Militar, Civil e Metropolitana.

Confira a programação do evento:

Sexta-feira (22 de julho, das 17h às 5h)

20h00 - Farufyno
21h30 - Tony Tornado
22h30 - O Baile do Simonal
23h30 - Sandra de Sá
01h00 - Seu Jorge
02h30 - George Clinton

Sábado (23 de julho, das 12h às 5h)

16h00 - Xis, Marcelo Mira e Rincon Sapiência
17h30 - Lee "Scratch" Perry, Mad Professor e Roto Roots
19h00 - Marcelo Yuka
20h30 - Public Enemy
22h00 - Banda Black Rio com Criolo, Negra Li e Slim Rimografia
23h30 - Pato Banton
01h00 - Jorge Ben Jor
02h30 - Olodum e Carlinhos Brown

Domingo (24 de julho, das 11h às 22h)

14h00 - Russo, Bocage e Banda Soul3
15h00 - Sandrão RZO
16h00 - Thaíde e Funk Como Le Gusta
17h00 - Naughty by Nature
18h00 - Racionais MCs
19h00 - Method Man
20h00 - Redman

Destaques


Como era de se esperar (a começar pela sua vestimenta), o show de Lee "Scratch" Perry foi marcado pela irreverência.

A verdade é que provavelmente pouca gente presente na Arena Anhembi conseguiu compreender o que Lee cantava, mas pouco importa, pois a música do jamaicano é muito mais fácil de sentir quando interpretada em sua simplicidade.

"Crazy Baldheads" foi uma das primeiras a animar a plateia, que começava a encher o evento.

Entre uma canção e outra, Perry gesticulava e declarava a todo momento seu amor ao público presente.

"Eu amo vocês, vocês me amam também?", dizia o jamaicano.

Apoiado por Mad Professor (que se isentou de subir ao palco, mas teve sua presença notada na remixagem da voz de Perry em alguns momentos) e o grupo Roto Roots, Perry cantou suas canções mais emblemáticas.

Produtor no passado, Perry foi, em parte, o responsável pela ascensão de Bob Marley e Peter Tosh, entre outros.

Trajado de maneira curiosa, com um boné cheio de broches, a barba pintada de um vermelho chocante e, para complementar o visual, um traje de coronel com ombreiras douradas, Perry de longe remetia a Falcão, popular cantor brega.

Se sentindo muito a vontade no palco, Perry chegou a assoar o nariz, pedir ao público que pulasse e mexesse a cabeça, para "botar um sorriso no rosto e mandar para longe os espíritos ruins", como disse ele mesmo.

"Punky Reggae Party" foi o ápice e, infelizmente para os que foram cativados pelo jamaicano, o fim de seu show.


Xis abriu os trabalhos do segundo dia do Black na Cena, convocando para dançar e cantar o público ainda raso que se aglomerava na Arena Anhembi.

Com seus característicos óculos escuros e reverenciando "todas as quebradas" de São Paulo, o rapper fez um show irretocável com a participação de dois nomes importantes do cenário black nacional.

Pouco antes de chamar ao palco seu primeiro convidado, Xis animou o público com a canção que serviu para alavancar seu nome, "Us Mano e As Mina".

Logo após, foi chamado Rincon Sapiência, que lançou seu primeiro disco de inéditas, Promotrampo Volume 1, em 2009.

"Elegância", primeiro single do álbum, foi a escolhida para iniciar a participação do músico no show, ao lado de Xis.

Pouco após, "De Esquina" fez o público cantar junto, antes da entrada de Marcelo Mira.

O músico, famoso por suas participações em composições de nomes como Wanessa, se juntou a Xis para uma releitura de "Deixa Isso Pra Lá", de Jair Rodrigues.

"Passos Pela Rua", talvez a música mais conhecida de Mira, foi a canção mais cantada do repertório de sua participação.

Antes de fechar o show com "Chapa o Coco", Xis cantou "Até Parece que foi Sonho", de Tim Maia.

O cantor dedicou a canção a Amy Winehouse, concluindo que "temos que tomar cuidado".


O Public Enemy, atração mais aguardada, subiu ao palco às 20h30.

A entrada de Chuck D foi como uma bomba para o público: "Brasil, vocês estão preparados?", gritou o rapper, que em questão de segundos tinha a plateia a seus pés, como um grupo de soldados aguardando ordens de seu coronel.

O frio, que já rondara o evento no dia anterior e no fim de tarde do sábado, se tornou um dos desafios a serem vencidos por quem avistava ao longe a vestimenta amarela de Chuck D.

Mas a atmosfera, que já havia sido aquecida pelos shows anteriores, se transformou em puro fogo quando as pessoas se aglomeraram perto da grade que separava o Public Enemy de seus ansiosos fãs.

"Ponham seus punhos no ar", pedia repetidamente o MC, que logo em seguida ganhou a companhia de Flavor Flav, o lado mais descontraído da dupla de rappers principais do Public Enemy.


Esbanjando simpatia, Flavor Flav surgiu com seu característico relógio gigante pendurado no pescoço e um divertido moletom vermelho.

"Bring the Noise" levou o público ao êxtase.

"Aí Brasil, caralho!", gritou Flav em alto e bom português. "Eu quero agradecer por todos os anos que vocês apoiaram o Public Enemy. Sem vocês não existiria o Public Enemy."

Disparando seu clássico "Yeah Boy!" a todo momento, Flavor Flav se prova ser o animador das multidões: enquanto Chuck D é o lado responsável pela ideologia do grupo e pela seriedade, Flavor é quem descontrai.

Mas não era só a dupla de MC's que conseguia transformar o show do Public Enemy em uma experiência audiovisual para se lembrar por muito tempo.

O guitarrista Khari Wynn muitas vezes toma as rédeas das canções, interpretando jams de hard rock mesclado com o blues, e tocando o riff de "Back in Black", do AC/DC, em certo momento, como sustentação das rimas de Chuck D e Flavor Flav.

Em outra parte da noite, o DJ Lord, responsável pelas pick-ups do grupo, mostrou sua habilidade ao desconstruir "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana.

Se aproximando do fim da apresentação, após "Don't Believe the Hype", Flav rumou para as baterias e Chuck D convocou o rapper Thaíde a subir ao palco.


Ele, parecendo despreparado para a surpresa, começou a versar de improviso sobre uma base de percussão tocada por Flavor.

O rapper paulistano rimou sobre diversas coisas, e arriscou uma versão crua de "Apresento Meu Amigo", uma de suas marcas registradas.

Para finalizar, a canção que marcou a ascensão do grupo e sua luta pelas causas públicas e sociais.

"Fight the Power" teve seu refrão entoado em coro na Arena Anhembi, tornando a noite uma das mais épicas para o público brasileiro fã de hip-hop.

Logo após o show, Chuck D falou brevemente sobre a morte da cantora Amy Winehouse, comentando o fato de que "ela tinha um enorme talento, mas queria que isso [sua morte prematura] acontecesse, pelo jeito que vivia. O Public Enemy sempre teve compromisso com sua música, isso é no que um artista sempre deve se apoiar".

domingo, agosto 07, 2011

Superintendente do DNIT é amante de Alfredo Nascimento há 13 anos


Por Édi Prado e Loyola Arruda

Aqui vamos nós. Afinal, promessa é dívida.

Pelo menos para quem tem vergonha na cara.

Antes de começarmos a contar a história, gostaríamos de deixar bem claro que tudo o que vamos relatar é a mais absoluta verdade.

Somos pessoas tementes a Deus e sabemos que Ele pune a mentira com severidade.

Sua justiça é como a morte: pode até tardar, mas não falha.

Foram seis dias de investigação. Eis o que descobrimos:

Assim que tomou posse como prefeito de Manaus, em 1997, Alfredo Nascimento conheceu, através de um amigo, a engenheira paraense Maria Auxiliadora Dias Carvalho (foto), casada com o empresário Marcílio Carvalho.

Ela e o marido estavam morando na cidade havia pouco tempo.

Nesse dia, Auxiliadora estava sozinha e usava um vestido que lhe realçavam as curvas do corpo.

Tinha 31 anos, mas aparentava bem menos, traços delicados, pele bonita, voz suave.

E dedos da mão finos e longos.

Do jeito que Alfredo gostava.

Era a mulher ideal..., pensou.

Ousado, ele a convidou para jantar. Ela topou.

Alfredo então correu a uma luxuosa joalheria e comprou um lindo colar de brilhantes, o mais caro da loja.

Ao encontrá-la à noite, deu-lhe de presente.

Uma semana depois, já eram amantes.

Na semana seguinte, apaixonado, ele a fez presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Assim, não precisaria bancá-la.

Os contribuintes fariam isso por ele.

Inocente, o marido de Auxiliadora se desdobrava em elogios a Alfredo.

Afirmava que poucos homens públicos eram tão honestos e sinceros quanto ele.

Alfredo retribuía, dando-lhe tapinhas nas costas enquanto dizia, com ar escarninho: “Grande Marcílio!”.

Logo Auxiliadora se tornaria uma espécie de “primeiro-ministro”do Governo municipal.

Diariamente, Alfredo a convocava para “despachar” com ele em seu gabinete, onde ficavam a sós, fazendo sexo, no mínimo por duas horas.

Não raro, o chefe de gabinete e outros assessores ouviam sons típicos de uma relação sexual.

Alfredo era o mais “escandaloso”.

Descobriu-se depois o motivo do “escândalo”.

Auxiliadora contou a amigas, todas esposas de políticos, que Alfredo pedia, quando estavam copulando, que ela lhe introduzisse no ânus a ponta do dedo médio, e fingisse que era o homem da relação, pois só assim conseguia atingir o orgasmo.

Isso explica a sua obsessão por dedos femininos longos, característica presente em Auxiliadora.

Alfredo também possui outras fantasias eróticas nada ortodoxas, por assim dizer.

Vamos relatar somente mais uma (as demais, em respeito aos leitores, optamos por excluí-las).

Passemos à narrativa.

Segundo Auxiliadora, antes do coito, Alfredo costumava se excitar fazendo de conta que era um cavalo: ficava “de quatro”, relinchava e dava várias voltas a um e outro lado, enquanto implorava, submisso, que ela lhe chamasse de “cavalinho aloprado”.

Até hoje isso é motivo de mofa entre políticos e amigos de Alfredo.

“Lá vem o cavalinho aloprado”, costumam dizer ao vê-lo se aproximando.

Dois meses depois de Auxiliadora ter se tornado sua amante, Alfredo a convidou, juntamente com o marido, para um almoço em sua casa.

Queria que os dois conhecessem sua esposa, Francisca Leonia de Morais Pereira, o filho Gustavo e a filha Juliana.

Pelo menos foi isso que ele disse a Marcílio.

O motivo, porém, era outro: pôr fim à desconfiança do marido traído.

Marcílio havia comentado com amigos que estava começando a ter suspeitas sobre a atenção especial que Alfredo dispensava a Auxiliadora.

Ao saber disso, Alfredo teve a ideia do almoço.

Não tardou para que traídos e traidores almoçassem juntos, como uma grande família.

Durante o almoço, nenhum olhar suspeito, nenhum gesto que pudesse denunciar nada.

Tanto que Auxiliadora e Dona Francisca Leonia se tornaram amigas nesse dia.

Alfredo ficou exultante.

O sucesso de seu sórdido plano havia superado suas expectativas.

Marcílio também ficou feliz.

Não parava de realçar as qualidades da esposa, dizendo, entre outras coisas, que mulher mais fiel do que ela jamais haveria de encontrar.

Auxiliadora lhe retribuía os elogios, com beijos e afagos.


Três semanas após o almoço, os dois casais embarcaram para Paris.

Lá, hospedaram-se no “Hotel Fouquet`s Barriere”, um dos mais luxuosos da capital francesa, senão o mais luxuoso.

Alfredo queria impressionar Auxiliadora.

Mostrar-lhe que era um homem muito rico.

No dia seguinte, querendo ficar sozinho com Auxiliadora, Alfredo inventou que ambos tinham um encontro com um banqueiro francês.

Dona Francisca Leonia e Marcílio não puseram empecilho.

Alfredo e Auxiliadora não perderam tempo.

Correram a um motel e lá permaneceram durante cinco horas.

No outro dia, os quatro, como se fossem uma família, foram fazer um “tour” pela cidade.

Uma semana depois, retornaram para Manaus.

Livres da desconfiança de Marcílio, Alfredo e Auxiliadora viajavam todo fim de semana para fora do Estado, sob o pretexto de que iam tratar de interesses da cidade.

Na verdade, iam namorar.

A época em que os dois mais viajaram foi quando Alfredo pretendia implantar o Expresso em Manaus.

Até para a Inglaterra foram.

Quem pagava a conta?

Nós, os lesos, tão traídos quanto Dona Francisca Leonia e Marcílio Carvalho.

Marcílio levou quase um ano para descobrir que sua mulher era amante de Alfredo.

E mesmo assim, porque ela ficara grávida.

Estéril, o filho não podia ser dele.

Auxiliadora não suportou a pressão e abriu o jogo.

Marcílio então a esbofeteou, pegou uma arma que guardava no escritório e saiu, transtornado, à procura de Alfredo.

“Vou matar aquele pilantra…”, teria prometido antes de sair.

Imediatamente, Auxiliadora ligou para Alfredo e o pôs a par do que estava ocorrendo.

Alfredo tratou então de desaparecer, não sem antes incumbir gente de sua confiança de pôr juízo na cabeça de Marcílio.

Três dias depois, Alfredo reaparece.

Mais calmo, Marcílio aceita conversar com ele, sem violência.

Alfredo lhe pede desculpas e diz que gostaria de fazer alguma coisa por ele.

Sem delongas, propõe-lhe sociedade em uma empresa, com a qual os dois ganhariam muito dinheiro prestando serviços à Prefeitura de Manaus.

Surge então a “Socorro Carvalho Cia.”, vencedora, nos seis anos seguintes, de quase todas as licitações da Prefeitura.

“Amarrado” por Alfredo, Marcílio resolve aceitar o “chifre”.

A única coisa que não aceitou foi o filho.

Disse a Alfredo que isso era problema dele e de Auxiliadora.

Dias depois, Alfredo, que é avô de um casal de netos, levou Auxiliadora, grávida de quatro meses, para se submeter a aborto na clínica Santa Etelvina, do Dr. Durval, preso em 2008 pela Polícia Federal, durante a “Operação Vorax”.


Assim que assumiu o Ministério dos Transportes, no início de 2004, Alfredo nomeou Auxiliadora superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) nos Estados do Amazonas e Roraima, cargo que ela ocupa até hoje.

Durante os quase 7 anos em que ficou à frente do ministério, foram poucos os fins de semana em que Auxiliadora não foi a Brasília “despachar” com ele.

Tudo, claro, pago com o nosso dinheiro.

“Generoso”, Alfredo também não desamparou o marido da amante.

Até porque os dois eram (e ainda são) duplamente sócios: nos negócios e na mulher.

Segundo a revista IstoÉ, a “Socorro Carvalho Cia.” embolsou somente em 2004 R$ 12 milhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM), ligado ao gabinete do ministro.

De lá até hoje, estima-se que a empresa já tenha engordado sua conta bancária em mais de R$ 200 milhões provenientes do Fundo.

Não é à toa que Marcílio aceita dividir a mulher com Alfredo.

Viciado em sexo, Alfredo não se contenta só com uma mulher. Nem com duas.

Tanto que ele tem outras duas amantes, uma das quais casada com um assessor seu.

E ainda costuma sair com prostitutas de luxo.

Não aqui em Manaus, mas em Brasília e na Europa.

“Ele é um tarado”, diz um deputado estadual que já privou de sua amizade.

Com 58 anos de idade, Alfredo prefere mulher bem mais jovem que ele.

De preferência, casada com alguém próximo.

Um assessor, um amigo, um conhecido.

Dizem que é uma espécie de fetiche dele.

(fonte: Blog do Zacarias)



NOTA DO EDITOR DO MOCÓ:

Essa matéria foi publicada em setembro de 2010.

Marias da Graças pegou o beco no mês passado, durante a faxina no Ministério dos Transportes.