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segunda-feira, janeiro 12, 2015

‘O pior do politicamente correto é que ele se traveste de opinião pública’


Comemorando o bom ano de seu The Noite, o humorista Danilo Gentili fala sobre patrulha online e suas apostas para 2015: filme, livro e até um jogo de tabuleiro sobre stand up.

Paulo Giandalia

Com agenda cheia este ano e a missão de se manter na briga pela audiência – seu talk-show The Noite, no SBT, tem batido os 5 pontos e incomodado o Programa do Jô desde a estreia, em março do ano passado –, Danilo Gentili só sente falta de tempo. Tempo para escrever mais stand up. Nem ao Comedians, clube de humor do qual é sócio em SP, tem conseguido ir (“e o pessoal vem me cobrando, mas prefiro não aparecer a fazer um espetáculo ruim”).

Desde que o sucesso bateu à sua porta, quando integrou a primeira equipe do programa CQC, na TV Bandeirantes, ele não sai do noticiário. Nem sempre da forma como gostaria. “Acho que a frase do Tom Jobim é perfeita: ‘sucesso, no Brasil, é ofensa pessoal’”. Ele se refere aos patrulheiros do politicamente correto, que, jura, aprendeu a combater tanto na telinha quanto nas redes sociais. “Eles não representam a opinião pública, como, muitas vezes, tem-se a impressão”, afirma.

Aos 35 anos, o humorista, que iniciou a carreira se apresentando em bares e teatros de sua Santo André natal, quer continuar polêmico e aposta na conversa franca em seu programa de TV: “É isso que as pessoas querem, diversão e sinceridade”. Sinceridade que ganhará, este ano, um filme, um livro e um jogo de tabuleiro (“é um party game baseado em stand up, se chamará O Rei da Comédia”).

Após gravar o especial de Natal do The Noite (ele se considera um “cristão monoteísta freelancer”), Danilo recebeu a coluna em seu camarim. A seguir, os melhores momentos do bate-papo.

Você está pensando em alguma mudança no The Noite para 2015?

Acho que o grande desafio de um talk-show desse gênero, que é diário, com uma plataforma amigável, com sofá e skyline atrás, não é ele se inovar fisicamente, mas conseguir se manter fresco e interessante através dos anos. Mudar muito seria uma traição ao público, creio. Ele está acostumado, e eu também adoro esse cenário. Haverá uma reforminha ou outra, mas não vou inventar a roda. Teremos, claro, quadros novos, alguns que já estavam planejados, mas acabaram não sendo aproveitados. O mais importante é que vamos investir em bons entrevistados.

Como legítimo representante da comédia stand up, você teve de se policiar quando passou a trabalhar na TV aberta?

Não, até porque não tinha nada a perder, né? Era uma opção que eu poderia ter seguido, mas não aconteceu. Em Santo André, onde eu comecei, ganhava a vida me apresentando em bares e teatros – que é o que eu realmente gosto de fazer. Ou seja, quando fui para a TV, mais precisamente para o CQC, pensava que o máximo que poderia acontecer era dar errado.

Não pensava em criar uma fórmula para um novo ambiente?

Sinceramente, não. Tentava apenas falar. E crescer. Tentei manter minha liberdade. Por isso, aqui no The Noite eu luto pela liberdade da equipe que se apresenta comigo.

Tem tido tempo de escrever para stand up?

Não, e isso me chateia. Faz muito tempo que não faço. Porque não aguento, mesmo. Boa parte do meu tempo é dedicada à produção do The Noite. Acaba me faltando tempo para ser criativo fora do programa, sobra só o bagaço para o stand up. Aí prefiro não fazer.

Teme que o público te cobre a mesma performance que se acostumou a ver no Comedians?

Exato, porque minha associação com o stand up é muito forte. Por isso não quero que ninguém me veja fazendo stand up ruim. Se voltar a fazer, quero que seja algo em que realmente acredito.

Apresentar um talk show é mais fácil ou mais difícil do que você imaginava?

O mais difícil foi convencer as pessoas de que podia dar certo. Levou uns quatro anos para acreditarem em mim… (risos)

Por que tanto tempo?

Acho que porque não havia concorrência. O Jô Soares ficou 20 anos sozinho no ar. Ouvi de tudo: que o Jô era mais inteligente, mais bem relacionado, mais culto, fala mais idiomas do que eu.

Tem entrevistado proibido no seu programa, por você ou pela produção?

De jeito nenhum. Eu até gosto quando vem gente de que eu não gosto! (risos) A polêmica e o conflito podem ser mais interessantes ainda para o programa. Em 2014, a gente entrevistou Luciana Genro, Aloysio Nunes, Levy Fidelix… a gama é extensa, e o sofá tem de ser eclético. Falamos com a ex-mulher do Fernando Collor (hoje Rosane Malta). Em uma mesma semana vieram aqui o padre Fábio de Melo e os vencedores do Prêmio da Indústria Pornô 2014.

Mas o fato de você ter opiniões fortes, sobretudo políticas, não atrapalha na interação com alguns entrevistados?

Por mais que eu tenha as minhas opiniões, e esteja acostumado a divulgá-las nas redes sociais, aqui eu não faço isso, para preservar o formato do The Noite. Aqui é entretenimento, tento sempre privilegiar o entretenimento.

Está difícil fazer humor por causa do politicamente correto?

Na primeira vez em que aconteceu, me senti muito mal. Porque a primeira coisa que a patrulha do politicamente correto faz é se travestir de opinião pública. Isso acontece em todas as áreas. A mais corriqueira é a propaganda. Vamos pegar um anúncio com a Gisele Bündchen, por exemplo. Pois dez patrulheiras se reúnem e passam o dia inteiro ligando para o Conar para reclamar. E o Conar “conclui” que as mulheres do Brasil estão muito ofendidas com o anúncio da Gisele Bündchen. Só que não é verdade, não tem ninguém ofendido. O problema é que a patrulha é muito organizada.

Hoje você ainda fica na defensiva ou aprendeu a lidar?

Na primeira vez, fiquei pensando: “Meu Deus, que cagada que eu fiz! E agora? Todo mundo me odeia…”. Bom, continuei fazendo meu show, e a fila para entrar dava volta no quarteirão. E não era gente querendo me bater. (risos) Percebi que todo mundo que começa a ganhar alguma projeção, como era o meu caso na época, isso faz uns cinco anos, se torna alvo do patrulhamento, acaba no jornal.

Acha que se consideram guardiãs de uma agenda política?

E tentam colocar todo mundo dentro da caixinha delas. Demora para você perceber isso, mas, depois que você percebe, não se intimida mais. Porque esses patrulheiros não representam, de maneira nenhuma, a opinião das pessoas. As pessoas são muito mais bem-humoradas do que se supõe, muito mais inteligentes.

O Tom Jobim costumava dizer que, “no Brasil, sucesso é uma ofensa pessoal”. Concorda?

Essa frase tem tudo a ver com o que a gente está falando: quando um grupelho tenta se apropriar do seu sucesso e te usar como espantalho. Se você está de acordo com a cartilha ideológica desse grupelho, se torna cool, legal, tudo que você fala passa a ser correto. Agora, se você não está de acordo, é burro, xucro, atrasado, popularesco, é tudo de ruim. Você vê isso em todo lugar. Mas o público em geral não é assim, não se ofende com o seu sucesso, muito pelo contrário, vejo muito carinho, muita torcida.

Acha que os públicos de stand up, TV e cinema são diferentes? Algum é mais sofisticado?

Não, é o mesmo público. É um pessoal que gosta de humor. Eu sei disso porque eu sou esse público. Sempre que me meti a fazer qualquer projeto, me coloquei no lugar do público. Eu gosto de humor, e ele pode estar em qualquer lugar.

Tem algo previsto para cinema em 2015?

No segundo semestre começa a gravação de Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola, baseado em um livro meu.

Fora o Roberto Bolaños, de quem você é fã declarado, quem são os seus ídolos no humor?

Nossa, adoro Chaves e Chapolim, acho o Chespirito (apelido de Bolaños, que significa pequeno Shakespeare) o máximo! Mas, quando você começa a trabalhar com humor, tende a se afastar dos comediantes que fazem a sua cabeça. A gente tem muito medo de replicar os outros, imitar trejeitos, métodos. Por isso, não tenho ídolos.

Já fez alguma piada da qual tenha se arrependido depois?

Todas as que não fizeram o público rir são a prova de que eu errei. Mas entendi o que você quis dizer… Às vezes, a gente passa do ponto. O problema é que criamos piadas o tempo todo, então, a margem de erro é muito alta. É assim mesmo para quem trabalha com humor autoral. O stand up é muito baseado em tentativa e erro. De cada 30 piadas que escrevo, umas 5 se salvam, o resto vai para o lixo. Ainda vou errar muito, pode apostar.

Essa margem de erro aumentou com as redes sociais?

O problema das redes sociais é que elas potencializam tudo, inclusive, e principalmente, os seus erros. Aí os patrulheiros fazem a festa, dá até a impressão de que você só sabe fazer aquele tipo de piada ‘errada’.

Como é o seu relacionamento com as redes sociais?

Costumo responder aos meus fãs e seguidores. Com o passar do tempo, fui aprendendo a separar o joio do trigo no mundo virtual. Todo mundo tem direito de não achar graça de uma piada, de se ofender, de dar opinião. Mas, depois de bastante tempo levando pedrada, já consigo saber se a pedra está partindo de um fã que realmente não gostou daquela piada (e quer que você volte a acertar), se veio de uma pessoa comum que não gostou ou se veio de um patrulheiro, para quem não faz diferença se a piada é boa ou ruim. Aliás, isso que eu estou dizendo será tema de um livro que vou publicar em 2015, o Guia Politicamente Incorreto do Humor Brasileiro.

Do que se trata?

Estou fazendo um apanhado de casos como esses que comentei, comparando-os e evidenciando o que acontece. Sou um cara que faz piada de tudo: de mim, da minha mãe, de padre, de pastor, de crente, da esquerda, da direita… Ou seja, sei exatamente quais são os temas tabus no Brasil. Quando entendi isso, entendi também quem são os patrulheiros. Quando descobri quem são os patrulheiros, percebi porque estão fazendo isso.

Você bloqueia gente nas redes sociais?

Se percebo que é patrulheiro, bloqueio. Porque é um cara que está me seguindo com o intuito único de usar minha piada contra mim.

Tem vontade de fazer um show stand up Politicamente Incorreto 2?

Tentei fazer e não consegui. Estava nos meus planos para a reta final das eleições à presidência. Mas tive dois problemas: primeiro, o ritmo de trabalho, uma loucura; segundo, porque, diferentemente do primeiro show, em que eu me divertia escrevendo as piadas, dessa vez fiquei mal. Não tinha vontade de rir, mas de xingar!

O que te irrita no Brasil?


O que me deixa agoniado não é governo corrupto e roubalheira, porque isso acontece nas melhores famílias. Estou no Brasil, me espantaria se não acontecesse. O que me agonia é perceber a simpatia do mainstream em relação ao que está acontecendo. As pessoas que deveriam estar evidenciando os fatos são as que estão aliviando. O espaço na grande mídia anda muito ocupado por simpatizantes da situação. Em qualquer lugar normal, se um governo é corrupto, está todo mundo batendo nele. Mas aqui tem muita gente aliviando, e isso me angustia. É um mau sinal.

Laerte: no Brasil Charlie Hebdo não existiria


Auto-retrato feito especialmente para este blog

Morris Kachani

Encerrando o ciclo virtuoso de entrevistas deste blog, decidi visitar a cartunista Laerte em sua agradável casinha no Butantã, para papearmos sobre Charlie Hebdo e os tenebrosos acontecimentos de Paris.

Como se sabe, Laerte é uma das maiores cartunistas do Brasil. Personagens suas como os Piratas do Tietê entraram para a história. Suas tiras, que pelo menos para mim são as mais inspiradas, continuam sendo publicadas diariamente na Folha de S. Paulo.

Por conta das opiniões que andou divulgando a respeito do atentado, Laerte foi ameaçada no facebook e teve que lidar com comentários do tipo, “não deviam ter matado o Glauco. Mataram o cartunista errado”.

De uns tempos pra cá Laerte se percebeu como uma pessoa transgênera e me recebeu, muito bem por sinal, acompanhada de suas duas gatas, vestindo saia e blusa, havaianas rosas e as unhas feitas pintadas de vermelho. A entrevista ocorreu em seu estúdio, entre pilhas de livros, algumas contas a pagar, um computador turbinado e a boa e velha prancheta de desenhos.

Laerte estará presente amanhã no ato em solidariedade aos colegas do Charlie Hebdo, que está sendo organizado pela secretaria de direitos humanos, sindicato dos jornalistas e entidades de cartunistas. A partir das 11 hs, em frente à Praça das Artes, no Centro.

SOBRE O BLOG – é com um certo aperto no coração mas de cabeça erguida que anuncio o fim das atividades deste blog. Queria agradecer primeiramente a Folha e o UOL, que me deram suporte e abriram espaço para que pudesse desenvolver um trabalho independente e autoral, tendo como objeto a produção de entrevistas longas, com espaço de sobra para a reflexão, com personalidades das mais diversas áreas.

Foram dezenas delas. Romário, Jean Willys, Marcelo Freixo. Fernando Meirelles, Marcelo Tas. Guilherme Boulos (MTST), Pablo Capilé, MPL. Maria Rita Kehl, Marcio Pochmann. Chacal, Gerald Thomas. Bela Gil. E outros tantos que ajudaram a manter este blog na linha de frente do noticiário com ideias inspiradoras ou polêmicas.

Também queria agradecer Tracy Segal, intrépida atriz carioca que com seu repertório e sensibilidade se tornou parceira frequente nas entrevistas e na concepção do blog.

Por fim, e principalmente, a audiência que demonstrou interesse e fôlego em ler e comentar entrevistas extensas e mais aprofundadas que chegaram a durar mais que três horas.
A todos vocês, um excelente 2015. E para quem quiser continuar acompanhando as ‘kachanices’ deste blogueiro, é ligar a televisão nos sábados à tarde. A gente se encontra no Caldeirão do Huck!! 

Um grande abraço, Kachani.


Qual a influência do humor praticado pelo CH em sua vida?

Pra mim pessoalmente fez parte das informações do final dos anos 60 que me convenceram de que era isso que eu queria fazer.

Nesse final dos anos 60 essas coisas todas, CH, anarquista e porra louca francesa, a contracultura americana, a porra louquice californiana e o Quino, mais essa combinação com o Pasquim, foi o que forjou a gente.

Muitos muçulmanos relataram um choque cultural, com a charge sobre o profeta.

Acho que no Brasil nenhuma dessas capas da Charlie Hebdo teria sido feita. A gente não faria nem Family Guy, a gente não faria nem o South Park, nem Simpsons a gente faria, porque humor tem a ver com a cultura do país. Humor é um vínculo com a população local.

O Charles Hebdo está na França, estão falando com uma população de porra loucas que se julgou durante séculos dona cultural do mundo, e até hoje se acha. Estranham quando você não fala francês. Wolinski não falava uma palavra de inglês ou espanhol.

E por que o Brasil não seria capaz de produzir as capas da Charlie Hebdo?

A formação cultural é outra, tem a ver com compromissos, arranjos de acomodação. Nunca se praticou no Brasil o debate claro. As pessoas tendem, no cotidiano, a acomodar posições, mais que debater ideias. No Brasil o debate vira briga em 2 segundos.

Não que no Brasil não se fale porra louquices ou se deixe de fazer humor agressivo. Mas temo que no Brasil esse tipo de humor só aconteça com pessoas que claramente não têm poder. Chutar cachorro frágil. Digo isso porque lembro de várias situações em que o Danilo Gentili voltou atrás na TV e pediu desculpas: para a comunidade judaica, para a Preta Gil – ele morde e assopra. Aqui existe um negócio que é o respeito a “otoridade”, que é um fato.

E o Pasquim?

Tinha a anarquia e um modo de lidar, mas não sei se iriam tão longe. Foram bastante agressivos em várias situações, mas o alvo principal era a ditadura. A França do Charlie Hebdo existia em um contexto em que não tinha ditadura fazia tempo. De Gaulle já estava nos estertores quando essa linguagem começou.

O Porta dos Fundos também faz bastante gozação. Houve bastante reclamação mas eles não pararam, não foram bloqueados. Sinal de que comunidade religiosa talvez não seja tão poderosa por aqui quanto a gente pensa.

E teve o caso do Rafinha Bastos.

Aí não tem a ver com liberdade de expressão. Tem a ver com o papel subalterno da mulher. Wanessa Camargo não abriu a boca durante todo o processo, que foi movido até pelo feto dela. O autor era o marido dela, era uma briga de homem.

Uma briga idiota, que podia ser respondida com um simples “Rafinha, cresça e apareça”. Mas não, virou um processo porque a honra do marido foi ultrajada. E era um cara rico. Uma coisa de poder econômico e de poder machista que envolveu o Rafinha. Acho a piada idiota mas fiquei do lado do Rafinha.

Qualquer tipo de piada é válida no final das contas?

Hugo Possolo falou uma coisa linda. Você pode fazer piada de qualquer coisa, o que importa é saber de que lado da piada você está. Acho isso muito profundo, porque mostra que toda piada é ideológica, não existe piada só piada. Olha as capas do CH: não são só piada, são declarações, é um discurso ideológico, violento, agressivo, muito engraçado também.

A indignação com a charge de Maomé tem razão de ser?

Maomé apareceu pelado de quatro com estrela no cu. Os caras fizeram coisas… a gente não faria isso nunca. Eu não sei o que eu faria pessoalmente se fosse editor do CH. Por muito menos eu caguei nas calças na época do ‘Balão’ em 72. Era um fanzine, Paulo Caruso fez uma história linda, de uma mulher no parque que não queria dar pra ele, uma história linda e engraçada, e eu caguei nas calças. Pensei: meu Deus isso vai atrair a repressão.

É saudável existir um CH para a sociedade.

Não só saudável. É significativo que ele seja francês. Na Inglaterra tem uma liberdade de expressão parecida, mas eles não fariam isso. O humor britânico é diferente. Monty Python fez “ A vida de Brian” que mexe com judaísmo, com religião e um monte de coisa, é violentíssimo também, mas tem essa elegância.

Isso tudo me faz pensar sobre as construções teóricas sobre o humor.

Em primeiro lugar, que o humor é humano, não existe humor que ridicularize coisas ou animais. É sempre humano. Em segundo lugar, é sempre grupal. Não existe humor produzido nem por um indivíduo nem para um indivíduo. Terceira coisa é algo que Bergson falava, que acho interessante, que nunca consegui apreender totalmente, é a ideia de que o alvo da ação humorística é o momento em que o ser humano deixa de ser humano, quando ele age mecanicamente. Quando se coisifica.

Humor e preconceito se cruzam?

Muitas vezes, porque quem faz a piada precisa contar com a sintonia do público. Se você entra com uma informação polêmica, que é nova, você não obtém risadas, obtém estranhamento, agressividade, estupor. Quando os caras invadem a redação do CH não é piada, estão produzindo uma tragédia e nossa reação não é rir. Agora, se alguém atirar sapato na cara do Bush é muito engraçado.

Fiz uma historinha com o Alzheimer kid que adorei na época, um sujeito saindo correndo na cidade avisando que kid veio pra matar. Ele veio pra matar mas não lembrava quem. É engraçado mas um monte gente reclamou, Alzheimer é uma tragédia.

Tem como fazer humor sem isso?

Renato Aragão disse em entrevista que no seu tempo viado e preto não reclamavam quando se fazia piada sobre eles. Não tinha dor? Tinha. Mas socialmente não eram grupos empoderados. Tinham que ser cúmplices das humilhações que estavam sofrendo.

Um humor que desse vazão às ideias de Bolsonaro por exemplo, é legítimo em sua opinião?

Tem o Danilo Gentili por exemplo. É legítimo que exista esse tipo de humor. Mas ele tem que ser criticado, enfrentado. Faz parte de um pensamento que tem que ser enfrentado.

O Gentili faz piada que humilha as pessoas e as conduz a uma situação de perda, como no caso da doadora de leite que ele chamou de vaca e coisas piores possíveis – ela foi ridicularizada em sua cidade, não podia sair na rua, entrou em depressão.

Os fundamentalistas islâmicos também querem enfrentar o humor, só que pegando pesado em armas.

O objetivo real não é enfrentar o ataque humorístico, o objetivo real é político. O objetivo não era atacar a liberdade expressão. Acho que estão cagando pra liberdade expressão.

Você concorda com a colocação, de que o atentado ao Charles Hebdo foi o “11 de setembro da liberdade de expressão”?

Não gosto, acho tola e apressada. Acho que o que foi atacado não foi a liberdade de expressão. É uma tática para um jogo político mais complexo e perigoso. O jihadismo não tem a pretensão de controlar a liberdade de expressão na França. Este é um traço que vem desde a Comuna de Paris.

Não houve ataque à liberdade de expressão?

Houve um ataque à liberdade de expressão, mas não é este o objetivo estratégico. Por que não atacam a direita anti-islâmica? Porque não interessa. Querem criar uma confusão que visa comprometer todo o sistema. Se atacassem só os fascistas seria uma espécie de limpeza, que até interessaria (risos). Mas o que os terroristas querem é movimentar a opinião massiva. Eles sabem que o sentimento xenófobo vai se exacerbar, e isso pode gerar políticas militaristas de intervenção no Oriente Médio – isso tudo interessa ao Estado Islâmico, um grupo que não está ligado à idéia de construir um Estado, está ligado em construir guerra.

Por que os ataques contra o fascismo não acontecem?

É improdutivo dentro do ponto vista da tática de gerar o terror, a confusão é o que interessa, o irracionalismo. O que embasa o desejo terrorista não é uma construção racional de um coletivo árabe de uma liberdade de expressão, a ideia é outra, de propor uma ideia de guerra jihadista contra o mundo. É uma ideia louca, que é alimentada por Bushes da vida, Olavos de Carvalho da vida. Tentar construir a ideia de um choque de culturas, onde um precisa prevalecer dentro dessa lógica. ‘O que deve prevalecer é o nosso lado, precisamos destruir o outro’.

Qual sua conclusão sobre o atentado ao Charlie Hebdo?

Não existe ainda, tenho procurado ligar os pontos. É aterrorizante o suficiente para abalar as convicções da gente. Agora quais convicções, não sei. De princípio tenho visto que nas exibições de força no facebook, as pessoas se aferram às posições delas e fazem trincheiras de onde atiram.
Tenho tentado entender fora da dor e do sentimento de perda, pois amava e admirava o CH, tento entender politicamente o que está acontecendo. Começam os ataques às mesquitas e restaurantes árabes, ou aos minimercados judaicos… Isso que vai gerar, é um padrão estimulado por grupos de direita que querem construir uma política de exclusão dentro da Europa.

E sobre os acontecimentos de hoje?

A morte dos irmãos? Não tenho o que comentar, sério. Acho que continua em marcha o projeto de irracionalismo.

Como assim?

11/9 salvou a vida do Bush, um político medíocre e desprestigiado que vinha de uma eleição contestada. Foi transformado em herói e abraçou as táticas militaristas e intervencionistas.
Penso porque esses fdp fizeram isso. É que no final das contas o fundamentalismo e os grupos de ultra-direita xenófobos se alimentam. Foram feitos um para o outro. Haja entendimento real ou não, na prática a porra louquice atende ao clamor da porra louquice.

Mas não sei isso é coisa de malucos. Pode ser um jogo muito mais frio do que a gente pensa, e é isso que me aterroriza – ver que não é maluquice. Esse jogo frio pode envolver dinheiro, poder político e controle militar.

Consegue associar este atentado a um fato político da história brasileira?


No Brasil as pessoas foram presas, matou-se gente, pessoas ficaram acuadas. Mas a reação historicamente determinante à ocupação ditatorial se deu quando mataram um jornalista. Na mesma ocasião Manoel Fiel Filho, militante ativista operário foi morto. Todo mundo se comoveu mas não foi decisivo. Decisivo foi terem matado Vladimir Herzog, que era jornalista. Isso foi importantíssimo no jogo cultural que a ditadura estava tentando fazer naquele momento. Hoje sabemos que houve uma tentativa de golpe dentro do golpe, da linha dura, que foi frustrado porque eles foram mais longe do que podiam. Ao mesmo tempo podiam ir menos longe? A lógica deles é de montar canastra. Era o jeito que sabiam jogar.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Fallon e Kidman – Se arrependimento matasse...


Denise Molinaro

Pensa nessa situação: a Nicole Kidman vai até seu apartamento, está solteira – você também, você mora sozinho, a conversa fluiu, e você simplesmente não chegou junto.

Esse é o assunto do momento nas redes sociais.

Em visita ao programa do apresentador do “The Tonight Show” para divulgar o filme “As Aventuras de Paddington”, a atriz confessou que quando era solteira e jovem foi ao apartamento do comediante Jimmy Fallon, deu a entender que estava interessada e não foi correspondida.

Espantado, ele vomitou às câmeras seu profundo arrependimento.

A pergunta é: qual aula da masculinidade do “chega junto” ele faltou? Ainda assim, a vida ensina e ele deveria ter partido pra cima na raça.

Querido leitor, se uma mulher solteira aceita ir até seu apartamento, no mínimo ela quer te dar uma chance. E no máximo ela quer dar pra você, mas a partir do momento que ela atravessou a porta, a bola está em suas mãos porque o universo já conspirou muito a seu favor.

Essa geração de homens moles incomoda. É o caso do Thiago Silva chorando para não bater pênalti na Copa. Ter medo é uma coisa, ser cagão é outra e broxa a ala feminina, anote isto.

Existe o sedentarismo da coragem. Nesse caso, eu acredito que faltou atitude. Como um cara deixa escapar pelos dedos uma mulher como Nicole Kidman?

Respondo: ele não acredita em si mesmo. Ter coragem significa ir atrás, ter uma atitude que você nunca teve antes, colocar a ousadia em prática, e principalmente confiar no próprio taco. Se você acha que alguém é muito pra você vai passar a vida se contentando com pouco.

A crença de não ser capaz é o veneno que mata a oportunidade. Por isso Jimmy perdeu a chance de dar um agarros em Nicole. E daí pra mais.

Mas, existem os espertos, aqueles que fazem esforço, analisam as possibilidades e vão em frente. Quando você vê por aí um cara muito feio com uma gata esteja certo que ele correu uma maratona para estar ali, enquanto você teve preguiça e preferiu entrar no Tinder atrás de um match qualquer.

Se você fica paralisado diante de uma mulher que julga ser muita areia para o seu caminhão saiba que você será para sempre um cara castrado de grandes prazeres.


Comportamentos convencionais não desenvolvem coragem e sabotam sua própria consciência. Se ainda assim você tem medo de tomar um não, tenho apenas uma coisa a dizer: meus pêsames!

Não sabe de onde vem tanta beleza? Descubra os procedimentos estéticos mais comuns entre as mulheres


Danilo Barba

Coisa difícil é conversar com a maioria dos caras em plena Avenida Paulista. Quando você está no cerne da questão, ele já não está mais nem aí para o que você está falando – subitamente está ocupado com outra coisa.

Como Selton Mello no Cheiro do Ralo, eles parecem enfeitiçados com uma bunda, ou os peitos de qualquer mulher que passa. Aí você o lembra: “ei, cara, não sei se você reparou, mas aquilo é de mentira.”

Embora sempre tenha recebido olhares de reprovação após minha observação (ou acusações de ser gay), pra mim salta à vista quando procedimentos estéticos remediaram alguma situação.

É por isso que venho agora prevenir esses machões todos que acham que isso é frescura quais são as “soluções” que elas mais utilizam (antes que eles se enganem e saiam com uma que tenha carteira de reservista por engano). Vamos lá?

1. Maquiagem definitiva

Procedimento que realça os traços e a cor da sobrancelha. As mulheres usam a micropigmentação pra camuflar imperfeições e corrigir formato. Se for feito fio a fio, fica quase impossível dizer o que é pigmento implantado e o que é natural. A diferença entre a maquiagem definitiva e a tatuagem é que a micropigmentação é realizada com anestésico.

2. Permanente de cílios

Apesar do nome, não tem nada a ver com aquela permanente que as mulheres e os metaleiros faziam nos anos 80. Pra elas já poderem acordar com os cílios pintados e curvados, a técnica alonga os pelos das pálpebras por até 40 dias. Ideal para casos de pálpebras caídas e olhos muito pequenos e cílios retos. O resultado é como se ela tivesse usado curvex e rímel.

3. Plástica no nariz

Quando falamos em rinoplastia, as mulheres querem a mesma coisa: empinar o nariz e deixar mais fino. Mas a cirurgia permite ainda aumentar ou diminuir o nariz, dar projeção à ponta, reduzir as asas nasais e até diminuir a giba óssea, que é como os médicos chamam o "osso" ou "calo" do nariz.

4. Bioplastia

Um tipo de preenchimento profundo que serve pra criar, realçar ou recuperar linhas, ângulos, formas e até aumentar o volume de alguma região do corpo, principalmente pra disfarçar as imperfeições que vão aparecendo no rosto com a idade. O material biológico é injetado direto no músculo ou tecido subcutâneo.

5. Retoque no maxilar

Aquela cicatriz embaixo do queixo nem sempre foi um acidente de bicicleta. Para deixar o rosto mais definido e levantar maxilares caídos com a idade, as mulheres usam o procedimento pra reposicionar os ossos e combater deformidades e flacidez.

6. Implante de prótese de silicone
Segunda cirurgia mais realizada entre elas, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISAS), a mamoplastia com implante de silicone é feita para aumentar ou diminuir o volume e aperfeiçoar o formato dos seios.

7. Lipoaspiração

Procedimento que ocupa o primeiro lugar no ranking da ISAS, a técnica auxilia na remoção da gordura localizada e modelagem do corpo.

8. Cirurgia íntima

Cada vez mais mulheres procuram a ninfoplastia para reduzir os pequenos lábios da vagina, cirurgia indicada para pacientes que têm os pequenos lábios aumentados. Em alguns casos, a técnica pode alterar o tamanho e formato dos grandes lábios.

9. Aplicação de hidrogel

Composto de 98% de água e 2% de poliamida, o hidrogel é um produto utilizado pra preencher o bumbum e as coxas. Embora não seja aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), a substância tem registro na Anvisa: não por acaso o tratamento já causou a morte de mulheres pelo Brasil, e chamou a atenção depois de debilitado a saúde de Andressa Urach, ex-participante de A Fazenda e apresentadora da RedeTv!.

Sarado, mas impotente


No filme Sem Dor Sem Ganho, o personagem de Anthony Mackie fica impotente devido ao uso de anabolizantes

Quantas vezes você saiu do treino esgotado e notou que por mais que se pegue pesado é bem difícil conquistar um corpo rasgado de músculos? 

Pois é, não é do dia pra noite que se transforma um Fiat 147 em uma Bugatti Veyron. 

Não é mais ou menos, existe o caminho mais curto, que nos corredores das academias é o mais comentado e indicado por quem usa ou já usou: os anabolizantes ou esteróides, substâncias “mágicas” capazes de transformar um frangote em Arnold Schwarzenegger em curto espaço de tempo.

Embora os efeitos colaterais das “bombas” sejam conhecidos pela maior parte das pessoas que praticam atividades físicas, com ênfase para a musculação, a vaidade e a vontade de ter um braço à la Dwayne The rock Johnson parece tapar os olhos e ouvidos daqueles que ignoram as consequências assustadoras que os esteróides refletem na saúde, como por exemplo afetar a saúde sexual masculina.

Sarado, mas impotente. Qual é a relação dos esteróides com a vida sexual? 

Segundo o endocrinologista do Hospital Santa Isabel Thiago Fraga Napoli, o hormônio masculino é um esteróide que faz parte de uma grande família de hormônios derivados do colesterol. 

Quem opta por colocar em circulação grandes moléculas desses hormônios sintéticos correrá o risco de inúmeros efeitos que interagem com diferentes receptores do organismo. 

É por isso que tem gente que não sofre nenhum efeito colateral, assim como os que apresentam uma série de problemas graves pós-uso, no caso dos homens, perda de apetite sexual e chances de desenvolver câncer de próstata, além de outros menos trágicos como calvície e acne.

Dr. Thiago alerta que a ideia de perigo deve sempre ser lembrada frente ao conceito de risco x benefício. 

Em pessoas com falta de testosterona, a reposição visa curar um déficit hormonal, sendo o benefício óbvio. 

Contudo, o uso de testosterona com fins estéticos torna incerta esta relação, por isso quem pretende tomar bomba necessita da supervisão de um endocrinologista.

O personal trainer Diogo Acencio, atualmente professor na academia Runner da Unidade Paulista, está de acordo com o que o médico endossou acima, até porque já fez uso de Stanazolol para definição muscular. 

Diogo é um profissional do corpo, apto a treinar pessoas que querem ganhar massa com exercícios corretos, e para ele, a relação de anabolizantes x crescimento muscular é mais conhecida que para os leigos, justamente por isso, quando decidiu fazer uso das substâncias, procurou um médico para acompanhar o tratamento e quando conquistou o que desejava, encerrou o ciclo. 

Diogo afirma não ter sentido efeitos prejudiciais, só tendo ficado com a parte grata “da coisa toda”, que é a definição dos músculos, mas tem gente que não tem a mesma sorte, ou melhor, a mesma consciência de parar na hora certa.

Veja quais são os principais anabolizantes, para que servem e quais são os efeitos negativos na saúde masculina:

Durateston: Anabolizante composto por quatro tipos diferentes de testosterona (decanoato, fenilpropionato, isocaproato e propionato) responsáveis por prolongar o efeito da droga no organismo aumentando o poder metabólico na forma com que as células absorvem a proteína, por isso o ganho de massa. 

Também acelera a queima de gordura e aumenta a força dos músculos, elevando a potência dos treinos. Efeitos colaterais: queda de cabelo, acne, ginecomastia (aumento das glândulas mamárias), perda do apetite sexual e aumento desproporcional dos testículos, o que pode levar ao câncer de próstata. 

Na medicina, pode ser usada para tratar homens com osteoporose.

Deca-Durabolin: A nandrolona é um anabolizante feito com testosterona sintética. Para fins médicos é usada em pessoas anêmicas e com insuficiência renal. 

O esteróide promove assimilação de proteínas e estímulo do apetite, revertendo o processo catabólico e o balanço negativo de nitrogênio. 

Demora de três a seis meses para fazer efeito. Prejudica o fígado devido ao excesso de toxinas do produto, gera inchaço e ereção prolongada e dolorosa do pênis, além de problemas cardiovasculares. 

A substância pode ficar na corrente sanguínea durante anos armazenada no tecido adiposo.

Stanozolol: Conhecido nas academias como Winstrol, o esteróide ajuda no crescimento e na definição dos músculos. 

Para fins médicos é usado em pessoas com anemia, pois aumenta a produção de células vermelhas, a densidade óssea e o apetite. 

Também ajuda na perda de gordura devido à termogênese, preservando a massa muscular e tem efeito diurético. 

Efeitos colaterais: acne, ginecomastia, hipertensão, agressividade, queda na libido, queda de cabelo, aumento excessivo de pelos no corpo.

Dianabol: Também é um androgênico, ou seja, contribui para o ganho de massa muscular. É um dos anabolizantes mais antigos do mercado. 

Efeitos colaterais: altamente prejudicial ao fígado, aumento de pressão arterial e retenção hídrica.

Hemogenin ou Oximetolona: Um dos poucos anabolizantes usados via oral e não injetável, por isso é muito procurado por quem tem receio de tomar injeção. Ele aumenta o ganho de força e consequentemente o volume dos músculos. 

Em alguns países é conhecido como Anadrol ou Anapolon. Para fins médicos, aumenta a produção de células vermelhas no sangue, por isso é usado em pessoas com anemia em estágio grave. 

A droga também é utilizada em pacientes soropositivo e outras doenças de perdas relevantes de estrutura corpórea porque aumenta o ganho de peso rapidamente. 

Efeito colateral: é o único esteróide que tem ligação comprovada com o câncer de fígado.


Você sabia que...

Os anabolizantes são hormônios derivados do colesterol.

Eles interagem com diferentes receptores do organismo e cada pessoa sente de uma forma, por isso alguns têm maior risco de câncer de próstata, doenças cardíacas, trombose, impotência e outros efeitos colaterais catastróficos enquanto uns podem não apresentar nenhuma reação.

O correto é usá-los apenas para repor testosterona em pessoas com déficit do hormônio, o uso para fins estéticos não é visto com bons olhos por profissionais da saúde.

Na fisiologia normal, a testosterona tem sua produção testicular estimulada pela glândula hipófise. 
Quando os anabolizantes são injetados, essa glândula repousa e quando o ciclo de esteróides termina, o organismo demora a entender que deve produzir o hormônio sozinho novamente, prejudicando inclusive a produção de espermatozóides.

A ereção é um fenômeno mecânico relacionado diretamente com a libido (se dá pelo aumento da entrada de sangue no pênis). Mecanismos muito finos dentro dos vasos regulam este fenômeno. Após um ciclo de anabolizante, a libido fica prejudicada por alguns meses, podendo levar à impotência.

No campo da estética, há muita gente não especializada, as ofertas são muito duvidosas e os riscos mascarados por motivos duvidosos. Consulte um médico de sua confiança, sempre.



A camisinha estourou, e agora?


O material da camisinha é bem resistente, se ela estourou é porque foi colocada da maneira errada, ou seja, não foi deixado um espaço para o depósito do sêmen na hora da ejaculação. 

Mas o problema principal continua ignorado, a pílula do dia seguinte resolve, em partes, a preocupação feminina com a gravidez indesejada, mas não livra ninguém das DSTs.

O primeiro passo quando acontece o estouro é parar imediatamente a relação e lavar tanto o pênis quanto a vagina com água e sabão.

Se a relação for suspeita, é necessário fazer a profilaxia pós-exposição. 

A transmissão do HIV não acontece em questão de segundos, existe um intervalo de tempo necessário para que o vírus recém-transmitido consiga estabelecer um foco no organismo, a partir do qual a infecção se tornará crônica, por isso é possível combatê-lo com antivirais capazes de destruí-lo.

Quanto mais rapidamente for administrada a profilaxia, melhor será o resultado. 

Dados experimentais indicam que os índices de infecção são mais baixos quando ela é iniciada nas primeiras 36 horas. 

O esquema de tratamento precisa conter pelo menos duas drogas, mantidas por um período de 28 dias.

Em caso de dúvidas, recorra à Fundação Alfredo da Matta, ali na Rua Codajás canto com a Avenida Carvalho Leal, na Cachoeirinha.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Esquentando os tamborins (Final)


Denise Carla
O carnaval pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, é um dos mais animados do país, e essa característica cresceu paralelamente à extinção do carnaval de rua na maior parte das cidades brasileiras por causa do desfile das escolas de samba. 
As principais atrações do carnaval pernambucano, cujos bailes também são dos mais animados, ocorrem na rua e inclui o frevo, o maracatu, as agremiações de caboclinhos, a imensa participação popular nos blocos (reminiscências modernizadas dos antigos “cordões”) e nos clubes de frevo. 
No Recife e Olinda os foliões cantam e dançam, mesmo sem uniformes ou fantasias, ao som das orquestras e bandas que fazem a festa. 
Os conjuntos de frevo mais animados são os Vassourinhas, Toureiros e Lenhadores. Lembrando, pela cadência, os velhos ranchos, os maracatus estão ligados às tradições afro-brasileiras. 

Já os caboclinhos constituem outro tipo de agremiação folclórica, cujos desfiles são apenas vistos e aplaudidos.
A outra cidade em que a participação popular é costumeira, e onde todos cantam, dançam e brincam, é Salvador. 
Uma invenção surgida na década de 1970 e que, à diferença do frevo, conseguiu contagiar outros Estados e cidades, foi o trio elétrico, um caminhão monumental no qual se instalam aparelhos de som, equipados com poderosos alto-falantes que reproduzem continuamente as composições carnavalescas gravadas. 

Há ainda, como no Recife e Olinda, muitos populares que improvisam fantasias simples, mas também adotam a postura galhofeira e vestem os disfarces de cinquenta ou cem anos atrás. 
Tudo isso traduz bem o espírito momesco irreverente que impele a multidão à descontração total.

Durante o Império, as músicas cantadas no período carnavalesco, no Brasil, eram árias de operetas, depois lundus, tanguinhos, polcas e até valsas. 
No início do século 20, predominaram, nas ruas, as cantigas de cordões e ranchos e, nos bailes, chorinhos lentos, polcas-chulas, marchas, fados, polcas-tangos, toadas e canções. 

Logo após a Primeira Guerra Mundial, os palcos dos teatros-de-revista tornaram-se os lançadores das músicas de carnaval e iniciou-se, então, o domínio das marchinhas, maxixes, marchas-chulas, cateretês e batucadas. 
E também do samba, que, na era do rádio, entre 1930 e 1960, dividiu os louros com a marchinha, embora às vezes cedesse ao sucesso de um jongo, de uma valsa ou de uma batucada. 
O samba, nos salões e na rua, era absoluto. 
Mas desde fins do decênio de 1960, com a consolidação do desfile das escolas de samba, o samba e a marcha mergulharam no ostracismo, trocados pelo samba-enredo das escolas de samba.

Esquentando os tamborins (Parte 7)


Denise Carla
Na década de 60, em plena ascensão das escolas de samba e da decadência dos ranchos e das grandes sociedades, os blocos carnavalescos se unem e se estruturam formando a Federação dos Blocos Carnavalescos, no dia 28 de setembro de 1965, com duas categorias de blocos: de enredo (formam conjuntos com estruturas bem próximas às escolas de samba) e de empolgação (são estruturados seguindo o modelo de blocos simples, sem variações de fantasias, alegorias ou enredos). 
Os mais famosos são o Bafo de Onça, Cacique de Ramos, Boêmios do Irajá e Cordão do Bola Preta.
As escolas de samba nasceram de redutos de diversão das camadas pobres da população do Rio de Janeiro, em sua quase totalidade formada de negros. 
Reuniam-se para cultivar a música e a dança do samba e outros costumes herdados da cultura africana, e quase sempre enfrentavam ostensiva repressão policial. 
Para a formação desses redutos contribuiu decisivamente a migração de populações rurais nordestinas, que, atraídas para a capital em fins do século 19, introduziram um mínimo de organização e de sentido grupal ao carnaval carioca, até então herdeiro do entrudo português.

A denominação “escola” só vai surgir, no entanto, em 1928, com a criação da Deixa Falar, no bairro do Estácio. 
Seu fundador, o sambista Ismael Silva (1905-1978), explicava o termo como decorrência da proximidade da Escola Normal, no mesmo bairro, o que fazia os sambistas locais serem tratados de “professor” ou “mestre”. 
Posteriormente surgem diversas outras escolas, entre as quais Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca. No começo, pouco se distinguiam dos blocos e cordões, com ausência de sentido coreográfico e sem nenhum caráter competitivo. 
Com o tempo, transformam-se em associações recreativas abertas, cuja finalidade maior é tão somente competir nos desfiles carnavalescos, transformados em atração máxima do turismo carioca. 
De tal forma agigantaram-se, que seus encargos sociais, a partir da década de 1960, equivaliam aos de uma empresa, o que as obrigava a funcionar por todo o ano, promovendo rodas de samba e ensaios com entrada paga, única maneira de amenizarem os gastos decorrentes da preparação dos desfiles.

Com a oficialização dos desfiles, a partir de 1935, as escolas passam a receber subsídios da prefeitura, transformando-se, a partir de 1952, em sociedades civis, com regulamento e sede, elegendo periodicamente suas diretorias, inclusive um diretor de bateria, que comanda os instrumentos de percussão, e um diretor de harmonia, responsável pelo entrosamento de canto e orquestra. 
A escola desfila precedida de um abre-alas (faixa que pede passagem e anuncia o enredo) e da comissão de frente (dez a quinze sambistas, representando simbolicamente a diretoria da escola). 
A seguir, pastoras (antigas dançarinas dos ranchos), fazendo evoluções, mestre-sala e porta-bandeira, destaques e academia (coro masculino e bateria). 
O restante divide-se em alas, geralmente com coreografias especiais, e carros alegóricos. 
Apresentam sempre um tema nacional (lenda ou fato histórico) expresso no samba-enredo, base de todo o desfile.


Até 1932, quando foi organizado o primeiro desfile, as escolas limitavam-se a percorrer livremente as ruas, acompanhadas por populares. 
Naquele ano, o jornal Mundo Esportivo organizou um desfile na Praça Onze, de que participaram dezenove escolas, saindo vitoriosa a Estação Primeira de Mangueira. 
No ano seguinte o número de concorrentes subiu para 29 e o desfile foi promovido pelo jornal O Globo, saindo vitoriosa novamente a Mangueira. 
Em 1934, ano em que foi fundada a União Geral das Escolas de Samba, a competição foi realizada no dia 20 de janeiro, em homenagem ao prefeito Pedro Ernesto, e a Mangueira alcançou o tricampeonato. 
O interesse em fomentar a competição como atração turística começou em 1935, quando o certame foi apoiado pelo Conselho de Turismo da Prefeitura do então Distrito Federal, obtendo a Portela sua primeira vitória, ainda com o nome de Vai Como Pode. 
A partir daí, já estabelecido como promoção oficial do carnaval carioca, o desfile foi realizado sem interrupção, exceto nos anos de 1938 e 1952, quando as chuvas impediram a promoção. 
O modelo se estendeu a todas as capitais brasileiras, excetuando-se duas: Salvador, na Bahia, e o conjunto Recife-Olinda, em Pernambuco.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Esquentando os tamborins (Parte 6)


Denise Carla
Os ranchos carnavalescos começaram a surgir na cidade do Rio de Janeiro em fins do século 19. As datas variam: 1872, 1895 e 1896. 
A princípio, desenvolviam apresentações bem próximas das características do folclore nordestino. 
Com seus emblemas e símbolos, formavam cortejos, cantando chulas ingênuas de origens africanas, acompanhados por uma “orquestra” composta de violões, violas, ganzás, pratos, castanholas e, às vezes, flautas. 
Os ranchos diferem das escolas de samba pela organização do desfile, pelo instrumental semelhante ao de bandas de coreto e pela música que, sempre inédita, constava de três peças: marcha-rancho, alusiva ao enredo, de andamento arrastado e acentuada riqueza melódica, a chamada marcha-de-passeio, de exaltação ao carnaval, e um samba-rancho.

Em sua fase áurea (1919-1939), os ranchos se apresentavam com fantasias luxuosas e criativas, figuras de damas e cavaleiros, com esplendores nas costas, pórticos e painéis com pinturas artísticas, além dos seguintes elementos: abre-alas, comissão de frente, figurantes, alegorias, mestre de manobra, mestre-sala (baliza) e porta-estandarte. 
Havia ainda as grandes sociedades, com seus carros alegóricos repletos de mulheres bonitas, alegorias mitológicas, históricas e cívicas. 
Os carros de crítica política encerravam, no fim da noite de terça-feira gorda, os disputados festejos. 
Tais agremiações se chamavam Tenentes do Diabo, Fenianos, Pierrôs da Caverna, Clube dos Democráticos, Congresso dos Fenianos, Clube dos Embaixadores e assim por diante.
A grande concentração popular se fazia na Avenida Rio Branco, da Cinelândia até a Rua do Ouvidor. A classe média alta preferia as imediações do Jóquei Clube, entre a Avenida Almirante Barroso e a Rua Araújo Porto Alegre. 
Alguns levavam os próprios assentos, cadeiras e banquinhos, mais tarde substituídos por palanques e arquibancadas montados pela prefeitura. 

A segunda-feira era célebre não só pelo desfile de ranchos, que usavam fogos de artifícios coloridos, mas também porque os frequentadores do baile do Municipal eram observados pelo populacho, que ia admirar-lhes as fantasias. 
A Galeria Cruzeiro, hoje edifício Av. Central, era o ponto focal do trecho entre a Rua São José e a Avenida Almirante Barroso, na época a área de maior animação dos carnavalescos tradicionais, que cantavam e dançavam ao som das músicas lançadas nos palcos dos teatros de revista e nas emissoras de rádio.
Com o desaparecimento gradual dos cordões, outros foliões, que não haviam aderido aos ranchos carnavalescos, se juntaram a conjuntos mais simples, não dramatizados, sem fantasias elaboradas e sem alegorias, que ainda mantinham certo paralelismo com os famosos cordões. 
Eram os blocos carnavalescos, que logo se organizaram em estruturas mais fechadas, formadas nas comunidades (“blocos de samba”) e outras formas mais livres e populares (“blocos de sujos” ou “de rua”) e logo cresceram em número e qualidade. 

Os primeiros foram predominantemente influenciados pela cultura negra e se tornaram os “embriões” de renomadas escolas de samba do carnaval carioca: o Vai Como Pode deu origem à Portela, o Arengueiros à Mangueira, e o Prazer da Serrinha ao Império Serrano.

Os “blocos de sujos” deram origem aos “blocos de clóvis”. 
Segundo alguns especialistas da história do carnaval, o nome “clóvis” é uma corruptela de “clown”, palavra que em inglês significa “palhaço”. 
Também conhecidos como bate-bola, os clóvis se assemelham a antigos arlequins medievais, que usavam bastões para agredir os desafetos e carregavam uma bexiga de porco ou de boi cheia de urina para arremesar nos incautos. 
Outros “blocos de sujo”, como os de mascarados e de nega maluca, também se transformaram em manifestações populares típicas do carnaval de rua, onde o improviso e a desorganização dão um sabor especial.