59. Nos anos 80, o jornalista Umberto Calderaro Filho criou o “Estandarte do Povo”, prêmio concedido pelo jornal A Crítica para as melhores escolas de samba de Manaus. Decisão tomada, ele passou à escolha dos jurados. Faltava o jurado para julgar “Harmonia”.
Um dia, entra
no gabinete do jornalista o empresário Gandu Dacache, um mineirinho gente boa
que editava a revista Eficaz, mas não entendia nada de carnaval.
Calderaro, com
seu vozeirão, gritou:
– Seu Gandu, o
senhor vai ser jurado do quesito “Harmonia” do Estandarte do Povo. Está aqui a
sua pasta, esteja às oito horas da noite no palanque e não me falte!
–
Perfeitamente, seu Calderaro. Fico muito honrado com o seu convite, que para
mim é uma ordem – devolveu o empresário.
Realizado o
desfile, foram recolhidos os envelopes lacrados para serem abertos no dia
seguinte, quando seriam conhecidos os vencedores. Venceu o GRES Mocidade de
Aparecida.
Foi aquela
festa. O Gandu lá, participando de tudo. Quando ficaram somente os jornalistas
da casa, Umberto Calderaro, fazendo um sinal para os demais com uma piscada de
olho, questionou Gandu:
– Seu Gandu,
como é que o senhor me faz um papel desses? Deu dez pra todo mundo? Se todos os
jurados fossem iguais ao senhor ia dar empate!
Gandu, na maior
calma do mundo, abriu o coração:
– Seu
Calderaro, o desfile correu na mais perfeita harmonia. Não houve nenhuma briga
em nenhuma escola. Juro por Deus!
Foi uma
gargalhada geral.
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