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quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Banda do Caxuxa: Se ficar melhor, estraga!

Idealizada há pouco mais de um mês, a Banda do Caxuxa era para ser um convescote de 30, 40 amigos de adolescência curtindo as reminiscências setentistas do botequim mais charmoso do bairro.

Não deu certo.

Graça ao trabalho incansável das irmãs Socorro e Wânia, filhas do patrono da banda, o marco zero da Banda do Caxuxa tornou-se uma muvuca de dimensões gigantescas, com quase 200 foliões batendo ponto no pedaço.

Foram elas que providenciaram as cópias do CD, as letras da marchinha, as faixas anunciando o evento, as camisetas padronizadas e os acepipes 0800 servidos perdulariamente para os presentes (caruru, maniçoba, galinha à cabidela, pato no tucupi, pernil de cordeiro com feijão-branco, arroz de mariscos, iscas de tambaqui, bisteca suína frita, yakisoba de camarão, lula e mexilhão, lasanha à bolonhesa, farofa de jabá, salaminhos, calabresas, queijos de todos os tipos, espetinhos de brigadeiro, pavê de cupuaçu, torta cremosa de morango e por aí afora).

Confesso que fiquei apreensivo.

Em 1987, ano de fundação da Banda Independente Confraria do Armando (BICA), o evento reuniu menos de 100 pessoas.

Um ano depois, cerca de 1.500 “biqueiros” participavam da fuzarca.

Esperamos que a Banda do Caxuxa não tenha esse destino ultrajante, porque, em termos de carnaval, menos é sempre mais.

Na adolescência, a gente invadia os bailes carnavalescos em alcateias de 25 lobos famintos sabendo de antemão que o objetivo final seria ficar sozinho com uma foliã, de preferência longe do salão e da alcateia.

Volto a insistir: no carnaval, menos é sempre mais.

Em outras palavras, numa festa carnavalesca com no máximo 200 pessoas, como a da Banda do Caxuxa, a chance de ocorrer algum desentendimento é próxima de zero e o banheiro do Bar do Jacó dá conta do recado.

Com mais de 200 pessoas, já será necessário contratar uma equipe de segurança para manter a ordem no covil e providenciar uma dezena de banheiros químicos para que a rua não se transforme em uma fedentina inominável.

Ninguém pretende chegar a esse extremo.

O marco zero da Banda do Caxuxa foi legal por isso: pessoas bebendo civilizadamente, velhos amigos se reencontrando (eu não via o Airton, que jogou futebol comigo e com o Luiz Lobão na seleção da Sharp, desde 1978), poucos bêbados chatos enchendo o saco e uma trilha sonora onde dava pra conversar sem gritar.

Entre os presentes na muvuca estava o eterno playboy Odivaldo Guerra, que serviu o exército com Selmo Nogueira e não falava com ele há duas décadas.

Considerado o homossexual mais antigo do bairro e ainda em atividade, o fabuloso Zezinho Joinha, com uma exuberante calça zebrada na cor vermelha, não parou de saracotear um só instante e foi transformado logo na musa da banda.

O aloprado Iran, de peruca anos 70 e bermuda vermelha, quase fez a nossa musa entrar em coma alcoólica de tanto lhe servir cerveja morna em uma caneca absolutamente surrealista e de formato impróprio para menores.

As famílias Nogueira e Bessa baixaram em peso no fuzuê.

A velha guarda do bloco Andanças de Ciganos (Mestre Louro, Mazinho, João Orelhinha, Afonso e Helvécio, entre outros) também marcou presença no buxixo.

O fotógrafo-sambista Mestre Pinheiro clicou o evento e, como soe acontecer sempre nessas ocasiões, chegou ao local depois de eu já ter ido embora.

É bem provável que daqui a dez anos alguns despeitados tenham a petulância de garantir que eu não estava no fuzuê porque não ficou nenhum registro de minha presença na festa.

O improviso, como sempre, foi o carro-chefe na preparação do primeiro ano da banda.

O CD com a marchinha oficial escrita pelo Mário Adolfo só ficou pronto uma semana antes da festa, apesar de o Caxuxa ter pago o estúdio com duas semanas de antecedência.

No sábado gordo, a banda de metais que a gente ia contratar avisou que tinha assumido outro compromisso e nos deixou na mão.

Para nossa sorte, o Mika de Manaus estava presente no ensaio geral e se prontificou a nos alugar a sua aparelhagem de som.

Devo pagar os R$ 200,00 do aluguel no final do mês.

Foi também ele quem telefonou para o Maestro Malheiro e o contratou para fazer três horas de som no único horário ainda disponível do músico na terça-feira gorda: do meio-dia às três da tarde.

Os diretores da banda (Arlindo Jorge, Sici Pirangy, Nilton, Vladimir Brother, Marlon, etc) se cotizaram na hora e levantaram R$ 400,00 para o cachê do músico.

Nós ainda pagamos R$ 100,00 ao Joel dos Ciganos pelo serviço de remixagem em estúdio da marchinha oficial gravada por Edu do Banjo e Duduzinho do Samba.

O vocalista Val do Cio da Terra se comprometeu em arregimentar um grupo de músicos para tocar das três da tarde às 17h.

Eu e Arlindo Jorge falamos com o advogado Vilson Benayion e emprestamos alguns instrumentos da bateria do GRES Andanças de Ciganos para mais uma hora de baticum, já que havíamos decidido que a brincadeira terminaria por volta das 18h.

Claro que ficou faltando uma bandinha de metais para abrilhantar o evento, mas o Maestro Malheiros deu conta do recado, cantando marchinhas de antanho, frevos, sambas-enredo e algumas versões carnavalescas do forró pé-de-serra.

E o que dizer do Mika de Manaus cantando boleros e serestas da época jurássica de outro famoso boteco da Cachoeirinha, o inesquecível Bolero’s Bar?...

O ponto alto, entretanto, foi ver o quarteto Cordas de Ouro (Val do Cio da Terra nos vocais, maestro Cabral no violão, Moisés no violão de sete cordas e Sandro na percussão) resgatando antigas pérolas da MPB, com ênfase no repertório de Vinicius & Toquinho.

Selmo Nogueira ficou tão emocionado que chegou a lacrimejar.

Muita gente reclamou do show acústico de MPB no meio das folias de Momo, mas isso fazia parte da estratégia de sair um pouco da mesmice.

O vereador e coronel PM Paulo Dutra, que levou pra muvuca alguns amigos do Japiim, entre eles o ex-lutador de telecatch Ulisses, o ex-jogador Airton e os empresários Carlão, Dico e Almino, sugeriu que no próximo ano o evento conte com um palco principal e dois palcos alternativos “para agradar gregos e troianos”.

O ex-barman Selmo Nogueira, eterno patrono da banda, se superou no papel de anfitrião.

Entre outras proezas, ele providenciou um panelão de 50 litros da formidável sopa de três sabores que era servida no Caxuxa Lanches e Drinks e comprou dezenas de pratos especiais de isopor para os foliões se servirem.

O panelão fumegante foi um dos destaques da muvuca.

Selmo também serviu pessoalmente mais de 200 doses de suas extraordinárias batidas de maracujá, coco, taperebá, amendoim e cupuaçu e, de quebra, ainda me presentou com um litro de batida de taperebá, que levei pra casa e só vou tomar no aniversário do empresário Sici Pirangy, na próxima sexta-feira.

A exemplo dos demais acepipes, era tudo absolutamente 0800.

Diante do banquete gastronômico que estava rolando no evento, Sici Pirangy sintetizou o espírito da banda:

– Porra, Simão, só mesmo na Cachoeirinha para acontecer isso: comida e bebida de graça durante uma festa de carnaval...

É por isso que não queremos que a Banda do Caxuxa se perca pelo gigantismo.

Ela precisa manter sua característica de “festa do interior” mostrada esse ano, aonde os amigos vão para se encontrar e conversar.

Eu não fiquei pra ver o show da velha guarda dos Ciganos porque uma sereia fantasiada de grumete aportou no pedaço por volta das 17h, me laçou com um nó de marinheiro e me levou pra casa pra me dar um banhinho.

No próximo ano, se tudo correr bem, queremos transformar o evento em uma rua de lazer para a garotada, com palhaços, mamulengos e brincadeiras infantis.

A terça-feira gorda de carnaval será apenas um pretexto a mais para a gente se reunir, encher a cara de birita, relembrar velhas histórias e conferir os sobreviventes.

Evoé, Momo!

























segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Salvem o folião


por Luiz Antonio Simas

Eis aí, na íntegra, o meu texto publicado originalmente em O Globo, edição do dia 18 de fevereiro de 2012.

Se algum dia alguém resolvesse escrever uma versão brasileira do Dom Quixote, não tenho dúvidas de que o cavaleiro da triste figura deveria ser representado pelo folião do Bloco do Eu Sozinho.

É isso mesmo: o Quixote brasileiro é aquele sujeito que vestiu a fantasia e saiu às ruas no carnaval rigorosamente solitário ou, no máximo, na companhia de desajeitados escudeiros catados à sorrelfa em alguma esquina.

Esse folião está em vias de se extinguir, engolido pelas multidões coreografadas, submerso em materiais de propaganda de empresas que patrocinam a folia e atropelado por caminhões de som com amplificadores potentes.

Não bastasse isso, se o solitário folião consegue um espaço para erguer o seu estandarte e sair cantando a Jardineira, é capaz de ser abordado por um fiscal da prefeitura em busca do alvará que lhe conceda a licença para cair na gandaia.

Sempre fui defensor de uma ideia que não tem lá muitos adeptos: os maiores foliões são os tristes.

O tríduo não foi feito para os festeiros escancarados, os baianos de ocasião, as polianas desvairadas do sonho bom, os colecionadores de abadás.

O legítimo folião não programa o carnaval; sabe apenas que vai para a rua imolar-se nos blocos e cordões e morrer até a quarta-feira de cinzas, quando ressuscitará como burocrata, marido, esposa, professor ou escriturário, para o longo e medíocre intervalo cotidiano entre um carnaval e outro.

A ideia de se transformar o carnaval de rua em uma eterna micareta no balneário dos grandes eventos – e os conseqüentes dilemas que envolvem as relações entre o poder público e as agremiações carnavalescas – envolve o risco de matar o folião espontâneo, comandante de uma armada de piratas, colombinas, índios, faraós e árabes que vão se juntando sem trajeto definido, horário de partida ou de chegada.

Durante a Primeira República, o governo resolveu alterar a data do Carnaval de 1912, em virtude do falecimento do barão do Rio Branco.

Quando correu a notícia de que o velho tinha batido a caçoleta, foi determinado que a festa de Momo se realizasse apenas no sábado de Aleluia.

Resultado: os anônimos foliões foram saindo às ruas de mansinho e, quando se percebeu, o fuzuê estava formado antes mesmo que o cadáver do barão esfriasse na sepultura.

O povão batia bumbos e cantava uma quadrinha que se espalhou pela cidade: “Com a morte do Barão/ Teremos dois carnavá/Ai que bom, ai que gostoso/ Se morresse o marechá”.

O marechal em questão era simplesmente o presidente Hermes da Fonseca.

Não conheço momento mais emblemático na história do carnaval carioca.

O verdadeiro folião – espremido entre a cruz (a multidão organizada) e a espada (o alvará que não possui) - sabe que a experiência carnavalesca é uma pequena morte.

Durante os dias de Momo, a máscara prevalece e todas as inversões sociais são urgentes e necessárias.

O esquecimento é a essência da folia.

A espontaneidade é o seu mote.

É direito de todo carnavalesco zombar pacificamente dos barões e marechais da vez – e isso deve lhe ser garantido pelos próprios barões e marechais.

Que cada um dos consagrados na Ordem de Momo tenha, pacificamente, a liberdade de se esbaldar. É possível?

Evoé!

Caríssima Senhorita Paula


Amaral Cavalcante (*)

Não sei quem lhe deu a ousadia de me telefonar num sábado pela manhã, em pleno carnaval.

Ainda mais com esse papo de conta de cartão, cujo pagamento não consta nos seus arquivos.

E eu sei lá! Se não paguei pago depois com todos os juros e correções monetárias, que eu não sou homem de dever na praça.

Prejuízo, garanto que você não vai ter.

Pago, e com fé em Deus ainda lhe gratifico com o troco.

Mas minha linda, sábado de carnaval não é dia de arrochar freguês cobrando fatura.

É, no caso da minha velhice, de botar o colchão no sol para desanuviar das pragas, entupir o congelador de latinhas e abrir aquele livro de Lautréamont guardado desde 98, na estante dos "quem sabe um dia".

Esta sim, uma dívida vergonhosa que me torna velhaco na bodega da poesia.

Pois eu estava nestes misteres quando você tocou.

Pensei que eram os malucos querendo festa e já ia com a dispensa na ponta da língua:

- "Não, vou me recolher... na quaresma eu brinco".

Mas qual, era você e eu lhe atendi com quatro pedras na mão, até reconheço, mas quem mandou?

Eu não a conheço nem você a mim.

Imagino você dentuça, um coque amarfanhado nos cabelos palha e belas unhas tratadas num vermelho cruel discando inadimplentes neste Brasil endividado, em pleno carnaval.

Sua voz de aeroporto, aquele bolodoro treinado me chamando de Senhor Antonio ficou chato, interminável e triste.

Sobrou para mim a solidão do seu carnaval, tristonha Paula, mas tem horas - como a manhã de um sábado de carnaval - em que o cidadão mal tem paciência para certos ruídos que insistem em invadir sua cidadela.

Bem assim eu estava, Paulinha: guardado da alegria geral, mas cheio de baticuns em volta, doido por uma nesga de silêncio onde acomodar o enfado de quatrocentos anos na folia.

Foi na hora errada, mas quem mandou?

Bateu mal, diligente Paula, e olha que eu não sou sempre assim.

Eu devia era ter lhe convidado para sair, lhe oferecer o consolo do mar na doce Atalaia, devia ter lhe ensinado a fazer beijus e a conversar com o pescador Caboclinho sobre a proficiência de quantos molhos de quentro precisa uma moqueca de arraia, estas coisas que aqui são de graça, sem débitos na fatura.

Sabe, eu não sou sempre assim, tão bruto.

Noutras horas eu sei impostar a voz ao telefone como ninguém e, à distância, até ronronar carinhos num ouvido de mulher.

Você não conhece o demônio enganador que eu sou!

Mas num sábado de carnaval, cobrança não tem perdão: rodei, bati chipanzé no peito, invoquei belzebu.

Xinguei a mãe do presidente e quase chamo pro murro o capitalismo selvagem: "Porra de cartão minha filha, caralho de Hipercard, quem você pensa que é?", veja que baixaria eu repito agora, envergonhado.

Tenha mágoa não senhorita Paula, um dia alguém há de lhe recompensar.

Mas aproveito para lhe informar desde já nesta missiva - para ajuste no seu competente arquivo - que acabo de pagar nesta quarta feira de cinzas, no caixa eletrônico, a conta que nos incomodou e nos uniu neste feriadão carnavalesco, cada qual na sua solidão consentida.

Perdão pelo mau jeito senhorita Paula.

E ligue pra mim, quem sabe?


(*) Amaral Cavalcante é jornalista, poeta e boêmio. Contatos através do email: folha.da.praia@terra.com.br

Reino Unido conquista o bicampeonato no Carnaval 2012 em Manaus


Com o enredo “Um menino, um sonho, uma obra: o sonho de Dom Bosco virou realidade”, o Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Reino Unido da Liberdade conquistou o bicampeonato do desfile das escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus.

A apuração aconteceu na manhã desta segunda-feira (20), no Sambódromo.

A escola levou para o Sambódromo 35 alas, cinco carros alegóricos e uma bateria com 300 ritmistas.

No total, quatro mil brincantes fizeram o espetáculo da Reino Unido, que foi a sexta escola a desfilar na avenida na noite de sábado (18).

De acordo com o diretor de carnaval da escola, Jairo Beiramar, a escolha do tema partiu da comunidade.

"Dom Bosco dedicava sua vida a trabalhar com os jovens, ele tinha muitos sonhos e abriu mão de muitas coisas pela obra que ele realizava. Nós, do Morro da Liberdade, nos identificamos muito com Dom Bosco, pois somos uma comunidade sofrida, mas que nunca desiste, somos da resistência", contou Jairo.

O presidente da Reino Unido,Fábio Pierre, também parabenizou todos os brincantes e pessoas que trabalharam no desfile da escola.

"A emoção é muito grande, nossa expectativa era essa e por isso quero agradecer a toda a comunidade, aos brincantes, e principalmente quem nos ajudou de forma direta ou indireta a realizar o espetáculo".

Apuração

A abertura dos envelopes para apuração começou às 10 horas, e o primeiro grupo a ser julgado foi o Grupo "C".

Alguns problemas técnicos atrapalharam a contagem dos pontos, mas logo em seguida a apuração continuou normalmente.

A grande campeã foi a agremiação Gaviões do Parque, que ganhou o título com 177,25 pontos.

A vice-campeã foi a escola de samba Legião dos Bambas, com 176,35 pontos.

O presidente do Gaviões do Parque, Márcio Almir, contou que mesmo abalado e não satisfeito com a apuração, ficou muito feliz com a vitória.

"Mesmo com as dificuldades, e os problemas na hora da apuração, eu estou muito feliz e agradeço a todos do Parque Dez por terem realizado esse nosso sonho", disse.

Em seguida, as escolas do grupo especial do Carnaval 2012 ficaram na expectativa para saber quem seria a campeã deste ano.

A Reino Unido da Liberdade conquistou o bicampeonato, com 269.90 pontos.

A Aparecida ficou em segundo com 269.40, e, em terceiro lugar, apareceu a Escola de Samba Balaku-Blaku, que perdeu para a Aparecida por 10 décimos.

Foram rebaixadas a Mocidade do Coroado e a Dragões do Império, que foi eliminada por conta dos 50 minutos de atraso.


(fonte: D24am.com)

Ageesma rouba título do GRES Andanças de Ciganos pela quinta vez


Melhor escola de samba a se apresentar no Sambódromo na noite de sexta-feira, o GRES Andanças de Ciganos ficou chupando dedo após a apuração oficial das notas dos jurados ocorridas na manhã desta segunda-feira, no Sambódromo.

Numa das maiores mutretas dos últimos tempos, a escola de samba Presidente Vargas, apadrinhada pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT), venceu o Grupo de Acesso A e vai desfilar no Grupo Especial do Carnaval de Manaus de 2013.

A escola conseguiu 179.60.

Em seguida, a Andanças de Cigano ficou 4 décimos atrás, com 179.20, por causa de uma “restrição” de última hora inventada pela Ageesma, que lhe custou 1 ponto.

Nesse momento, o advogado Vilson Benayon está tendo entregar um pedido de reconsideração ao presidente da Agesma, que está se fingindo de morto.

O imbróglio tem todo jeito de que vai terminar na Justiça comum.

É a quinta vez que a Ageesma faz a mesma molecagem.

Nas quatro vezes anteriores, a escola de samba da Cachoeirinha conseguiu reverter o jogo no tapetão.

A bateria do GRES Andanças de Ciganos vai participar nesta terça-feira da Banda do Caxuxa para comemorar o título moral.

domingo, fevereiro 19, 2012

Rir é o melhor remédio!


Somente hoje consegui baixar, via Pirate Bay, a primorosa obra completa do meu ídolo Falcão.

São oito CDs com algumas músicas simplesmente hilariantes, a começar pelos títulos das bolachinhas: “500 Anos de Chifre”, “A Besteira é a Base da Sabedoria”, “A um Passo da MPB”, “Lindo, Bonito e Joiado”, “Do Penico à Bomba Atômica”, “O Dinheiro Não é Tudo, Mas é 100%”, “Quanto Pior, Melhor” e “What Porra Is This”.

Um das letras mais interessantes é essa invocada louvação à birita:

Kaya na gandaia


O meu sobrinho João Ricardo Sena fez a logomarca da camiseta hardcore da Banda do Caxuxa, que será usada pela diretoria e por convidados ilustres durante a presepada.

Basta baixar o arquivo e aplicar na camisa, em qualquer estamparia eletrônica existente na taba.

Depois, é só encher a cara de lança-perfume ou birita e cair na gandaia.

Como não sou da diretoria nem convidado ilustre, vou mesmo é travestido de Lady Gaga para relembrar os heroicos tempos do bloco Aluga-se Moças!

Hoje tem Banda Garrafa N'Água no Bar do Carvalho


A partir das 15h desse domingo, no Bar do Carvalho (no cruzamento da Ipixuna com a Castelo Branco, mais conhecida como “curva da morte” da Cachoeirinha), rola mais uma edição da Banda Garrafa N’Água, com o tema “Entre tapas e beijos”.

Segundo Mestre Argemiro, um dos coordenadores da muvuca, haverá sorteio das poucas camisetas que ainda não foram vendidas (até sábado, mais de 10 mil camisetas já haviam tomado chá de sumiço) e a participação de três grupos musicais.

As condições técnicas do meu fígado provavelmente vão me impedir de conferir a fuzarca.

Também pudera.


Na última quinta-feira, enchi a caveira no Boteco da Lió, na celebração do aniversário do poeta Marcileudo Barros.

Na sexta-feira, repeti a dose, começando pelo Bar Galvez e terminando no Boteco do Solarium.

Ontem, no lançamento das músicas oficiais da Banda do Caxuxa, também enfiei o pé na jaca.

Se repetir a história hoje, vou me considerar tecnicamente um dependente químico de álcool e exigir minha internação.

Melhor dar um tempo.

De qualquer forma, já está tudo pronto para a 1ª edição da Banda do Caxuxa.

Mika de Manaus, Maestro Marreiro, Paulo Cisa, Val do Cio da Terra, Pond, Mestre Pajé e a bateria do GRES Andanças de Ciganos vão garantir a agitação do pedaço a partir do meio-dia de terça.

Abaixo, a música de Mário Adolfo, Edu do Banjo, Duduzinho do Samba e Mestre Pinheiro:



Abaixo a música do compositor e vocalista Joel dos Ciganos, o gogó de ouro da escola de samba do bairro:



Abaixo, a camisa exclusiva da diretoria.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Adele triunfa no Grammy, marcado por morte de Whitney Houston


Do G1 - São Paulo

A "princesa do soul" britânica Adele triunfou no domingo (12) no Grammy em uma cerimônia marcada pelo luto provocado pela inesperada morte da cantora pop Whitney Houston.

Adele fez exatamente o que se esperava dela e venceu em todas as categorias a que foi indicada, levando para casa seis prêmios Grammy, incluindo álbum, música e gravação do ano.

E ainda fez uma das performances mais aplaudidas da noite, ao voltar aos palcos depois de meses parada por causa de uma cirurgia na garganta, cantando "Rolling in the deep" para uma plateia de figurões da música que a aplaudiram empolgados.

Ao subir ao palco para o prêmio final, a cantora britânica que dominou as paradas de 2011 chorou.

Aberta com uma apresentação do músico Bruce Springsteen, a cerimônia do Grammy que aconteceu na noite de domingo não demorou a entrar nas homenagens a Whitney Houston, morta na noite de sábado (11).

O cantor LL Cool J, apresentador da cerimônia, abriu seu discurso dizendo que "tivemos uma morte na família", e dando início a uma prece para Whitney Houston.

"Nosso Pai Celeste, obrigado por ter nos dado nossa irmã Whitney Houston".

A oração foi seguida por um vídeo da própria cantora interpretando seu hit "I will always love you" em outra edição do Grammy.

Já na reta final, logo após o tradicional segmento que lembra as perdas que a indústria do entretenimento sofreu no ano, outra homenagem: iluminada por um único holofote, a cantora Jennifer Hudson é a encarregada da responsabilidade de cantar ao vivo "I will always love you", maior sucesso de Houston e de qualquer cantora da história.


Além do tributo a ela, os destaques da noite ficaram por conta de dois retornos aos palcos - da cantora Adele, que não se apresentava desde outubro de 2011 por conta de uma cirurgia na garganta, e da banda Beach Boys, que há décadas não reunia seus membros remanescentes, incluindo Brian Wilson.

A celebração em torno da volta do Beach Boys começou com o Maroon 5 cantando "Surfer girl".

Em seguida, eles chamaram Foster the people, que fizeram uma interpretação do clássico "Wouldn't it be nice".

Então entraram em cena, para uma plateia de músicos já de pé, os Beach Boys reunidos para cantar Good Vibrations, arrancando gritinhos da audiência, especialmente nos primeiros vocais de Brian Wilson.

Antes do fim da canção, eles foram discretamente acompanhados pelos vocalistas das bandas anteriores. Depois, aplaudidos em pé.

Os saudosistas aproveitaram de um fôlego só - o show seguinte, apresentado por Stevie Wonder, foi Paul McCartney cantando "My valentine".

Também foi aplaudido em pé.

Mas quem realmente empolgou o público foi Adele, com "Rolling in the deep", não à toa eleita a música do ano.

A cerimônia do Grammy é dividida em duas partes.

Os prêmios principais fazem parte do evento que é transmitido ao vivo pela TV americana e pela TV paga no Brasil.

Mas outros integram uma cerimônia que acontece horas antes do programa e que é composta principalmente de categorias técnicas, mas não apenas.

Neste domingo (12), por exemplo, nomes pop como Adele, Foo Fighters, Taylor Swift, Tony Bennett e Amy Winehouse foram premiados no evento secundário.

Esta divisão acontece por causa do grande número de categorias do prêmio - este ano, são 78 ao todo.

Veja abaixo a lista dos vencedores das principais categorias do Grammy 2012.

Gravação do ano (intérpretes):
“Rolling in the deep”- Adele
“Holocene”- Bon Iver
“Grenade” - Bruno Mars
“The cave” - Mumford & Sons
“Firework” - Katy Perry.

Álbum do ano
“21” - Adele
“Wasting light” - Foo Fighters
“Born this way” - Lady Gaga
“Doo-Wops & Hooligans”- Bruno Mars
“Loud”- Rihanna.

Música do ano (compositores):
“All of the lights” - Kanye West, Rihanna, Kid Cudi & Fergie
“The cave” - Mumford & Sons
“Grenade” - Bruno Mars
“Holocene” - Bon Iver
“Rolling in the deep” - Adele

Performance solo pop
Adele - "Someone like you"
Lady Gaga - "You and Ï"
Bruno Mars - "Grenade"
Katy Perry - "Firework"
Pink - "F...' Perfect"

Performance duo ou grupo
Tony Bennett & Amy Winehouse - "Body and soul"
The Black Keys - "Dearest"
Coldplay - "Paradise"
Foster the people - "Pumped up the kids"
Maroon 5 & Christina Aguilera - "Moves like Jagger"

Álbum pop
"21" - Adele
"The lady killer" - Cee Lo Green
"Born this way" - Lady Gaga
"Doo-wops & hooligans" - Bruno Mars
"Loud" - Rihanna

Performance rock
Coldplay - "Every teardrop is a waterfall"
Decemberists - "Down by the water"
Foo Fighters - "Walk"
Mumford & sons - "The cave"
Radiohead - "Lotus flower"


Performance hard rock/metal
Dream Theater - "On the backs of angels"
Foo Fighters - "White limo"
Mastodon - "Curl of the burl"
Megadeth - "Public enemy nº 1"
Sum 41 - "Blood in my eyes"

Música de rock
Mumford & sons - "The cave"
Decemberists - "Down by the water"
Coldplay - "Every teardrop is a waterfall"
Radiohead - "Lotus flower"
Foo Fighters - "Walk"

Álbum de rock
Jeff Beck - "Rock n' roll party honoring Les Paul"
Foo Fighters - "Wasting light"
Kings of Leon - "Come around sundown"
Red Hot Chili Peppers - "I'm with you"
Wilco - "The whole love"

Disco de música alternativa
Bon Iver - "Bon Iver"
Death Cab for Cutie - "Codes and keys"
Foster the people - "Torches"
My Morning Jacket - "Circuital"
Radiohead - "The king of limbs"


Melhor performance de rap
"Look At Me Now" - Chris Brown, Lil Wayne & Busta Rhymes
"Otis" - Jay-Z & Kanye West
"The Show Goes On" - Lupe Fiasco
"Moment 4 Life" - Nicki Minaj & Drake
"Black And Yellow" - Wiz Khalifa

Melhor parceria/rap
"All Of The Lights" - Kanye West, Rihanna, Kid Cudi & Fergie
"Party" - Beyoncé & André 3000
"I'm On One" - DJ Khaled, Drake, Rick Ross & Lil Wayne
"I Need A Doctor" - Dr. Dre, Eminem & Skylar Grey
"What's My Name?" - Rihanna & Drake
"Motivation" - Kelly Rowland & Lil Wayne

Melhor álbum de rap
"My Beautiful Dark Twisted Fantasy" - Kanye West
"Watch The Throne" - Jay-Z & Kanye West
"Tha Carter IV" - Lil Wayne
"Lasers" - Lupe Fiasco
"Pink Friday" - Nicki Minaj

Melhor álbum de R&B
"F.A.M.E." - Chris Brown
"Second Chance" - El DeBarge
"Love Letter" - R. Kelly
Pieces Of Me - Ledisi
"Kelly" - Kelly Price

Melhor álbum country
"My Kinda Party" - Jason Aldean
"Chief" - Eric Church
"Own The Night" - Lady Antebellum
"Red River Blue" - Blake Shelton
"Here For A Good Time" - George Strait
"Speak Now" - Taylor Swift

Melhor performance country (solo)
"Mean" - Taylor Swift
"Dirt Road Anthem" - Jason Aldean
"I'm Gonna Love You Through It" - Martina McBride
"Honey Bee" - Blake Shelton
"Mama's Song" - Carrie Underwood

Melhor vídeo musical - curto
"Rolling In The Deep" - Adele
"Yes I Know" - Memory Tapes
"All Is Not Lost" - OK Go
"Lotus Flower" - Radiohead
"First Of The Year (Equinox)" - Skrillex
"Perform This Way" - "Weird Al" Yankovic

Melhor vídeo musical - longo
"Foo Fighters: Back And Forth" - Foo Fighters
"I Am...World Tour" - Beyoncé
"Talihina Sky: The Story Of Kings Of Leon" - Kings Of Leon
"Beats, Rhymes & Life: The Travels Of A Tribe Called Quest" - A Tribe Called Quest
"Nine Types Of Light" - TV On The Radio

Artista revelação
The Band Perry
Bon Iver
J. Cole
Nicki Minaj
Skrillex

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Recordando o inesquecível Wilson Fernandes


O DJ Simas Careca Selvagem e o empresário Wilson Fernandes durante o meu cinquentenário, em 2006

Quando conheci o Wilson Fernandes, em 1967, ele dividia uma banca de verduras na feira com um sócio, Jones Alves Rodrigues (aka “Nego”), e já era o crioulo mais estiloso do bairro.

Ele foi o primeiro sujeito da turma a usar os fantásticos macacões coloridos da Levi’s (vermelho-ferrugem, fundo branco com listrinhas azuis, rosa-choque, amarelo-limão) numa época em que o máximo da rebeldia era usar os macacões Lee de cor azul ou preta.

Rindo o tempo todo, conversando pelos cotovelos e prestativo a vida inteira, o Simona foi uma das personalidades que mais marcou a minha adolescência.

Seu jeito bonachão, sua humildade contagiante, seu caráter sem jaça e seu vistoso futebol (era um ponta-de-lança de respeito) são uma das melhores lembranças que tenho daquela época.

No começo de 1971, o Riba convenceu o feirante Clóvis Rodrigues a me contratar, junto com o Paulo César Dó, para auxiliá-lo nas vendas de sua banca de verduras, nas tardes de sábado.

A concorrência da molecada mais nova havia inviabilizado nosso negócio, meu e do Mário Adolfo, de vender gibis na feira, de forma que ambos estávamos “desempregados”.

Nessa época, Wilson Fernandes havia encerrado sua parceria com Nego, que agora tinha sua própria banca, e estava trabalhando com seu irmão caçula Kebler Luiz.


Casamento de Wilson Fernandes e Arlete, com os padrinhos do noivo, F. Cavalcante e Julia, e os padrinhos da noiva, José Teixeira e Luzia de Castro Neves

Aí, um dia, ele chamou eu e Mário Adolfo para ajudá-lo na banca.

Como eu já tinha uma pequena experiência na banca do seu Clóvis, me transformei em vendedor.

O Mário Adolfo ficou com a tarefa de marqueteiro.

Ele desenhava cartazes coloridos ressaltando as vantagens das verduras de nossa banca e ficava na frente da banca, como uma espécie de menestrel, improvisando versos e convidando os fregueses a visitarem o nosso mocó.

A estratégia deu certo.

As outras bancas ficavam às moscas, enquanto a nossa colocava gente pelo ladrão.


Aniversário de primeiro ano da Kelly Cristina, a caçula da família. A filha mais velha do casal, a fofucha Robelle, é essa gracinha de cara enfezada no centro da foto

Hoje pode soar meio romântico e engraçado, mas na época não era.

O trabalho, diga-se de passagem, era uma pedreira.

A gente se apresentava no campo de batalha por volta das 9h da manhã e ajudava a montar a banca, descarregar as verduras e legumes, colocar os preços (com giz) nas tabuletas de compensado.

Depois, ia pegar água para “aguar” as verduras.

A gente ia almoçar em casa e, por volta das 13h, voltava à feira para efetivamente pegar no batente.

O grosso da venda ocorria entre 15 e 19h.

Era preciso ter muita agilidade mental para atender um freguês e segurar no papo outros três, que poderiam ir muito bem comprar as verduras em outra banca.

Nesse aspecto, a verborragia do Mário Adolfo era fundamental.

Estava na cara que, mais cedo ou mais tarde, ele ia se transformar em compositor.

Na hora do pega-pra-capar, o próprio Mário Adolfo atendia algum freguês, mas depois me pedia para fazer a conta sob o argumento calhorda de que não era bom de matemática.

Por volta das 10h da noite, já quase transformados em zumbis, a gente ajudava a desmontar o circo e colocar as poucas verduras restantes dentro de uma Kombi do Simona.

Além do bom cachê que a gente recebia, ainda levávamos pra casa um puta sortimento de verduras e legumes.

Trabalhamos dois anos na feira.

Foi um duro, mas interessante, aprendizado.


Em 1973, eu comecei a trabalhar na Sharp e o Mário Adolfo, na Federação das Indústrias.

O Wilson Fernandes ficou triste em perder dois excelentes funcionários, mas apoiou nossa decisão com uma frase que a mim soou como uma espécie de vaticínio:

– Vão lá, meus irmãos, vão lá e que Deus lhes abençoe porque a Cachoeirinha ainda vai ouvir falar muito de vocês dois, Simão Pessoa e Mário Adolfo!

Nesses anos todos, temos feito o possível para não decepcionar o saudoso Simona.

Noblesse oblige.