Espaço destinado a fazer uma breve retrospectiva sobre a geração mimeográfo e seus poetas mais representativos, além de toques bem-humorados sobre música, quadrinhos, cinema, literatura, poesia e bobagens generalizadas
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quarta-feira, fevereiro 01, 2017
Recordando João Nogueira
terça-feira, janeiro 31, 2017
Uma Noite Vermelho e Branco no GRES Andanças de Ciganos
Nesta sexta-feira, 3, a partir das 21 horas, na quadra do GRES Andanças de Ciganos, a simpática escola de samba da Cachoeirinha realiza a sua aguardada “Uma Noite Vermelho e Branco”, com a participação especial de Quinho do Salgueiro, Rebeca Pinheiro (mulata de ouro do carnaval carioca) e Cris Alves (musa da bateria do GRES Acadêmicos de Salgueiro).
Após abandonar o carro de som da vermelho e branco para se candidatar à presidência da escola em 2014 – e, posteriormente, ter sua chapa impugnada –, o intérprete ficou sem microfone nas mãos para o desfile do Grupo Especial.
A agremiação recebeu várias personalidades do mundo do samba, mas uma delas chamou a atenção de todos. Sempre irreverente, o intérprete Quinho passou quase toda a noite chupando pirulito e falou sobre um possível retorno para a escola:
O conselheiro come...
domingo, janeiro 29, 2017
T5 Jamaica bate o Vila Mamão e conquista o Peladão Brahma diante de 27 mil pessoas
sábado, janeiro 28, 2017
“Tem dinheiro. Se não roubar, dá pra brincar”, é tema da 31ª Banda da Bica
Marchinhas: tradição ou preconceito?
quinta-feira, janeiro 26, 2017
Uma explicação medianamente desnecessária
Existem 580 milhões de blogs na internet. Encontrem um pra chamar de seu, mas me errem, carálio!...
Aviso aos meus queridos navegantes!
Vila Mamão é o representante da Zona Sul na final do Peladão
quinta-feira, setembro 29, 2016
Os 10 melhores produtos das Organizações Tabajara
quinta-feira, setembro 22, 2016
Tudo em mim é Manaus
segunda-feira, setembro 19, 2016
“O que é antigo é velho, o que é velho não serve mais”
A arte de enganar os "trouxas"
Por João Bosco Gomes (*)
Esse Simas Pessoa. Ou Careca Selvagem, forma iconoclasta com a qual assina o texto introdutório de seu mais recente livro, “Arte e ciência de jogar dominó”, reunião de quase tudo quanto publicou (“poemas, folhetos, cartazes, envelopes recheados de papéis de todas as formas, anotações, dicas, anedotas, resumos de partidas e até estórias parecidas com histórias”) desde 2010, e que ele lança agora pela sua – dele, Simas – Editora do Autor. Aliás, a Editora do Autor cai na vida junto com outro lançamento, a reedição que o próprio Simas faz daquele não menos desbocado “O Elixir do Pajé”, de Bernardo Guimarães, essa suma escatológica tropical. Quem comprar um, leva o outro na bagagem, de graça.
Nascido em Manaus, em outubro de 1961, poeta das alegorias gráficas, distribuidor de humor, sátira, paródia, macunaímico mais que Macunaíma, descomportado como o diabo gosta, vencedor do 1º Concurso de Poesia Falada da Cachoeirinha, lançador de ambiguidades no discurso à cotê, desfrequentador de rodas e igrejinhas (“eu nunca fiz parte de nenhum movimento”), Simas Pessoa é uma usina de desafinar. Dois pontos. Corais contentes. Fez Engenharia de Sistemas, trabalhou 20 anos no Distrito Industrial e sempre exerceu o gauche.
“O primeiro poema que escrevi foi em 1982”, diz ele. Deste poema, já canabalizando o potencial visual dos “ready made” (“os quadrinhos, as fotos, a ilustração”), Simas disparou o seu livro de estreia, “Dias sem luz e outros poemas amargos”, no ano seguinte. Desdevedor de editor, como até hoje. Mas com duas tentativas, é bom que se aclare. Uma, junto à Civilização Brasileira, recebendo o “não” de praxe. Outra, junto à Brasiliense: “além do não, recebi pelo correio um envelope cheio de panfletos sobre as diretas-já”. Recusado pelas outras, ficou com a sua, a Editora do Autor, onde rege múltiplos instrumentos.
“Como ninguém vive de literatura, fui trabalhar no Distrito Industrial e a escrita ficou em segundo plano”, recorda. “Só fui lançar um novo livro em 1996”. O livro “Forte Apache e a fabulação do Velho Oeste” era um relato biográfico da alegria que teve ao ganhar de presente de Natal de seu irmão mais velho, o também escritor Simão Pessoa, a linha completa dos produtos Casablanca: Forte Apache, Caravana do Oeste, Acampamento Apache, Fazenda Bonanza e Dodge City. “Virei o menino mais invejado da rua porque tinha mais de 100 personagens do Velho Oeste para brincar no fundo do quintal”.
Não que o escritor tenha ficado inativo por quase uma década. Neste tempo, ele participou de recitais de poemas em barzinhos, como Barraka’s Drinks, Clube da Esquina, Notívagos e Bar do Cardeal, teve poemas publicados em algumas antologias do editor Celestino Neto e chegou a lançar, com uma tiragem de apenas 100 exemplares, o poético “Elegia para os pássaros cativos”, em 1994. “Na verdade, o livro fazia parte de um projeto em parceria com o poeta Jorginho Almeida que iríamos apresentar no 1º Concurso de Poesia Falada do Amazonas, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura, mas que acabou não rolando”.
A mediania feliz, ou dourada, esse chantilly cremoso que substitui a inteligência na vida brasileira (“este é um país do banal”), eis aí o alvo gostosamente predileto desse poeta cáustico. Não poupar a ninguém, eis a especialidade desse satírico e sátiro afiadíssimo em plena era do padrão por baixo, da mediania dos brejais. “A poesia mais difícil de fazer é a satírica”, diz Simas, lançando algumas pedras de toque para uma (sua) estética, embora diante desse termo de abotoaduras já se possa prever que seu alterego Careca Selvagem oporia uma “Ode à pústula”, por exemplo, com todos os excessos de acentos graves: “Ante tu, ó pústula/ com tua geléia amanteigada de pus...”
Escatológico? Nem importa. “A essência da poesia é política”,
afirma. Uma política ao revés, diga-se, “porque a poesia deve ser comprometida
com a inteligência”. E essencialmente demolidora. Não é à toa que neste seu
novo livro, “Arte e ciência de jogar dominó”, o que menos se vê ou lê é sobre a
brincadeira de dominó. O título é apenas uma isca para atrair os adeptos da
brincadeira. Na realidade, o poeta escreveu um dicionário enciclopédico de alto
coturno. Algo como um Bouvard e Péuchet: a compilação flaubertiana e sem
meias-palavras da estupidez humana, tal como é exercida em terras tupiniquins. Eu
recomendo.
(*) João Bosco Gomes é
poeta, cronista, jornalista e ator teatral. Apesar de nascido em Manaus, mora
no Rio de Janeiro desde 1976.





















