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sexta-feira, março 06, 2020

A flauta mágica do Arnaldo Garcez



Arnaldo Garcez, Simas Pessoa e Juarezinho Tavares

Setembro de 1987. Depois de alguns meses de namoro, o artista plástico, músico e poeta Arnaldo Garcez aceitou o convite da namorada Rita Bacury e se mudou para a casa da garota, lá na Rua Itacoatiara, quase canto com a Rua Borba.

Ele ficou alojado em um dos quartos, junto com o irmão caçula da Rita.

A rotina de seu Moisés e dona Cecília, pais da Rita, começou a ser quebrada da forma mais esdrúxula possível: assim que o dia amanhecia, Arnaldo Garcez começava seus treinos diários de flauta doce e transversal.

Os trinados repetitivos começaram a dar nos nervos do casal.

Um belo dia, mais nervosa do que de costume, dona Cecília interpelou a filha:

– Escuta aqui, minha filha, esse negócio que esse rapaz coloca na boca é algum doce?...

Rita ficou espantada com os conhecimentos musicais da genitora:

– É flauta doce sim, mamãe, é flauta doce sim! Como foi que a senhora descobriu?

Dona Cecília, injuriada, cortando da linha de três pontos:

– Ah, minha filha, porque só sendo uma coisa muito doce pra esse estrupício colocar na boca e perturbar as pessoas com esse irritante fi-ri-fi-ri-fi-ri tamanha seis horas da manhã...

No mesmo dia, Arnaldo Garcez foi colocado pra fora da casa.

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