Pesquisar este blog

terça-feira, abril 01, 2014

O velho viajante


João Ubaldo Ribeiro

Acordei cedo e me deu um branco total. Não é a primeira vez em que isto me acontece. Pelo contrário, quanto mais velho vou ficando, mais acontece. Onde estou, de que me trato, que horas são, que cama é esta, que cortinas são estas, que quarto é este, aonde eu fui ontem à noite, bebi alguma coisa estranha? Calma, respirar fundo, deve haver uma explicação, sempre há, não entrar em pânico. E, vagarosamente, as respostas me vão chegando. Não estou em casa, estou num quarto de hotel. Começo a fazer uma ideia vaga de meu paradeiro e a confirmo olhando pela janela. No edifício em frente, um cartaz anuncia em francês escritórios para alugar. Claro, estou em Paris e, pouco a pouco, os acontecimentos se encaixam.

O Salão do Livro deste ano está sendo realizado agora e vim como convidado, apresso-me em esclarecer que não à custa de vocês, como é tão frequente entre nós. O Salão é dedicado à literatura argentina, mas, minoritariamente, representantes de outros países também participam, o que é meu caso. Não sei se um Felipão das letras me selecionaria, mas, de qualquer forma, eis-me representando nossas cores novamente e novamente alimentando a esperança de não envergonhar vocês ou a pátria. Como diria um jogador de futebol, respeito os adversários e o alçapão da Sorbonne, mas darei tudo de mim para não decepcionar nossa grande torcida e trazer para casa o caneco.

Bem, não há concentração, treinamento, preleção, coletivas para a imprensa. Cabe apenas esperar a hora e mandar notícias ou comentários. Mas quais? Volta a assaltar-me a nostalgia dos velhos tempos, quando havia realmente novidades no exterior, desconhecidas pela maior parte dos brasileiros, e se podia mentir com desenvoltura, na secular e venerável tradição dos viajantes mais notáveis, desde Heródoto e Marco Polo, sem deixar de incluir o insuperável parente nosso Fernão Mendes Pinto. Sempre me queixo desta situação. Eu certamente não estaria à altura de meus grandes antecessores, mas sem dúvida seria capaz de engendrar algumas patranhas dignas de interesse, que pelo menos dessem para o gasto. Em Itaparica, a gente sempre aprendeu com os mais antigos a contar lorotas da melhor qualidade, Mas, hoje em dia, logo alguém na internet desmascararia a mentira e eu não teria como sustentá-la.

Num departamento semelhante, o dos segredos e pequenas histórias reveladores de estreita intimidade com Paris, o panorama tampouco é encorajador. Não acerto a discorrer sobre o tempo em que eu frequentava os mesmos cafés que os existencialistas e minhas discussões com Sartre às vezes levavam tardes inteiras, enquanto tomávamos o mesmo café a tarde inteira e experimentávamos drogas exóticas. Minhas reminiscências da Rive Gauche, alusões à minha grande familiaridade com a obra de Verlaine ou Baudelaire, o dia em que me enturmei com Juliette Greco, ou a ocasião em que Salvador Dalí me deu de presente um guardanapo usado e autografado que eu, depois de um porre de absinto na companhia de umas coristas do Crazy Horse, perdi não sei como. Tenho colegas capazes de fazer esse tipo de coisa com perfeição, mas eu mesmo não tenho jeito.

O hotel onde estou, bastante antigo, já hospedou brasileiros ilustres, como o mestre Villa-Lobos (que, por sinal, segundo me revelam, gostava de contar as suas historinhas também, envolvendo às vezes as diversas oportunidades em que, na companhia de outros canibais brasileiros, comeu carne de gente) e, principalmente, d. Pedro II. No começo, me animei um bocadinho e pensei em como talvez fosse possível avistar o fantasma de Sua Majestade Imperial, aqui no fim do corredor, e até fazer uma pequena entrevista com ele, mas também não consegui, em parte por causa do vexame que tem sido a república que o depôs. "E o Deodoro, hein?", perguntaria ele, e eu não acertaria a responder.

E, lembrando os velhos tempos de viagem, como sou antigo, meu Deus, um dia destes acordo múmia. As senhoras mais elegantes compareciam ao Galeão às vezes de chapéu de viagem e invariavelmente elegantíssimas, desfilando para cima e para baixo de passaporte discretamente em punho. Na classe econômica, havia menu, talheres de metal e drinques de todo tipo, antes, durante e depois das refeições. E o passageiro não passava todo o percurso com os joelhos de um sueco enfiados nas costas da poltrona, pois cabia decentemente todo mundo e até dava para dormir deitado, quando sobravam alguns assentos vazios. No embarque, o viajante recebia de presente uma caixinha com quatro cigarros especialmente embalados para a companhia aérea, assim como capas especiais para canetas-tinteiro, que do contrário vazariam por causa da pressão do ar e manchariam a roupa.

No começo da viagem, as comissárias de bordo (aeromoças), todas lindas, indagavam se o passageiro já tinha feito aquele percurso antes. Se não tinha, era preparado o diploma de passagem pelo equador, conferido pelo deus Netuno e entregue ao felizardo sob aplausos dos circunstantes. E, depois de uma ou mais escalas em aeroportos exóticos que nunca mais seriam vistos, chegava-se finalmente à terra remota do destino, realmente longe e estrangeira. Era a hora de se acomodar no hotel e providenciar o indispensável telegrama de “cheguei bem”, que a família exigia. Telefonar, nem pensar, porque é mais fácil telefonar hoje para Marte do que então para o Brasil. É, não há mais emoções para o velho viajante. Mas, num último esforço de reportagem, talvez eu possa tentar falar com a dupla Montesquieu e Monet, recentemente lembrada pela presidente. Deve ser a zaga do Paris Saint Germain e vai ver que eles me dão umas declarações sobre a Copa, para eu enrolar mais os leitores.

A sina do Cinna


Luís Fernando Veríssimo

Gosto daquela cena do Júlio César, de Shakespeare, em que um grupo de cidadãos, inflamado pelo discurso de Marco Antônio sobre o corpo recém-esfaqueado de César que começa como um lamento e termina como uma incitação à vingança, encontra Cinna, o Poeta, e o confunde com um dos assassinos. Cinna convence o grupo de que não faz parte da conspiração, mas isto não o salva. O grupo, exaltado, quer sangue. Cinna é apenas um poeta? Então “matem-no pelos seus maus versos!”, grita alguém. E Cinna é abatido. Quando os cães da guerra estão soltos, nos diz Shakespeare, ninguém é inocente.

Imaginei uma variação da cena em que Cinna se identifica, não como um poeta, mas como um humorista. O grupo não acredita, e desafia Cinna a provar que é o que diz. Cinna hesita.

– Sim, bem, hmm, deixa ver...

– Matem-no!

– Calma! Deixem eu pensar. Hmmm. Sim. Lá vai.

E Cinna começa a declamar.

– Eu sou Cinna, de Siena, em cena / porque esta é a cena do Cinna / que preferia ser Cinna lá em / cima, em Siena / do que Cinna em cena e sem rima. / Mas até quando, em Siena, se encena / esta cena com o pobre do Cinna / ele morre no fim, é uma pena / por absoluta falta de clima. / E assim cai em cena o de Siena / pois a cena do Cinna ensina / que ele morre em Siena ou em cena / porque esta é a sina do Cinna.

Todos se entreolham. Ouve-se uma risada. Depois outra. “Razoável”, diz alguém. Cinna se entusiasma.

– Vocês conhecem a história da mulher do Brutus? Todos sabem que a mulher de César precisa ficar acima de qualquer suspeita, e não apenas ser virtuosa, mas parecer virtuosa. Já com a mulher do Brutus é diferente: ela tem um fraco por homens mal-encarados. Gosta de ficar embaixo de qualquer suspeito. Hein? Hein?

Há mais risadas. Estou agradando, pensa Cinna. Talvez até me salve! Ele continua:

– Dizem que a mulher do Brutus recebe tantos homens na sua cama que quando o próprio marido a procura, ela diz “Até tu, Brutus?!”.

Mais risadas. Cinna levanta os braços e diz:

– Acabou, gente. Foi ótimo, mas tenho que ir. Vocês foram uma ótima plateia. Os que me emprestaram seus ouvidos os receberão de volta pelo correio. Mas sem os brincos. Rá rá. Tchau, hein turma?

Mas alguém grita:

– Matem-no!

Cinna é agarrado.

– O que é isto? Eu não provei que era humorista?

– Provou.

– Então por que vão me matar?

– Por fazer humor numa hora destas!

Saudosa maloca ou o que é isso, companheiro?


Humberto Werneck

Igualzinho a você, tenho aqui uns planos que, embora modestos, nunca vou realizar. Cadê ânimo para ir às vias de fato? Mais fácil pastorear devaneios no ar, como o Drummond fazendeiro, do que correr o risco de descobrir que era tudo mais ou menos bobagem. Um pouco como a botequinesca figura do cineasta passivo, com uma ideia genial na cabeça e nenhuma câmera nas mãos.

Nunca tive uma ideia genial, e também sou ruim de câmera, mas volta e meia reincido na ruminação de alguma coisa que provavelmente jamais escreverei. Por exemplo, um artigo que se chamaria “1979, o ano em que tudo terminou” (título sacado pelo Nirlando Beirão), e que meus neurônios voltam a regurgitar nestes dias em que tanto se fala e escreve a propósito do cinquentenário do golpe de 64. Outra vez me dá vontade de repassar três momentos cruciais de 1979.

Dois deles talvez interessem mais aos jornalistas do que aos seres humanos normais. É daquele ano a derrocada duradoura, senão definitiva, de algumas ilusões – uma das quais, em maio, levou a maioria dos profissionais da imprensa de São Paulo a se precipitar numa greve desastrada e desastrosa. Tínhamos a certeza de contar com a adesão dos gráficos, pois, afinal, na luta de classes que opõe trabalhadores e patrões, estávamos na mesma canoa.

A adesão não veio, sinal de que até canoa tem primeira e segunda classe, e foi pelos jornais que acompanhamos o fracasso do movimento cujo êxito dependia de não haver jornais nas bancas. Lembro-me de ter entrado num ônibus, de madrugada, e arengado para uns gatos pingados que voltavam do trabalho: Não comprem jornais! – concitei, sem obter que um único músculo se movesse no semblante exausto do proletariado. Agora é que esses caras vão correr para a primeira banca – concluí, dando por encerrada minha carreira de tribuno. Lembro-me também de meia dúzia de piqueteiros amanhecendo na Marginal do Tietê quando a greve estertorava, um deles, cheio de graça e conhaque, com um megafone apontado em direção ao prédio onde funcionava a Veja: “Atenção, Editora Abril, vocês estão cercados!”

Meses depois, vi esfarinhar-se outra ilusão que não era só minha – a de que bastava reunir gente talentosa e idealista para criar, com pouco mais que nada, um bom jornal, indispensável naquele momento em que a anistia, prestes a ser promulgada, assinalaria o começo do fim da ditadura. Em torno de Mino Carta formou-se um timaço de que faziam parte, entre outros, Claudio Abramo, Roberto Pompeu de Toledo, Ricardo Kotscho e Paulo Markun, além do citado Nirlando.

Não durou seis meses o Jornal da República. Pouquíssimas semanas depois da edição inaugural, de 27 de agosto, o sócio capitalista tirou o time, esvaziando bruscamente os corpos cavernosos que, no limiar da idade madura, mantinham de pé nossa quimera.

Por essa época, exatamente, meados de 1979, vivemos todos, jornalistas e seres humanos normais, o terceiro momento marcante a que me referi – a anistia caolha que ainda hoje tentamos digerir.

Em meio à alegria do retorno dos exilados (lembro-me de Leonel Brizola, com seu terno jeans, visitando a redação do Jornal da República, por onde passou também Fernando Gabeira com um modelito de derrubar os queixos), pôde-se por fim desatar o laço que por anos mantivera promiscuamente empacotadas as mais incompatíveis correntes da esquerda nacional.

Uma trincheira (usava-se terminologia bélica) desconfortável sobretudo porque nela, em nome da unidade sem a qual não derrotaríamos a ditadura, não havia espaço para a dissensão, para o diálogo democrático. Éramos, nesse aspecto, de uma rigidez cadavérica. E eis que de repente estávamos libertos da amarra, cada qual entregue a si mesmo, para o bem e para o mal, uns e outros procurando espaço e uns tantos se estranhando na nova paisagem: o que é isso, companheiro?

Passou? Nem tanto: 35 anos depois, tropeço ainda em ex-combatentes nostálgicos dos bons tempos (a ditadura, acredite) em que, jovens e puros, nós nos irmanávamos na mesma trincheira da luta pela liberdade. Se esse pessoal atualizasse ao menos a linguagem...

E a tal conversa sobre 1979, o ano em que tudo terminou? Desconfio que termina aqui.

Leitura pra quem gosta de leitura


A vasta obra do escritor belga Georges Simenon (1903-1989) vai ganhar roupa nova em maio, quando começará a reedição de mais de 300 títulos, agora sob a chancela da Companhia das Letras. A editora, aliás, promete um lançamento memorável com a vinda do filho do escritor, Jean, que participará de eventos em cidades como São Paulo e Porto Alegre, onde falará sobre o trabalho do pai.

Conhecido pela obra policial, especialmente os livros do inspetor Maigret, Simenon foi um autor de extraordinária fecundidade, deixando 192 romances, 158 novelas, além de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens assinados com seu nome (é notória uma análise que fez da obra do cineasta Federico Fellini), além de mais de 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos assinados sob 27 pseudônimos diferentes.

Herbert Lewis em alta

O escritor norte-americano Herbert Clyde Lewis (1909-1950) era tão popular na época da Segunda Guerra que o governo norte-americano enviava a seus soldados cópias de seu romance Gentlemen Overboard (1937), sobre um agente da Bolsa de Nova York, de hábitos regulares, que empreende uma viagem a Honolulu e cai do navio, conduzido à dúvida se alguém notou sua ausência. É Sartre encontrando Woody Allen nesse esplêndido livro agora redescoberto.

De olho nos menores

A Nova Conceito está de olho agora em leitores de 8 a 12 anos e, para isso, lança um novo selo, o #irado. Os primeiros títulos são Boneca de Ossos, de Holly Black (tiragem de 30 mil exemplares), em abril, e Caçadores de Tesouro, de James Patterson. Será a oportunidade de se conhecer uma nova faceta de Patterson, popular por suas séries de suspense.

On the road again

O poeta beat norte-americano Lawrence Ferlinghetti, fundador da mítica livraria City Lights e um dos grandes da geração beat, vendeu os direitos de seus diários de viagem para a W.W. Norton. Ferlinghetti, que editou seus amigos beats e foi processado por obscenidade ao publicar o livro de poemas Uivo, de Allen Ginsberg, escolheu como título de seu diário Writing Across the Landscape: Travels Journals (1953-2013). O livro será publicado em setembro de 2015.

NY sem livrarias

Não é só São Paulo que sofre com a alta dos aluguéis de lojas comerciais. Nova York tem testemunhado o fechamento de grandes e tradicionais livrarias, motivado pelos preços estratosféricos das locações. Recentemente, a Rizzolli, na Rua 57, foi comunicada por seu locador de que o prédio que ocupa será demolido. Outras grandes seguem o caminho de livrarias independentes como a Coliseum. As vendas caem, mas os aluguéis sobem em NY, podendo chegar a US$ 40 mil por mês.

Narrativas curtas

A editora digital e-galáxia estreia novo selo, Formas Breves, com a publicação do conto Averrós, de José Luiz Passos, prêmio Portugal Telecom de 2013. Dedicado à publicação de contos, o selo vai lançar um novo e-book por semana. Entre os autores estão Marcelino Freire e Nuno Ramos.

A moeda de troca para entrar no reino dos céus


Antonio Gonçalves Filho

As imagens medievais do dinheiro são sempre pejorativas. Tudo para impressionar a matula, resistente aos ensinamentos religiosos. Le Goff, em A Idade Média e o Dinheiro, lembra que o principal símbolo iconográfico do dinheiro no período é uma bolsa no pescoço de um rico, que a leva consigo para o inferno. Dante evoca a mesma imagem em A Divina Comédia. No sétimo círculo infernal ele pode não reconhecer nenhum dos condenados, mas percebe que eles trazem, pendurada no pescoço, uma bolsa. Dante, cautelosamente, se afasta deles, prosseguindo em sua caminhada.

Outro que se ocupou de prometer aos ricos o inferno foi Isidoro de Sevilha (cerca de 570-636), autor do primeiro best-seller latino, conforme classificação livre do historiador Bernard Ribemont (em Homens e Mulheres da Idade Média). Figura maior da Espanha visigoda, Isidoro, autor de Etimologias (mais de dez edições entre 1470 e 1530) e canonizado em 1598, foi recentemente escolhido como santo patrono dos especialistas em informática por seu conhecimento enciclopédico.

Isidoro considerava o amor ao dinheiro à frente dos pecados capitais, mas não condenava os ricos ou a riqueza. Um homem, observa Le Goff, pode ser ao mesmo tempo pobre e rico – e não há aí nenhuma alusão metafórica. Pobre, porque dependente de um rei, que podia doar terras a um homem – por combater os muçulmanos, por exemplo –, mas também tirar dele a última moeda. Poder e dinheiro não andavam juntos na era medieval, ao contrário do que acontece na modernidade.

O dinheiro é produto dessa modernidade, lembra o historiador. Na época medieval, ele estava menos presente do que no Império Romano. Entre os séculos 4.º e 12, a moeda perdeu importância e só lentamente voltou a ser revalorizada. O desenvolvimento urbano e o fortalecimento das ordens mendicantes deram um novo impulso ao dinheiro nessa sociedade dominada pela religião.

Assim como a fada diabólica Melusina, que assombrou a imaginação de todas as classes sociais, o dinheiro assustava o homem medieval. Era preciso construir catedrais góticas e a Igreja soube muito bem arrancar matéria-prima e mão de obra gratuita de seus fiéis. As catedrais custaram caro e, segundo Le Goff, junto às Cruzadas e à fragmentação monetária, sua construção foi uma das razões de a economia europeia não ter decolado na Idade Média, apesar do desenvolvimento do comércio exterior ao longo do século 13.

Os Estados nascentes desse século, que permitiam a príncipes e reis cunharem moedas e arrecadar impostos, ainda não concorriam com o poder da Santa Sé, que ameaçava os usurários com as chamas do inferno – e o único meio de escapar dele era restituir aquilo que ganhavam ao cobrar juros de outros infelizes cristãos. Le Goff admite que tem poucos documentos em mãos informando sobre a realidade dessas restituições. Outros historiadores acham que a religião não tinha lá tanta influência sobre o homem medieval.

O francês discorda. Lembra como religiosos (o monge francês Geoffrey de Vendôme, entre eles) compararam a hóstia sagrada a uma moeda de melhor cunhagem. Numa era que viu surgir os seguros e as letras de câmbio, não podia existir melhor lugar para um usurário do que a crença na existência do Purgatório, que favoreceu as doações em dinheiro à Igreja por meio das caixas de esmolas e das bacias das almas. A hóstia consagrada virou, de fato, uma moeda necessária à salvação, o que prova que o dinheiro não se emancipou dos valores da religião, conclui Le Goff.

Ao longo de cinco décadas, filmes refletiram sobre o Golpe de 64


Luiz Zanin Oricchio

Não existe filme que melhor represente a tragédia social brasileira representada pelo golpe de 1964 que Cabra Marcado para Morrer (1964-1984), de Eduardo Coutinho (1930-2014). Em 1962, Coutinho começou a encenar a trajetória do líder camponês João Pedro Teixeira, morto por capangas de latifundiários em 1962. As filmagens avançavam, com companheiros de João Pedro fazendo seus próprios papéis e a viúva do líder, dona Elizabeth Teixeira, representando a si mesma. Com o golpe, a equipe de filmagem, o diretor e os “atores” tiveram de se refugiar, pois ficaram na mira da repressão. Os negativos das partes filmadas foram escondidos porque a ordem era destruí-los.

Dezessete anos depois, já sob a forma de documentário, Coutinho retomou a filmagem, localizou personagens e foi encontrar dona Elizabeth escondida num lugarejo do Rio Grande do Norte. Com o filme, ela retornou à vida, assim como o País retomou a normalidade democrática após um período de 21 anos de ditadura. É a obra-símbolo desse percurso do povo brasileiro, dessa longa noite e de seu desfecho.

Mas é preciso lembrar que o cinema brasileiro respondeu ao golpe ainda no calor da hora, tentando digerir o impensável que fora a derrubada do governo João Goulart em 1º de abril de 1964. O cinema brasileiro acompanhava a fase de otimismo que vinha desde o período JK. Não era uma euforia tola, alienada, mas que despertava para a expressão estética de todo o desajuste social desse país que se mostrava, por outro lado, promissor, ousado e criativo.

Se havia Brasília, a bossa nova e a seleção de futebol campeã do mundo, também havia a seca, a miséria nas grandes cidades, o analfabetismo, o abismo entre as classes sociais. Os filmes foram saindo e refletindo essa preocupação dos diretores do Cinema Novo. Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Os Fuzis, de Ruy Guerra, todos realizados entre 1963-64, expressavam essa indignação, mas também a confiança na mudança social que parecia ao alcance da mão.

Nesses anos, o Brasil parecia, tanto à esquerda como à direita, um país à beira da revolução. Todos estavam enganados, e ninguém o sabia. Nesse ambiente, veio o golpe e as obras que surgiram nos anos imediatamente posteriores pareciam destinadas a refletir e digerir o golpe.

É o caso de um título central como O Desafio (1965), de Paulo Cezar Saraceni, que reagiu prontamente à circunstância histórica. O personagem principal é Marcelo, jornalista vivido por Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, em sua perplexidade pelo país saído do golpe. Numa das sequências mais fortes, mescla de ficção e documentário, vemos o personagem assistindo ao mitológico show Opinião, espécie de cerimonial da resistência, como o definia a ensaísta Heloísa Buarque de Holanda. Desoladas, as pessoas iam, noite após, noite, ouvir Nara Leão (e depois Maria Bethânia, que está no filme) cantar Carcará, ouvir João do Vale e Zé Kéti. Era uma missa leiga da oposição.

O processo de digestão do golpe gerou um elenco de filmes, e provavelmente uma obra-prima, Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, obra de traço alegórico, forte, impulsiva, paradoxal e densa, que procura pensar as estruturas mais profundas da sociedade brasileira e dos motivos que a levaram não à revolução de esquerda, como se esperava, mas ao lado oposto, a um golpe de direita. Entre figuras como o déspota esclarecido, o capitalista, o padre e o político populista, emerge o poeta e jornalista Paulo Martins, criação de Jardel Filho. Sem saber a quem servir, Paulo engaja-se na luta armada e morre numa saraivada de metralhadora. A ação passa-se no imaginário país Eldorado, que, claro, é o Brasil, mas também mescla de todos os países latinos do Terceiro Mundo, submetidos mais ou menos às mesmas circunstâncias históricas.

Com o fechamento do regime em 13 de dezembro de 1968 com a edição do Ato Institucional nº 5, a censura passa a perseguir de maneira mais ostensiva os artistas e suas obras. Como resposta, estas se tornam cada vez mais herméticas e alegóricas na tentativa de driblar censores e fazer sua "mensagem" chegar ao público. Assim, por exemplo, um diretor de estilo realista e crítico como Nelson Pereira dos Santos, dirige obras tão enigmáticas como Azyllo Muito Louco, 1969-1971 (baseado vagamente no Machado de Assis de O Alienista), e Fome de Amor (1968) e Como Era Gostoso Meu Francês (1970). Em Os Inconfidentes (1972), Joaquim Pedro de Andrade reencena os passos da Conjuração Mineira, baseando-se apenas nos Autos da Devassa, mas aproximando os momentos históricos distintos de luta contra a opressão.


Isso não quer dizer que todos os filmes fossem alegóricos, mas essa era a tendência. Que convivia, por exemplo, com um filme bem mais direto, Iracema – uma Transa Amazônica (1975-1980), de Orlando Senna e Jorge Bodanzky, glosando as mistificações publicitárias do governo e mostrando a real dimensão da miséria do país. A pobre índia, prostituída e abandonada, repete o destino da personagem de José de Alencar que lhe empresta o nome, mas é também a nação ultrajada pela miséria, agora somada à ditadura.

Prá Frente Brasil (1982), de Roberto Farias, feito ainda durante a ditadura, provocou uma crise política e culminou com a demissão de Celso Amorim, na época presidente da Embrafilme. Retratava o ufanismo durante a Copa do México (1970) e seu contraste com o que acontecia nos porões da ditadura. Muito tempo depois, esse ambiente é trazido de volta no belo e sensível O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger.

Alguns outros filmes captam o espírito da virada para a democracia e tornam-se sucessos. São os casos do documentário Jango, de Silvio Tendler, e da ficção Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, ambos de 1984. No primeiro, temos a reconstituição da época febril do presidente deposto, no segundo, a adaptação do livro-testemunho de Graciliano Ramos sobre sua prisão durante o Estado Novo - uma ditadura falando de outra, a de Getúlio Vargas e aquela que agora estava sendo enterrada pela mesma sociedade civil que, em parte, colaborara para seu aparecimento em 1964.

Após a democratização, com o país livre do governo autoritário e da censura, era de se prever uma profusão de filmes sobre o período anterior numa espécie de tentativa de digestão de uma época traumática. Seria praticamente impossível citar todas essas obras, sob pena de transformar o texto em lista telefônica. Basta lembrar alguns momentos-chave, tanto na ficção como no documentário.

Algumas figuras reais da luta contra a ditadura foram retratadas com as cores da ficção. Caso, por exemplo, de Lamarca (1994), de Sérgio Rezende, perfil do guerrilheiro saído das próprias forças do Exército e morto em combate com a repressão. Sua companheira, a estudante de psicologia e guerrilheira Iara Iavelberg é retratada em Em Busca de Iara (2013), de Flávio Frederico.

Aliás, a aura romântica do guerrilheiro é figura constante de filmes de ficção da pós-redemocratização. A começar pela visão romanceada do livro de Fernando Gabeira, O Que É Isso, Companheiro?, sobre o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick por grupos armados. Mas contempla títulos de ficção pura, sem relação com fatos reais, como Ação entre Amigos (1998), de Beto Brant, Quase Dois Irmãos (2004), de Lúcia Murat, e Cabra Cega (2005), de Toni Venturi.


Curiosamente, veio da televisão, e não do cinema, uma das mais fortes visões romanceadas da luta armada contra o regime. Com sua história do nascimento da resistência armada no interior do movimento estudantil, a minissérie de 1992 Anos Rebeldes, da TV Globo, conseguiu o que muitos filmes não logram - captar a energia e o clima de uma época em transe. Com muita vibração e atuação intensa do elenco, mostrou às gerações mais novas o que significava ser jovem nos anos 1960, com seus encantos e seus riscos mais que evidentes.

No campo do documentário, há um trabalho constante de recuperação da época e sua reinterpretação. Seja através de personagens como em Marighela (2012), de Isa Grispun Ferraz, sobre o líder da ALN (o grupo armado Aliança Libertadora Nacional), seja sobre eventos específicos, como Barra 68 – Sem Perder a Ternura (2000), de Vladimir Carvalho, sobre a invasão da Universidade de Brasília por forças policiais, ou sobre os sequestros de embaixadores, como em Hércules-56 (2006), de Silvio Da-Rin, ou Setenta (2013), de Emilia Silveira. Ou ainda sobre organizações clandestinas como Operação Condor (2007), de Roberto Mader, sobre o convênio policial entre ditaduras latino-americanas para perseguir opositores.

Apesar do grande número de filmes desdobrados a partir do tema ditadura, ainda há aspectos a serem explorados. Como diz o grande critico e ensaísta Jean-Claude Bernardet, o cinema brasileiro tem receio de abordar de forma crítica certas instituições, como o mercado financeiro, a Igreja e a iniciativa privada, e o Poder Judiciário. Uma exceção foi Cidadão Boilesen (2009), de Chaim Litewski, sobre o presidente do grupo Ultragás e financiador da tortura em São Paulo. O próprio Bernardet prepara um filme sobre José Dirceu, líder estudantil durante a ditadura, homem forte do governo Lula e condenado na Ação Penal 470. Da mesma forma, o documentarista Silvio Tendler projeta dois filmes, um sobre os Militares da Democracia, focando membros das Forças Armadas que se opuseram ao golpe, e outro sobre advogados que se arriscaram a defender presos políticos durante do regime de exceção.

Há todo um painel a ser composto e, apesar da força de algumas pinceladas, muito ainda por fazer para que a época da ditadura ganhe retrato consistente do cinema. Longe de esgotado, o tema clama por abordagens mais ousadas e originais. Afinal, muitos dos protagonistas do período estão vivos e nem sempre é confortável mexer em material combustível acumulado em período de exceção extenso como foi o da ditadura brasileira.

A originalidade de abordagem às vezes está em detalhes menores, como no belo filme de ficção de Ugo Giorgetti, Cara ou Coroa (2012), destacando a pequena resistência ao regime. A resistência daquelas pessoas que não pegavam em armas, mas, com o risco da pele, às vezes escondiam essas armas em suas casas, ou ocultavam um militante perseguido, ou transportavam algum material clandestino em seus carros. Foi dessa grande rede de resistência discreta que saiu parte considerável da força que determinou o fim da ditadura. Giorgetti teve a sensibilidade de colocar esses heróis anônimos em seu lugar, na frente do palco.

A outra face de Gregory House


Luiz Fernando Toledo

O médico mais misantropo da história da televisão mostrou-se também exímio músico. Alternando voz, piano e guitarra, o ator Hugh Laurie, mais conhecido por ter interpretado o personagem Dr. House na famosa série americana, experimentou pela primeira vez uma turnê em palco brasileiro. Acompanhado da Copper Bottom Band, Laurie deixou o público que lotou o auditório do Citibank Hall aturdido com o bom gosto de suas novas canções, do álbum Didn't It Rain, na noite deste sábado, 29. Apresentação extra ocorreu neste domingo, às 20h.

O ator britânico e os sete músicos da banda fizeram valer sua pontualidade. Às 22h10, o show teve início com um dançante e extrovertido Laurie, na música Iko Iko. “Boa noite, São Paulo. Saúde!”, e começou a cantar.

Distante do mal humor e cinismo do personagem que sequer falava com seus pacientes, Hugh Laurie se move como o blues que embala. Brinca com o público, arrisca poucas palavras em português – “boa noite, tudo bem?” – e depois avisa: “é tudo que sei em português”.

Entre as músicas, Laurie faz um papel quase de standup comedy. “Se vocês não falarem em inglês, bem, aí vocês não entenderão nada do que eu estou dizendo”. E pede ao público para cantar a próxima música, Come On Baby, Let the Good Times Row. “Vocês também podem tocar os instrumentos?”, e riu. A terceira faixa, Evenin', deu o ar de gala da noite.

Mas nem mesmo Dr. House tirou o brilho da CBB. Os solos dos músicos fizeram vibrar da primeira à última fileira do auditório, que aplaudiu no começo, meio e fim das músicas. As vozes quase sobrenaturais das cantoras Sister Jean McClain e Gaby Moreno trouxeram à vida alguns clássicos como Send me to the 'Letric Chair, Na belíssima Kiss of Fire, Laurie divide os vocais com Gaby. E depois “se arrepende”: “quem é o idiota que canta depois disso?”, em referência ao dom das musicistas. A faixa título Didn't it Rain, do segundo álbum do grupo, teve até replay.

Para finalizar o repertório, uma surpresa aos brasileiros: Mas Que Nada, imortalizada por Jorge Ben Jor, levou o público a cantar em pé. “Essa vocês conhecem melhor do que eu”, disse Laurie antes de tocar as primeiras notas. Neste momento, Laurie vestira uma das camisetas que ganhou, da seleção brasileira, com seu nome escrito acima do número 10.  A apresentação durou cerca de 2h30.

Após a apresentação de três ou quatro músicas, Laurie abriu um precedente perigoso. Deixou que um fã entregasse a ele uma foto. O gesto encorajado fez com que dezenas de fãs corressem em manada em sua direção – a timidez de cada um fez a ordem caótica – para entregar camisetas, cartas e bandeiras do Brasil. Simpático, o ator riu e agradeceu por todos os presentes em português. “Obrigado!”. Foi preciso que seguranças intervissem para que o show pudesse continuar, dada a quantidade de pessoas abarrotadas para ao menos tocar na mão do artista.

Hugh Laurie afirmou em seu Twitter, neste sábado, que está hospedado no mesmo hotel em que a banda Guns 'n Roses, que realizou show do Anhembi na noite de sexta-feira. E ironizou a presença de apenas Axl Rose como membro original: “Acho que hoje são apenas Gun 'n Rose.”

O ator, que gosta de revelar detalhes de seu cotidiano na rede social, afirmou ter “acordado como um urso, com uma vaga lembrança de ter bebido muitos coquetéis desconhecidos na noite passada”.  Na última semana, ele ainda fez piada para elogiar a beleza dos brasileiros: “eu não sei o que fazem com as pessoas feias no Brasil. Talvez elas estejam em um grande depósito por aí”. E completou, alguns tweets depois: “Sem dúvida nenhuma. Brasileiros são lindos, em todas as dimensões”.

Livro de autor japonês retrata a violência entre menores de idade


O escritor Koushun Takami, autor de Battle Royale

Quando foi publicado no Japão, em 1999, o livro Battle Royale, do jovem Koushun Takami, tornou-se um dos mais vendidos e um dos mais controversos romances lançados no país. O motivo era sua trama assustadora: no final do século passado, um governo autoritário e repressivo enfrenta uma recessão econômica e, por isso, tentar limitar o poder de expressão da população. Para isso, é criada uma lei que obriga o sorteio de uma classe de estudantes para participar de um jogo em que a principal regra é matar uns aos outros, até restar apenas um.

Assim, sob o pretexto de viajar em excursão, 42 alunos são enviados para uma ilha deserta onde recebem diversos tipos de arma. Sem alternativa, eles iniciam a matança. Passados 15 anos, Battle Royale continua intrigante, como prova a versão em português lançada agora pela editora Globo e traduzida diretamente do japonês.

A obra, que inspirou um filme igualmente violento, dirigido em 2000 por Kinji Fukasaku e estrelado por Takeshi Kitano, e uma adaptação para o mangá em 15 tomos (publicada no Brasil de forma incompleta pela Conrad, em 2006), despertou inúmeras discussões, especialmente sobre o comportamento humano em situações-limite. Afinal, na história, muitos dos jovens, pressionados pelo terror psicológico, ignoram princípios civilizatórios e partem para a mais básica forma de preservação da vida: a violência.

Outros, no entanto, ainda continuam a manter a racionalidade, controlando os impulsos mais primordiais e buscando alternativas intelectuais para superar a situação desesperadora. Por conta disso, o leitor se vê em meio a um jogo de imprevisível desfecho e sem herói definido, pois todos os personagens, mesmo os mais violentos, apresentam características de fácil identificação.

Elogiado pelo cineasta Quentin Tarantino, que considerou a versão cinematográfica o melhor filme que tinha visto nas últimas décadas, o livro glorificou o escritor Koushun Takami, que não esconde sua admiração por mestres do suspense como Stephen King e Robert Parker, como conta na seguinte entrevista exclusiva ao Estado, realizada por e-mail e em japonês, com a tradução de Jefferson José Teixeira, também responsável pela versão em português do livro.

De que forma as obras de Stephen King e Robert Parker influenciaram seu trabalho?

Se há algo que aprendi com as obras de King, provavelmente seria escrever minuciosamente. Talvez seja uma forma cinematográfica de escrita. Se alguém puxa o gatilho de uma pistola e uma bala é disparada, é importante para o desenrolar da narrativa saber se o projétil atingirá ou não uma outra pessoa. Porém, caso isso não ocorra, escreve-se sobre como uma parede atingida por essa bala que errou o alvo voou para todo lado ou algo semelhante. Logicamente, King é dotado de uma capacidade muito maior de construir um universo ficcional em diversos planos e acredito que escrever em minúcias é a única coisa que pude copiar relativamente bem do estilo dele.

E Parker?

A Spenser Series, de Robert Parker, é particularmente interessante porque os diálogos entre Spenser e a namorada Susan giram com frequência em torno de questões sociais, progredindo até chegar a discussões calorosas envolvendo a condição humana. Aqui, também temos elementos desnecessários à narrativa, mas que me fizeram atentar para o fato de que, em obras de entretenimento, é permitido fazer algo parecido.

Seu estilo de escrita, especialmente nos monólogos interiores, é muito particular. Como é o processo de trabalho da criação dessa escrita?

Para ser sincero, não acho que a forma como escrevo meus monólogos seja tão especial. Em obras de vários escritores que li (caso de japoneses como Hideyuki Kikuchi, Saeko Himuro), essa é uma forma de escrever relativamente comum. Não estaria eu apenas sendo influenciado por eles? Porém, eu próprio sinto que escrevo muito na terceira pessoa com um jeito de primeira pessoa. Até hoje, não consigo escrever bem se não for em uma terceira pessoa desse tipo.

A violência, embora sangrenta, está presente em alguns dos momentos mais belos do livro. Qual é a função da violência em seu trabalho?

Talvez não seja uma resposta completa a esta pergunta, mas sinto que violência e destruição são coisas “fáceis”. Leva-se tempo para construir algo, mas destruir é fácil. Bem ou mal vivemos em um mundo onde se amplia esse tipo de “facilidade”.

O senhor acredita que a estabilidade emocional é necessária para escrever? Ou o senhor consegue começar a trabalhar independente de seu estado de espírito? Aliás, seu estado de espírito reflete em sua escrita?

De uma forma geral, é óbvio que se necessita até certo ponto de estabilidade emocional, sem a qual se torna impossível criar algo bom (é impressionante como Dostoievski e outros autores tenham podido escrever enquanto eram perseguidos pelos cobradores de dívidas). No meu caso, independentemente do estado emocional, sou capaz de produzir, por exemplo, um artigo de jornal, mas, para escrever um livro, necessito de determinada concentração mental. Aí me perguntam se isso significa que o fato de eu não escrever há muito tempo um livro decente seria devido à minha condição emocional? A resposta a essa pergunta é: sem Comentários. Porém, não pretendo de forma alguma deixar de escrever livros. Mas, acontece que, quando se está sentimental, seu texto se torna sentimental e procuro corrigir isso a todo custo. E tem um outro lado - falando sinceramente, há casos em que o autor se deixa levar por um tipo de revolta e, de uma tacada, escreve um volume de texto considerável. Ou seja, é justamente o oposto da estabilidade emocional. Comigo, isso acontece. Lembro-me que partes de Battle Royale foram escritas dessa forma. Há um livrinho de Stephane Hessel, intitulado Indignez-Vous!, ou seja, eu também sou de certa forma um ser político. Porém, o fato de não escrever um livro há tempos significa que perdi essa capacidade de me revoltar contra algo? A isso também eu respondo com um “sem comentários”. Mas não tenho nenhuma intenção de deixar de escrever.

O senhor percorre uma linha tênue entre comédia e tragédia. Como é possível manter esse equilíbrio?

Em primeiro lugar, um dos fundamentos de Battle Royale é o medo. Conforme alguém disse certa vez, “é tênue a diferença entre o medo e o riso”. Procurei empregar isso de forma positiva na obra. Outro motivo é que eu próprio sou uma pessoa cômica. Posso dizer que me empenho ao máximo em provocar risos nas pessoas. Por isso, não tem jeito: seja lá o que eu escreva, acaba surgindo um elemento humorístico. Além disso, o simples fato de estarmos vivendo, não é a grosso modo uma linha divisória entre o dramático e o cômico?

Quão importante é a perspectiva do narrador? Existe uma conexão entre a perspectiva e a verdade?

Como disse há pouco, ao escrever um romance, só consigo lidar bem com uma “terceira pessoa com jeito de primeira pessoa” (se não for assim, torna-se completamente primeira pessoa). Além disso, em vez de escrever sobre uma pessoa incompleta, prefiro escrever sobre uma pessoa “praticamente completa” (jamais alguém mal formado, mas completo em um sentido positivo). Basicamente prefiro escrever sobre esse tipo de pessoa. Isso acontece também com Robert Parker. Tento seguir do meu jeito a tradição dos romances detetivescos, desde Raymond Chandler. Na estrutura de Battle Royale, aparece o ponto de vista de muitos personagens. Porém, mesmo assim, alguns dos principais, a começar pelo protagonista, já possuem um firme código de conduta (foi minha intenção escrever dessa forma, mesmo que, em grande parte, não parecesse próprio a alunos da escola ginasial) e os diálogos deles constituem o núcleo da obra. Todos os principais personagens praticamente “possuem visão de mundo semelhante”. É exatamente o caso dos principais personagens que aparecem na Spenser Series. Nomes e condutas, mesmo diferentes entre si, compartilham, no final das contas, dos mesmos princípios.

quinta-feira, março 20, 2014

Artur Neto comemora o sucesso da articulação para aprovar PEC da Zona Franca


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Zona Franca de Manaus (ZFM) por mais 50 anos foi aprovada com o placar de 364 votos favoráveis contra apenas três desfavoráveis e três abstenções em primeiro turno, nesta quarta-feira (19), na Câmara dos Deputados, em Brasília.

De acordo com o prefeito Artur Neto, este é apenas o primeiro passo para que o modelo econômico seja prorrogado, pois a proposta ainda precisa ser votada em segundo turno e encaminhada para análise no Senado, também em duas etapas.

Na orientação das bancadas nesta primeira votação, todos os partidos foram favoráveis à PEC.

“O estágio inicial era importante. Agora a PEC ganha mais força, até porque os empecilhos que impediam a votação foram dirimidos no início da semana, depois que fizemos longa peregrinação às lideranças dos partidos na Câmara dos Deputados. Vamos continuar batalhando, em conjunto, para que a Zona Franca, enfim, seja prorrogada”, disse o prefeito.

Artur Neto explicou que as articulações envolveram a prorrogação dos incentivos à Lei de Informática, que concede incentivos fiscais às empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento na área de hardware e automação.

Este pleito partiu dos próprios líderes das bancadas, que pensam em prorrogar os incentivos, marcados para terminar em 2019.

“Com a PEC da Zona Franca aprovada em primeiro turno, agora vamos trabalhar para dar apoio à Lei de Informática. Esse era um ponto que me preocupava, pois o governo Federal poderia recuar nessa proposta, o que causaria danos ao que estamos pleiteando. Na terça à noite, recebemos uma mensagem assinalando que existia o interesse por parte da presidência para aprovar os incentivos da Lei de Informática, que deve ser analisada quase que ao mesmo tempo do segundo turno da nossa PEC. Fico mais tranquilo com este posicionamento”, explicou o prefeito.

Para o governador Omar Aziz, prorrogar a ZFM é uma questão de Justiça com o Estado que preserva 98% da floresta amazônica em seu território.

“Sem a Zona Franca, o Estado terá que achar outro meio de sobreviver e o mais fácil seria extrair as riquezas naturais do Amazonas. Se querem que preservemos, que nos deem condições para isso”, avaliou Omar.

O relator da PEC, deputado federal Átila Lins, disse que a aprovação de todos os partidos mostra que os parlamentares reconhecem que a Zona Franca é importante para todo o País.

“Quero louvar o trabalho do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus neste processo”, afirmou.

O debate que antecedeu a votação da Zona Franca foi acalorado.

Além da prorrogação da Lei de Informática, deputados do Norte questionaram se é possível discutir o tempo de duração das Áreas de Livre Comércio, que prevê incentivos semelhantes para localidades de fronteira no Amapá, Rondônia, Roraima, Acre e também no Amazonas.

“Mantenho o compromisso de antes de aprovar a PEC da Zona Franca, em segundo turno, discutirmos a Lei de Informática e as ALCs. Este é o acordo”, disse o presidente da Casa, Henrique Alves.

Logo em seguida, os líderes dos partidos também assumiram o que foi discutido.

“Durante toda a terça-feira conversamos com os representantes do Amazonas para que chegássemos a uma conclusão. Nós apoiamos a causa”, disse o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy.

As discussões e votação do primeiro turno da PEC duraram aproximadamente duas horas.

Famosas clicadas pagando capô de fusca


O site usuario compulsivo kibou uma listinha superfina (ou não) de celebridades ostentando seus belos (ou não) capôs de fusca.

E como o gerente do mocó adora a fruta (e, principalmente, o caroço...), resolvemos repostar pra vocês curtirem...


Sharon Stone arrasando no macacão de ginástica e Rosie O'Donnell nos presenteando com essa visão Dantesca.


Rihanna e seu capô S&M e Paris Hilton com micro calcinha enfiada na alma. Phina!


Mischa Barton até que tá discreta e Maria Sharapova só no capô atlético.


Madonna e Lady Gaga mostrando as beiçolas no palco. Poderosas!


Kim Kardashian fazendo a linha básica e Kendra Wilkinson mostrando a pamonha discostas.


Katy Perry e Heidi Klum mostrando todo o poder da lycra.


Frenchie do reality show Rock of Love e Fergie provando do perigo do legging de pirigueti.


Coco, a mulher do Ice-T, que é trasheira TOTAL e rainha do capô.


Christina Milian fazendo uma fusão Nascar + capô de Fusca e Britney Spears num capozão clássico.


Beyonce não escapou da maldição da lycra, nem Audrina Patridge.


Alicia Keys arriscou a calça apertada e deu no que deu. Victoria Beckham deu um banho de ouro no seu capô. Chic.

Conheça os gorós que ajudam a facilitar as coisas na hora da transa


Você sabia que o álcool é considerado um afrodisíaco, desde que consumido moderadamente?

Sim, as bebidas alcoólicas ajudam a diminuir a timidez e também facilitam o aumento no fluxo de sangue para os vasos periféricos, principalmente no pênis.

Então, já sabe, quer um estímulo para deixar o sexo mais solto? Veja as principais bebidas que podem ‘ajudar’ na hora H:

Champagne


A bebida é uma das mais sofisticadas e delicadas do mundo, mesmo com o teor alcoólico de aproximadamente 12%. O principal atributo da bebida é o simbolismo, pois ao oferecê-la você demonstra o quanto a pessoa é especial. Isso ajuda na hora de esquentar o clima e conseguir uma transa.

Vinho


O vinho é, sem dúvidas, uma das bebidas mais românticas do mundo e é ótimo para criar o clima de safadeza. Tanto o tinto como também o branco são recomendados para elevar o prazer sexual. A sugestão é servir gelado, pois a temperatura da bebida estimula as sensações térmicas no corpo, os famosos arrepios.

Tequila


Campeã entre as que ‘abrem pernas’, a Tequila é a bebida preferida das mulheres nos quatro cantos do planeta. Recentemente, em uma pesquisa realizada pela Playboy Americana, 90% das entrevistadas afirmaram que dormiriam com alguém depois de beber o drink mexicano.

Catuaba


A bebida é um afrodisíaco natural que estimula o desejo sexual e aumenta a libido tanto no homem como na mulher. Além de aumentar o fluxo sanguíneo dos órgãos genitais ela também pode fortificar e prolongar uma ereção, aumentar a excitação e proporcionar orgasmos mais fortes. Não tem mais o que dizer, ela é porreta!

Vodca


Bastante consumida no leste europeu, a bebida tornou-se popular no mundo a partir dos anos 1970. Atualmente ela é consumida em misturas com outras bebidas, sucos de frutas e energéticos. O fato é que a vodca não tem cheiro e o seu alto teor alcoólico faz as pessoas ficarem mais acessíveis.

Capeta


Feito a partir da mistura de vodca, pó de guaraná, canela em pó, açúcar, leite condensado e gelo, o drink é conhecido como levanta defunto na região norte/nordeste do país. Não precisa explicar o porquê, olha a cor disso.

Johnnie Walker Red Label


A família Walker usou seu conhecimento dos maltes da Escócia para criar um blend de atração universal. O resultado? Johnnie Walker Red Label, o whisky escocês mais vendido do mundo devido à personalidade de seu sabor ousado e equilibrado, característica que se sobressai mesmo quando misturado. Qualquer mulher normal, a partir da segunda dose, já pensa em sair correndo pra cama. Aí, é só correr atrás...

Afrodisíacos: o que comer antes de comer!


Quem procura sempre acha. Esse é o lema de quem vive em busca de melhorias no seu próprio desempenho sexual.

Afrodisíacos são aditivos impressionantes que fazem do seu calorzinho, uma quentura dos diabos.

Anote essas receitas especiais e prepare-se para o pior.

Se não, você pode acabar se incluindo naquele grupo que sempre usa a mesma desculpa: “Isso nunca aconteceu comigo ontem”.

Entre os afrodisíacos dignos de menção, destacam-se orquídeas (orchis quer dizer testículos em grego), mirtilos (blue berry), miolos de perdiz (reduzidos a pó e tomados com vinho tinto); e trufas, ostras, lagostas e caranguejo.

Nas ruas da Roma antiga, vendiam-se poções nada apetitosas como estimulantes sexuais, elaboradas com ossos de rã, sanguessugas, tutano seco e pedaços de unhas.

E o outro lado da meia noite? No século XVII, para algumas ordens religiosas era proibido o consumo de chocolates por temor de seus efeitos estimulantes.

Pela antiga legislação de Veneza (cap. XVI: Dei maleficii et herbarie), a administração de filtros amorosos era um delito grave.

Lady Grey foi acusada no parlamento inglês de utilizar afrodisíacos para enfeitiçar Eduardo VI.

Através dos séculos, há muitas substancias que “podem ser eficazes na moderação ou, antes, na eliminação do impulso sexual excessivamente violento”.

O alface, os pepinos, as endívias, os limões, a azedinha, a cânfora e o leite eram considerados antiafrodisíacos por suas propriedades refrescantes.

Já Platão e Aristóteles recomendavam que se andasse descalço para reprimir o desejo carnal.

Segundo o padre e médico francês do Renascentismo, François Rabelais, a “concupiscência carnal poderia vir a ser esfriada e mitigada de cinco maneiras diferentes: 1) por meio do vinho 2 ) por certos medicamentos 3) pelo trabalho e esforço contínuo 4) pelo estudo intenso 5) pela reiteração demasiado frequente do ato carnal…”

CHICLETE AFRODISÍACO

As mulheres da pequena cidade egípcia de Mansura, às margens do Nilo, começaram a se mostrar taradas. A mudança de comportamento deveu-se ao consumo de uma goma de mascar de poderes afrodisíacos contrabandeada de Israel. A prática mostrou que principalmente os universitários adoraram a novidade. São vários os depoimentos detalhados de moças, antes recatadas, que descobriram os profundos e verdadeiros prazeres do sexo a partir de mascar a citada goma.

BAFO DE ONÇA

Segundo gregos e os romanos, o alho pode ser um excelente revigorante sexual. Os orientais dizem que só ficam prontos para a segunda, depois de mascar um dente de alho inteirinho.

BZZZZZZZZZZZ

Imagine que um inseto semelhante a um besouro, de cor verde-dourada e com reflexos avermelhados, muito encontrado na Espanha e na França, chamado Cantárida, depois de seco e triturado serve como preparo básico para um poderoso afrodisíaco.

CALDO DE PIRANHA

Os guias de turismo do Pantanal já não mostram apenas a deslumbrante beleza da fauna e da flora da região. O poder afrodisíaco de caldo de piranha passou a ser dos pontos que mais tem chamado a atenção dos visitantes que percorrem os rios Cuiabá, São Lourenço e Piraputangas. O aprendizado começa pela manhã com a pescaria do peixinho voraz e termina à noite, quando se ensina a fazer o caldo. Fazem parte da receita: três ou quatro piranhas grandes, cheiro verde, tomate e pimenta a gosto. O preparo começa com a fervura dos peixes até quase desmanchá-lo. Depois a água é escorrida e reservada. Com as espinhas cuidadosamente retiradas, o peixe volta à fervura na mesma água juntamente como os demais ingredientes picados e tempero a gosto.

CERVEJA BATIZADA

A Love Beer, cerveja criada por Alex Sommer, promete uma vida sexual muito mais quente depois de ingerida. A cerveja faz o maior sucesso na Europa. O segredo são 23 ervas afrodisíacas incluídas na sua receita. A dosagem ideal é de uma latinha por dia para aumentar significantemente o tesão.

GALINHA CALVA

Os chineses adoravam os afrodisíacos. O mais popular deles chamava-se “Droga da Galinha Calva”, que tomada durante dois meses permitia ao homem satisfazer 40 mulheres... por dia.

AFRODISÍACO NATURAL

O lóbulo da orelha, os seios, o pescoço, bem como tudo situado a 15 centímetros do aparelho sexual, podem ser dicas excelentes do ponto de vista sexual.

LENTILHAS, FEIJÃO E ERVILHAS

Cozidas com cebolas, pulverizadas com canela, gengibre e cardamo, criam para o consumidor paixão amorosa e força extra para o coito.

FACA DE DOIS GUMES
Rituais orientais atestam que a relação sexual no estágio do jejum podem ser muito apropriadas no início, mas quando prolongadas acalmam os desejos sexuais.

ENERGÉTICO

Especialistas afirmam que aspargos ajudam a manter um alto nível de energia sexual.

TOMAR CHOCOLATE
Segundo costumes dos astecas, tomar chocolate líquido pode fazer muito bem à sua dieta sexual. O imperador Montezuma II tomava 50 copos por dia. Mas somente nos dias antes de uma trepadinha.

SALDO BANCÁRIO

Trufas, champanhe e chifre de rinoceronte fazem o maior sucesso entre os bacanas mais abastados de todo o mundo. Pelo o que se sabe, um bom saldo bancário para alimentar a fantasia sexual já é meio caminho andado para se obter um tesão a mais na hora do vamos ver.

ATÉ O HAXIXE

Conhecido pelos árabes como intensificador do prazer, sua resina é extraída da planta haxixe, que prolifera na Ásia. Ela é considerada afrodisíaca pelo seu poder relaxante e sedativo. Excita a sensualidade e a sexualidade.

SEX-SHOPPING

Os chineses usavam um anel peniano fixado à base do órgão para garantir a ereção permanente. Eram anéis de marfim trabalhados em baixo relevo para excitar também a mulher.

Nova Globeleza, Nayara Justino está deprê!


Nayara Justino voltou para Volta Redonda, sua cidade natal, no Rio de Janeiro, depois de passar praticamente despercebida no carnaval.

A nova Globeleza está reclusa e deprimida. Ela ficou triste com a pouca repercussão que teve durante a folia.

Na Avenida, durante os desfiles das escolas, ela mal foi vista.

Eleita num concurso popular no “Fantástico”, Nayara já sabe que, dificilmente, continuará no posto no ano que vem.


Nayara foi eleita para substituir Aline Prado, capa da “Playboy” de fevereiro, que se manteve no posto durante oito anos.

Ocorre que ela não tem os melões da Aline Prado.

Nem o bundão.

Nem o capozão de fusca.

Nem a cara de putinha safada.

Além disso, público masculino que entende de beleza tem Valéria Valenssa como a inesquecível Globeleza.


Ela não está mais na tela da TV, mas mesmo afastada da mídia, Valéria Valenssa, a primeira e eterna Globeleza, continua fazendo sucesso pela beleza.

A mulata, atualmente evangélica, publicou em seu perfil numa rede social uma foto em que aparece exibindo o corpão de biquíni na piscina, aos 42 anos.

Valéria deixou o posto de musa do carnaval da Globo em 2004, após 14 anos.

Casada com o designer Hans Donner e mãe de dois filhos, ela dedica parte do seu tempo a pregar em cultos religiosos pelo país.

Mas continua um mulherão.

Palavra de quem é do ramo.

quarta-feira, março 19, 2014

Lideranças prometem votar PEC da ZFM nesta quarta-feira


A votação da PEC que prorroga a Zona Franca de Manaus (ZFM) por mais 50 anos deve acontecer nesta quarta-feira, 18. Foi o que garantiram ao prefeito Arthur Virgílio Neto e ao governador Omar Aziz os líderes dos partidos e o ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, depois de intensas articulações na Câmara dos Deputados, em Brasília.

De acordo com o prefeito, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, disse que na sessão desta quarta-feira vai priorizar a votação do primeiro turno da proposta que mantém o modelo econômico de Manaus. Para o prefeito, esta articulação, feita nesta terça por deputados e poder executivo, foi fundamental na colocação da matéria na pauta.

“Pelo que vejo, a maioria é a favor da Zona Franca de Manaus, desde que também sejamos a favor da Lei de Informática. Nós não nos opomos ao que eles querem. Estamos entrando na zona vermelha para o nosso polo e agora precisamos contar com todas as forças, senão começaremos a contabilizar prejuízo”, assinalou o prefeito.

Durante toda a terça-feira, a comitiva do Amazonas visitou os gabinetes de grandes partidos nacionais, como o DEM, PSDB, PR, PR, PSD e PR. Os líderes garantiram que estão a favor da ZFM, mas pedem que a Lei de Informática também seja avaliada e contemplada positivamente pelo Governo Federal.

“A proposta é para que o primeiro turno da PEC da Zona Franca seja votado na Câmara e que apoiemos para que a Lei de Informática também seja aprovada. Acreditamos que este é o melhor caminho e que nos leva à vitória. Quem sabe o segundo turno da PEC e a Lei de Informática possam até ser votados juntos”, avaliou o governador Omar Aziz.

No encontro com Aloízio Mercadante, a comitiva deixou clara a preocupação com a Lei de Informática. O prefeito afirmou que o modelo amazonense depende de mais este esforço do Governo Federal. Ele garantiu que analisará a pauta junto à presidente Dilma Rousseff.

“A votação da PEC da Zona Franca acontecerá, mas só deve entrar no segundo turno se o governo fizer um esforço para estudar a prorrogação da Lei de Informática. O ministro se comprometeu em discutir o assunto”, explicou Arthur.

A votação do primeiro turno da PEC deve acontecer nesta quarta-feira, antes da discussão de proposta do Marco Civil da Internet no Brasil.

O prefeito fez questão de destacar a união da bancada federal do Amazonas com o Executivo amazonense. “Os deputados federais foram essenciais nos levando aos seus líderes na Câmara. Este tipo de articulação é fundamental no processo. Sem eles as conversas com os partidos seriam muito mais difíceis”, assinalou Arthur Neto.

Participaram das visitas aos líderes dos partidos, além do prefeito Arthur Virgílio Neto e do governador Omar Aziz, os deputados federais Rebecca Garcia, Pauderney Avelino, Carlos Souza, Átila Lins, Silas Câmara, Henrique Oliveira e Francisco Praciano.

Boitempo lança coletânea para redescobrir o Brasil


“Clássicos, rebeldes e renegados” é o subtítulo de “Intérpretes do Brasil”, livro que os professores de História da USP Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco organizaram para traçar um amplo panorama do pensamento crítico político-social brasileiro dos séculos XX e XXI e que está sendo lançado agora em março pela editora Boitempo.

São ao todo 27 estudos e ensaios escritos por reconhecidos especialistas acadêmicos que se debruçaram sobre a vida e a obra de alguns dos principais intérpretes da história e da cultura no Brasil.

“Acreditamos que este livro é um aporte importante sobre vários intelectuais emblemáticos e suas teorias. Para isso, pudemos contar com a generosa colaboração de diversos estudiosos que se dispuseram a escrever sobre esses pensadores do Brasil”, enfatizam os organizadores.

Para o historiador Herbert S. Klein, professor emérito das universidades de Columbia e Stanford, o volume a ser publicado pela Boitempo constitui um manual básico para os estudos de história intelectual e da história moderna do Brasil.

“A coleção de ensaios Intérpretes do Brasil representa um guia fundamental para o entendimento dos mais influentes pensadores brasileiros do século XX”, afirma.

Os autores escolhidos compõem um amplo e rico panorama dos pensamentos social e historiográfico nacional da década de 1920 até o começo dos anos 1990, alguns dos quais muito pouco discutidos em outras obras do gênero.

A seleção traz alguns pensadores já clássicos, mas em abordagens inovadoras, como Antonio Candido, Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, entre outros representantes da intelligentsia nacional.

O mérito maior da obra, no entanto, é que os organizadores também trazem para o centro do debate figuras que estavam de certo modo à sombra, a despeito de seu importante papel histórico.

Entre os renegados, normalmente esquecidos como pensadores do Brasil, ora por não se enquadrarem nos cânones, ora por serem contrários à abordagem majoritária, estão homens pioneiros como Octávio Brandão, Heitor Ferreira Lima, Astrojildo Pereira, Leôncio Basbaum, Rui Facó, Luís da Câmara Cascudo e Everardo Dias.

Também são contemplados autores mais “novos” e menos compendiados, como os heterodoxos e brilhantes Maurício Tragtenberg, Jacob Gorender, Ruy Mauro Marini, Milton Santos, o laborioso Edgard Carone e ainda personalidades da importância histórica de Paulo Freire e Ignácio Rangel.

Como lembra o historiador Carlos Guilherme Mota, na orelha do livro, cada geração analisa e “redescobre” o Brasil, interpretando o processo de nossa formação dentro das condições e debates de sua época, porém poucos vão além, como fizeram os organizadores Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco.

“Verifica-se nesta obra uma significativa abertura de foco dos estudos sobre o pensamento brasileiro, não apenas em termos geracionais como também na variedade de visões teóricas e abordagens pronunciadamente ideológicas”, afirma Mota. “Este livro, portanto, vem ampliar de modo crítico e significativo os horizontes e o debate histórico-historiográfico nesta quadra difícil de nossa história, tão marcada por ambiguidades, desacertos e, já agora, também por profundas revisões para uma retomada rumo a um futuro melhor.”