Pesquisar este blog

quarta-feira, julho 26, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 20)


EROTISMO – É disso que trata este dicionário, praticamente. Já perceberam, né? De modo que passo-lhes o verbete da Enciclopédia Britânica: tema que pretende despertar desejo sexual, tanto em arte como literatura.
A palavra deriva de Eros, que, segundo a Teogonia, de Hesíodo, foi um dos primeiros deuses da mitologia grega, filho do Caos. Posteriormente, teriam feito dele (sempre representado como uma criança com um arco e uma flecha) filho de Afrodite (Vênus), deusa do Amor, com Zeus (Júpiter) ou um dos seus filhos, Hermes (Mercúrio) e Ares (Marte).
Eros (Cupido, na mitologia romana) era deus da paixão e da fertilidade. Seu irmão menos conhecido, Anteros, era deus do amor mútuo.
Compreende-se que Eros seja o deus do amor, pois se não era filho do Caos, era filho da puta, pois Afrodite dava mais que chuchu na serra.
Compreende-se também por que, quando nos apaixonamos por uma mulher, principalmente quando não somos correspondidos, nos comportamos como verdadeiros idiotas. Enquanto que o amor exige inteligência, conhecimento, sensibilidade, a paixão é simplesmente uma doença, uma flechada.

ESPERMA – Mais conhecido entre a plebe ignara como porra. Porra, por sua vez, é usada como vírgula. Sintam só: “Pois é, porra, eu fui falar com a dona, porra, e levei o maior fora, porra, assim não dá, porra!”
Mas, agora, falando sério, porra: esperma vem do grego e quer dizer semente. Ninguém sabe muito bem quantos espermatozóides existem realmente numa ejaculada humana. Fala-se em cerca de 700 milhões por milímetro.
No meu tempo de rapaz era difícil encontrar uma puta que topasse performar um felacio (ver verbete), enquanto que as mulheres da nossa melhor sociedade já eram peritas no ofício. Há as que chupam e engolem e há as que chupam e jogam fora. Muitas das que chupam e engolem dizem que alguns milhões de espermatozóides a mais ou a menos não fazem a menor diferença.
Agora, tem um troço, considerando a complexidade de um único espermatozóide que após o encontro com o óvulo, produz um ser humano, a capacidade dos testículos de criar máquinas tão sofisticadas é realmente um milagre. Por isso não entendo por que os italianos, quando querem insultar alguém, dizem: “Sei un coglione!”, ou seja, “és um culhão!”
É claro que há testículos e testículos (ver verbete): de uns pode sair o espermatozóide que vai produzir os Hitlers e de outros o espermatozóide que vai produzir as Xuxas.

ESTERILIZAÇÃO – Embora eu seja de opinião que a maior parte da nossa classe política, militar, industrial, bancária, jornalística, que vem mantendo o povo brasileiro em estado de semibestialidade, deveria ser capada, este é um verbete que não me agrada. Esterilização é a morte de toda forma de vida. Em microbiologia, um objeto estéril é aquele que não tem microorganismo.
A esterilização pode ser conseguida – em seres humanos – através de métodos sutis, como tratamentos químicos, com calor, frio, radiação ou com métodos grossos, tais como cortar o pau e o saco de um indivíduo.
Na medicina moderna, se trata de uma cirurgia que obstrui os tubos através dos quais o esperma passa para completar a fertilização. No homem é conhecida como vasectomia e na mulher como esterilização tubal. No caso dessa cirurgia, as glândulas sexuais permanecem intactas e nem o apetite nem o ato sexual sofrem qualquer ameaça.

EUNUCO – Chato pacas. Aliás, muito mais que chato. Vocês já estiveram na sacada de um 40º andar? Lembram daquele friozinho que vai da bulhões de carvalho até a boca do estômago? É mais ou menos o que eu sinto agora escrevendo este verbete. O eunuco é igualzinho a qualquer outro homem só que não tem saco.
A castração era uma forma de castigo muito em moda (como hoje é o rock e o césio ao ar livre) na Síria já no segundo milênio antes de Cristo.
Até o século XIX os eunucos ou sem-saco eram empregados em haréns nos países árabes e na Turquia, na ilusão de que só por não possuírem os escrotos (não confundir com os ex-crotos, que são jornalistas que já foram crotos e hoje vendem a alma e o resto ao poder) eles não podiam trepar.
Teve eunuco que tascou cornos em califas, sultões, xás e outros nomes pelos quais esses galhudos gostam de ser chamados.
Há casos de eunucos, principalmente sopranos italianos, que casaram e tiveram vidas sexuais quase normais.
Agora, chato mesmo é o eunucão. Este não tem jeito, pois castraram-lhe o carvalho junto com os bulhões. Esses rapazes sublimavam (sublimam) a frustração empenhando-se nas carreiras de torturadores e carrascos, geralmente bem-sucedidos.
Os eunucos capados antes da juventude retêm a voz aguda e infantil e a aparência efeminada.
Os hijras, uma comunidade de prostitutos masculinos (perto dos quais nossos travestis são fichinhas), recrutavam jovens aprendizes cuja genitália era removida ainda na primeira infância.
Mas os eunucos não serviam apenas para leões-de-chácara de harém, carrascos, torturadores e cantores de ópera. Há quem diga que houve um que foi chefe de polícia em Istambul ainda no fim do século passado.
Na antiguidade, chegaram a ser generais, políticos e almirantes em muitos estados da África Ocidental. Mesmo assim, eu prefiro ser um jornalista pobre e dotado que um generaI rico e capado.
Os eunucos sempre serviram de conselheiros políticos na China. Desde o período Chou (1122 a.C.) até Mao Tsé Tung acabar com a antiga prática do corte de ovos.
Também atuaram na Pérsia e nos impérios romano e bizantino. Imagine que foi só em 1878 que o papa Leão VIII acabou com a moda de castrar crianças para que fizessem bonito nos coros gregorianos.
Houve também malucos que, interpretando mal um texto de Mateus, cortaram os documentos na crença de que estava cumprindo a vontade de Deus.
No dia que este esporte voltar a ser in, vocês não verão ateu mais fervoroso que eu.

As posições sexuais favoritas das norte-americanas


De conchinha, cowgirl, papai e mamãe... As posições sexuais mais populares são muitas, e você pode até pensar que a sua favorita é apenas uma preferência pessoal, mas um novo estudo descobriu que elas podem ser tendências.

A pesquisa, realizada pelo site “AskMen”, vasculhou dados do Google AdWords (plataforma que monitora assuntos mais pesquisados no buscador) vindos de todos os cantos dos Estados Unidos para apontar as posições sobre as quais os americanos mais pesquisam.


Em primeiro lugar está a “doggy style”, em que a mulher fica de quatro e o homem a penetra por trás.


Em segundo aparece o famoso “69”, em que os parceiros se deitam com as extremidades voltadas para lados opostos e fazem sexo oral um no outro.


Vencedora em 29 estados, a “mulher no topo”, também conhecida como “cowgirl”em que a mulher senta-se sobre o homem e dita o ritmo do sexo, também provou sua popularidade entre as posições sexuais.

Alguns estados, porém, contrariaram o entusiasmo acerca dessas posições mais “comuns” e demonstraram alguns interesses mais específicos.


Em New Jersey e Massachusetts, a posição mais buscada é a “facesitting”, em que uma das pessoas fica deitada fazendo sexo oral na outra, que se “senta” sobre seu rosto.


O Missouri, porém, parece mais animado a respeito da “criss cross”. Nela, a mulher se deita e apoia as pernas nos ombros do parceiro, que a penetra ajoelhado.


Além disso, o estudo também fez um levantamento de quais estados estão procurando mais sobre posições sexuais no Google.

Com buscas duas vezes maiores que a média nacional, o Wyoming parece estar fascinado com o assunto, mas Washington fica no topo com uma porcentagem quase quatro vezes mais alta que a média.


Algo que o AdWords não pode informar, porém, é a quantidade de vezes em que os americanos realmente aproveitam as pesquisas que fazem na vida real.

Questionadas sobre o que é mais importante para que elas achem que a transa foi boa, as entrevistadas indicaram dez itens (nesta ordem): as preliminares, chegarem ao orgasmo, o parceiro ser carinhoso, os dois gozarem juntos, o parceiro olhar nos olhos, o parceiro ter orgasmo, fazerem várias posições diferentes, o tamanho do pênis do companheiro, a transa ser precedida por um jantar, o parceiro as elogiar o tempo todo.


Segundo as conclusões do estudo, para conseguir levar a mulher para a cama na primeira noite, o mais importante não é estar bonito e perfumado.

Elas apontaram dez itens que realmente pesam nesta decisão.

Os cinco campeões (juntos eles somaram 68% das respostas) foram: você mostrar o quanto ela é importante para você, ter um bom papo, se mostrar cheio de desejo, criar uma situação especial, como um jantar, falar coisas sensuais em seu ouvido.

Portanto, aproveite bem suas férias nos EUA apresentando pras nativas locais o fantástico canguru perneta...

segunda-feira, julho 24, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 9)


CATARINA, a Grande (1729-1796) – Está aí uma mulherinha pra feminista alguma botar defeito: pintou, bordou, cerziu, tricotou, crochetou, trepou, bacanalou, bestializou, barbarizou, transou, deu, comeu, escalou, enfim, vocês entenderam que ela era grande no esporte, não é?
Além disso, foi imperatriz da Rússia e – como a maioria das putas – devia ser simpática, pois, embora alemã de nascimento, era amada pelo povão.
Filha do príncipe Anhalt Zerbst, aos dezesseis anos casou com Pedro, o futuro Czar.
Um ano depois ela encheu o saco e informou à escandalizada corte, provavelmente numa linguagem mais refinada do que a do locutor que vos fala, o que, em síntese, seria o seguinte: “Há um ano que eu venho tentando, mas não há jeito de o Pedro me comer!”
Dito isto, passou a dar descaradamente para dois sujeitos: Saltykov e Poniatowski.
O que tinha de jeitosa tinha de descarada.
Deu tão abertamente que Pedro foi obrigado a bani-la do palácio.
Pra que a bichona foi fazer uma coisa dessas!
A massa ignara ficou puta dentro das calças: “Como é que é, Pedroca? Não comes a Catarina e ficas aí dando uma de machão?”
Resultado: Pedro foi destronado e a princesinha alemã colocada em seu lugar.
Rapidamente ela provou que sabia fazer duas coisas muito bem: felacio e política.
Fazia ambas con gusto.
Dizem as más-línguas – quero dizer: línguas não tão boas quanto a dela – que os oficiais de sua guarda pessoal que não fossem horrendos, eram parte do seu estábulo de garanhões.
Todas as noites, antes de dormir, ela selecionava um para lhe fazer companhia.
Se agradasse, o cara passava a ser amante oficial com todas as regalias até... a primeira broxada, ocasião em que era posto na reserva.
O negócio funcionava mais ou menos assim: ela dava um pulo ao estábulo de oficiais-garanhões de régua na mão.
Selecionava um, que mandava para o exame médico.
Depois do esculápio da corte dar o seu nihil obstat do ponto de vista físico, ela o mandava para ser provado por duas amigas e confidentes: a condessa Bruce e mme. Protassav, que, é claro, também eram da fuzarca.
Somente depois das duas dizerem “Pode ir, imperatriz, que é uma boa”, é que ela o nomeava ajudante-de-ordens para servir junto ao seu leito.
Também gostava de cachorros e cavalos e era tão vaidosa que depois de mandar fazer uma peruca deixou o peruqueiro três anos na cadeia para que não espalhasse a notícia.
Confessou na ocasião: “O defeito das bichas é que elas falam demais!”
O talento de Catarina como felatriz foi imortalizado nos móveis do palácio Gatchina, perto de Leningrado, que sobreviveu à revolução de 1917.
Num móvel, a imperatriz amada por seu povo aparece chupando uma iguaba.
O Estado de Santa Catarina não tem nada a ver com ela, que era grande, mas não era santa.

CELIBATO – No mundo pré-cristão já havia muitas restrições a sacerdotisas e sacerdotes transarem entre si ou com a plebe rude. A coisa, porém, funcionava mais para as mulheres-sacerdotisas do templo de Minerva e Diana (duas deusas que não eram chegadas ao sexo oposto).
Não existe no Novo Testamento nenhuma passagem que fale em celibato para os apóstolos.
Em verdade, a primeira vez que se exige a castidade dos padres é no Conselho de Elvira, na Espanha, no ano de 305.
Há muitas lendas sobre padres que corriam das mulheres como o diabo da cruz.
Eu, pessoalmente, nunca vi falar, em tempos modernos, de algum padre que tenha permanecido casto a vida inteira.
Trata-se de uma jogada inteligente da Igreja católica, que jamais abolirá o celibato para padres, salvo em casos muito especiais.
É que vestido com a batina, com aquela voz especial de seminarista, aos olhos do homem comum, o padre não é homem e nem mulher e está acima das coisas da carne.
Se não pensasse desse modo, nunquinha que o camponês deixaria sua mulher se confessar com outro homem.
Se o padre Alexandre VI, nascido Rodrigo Bórgia, aos sessenta e dois anos tinha uma amante de dezesseis, bem mais moça que muitos de seus filhos bastardos, imaginem o que não poderia fazer um padrezinho discreto do interior!
Um modo tranquilo do Vaticano assegurar a virgindade dos padres seria castrá-los ou parar de falar no assunto.
Fora da Igreja há alguns casos célebres de castidade e celibato: Immanuel Kant morreu virgem e sir Isaac Newton nunca foi para a cama com uma mulher (ou homem ou gato ou cachorro), o que pode não explicar seu gênio matemático, mas explica suas constantes dores de cabeça.
Bernard Shaw casou-se e, inquirido sobre os prazeres da vida sexual, respondeu: “Experimentei uma vez. Tedioso, ridículo e cansativo”.
Foi casado com mme. Bernard Shaw, mas nunca fuderam.

CENSURA – Em qualquer país razoavelmente civilizado, quando ela existe, é apenas classificatória, ou seja: determinados espetáculos só podem ser assistidos por maiores de dezoito anos. O Brasil, que ainda está fazendo vestibular pra nação, tem e não tem censura.
Não tem porque deram até uma festa (quando o deputado Fernando Lyra era ministro da Justiça), no teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, para comemorar o seu fim.
E tem porque sempre que qualquer pessoa ligada à uma alta autoridade judiciária, legislativa, executiva ou clerical se sente “escandalizada” diante de obra escrita, falada, televisada, etc., a censura volta a ser acionada.
Foi assim por ocasião de um filme chatíssimo de Godard – Je vous salue, Marie –, que acabou não passando no Brasil.
Interessante que na mesma época a televisão apresentava um comercial no qual os três reis magos davam de presente para o menino Jesus um walkie-talkie e a Virge Maria piscava os olhos de felicidade.
Ninguém reclamou.
Eu disse que o Brasil está fazendo vestibular para nação porque não se pode considerar nação um país que impede quase 100 milhões de seus filhos de exercerem seus direitos de cidadania.
Daí a censura: uma instituição fascista composta de alguns senhores que se consideram sexual e politicamente superiores aos mortais comuns.
Imaginem que esses senhores passam o dia inteiro vendo obras perigosas que se fossem realmente tão perigosas já os teria transformado em verdadeiros maníacos homicidas.
De todas as censuras, a pior de todas é a autocensura.
Imaginem que quinhentos anos antes de Cristo, Sófocles escreveu uma tragédia na qual o personagem central, Édipo, além de matar o pai, Laio, casa-se com a mãe e tem filhos com ela.
Dois mil e quinhentos anos depois, Dias Gomes escreve uma novela de TV em cima da peça de Sófocles, só que nela o filho não vai pra cama com a mãe.
Progrediu ou não progrediu a autocensura?
Talvez mais perigosa que a autocensura seja a censura política.
O caso que me dá arrepios foi registrado no filme dirigido por Sydney Pollack, Os Três Dias do Condor, no qual o protagonista descobre uma trama da CIA para assassinar líderes políticos e dar um golpe no país.
Ameaçado de morte, ele busca refúgio na redação do New York Times, onde pretende denunciar tudo.
O filme acaba com ele entrando na redação e o espectador sem saber se o jornal faz ou não parte da conspiração.
Macaqueamos em tudo os Estados Unidos, menos no que eles têm de positivo.
Por que não colocamos na nossa Constituição a primeira emenda da Constituição americana: “Não se pode legislar sobre liberdade de expressão”?

ABC do Fausto Wolff (Parte 10)


CIRCUNCISÃO – Invenção de Deus. Sério. Um dia ele estava muito entediado e disse: “Aquele que tiver oito anos entre vocês deve ser circuncidado. Quem não tiver o prepúcio cortado terá cortada a sua alma à parte do meu povo, pois quebrou o pacto” (Gênesis, XVII, 10-14). Quer dizer: Deus, além de ter posto uma cobra no Paraíso, ainda fez um homem que precisava ser mutilado! É dose!
E ele, Deus, será circuncidado? E se é, quem levou a cabo a operação? E se não é, não estará transgredindo a sua própria lei?
Embora os judeus e muçulmanos pretendam que Deus e Alá tenham sido os inventores da circuncisão (ato de cortar parte do prepúcio dos recém-nascidos e neófitos entre judeus e algumas seitas muçulmanas), a verdade é que este rito de mutilação (sem perguntar a opinião da criança) já era praticado em tempos pré-bíblicos.
Até metade do século passado, uma tribo árabe costumava tirar toda a pele do pênis do menino em frente do seu pai e futura noiva.
Uma quinta parte dos garotos morria na operação e aquele que não morresse, mas chorasse, acabava sendo morto pelo próprio pai, por ser covarde e indigno.
Certas tribos africanas que nunca ouviram falar no deus dos judeus preferem circuncidar as meninas, amputando-lhes o clitóris.
Como vocês podem ver, o único fenômeno que realmente não conhece limites é a estupidez humana.

CLÉOPATRA (69 a.C. – 32 a.C.) – Como a História é sempre escrita pelos vencedores, é preciso dar um bom desconto. Foram romanos como Virgílio (seu contemporâneo) e Plutarco (cem anos depois) que escreveram sobre Cléopatra. Aparentemente não era um mulherão: baixinha de traços delicados, mas com uma energia, charme, sensualidade e ambição impressionantes. Tão impressionantes que estou aqui escrevendo sobre ela mais de 2 mil anos depois da sua morte, em vez de ir à praia.
Foi a sétima Cleópatra e a última rainha da dinastia Ptolomeu, macedônios que governaram o Egito durante trezentos anos. Para quem não sabe, a Macedônia ficava onde hoje está a Iugoslávia.
Diderot dizia que se o nariz de Cleópatra fosse um pouco maior ou um pouco menor, a história da humanidade seria outra. Diderot não entendia nem de retórica nem de assalto.
Por que não dizer então que se César, conhecido como marido de todas as mulheres e mulher de todos os maridos, fosse um pouco mais viado do que era, o mundo não seria hoje o que é?
O pai de Cleópatra, Ptolomeu XII, vivia de porre e inteiramente subjugado ao poder romano.
Quando ele morreu, Cleópatra, segundo o costume egípcio, casou com o irmão Ptolomeu XIII. Ela tinha dezessete e ele dez anos.
Ptolomeu era uma bichinha muito dengosa e inteligente e percebeu logo que se deixasse a irmã-esposa (o casamento nunca foi consumado) permanecer no Egito ele é que não permaneceria muito tempo no trono.
Aconselhada por bichas mais taludas, expulsou nossa heroína, que fugiu para a Síria onde preparou um exército para invadir o Egito.
A esta altura, César, um careca de seus cinquenta anos, mas o homem mais poderoso do mundo, resolveu acabar com a briga das crianças.
Cleópatra, que parecia saber que seria tema de Gibbon, Shakespeare, Shaw e uma porrada de diretores de cinema medíocres, preparou sua rentrée triunfal.
Seu escravo, Apolodorus, jogou-a de dentro de um tapete e ela foi rolando até os pés de César no palácio de Alexandria. Aparentemente o coroa gamou e a comeu no mesmo dia.
Depois tentou reconciliá-la com o esposo-irmão, mas a bichinha morreu numa batalha e ela casou-se com outro mano, ainda mais moço, Ptolomeu XIV, que morreu envenenado posteriormente.
Com César teve um filho chamado Cesário e dois filhos com Marco Antônio.
Pode-se dizer que tanto César quanto Marco Antônio se apaixonaram de fato por Cleópatra.
Ela, porém, não era uma bobinha qualquer: dona de uma cultura poderosíssima, queria – e quase conseguiu – fazer do Egito o Império Oriental.
Não se deixou aprisionar viva, como pretendia Otávio, mas deu um jeito de ser mordida por uma serpente naja. Saiu de cena tão espetacularmente como entrou.
Seu filho com César foi assassinado por ordem de Otávio e seus filhos com Marco Antônio foram criados como patrícios romanos.
Era o fim da dinastia Ptolomeu, mas a morte de Cleópatra a transformou numa legenda, o símbolo que mantém vivo o nacionalismo egípcio até os dias de hoje.
Não era bem o nariz – conforme queria Diderot – que amarrava o poder a Cleópatra. Ela teria sido a mais famosa felatriz do mundo antigo. Segundo Virgílio, teria chupado mais de mil homens.
Talvez por isso os gregos a chamassem de Cheílon (a dos lábios grossos), ou a mulher das mil bocas, que teria felaciado cem oficiais romanos numa noite.
Para uns, César já sabia disso quando entrou na dela; para outros, ela era virgem quando conheceu César.
Enfim, como eu escrevi no princípio do verbete, não foram os egípcios que escreveram a História.

ABC do Fausto Wolff (Parte 11)


CLITÓRIS – Se alguma feminista, dessas que fazem a barba duas vezes por dia, chegar para você, leitor amigo, ou você, leitora amiga, e botar banca dizendo que usa o clitóris de lado, não acredite. As feministas que me perdoem, mas clitóris é uma peça delicada que foi bolada para ser pequena.
Trata-se de um pênis rudimentar (aliás, não sei por que estou dizendo esta bobagem, pois é muito mais sensível que qualquer pênis) e algumas mulheres têm até dificuldade em encontrá-lo. O que também não deve preocupar a gentil leitora.
Preocupe-se antes se o seu marido não conseguir encontrar o pau entre os pentelhos.
Mas, voltemos ao clitóris: imaginem que o maior do mundo – o da baleia – não chega a ter oito centímetros.
Realmente não é muito, se levarmos em conta que a sua vagina agasalha a trolha do baleio: nada menos de três metros em estado semi-ereto, o que torna ridículo a jeba de metro e meio do elefante africano.
Graças à hipocrisia e à ignorância humanas, até quarenta anos atrás muitas mulheres nem sabiam que possuíam um clitóris e as que sabiam não sabiam o que fazer com ele.
Era o caso da imperatriz Maria Teresa, da Áustria, que, preocupada com a sua esterilidade, foi procurar seu médico, van Sweiten.
Ela confessou: “Eu tenho certeza, doutor, que se pudesse ter um único orgasmo, eu teria filhos!”
Depois de muitos rodeios, van Sweiten ousou dar um palpite: “Eu arriscaria dizer que o clitóris de sua mais sagrada majestade deveria ser titilado por algum tempo antes do coito propriamente dito”.
É verdade que o orgasmo não tem nada a ver com a mulher ficar grávida ou não, mas o fato é que Maria Teresa foi mãe de dezesseis príncipes.

COITO – Instado a responder sobre qual o seu tipo de coito preferido, o português não titubeou: “Prefiro o coito anal”. “E por quê?”, perguntou a jovem repórter da TV Globo. “Porque o coito oral é puramente teórico. Fala-se muito e não se faz nada. O vaginal não é pro meu bico. É coisa pra quem pode comer Gina Lollobrigida e outras estrelas do cinema. O anal é apenas uma vez por ano, mas é melhor do que nada”.
Se você está como o português da anedota, meu irmão, tire o cavalo da chuva porque não sou eu que vou explicar-lhe o que é coito.
Para dizer a verdade você está fudido, ou melhor, você está coitado. Quem sabe é isso? Os pais praticam o coito e nascemos nós, os coitados.
Para que um verbete especial para o coito se eu não falo de outra coisa neste livrinho? Apenas para chamar a atenção para o louva-a- deus, para a colônia Oneida e para o gokuraku-ojo.
O louva-a-deus, este bicho parecido com um gafanhoto, mas bem mais feroz, deve gostar muito de fuder.
Saibam que há quem garanta que ele só pode trepar satisfatoriamente depois que a fêmea tiver devorado metade de sua cabeça. Parece que tem alguma coisa a ver com liberar inibições.
Depois de comida metaforicamente, a louva-a-deus come literalmente o que restou do seu marido.
O pessoal da colônia Oneida (Estado de New York) pratica o coitusreservatus, tradição que trouxeram com eles da índia para os Estados Unidos no século XIX.
A coisa é aparentemente muito simples: trata-se de introduzir o chamado membro viril dentro da vagina mas não gozar, deliberadamente.
Tanto hindus, como chineses e árabes, praticam o método. Dão-se ao luxo de receber clientes, discutir negócios, etc. e tal, sempre dentro de suas concubinas. Ao chegar em casa à noite, finalmente, gozam com as respectivas mulheres.
O gokuraku- ojo significa, simplesmente, morrer de tanto fuder. O casal de amantes se encontra e trepa até um deles morrer.
Geralmente, morre o homem e a mulher-louva-a-deus sai atrás de outra vítima, quase sempre, como no filme O Império dos Sentidos, com o pau do amante na bolsa.
Quem morreu de gokuraku-ojo sem ter nunca ouvido falar de gokuraku- ojo foi o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Nelson Rockefeller. Morreu em cima da secretária. No Japão seria considerado um herói.
Existem 123.414 posições em que o coito pode ser praticado. Ou seriam 123.415? Ih, agora, eu me compliquei todo.

COLETTE, Sidonie Gabrielle Claudine (1873-1954) – Filha da burguesia rural francesa, Colette até que era bem jeitosinha quando, aos vinte anos, se casou com um escritor medíocre – amigo da família – chamado Henry Gauthier Villars.
Willy – como era conhecido o marido – tinha trinta e cinco anos e logo percebeu que sua mulherinha possuía, além de dotes sexuais, dotes literários.
Foi por isso que a incentivou a escrever romances contando as aventuras e fantasias eróticas de uma jovem colegial. Ela escrevia, ele assinava e embolsava o dinheiro.
Depois de algum tempo ela encheu de dar boa-vida ao malandro e em 1906 se separou dele e começou a assinar seus livros.
Nesta época, também, passou a se interessar por teatro. Acabou fazendo turnês de razoável sucesso por toda a França. Troço meio erótico no qual uma bailarina solitária apaixona-se por uma cenoura ou vice-versa.
Casou mais duas vezes e seu sucesso literário veio mesmo em 1920, quando publicou Chérie.
Isto tudo que escrevi aí em cima (com exceção da cenoura) é verbete para qualquer dicionário bem-comportado como o de Ambrose Bierce, por exemplo.
A verdade é que Colette gostava mesmo era de fuder com qualquer coisa que se movesse.
Willy era um mau-caráter e um dia Colette o flagrou comendo uma anã desdentada. Se continuou com o marido foi porque gostava de ir para a cama com as secretárias dele.
Só lhe deu um pé na bunda quando passou a não aguentar mais ver a sua cara bochechuda. Costumava chamá-lo de rainha Vitória.
Colette apareceu dançando com os seios de fora no palco de um famoso music-hall parisiense.
Na plateia estava Missy, nada menos que a marquesa de Balbeuf, descendente de Napoleão. (Não tem nada a ver com o assunto, mas aí vai: a família de Napoleão, até ele tornar-se imperador, era toda certinha. Com o poder começaram a aparecer todas as sacanagens.)
Pois a Missy gostava daquilo que eu gosto e que Alfred de Musset, Apollinaire e a própria Colette chamavam de monte de vênus. Xota, se me entendem.
Enfim, Missy tomou conta de Colette e se tornou não só sua amante como sua empresária e coreógrafa.
Num número que ficou famoso, Colette aparecia no palco vestida de múmia e aos poucos se desfazia das ataduras até que, completamente nua, dançava com o seu príncipe encantado que era nada menos que a própria Missy vestida de homem.
Colette não era exatamente lésbica. Tanto que depois de se divorciar de Willy se casou com Henry de Jouvenel, editor do jornal Le Matin, onde escrevia, e com ele teve sua única filha.
Não se pode dizer que Colette lhe fosse infiel, pois só ia para cama com mulheres e às vezes o convidava para ser juiz da luta aranhal.
Foi amante de Missy durante todo o seu casamento com Jouvenel. Era o maior barato ver as duas aparecerem em bacanais femininas vestindo smoking.
As festas acabavam invariavelmente com dezenas de mulheres nuas, exaustas depois de passarem a noite toda brincando de mamãe-mamãe.
Colette usava no tornozelo uma pulseira onde estava gravada a frase “Pertenço à Missy”, o que – é claro – era chute, pois muitas outras lésbicas andaram com a boca entre as suas coxas.
Uma delas foi Natalie Barney, uma milionária americana, amiga de Hemingway. Numa carta enviada a Natalie, Colette finalizou dizendo: “Natalie, meu marido beija as suas mãos e eu o resto”.
Depois de se divorciar de Jouvenel, teve um caso com o filho dele, Bertrand, de apenas dezenove anos.
Só sossegou o pito – em parte – aos cinquenta e dois anos, quando conheceu o jornalista Maurice Goudeket, que tinha trinta e cinco anos e muita tesão, tanto que comeu Colette até o dia da sua morte (dela, naturalmente) aos setenta e dois anos, em Saint Tropez. Faziam amor para uma plateia de mais de vinte gatos.
Escritora menor, foi uma mulher bem maior que sua obra.

ABC do Fausto Wolff (Parte 12)


COPROLAGNIA – Coisa de porcalhão ou porcalhona. Tara de gente de que se excita com sujeira, feridas abertas, tumores e um bom furúnculo de sobremesa. Às vezes eu me pergunto se esses puritanos babacas, que vêem uma mulher nua e dizem que é coisa suja, não são, em verdade, coprolagnistas, todos eles.
Desde que o mundo é mundo que existem neguinhos com a cuquinha torta que gostam de brincar com merda, mijo, vômito, etc.
E já houve época em que esses tarados e taradas eram considerados pessoas extremamente piedosas que se comoviam ao ver a miséria, a dor, o sofrimento.
Algumas chegaram a ser santificadas, como Santa Margarida Maria Alacoque, uma freira do século XVII, cuja especialidade era limpar o vômito dos doentes... com a língua.
Inocentemente ela escreveu em seu diário, depois de usar a língua como trapo de chão: “Senti um prazer tão indescritível, que desejei fazer a mesma coisa todos os dias”.
Os leprosos – dizem as boas línguas – chegavam a correr quando viam São João da Cruz se aproximar: “Lá vem aquele maluco pedir para lamber as chagas da gente!”

CORTESÃ – Amante de alta classe ou prostituta de luxo, geralmente associada com a corte ou, pelo menos, com os javalis da alta sociedade. Na Grécia antiga, as cortesãs eram festejadas como estrelas de cinema hoje em dia e muitas estátuas foram erguidas em homenagem a elas que, afinal, eram experts em erguer outros troços.
Havia mesmo quem publicasse – na Pérsia, na Síria, no Egito, na Grécia, na antiga Roma – cartilhas ensinando o beabá da arte alpina para moças que quisessem fazer carreira horizontal. (Falar em carreira, lembrei de cocaína e lembrei que não incluí o pó na letra “c”. Dá para escrever um livro. Talvez a inclua na letra “p”, se estiver com saco.)
No manual elas podiam ler instruções como esta: “Mantenha o ciúme dele aceso permanentemente” ou “Deixe-o ver as marcas e chupões nos seios e no pescoço, nem que você mesma tenha que mostrá-los”.
Frinéia, a mais famosa das cortesãs gregas, possuía um corpo tão monumental que uma vez, durante um caso na corte que ia indo muito mal para ela, seu advogado apelou para o sensacionalismo: puxou a túnica que a cobria e revelou seu corpaço aos juízes. A moça (não tão moça, naturalmente) foi absolvida na hora.
Ganatéia, de Atenas, era conhecida por suas tiradas brilhantes. Um dia, ao ganhar de presente uma garrafa de vinho de dezesseis anos, exclamou: “Bem pequeno para a idade que tem”.
A vovó Mae West, ex-cortesã de Hollywood, que já foi boa pacas, deu uma dessas uma vez num baile durante os roaring twenties.
Estava dançando agarradinha com um cara, quando de repente perguntou pra ele: “Você está com um revólver no bolso ou devo considerar isso uma declaração de amor?”
Pois é, depois, nos anos 60, inventaram essa dança idiota na qual a mulher fica rebolando sozinha enquanto que o “galã” faz as evoluções lá dele para os garçons, provavelmente.
Mas deixem eu voltar às cortesãs: Carlos II da Inglaterra tinha duas cortesãs como amantes: a duquesa de Porthsmout, que era católica (nunca vi ninguém mais religioso que puta), e uma tal de Neil Gwynne, que começou como vendedora de laranjas em Drury Lane, chegou a atuar como atriz e teve vários protetores até que trocou os lençóis de lorde Donset pelos do rei.
Quando uma multidão anticatólica confundiu-a com a outra amante do rei, ela berrou antes que a linchassem: “Calma, pessoal, que eu sou a puta protestante!”
E no Brasil? Bem, no Brasil há as massagistas facilmente encontráveis nos anúncios classificados de jornais conservadores como O Globo, Jornal do Brasil e Estado de São Paulo.
As cortesãs, porém, vocês encontrarão lendo a crônica social.

ABC do Fausto Wolff (Parte 13)


CROWLEY, Aleister (1875-1947) – Inglês malucão, debochado, mágico e sacana. Ninguém percebeu isso até os seus vinte e três anos, pois até então o bicho só se interessava em escalar montanhas, escrever maus poemas e estudar os clássicos.
Mas aos vinte e três anos alguém o convenceu a entrar para a Ordem Hermética do Crepúsculo Dourado, que mexia com mágica. A partir desse dia, Crowley manteve um diário: O Diário Mágico da Besta 666. Além disso, publicou uma revista, O Equinócio, e se especializou em caratê boliviano, ou seja, cheirava cocaína pacas.
Em 1912 ele foi apresentado a um outro malucão, que o convenceu a entrar para a Ordem dos Templários Orientais, que trabalhava no ramo de mágicas sexuais.
Vocês já sentiram que vem sacanagem por aí, pois não?
Não foi difícil convencer o Crowley a entrar para a ordem e, a partir do dia da sua entrada, passou a anotar no diário as suas sessões (análise, minha senhora? Análise é grupo) de masturbação de grupo, a manibus plenis e uma variedade de sacanagens com nada menos que sessenta e oito mulheres diferentes, sempre neste lance de mágica.
Um tópico bastante comum em seu diário: “Três putinhas de vinte e poucos anos nada especiais. Ainda assim a orgia durou das onze da noite às dez da manhã com raros e rápidos intervalos”.
A Primeira Guerra Mundial obrigou Crowley a se refugiar na América, pois as suas guerras eram outras.
Lá ele reiniciou as suas sessões de mágicas sexuais para um público cada vez maior.
Ele tinha um show que chamava de Opus XIII, no qual atuava uma prostituta mulata.
Eis o que escreveu no diário: “A operação foi tremendamente orgíaca, levando-se em conta a mediocridade da minha assistente. Foi, porém, muito difícil recolher o elixir da cocurbite”.
A cocurbite era a vagina e o elixir o seu próprio esperma que, depois de recolhido, era tratado como merenda diante da plateia.
Em 1919 Crowley retornou à Inglaterra e se viciou em heroína e não estou falando de Anita Garibaldi nem da Mulher Maravilha.
Mais taradão que nunca, se mudou para a Sicília, onde fundou a Abadia de Thelema, um centro de ocultismo que difundia sua doutrina: “Faça tudo aquilo que você achar que for legal”.
Uma porrada de maluquinhos se juntou à volta do malucão que era chamado de mestre e, entre eles, a sua amante Leah Hirsing, a mulher escarlate, Ninette Fraux, a segunda concubina da Besta e o irmão Chenestai, um jovem marinheiro que Crowley trouxe da América.
Sentiram a jogada? Cansado de tanta mágica com mulher, Crowley acabou virando mágico mesmo!!!
É isso aí: passou a esconder, fazer desaparecer o cheio de varizes do marinheiro.
As orgias eram públicas, pois segundo a Besta 666, como Crowley gostava de ser chamado, “eles têm que ser treinados na falta de vergonha . Eu mesmo me culpo por ainda ter vergonha em me prostituir publicamente com o irmão Chenestai”.
Eventualmente, os discípulos envelheceram ou encheram o saco e acabaram por se dispersar.
O jovem marinheiro enlouqueceu de vez e Crowley voltou para a Inglaterra, onde morreu aos setenta e dois anos numa pensão vagabunda, lendo um livro de sacanagem.

CU – É cu mesmo. Não confundir com Coo Stark, modelo que foi namorada do príncipe Andrew, da Inglaterra. Stark em alemão quer dizer forte.

D-TRISSOMIA – Também conhecida como Trissomia-13. Às vezes, quando os cromossomos não se entendem, surge essa doença que só atinge seres humanos. Aliás, um em cada 5 mil nasce com a D-Trissomia.
Eis as características: microcefalia (cabecinha – a superior – bem pequena), retardamento mental profundo, dedos extras nos pés e nas mãos, boca mole.
Essas são apenas algumas das anomalias descritas pela primeira vez em 1675.
O que ocorre é que o cromossomo nº 13 se triplica e esta desordem ocorre, geralmente, no terceiro mês de gestação.
Menos de 18% dos que nascem afetados pela D-Trissomia vivem mais que um ano.
Dizem, porém, que os que sobrevivem conseguem ser bons políticos, publicitários, cronistas sociais, policiais, militares, assistentes de saunas masculinas, galãs de novela e até mesmo psicanalistas, profissões que, sabidamente, não exigem muito esforço mental.

DAMIANI, Petro (1001-1072) – Religioso italiano muito chato. Viveu toda a vida obcecado pela ideia de que a virgindade feminina (e masculina) deveria ser preservada. Milhares de sacanas nas ruas cantando as moças para darem e ele cantando-as para não darem.
Outro troço que ele gostava de fazer era pregar dentro de bordéis, estabelecimentos que não faltavam na Itália daquele tempo e nem na de hoje.
As putas ouviam seus sermões, choravam pacas e continuavam dando, pois não sabiam fazer outra coisa.
O fato de Damiani ter sido literalmente filho de uma puta deve ter influído no seu comportamento. Não convenceu ninguém.

ABC do Fausto Wolff (Parte 14)


D’ANNUNZIO, Gabriele (1863-1938) – Como escritor e autor de teatro, definitivamente datado. Quando eu era criança costumava folhear seus livros só para ler as passagens sacanas, ricas em eufemismos como “monte de vênus”, “dardo do amor”, “globos de carne” e outras besteiras.
Este careca baixinho (tinha 1,65 m) não foi flor que se cheirasse, mas devo dizer uma coisa a seu favor: não foi hipócrita e era um cara corajoso.
Filho do prefeito da cidade de Pescara, desde a adolescência era conhecido (e admirado) como grande comedor de mulheres.
Com vinte anos, contra a vontade do pai da moça, se casou com Maria Gállese, filha do duque de Gallese, que não sabia que ela estava grávida.
Aos vinte anos ele já tinha reputação de galinha, mas ainda assim Maria ignorou as ameaças do pai.
Não deu outra: D’Annunzio, em quatro anos, lhe fez três filhos, a corneou com dezenas de mulheres e gastou quase toda a sua fortuna.
Maria, porém, declarou certa vez que, apesar do trabalho extra fora de casa, ele não descuidava dela, comendo-a sempre que requisitado.
Já outras línguas ressaltam que Maria gostava mesmo era de viados.
Não os de quatro patas, mas os de duas pernas.
Morreu em 1887, aos vinte e seis anos, conhecida como a Rainha das Bichas, ou, como diziam os italianos da época, La Regina dei Finocchi.
Viúvo, D'Annunzio continuou gastando com empregados e mulheres o dinheiro da herança da mulher (que deveria ir para os filhos) até que em 1910 teve que fugir dos credores e foi parar na França, onde continuou comendo tudo que usasse saia e não fosse nem escocês nem padre.
Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, voltou para a Itália para se transformar no maior herói e piloto de guerra italiano e chegou a ficar cego de um olho em ação. Era rara a mulher, depois disso, que não quisesse ir para a cama com o baixinho careca.
A verdade é que ele fez a fama, deitou na cama e ficou esperando o mulherio, que arriscava fortuna e reputação para ser comido por ele.
Feministas, atenção: tratava mal as mulheres, jamais aceitou a possibilidade delas terem um cérebro e, entretanto, parece ser verdadeira a afirmação de que foi para a cama com mais de mil delas.
Na condessa Mancini, com quem teve um romance, ele conseguiu desenvolver um complexo de culpa tão grande que a mulher pirou.
A marquesa Alessandra de Rudini Carlotti, filha do primeiro-ministro italiano, depois de abandonada por ele, entrou para um convento.
Da bela Bárbara Leoni levava alguns pentelhos dentro de um medalhão. Depois que trepavam, enquanto ela dormia, ele anotava detalhes da foda, que posteriormente utilizava em romances que se tornariam muito populares.
A condessa Maria Anguisina gastou uma fortuna para manter o amor do romancista. O marido dela acabou botando os dois em cana por adultério. Em compensação, ficou conhecido como il grande cornuto d’Italia.
D'Annunzio fez dois filhos na condessa e se mandou para a cama da atriz Eleonora Duse, onde ficou durante nove anos, só saindo para comer outras mulheres e escrever novos romances e peças de teatro.
Ela também era maluca, pois bebia com ele durante o jantar estranhas misturas afrodisíacas servidas no crânio de uma virgem.
Nem isso fez com que ele deixasse de escrever um romance dizendo que havia se cansado dela (quatro anos e meio mais velha que ele) pois “aos quarenta e dois anos seus seios começaram a cair, uma coisa inconcebível”.
Malucão, disse que podia comunicar-se com a Duse (depois que ela morreu, é claro) sempre que comia uma romã em frente a uma estátua de Buda. Dizia ainda que depois de morto, queria ser disparado por um canhão ou desintegrado em ácido.
Fascista, como mais da metade da Itália na época, D'Annunzio morreu aos setenta e cinco anos escrevendo em sua elegante mansão no lago Gada, cercado por mais de cem empregados.
Um cara que leva uma vida como a que ele levou não precisa ser bom escritor, não é mesmo? Só não convenceu a atriz Sarah Bernhardt: “Aquele baixinho careca tem olhinhos de bosta”.

DASHWOOD, sir Francis (1708-1781) - Além de sacanólogo, um dos maiores sacanólogos do mundo, fundador de um clube de sacanas-satanistas chamado Clube do Fogo do Inferno. Comparados com os sócios do Hellfire Club (fica mais chique em inglês, não é mesmo?), os adoradores do bebê de Rosemary não passavam de pudicíssimas donzelas.
Aos dezesseis anos, por ocasião da morte dos seus pais, ele entrou numa grana pretíssima e partiu para...? Acertou quem pensou sacanagem.
Aos vinte e um anos já havia comido a imperatriz Ana da Rússia, fingindo ser o rei Carlos XII da Suécia.
Por que a imperatriz russa podia ser comida pelo rei sueco e por mais ninguém é um mistério quase tão impenetrável como alguém querer entrar para a Academia Brasileira de Letras e tomar chá com o José Sarney e o Eduardo Portella.
Não contente com isso, num domingo romano, armado de um longo chicote, entrou na capela Sixtina e lategou com saudável vigor a bunda dos penitentes que rezavam.
De volta à Inglaterra, fundou, juntamente com outros sacanólogos (o membro do parlamento John Wilkes e o escritor Lawrence Steme) o seu Hellfire Club, cuja sede era na abadia de Medmenham, em Londres.
Felizmente, Freud ainda não havia nascido para informar que uma vez que as coisas que agradavam a Dashwood não agradavam a Deus, ele sentiu-se na obrigação de adorar o Diabo. (E eu me pergunto: por que esta necessidade idiota de adorar algum troço?)
Vai daí que ele e sua patota, vestidos de monges, além de praticarem magia negra, ainda tinham sob seu domínio mais de cinquenta moças da melhor sociedade inglesa, que não devia ser das melhores.
Eram todas metaforicamente comidas enquanto se compraziam em imitar a madre Joana dos Anjos que foi, posteriormente, homenageada em grandes descabelamentos palhaçais por Aldous Huxley, Kavalerowsky e um diretor de cinema nervosinho chamado Ken Russell.
Além de sacana, Dashwood era também um pintor de razoáveis méritos. Decorou as paredes da abadia com afrescos eróticos onde abundavam velas em forma de trolha, crucifixos de cabeça para baixo, vitrais expondo os doze apóstolos em posições pouco ortodoxas... para dizer pouco, quase nada.
Na capela eram celebradas missas negras sobre o corpo de jovens peladas em cujos umbigos os sacanas bebiam vinho. Como bebiam galões todas as noites em que tinha missa, vocês bem podem imaginar quantos umbigos eram necessários pura matar a sede da rapaziada.
Quem duvidar do que eu estou dizendo, dê um pulo a Londres e visite a igreja, mediante uma módica contribuição. Ela está aberta à visitação pública.
Aparentemente, as sacanagens privadas de Dashwood não interferiram na sua vida pública, pois ele acabou sendo nomeado diretor-geral dos Correios Ingleses, cargo que exerceu com dedicação e honestidade até o dia da sua morte.
Acredita-se que não tenha ido para o céu e que os cornos do diabo aumentaram alguns centímetros desde que ele pintou no inferno.

ABC do Fausto Wolff (Parte 15)


DEFOE, Daniel (1660-1731) – Não tinha nada de sacana, o autor de Robinson Crusoe, Moll Flanders, Um Diário do Ano da Peste e Coronel Jack. Também não tinha nada de puritano. Era, isso sim, um moralista no sentido mais humano do termo, além de ser um dos seis melhores escritores da língua inglesa de todos os tempos, ombreando-se com Swift, Lawrence, Gibbons, Blake, Shaw, e só não falo em Shakespeare porque também seria covardia.
Tinha um grande caráter, foi o primeiro panfletário de categoria da Inglaterra e por isso acabou curtindo um tempo de prisão. Seu crime: a ironia do panfleto The Shortest Way to the Dissenters.
“Então por que está aqui neste ABC?”, perguntará a curiosidade mórbida do leitor que quer comer cru. E eu respondo: está aqui porque, em 1724, ele escreveu um ensaio intitulado: Conjugal Lewdness, a Treatise Concerning the Use and Abuse of the Marriage Bed and Marital Whoredom.
Nele Defoe trata de um mau costume muito popular na época: os sacanas, a fim de viver sem trabalhar, raptavam jovens herdeiras que depois defloravam.
Para evitar maiores escândalos, os pais da moça faziam com que ela se casasse com o canalha que, a partir de então deixava de ter problemas sociais, econômicos e sexuais.
Quando morei na Itália (graças à Redentora) entre 1968 e 1972 (depois fui morar em Copenhague), este hábito ainda era muito comum, principalmente na Sicília, onde uma moça que não fosse virgem (mesmo que houvesse sido estuprada por um biltre qualquer) estava desonrada para sempre.
Em 1970, uma jovem raptada e deflorada, rebelou-se contra este costume e denunciou o seu raptor que, em vez de casar-se com ela, foi parar na cadeia pra ver o que era bom pra tosse.
Em compensação, a jovem teve de mudar-se da Sicília, pois por onde passava aquelas mulheres de longos bigodes e vestidas de negro comentavam: “Guarda, la violata”.
Mas voltando ao Daniel Defoe, em seu ensaio ele disse: “Me parece um absurdo que um cavaleiro possa ter a satisfação de ver pendurado na forca o ladrão do seu cavalo e não possa enforcar o ladrão da sua filha”.
Logo depois da publicação do trabalho, raptar mulheres passou a ser punível com a morte.

DEFLORAÇÃO – Ato de romper o hímen, o que permite a penetração do pênis na vagina. Falei bonito, hein? Simbolicamente significa o fim da virgindade feminina que, porém, pode acontecer também acidentalmente, ocasião em que, convenhamos, perde muito em poesia, pelo menos. Cuidado, portanto, minhas virgens, ao montarem cavalos, andarem de motocicleta por estradas cheias de buracos, colocarem o tampax, o Modess ou o OB muito lá para cima.
Eu digo “cuidado”, leitorinhas, não porque queira (como o maluco do Damiani) que vocês continuem virgens, eternamente e nem porque creia que lhes agrade se manter neste estado ou, finalmente, que pretendam guardar esta fina membrana para a noite de núpcias.
Digo “cuidado” só porque imagino que perder a virgindade do modo tradicional – aquilo naquilo – deve ser muito mais divertido.
Já houve época (ver verbete anterior) que a jovem que fosse deflorada antes do casamento era apontada na rua pela suja puritanada.
Hoje em dia o preconceito funciona ao contrário: quem morre de vergonha é a moça que chega virgem ao casamento.
Senhoras que já comi ao longo do meu quase meio século de existência informam-me que “dói um pouquinho, sangra ligeiramente, mas o prazer supera a dor”. Quem, quando garoto, já solou uma neneta para fazer a dor de dente passar, manja do riscado.
O sangue produzido pelo rompimento do hímen já foi elemento principal de muitos rituais.
Na Europa, até o princípio do século XVIII, por exemplo, o rei depois de executar a rainha com quem recém se casara, exibia pra plateia ignara um lenço manchado de sangue, prova da virilidade dele e da inocência da moça.
Também, mesmo que o sangue fosse do dedo dele, quem iria discutir? Rei mandava pacas naquelas épocas.
Durante o século passado (e até mesmo hoje em dia) muitos babacas gostavam de contar vantagens sobre o número de jovens que haviam deflorado.
Vai daí que as donas de puteiros viviam providenciando “virgens” para esses idiotas. Havia sempre um médico de plantão nos bordéis.
A “moça” era “deflorada” e assim que o cliente se retirava era imediatamente revirginizada pelo esculápio, exímio restaurador de hímens usados. No dia seguinte, lá estava a nossa “virgem” à espera de outro imbecil.
Nas sociedades mais primitivas (mais ainda?) se acreditava que as moças que perdiam a virgindade antes do casamento abriam as portas para o demônio.
Aproveitando-se da falta do hímen, os demônios entravam nas bucetas e só saíam depois de exaustivos exorcismos. Ninguém explicava por que os sacanas não entravam nas vaginas casadas quando elas estavam momentaneamente desocupadas.
Mas quem é este modesto cronista para discutir dogmas?
Alguns antigos rituais de defloração eram verdadeiros exercícios de tortura. As senhoritas transformavam-se em senhoras diante da sociedade quando o hímen delas era rompido por enormes falos de pedra, madeira, marfim ou barro. As mocinhas mais ricas recebiam, naturalmente, os de marfim.
Nataniel Jebão, presidente do Sindicato Nacional de Cronistas Sociais sem Coluna, acha isso tudo muito complicado. Segundo ele, o hímen, como a crase, não foi feito para humilhar ninguém.
“Ele está onde está – diz Jebão – para ser usado apenas no momento em que o casal quer procriar. Uma vez que o clitóris está fora do útero, para efeitos de prazer, sugiro o coito anal que, por outro lado, ou melhor, do outro lado, é um anticoncepcional natural”.
Aconselho as leitoras mais impressionáveis a não levar a sério as palavras do nefando cronista mundano.

DEFORMAÇÃO SEXUAL – Além do infinito e do nada, a única outra coisa que, creio eu, não tem limites é a estupidez humana. Desde os primórdios da civilização, por exemplo, que homens e mulheres se mutilam para se tornarem mais atraentes sexualmente.
Até a revolução de Mao Tsé Tung, na China, por exemplo, as mulheres mantinham seus pés atados fortemente por panos, a fim de que jamais ultrapassassem, por exemplo, o nº 32.
As mulheres da tribo Bogobo, das ilhas Mindanao, limam seus dentes frontais até torná-los todos pontudos.
Em outras tribos do norte da África, as mulheres, desde crianças, colocam anéis, uns sobre os outros, no pescoço, de modo a esticá-los mais que Modigliani esticava os das suas modelos.
E os índios, como o nosso Raoni, que faz o mulherio correr atrás dele por causa do disco que tem no lábio inferior!
A mulher urbana progrediu muito nas últimas décadas: mutilação mesmo só o ato de furar as orelhas. No mais, equilibram-se sobre tacos que podem ir até quinze centímetros e lambuzam a cara todos os dias.
Os homens põem fumaça para dentro dos pulmões, através de pequenos caralhinhos de papel cheios de fumo, e usam um pedaço de pano no pescoço que ninguém sabe para o que serve.

Mutilação só os punks (apedeutas que não têm nada dentro da cabeça e por isso precisam colorir os cabelos), que gostam de enfiar argolas no nariz, e os judeus, que cortam um pedaço da pele do pau das suas crianças logo depois que elas nascem.