Para entender melhor o surgimento do Caprichoso no contexto
do folclore de Parintins também é importante ler o livro “A Verdadeira História
do Festival de Parintins”, de Raimundinho Dutra, versador tradicional do bumbá
e oriundo de uma família tradicional do boi azul.
Em um de seus relatos, Raimundinho Dutra diz ter escutado de
seus próprios pais que foi seu avô, o maranhense Marçal Mendes de Assunção, que
trouxe as primeiras danças para Parintins, fato ocorrido em 1888.
O local de realização dos ensaios do Caprichoso, conhecido
popularmente como curral, é chamado de Zeca Xibelão em homenagem ao primeiro
tuxaua do boi-bumbá. Ele está localizado na parte considerada como azul da
cidade.
O Bumbódromo situa-se na área central da cidade, traçando,
juntamente com a catedral de Nossa Senhora do Carmo e o cemitério local, uma
linha imaginária, que divide Parintins em uma metade leste e outra metade
oeste. O lado leste pertence ao Caprichoso, o lado oeste, ao Garantido. Simples
assim.
Como já foi visto, há muita controvérsia sobre a história do
Caprichoso, uma vez que os bois de Parintins não eram associações legalmente
registradas e nem possuíam ampla cobertura da imprensa até a criação do
Festival.
Tudo o que se sabe atualmente foi levantado por
pesquisadores a partir de entrevistas com membros das duas entidades, além de
consultas a outros registros da tradição oral parintinense.
Some-se a isso o fato de que a extrema rivalidade entre os
bumbás faz com que ambas as entidades busquem se afirmar como a mais antiga, o
que leva seus torcedores e integrantes a defenderem teses que sugerem datas de
fundação bastante remotas.
A diretoria do Caprichoso afirma, baseada em algumas versões da tradição oral, que o boi foi fundado por João Roque, Félix e Raimundo Cid, em 20 de outubro de 1913. Os três fundadores seriam irmãos, nascidos em Crato, que se mudaram para Parintins devido ao Ciclo da Borracha.
Ainda segundo esta versão, o boi recebeu esse nome devido à
sugestão de um advogado, de nome José Furtado Belém, que conhecida um outro
boi, de nome Caprichoso, que existia no bairro da Praça 14 de Janeiro, em
Manaus.
Defensores desta tese alegam ainda que “Touro Galante” seria
o apelido do Caprichoso à época. Ocorre que a própria diretoria do boi
Caprichoso já entrou em contradição.
Em 2001, o então deputado estadual Zezinho Faria propôs na
Assembleia Legislativa que fosse dado aos dois bois parintinenses a maior
comenda de mérito cultural do Amazonas, a comenda Ruy Araújo.
O projeto foi aprovado e a cerimônia ocorreu em 7 de junho
de 2001, no auditório Dom Arcângelo Cerqua, localizado em Parintins.
O Garantido foi representado por seu ex-Amo, João Batista
Monteverde, filho de seu fundador.
Indicado como fundador do boi Caprichoso à ALE-AM, Luiz
Gonzaga foi representado por sua viúva, a senhora Izolina Gonzaga.
A senhora Gonzaga recebeu a medalha em nome de seu
ex-marido, indicando a verdadeira “paternidade” do touro negro, das cores azul
e branca.
Em 2013, ano do suposto centenário dos dois bois, ocorreram algumas manifestações em Parintins, organizadas pelos descendentes vivos de Luiz Gonzaga, em que estes reivindicavam o reconhecimento de sua família como cerne da verdadeira identidade do fundador do boi Caprichoso.
Segundo a referida família, a diretoria do boi Caprichoso
não prezava pela verdadeira história do boi azul, principalmente por querer
“ocultar” os detalhes comprovados oralmente por inúmeras testemunhas sobre o
surgimento da agremiação folclórica.
Maria Inácia Gonzaga, filha do suposto fundador, afirmou que
o Caprichoso é parintinense, evidenciando ainda que Roque Cid (atualmente
apontado como o fundador da agremiação pela diretoria) era o fundador do boi
Galante.
“Querem colocar uma pessoa de fora para ser fundador do boi
em vez de valorizar quem é da terra, isso é falta de respeito. Meu pai é
parintinense, o Caprichoso nasceu em 1925, na rua Rio Branco, onde ainda moram
filhos e netos de Luiz Gonzaga”, diz ela. A história é apoiada por Maria do
Carmo Monteverde, filha de Lindolfo Monteverde, o fundador do Garantido.
O cantor e compositor Chico da Silva, conhecido por suas célebres toadas para os dois bois, afirmou, em 2018, durante o programa #Toadas, do site BNC, que o boi Caprichoso foi fundado em 1925, e o contrário em 1924.
“O Garantido é de 1924 e o Caprichoso de 1925, esse é meu depoimento e vamos parar com essas outras historinhas sem fundamento”, detonou.
Os presidentes do bumbá Caprichoso, dos anos 80 em diante,
foram os seguintes: Rubem Santos (1985-1988), João Andrade (1989-1992), Ray
Viana (1993-1996), Joilto Azêdo (1997-2000), Dodózinho Carvalho (2001-2002),
César Oliveira (2003-2005), Carmona Oliveira Filho (2006-2010), Márcia Baranda
(2011-2013), Joilto Azêdo (2013-2016), Babá Tupinambá (2016-2019), Jender
Lobato (2019-2023) e Rossy Amoedo (desde 2023).
Os Levantadores de Toada foram os seguintes: Franco Costa
(1983-1988), Arlindo Júnior (1989-1999), Renato Freitas (2000-2001), Robson
Junior (2002-2004), Arlindo Júnior (2005-2006), Edilson Santana (2007-2009),
David Assayag (2010-2020) e Patrick Araújo (desde 2021).
Os Apresentadores foram os seguintes: Mário Gordo e Franco
Costa (1983-1986), Marcos Santos (1987-1989), Gil Gonçalves (1990-1997),
Arlindo Júnior (1998-2004), Júnior Paulain (2005-2013), Arlindo Júnior (2014),
Júnior Paulain (2015), Fabiano Neves (2016) e Edmundo Oran (desde 2017).
Os Amos do Boi foram os seguintes: Rey Azevedo (1984-1998),
Benedito Siqueira (1999-1999), Rey Azevêdo (2000-2003), Renato Freitas (2004),
Edilson Santana (2005-2006), Prince do Boi (2007-2009), Edilson Santana
(2010-2013), Junior Paulain (2014), Edmundo Oran (2015-2016), Prince do Boi
(2017-2024) e Caetano Medeiros (desde 2025).
Entre os principais compositores do Caprichoso estão José
Carlos Portilho, Ronaldo Barbosa, Carlos Paulain, Chico da Silva, Raimundinho
Dutra, Sílvio Camaleão, Mailzon Mendes, Carlos Batata, Simão Assayag, Alceo
Anselmo, Paulinho Du Sagrado, Robson Júnior, Tadeu Garcia, Alex Pontes, Zezinho
Cardoso, Hugo Levy, Geovane Bastos, Ademar Azevedo, Adriano Aguiar, Klinger
Araújo, Ronaldo Barbosa Jr., Maurício Filho, Davi Jerônimo e Cézar Moraes.
O histórico compositor e poeta Raimundo Nonato de Jesus Dutra, conhecido como Raimundinho Dutra, faleceu na noite de domingo, 4 de maio de 2025, em Manaus, aos 94 anos.
A diretoria do bumbá Caprichoso postou nas redes
sociais a seguinte Nota de Pesar:
É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento
de Raimundinho Dutra, um dos grandes nomes da história e da poesia do Boi
Caprichoso e do Festival de Parintins.
Poeta talentoso, Raimundinho marcou gerações com sua
sensibilidade e genialidade. Suas toadas, como “Aquarela do Touro Negro”, “Meu
Cântico de Guerra”, “Mocidade” e “Solo Amado”, embalaram as noites de Boi de
Rua e despertaram o sentimento mais genuíno de amor pelo boi da estrela na
testa.
Foi ao som de suas composições que o Boi Caprichoso ganhou
vida nas ruas de Parintins, nos primórdios desta manifestação popular que hoje
encanta o mundo.
Sua contribuição para a preservação e valorização da nossa
cultura é imensurável, e seu legado permanecerá vivo na memória de todos os
azulados.
Em nome do presidente Rossy Amoedo e do vice-presidente
Diego Mascarenhas, o Boi Caprichoso decreta luto oficial de três dias e se
solidariza com os familiares, amigos e com toda a nação azul e branca neste
momento de dor e despedida.
Obrigado por tudo, Raimundinho. Sua poesia viverá para
sempre.





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