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segunda-feira, outubro 17, 2011

It's Only Rock & Roll



No último dia 8 de outubro, o analista de sistemas Simas Pessoa (aka “DJ Careca Selvagem”, nickname que ele usa nos chats de pegação virtual da web) completou meio século de existência.

No mesmo dia, a empresária Sueda, atual esposa do Sici Pirangy, estava completando 40 anos.

Para não deixar os dois eventos passarem em brancas nuvens, os amigos da dupla resolveram patrocinar uma boca livre total no Solarium Eventos, na sexta-feira, 7, para que na passagem da meia noite fosse cantado o “parabéns pra você”.


Atualmente fazendo mestrado em numerologia védica, Simas descobriu que “Careca Selvagem” possui seis sílabas e que a soma da idade dos dois aniversariantes dava 90 anos, um múltiplo de seis.

Resultado: o cabalístico número seis (e seus múltiplos, evidentemente) deu o tom da fuzarca.

Simas convidou seus 30 melhores amigos e Sueda, suas 30 melhores amigas.

Da galera masculina que bateu ponto na encrenca estavam Cazuza, Aloisinho Silva, Zé Alfredo, Celestino Neto, Marcileudo Barros, Jones Cunha, Luiz Lobão, Sici e Sadok Pirangi, Juarezinho, Áureo Petita, Arlindo Jorge, Gigio Bandeira, Solano Dourado, Marcel e Marcelo Pessoa, João Ricardo, Falcão, Sandro Barsal, Lucio Brasil, Nogueira, Antídio Weil, Manuel Augusto, Domingos Mal de Vida, Coronel Dutra, Francisco Bill, Mario Dantas, José Roberto Pinheiro e Lourenço Filho, entre outros.


Da ala feminina, Marisa (minha filha caçula, aí na foto com o aniversariante), Priscila, Bia, Mocinha, Suelen, Paloma, Camila, Lorena, Rebecca, Maria Julia, Gina, Elisandra, Daniella, Elismara, Silane, Selane, Simone, Dinha, Tetê, Graciete, Adriana, Graça, Maria José, Carol, Dulce, Ritinha, Paula Cristina, Ana Cláudia, Suzanny, Patrícia e Sandra Maria, entre outras.

Ao todo, incluindo os penetras, deviam ser uns 90 comensais.


De entrada, 600 petiscos de seis sabores diferentes: rissole de camarão, queijo empanado, empadão de galinha, croquete de carne com pimenta, nhoque de banana com canela e bolinho de piracuí.

O rango propriamente dito também constava de seis pratos diferentes: tartarugada regional, galinha picante, bacalhau a Zé do Pipo, paca no leite de castanha, strogonoff de filé e pato no tucupi.

Idem para os acompanhamentos: salada russa, arroz selvagem, maionese a moda do chefe, espaguete a bolonhesa, arroz de puçá e talharim ao alho e óleo.

A numerologia também funcionou para a sobremesa: sorvete de mangaba, mousse de cupuaçu, pavê de ameixa, pudim de coco, creme de maracujá e creme de murici.


No quesito birita, a fuzarca contava com seis grades de Skol, seis caixas de Antarctica em lata, seis garrafas de Johnnie Walker Red, três garrafas de Johnnie Walker Black, seis garrafas de vinho tinto, três garrafas de vinho branco, três garrafas de vinho rosé, seis garrafas de champanhe Cristal, seis garrafas de vodka Wyborowa e 60 garrafas de refrigerantes (guaraná Real, Coca Cola e Pepsi Cola) de dois litros.


Responsável pela trilha sonora, o DJ Alexis Mad Max (“Alexis Mad Max” tem 12 letras...) ficou encarregado de dividir o fuzuê em 12 sets de 60 minutos cada um, com início às 18h da sexta-feira.

Na primeira hora, rock nacional (Titãs, Ira, Paralamas), depois blues (Eric Clapton, Johnnie Winter, John Lee Hooker), depois soul (Marvin Gaye, Four Tops, Rick James), depois funk (Parliament, Con Funk Shun, James Brown) e, finalmente, rock dos anos 70 (Rare Earth, Creedence, Bob Dylan).


Após a sessão conjunta de “parabéns pra você” de Simas e Sueda, o DJ Alexis iniciou um set de disco music (Donna Summer, Sylvester, Tramps), depois house music (Marshall Jefferson, Frankie Knuckles, Adonis), depois rock pesado (Iron Maiden, Led Zeppelin, Pantera), depois rock progressivo (Pink Floyd, Kraftwerk, Yes) e nos abandonou em pleno tiroteio por volta das 5h da manhã de sábado, alegando que estava morto de sono.


Foi necessário abrirmos urgentemente o meu boteco particular para continuar a festa até o dia amanhecer, já que a nossa intenção era pegar o sol com a mão.

Por volta das sete horas da manhã, apenas meia dúzia de zumbis permanecia de olhos abertos curtindo antigos sucessos de Vinicius & Toquinho no volume máximo: Áureo Petita, Domingos Mal de Vida, Sandro Barsal, Simas Pessoa, Lorena e Rebecca, sendo que as duas molecas ainda teriam de pegar no trampo por volta das 10h da manhã de sábado.

Duvido que tenham conseguido.

Se o gelo do uísque não tivesse terminado por volta das 8h da manhã – nem eu os tivesse expulsado do boteco sob o argumento calhorda de que precisava viajar na mesma tarde para Manacapuru –, desconfio que os zumbis ainda estariam lá em casa até hoje. Ô raça!

Salvo um pequeno incidente no estilo “everything but the girl” (“tudo menos a garota”) protagonizado pelo convidado de um convidado (sempre eles!), foi uma festança inesquecível.

No próximo ano tem mais!


Luiz Lobão e Sueda


Dulce e o patriarca Simão Pessoa


Eu, Camila e o Careca Selvagem


Celestino Neto, Simas e Juarezinho


Arlindo Jorge, Simas, Sici Pirangy e Luiz Lobão


Eu e Antídio Weil


Paloma, Camila e Suhelen


Sici Pirangy, Simas, Aloisinho, eu e Zé Alfredo


Paloma, Camila e Áureo Petita


Curtindo o embalo black do DJ Alexis Mad Max


A cachorrada reunida. Em pé: Aureo, Marcileudo, Celestino, Aloisinho, eu, Cazuza, Zé Alfredo, Gigio, Simas, Lucio, Luiz Lobão, Sici e Arlindo Jorge. Sentados: Jones Cunha, Sadok e Juarezinho.

Após ser afastada, Juju Salimeni nega saída do Pânico na TV!


Juju Salimeni negou na tarde desta segunda-feira (17) que pediu demissão do Pânico na TV!, como foi divulgado pela imprensa.

A Panicat, que não apareceu no programa na noite do último domingo (16), se manifestou no Twitter: "boa tarde! Já to de saco cheio de acordar e ver notícias mentirosas na internet! Não saí do @programapanico! Estou apenas afastada".


Juju, assim como Nicole Bahls, estão afastadas da atração desde que trocaram ofensas públicas no Twitter.

As duas já fizeram as pazes, mas mesmo assim o Pânico não perdoou.

Esta é a segunda vez que Juju e Nicole foram punidas pelo programa.

"Quando eu tomar alguma decisão vocês serão os primeiros a saber. Não levem a sério fofocas de internet", irritou-se a Panicat.

domingo, outubro 16, 2011

New Order é a principal atração do Ultra Music Festival



Um é representante dos primeiros mergulhos do rock no mundo da música eletrônica, o new wave, nos anos 80, e outro é o expoente atual mais falado do momento quando o assunto é house music.

A banda inglesa New Order e o trio sueco de DJs Swedish House Mafia estão entre as 22 atrações anunciadas anteontem pela organização do Ultra Music Festival, cuja segunda edição será realizada no dia 3 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi.

A expectativa é que o evento receba 30 mil pessoas.

A escolha do line up deste ano aponta para um novo posicionamento do evento, que quer mostrar a música eletrônica como algo que pode ser mais orgânico, com instrumentos de verdade, não apenas com as picapes.

Isso torna tudo mais acessível, para um público mais diversificado, dizem os organizadores daquele que é tido como um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, com festas em Miami, nos Estados Unidos, e Ibiza, na Espanha.

Só para se ter uma ideia do tamanho do evento, no ano passado, a edição americana - a principal, aliás - reuniu 150 mil pessoas num mesmo espaço.

Só como comparação, isso é mais do que os 100 mil que frequentavam diariamente a Cidade do Rock, no Rock in Rio.

Em 11 anos de festança nos EUA, o festival reuniu 1 milhão de pessoas, envolvidas pelas batidas eletrônicas e pelos shows.

Moby e Black Eyed Peas, por exemplo, encabeçaram as edição anteriores lá fora.

E é esse o conceito, de ampliar os horizontes da música eletrônica, que a empresa que traz esta edição do evento se propõe a fazer.

A XYZ Live, aliás, foi responsável pelas vindas, só neste último mês, de Justin Bieber, Katy Perry, Nick Jonas, Ke$ha e System of a Down.

Toda a festa em São Paulo vai começar às 13h, de 3 de dezembro, um sábado.

Serão 14 horas seguidas de festival, em dois palcos simultaneamente: o Ultra Stage, destinado aos shows propriamente ditos, com capacidade para 22 mil pessoas, e o Ultra Arena, um espaço fechado, de forma octogonal, para 8 mil, mais espaço para os DJs e suas picapes.

Entre as 22 atrações, há algumas opções interessantes para todos os gostos.

O clássico do New Order - sem o baixista Peter Hook, brigado com a banda, e com a volta do tecladista Gillian Gilbert - é um prato para os saudosistas dos anos 80.

Quem quer algo atual não pode perder o explosivo duo canadense Death From Above 1979 ou o dance punk do MSTRKRFT (lê-se Masterkraft).

Entre os mais eletrônicos, o destaque fica mesmo com o Swedish House Mafia, pela primeira vez por aqui e apontado por alguns críticos como o Fat Boy Slim da atualidade.

Ultra Music Festival - Sambódromo do Anhembi. Vendas pelo site: www.livepass.com.br. Dia 3 de dezembro, a partir das 13h. R$ 150 (mulher) e R$ 180 (homem)

quinta-feira, outubro 06, 2011

Ossos do ofício

Um espada matador pode estar casado com a mulher mais bonita do planeta, mas não passa batido quando vê uma bundinha apetitosa a dois palmos do nariz






Claro que essa característica inata de um verdadeiro predador sexual sempre acaba dando merda e abalando o nosso santificado relacionamento.

Mas vamos combinar: se acontece até com a Victoria Beckham não vai acontecer com você, querida leitora?!

Da próxima vez em que pegar seu cachorro encoleirado com aquele olhar de peixe morto para uma popozuda, finja que não viu.

A Confraria dos Espadas agradece.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Eric Clapton começa turnê brasileira em Porto Alegre


Eric Clapton desembarcou nesta terça-feira em Porto Alegre, onde faz seu primeiro show brasileiro em dez anos, nesta quinta-feira.

A apresentação será pautada no último álbum do cantor, Clapton.

Pelas escolhas recentes do repertório, pela formação atual da banda de apoio e pelo próprio momento da carreira, é seguro dizer que o Clapton que se verá em outubro é o melhor a já pisar no país.

Em 1990, ele estava em alta, na turnê do álbum Journeyman, mas tocou para relativamente pouca gente - e mostrou um cardápio menos abrangente, pouco representativo de sua fértil carreira.

Mais de uma década depois, em 2001, o repertório decepcionou, com algumas faixas abaixo de sua média costumeira, como Change the World e My Father's Eyes.

A banda que está excursionando com Eric Clapton tem Chris Stainton nos teclados (já tocou com The Who, Joe Cocker, Roger Waters e está com Clapton há longos anos), Tim Carmon nos teclados (já tocou com Bob Dylan, Paul McCartney, Santana, dentre outros), Willie Weeks no baixo (já tocou com Buddy Guy, Robert Cray, Aretha Franklin, dentre outros), Steve Gadd na bateria (o mesmo que tocou em Reptile) e Michelle John e Sharon White nos backing vocals.

É uma banda tipo butantã: só cobras criadas!

Na capital gaúcha, o cantor e compositor britânico se apresenta no estacionamento da Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul).

Da cidade, ele segue para o Rio de Janeiro, onde faz shows dias 9 e 10 no HSBC Arena.

Em São Paulo, Eric Clapton faz show no dia 12, no Estádio do Morumbi.

Relegado no Rock in Rio, palco Eletrônico teve bons momentos


por Claudia Assef

Saí de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro domingo à noite com a missão de descobrir se, afinal, o tal palco Eletrônica do Rock in Rio estava ou não funcionando.

Sim, porque apesar da bela programação anunciada, com nomes realmente relevantes do Brasil e do mundo (Masters at Work, François K, Gui Boratto, Joe Claussel, Luciano, Zegon, Renato Ratier e, xodó da minha lista, Dimitri from Paris), não vi uma linha publicada por aí falando de alguma das apresentações do palco.

Mistério.

Peguei um voo às 18h15 em Congonhas levando à tiracolo a madrinha da minha filha, Bruna, e a Maia, ainda na minha barrigona de seis meses.

Voo no horário, bolsas munidas de Kleenex pra usar como papel higiênico.

A aventura estava começando.

Chegamos ao Santos Dumont antes do horário previsto e lá estava ele, o busão do rock (ou um nome tipo assim), a linha oficial de ônibus que, de meia em meia hora, partia do aeroporto rumo à Cidade do Rock.

Por R$ 35, entramos no confortável bumba, com ar-condicionado e um cheirinho reconfortante de Gleide (pra quem esperava um misto de cecê e cerveja).

Até aqui, tudo perfeito!

Chegando ao estacionamento dos ônibus, a primeira amostra do que ficou carimbado pra mim como um dos grandes problemas do festival: a total falta de informação dos funcionários.

Diante daquele terreno enorme, com vista pra roda gigante e pro suntuoso palco Mundo, ficamos felizes e saltitantes, talvez com uns dez anos a menos nas nossas carcaças de 30 e lá vai...

Depois de tirar as primeiras - e empolgadíssimas - fotos nos demos conta de que não havia por ali nenhuma informação sobre uma possível entrada para o Rock in Rio.

Caminhamos pela lateral do evento, ladeando a enorme grade que separava a pipoca dos pagantes.

Enquanto isso, a baiana Pitty tocava seu rock feminino lá dentro, empolgando uma galerinha duranga, que fazia a festa ali do lado de fora, se refestelando com garrafas de vodca e vinho de quinta categoria.

Se eu tivesse mais uns dias de festival, ficaria um tempo observando um grupo de garotas adolescentes de cabelos das mais diversas cores, que bebiam de uma mesma garrafa e cantavam do alto de seus pulmões "Diz que você me adora/ Que me acha foda...".


Finalmente encontramos um cara todo paramentado de credenciais, rádio, enfim, uma pessoa oficialmente do festival.

"Onde é a entrada da VIP?".

O moço nos apontou uma passarela e pra lá fomos.

A passagem sobre a avenida, sem nenhum cuidado visual, era um corredor branco, com alguns buracos remendados com fita adesiva, que escondia o oásis pra onde estávamos indo.

A entrada pra área VIP era um tanto surreal, com uma fileira de funcionários manuseando máquinas que mais pareciam guilhotinas do tempo da Queda da Bastilha, que serviam para prender a pulseirinha de acesso.

Ao final deste processo, duas moças bonitas te esperavam sorridentes com tesouras nas mãos, para cortar a rebarba, aquele trocinho que fica sobrando das pulseiras.

Fiquei imaginando aquelas meninas se arrumando pra sair e tentando explicar pra suas mães o que afinal faziam no Rock in Rio.

Enfim chegamos ao paraíso.

Uma montanha de comidas e bebidas nos esperava no andar térreo da tal área VIP, onde vira e mexe notávamos um fuá de paparazzi atrás de VIPs realmente VIPs, como a bela Juliana Paes, coitada, que achou que conseguiria ver um show de rock em paz.

Ah, mas quem eu procurei mesmo foi a Christiane Torloni.

Pena que ela não estava lá, apesar de ser dia de rock!


No segundo andar do puxadinho VIP uma vista incrível de toda a Cidade do Rock, que foi providencial para quem estava chegando no final da festa.

Como o show que estava por começar ali no palco Mundo não me interessava nem um pouco, fomos cuidar de coisas mais mundanas, como comprar cacarecos nas lojinhas oficiais e entender como sair dali, de ônibus, algumas horas mais tarde.

Pergunta daqui, pergunta dali.

Não, ninguém sabia de onde saía o tal bumba da Viação 1001 com destino a São Paulo.

Deixamos pra resolver depois, porque o palco Eletrônico estava na hora de abrir.

Comecei a entender o porquê de não ver nada, nenhum resenha, sobre aquele palco depois da caminhada que fizemos pra chegar até lá.

O lugar era afastado do centro nervoso do Rock in Rio e com um agravante: para chegar até lá era preciso vencer a muvuca da Rock Street, com suas dezenas de lojas de comida e quiosques de marcas promovendo suas ações de marketing que deixavam o trânsito por ali praticamente impenetrável.

Quando finalmente conseguimos chegar ao palco, a "diva de Ibiza" (not) Nalaya Brown começava seu set de hits bate-cabelo, acompanhada do DJ Marcelo Garcia, irmão do apresentador Marcio Garcia.

Preferi andar aquele longo e muvucado caminho de volta pra VIP e comer alguma coisa.

De volta pro palco Eletrônica (perdemos a apresentação do talentoso Boss in Drama enquanto mandávamos ver um prato de risoto), deu tempo de ver o finalzinho do set de Rodrigo Penna, criador do Bailinho, fazendo seu pop dançante e feliz.

Daí recebo o seguinte torpedo de um amigo que trabalha na produção do Rock in Rio: "vem aqui no backstage conhecer o Dimitri".

Era pra ver o DJ francês que estávamos ali, então claro que fomos.


Com seu look tradicional que fica entre mágico do circo Vostok e pimp, Dimitri falou rapidamente sobre seu set: "Nunca sei o que vou tocar. Sempre decido na hora".

Então não usa mais vinil, eu perguntei.

E ele: "Uso o computador. Mas é música mesmo assim, né?".

Enquanto isso o carioca Memê, espécie de embaixador da house fluminense, tocava um set animado, bem costurado, no limite do pop.

Deixou o palco pronto para o grupo Hercules & Love Affair, que na noite anterior fizera uma apresentação quentíssima em São Paulo.

Assim que Andy Buttler e CIA pisaram no palco, as gotinhas de chuva que antes eram respingo, se intensificavam.

O chuvisco virou chuva forte enquanto a vocalista Kim Ann Foxmann mandava ver Athena, hit do primeiro disco do coletivo, de 2008.

Quis muito ficar ali, dançando na chuva, como alguns guerreiros que nem deram moral pra água que caía, mas pensei na bebezinha na minha barriga e fui embora pro puxadinho seco atrás do palco.

Ouvi dali o resto do show do Hercules, impecável como o da noite anterior em São Paulo.

Torci muito pelo fim da chuva, mas que nada, só aumentava.


Quando Dimitri foi pro palco, chovia forte e, lá do lado oposto ao do palco Eletrônica, no palco Mundo, um Axl Rose inchado e vestindo uma capa amarela que o fazia parecer o desenho Spy vs Spy começava a atacar também.

Pouquíssimos gatos pingados - e encharcados - ficaram ali para ouvir o delicioso e dinâmico set do francês, que abriu com a muito adequada Here Comes The Rain Again (Eurythmics) e depois mixou de Michael Jackson (Don't Stop Till You Get Enough), Daft Punk (Around The World) e Ashford & Simpson (Ain't No Mountain High Enough) a Dan Hartman (Instant Replay) e Jackson Five (I Want You Back).

Um set de house, disco e funk chiquérrimo garanto que aconteceu, apesar de não ter quase ninguém lá pra provar o contrário.

Saímos correndo perto das quatro da manhã, ainda debaixo de chuva no finalzinho do set de Dimitri, em busca do ônibus que nos levaria pra rodoviária, enquanto do palco Mundo ecoava Welcome To The Jungle, trilha sonora perfeita para a nossa aventura de volta pra São Paulo, que estava só começando.

Mas esta é outra longa história.


NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Para quem ainda não ligou o nome a criatura, Claudia Assef é autora do imperdível livro Todo DJ Já Sambou, onde conta o nascimento, crescimento e explosão da música eletrônica nas noites do Bananão - com detalhes preciosos sobre o trabalho dos saudosos DJs Big Boy, Ademir e Ricardo Lamounier, entre outros.

Além disso, ela é jornalista, editora da revista Volume01, da editora Abril, apresentadora – ao lado de Patrícia Corrêa - do programa Clubtronic Especial, que vai ao ar aos sábados das 22h às 23h, na rádio Energia 97 FM, DJ e promoter das noites Ambiance e Discology, no Susi In Transe e no Bop Bistrô Eletrônico, respectivamente.

Ou seja, Cláudia Assef é festeira convicta. E das mais animadas.

Da série “Vale a pena ler de novo”: Tipo assim...


por Kledir Ramil, o mais putanheiro da dupla Kleiton & Kledir

Tô ficando velho!

Um dia desses, às 2 da manhã, peguei o carro e fui buscar minha filha adolescente, na saída do show do Charlie Brown Jr.

Ela e as amigas estavam eufóricas e eu ali, meio dormindo, meio de pijama, tentei entrar na conversa.

"E aí, o show foi legal ?"

A resposta veio de uma mais exaltada do banco de trás:

"Cara! Tipo assim, foda!"

E outra emendou:

"Tipo foda mesmo!"

Fiquei tipo assim, calado o resto do percurso, cumprindo minha função de motorista.

Tô precisando conversar um pouco mais com minha filha, senão, daqui a pouco, vamos precisar de tradução simultânea.

Pra piorar ainda mais, inventaram o ICQ, essa praga da Internet, onde elas ficam horas e horas escrevendo abobrinhas umas pras outras, em código secreto.

Tipo assim: "kct! vc tmb nunk tah trank, kra. Eh d+, sl. T+ Bjoks. Jubys".

Em português: "Cacete! Você também nunca está tranqüila, cara. É demais, sei lá. Até mais, beijocas. Jubys".

Jubys, que deve ser pronunciado "diúbis", é isso mesmo que você está imaginando, a assinatura.

Só que o nome de batismo é Júlia, um nome bonito, cujo significado é "cheia de juventude", que eu e minha mulher escolhemos, sentados na varanda, olhando a lua...


Pois, Jubys, é hoje, essa personagem de cabelo cor de abóbora, cheia de furos na orelha, que quer encher o corpo de piercings e tatuagens.

Tô ficando velho!

Outro dia, tentei explicar pro mesmo bando de adolescentes o que era uma máquina de escrever.

Nunca viram uma.

A melhor definição que consegui foi: "é tipo assim... um computador que vai imprimindo enquanto você digita".

Acho que não entenderam nada!

Eu sou do tempo do mimeógrafo.


Pra quem não sabe, é uma máquina que você coloca álcool e dá manivela, prá imprimir o que está na folha matriz.

Por sua vez, essa matriz precisa ser datilografada (ver "datilografia" no dicionário) na tal máquina de escrever, sem a fita (o que faz com que você só descubra os erros depois do trabalho feito), com o papel carbono invertido...

Enfim, procure na Internet, que deve haver algum site sobre mimeógrafo, papel carbono, essas coisas...

Se eu ficar explicando cada vocábulo descontinuado, não vou conseguir acompanhar meu próprio raciocínio.

Voltando às garotas, a cultura cinematográfica delas varia entre a "obra" de Brad Pitt e a de Leonardo de Caprio.

Há anos tento convencê-las a ver "Cantando na Chuva", mas, sempre fica para depois.

Um dia, cheguei entusiasmado em casa, com a fita de um filme francês que marcou minha infância: "A guerra dos botões".

Juntei toda a família para a exibição solene e a coisa não durou nem 5 minutos!

O guri foi jogar bola, Jubys inventou "um trabalho de história sobre a civilização greco-romana que tem que entregar tipo assim até amanhã senão perde ponto"

E, até minha mulher, de quem eu esperava um mínimo de solidariedade, se lembrou que tinha um compromisso com hora marcada e se mandou.

Fiquei ali, assistindo sozinho e lembrando do tempo em que eu trocava gibi na porta do Capitólio.


Uma amiga me contou que o filho de 10 anos ficou espantado, quando viu um telefone de discar.

Sabe telefone de discar?

É tipo assim, um aparelho sem teclas, geralmente preto, com um disco no meio, todo furado, onde cada furo corresponde a um algarismo.

Você enfia o dedo indicador no buraco correspondente ao número que precisa registrar, gira o negócio até uma meia lua de metal e solta a roleta, que, lá por dentro está presa a uma mola e faz ela voltar à sua posição inicial.

Esse aparelho serve para conversar com outra pessoa, como qualquer telefone comum, desde que esteja, é claro, conectado na parede.

Eu sou do tempo em que vidro de carro fechava com maçaneta.

E o Fusca tinha estribo e quebra vento.

Não espalha, mas, eu andei de Simca Chambord, de DKW, Gordini, Aero Willis e até de Romiseta.

Não dá pra explicar aqui o que era uma Romiseta.

Só vou dizer que era tipo assim um veículo automotivo, com 3 rodas, que a gente entrava pela frente e a direção era grudada na porta.


Procure na Internet, deve haver um site!

Tá bom, tá bom, confesso mais!

Usei Camisa Volta ao Mundo, casaquinho de Ban-lon, assisti à Jovem Guarda, o Direito de Nascer...

Mas, é mentira essa história de que meu primeiro disco gravado foi em 78 rotações!

Há pouco tempo, João, meu filho de 8 anos, pegou um LP e ficou fascinado!

Botei pra tocar e mostrei a agulha rodando, dentro do sulco do vinil.

Expliquei que aquele atrito gerava o som que estávamos escutando...

Mas aí, ele já estava jogando o Pokemon Stadium, no Game Boy.

Não é que ele seja desinteressado... eu é que fiquei patinando nos detalhes.

Ele até que é bastante curioso e adora ouvir as "histórias do tempo em que eu era criança".

Quando contei que a TV, naquela época, era toda em preto e branco, ele "viajou" na idéia de que o mundo todo era em preto e branco, e, só de uns tempos para cá, é que as coisas começaram a ganhar cores.

Acho que de certa forma ele tem razão. “Tipo assim”...

segunda-feira, outubro 03, 2011

Rafinha Bastos estará fora do CQC nesta segunda-feira e nas próximas semanas


Após piada de péssimo gosto envolvendo a cantora Wanessa Camargo e toda repercussão negativa, o humorista Rafinha Bastos foi punido pela emissora Band e não estará na bancada do programa CQC, na noite desta segunda-feira (3) e nem nas próximas semanas.

A informação é da colunista Monica Bergamo (Folha de S.Paulo).

A cúpula da emissora teria tomado a decisão de retirá-lo do ar durante reunião de emergência realizada neste domingo (2) na França, onde participa da Mipcom, feira de audiovisual, em Cannes.

Para muitos, Rafinha passou dos limites quando disse, na semana passada, sobre a gravidez de Wanessa Camargo: “Eu comeria ela e o bebê”.

De acordo com fontes ouvidas pela Folha de São Paulo, uma “grande surpresa” está sendo preparada para esta segunda.

O comentário também gerou indignação nas redes sociais e muitas celebridades se posionaram na polêmica.

Seu companheiro de bancada Marco Luque, o qual é amigo do marido de Wanessa, o empresário Marcus Buaiz, divulgou uma nota na sexta-feira (30):

“Sobre a piada feita pelo Rafinha Bastos, no programa CQC que foi ao ar no dia 19 de setembro, eu, como pai, entendo e apoio a revolta e a indignação do Marcus Buaiz, um homem que conheço e respeito. Se fizessem uma piada com este contexto sobre a minha família, certamente ficaria ofendido. Com certeza uma piada idiota e de muito mau gosto.”

Também nesta semana, o ex-jogador Ronaldo, que sempre acompanhou o programa CQC, considerou a piada ofensiva e chegou a reclamar com a direção da emissora.

No dia 29 de agosto, Rafinha Bastos pediu desculpas no ar a Daniela Albuquerque, mulher do presidente da RedeTV!, Almicare Dallevo.

A direção fez o apresentador se redimir após chamar a apresentadora de “cadela”.

Para a revista “Veja São Paulo” publicada nesta semana, Marcelo Tas também comentou sobre as atitudes de Rafinha Bastos.

“Não gostei, isso não é piada, não se encaixa na categoria humor. É uma deselegância, uma agressão gratuita. Ele foi infeliz”, disse o comediante.

Procurado pela publicação, Rafinha não quis comentar a repercussão do caso e limitou-se a dizer: “Sou comediante, faço piada. Acho a discussão válida, mas outras pessoas podem comentar melhor sobre o assunto”.


NOTA DO EDITOR DO BLOG

O Rafinha é apenas um mentecapto fascista completamente empolgado com a quantidade de adolescentes babacas que o seguem no twitter. O fracasso lhe subiu a cabeça!

G1 elege os momentos marcantes do Rock in Rio 2011


Após 160 atrações musicais e 700 mil pessoas em 7 dias da quarta edição do Rock in Rio no Brasil, chegou a hora de lembrar o que marcou este festival.

Houve de apresentações memoráveis a exageros performáticos, de personagens inesperados a imagens de encher os olhos.

Mas as coisas não acabam por aqui.

Afinal, todo dia é dia de rock, bebê.


Stevie Wonder no show (Foto: Flavio Moraes/G1)

Os sucessos de Stevie Wonder já seriam o bastante para fechar bem o dia 29, mas o cantor foi além de “You are the sunshine of my life”, “Higher ground”, “I just called to say I love you”, “My cherie amour” e “Isn't she lovely”.

A apresentação teve ainda a presença da cantora Janelle Monáe. Na noite do soul, Stevie cativou famílias e casais com covers de “The girl from Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), e “Você abusou”, de Antonio Carlos e Jocafi, conhecida na interpretação de Toquinho.

Salve simpatia.


Ke$ha não agradou a todos (Foto: Flavio Moraes/G1)

Ela bem que se esforçou.

A apresentação que durou uma hora foi suficiente para Ke$ha quebrar uma guitarra (“Fuck him”), “beber" sangue falso (“Cannibal”) e estrelar coreografias desconjuntadas que não foram exatamente bem recebidas pela plateia.

O dance pop festivo e desbocado da cantora americana ficou totalmente descontextualizado na noite dos sons com pegada soul de Janelle Monáe, Stevie Wonder e Jamiroquai.


Chris Martin do Coldplay (Foto: Flavio Moraes/G1)

Nenhuma apresentação foi tão marcada por um hit como a do Coldplay, que fechou o penúltimo dia de Rock in Rio.

Durante grande parte do espetáculo, os fãs do grupo britânico entoaram o coro de “Viva la vida” como se fossem uma torcida de futebol, antes, durante e depois de Chris Martin cantar o hit do disco de mesmo nome lançado em 2008.

A música foi a mais celebrada do set de uma hora e 25 minutos de bom show, concorrendo com hits como “In my place”, “Fix you” e “Clocks”.


Não só pelos hits Katy Perry agradou no show do primeiro dia de Rock in Rio, no dia 23.

A cantora trocou diversas vezes de roupa, mostrou decotes e plumas e paetês, e ganhou o público também pelo visual.

Foi a coisa mais fofa a se apresentar no Palco Mundo.


Irmãs vestem o bordão (Foto: Carolina Lauriano/G1)

Uma entrevista ao vivo da atriz Christiane Torloni no primeiro dia do festival deu o tom das brincadeiras tanto na internet quanto nos quatro cantos da Cidade do Rock - ao longo de todos os sete dias de festival.

Em um papo para lá de alegre em frente às câmeras, Christiane Torloni soltou a frase que seria transformada em marca da atual edição do festival: “Hoje é dia de rock, bebê!”.

O bordão foi parar na boca de famosos e anônimos que circularam pelos gramados do festival e brilhou até nas estampas das camisetas.


O vocalista Adam Levine arrancou suspiros do público feminino, notadamente em maioria durante o show da banda californiana Maroon 5 no sábado (1º).

Com uma camisa justa, uma performance cheia de rebolados e saltos no encerramento de quase todas as canções, o cantor comandou os coros das mulheres na plateia e conseguiu total domínio da multidão.

Cada sucesso do Maroon 5, como “Sunday morning” e “This love”, tinha os gritinhos das garotas como complemento obrigatório.


Shakira e Joss Stone (Foto: Flavio Moraes/G1)

Deu um justo empate no quesito beleza.

Afinal, foram dois estilos de visual completamente diferentes, mas que encheram de graça os palcos do Rock in Rio.

De um lado, a inglesa Joss Stone, brejeira e descompromissada, encantadora por sua doçura no olhar e por sua simpatia.

Do outro, a sensualidade latina de Shakira, que entortou os pescoços dos marmanjos com rebolados diferentes para cada música.

As duas fizeram bem não só para os ouvidos da plateia.


Na performance com toque sexy e provocante de Katy Perry no primeiro dia de festival, um anônimo da plateia conseguiu seus 15 minutos de fama.

O rapaz que ficou conhecido como “Julio de Sorocaba” subiu ao palco e virou parte da apresentação.

Beijou Katy Perry, foi beijado pela cantora e acabou como viral na internet.

Conseguiu até um contrato para tuitar durante o Rock in Rio, mas o prêmio maior foi a chegada em Katy.

Ele definiu o momento mágico em uma frase: “ela tem um gosto muito macio”.


O mosh no show do Slipknot (Foto: G1)

Se música barulhenta, roupas de presidiário e máscaras não fossem suficientes para fazer do show do Slipknot, no domingo (25), a performance mais marcante do Rock in Rio, um dos integrantes teve a interação mais forte com o público do festival.

Quando começou a apresentação de “Duality”, o DJ Starscream subiu em lugar reservado para a equipe técnica do evento e pulou em cima do público, em uma das cenas mais marcantes dos sete dias de Rock in Rio.


A cantora Janelle Monáe (Foto: Flavio Moraes/G1)

Diferentemente de edições passadas do Rock in Rio, não houve chuva de latas e nem mesmo vaias em profusão - pelo menos algo que ficasse para a história.

A programação no Palco Mundo foi razoavelmente coesa e dias como o de inspiração black, com Janelle Monáe e do metal, tiveram boa resposta do público.

Mesmo as exceções Ke$ha e Gloria acabaram saindo ilesos de constrangimentos mesmo estando algo deslocados no line-up.

É verdade que Gloria, sofreu um pouco mais com algumas vaias dos metaleiros enquanto arriscava covers do Pantera.


Tom Zé e Mutantes (Foto: Alexandre Durão/G1)

A ideia para o Palco Sunset, local onde aconteceriam os shows menores, era a de promover encontros.

A escalação previa que duas bandas se juntassem no palco para gerar, por meio de uma parceria, shows exclusivos e inovadores.

Mas faltou acertar os detalhes da propostas com os próprios músicos que aceitaram o desafio da organização.

Ao longo do festival, o que mais aconteceu foi o revezamanto entre as bandas “parceiras”, que faziam shows separadamente.

O caso mais extremo foi o de Tom Zé e Mutantes.


Adrenalina na tirolesa (Foto: Alexandre Durão/G1)

A tirolesa foi um dos brinquedos que mais teve procura na Cidade do Rock nos sete dias de Rock in Rio.

A brincadeira partia da altura de 24 metros e o trajeto de 200 metros de extensão, diante do Palco Mundo, era feito em brevíssimos 35 segundos.

O equipamento funcionou a partir da abertura dos portões até a madrugada seguinte.

Os fãs de música ficaram até sete horas na fila da brincadeira radical.

Até a cantora americana Janelle Monáe fez questão de experimentar.

Já a nossa Ivete chegou a tuitar que gostaria de usar o brinquedo durante um dos shows.


Tico, do Detonautas (Foto: Flavio Moraes/G1)

Artimanha manjada, enfiar sucessos de outros no repertório foi prática recorrente.

O Detonautas fez citações a Queen, Nirvana e Raul Seixas em troca de aplausos.

O Gloria enfrentou as vaias no dia do metal com covers de peso do Pantera.

A campeã, no entanto, foi Claudia Leitte, com covers de Rolling Stones, Led Zeppelin, Zeca Baleiro, Tim Maia, Frenéticas, Chico Science, Jorge Ben Jor e Sergio Mendes.

Emmerson Nogueira se orgulharia.

Da série “Vale a pena ler de novo”: Meia noite em Ipanema


Por Joaquim Ferreira dos Santos

Eu saí do filme do Woody Allen na Paris dos anos 20 pensando “nostalgia é a vontade de se voltar saudoso a um passado que, a não ser no cinema, nunca existiu”.

Não deu tempo de elaborar melhor a frase, juntar estampas Eucalol entre as partículas passivadoras, borrifar um patchouli entre os verbos e agregar valor ao tirocínio. Chovia.

Eu estava eufórico com o filme, mas cansado da vida, cansado de mim, velhice chegando, e eu chegando ao fim — e foi aí, no pâncreas do meu eu sorumbático, que o sino da igreja de São José gemeu mais uma meia-noite fantástica.

Entrei no táxi, disse “Ipanema”, e o motorista, depois de tragar o Chanceller, o fino que satisfaz, me deixou na mesa do bar Jangadeiro, na Praça General Osório.


Tarso de Castro, Ziraldo, Paulo Francis e Jaguar discutiam com Millôr Fernandes a capa do próximo número do “Pasquim”.

Perguntei ao Ivan Lessa se o Artur Xexéo não havia exagerado em dizer que eu só escrevia nostalgia.

Ivan puxou da Olivetti um artigo que acabara de escrever sobre o Almanaque Capivarol, uma cornucópia de tatuís na banheira, cabeçadas de Heleno de Freitas na trave de General Severiano e trinados de Linda Batista no palco-auditório da Nacional.

Ivan descrevia nos anos 60 a maravilha de ter sido carioca nos anos 40, “aquilo sim”.

Em defesa do que Luzia para sempre perdera na horta, Ivan bateu o bumbo e me mandou anotar um torpedo ao Xexéo.

“O futuro é para se roçar nas ostras, comigo, não, violão” — ele falou e disse, mas se recusou a explicar.


Era a Ipanema do final dos anos 60, a nova capital do charme do Rio, válida e inserida no contexto.

Dava para ouvir ao fundo os aplausos ao pôr do sol no Posto Nove, mas intelectuais não iam à praia.

Bebiam ali no Jangadeiro e metiam o pau no Costa e Silva, no Simonal e no David Nasser.

Os editores do “Pasquim” trocavam “Sifu” e “Quiuspa”, uma língua inventada na redação para burlar a Censura.

De vez em quando, serviam cerveja no pires a um cachorro hedonista embaixo da mesa.

Passou um coelho correndo perto do balcão, mas eu fingi que não vi.

Era um delirium tremens provocado pela imaginação fértil de José Carlos de Oliveira, o cronista do “Jornal do Brasil” que, sozinho, namorava num copo a cirrose que o mataria.

Eu ia dar um toque, bancar o Padre Pedro, mas me lembrei de uma crônica em que Carlinhos escreve sobre os defeitos de cada um.

Ele acreditava na necessidade de curar apenas os dramas que não são naturais e cultivar, feliz, os mais gostosos.

Recuei. Deixei-lhe a vida seguir ao gosto.


Daquela mesa do Jangadeiro dava para ver o mundo, e ele era constituído pelo pranchão do Arduíno Colassanti, a calça saint-tropez da Adriana Prieto, o topless que a Monique Evans faria nas Dunas da Gal, a tanga enfiada da Rose di Primo e os pentelhos da Tânia Scher por fora do biquíni, um conjunto de desafios à burguesia e ao status quo, na promessa que o bairro fazia a todo o país de deixar o Jeca Tatu de lado e finalmente ser moderno.

O Carlos Leonam anotava as cenas para a sua coluna Carioca Quase Sempre, no Caderno B.

Era o novo paraíso, a Pasárgada, a Maracangalha, a felicidade brasileira reunida em meia dúzia de quarteirões e na possibilidade de um dia, a democracia também traria isso, beijar a Duda Cavalcanti.

Os inimigos eram os espigões da Gomes de Almeida Fernandes.

Eles subiam paredes por todos os quarteirões, mas os boêmios na mesa do “Pasquim” tranquilizavam a todos. Aqui, del Rey!

O táxi tinha me deixado na capital carioca do final dos anos 60, um projeto de revolução que Arnaldo Jabor levava todo dia à praia para pegar jacaré, certo de que breve, depois da arrebentação, estava finalmente o dia em que este país chegaria ao futuro e seria uma grande Ipanema, todo mundo na política do frescobol, dando raquetada na cara da caretice.

Pedi uma lentilha garni e coloquei “É mocotó”, com Erlon Chaves, na jukebox.

Com o rabo de olho da direita, vi Carlos Drummond de Andrade usar a linguagem dos surdos-mudos para dizer “sejamos docemente pornográficos” à mulher à sua frente.

Ele é casado, ela é a outra que o mundo difama, mas em Ipanema ninguém repara.


Com o rabo de olho da esquerda, vi Tom Jobim e Chico Buarque chegando do Maracanãzinho, os smokings sujos de ovos jogados pela multidão ainda ignara, mas que logo, a revolução ipanemenha prometia, provaria do melhor da cultura.

Do outro lado da rua, fingindo conversar com as tartarugas que Mestre Valentim colocou no chafariz da praça, um informante do Dops filmava.

O jacaré criado nas águas havia sido morto por um gavião que vinha da cobertura do Rubem Braga.

O informante do Dops fingia reportagem sobre “a Suécia tropical, as novas relações amorosas no Rio” para o “Jornal de Vanguarda”, da TV Excelsior.

Ao ser perguntada sobre o que achava do amor livre, a atriz Maria Gladys olhou firme para o rapaz e respondeu: “Topo”.


O Jangadeiro vibrava o êxtase criativo do final dos anos 60, a volta, que se previa inevitável para a qualquer momento, do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.

Os homens sensíveis estavam ali.

O psicanalista Eduardo Mascarenhas dizia do seu projeto — em cada mesa havia um — de “desnudar a alma”, de não querer ser “uma alma vestida de ceroulas”.

Os intelectuais estavam no poder, pelo menos no Jangadeiro, e eu disse “Ica-Cilda” para os quatro botões dourados da minha japona Ducal quando um homem vestido com um escafandro entrou.

Todos continuaram conversando, até que o poeta Ferreira Gullar deu um soco na mesa e, “pô!”, mandou que parassem com o fingimento blasé.

Pedi a conta.

Achei que já tinha visto o suficiente daquele filme sobre a reinvenção do espanto e da felicidade de ser carioca no final dos anos 60.

Chamei o táxi pela internet.

Quando passei pela mesa do “Pasquim”, Leila Diniz, chegada de um banho de mar noturno, ainda com uma toalha branca na cabeça, dizia que podia amar um homem e ir para a cama com outro — e deu uma gargalhada tão alta que fez o coelho sair correndo pelo meu delirium tremens afora.

domingo, outubro 02, 2011

Morre Redson, fundador do Cólera e pioneiro do punk nacional


Fundador e vocalista da banda Cólera, Redson Pozzi morreu na noite da última terça-feira (27), em São Paulo, aos 49 anos.

A notícia foi dada por meio das redes sociais.

"Redson (Cólera) meu amigo e ex-sócio na Ataque Frontal faleceu esta noite. Descanse em PAZ camarada, certeza que fez sua história!", postou o perfil do selo.

De acordo com Renata Lacerda, fotógrafa da banda, o músico morreu devido à uma hemorragia interna, causada por uma úlcera no estômago.

Segundo o baixista Val Pinheiro escreveu no Orkut, "Redson passou mal quando estava sozinho em sua residência por volta das 2h30 na madrugada de segunda-feira (26) para terça, foi socorrido por um amigo que acionou o SAMU e o conduziu ao Hospital João XXIII, na Mooca, onde foi atendido".

Por volta das 15h de terça-feira, o cantor teria recebido a visita de um amigo, com quem conversou por quase uma hora e meia, até que os seguranças pediram que ele se retirasse.

Às 22h do mesmo dia, a família de Redson recebeu um telefonema pedindo que comparecessem ao hospital com os documentos do músico, ainda de acordo com Val Pinheiro.


Edson "Redson" Lopes Pozzi formou o Cólera em 1979 ao lado de seu irmão, Carlos "Pierre" Lopes Pozzi.

Completando a formação, Kinno e Hélinho.

Referência no punk nacional, a banda ajudou a construir a história do gênero no País e se tornou um dos grupos de maior longevidade no Brasil.

Em 1981, Hélio e Kino deixam a banda.

Valdemir "Val" Pinheiro entra para assumir o baixo e Redson toma a guitarra e os vocais.

Nesse momento, o grupo encontra uma nova ideologia, agora com foco pacifista, antimilitarista e ecológica.

No ano seguinte, o Cólera é listado na compilação Grito Suburbano, primeiro registro do punk paulistano em LP, ao lado de Inocentes e Olho Seco.

Ainda em 82, fazem uma participação no festival o Começo do Fim do Mundo, no Sesc Pompeia, ao lado de nomes internacionais.


Redson cria então o selo Estúdios Vermelhos, em 1983, e lança a compilação SUB, ao lado de Ratos de Porão e Fogo Cruzado.

Dois anos depois, o selo muda de nome para Ataque Frontal lança o álbum de estreia, Tente Mudar o Amanhã.

Ainda em 85, eles gravam o show de lançamento e lançam um split-LP junto com o Ratos de Porão e mais uma compilação, Ataque Sonoro.

Em 1986, o álbum Pela Paz em Todo Mundo vende 85 mil cópias, um número bastante expressivo para o lançamento independente.

No ano seguinte é a vez de sair o EP É Natal!!!? e uma excurssão na Europa pelo circuito underground.

Lá, Redson e seu grupo dividiram o palco com os alemães do Inferno e os britânicos do Disorder.

Os registros da turnê são lançados nos anos seguintes com o ao vivo European Tour '87 e um vídeo 20 Minutos de Cólera.

Em 1989 sai Verde, Não Devaste!, pela Devil Records, na mesma época em que desenvolvem uma parceria com a banda Plebe Rude, de Brasília.


Em 1992 é lançado Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico, que conta com uma regravação de seu primeiro álbum, a faixa 1.9.9.2.

Após mais um hiato de lançamentos, o próximo disco, Caos Mental Geral, só sai em 1998.

Em 2000, a Plebe Rude regrava Medo, do Cólera, no álbum ao vivo Enquanto a Trégua Não Vem.

No mesmo ano, o Inocentes regrava Quanto Vale a Liberdade no disco O Barulho dos Inocentes.

Para celebrar mais um aniversário da banda, lançam 20 Anos Ao Vivo, em 2002, e Deixe a Terra em Paz, em 2004.

O álbum Primeiros Sintomas é lançado em 2006, com diversas gravações de 1979 e 1980.

Após mais uma turnê europeia em 2008, abriram em 2009 a excurssão 30 Anos Sem Parar! pelo Brasil.

O velório do músico começou as 22h de quarta-feira, no Cemitério da Vila Alpina, em São Paulo.

O seu sepultamento ocorreu na quinta-feira, às 10h.


Cerca de 200 pessoas acompanharam o sepultamento do músico, incluindo os amigos e colegas de profissão como Edgard Scandurra (ex-Ira!) e Clemente (Inocentes), além da velha guarda do punk nacional.

Durante toda a cerimônia, os presentes cantaram a música Pela Paz, do Cólera.

Emocionado, um tio do cantor e guitarrista disse que a lembrança que guardará de Redson será de um churrasco, realizado recentemente, quando ele fez um desafio ao ícone do punk: tocar chorinho.

Para a surpresa de todos, o músico aceitou o desafio e tocou.


NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Valeu por tudo, cumpadi!