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sexta-feira, agosto 14, 2009

A poesia é necessária


eu, Anibal Beça, João Rodrigues e Celestino Neto ("Lé"), durante uma sessão de poesia falada no projeto "Poesia solta na rua", defronte à quadra da Reino Unido


Há mais de quarenta dias, meu brother Aníbal Beça trava uma luta titânica contra aquela senhora de negro. Com problemas de diabetes, hipertensão arterial e insuficiência renal, o “brujo” vem fazendo o que pode. Rezo diariamente para que ele consiga sair dessa, mas ainda não tive condições emocionais de ir visitá-lo.

As notícias que me chegam são frutos de seu fiel escudeiro, o ator Davi Almeida (que, aliás, hoje recebe seu canudo de jornalista na UniNorte), presença diária na UTI da Beneficente Portuguesa, e não são nada alvissareiras. Aníbal continua em coma induzido.

Para exorcizar essa sensação de perda (toc, toc!), publico dois poemas. Um do Thiago de Mello dedicado ao “brujo”. Outro, do “brujo” dedicado a mim. E vamos continuar rezando.

Para o livro do Anibal Beça

Thiago de Mello

Não faço prefácio. Faço
um canto de louvação.
A multidão de habitantes
da tua noite cintilante
crava estrelada alegria
nas profundezas das águas
que guardam a nossa infância.

Teu verso, vida ao reverso,
já é prefácio, anteface,
da clara felicidade
que só da poesia nasce,
é flor de nunca fechar.

Tem o vôo vagaroso,
mas de repente veloz,
de um pássaro cheio de asas
que inaugura um coração
no peito da inteligência
e planta, chuva de fogo,
a alvorada da razão
na fronte do sentimento.

Não faço prefácio. Faço
esta serena invenção:
como de açucena o brilho
contente perante a luz
da manhã que se levanta
e impregnando vai a vida
de sonora claridão.

Feliz dança, banda-de-asa,
papagaio de famão,
assim te louvo cantando
Anibal, meu claro irmão.


Ode ao poeta mordaz Simão Pessoa

Anibal Beça

A boca do poeta mordaz
Não se cala ao vento
Amordaça-o no vento
Em nó de nuvens.

Abençoada forquilha
De galho se abrindo
A língua se estica
Para a celebração
Do estilingue:

“Serpent: Penser
Present: Serpent”

Ó idolos de pés de barro
(descalços ou não)
ícones entronizados
mestres santificados
afastai vossas auras
para a passagem
das setas viperinas
(ou serão dardos de açucenas?)
yuppies-macuxis – suburucus
sintonizai vossas oiças:
todos terão trato adequado
latino-tropical
regado à
guarânia com guaraná

todos terão – sem exclusão –
a litania dos forcados
um dabacuri
um conciliábulo
de escárnio & maldizer
ao som
de guarânia com guaraná
dançada de parceria
com a vida
na sua antena em guarda
destruindo mil barreiras
e mais os cânones da província

Este Simão Pessoa
(guardem bem o seu nome)
é do meu chão
e do meu coração
e isto nada tem
com a rima fácil
e muito menos
com nenhuma solução
é apenas confissão:

se não me chamasse Anibal
me chamaria Simão

Um comentário:

PROSIADO - Prosa e poesia disse...

Cara, esse Celestino Neto aí, é muito procurado em salvador. Há quase 10 anos que voltei de sampa e as pessoas aqui procuram por ele. Fomos grandes amigos durante sua passagem por salvador. Diga que é Hamilton que morava na baixa do tubo. Muitos amigos ele deixou por aqui.