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quinta-feira, junho 06, 2013

Morre Oraldo Grunhevaldo, o último poeta concreto


Edson Aran

Conheci Oraldo Grunhevaldo nos anos 80. Na época, eu era um escritor em início de carreira e ele já era o intelectual renomado, que escrevia na “Ilustrada” e privava da intimidade de Caetano Veloso.

No mundo apressado e ignorante de hoje, talvez o nome de Oraldo Grunhevaldo não toque nenhum sininho na sua cabeça. Mas ele foi um dos pilares do edifício do Concretismo, ao lado dos Irmãos Campos, Décio Piccinini, Pedro de Lara e Ferreira Gullar.

Há, no entanto, quem afirme que Ferreira Gullar e Pedro de Lara eram a mesma pessoa, visto que não existe nenhuma foto dos dois juntos. Eu, particularmente, acho que Haroldo de Campos e Aracy de Almeida é que eram a mesma pessoa. Mas sou uma voz isolada neste acalorado debate cultural.

Naqueles distantes anos 80, o concretismo ainda era incrivelmente conceituado. Só mais tarde, os poetas concretos passariam a ser perseguidos pela carrocinha de cachorro, sendo respeitados apenas pelo Arnaldantunes, embora isso não signifique muita coisa.

Oraldo Grunhevaldo sempre foi um intelectual gentil e atencioso. Quando o conheci, ele interrompeu uma tradução de dez anos de um hai-kai do Bashô só para falar comigo. Lembro-me, até hoje, de suas sábias palavras: “Merda! Vou ter que começar tudo de novo!”.

Nos anos que se seguiram, o poeta não parou de produzir seus poemas, enfisemas e dilemas, mas se dedicou a cimentar sua fama de polemista, encrenqueiro e criador de caso. É famosa sua discussão com Bruno Tolentino sobre a poesia de Oswald de Andrade, que só terminou quando a vizinhança chamou a polícia para apartar.

Alinhado com a esquerda, Oraldo Grunhevaldo sempre defendeu o projeto petista, apoiando Lula em 1995, 1999, 2003 e 2007. Isso não resolveu muito, já que as eleições foram em 1994, 1998, 2002 e em 2006.

Seja como for, o intelectual desencantou-se com Lula quando estourou o escândalo do Mensalão. No início, Grunhevaldo defendeu o PT, que considerava vítima de uma conspiração burguesa, mas mudou de ideia quando acessou sua conta corrente e viu que não havia depósito nenhum.

A última polêmica que teve Oraldo Grunhevaldo como protagonista foi em 2010, quando o cantor Chico Buarque ganhou um Jabuti. Na época, a intelectualidade brasileira se dividiu. Metade achava Chico um tesão e a outra metade o achava um gato.

Grunhevaldo entrou na discussão argumentando, ferozmente, que o Jabuti só deveria ser outorgado a quem não tivesse animal de estimação – e Chico já tinha dois: um papagaio fanho e um pequinês marxista. O poeta pedia, ainda, que o cantor lindão devolvesse o Jabuti à natureza. Chico, em resposta, colocou uma coleira no Jabuti e passeou a tarde inteira com ele pelo Leblon.

Mas apesar de suas posições sempre polêmicas, ninguém jamais colocou em dúvida a homérica produção intelectual de Oraldo Grunhevaldo. Seu último trabalho, a tradução de “Finnegans Wake”, levou 80 anos para ficar pronta, tendo começado antes mesmo do lançamento do original. Intitulada “Levantaí Finegão”, a obra é ainda mais impenetrável e ilegível que o livro de James Joyce, o que faz de Grunhevaldo o melhor tradutor de Joyce de todo o planeta. Quiçá, planetas vizinhos.

Nos últimos anos, Oraldo Grunhevaldo se recolheu à solidão do seu sítio em Santa Ignorância do Mato Alto (MT), onde se dedicou a produzir lindos poemas concretos com areia, argamassa e tijolo. Um desses poemas despencou em cima dele na última semana, justo quando ele ia colocar o ponto final. É por essas e outras que José Saramago é cada vez mais apreciado.

Oraldo Grunhevaldo deixa dois filhos: Vaginalda Grunhevalda, estilista, e Analdo Grunhevaldo, hipster. Suas últimas palavras foram “aaaarrrgggghh!”, que muitos consideram ser seu último poema.

Eu sempre me lembrarei de Oraldo Grunhevaldo. Uma vez caminhávamos tranquilamente pelo parque do Ibirapuera, catalogando assaltos, quando ele me perguntou, cheio de sabedoria: “Escuta, quem é esse porra de Arnaldantunes, afinal?”.



Edson Aaran é autor de cinco livros. O mais recente, “Delacroix Escapa das Chamas” (Editora Record), é uma sátira futurista passada na São Paulo de 2068. Sua série de cartuns “O Totalmente Dispensável Almanaque Inútil do Aran” é publicada mensalmente no Folhateen. Ele foi diretor das revistas Playboy, Sexy e redator-chefe da Vip. É um tuiteiro compulsivo e sua conta é @EdsonAran.

A poesia nordestina, segundo Carpinejar


O escritor, jornalista e professor universitário Fabrício Carpinejar, disse, nesta quarta-feira, 5, durante o Bate-Papo literário no Salão do Livro do Piauí (Salipi), que a poesia é mais forte no Nordeste do que em outras regiões do Brasil.

“Aqui a poesia é cantada, é uma poesia do assalto. Aqui não tem como ser tímido, a poesia é mais falada, é uma coisa mais arraigada na cultura da região. Aquela coisa de encenar e personificar e personagem do cordel. Aqui a poesia é do chão e não aquela feita por autores que querem ganhar prêmio”, disse .

O autor foi a grande atração desta terça-feira, 5, do 16º Seminário língua Viva,  evento que acontece ao mesmo tempo do Salipi, com a apresentação de palestras, oficinas, bate-papo literário e apresentações artísticas.

Fabrício Carpinejar disse também não acreditar na máxima de que brasileiro não gosta de ler poesia.

“O que faz um escritor é ter um pai e uma mãe que contem histórias. Um livro é um pretexto para a convivência e todo mundo gosta de ler”, afirma.

Sucesso na internet, onde tem um blog muito acessado e seus textos viraram febre nas redes sociais, o escritor destaca que a rede mundial de computadores possibilitou uma nova forma de viver a literatura.


“A internet da uma oportunidade de provocar, de sair do lugar comum que não havia antes. Hoje é preciso escrever mais do que falar. Aliás, nunca se escreveu tanto. Na internet tu conhece uma autor pelo Twitter, daí então tu compra o livro dele e passa acessar o blog. Ele se tornar uma espécie de cumplice porque tu já convive com ele, manda até e-mail desafiando suas ideias. A internet possibilita isso”, afirma.

Figura contumaz em salões de livro por todo o Brasil, Carpinejar enaltece o papel desses eventos na formação de novos leitores.

“É de suma importância, primeiro para trocar experiências de leitura e desmistificar os escritores. O autor é um mediador vivo da sua obra, ele tem que despertar a paixão, para que o leitor conte as páginas do livro para saber o que vai acontecer ao fim da história. Acho que é isso que precisamos repassar ao leitor, que o livro é uma espécie de fogo que se alastra”, finaliza.

O 11º Salão do Livro do Piauí começou no dia 2 e segue até o domingo, 9, com palestras, apresentações musicais, atividades para o público infantil e feira de livros.


O evento, que ocorre no Complexo Cultural da Praça Pedro II, no Centro de Teresina, homenageia os centenários de Vinicíus de Moraes, Permínio Asfora e Rubem Braga.

Morre a jornalista e escritora Scarlet Moon


Filha do escritor amazonense Ramayan de Chevalier, a jornalista, atriz e escritora Scarlet Moon de Chevalier, de 62 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira em sua casa, no Rio de Janeiro.

Segundo o jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, ela sofria, havia três anos, da síndrome de Shy-Drager, uma doença degenerativa, e não resistiu a uma parada cardiorespiratória.

Scarlet foi casada por 28 anos com o cantor e compositor Lulu Santos. Ela deixa os filhos Gabriela, Christovam e Theodora, de relacionamentos anteriores (que o cantor tratava como se fossem dele), e dois netos.

Em seu perfil no Twitter, Lulu descreveu a notícia da morte da ex-mulher como “devastadora” e a homenageou com versos de um de seus maiores hits, Tão Bem.

“Ela me encontrou, eu estava por aí num estado emocional tão ruim, me sentindo muito mal, sozinho, perdido, andando de bar em bar...”
O cantor também lembrou do tempo em que estiveram juntos e disse que o relacionamento “foi eterno enquanto durou”. Lulu contou também que acompanhou de perto a luta de Scarlet contra a doença.

“Os últimos anos foram uma batalha morro acima contra uma devastadora doença degenerativa q lhe roubou a vida em vida, e isto, em mim, sempre doeu a mais ñ caber. Perdemos Miss Moon para uma moléstia cruel.”


Lulu presta homenagem à ex-mulher no Twitter

A jornalista ficou conhecida por seu jeito irreverente de apresentar o programa de entrevistas Noites Cariocas, da TV Record, ao lado de Nelson Motta, nos anos 1980.

Ela também apresentou o Fantástico e o Jornal Hoje nos anos 1970.

A relevância artística de Scarlet na cena cultural brasileira dos anos 1980 foi celebrada pela cantora Rita Lee, que escreveu a música Scarlet Moon em sua homenagem.

A canção foi gravada por Lulu em seu disco de estreia, Tempos Modernos, lançado em 1982.

Autora dos livros Dr. Roni e Mr. Quito (biografia do irmão, Ronald de Chevalier, o Roniquito, figura conhecida no Rio nos anos 60 e 70) e de Areias Escaldantes, Scarlet assinava, desde 1996, a coluna Abalo, do caderno Zona Sul, do jornal O Globo.


A página de Scarlet no Facebook informava que o velório seria realizado no Cemitério São João Batista até as 16h de quarta e que seu corpo seria cremado nesta quinta-feira.

Mistério marca leilão de mural do artista Banksy em Londres


Um mistério rodeia o segundo leilão do mural do artista britânico Banksy que desapareceu do bairro londrino de Wood Green em fevereiro, quando a obra foi retirada de um muro da região e levada aos Estados Unidos para ser vendida.

O mural de Banksy reapareceu em Londres, onde foi a leilão novamente pela casa Sincura Group, informou nesta terça-feira, 4, a emissora BBC.

A obra foi posta à venda no último domingo, 2, com um preço mínimo de US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões).

A Sincura ainda não se pronunciou sobre o resultado do leilão e se a obra foi arrematada.

Se o mural, que foi ligeiramente restaurado, não alcançar o preço mínimo, será vendido a uma colecionadora dos EUA, informou a casa de leilões, que não quis fornecer mais detalhes sobre a transação.

Em fevereiro, poucas semanas depois de ser removido misteriosamente do bairro londrino, o mural de Banksy, que mostra um menino costurando bandeiras britânicas, apareceu pela primeira vez nos catálogos de um leilão da casa Fine Art Auctions, em Miami, que chegou a negar que a obra tivesse sido fruto de um roubo, embora tenha retirado o mesmo de leilão nas semanas seguintes.

No entanto, por causa dos protestos dos moradores de Wood Green, que consideravam que o mural era um presente do grafiteiro à comunidade, a obra teve que ser retirada horas antes da concretização de sua venda.


O trabalho do artista urbano, cuja verdadeira identidade é um mistério, apareceu pela primeira vez em uma parede do bairro de Wood Green, ao norte de Londres, em maio de 2012, antes das celebrações oficiais pelos 60 anos do reinado de Elizabeth 2ª.

Em novo livro, Bridget Jones ‘caça’ homem pelo Twitter


Cartaz do filme “O Diário de Bridget Jones”, de 2001

Mais velha e experiente, mas ainda profundamente envolvida nos mesmos dilemas e problemas amorosos.

Essa é a personagem de Bridget Jones: Mad About the Man, novo livro de Helen Fieldings, autora da saga que virou best-seller e deu origem a filmes igualmente bem-sucedidos.

No romance, segundo o site do jornal The Guardian, a autora coloca a protagonista no mundo do namoro virtual, que procura um amor através do Twitter e outras redes sociais.

Segundo especulações, o novo romance será baseado nos perigos da bebida e as tentativas da quase quarentona Bridget Jones em ser mãe.

Com lançamento previsto para 10 de outubro no Reino Unido, a escritora inglesa Helen Fieldings volta à ativa catorze anos depois de No Limite da Razão, segundo volume da série que vendeu mais de 15 milhões de cópias em quarenta países.

A partir de um trecho do livro divulgado nesta semana, dá para ver que a jornalista solteirona vai passar por situações embaraçosas:

“Quarta-feira, 24 de outubro de 2012

23:27. Apenas preciso apertar ENVIAR. É ótimo, não é?

Você vê, este é o problema com o mundo moderno. Se fosse nos dias de carta, eu jamais teria encontrado seu endereço, pegado uma caneta, um pedaço de papel, envelope, selo e saído às 23:30 para encontrar uma agência de correio. Um texto tem origem a partir da ponta de um dedo, como uma bomba nuclear ou um míssil.

REGRA NÚMERO 1 DO NAMORO

JAMAIS ESCREVER UM TEXTO BÊBADA”

Um novo filme sobre a personagem também está sendo produzido com Renée Zellweger como protagonista.

Mas, diferente de O Diário de Bridget Jones e Bridget Jones: No Limite da Razão, o novo longa não estará relacionado com um romance de Helen Fieldings, e sim com antigos contos da escritora.

O Bebê de Bridget Jones tem estreia prevista para 2014.


O filme quer repetir o sucesso dos dois primeiros filmes da série, que arrecadaram, respectivamente, 281 e 262 milhões de dólares ao redor do mundo. 

quarta-feira, junho 05, 2013

10 coisas pra não dar no Dia dos Namorados


Depois de muita insistência, você convenceu sua namorada a encarar um canguru perneta no Dia dos Namorados. Ocorre que qualquer relacionamento amoroso se baseia na lei econômica do custo-benefício, isto é, dependendo do quão valioso seja o presente que você der, ela vai retribuir ou não com o presente que você quer. Preste atenção no que você NÃO deve dar se não quiser morrer na mão...

1. VALE PRESENTE

Se você namora alguém que te dá uma merda dessas é porque a criatura caga e anda pra você, não te conhece, não sabe o que você gosta ou não quis ter trabalho nem perder tempo em procurar uma porcaria melhor. A recíproca é verdadeira. Em vez de canguru perneta, sua namorada pode muito bem retribuir o mimo com um Vale Pé-Na-Bunda.

 2. PERFUME DO BOTICÁRIO/ÁGUA DE CHEIRO/JEQUITI/CONTEM 1G

Quatro palavras para a criatura cretina quem dá isso de presente: vai-tomar-no-cu. Vale também para bombons e cestas de café da manhã.

 3. MEIA/GRAVATA/CUECA/PIJAMA

Dar meia, cueca e outras porcarias do tipo é sacanagem ou é presente que avó e tia velha encalhada sem-noção dão no Natal. Se você ganhar uma meia da namorada, mande ela se foder. E jogue o presente na privada e dê a descarga.  O mesmo vale pra quem quer presentear a namorada com calcinha, sutiã, meia-calça, pijama ou shortinho de lycra...

 4. UM CARTÃO

Essa merda sozinha não é presente! Num fode, porra! Enrola o cartão e envia no cu!

 5. QUALQUER BOSTA COMPRADA EM LOJAS DE R$ 1,99

Se você não tem grana pra comprar um presente legal, não compre nada. Se a pessoa gostar mesmo de você, vai compreender. Mas se você achar que uma merda destas lojas pode ser considerada um presente, você é uma criatura muito escrota.

 6. UM URSINHO DE PELÚCIA

É o tipo de presente que baranga gosta de receber e babaca gosta de dar. A coisa piora quando o indivíduo decide jogar o perfume dele no ursinho de pelúcia. É caso para esterilizar... os dois!

 7. LIVROS DE AUTO AJUDA

Presente dado por namorado sem criatividade, cafona, com péssimo gosto para leitura e que, provavelmente, pensou em dar também o CD da Ana Carolina, mas desistiu porque ia ficar muito caro.  Um corno desses só conhece papai-e-mamãe e olhe lá!

 8. FLORES

Vai murchar, vai feder e a pessoa vai jogar fora. Quando alguém perguntar o que ela ganhou no Dia dos Namorados, não vai nem se lembrar.

 9. CELULAR XING-LING COMPRADO NO CAMELÔ

Fala sério... Isso é o fundo do poço. Você merece cuspe na cara só de pensar em dar essa merda.

 10. UM PÉ NA BUNDA


Terminar o relacionamento no Dia dos Namorados só pra economizar a grana do presente é o 5º subsolo do fundo do poço. Você é uma criatura digna de pena e vai morrer sem saber que catzo é canguru perneta. Eu aconselharia um terapeuta, mas é mais barato você cometer suicídio.

Canivete suíço completa 130 anos


O canivete suíço faz 130 anos de inovação em 2014. Antecipamos a comemoração de uma das maiores invenções do século 19

Até a invenção do smartphone, ele foi o rei dos bolsos espertos e o símbolo do homem elegante e prevenido. Entre os gadgets mecânicos, não tem rival – e não consta que seja possível fazer um parto com um iPhone.

Não foram as situações extremas, no entanto, que fizeram a fama do canivete suíço, mas a prontidão para toda eventualidade. Abrir o vinho no piquenique, consertar a haste dos óculos, apertar um parafuso ou apenas ser colecionado.

São 81 os "aplicativos" da versão mais completa, que inclui termômetro, barômetro e altímetro (e custa R$ 1.831).

O mecanismo que permite abrigar tantas lâminas dobráveis (existentes desde a Roma antiga) foi criado com precisão de relojoeiro em 1894, pelo cuteleiro Karl Elsener, cujos herdeiros continuam no comando da empresa.

Recentemente associado ao mercado de luxo por produtos que traem, de certa forma, sua vocação democrática, o canivete se mantém inoxidável na estima de consumidores e fabricantes.

“Ele sempre será o produto do coração”, diz Urs Wyss, executivo da Victorinox, marca líder de mercado, no QG da empresa.


 A fábrica fica no vilarejo de Ibach, no vale do canivete suíço, com lagos, montanhas nevadas e vaquinhas, todas suíças.

Se há um lugar onde de fato chove canivete, é ali. Desenvolvido para forjar diariamente 60 mil unidades, o maquinário cospe 360 modelos diferentes. O Brasil compra 100 mil unidades anuais.

Há ainda os modelos sob encomenda: com bisturi, para servir como brinde para médicos, ou o Master Craftsman, com que a Nasa equipava seus astronautas.

A Casa Branca costumava encomendá-los para presentear visitantes, como também fazia, nos anos 1970, o poderoso Henry Kissinger (secretário de Estado dos EUA entre 1973 e 1977), que fez estampar canivetes com o brasão do Departamento de Estado.

Os tempos de fato são outros – sobretudo depois do 11 de Setembro.

A proibição de carregar objetos cortantes em aviões foi uma punhalada na Victorinox, que fala em queda de 30% nos negócios, obrigando-a a intensificar a diversificação (roupas, bagagens, relógios) que já vinha desde 1989.

A proibição teria impedido, por exemplo, o salvamento de uma criança engasgada com uma bala durante uma viagem de avião, na Índia, em 1976.

O petiz foi salvo por um médico que fez uma traqueostomia com o canivete de um passageiro.
“Isso precisa ser dito na sua reportagem”, diz Wyss, com ar grave.


Existem ainda as amolações com as cópias chinesas – a Victorinox persegue judicialmente os falsificadores.
“Assim que ganhamos um processo, aparece um novo fabricante”, queixa-se Wyss.

Para completar, mínguam também as encomendas do cliente que ajudou a construir a grife.

A crise de 2008 forçou a redução de contingente do Exército suíço, que todo ano equipa com um canivete e um fuzil seus 10 mil recrutas, além dos oficiais.

Motivo de chacota do humorista Jerry Seinfeld, que protagonizou um quadro hilário em que soldados suíços tentam se defender com as inofensivas faquinhas, os modelos militares na verdade têm trava de segurança e lâminas próprias para o campo de batalha e podem ser usados como baionetas.

Há ainda modelos específicos para jogar golfe, para velejar e para operações de resgate –  este, fosforescente, é ideal para quebrar vidros de carros e faz microfuros no para-brisa.

Com tantas possibilidades ao alcance da mão, espanta que boas almas escrevam para a fábrica sugerindo novas funções, como integrar um smartphone ou um minikit de maquiagem, com espelho, batom e sombras.


Adotar as sugestões não está nos planos da Victorinox, afirma Wyss – o smartphone, diz ele, pode desvirtuar a vocação mecânica das faquinhas (ainda que já existam modelos com pen drive).

Já maquiagem não atende ao público-alvo da marca, eminentemente masculino.

A fábrica em Ibach mantém um serviço de reparação de canivetes enviados por clientes do mundo inteiro, que, a um preço simbólico (R$ 20), recupera relíquias de família.

O público volta e meia também envia, espontaneamente, relatos de façanhas realizadas com as minilâminas vermelhas: histórias de resgates no Himalaia, reparos na estação espacial Mir e aventuras nos sete mares, além de curiosidades como a do alemão que ajudou no comovente parto de uma jumenta.

Já o americano Gilbert Levin deixou o seu cair na estação de tratamento de esgoto onde trabalhava -e, quatro anos depois, ao esvaziá-lo para manutenção, encontrou-o praticamente intacto.

E, sim, parece ser real a história do Dr. John Ross, um médico canadense que fez pelo menos seis amputações com a serrinha do seu canivete, num hospital rural em Uganda.


Não tente fazer em casa – mas, caso precise, não deixe de esterilizá-lo com uma boa fervura, como fez o Dr. Ross.

“O humor estava refém do traço”, diz autora do Pintinho


Marina Azaredo

Talvez você nunca tenha ouvido esse nome, mas Alexandra Moraes, 31 anos, é uma “celebridade da internet”, uma das tantas que surgiram com a popularização das redes sociais – e principalmente do Twitter – há alguns anos. A coisa começou meio despretensiosa. Ela tinha virado mãe, estava meio entediada, desenhou no Paint um pintinho e uma galinha e começou a colocar ali diálogos e ideias que surgiam em conversas com amigos, uma coisa meio nonsense, meio irônica, meio engraçadinha.

Depois do sucesso no Twitter, veio o Tumblr, o Facebook e, por fim, o Pintinho saiu da internet: Alexandra acaba de lançar O Pintinho - Mais um Filho de Mãe Brasileira, pela editora recém-criada Lote 42, com 80 tiras selecionadas entre toda a sua produção.

“A gente tentou chegar nas melhores tiras, mas isso é menos de um terço da produção total. Tentamos alinhar mais ou menos tematicamente, mas um alinhamento bem frouxo mesmo, sem capítulos, sem nada, para que fluíssem as historinhas”, disse Alexandra em entrevista por telefone ao portal Terra.

Em uma conversa em que se dividiu entre as perguntas da repórter e os pedidos de atenção de seu filho, Benjamin, hoje com 5 anos, ela falou também sobre a afirmação de Arnaldo Branco logo no início do livro de que é o Pintinho é o que de melhor surgiu no humor nacional nos últimos anos e de que é a prova que a ideia é mais importante do que o traço.

“Nem sempre o cara que tem o melhor desenho tem a melhor piada. Eu tô bem longe de dizer que sou eu que tenho a melhor piada, não é isso, mas acho que durante um bom tempo a gente ficou refém demais do traço, e talvez a internet mesmo tenha possibilitado o aparecimento de gente que consegue conjugar as duas coisas”, opinou.

Na entrevista a seguir, Alexandra fala sobre o surgimento do Pintinho, que também já está nas páginas da Folha de S. Paulo, sobre o tipo de humor que se faz hoje e sobre as suas fontes de inspiração para criar os diálogos: “acho que é mais o dia a dia mesmo. Eu me fodo bastante”.


Você criou o Pintinho quando estava completando um ano de maternidade. Foi fruto do tédio?

É, foi um pouco isso. Um pouco de tédio, mas também uma piadinha que surgiu em uma lista de amigos. Não tinha nada a ver com a formatação de hoje, não era um diálogo entre uma galinha e um pintinho. Eram vários pintinhos e várias galinhas. Aí eu tirei dois personagens e comecei a fazer os diálogos. Mas foi isso, uma brincadeira boba, sem compromisso. Eu tinha desenhado esses dois personagens e pensei em aproveitá-los com diálogos bobos, coisas que eu não tinha mais onde colocar. Então aquilo ali serviu pra mim como um suporte para essas discussõezinhas, para umas frases, umas questões que acabavam surgindo de conversas mesmo. Depois comecei a colocar num blog que eu tinha na época. E, em 2010, veio o Tumblr.

Quando você percebeu que o Pintinho estava ficando famoso?

Eu não sei te dizer exatamente quando foi, porque no começo era mais gente conhecida mesmo, gente que comentava que tinha gostado, que tinha visto algum quadrinho. E foi meio que acho que pelo Twitter, porque era mais fácil de ter esse retorno. E aí as pessoas que eu conhecia começaram a contar que alguém tinha compartilhado, alguém que não tinha conexão nenhuma comigo. Mas foi difícil. Ainda hoje eu fico bastante surpresa com o alcance que acabou tendo o que era só uma brincadeira. Hoje, na internet, 16 mil pessoas que curtiram uma fan page é até pouco. Tem o Suricate Seboso, o Bode não sei das contas (Bode Gaiato), os caras têm 800 mil curtir, são fenômenos. O Pintinho tem uma constância, um público fiel, mas quando chegou ali nos mil curtir, 5 mil, 6 mil me assustou de alguma maneira. Eu pensei “poxa, que legal que tem gente que realmente gosta e que tá além desse meu círculo”, porque o meu círculo realmente é muito pequeno. Foi meio isso.

O Arnaldo Branco diz no livro que você é o que de melhor surgiu no humor nacional recentemente. Por que mesmo assim você reluta em ser chamada de quadrinista?

Não sei se bondade é a melhor palavra, porque não é exatamente isso, mas enfim, é umagentileza dele dizer isso. E eu sou a maior fã do Arnaldo, mais do que qualquer coisa. Mas eu tenho essa limitação do desenho, o meu desenho é muito cru, muito pobre até. Eu sei que essa pobreza tem uma graça, mas os caras que fazem quadrinhos mesmo fazer todo dia, na mão, é com tinta. Eu tenho um respeito muito grande pelo trabalho deles e, quando você vai entrando nesse mundo, você pensa “pô, mas eu não sou nenhum deles”, “não tenho o talento que eles têm”, “não tô elaborando esse desenho da maneira que eles elaboram”. Eu acho que o meu trabalho é um pouquinho diferente desse quadrinho tradicional, que é realmente muito mais trabalhado e muito mais bem acabado do que o meu acaba sendo. Mas é de coração.

Em algum momento você pensou em aprimorar o desenho?

Não. Não mesmo. Porque eu acho que ficaria uma coisa artificial, talvez falsa. Não seria muito útil eu mudar aquele desenho porque eles já estavam ganhando uma vida própria. Então pra mim não foi uma questão, não pensei em fazer um curso ou tentar elaborar e aplicar algum tipo de técnica mais sofisticada nem nada.


Você concorda que a ideia é mais importante do que o traço? Isso revela uma mudança nos quadrinhos?

Eu acho que, ao mesmo tempo que eu mesma enxergo nessa questão do desenho uma força muito importante dos quadrinhos, tem o problema da piada também, porque nem sempre o cara que tem o melhor desenho tem a melhor piada. Eu tô bem longe de dizer que sou eu que tenho a melhor piada, não é isso, mas acho que durante um bom tempo a gente ficou refém demais do traço, e talvez a internet mesmo tenha possibilitado o aparecimento de gente que consegue conjugar as duas coisas ou que se esforça em busca de ideias legais que encontrem suporte no traço. Então acho que a gente caminha pra encontrar essa harmonia. E, em muitos casos, ela já foi encontrada: tem o Angeli, o Laerte, o Fernando Gonsales, que é incrível. São bem importantes as duas coisas. Mas o traço também sem ideia não vai existir. Num contexto de humor, eu digo, porque é óbvio que nem todo desenho precisa ser engraçado.

Então a ideia é mais necessária para o traço do que o traço para a ideia?

Aí você me pegou. É porque essa é uma frase forte do Arnaldo (Branco), que serve para ilustrar o meu trabalho, mas eu não sei se serve para definir o que é mais importante agora. Eu acho que tem essa questão de você ter tido um período, uma produção muito apoiada no humor de salão, alguns vícios que ficaram do humor mais social e muito pesado num certo sentido. Então foi ficando pobre, porque você precisa arejar justamente com ideias. Então, quando se alinha as duas coisas, você tem um contexto ideal.

Como surgiram os outros personagens?

Eles são meio caricaturais. Tem o Abortinho, que é um feto abortado amigo do Pintinho, tem o Zé Sexo, que é essa caricatura meio inspirada no Zé Celso a partir do nome que um conhecido meu cunhou para ele, tem a diretora da escola, que é uma personagem mais amargona, o dinossauro ateu... Eles foram surgindo a partir da necessidade de colocar alguma outra coisa nesse contexto. Acho que o primeiro de todos - e o terceiro personagem que surgiu além dois - foi o Zé Sexo mesmo, porque eu acho graça nisso de ter essa ilustração dessa figura, que é muito peculiar e defende um tipo de arte e que está sempre evocando Baco e não sei mais quem. Então eles foram surgindo disso. Eu não sentei para planejar, não pensei “preciso fazer um outro personagem agora”, então eles surgiram com a piada mesmo.


Em que você se inspira?

Acho que é mais o dia a dia mesmo. Eu me fodo bastante. Então pra mim é isso, apesar das dificuldades, do dia a dia e das coisas que tendem a amargurar a gente, para mim ver a vida com um pouco de humor sempre foi natural, desde que eu era pequena. Sempre foi uma coisa de que eu gostava, gostava de contar piada, gostava de rir, de ouvir piada, de ver A Escolinha do Professor Raimundo. Essas eram as minhas diversões quando eu era pequena, então eu não tive que fazer esforço para tentar rir das coisas, foi meio natural.

Como surgem as ideias para as tiras?

Ah, vou juntando pequenas desgraças. E eu gosto muito de andar, de andar de ônibus, eu acho que são momentos bastante propícios para de repente ter ideias, para ir pensando na vida, nas coisas. É como, sei lá, ver um filme, ler um livro. É aquilo que eu tava falando sobre oxigenar a cabeça mesmo, porque é dali que vão sair ideias novas. Não adianta ficar bitolado assim “ah, eu preciso ter ideia, eu preciso fazer alguma coisa”, porque é justamente quando elas mais faltam.

O Pintinho evoluiu desde os primeiros quadrinhos?

Acho que sim. Ele era bem mais cru no começo, menos elaborado, menos preocupado. Acho que é uma questão de timing, de menos silêncio, mesmo tendo bastante espaço vazio ali na tira. Também tem o tom das coisas, que antes era pesado demais, nonsense demais. Mas ao mesmo tempo acho que não chega a renegar, foi um caminho que era pra ter sido percorrido mesmo, eu acho.


O Arnaldo Branco também escreve que você não perdoa a esquerda, principalmente a nova esquerda. Por que as críticas à esquerda?

Ah, foi acontecendo. Acho que você não precisa ser nenhum reacionário para identificar esses vícios. Isso de botar no Facebook Guarani Kaiowá... Acho que é uma postura que vai esvaziando o sentido das próprias causas, é uma caricatura mesmo. Quem estudou numa universidade, ou trabalha numa redação de jornal, sabe que tem um pensamento que impera ali que não aceita muita contestação. Em outros tempos foram outras causas, mas hoje é essa coisa da ecologia, umas preocupações sociais que descem meio de paraquedas. A direita também tem aspectos caricatos, mas hoje o que tem mais força para virar piada está coincidentemente mais alinhado com a esquerda.

As 80 tiras que estão no livro são as melhores?


A gente tentou chegar nas melhores, mas isso é menos de um terço da produção total do site. Tentamos alinhar mais ou menos tematicamente, mas um alinhamento bem frouxo mesmo, sem capítulos, sem nada, para que fluíssem as historinhas. A gente fez uma seleção grande e dividiu esse material: parte dele para o primeiro livro e parte para o livro que ainda vai vir. Não sei quando, mas será esse ano ainda.

quarta-feira, maio 29, 2013

Don Drapper não pede pra sair


Bill Barrol, da The New Yorker para o Candiru
(Tradução livre de Sérgio Jotaerre)

Pense no lar. Um lar é apenas um “lugar”? Não. Lar é uma caixa que você preenche com memórias, com aspirações. Mas o lar também é uma memória, uma aspiração. É um sentimento. E sentimentos não são estáticos. Sentimentos se movem. Você passa por sentimentos. Ou sentimentos passam por você?

Certo, Don. Mas o que eu te perguntei foi: quando é que você vai pra casa? Digo, daqui a pouco? Quer dizer, você tem uma casa, certo?

Algumas pessoas têm casas. Mas a  casa de todas as pessoas as tem. Elas a carregam em si e a mantém trancada. Casa é um lugar no coração.

Porra, Don, a gente realmente não vai chegar a lugar nenhum com isso. Olha, eu saquei que você teve uma infância, digamos, difícil e as coisas nem sempre... Putz, essa não: tá olhando o vazio de novo!

[Um passado com filtro fog, em tons ocres. Mulheres de camisola numa América rural, à la Faulkner. Um sujeito rude que está sempre com raiva por algum motivo. Raivas súbitas, que explodem em violência. Um meninote que vai crescer e se tornar um boa-pinta espada-matador. Um barulho que se transforma em outro ruído.]

Ei! Estou falando com você! Você disse que precisava de um lugar pra dormir e eu fiquei feliz em te ajudar, mas já faz seis temporadas e eu realmente preciso do meu sofá de volta.

Sofás. Um sofá é uma coisa para nos acomodar. Mas as coisas se acomodam. Palavras, frases, gestos. Eles se acomodam na linguagem, para ocultar, ou disfarçar. Você pode se deitar num sofá. Mas também pode deitar uma mentira num sofá.

Don, negócio é o seguinte: eu preciso do meu sofá de volta, OK? E se você não for embora, e aí? Quer dizer, sei lá, eu é que vou ter que sair de casa?

Você sai quando eu disser para sair. Deite-se no chão.

Como é que é?

Um chão. Uma criança brinca. O que é uma criança, se não a personificação da possibilidade? Incline a cabeça e este chão se torna uma parede. Plante bananeira e ele se torna um teto. Cada piso contém em si a possibilidade de cada teto, sem limites ou preconceitos, seja em azulejo ou carpete. Monsanto.

OK, dessa vez eu não entendi patavinas do que você disse. Mas deixa pra lá. Você tem que ir, meu chapa. Ou quer que eu chame a polícia?

Estou dirigindo.

... O quê?

Uma estrada no escuro. Os faróis dos carros que passam projetam feixes de luz em minhas tão  fatigadas retinas. Sintonizo no autorrádio a trilha sonora de um mundo que se aproxima mais rapidamente do que eu posso entender, um mundo que ameaça destruir o meu próprio mundo. O padrão de luzes sobre minhas bochechas muda de forma sutil. Olho no retrovisor e vejo as luzes vermelhas da viatura.

Para com essa merda! Chega! Chega!

Sentimentos passam... Você passa por sentimentos... Ou sentimentos passam por você?

Você já disse isso...

Eu vou e volto no tempo.

Tudo bem, taqui o seu chapéu. Taqui a porta.

Um homem abre uma porta. Uma porta não é uma casa. Mas você não pode ter uma casa sem uma porta. Onde você iria pendurar sua guirlanda de Natal? Natal ...

Não, não. Nana-nina-não! Fim de papo, bicho. Você está saindo agora!

Ou estou ficando? É hora de partir, é hora de chegar, ou de alguma forma, é hora de partir e de chegar ao mesmo tempo? As pessoas dizem que a vida é um círculo. A vida não é um círculo. A vida é uma dupla-hélice. Ela dá voltas sobre si mesma e o futuro se torna o passado, porque quando tudo é possível ninguém está livre .... Chevy?

Sim, eu também tive essa aula de Introdução à Filosofia na faculdade. A diferença é que eu não encho o saco de ninguém por aí com isso. Tchau.

Estou saindo. Estou olhando de volta para a sala. Mas estou vendo você ou alguma visão de...

[Bate a porta] 

Pensei que ele não ia sair nunca. Quem é o próximo?

– Ainda tem aquele anão de Game of Thrones escondido no sótão.

OK, dá mais uma temporada pra ele. E só.

***

(Nota do tradutor: sarros à parte, Mad Men é a melhor série de TV escrita desde Frasier.)

sábado, maio 25, 2013

Bricolagens dadaístas


Em meados dos anos 80, provavelmente de saco cheio de ser rotulado de poeta marginal, Nicolas Behr publicou um texto intitulado “Poeta marginal? Eu, hein?” e me enviou uma cópia:

não nasci em montes claros. não tenho nome completo. não sou professor. não consegui conciliar nada com a literatura. nunca publiquei nada. atualmente não resido em porto alegre. não me chamo eduardo veiga. não escrevo poesia há mais de 15 anos. não estou organizando meu primeiro livro. não sou graduado em letras. não acredito que a poesia seja necessária. não estou concluindo nenhum curso de pedagogia. não colaboro em nenhum suplemento literário. não estou presente em todos os movimentos culturais da minha terra. não sou membro da academia goiana de letras. não trabalho como assessor cultural da sec. meus pais não foram ligados ao cinema. não tenho tema preferido. não comecei a fazer teatro aos 12 anos. não me especializei em literatura hispano-americana. não tenho crônicas publicadas n’o republica de lisboa. não passei minha infância em pindamonhangaba. não canto a esperança. não recebi nenhuma premiação em concurso de prosa e poesia. não tenho sete livros inéditos. não sou considerado um dos maiores poetas brasileiros. nunca fui convidado para dar palestras em universidades. não vejo poesia em tudo. não faço parte do grupo noigrandes. não me interesso por literatura infantil. não sou casado com o poeta afonso ávila. na minha estreia não recebi o prêmio estadual de poesia. o crítico josé batista nunca disse nada a meu respeito. não sofri influência de bilac. não sou ativo, nem dinâmico. não me dedico com afinco à pecuária. não sou portador de vasto curriculum. não recebi menção honrosa no concurso de poesia ferreira gullar. não exerço nenhuma atividade docente, nem decente. não iniciei minha carreira literária no exército. não fui a primeira mulher eleita para a academia acreana de letras. não tenho poesias traduzidas para o francês. não estou incluído numa antologia a ser publicada no méxico. minha poesia não é corajosa. não gosto de arqueologia. walmir ayalla nunca me considerou um revolucionário. nunca tentei compreender o homem na sua totalidade. não vim para o brasil com 5 anos de idade. não aprendi russo para ler maiakowski. meu pai não é chileno. não sou virgem, sou capricórnio. não sou mãe de seis filhos. nunca escrevi contos. não me responsabilizo pelos poemas que assino. não sou irônico. não considero drummond o maior poeta da língua portuguesa. não gosto de andar de bicicleta. não sou chato. não sei em que ano aconteceu a semana de 22. não imito ninguém. não gosto de rock. não sou primo dos irmãos campos. não sou nem quero ser crítico literário. nunca me elogiaram. nunca me acusaram de plágio. não te amo mais. minha poesia nunca veiculou nada. não sei o que vocês querem de mim. não espero publicar nenhum romance. não sou lírico. não tenho fogo. não escrevi isto que vocês estão lendo.


Em abril de 1986, fiz um pastiche do texto dele intitulado “Revolucionário, eu?... Nem pensar”, dedicado ao próprio Nicolas Behr, cheio de chavões da chamada esquerda democrática.

O texto foi publicado no Suplemento JC e enviei um exemplar do jornal pra ele.

Nicolas Behr morreu de rir. Curtam:

não sou filho de um líder operário morto nas dependências do doi-codi. minha mãe não se chamava olga benário nem foi entregue à gestapo quando eu tinha oito meses de idade. não fui expulso do seminário aos 14 anos por estar lendo livros marxistas. minha primeira experiência sexual não foi com uma conhecida líder estudantil. não tive na universidade um amigo pederasta que era ligado ao partidão. nunca fui preso por estar pintando nos muros abaixo a ditadura!. nunca participei de assalto a bancos, mesmo aos escolares. não tive uma noiva morta na guerrilha do araguaia. nunca fui casado com a comandante tânia. não tenho um casal de filhos nascidos na argélia. a onu jamais me deu o status de refugiado. não fui condecorado pelo marechal tito. não me candidatei voluntariamente a cortar cana de açúcar em cuba. nunca fui porteiro de sauna gay em estocolmo. não sei em que albânia fica tirana. não sei o nome completo do atual tirano da albânia. não assinei o manifesto dos intelectuais contra o boicote econômico à nicarágua. não fui cassado em 64. não fui preso no congresso da une, em ibiúna. em 68 eu mal sabia fazer direito um 69. não fui trocado por um embaixador suíço em 70. não fiz curso de sociologia em sorbonne. nem em nanterre. não fui torturado pelo delegado fleury. não tentei o suicídio pela quinta vez. não escrevi um livro de memórias sobre meus tempos de banido. nem de bandido. não descobri minha porção mulher. nunca bati papo com jean paul sartre e simone de beauvior. não participei de uma sessão de bed in com yoko ono. timothy leary nunca frequentou a minha casa. nunca desbundei ou dei a dita cuja. nunca fiz passeata com as feministas francesas pelo direito ao orgasmo. sempre confundi orgasmo com ovas de esturjão. a mercedes sosa não é meu tipo inesquecível de mulher. não sou fanático pelos poemas de agostinho neto. não participei da revolução cultural maoísta. não sou o quinto membro do “bando dos quatro”. nunca li luckás no original. não estava no chile quando mataram allende. não me refugiei na embaixada mexicana quando depuseram isabelita perón. não atravessei ilegalmente a fronteira do paraguai. não participei da quinta jornada de resistência latino-americana em copenhague. não sou colaborador dos cuadernos del tercero mundo. nunca li a revolução dos bichos, de orwell. nem a revolução das bichas, de clodovil. não sei quem escreveu o manifesto comunista de marx. nunca soube como fizemos a revolução de trotsky. sempre confundi trotsky com uma marca de aguardente feita no interior de pernambuco. não sei onde nasceu rosa de luxemburgo. minha tese de doutorado não foi sobre a acumulação da mais-valia em países periféricos – uma introdução ao pensamento de althusser. não participei de nenhum festival da juventude, em moscou. nunca usei nas paredes um pôster de che guevara. não tenho nenhum amigo tupamaro, nem mesmo montonero. sempre achei que montonero fosse nome de condutor de trem. não li o capital aos onze anos de idade. nunca votei no pt. nenhum organismo internacional já me prestou solidariedade. eu também não presto, quer dizer, nunca prestei. não assisti o encouraçado pothekin em um apartamento clandestino. não sei que diabo é kurosawa. não acho a poesia do thiago de mello comprometida com a minha vida. nem com a tua. não tenho telefone grampeado pelo sni. nunca incendiei uma embaixada americana. não li as obras completas de lênin em edição bilíngue. não traduzi do alemão o pensamento vivo de herbert marcuse. não tenho a menor ideia do que seja teatro do oprimido. nunca fui apresentado a daniel ortega. não sou citado no último livro de régis debray. não fui convidado para os funerais de chernenko. não tive nenhum caso amoroso com a ativista joan baez. não estou comprometido com a candidatura amazonino mendes. fidel castro jamais me convidou para ser jurado do concurso casa de las americas. não sou filiado ao sindicato polonês solidarnosc. não sei quem é manuel ribeiro. não me encham o saco!

Último aviso aos navegantes!


Minha gente, isso aqui não é facebook, em que você invade a linha de tempo dos outros e escreve qualquer merda que tiver vontade – e a merda é publicada instantaneamente.

Essa bodega tem gerente.

E o gerente é mal-humorado pra caraio, apesar de dar a impressão de ser o cara mais bacana do mundo.

Portanto, parem de perder tempo escrevendo comentários idiotas.

Quer ser diferente? Faça seu próprio blog (é de graça!) e escreva suas asnices lá.

Aliás, certos comentários que recebo não cabem no departamento competente porque são verdadeiros artigos e o nosso quadro de colaboradores já está completo, como se costuma dizer.

Raramente me sinto estimulado à polêmica em nos jours (essa mania de usar palavras estrangeiras irrita alguns leitores, mas faz parte do make-up – lá vem ele de novo! – da minha desagradável personalidade).

Já é tarde demais para eu aprender outra profissão que me renda tanto e me obrigue a tão pouco, vivendo sem horários e falando de mim mesmo o tempo todo (quem não entendeu essa última frase pode parar a leitura por aqui).

Jornalismo free lance (de novo?!) é uma forma de liberdade, mas nada disso diminui o senso de aridez e futilidade dentro de mim.



Os motoristas de táxi mais agressivos põem aquele cartaz junto ao volante: “Que Deus te dê em dobro aquilo que me desejares”.

Aos meus inimigos, respondo: seus dois e mais quatro, apostando contra mim, bem entendido.

Houve tempo que essa aridez e futilidade me pareciam uma ressaca das leituras apressadas de Friedrich Nietzsche, Herman Hess e Carlos Castañeda, não necessariamente nesta ordem.

Agora, acho que não. É um estado permanente.

Depois dessa digressão contrária a tudo que se ensina (erradamente, preciso acrescentar?) nos cursos de Jornalismo, fico pensando em que fazer dos meus comentaristas raivosos.

Descobri: eles me dão um assunto pra hoje, sábado, antes de eu começar a meter o pé na jaca.

Mas, antes, quais as minhas reações diante deles?

São contraditórias: uma extrema modéstia existe, talvez seja, em verdade, simples indiferença.

Isto é, pouco se me dá que eu convença alguém ou não da impossibilidade da existência de Deus.

Admito perfeitamente a coexistência pacífica de opiniões.

A estupidez, por certo, ainda me provoca alguns surtos de vitalidade, sou até, por isso, grato à estupidez.


À parte a minha modéstia, ou indiferença, se preferirem, ante a opinião dos comentaristas, há também uma certa arrogância profissional, talvez injustificada.

Nunca ouvi falar dessa gente antes de lê-la.

Se se trata de especialistas nos assuntos que posto, por que não se profissionalizam?

A escassez de talento na nossa imprensa é ainda maior do que a pobreza tecnológica da internet em Manaus.

Podem ir a qualquer redação com um bom artigo sobre qualquer assunto que serão contratados na hora.

Qualquer editor confirmará o que digo.


Portanto, em vez de perderem seu precioso tempo com comentários idiotas que nunca irei publicar, façam alguma coisa mais útil para a humanidade: parem de me encher o saco!

A torcida vascaína agradece

sexta-feira, maio 24, 2013

Unesco presenteia a humanidade com a primeira Biblioteca Digital Mundial


A primeira biblioteca digital mundial digna do nome já está disponível na Internet, através do site www.wdl.org

Ela reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as joias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta. 

“Ela tem, sobretudo, caráter patrimonial”, antecipou Abdelaziz Abid, coordenador do projeto impulsionado pela Unesco e outras 32 instituições, no jornal La Nacion.

A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em sete idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas.

“Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha, em 1562”, explicou Abid.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani, um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história.

Um relato dos aztecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo.

Os trabalhos de cientistas árabes desvendando os mistérios da álgebra.

Os ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas.

Antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Fácil de navegar


Cada joia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado.

Os documentos foram passados por scanners e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas o português.

A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar diretamente pela Web, sem necessidade de se registrarem.

A biblioteca permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição.
Como já foi dito, o sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português ), embora os originais estejam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840.

Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos.

A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.


Entre outas joias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países.

Um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história.

O jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo.

O original das “Fábulas” de La Fontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C.

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas: América Latina e Oriente Médio.
Isso se deve à ativa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, à Biblioteca de Alexandria no Egito e à Universidade Rei Abdula da Arábia Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada no projeto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e atualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está destinada, principalmente, a investigadores, professores e alunos.


Mas a importância que reveste esse site vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo audiovisual. Experimente.

Coritiba vê Alex perder pênalti, faz só 1 a 0 no Nacional e é eliminado


Vice-campeão nas duas últimas edições, o Coritiba não conseguiu o ‘milagre’ e acabou sendo precocemente eliminado da Copa do Brasil.

Como tinha perdido o jogo de ida para o Nacional por 4 a 1, a equipe de Marquinhos precisava marcar no mínimo três gols.

Venceu, mas o placar de 1 a 0 foi insuficiente e deu adeus ao torneio nacional.

No jogo, Alex ainda desperdiçou uma cobrança de pênalti.

Agora, o elenco amazonense terá pela frente a Ponte Preta.

Nem preciso falar que a Marie Jolie está se achando...


quinta-feira, maio 23, 2013

Abercrombie, Fitch e os idiotas


Rafael Galvão

Uma campanha diferente foi deflagrada semana passada no Brasil, seguindo os moldes de campanha semelhante nos Estados Unidos. É uma resposta à declaração de Mike Jeffries, dono da marca Abercrombie & Fitch, de que não faz roupas para gordos porque quer apenas gente descolada e invejável usando seu produto.

Para mostrar o quão inadequadas as pessoas consideraram essas declarações, grupos nos EUA e aqui resolveram doar roupas da marca para mendigos, em protesto à discriminação e ao preconceito de Jeffries.

Essa campanha é uma das coisas mais idiotas e hipócritas que vi em muito tempo, e é prova cabal da imbecilidade generalizada neste início de século.

Seu problema central é que a Abercrombie & Fitch tem o direito de focar seu produto no target que quiser. Se não quer vender para gordos, problema dela. Mas ela só faz isso — abdicar de um nicho em crescimento rápido e constante — porque funciona, porque é assim que o rebanho age: ele está disposto a pagar um ágio bem razoável por uma simples imagem, e nada mais que isso.

O erro do dono da Abercrombie não foi ser canalha — até porque não fazer roupa para gordos não é canalhice, é opção de mercado, assim como não é canalhice da Chanel não fazer roupas para pobres. Seu erro foi explicar a lógica do que faz. Numa sociedade cada vez mais hipócrita, que transforma uma alucinada como a Angelina Jolie em heroína, você pode fazer o que quiser, desde que não assuma publicamente.

A Abercrombie & Fitch não é uma grife de preços excessivamente exorbitantes. Segundo dizem, suas camisas custam em torno de 80 reais. São caras para o que realmente valem, mas não são inacessíveis (parece ser, por exemplo, a marca preferida do bom Nissim Ourfali – que é magro). É uma roupa para a classe média metida a besta. Mas isso é o beabá da propaganda: posicione bem o seu produto, faça-o parecer melhor do que é, e eles virão até você.

O posicionamento da Abercrombie & Fitch é válido do ponto de vista do mercado. Funciona porque entende o comportamento da humanidade. Mas as mesmas pessoas que compram, ou gostariam de comprar, suas roupas por serem pretensamente elitistas não admitem que ela assuma sua postura, porque isso as forçaria a admitir que esses também são os seus valores.

Em vez de protestar, as pessoas deviam era procurar entender o que faz a marca se posicionar dessa forma, esnobando a legião de gordinhos que atravancam as filas do McDonald’s, e entender o que as faz desejar uma camiseta comum com uns retalhos costurados em cima. Mas é difícil que façam, porque não iam gostar muito das conclusões. Assim como Mike Jeffries, elas também querem roupas que não sirvam em gordos e que façam delas, automaticamente, pessoas mais “cool” do que jamais conseguiriam ser sem ajuda. É por isso que tem coisas na vida que a gente simplesmente não deve falar: este é um século que recompensa a hipocrisia e pune a honestidade.

Mas é a campanha em si, nascida nos EUA, que me incomoda — ao resto já estou me acostumando, anos exposto ao Facebook me acostumaram a esse macaquear impostor. Me incomoda não apenas porque esse pessoal não passa muito de um bando de idiotas fúteis que se mobiliza para brigar com uma marca direcionada a gente que se pretende bonita, magra e rica e, portanto, ignorada pela grande maioria da humanidade. Mas porque a própria ação é ainda mais elitista que a Abercrombie & Fitch.

O foco aqui não é o bem-estar desse pessoal que está no extremo oposto do público-alvo da marca: é só protestar contra o posicionamento assumido por ela, diminuindo seu valor ao associá-la a mendigos. O recado é simples: “Vocês não são ‘cool’ porque mendigos vestem suas camisas. Mendigos, ora. E isso me faz mais ‘cool’ que vocês”

Pelo preço que se compra uma camisa da Abercrombie & Fitch o sujeito que está fazendo essa campanha poderia comprar alguns cobertores para proteger os mendigos paulistanos no frio que se aproxima. Era isso que o faria melhor que o Mike Jefrries, não um protesto que humilha seres humanos destituídos, utilizando-os apenas para desvalorizar uma marca de roupas.

Isso é o mais triste nesse protesto: esses assim chamados militantes, com sua “ira justa” de classe média estultificada, dão mais valor à marca que à dignidade das pessoas. Mas quem está preocupado com eles? Mendigos não são tão importantes quanto uma marca que não gosta de gordos, nem quanto a mídia gratuita que se pode conseguir às suas custas. Mas pelo menos agora eles dormem na rua vestindo uma camisa da Abercrombie & Fitch.

Vascão perde outro torcedor ilustre: Paco Cac atravessou o espelho!



Fiquei sabendo dessa história triste por meio do BlocoOnLine, o exuberante site poético mantido pela querida poeta Leila Míccolis e pelo incrível Urhacy Faustino:

Em 4 de abril, através do facebook, a filha de Paco Cac, Pilar de Freitas, escrevia: “É com muito pesar que venho aqui informar. O poeta, militante, professor, pesquisador, vascaíno, carioca e acima de tudo meu pai, faleceu nesta quarta, 3 de abril de 2013. Aos que oram, orem. Aos que não, recordem. Aos amigos e familiares, guardem sempre a memória da vida, os poemas compartilhados e os sambas cantados. Iremos cremá-lo em Brasília. Em seguida faremos uma cerimônia no Rio, aonde ele realmente gostaria de ficar”.

A cremação aconteceu no dia 5, e m Goiás, e a homenagem a Caco Pac, no Rio, foi no dia 13 de abril: “Cerimônia de cinzas do Paco Cac no Rio de Janeiro: Ponto de encontro no Museu da República (Palácio do Catete). Entrada que dá para a rua do Catete. Faremos uma homenagem no museu, depois seguiremos para o mar”.

No início de fevereiro, Paco Cac, companheiro de muitos anos de jornada poética, no dia 8 de fevereiro nos fez uma bela dedicatória em seu catálogo de Revistas Literárias Brasileiras - Século XX (vol. 2), nos enviou o exemplar dia 25 do mesmo mês e recebemos a remessa no início de março, um mês antes de sua morte.

Esbórnia mia, aqui me tens de regresso!



Nesta quarta-feira, 22, meu compadre Carlos Alberto Almeida, atual procurador-geral do Ministério Público de Contas, me deu um puxão de orelha pelo fato de o blog estar desatualizado há tanto tempo.

Verdade.

E por que estou há tanto tempo sem vir aqui no mocó?

Bom, eu poderia elencar uma série de fatores extremos (excesso de trabalho, falta de tempo, tédio terminal, falta de inspiração, desavenças com a namorada, participação constante em muvucas de alto teor alcoólico, etc) e esmiuçar cada um deles para justificar essa minha falta de caráter, mas isso tudo seria chover no molhado.

O certo é que estou às voltas com cinco livros para lançar e somente conclui dois até agora.

O “Sanatório Geral”, contando a história política do Amazonas nos últimos 60 anos pela ótica do folclore e do humor, deve entrar na gráfica hoje e ser lançado na primeira quinzena de junho.

O “Cowboys Fora-da-lei”, que deveria ter sido lançado no meu aniversário, ganhou uma nova data de lançamento: dia 9 de julho, quando Pai Simão completa 90 anos.

O “Barbárie na Selva: O Caso Delmo” ainda está em fase de negociação, mas será lançado antes do fim do ano.

O “Almanaque Capivarol”, contando um pouco da história do carnaval amazonense e incluindo centenas de causos de sambistas, compositores e poetas, ainda está em fase de pesquisa.

O “Canários do Reino: a história sem censura do GRES Reino Unido da Liberdade” está sendo revisto pelos fundadores da escola, que também estão escolhendo as fotos que vão ilustrar a saga do reino do samba instaurado por Bosco Saraiva, Zé Picanço e Gil da Liberdade (o sócio número 1 da agremiação).

Além disso, tenho que cuidar diariamente das matérias do site CANDIRU, o jornal de maior penetração da Amazônia, fazer cobertura jornalística de vários órgãos públicos, divulgar as atividades da Força Sindical e last, but not least, manter o hábito saudável de ler um livro por semana (acabei de detonar “E Benicio criou a mulher...”, do Gonçalo Junior, e comecei a encarar “Uma breve história do Cristianismo”, de Geoffrey Blainey).

Como isso tudo demanda tempo, não é a toa que o mocó tenha ficado entregue às moscas por tanto tempo.

Prometo me regenerar.

Valeu, compadre!

Ah, propósito: ontem, foi aniversário da Lorena Printes, essa advogada charmosa que ilustra o post, e hoje é aniversário dos meus gêmeos Marcelo e Marcel.

Para a trinca, meus votos de sucesso e muitas felicidades.

Ou seja, o mocó está reabrindo em grande estilo. Te mete!