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terça-feira, junho 05, 2012

Ziggy Stardust completa 40 anos enquanto Bowie vive aposentadoria dourada



Há quarenta anos, um extraterrestre chamado Ziggy Stardust revolucionou a cena musical com sua imagem ambígua e andrógina, uma dúzia de memoráveis canções e um grupo que atendia pelo nome de Aranhas de Marte.

Foi assim que David Bowie criou um dos personagens mais imprescindíveis da cultura musical do século XX, um herói destinado a morrer em palco e que se apresentou ao mundo no dia 6 de junho de 1972 com um álbum conceitual e de título quilométrico: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

O disco, que devia ser reproduzido “no volume máximo”, permitiu que Bowie, no auge de seus bem-vividos 25 anos, reunisse todas suas influências acumuladas até então, desde o teatro mímico de seu mestre Lindsay Kemp até a poesia de Baudelaire.

Além disso, o “camaleão do rock” deu grande liberdade a suas fantasias futuristas com um personagem que interpretou em uma viagem inesquecível, cuja modernidade transgressora serviu de influência para milhares de jovens de todo o mundo.


 Essa época foi marcada por emblemáticas imagens, como aquela na qual Bowie – que havia se declarado gay publicamente –, fingia praticar sexo oral no guitarrista Mick Ronson.

Ziggy era um extraterrestre transformado em estrela de rock para confortar a humanidade em fase de extinção com uma mensagem de esperança, que Bowie levava aos palcos vestido com modelos impossíveis e uma imagem andrógina.

Foi a apoteose do glam rock.

É certo que toda aquela história futurista que combinava moda e som se amparava em um repertório de primeira, que, segundo as instruções impressas na capa do disco, deveria ser escutado no “volume máximo”.


O álbum começava com a apocalíptica Five Years e propunha uma verdadeira viagem através de suas 11 canções, sendo dez originais e uma versão de It Ain’t Easy, de Ron Davies.

Envolvido em um som poderoso, que combinava guitarras ferozes e violinos espaciais, Bowie deu forma a produção do álbum ao lado de Ken Scott.

Entre os temas, aparecem Starman, um dos singles mais celebrados da carreira de Bowie.

Por conta de sua temática – uma mensagem de redenção vinda das estrelas –, a faixa se encaixava perfeitamente no álbum.


Após o lançamento do disco, Ziggy Stardust e As Aranhas de Marte embarcaram em uma longa turnê pelo Reino Unido, Estados Unidos e Japão.

No dia 3 de julho de 1973, Ziggy se despedia da humanidade no emblemático Hammersmith Odeon de Londres com uma interpretação de Rock n’ Roll Suicide, cujos primeiros versos traziam a frase “A vida é um cigarro...”.

Ziggy não voltou a aparecer sobre o palco, mas várias de suas canções acompanharam Bowie em suas turnês posteriores.

O emblemático álbum, que agora completa 40 anos, se transformou em um ícone da libertação gay e foi um dos marcos musicais da década.

Desde então, sua influência não deixou de inspirar músicos de várias gerações.


Aos 65 anos, David Robert Jones goza de uma aposentadoria dourada, a qual não parece que será alterada por conta do aniversário de Ziggy Stardust.

A obstinada inatividade de Bowie, que já dura seis anos, deu margem a muitas especulações.

E se, na verdade, Bowie fosse um personagem criado por Ziggy Stardust?

Um comentário:

Kleiton Gonçalves disse...

Boa matéria!!!