Dominguinhos do Estácio ia chegar a Manaus numa terça-feira para fazer uma série de apresentações diárias até domingo, quando descobriu que havia uma noite livre na sexta-feira.
Ele ligou para Edu do Banjo para saber se não havia como ele fazer uma apresentação naquela data, para levantar um troco extra.
A diretoria da Associação Atlética Banco do Brasil se interessou pela idéia e “comprou” o show do cantor, que seria realizado na sede da AABB exclusivamente para os sócios.
Edu do Banjo ficou encarregado de vender as mesas a preço simbólico, suficiente para pagar o cachê do cantor.
O bancário Nailson Brito, um pernambucano da gema, bastante chegado a uma cachaça de cabeça e a um forró pé de serra, ficou tão empolgado que comprou cinco mesas.
No dia do show, Nailson Brito era o mais empolgado, comandando 25 pessoas nas cinco mesas armadas a dez metros do palco.
Depois do pré-show de um grupo de pagodeiros locais, Dominguinhos assumiu o microfone e começou a cantar meia dúzia de sambas-enredo, daqueles de não deixar ninguém parado.
Aí enveredou por partidos-alto, pagodes, sambas-canção, samba-raiado, marchinhas, o diabo a quatro.
Quando encerrou o show, duas horas depois, foi aplaudido de pé por todo mundo.
Por todo mundo, não.
O bancário Nailson Brito estava mais enfezado do que siri na lata.
Ao enxergar Edu do Banjo, ele foi direto na carótida do instrumentista:
- Que merda foi essa, Edu, que merda foi essa? Vocês vão ter que devolver o dinheiro que eu gastei comprando essas cinco mesas...
Sem entender direito o que estava acontecendo, Edu resolveu interpelar o sujeito:
- Se acalme, mestre, se acalme! O que é que está pegando?...
- Porra, Edu, isso aí foi uma tremenda enganação! – vociferou o sujeito, mais pra lá do que pra cá. “Trago toda minha família pra ver o Dominguinhos, e o que acontece? Ele só canta músicas que nunca a gente ouviu, não traz a porra da sanfona de 80 baixos, ninguém da banda sabe tocar zabumba ou pandeiro e, pra completar, aquele puto nem se lembrou de cantar Asa Branca... Que merda foi essa, Edu, hein? Que merda foi essa?...”
Foi um saco explicar que Dominguinhos do Estácio não tinha nada a ver com Dominguinhos do Acordeom.
Espaço destinado a fazer uma breve retrospectiva sobre a geração mimeográfo e seus poetas mais representativos, além de toques bem-humorados sobre música, quadrinhos, cinema, literatura, poesia e bobagens generalizadas
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quarta-feira, setembro 08, 2010
Causos de Bambas - Jamelão
O rabugento Jamelão veio fazer um show em Manaus e seus empresários o levaram para assistir ao programa “Carrossel da Saudade”, da TV Cultura.
Considerado um dos clássicos da tevê amazonense, com quase três décadas de exibição, o programa ao vivo rola sempre na sexta-feira e é ambientado numa espécie de botequim aberto ao público.
Apesar de ter uma banda fixa e um cast permanente de convidados, o programa também abre espaço para os cantores da velha-guarda que não foram pautados previamente, assim como para os velhos boêmios que queriam mandar o seu recado instrumental.
Quando o apresentador Jurandir Vieira percebeu a presença do cantor mangueirense em uma das mesas, ficou eufórico, já que é de praxe dos cantores ilustres que visitam o “boteco” televisivo darem uma palhinha, mostrando seus dotes vocais no programa.
Só que nada disso havia sido combinado antes com Jamelão.
Jurandir Vieira se aproximou da mesa, rasgando-se em elogios ao cantor:
– Este aqui é uma verdadeira enciclopédia ambulante do samba, o maior sambista vivo da atualidade, o mais consagrado intérprete de samba-enredo da história do carnaval carioca. Estou falando de sua majestade, Jamelão da Mangueira. E agora, com exclusividade, o graaaaaande Jaaaameeeelãããoooo!
Jamelão não moveu um músculo do rosto.
Jurandir insistiu, lhe entregando o microfone:
– Vai lá, mestre Jamelão, dê um refresco pra rapaziada...
Com sua voz rouquenha, Jamelão jogou a pá de cal:
– Vou dar não. Vocês não me pagaram nenhum cachê. Vim aqui pra assistir o show, não pra cantar. Quem quer que eu cante, tem de me pagar primeiro, compadre. Eu vivo disso, da minha voz. Não tô aqui pra dar refresco pra ninguém não, compadre. Se quiser que eu cante, me arrume um cachê. Se não, o papo michou.
E continuou impassível, sem mover um músculo do rosto.
Desconcertado e rindo nervosamente, Jurandir Vieira chamou o “break” comercial.
Jamelão permaneceu no programa até o fim. Sem cantar e sem mover um músculo do rosto.
Considerado um dos clássicos da tevê amazonense, com quase três décadas de exibição, o programa ao vivo rola sempre na sexta-feira e é ambientado numa espécie de botequim aberto ao público.
Apesar de ter uma banda fixa e um cast permanente de convidados, o programa também abre espaço para os cantores da velha-guarda que não foram pautados previamente, assim como para os velhos boêmios que queriam mandar o seu recado instrumental.
Quando o apresentador Jurandir Vieira percebeu a presença do cantor mangueirense em uma das mesas, ficou eufórico, já que é de praxe dos cantores ilustres que visitam o “boteco” televisivo darem uma palhinha, mostrando seus dotes vocais no programa.
Só que nada disso havia sido combinado antes com Jamelão.
Jurandir Vieira se aproximou da mesa, rasgando-se em elogios ao cantor:
– Este aqui é uma verdadeira enciclopédia ambulante do samba, o maior sambista vivo da atualidade, o mais consagrado intérprete de samba-enredo da história do carnaval carioca. Estou falando de sua majestade, Jamelão da Mangueira. E agora, com exclusividade, o graaaaaande Jaaaameeeelãããoooo!
Jamelão não moveu um músculo do rosto.
Jurandir insistiu, lhe entregando o microfone:
– Vai lá, mestre Jamelão, dê um refresco pra rapaziada...
Com sua voz rouquenha, Jamelão jogou a pá de cal:
– Vou dar não. Vocês não me pagaram nenhum cachê. Vim aqui pra assistir o show, não pra cantar. Quem quer que eu cante, tem de me pagar primeiro, compadre. Eu vivo disso, da minha voz. Não tô aqui pra dar refresco pra ninguém não, compadre. Se quiser que eu cante, me arrume um cachê. Se não, o papo michou.
E continuou impassível, sem mover um músculo do rosto.
Desconcertado e rindo nervosamente, Jurandir Vieira chamou o “break” comercial.
Jamelão permaneceu no programa até o fim. Sem cantar e sem mover um músculo do rosto.
Causos de Bambas - Dirce Cansanção
Coordenadora das tribos femininas do Garantido, Dirce Cansanção estava na entrada do Bumbódromo orientando as belas índias a se apresentarem sorrindo para a televisão, pois estavam sendo mostradas para todo o país.
Ela ficava o tempo todo na mesma ladainha:
– Ri, porra! Ri, porra!
Ouvindo aquilo, uma cabocona da tribo dos Kamaiurás, séria que nem cu de touro, abriu o maior sorriso do mundo.
Infelizmente, a garota não tinha os quatro dentes da frente.
Dirce ficou apoplética:
– Não ri, porra! Não ri, porra!
Salvou o desfile, mas acabou com a auto-estima da portentosa Kamaiurá.
Ela ficava o tempo todo na mesma ladainha:
– Ri, porra! Ri, porra!
Ouvindo aquilo, uma cabocona da tribo dos Kamaiurás, séria que nem cu de touro, abriu o maior sorriso do mundo.
Infelizmente, a garota não tinha os quatro dentes da frente.
Dirce ficou apoplética:
– Não ri, porra! Não ri, porra!
Salvou o desfile, mas acabou com a auto-estima da portentosa Kamaiurá.
Causos de Bambas - Alfredo Aguiar e Eliseu Angarita
Nos anos 60, Manaus era uma cidade provinciana, mas aprazível, cuja vida social se desenvolvia no quadrilátero Eduardo Ribeiro – Sete de Setembro – Joaquim Nabuco – Ramos Ferreira. Era ali que se concentravam os bares, cafés e restaurantes.
O Café Leão de Ouro ficava no cruzamento da Eduardo Ribeiro com a Henrique Martins e era o preferido do pessoal do Judiciário.
O bar e restaurante Avenida ficava onde hoje está localizado o Bradesco e era o preferido dos jornalistas e boêmios.
O Ponto Chic e o Bar Americano eram os preferidos dos ginasianos e das normalistas.
Numa determinada noite, os jornalistas Alfredo Aguiar (tio do advogado Laerte Aguiar) e Eliseu Angarita, feras criadas do poderosíssimo matutino O Jornal, chegam mais uma vez no bar e restaurante Avenida, para outra de suas sessões de ilibações metafísicas.
Vão pedir filé à portuguesa e bolinhos de bacalhau, encher a cara de cerveja XPTO, discutir o sexo dos anjos, oferecer vinhos espanhóis aos amigos, rebater o porre com uma sopa à jardineira ou caldo verde, e sair sem pagar.
Há anos que eles fazem isso naquele que é considerado o principal reduto da boêmia manauense.
Havia um acordo tácito entre os donos de bares e restaurantes.
Eles não cobravam as despesas dos jornalistas e, em troca, recebiam, de vez em quando, uma notinha simpática nas principais colunas dos matutinos, que poderia funcionar como excelente propaganda para os estabelecimentos.
Na prática, aquilo era uma forma branda de “jabaculê”, ainda na era pré-jurássica.
Os dois sentam-se à mesa e, enquanto abrem um exemplar de O Jornal para conferirem as notícias do dia, chamam o garçom Ceará por meio de um assobio característico.
O garçom faz que não ouve.
Os dois insistem, se revezando na arte de assobiar cada vez mais alto. Nada.
Depois de quinze minutos de assobios irritantes, que despertaram a atenção de todos os presentes, menos do garçom, Alfredo resolve descobrir o que está acontecendo.
Ele vai até Ceará, conversa um pouco com ele, retorna à mesa com uma cara de poucos amigos, cochicha alguma coisa para Angarita, e os dois se retiram do bar.
Dono do estabelecimento, o galego Meneghini simplesmente havia cortado a boca-livre dos dois rapazes.
No dia seguinte, no “Informe Diário” (o equivalente à coluna “Sim & Não” da época), sai publicada a nota venenosa: “Ao contrário do que andam dizendo na cidade, não é verdade que o cozinheiro do bar e restaurante Avenida esteja acometido de lepra. Aquelas suas manchas na pele, no máximo, são de vitiligo”.
Pânico no meio intelectual e entre as famílias dos bem-nascidos. A hanseníase, supunha-se na época, era altamente transmissível e simplesmente incurável. Qualquer vacilo era fatal.
Em questão de dias, o bar e restaurante Avenida estava entregue às moscas.
Desolado, Meneghini foi pessoalmente à redação do jornal pedir desculpas aos dois jornalistas e explicar que a boca-livre deles continuava de pé, lá na casa.
A reputação do restaurante, infelizmente, nunca mais foi a mesma.
Também, pudera. Quem confiaria num restaurante cujo cozinheiro era “suspeito” de ser leproso?
O Café Leão de Ouro ficava no cruzamento da Eduardo Ribeiro com a Henrique Martins e era o preferido do pessoal do Judiciário.
O bar e restaurante Avenida ficava onde hoje está localizado o Bradesco e era o preferido dos jornalistas e boêmios.
O Ponto Chic e o Bar Americano eram os preferidos dos ginasianos e das normalistas.
Numa determinada noite, os jornalistas Alfredo Aguiar (tio do advogado Laerte Aguiar) e Eliseu Angarita, feras criadas do poderosíssimo matutino O Jornal, chegam mais uma vez no bar e restaurante Avenida, para outra de suas sessões de ilibações metafísicas.
Vão pedir filé à portuguesa e bolinhos de bacalhau, encher a cara de cerveja XPTO, discutir o sexo dos anjos, oferecer vinhos espanhóis aos amigos, rebater o porre com uma sopa à jardineira ou caldo verde, e sair sem pagar.
Há anos que eles fazem isso naquele que é considerado o principal reduto da boêmia manauense.
Havia um acordo tácito entre os donos de bares e restaurantes.
Eles não cobravam as despesas dos jornalistas e, em troca, recebiam, de vez em quando, uma notinha simpática nas principais colunas dos matutinos, que poderia funcionar como excelente propaganda para os estabelecimentos.
Na prática, aquilo era uma forma branda de “jabaculê”, ainda na era pré-jurássica.
Os dois sentam-se à mesa e, enquanto abrem um exemplar de O Jornal para conferirem as notícias do dia, chamam o garçom Ceará por meio de um assobio característico.
O garçom faz que não ouve.
Os dois insistem, se revezando na arte de assobiar cada vez mais alto. Nada.
Depois de quinze minutos de assobios irritantes, que despertaram a atenção de todos os presentes, menos do garçom, Alfredo resolve descobrir o que está acontecendo.
Ele vai até Ceará, conversa um pouco com ele, retorna à mesa com uma cara de poucos amigos, cochicha alguma coisa para Angarita, e os dois se retiram do bar.
Dono do estabelecimento, o galego Meneghini simplesmente havia cortado a boca-livre dos dois rapazes.
No dia seguinte, no “Informe Diário” (o equivalente à coluna “Sim & Não” da época), sai publicada a nota venenosa: “Ao contrário do que andam dizendo na cidade, não é verdade que o cozinheiro do bar e restaurante Avenida esteja acometido de lepra. Aquelas suas manchas na pele, no máximo, são de vitiligo”.
Pânico no meio intelectual e entre as famílias dos bem-nascidos. A hanseníase, supunha-se na época, era altamente transmissível e simplesmente incurável. Qualquer vacilo era fatal.
Em questão de dias, o bar e restaurante Avenida estava entregue às moscas.
Desolado, Meneghini foi pessoalmente à redação do jornal pedir desculpas aos dois jornalistas e explicar que a boca-livre deles continuava de pé, lá na casa.
A reputação do restaurante, infelizmente, nunca mais foi a mesma.
Também, pudera. Quem confiaria num restaurante cujo cozinheiro era “suspeito” de ser leproso?
Causos de Bambas - Nunes Pereira
O antropólogo e escritor Nunes Pereira estava de passagem por Manaus e a moçada do Clube da Madrugada o levou para uma cervejada no bar Avenida, na Eduardo Ribeiro.
Era um começo de tarde. Estavam lá, entre outros, Arthur Engrácio, Jorge Tufic, Anísio Mello, Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, Antisthenes Pinto e Ernesto Penafort.
No meio da fuzarca, Nunes Pereira queixou-se pra Arthur Engrácio:
– Rapaz, estou sentindo umas cólicas da moléstia... Tenho até a impressão de que já sujei a cueca depois de soltar um “bufa”... Onde é que fica o banheiro?...
Engrácio apontou o local e o antropólogo partiu apressadamente em direção ao mesmo.
Depois de quinze minutos, o antropólogo retornou do banheiro trazendo a cueca samba-canção na mão e, em vez de sentar-se novamente à mesa, seguiu direto para a porta do bar, por onde costumavam passar as normalistas do Instituto de Educação e as senhoras e senhoritas de nossa melhor sociedade. Os escritores ficaram intrigados.
Dali a alguns minutos, Arthur Engrácio foi ver o que estava acontecendo.
Na porta do bar, Nunes Pereira, com a cueca borrada aberta nas mãos, exibia ostensivamente o surrealista troféu às mulheres que passavam e vendia seu peixe:
– Olhem aqui, olhem aqui: vocês já viram a verônica do meu cu?...
As normalistas, senhoras e senhoritas, evidentemente, fugiam escandalizadas como se tivessem visto o demo em pessoa.
Depois de algum tempo naquela brincadeira sacana, Nunes Pereira voltou para a mesa do bar dando gostosas gargalhadas.
Quem viu a verônica garante que a mandala do antropólogo estava meio puída.
Era um começo de tarde. Estavam lá, entre outros, Arthur Engrácio, Jorge Tufic, Anísio Mello, Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, Antisthenes Pinto e Ernesto Penafort.
No meio da fuzarca, Nunes Pereira queixou-se pra Arthur Engrácio:
– Rapaz, estou sentindo umas cólicas da moléstia... Tenho até a impressão de que já sujei a cueca depois de soltar um “bufa”... Onde é que fica o banheiro?...
Engrácio apontou o local e o antropólogo partiu apressadamente em direção ao mesmo.
Depois de quinze minutos, o antropólogo retornou do banheiro trazendo a cueca samba-canção na mão e, em vez de sentar-se novamente à mesa, seguiu direto para a porta do bar, por onde costumavam passar as normalistas do Instituto de Educação e as senhoras e senhoritas de nossa melhor sociedade. Os escritores ficaram intrigados.
Dali a alguns minutos, Arthur Engrácio foi ver o que estava acontecendo.
Na porta do bar, Nunes Pereira, com a cueca borrada aberta nas mãos, exibia ostensivamente o surrealista troféu às mulheres que passavam e vendia seu peixe:
– Olhem aqui, olhem aqui: vocês já viram a verônica do meu cu?...
As normalistas, senhoras e senhoritas, evidentemente, fugiam escandalizadas como se tivessem visto o demo em pessoa.
Depois de algum tempo naquela brincadeira sacana, Nunes Pereira voltou para a mesa do bar dando gostosas gargalhadas.
Quem viu a verônica garante que a mandala do antropólogo estava meio puída.
Causos de Bambas - Mestre Carlito
Mestre Carlito estava acompanhando Chico da Silva em uma excursão pelo Pará, tocando em cada um dos 5 mil garimpos de Itaituba e aproveitando as horas de folga para fazer um arranjo diferente para uma nova música de Rinaldo Buzaglo.
Numa manhã de domingo, o cantor parintinense foi participar de uma animada “pelada” com os garimpeiros do “Vai Quem Quer” e o violonista ficou sozinho no saguão do hotel, tentando tirar novos acordes para a música do Rinaldo.
Ninguém percebera que o violonista era cego.
Depois do café da manhã, Mestre Carlito se sentou numa mesa perto da piscina do hotel e estava entretido naquela tarefa de tirar acordes dissonantes do seu instrumento, quando, numa mesa ao lado, dois garimpeiros mortos de bêbados começaram a discutir. Um deles foi peremptório:
– Olha, caralho, a gente não precisa ir muito longe não! – explicou o sujeito, visivelmente irritado, colocando estrepitosamente um revolver Taurus calibre 38 cano longo em cima da mesa. “Todo vascaíno que eu conheço é ladrão, corno, viado, maconheiro, filho da puta, bandido, mau caráter, trambiqueiro, nojento, safado, vagabundo, trampolineiro, vigário, qualira e tem a mãe na zona! Eu tenho nojo de vascaíno! Nojo! Não posso ver um vascaíno que tenho logo vontade de passar bala. Ô raçazinha de filhos da putas, essa dos vascaínos!”
Aí, virando-se subitamente para o violonista, questionou:
– Você não concorda, parente?
Mestre Carlito, vascaíno doente, teve que concordar, balançando vigorosamente a cabeça.
Numa manhã de domingo, o cantor parintinense foi participar de uma animada “pelada” com os garimpeiros do “Vai Quem Quer” e o violonista ficou sozinho no saguão do hotel, tentando tirar novos acordes para a música do Rinaldo.
Ninguém percebera que o violonista era cego.
Depois do café da manhã, Mestre Carlito se sentou numa mesa perto da piscina do hotel e estava entretido naquela tarefa de tirar acordes dissonantes do seu instrumento, quando, numa mesa ao lado, dois garimpeiros mortos de bêbados começaram a discutir. Um deles foi peremptório:
– Olha, caralho, a gente não precisa ir muito longe não! – explicou o sujeito, visivelmente irritado, colocando estrepitosamente um revolver Taurus calibre 38 cano longo em cima da mesa. “Todo vascaíno que eu conheço é ladrão, corno, viado, maconheiro, filho da puta, bandido, mau caráter, trambiqueiro, nojento, safado, vagabundo, trampolineiro, vigário, qualira e tem a mãe na zona! Eu tenho nojo de vascaíno! Nojo! Não posso ver um vascaíno que tenho logo vontade de passar bala. Ô raçazinha de filhos da putas, essa dos vascaínos!”
Aí, virando-se subitamente para o violonista, questionou:
– Você não concorda, parente?
Mestre Carlito, vascaíno doente, teve que concordar, balançando vigorosamente a cabeça.
Causos de Bambas - Ferdy Carneiro e Anatole Costa
Morto num incêndio em 1968, o Colégio do Caraça era o templo feroz da disciplina férrea, siderúrgica, como o Estado que o abrigava, Minas Gerais.
Fundado no tempo do Império, transformou-se a partir de 1821 no mais afamado centro de estudos humanísticos do Brasil, além de constituir o mais duro e espartano estabelecimento de ensino do país, em todas as épocas.
O Colégio São José de Ubá foi fundado por um ex-aluno do Caraça e dele herdou os princípios rígidos, quase brutais, impostos pelos padres lazaristas que substituíram os fundadores, os religiosos portugueses da Congregação da Missão de São Vicente de Paula.
Pintor, gravador, desenhista industrial e um dos fundadores da Banda de Ipanema, Ferdy Carneiro foi aluno do Colégio São José, em regime de semi-internato.
Apesar de ser um estabelecimento leigo, o São José era dirigido com as mesmas mãos de ferro dos antigos lazaristas do Caraça por um jesuíta, padre Luís.
Uma tarde, aquelas tristes tardes da antiga Minas, de um crepúsculo calado, montanhoso, Ferdy e Anatole – Anatole Cordeiro da Costa – iam para casa depois de mais um dia de repressão, outro dia de pesadas lições, de silêncios impostos pela lei sombria do sombrio colégio.
Anatole, ao passar pelo muro que limitava os fundos do campo de futebol do São José, pegou de um tição e desenhou na virgindade alvíssima da parede um falo gigantesco, descomunal, irretocável.
Quando o sol amanheceu e iluminou o popular e secreto pai-de-todos, o pênis anatólico riscado a carvão na imaculada brancura do santo muro, o padre Luís anoiteceu ainda mais o noturno colégio com uma explosão surda, sangrenta:
– Não quero saber quem foi o autor da obra! – rosnou ele, gritando, mordendo os dentes. “Todos, todos, sem exceção, estão presos!”
O pênis lá, ereto, assistiu à cena, soberano, onipresente.
Chamou-se um servente que, munido de balde d’água, vassoura e panos, dedicou-se a devolver o silêncio ao muro berrador. Em vão.
– Está até mais de acordo! – comentaram. “Agora dá pra se ver de longe. Engrossaram o traço.”
Fama volat, disse Virgílio. As notícias voam e, em breve, toda cidade sabia do sucedido, e, às claras ou às escondidas, a população de Ubá, sob múltiplos pretextos, passava ao largo do Colégio São José, na estrada que o dominava, para assistir o mural do Anatole.
Foi a vez do pedreiro remover a peça do muro. O homem raspou cuidadosamente com a colher o traço indecente.
– Ficou parecendo uma gravura da Ana Letícia – comentou o Ferdy Carneiro, ao recordar o episódio. “Juntava gente para ver, para apreciar a obra.”
Mandaram emassar o muro pecaminoso. Pura perda de tempo.
Se chovesse chuva grossa e mesmo miúda, lá apareceria ele, desenhado, parecendo fantasma, assombração.
Padre Luís, apoplético, perdia batalha após batalha para o falus gigante, para o demônio imoral saído das entranhas pecaminosas do lúbrico anônimo que conspurcou a imagem sacrossanta do colégio que reverenciava o pai de Jesus.
– Cal! Cal! Cal! – urrava o padre, tentando exorcizar a parede pornográfica.
E caiavam, e caiavam, e caiavam o muro. Inutilmente.
A obra de tição do Anatole resistia a todas as perseguições e reaparecia, cheia de vida, de saúde, de alegria.
E, não fosse a trágica e drástica providência do padre Luís, estaria até hoje lá, atraindo turistas idosos, para os quais a representação fálica – hoje tão explícita e comum – ainda é coisa insólita.
Inspirado no desenho, o padre Luís demoliu o muro com um aríete.
Verissimo: Com ou sem ditadura, a política continua igual
Carolina Oms
Especial para Terra Magazine
Criadas despretensiosamente, escolhidas porque não dariam trabalho para desenhar, As Cobras, traçadas por Luis Fernando Verissimo, chegam agora ao seu quarto livro publicado: "As Cobras - Antologia definitiva", organizado pela Editora Objetiva.
Hoje com 35 anos, As Cobras "se meteram em tudo", conta o escritor. Analisaram a conjuntura política brasileira e se perguntaram pelas razões da existência. E como nem só de filosofia vive o homem, muito menos As Cobras, elas também criaram seu próprio time de futebol e foram à praia.
Nascidas durante a ditadura militar, As Cobras não pouparam críticas ao regime, mas nem por isso ficaram datadas:
- O que mudou depois da criação das Cobras, claro, foi que elas nasceram sob uma ditadura, quando precisavam se cuidar, e depois houve a abertura. Mas política continua basicamente igual, com ou sem repressão. (...) Oportunistas, corruptos, etc continuam atuais.
Em 2006, Verissimo criou para o lançamento de Terra Magazine uma série de tiras inéditas, e permitiu que fossem garimpadas de seu acervo pessoal, algumas Cobras clássicas, reeditadas a cada segunda-feira. Elas haviam se aposentado em 1997, quando o escritor concluiu que um sexagenário não ficava bem desenhando cobrinhas.
Tímido notório, o escritor conversou com Terra Magazine por email sobre suas personagens, eleições e humor. Leia a entrevista.
Terra Magazine - As Cobras foram criadas para substituir o texto da sua coluna, nas edições de sábado, mas agradaram e foram desenhas por quase trinta anos. Você imagina que elas fariam esse sucesso?
Luis Fernando Verissimo - Pois é, trinta anos. Eu não tinha me dado conta. As pessoas simpatizavam com As Cobras, e muita gente me diz que tem saudade delas, mas não sei se foram um sucesso tão grande assim.
A simplicidade do traço das Cobras contrasta com os temas debatidos - metafísica, política, sexismo, etc. Foi um contraste intencional?
No começo elas eram muito mal desenhadas, depois melhoraram um pouco. Mas o desenho não importava muito, só existia em função da piada. Cobra não dá muito trabalho para desenhar, é só pescoço. E seu formato permitia que elas se metessem em tudo.
Mais de três décadas depois, as tirinhas permanecem atuais, mesmo as que falavam sobre política. Pouca coisa mudou nesse aspecto? Por que isso acontece?
O que mudou depois da criação das Cobras, claro, foi que elas nasceram sob uma ditadura, quando precisavam se cuidar, e depois houve a abertura. Mas política continua basicamente igual, com ou sem repressão. Um personagem como o rinoceronte Mac (que não aparece no livro) e que representava o poder militar, não teria sentido, hoje, mas oportunistas, corruptos, etc continuam atuais.
O personagem Durex, o adesista, não parece cada vez mais atual? Pra você, quem seria o Durex de hoje?
Na época, o Durex representava o PFL. Hoje não sei quem seria, exatamente, o Durex, só sei que ele seria do PMDB.
Falando em política, esse tema sempre esteve presente no seu trabalho. O que você está achando dessas eleições?
Acho que temos três candidatos respeitáveis disputando a presidência e uma democracia em pleno funcionamento, e que o resto é detalhe.
O que você achou da proibição (ainda que temporária) do humor nestas eleições?
Foi uma grande bobagem, que felizmente não foi levada a sério.
Especial para Terra Magazine
Criadas despretensiosamente, escolhidas porque não dariam trabalho para desenhar, As Cobras, traçadas por Luis Fernando Verissimo, chegam agora ao seu quarto livro publicado: "As Cobras - Antologia definitiva", organizado pela Editora Objetiva.
Hoje com 35 anos, As Cobras "se meteram em tudo", conta o escritor. Analisaram a conjuntura política brasileira e se perguntaram pelas razões da existência. E como nem só de filosofia vive o homem, muito menos As Cobras, elas também criaram seu próprio time de futebol e foram à praia.
Nascidas durante a ditadura militar, As Cobras não pouparam críticas ao regime, mas nem por isso ficaram datadas:
- O que mudou depois da criação das Cobras, claro, foi que elas nasceram sob uma ditadura, quando precisavam se cuidar, e depois houve a abertura. Mas política continua basicamente igual, com ou sem repressão. (...) Oportunistas, corruptos, etc continuam atuais.
Em 2006, Verissimo criou para o lançamento de Terra Magazine uma série de tiras inéditas, e permitiu que fossem garimpadas de seu acervo pessoal, algumas Cobras clássicas, reeditadas a cada segunda-feira. Elas haviam se aposentado em 1997, quando o escritor concluiu que um sexagenário não ficava bem desenhando cobrinhas.
Tímido notório, o escritor conversou com Terra Magazine por email sobre suas personagens, eleições e humor. Leia a entrevista.
Terra Magazine - As Cobras foram criadas para substituir o texto da sua coluna, nas edições de sábado, mas agradaram e foram desenhas por quase trinta anos. Você imagina que elas fariam esse sucesso?
Luis Fernando Verissimo - Pois é, trinta anos. Eu não tinha me dado conta. As pessoas simpatizavam com As Cobras, e muita gente me diz que tem saudade delas, mas não sei se foram um sucesso tão grande assim.
A simplicidade do traço das Cobras contrasta com os temas debatidos - metafísica, política, sexismo, etc. Foi um contraste intencional?
No começo elas eram muito mal desenhadas, depois melhoraram um pouco. Mas o desenho não importava muito, só existia em função da piada. Cobra não dá muito trabalho para desenhar, é só pescoço. E seu formato permitia que elas se metessem em tudo.
Mais de três décadas depois, as tirinhas permanecem atuais, mesmo as que falavam sobre política. Pouca coisa mudou nesse aspecto? Por que isso acontece?
O que mudou depois da criação das Cobras, claro, foi que elas nasceram sob uma ditadura, quando precisavam se cuidar, e depois houve a abertura. Mas política continua basicamente igual, com ou sem repressão. Um personagem como o rinoceronte Mac (que não aparece no livro) e que representava o poder militar, não teria sentido, hoje, mas oportunistas, corruptos, etc continuam atuais.
O personagem Durex, o adesista, não parece cada vez mais atual? Pra você, quem seria o Durex de hoje?
Na época, o Durex representava o PFL. Hoje não sei quem seria, exatamente, o Durex, só sei que ele seria do PMDB.
Falando em política, esse tema sempre esteve presente no seu trabalho. O que você está achando dessas eleições?
Acho que temos três candidatos respeitáveis disputando a presidência e uma democracia em pleno funcionamento, e que o resto é detalhe.
O que você achou da proibição (ainda que temporária) do humor nestas eleições?
Foi uma grande bobagem, que felizmente não foi levada a sério.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Pra quem ainda acredita que macumba ganha eleição
Antes de ser prefeito de Boa Vista do Ramos, Vasco Ribeiro, ex-presidente da Associação Amazonense de Municípios, resolveu desafiar o clã dos Gonçalves, em Parintins, enfrentando o patriarca da família, Gláucio Gonçalves, três vezes deputado estadual e três vezes prefeito do município.
Como era de se esperar, todo mundo acreditou que aquela era uma candidatura natimorta e, evidentemente, ninguém se dispôs a colocar dinheiro numa canoa furada. Faltando um mês para a eleição, Vasco Ribeiro ainda estava mais liso e duro do que pau-de-sebo de arraial em Festa do Divino.
Desesperado com a penúria da campanha, seu companheiro de chapa, Delmiro Uchôa, o “Dedé da Bia”, resolveu partir para o tudo ou nada e convenceu Vasco Ribeiro, católico praticante e ex-coroinha, a visitar um terreiro de macumba da pesada. O mísero dinheiro arrecadado entre os parentes foi investido em meia dúzia de garrafas de Cocal, para “alegrar” os exus e abrir os caminhos.
No dia combinado, Vasco Ribeiro entrou no terreiro do Pai Cardoso de Oxumaré, discípulo do famoso Uilson Donato dos Santos, ou Bita do Barão, o pai-de-santo mais afamado, temido e respeitado de Codó, interior do Maranhão, a capital brasileira da feitiçaria. O “trabalho” prometia.
Quando os tambores começaram a rufar, Pai Cardoso entrou em transe e recebeu o Preto Velho. Ele mandou Vasco Ribeiro se aproximar do congá. Enquanto os demais cambonos entravam em transe, Preto Velho abriu uma garrafa de Cocal e derramou sobre a cabeça de Vasco Ribeiro.
Os cambonos começaram a cantar um ponto: “Corre a gira meu Pai Ogum/ Filho não esquece de defumar/ Oh Umbanda tem fundamento/ E é preciso preparar/ Com incenso e bejuim/ Alecrim e alfazema/ Oi defumar filhos de fé/ Com as ervas da Jurema”.
O Preto Velho acendeu um charuto e começou a soprar a fumaça sobre o candidato, enquanto analisava a mercadoria:
– É, zifio... Cê tá muito carregado... Tem muita coisa ruim no seu caminho... Caminho tá muito fechado... Muito fechado...
Ele pediu que o candidato tirasse a camisa, para começar a sessão de “descarrego”. Quieto como um cordeiro às vésperas de ser imolado, Vasco Ribeiro tirou a camisa e, de cabeça baixa, concentrado como um autista, ficou aguardando o desfecho da história.
O pai-de-santo começou a passar as mãos nas costas do candidato e soprar a fumaça do charuto no local, enquanto repetia:
– Zifio tá muito carregado... Tem muita coisa ruim aqui...
Se virando para Dedé da Bia, que assistia a tudo visivelmente apreensivo, Pai Cardoso começou a passar a mão no cóccix do candidato e apelou para uma cumplicidade que não existia:
– Ó só cumo zifio tá carregado... Chega o couro tá liso...
Como se estivesse pensando em voz alta, Dedé da Bia não perdoou:
– Liso tu vai ver quando chegar no bolso dele...
Nem o pai-de-santo segurou a gargalhada. Foi um pandemônio. Assustados, os exus pegaram o beco enquanto os cambonos caíam no chão, rolando de tanto rir. A sessão de descarrego foi suspensa, claro.
E Gláucio Gonçalves trucidou o “candidato liso” nas urnas.
Como era de se esperar, todo mundo acreditou que aquela era uma candidatura natimorta e, evidentemente, ninguém se dispôs a colocar dinheiro numa canoa furada. Faltando um mês para a eleição, Vasco Ribeiro ainda estava mais liso e duro do que pau-de-sebo de arraial em Festa do Divino.
Desesperado com a penúria da campanha, seu companheiro de chapa, Delmiro Uchôa, o “Dedé da Bia”, resolveu partir para o tudo ou nada e convenceu Vasco Ribeiro, católico praticante e ex-coroinha, a visitar um terreiro de macumba da pesada. O mísero dinheiro arrecadado entre os parentes foi investido em meia dúzia de garrafas de Cocal, para “alegrar” os exus e abrir os caminhos.
No dia combinado, Vasco Ribeiro entrou no terreiro do Pai Cardoso de Oxumaré, discípulo do famoso Uilson Donato dos Santos, ou Bita do Barão, o pai-de-santo mais afamado, temido e respeitado de Codó, interior do Maranhão, a capital brasileira da feitiçaria. O “trabalho” prometia.
Quando os tambores começaram a rufar, Pai Cardoso entrou em transe e recebeu o Preto Velho. Ele mandou Vasco Ribeiro se aproximar do congá. Enquanto os demais cambonos entravam em transe, Preto Velho abriu uma garrafa de Cocal e derramou sobre a cabeça de Vasco Ribeiro.
Os cambonos começaram a cantar um ponto: “Corre a gira meu Pai Ogum/ Filho não esquece de defumar/ Oh Umbanda tem fundamento/ E é preciso preparar/ Com incenso e bejuim/ Alecrim e alfazema/ Oi defumar filhos de fé/ Com as ervas da Jurema”.
O Preto Velho acendeu um charuto e começou a soprar a fumaça sobre o candidato, enquanto analisava a mercadoria:
– É, zifio... Cê tá muito carregado... Tem muita coisa ruim no seu caminho... Caminho tá muito fechado... Muito fechado...
Ele pediu que o candidato tirasse a camisa, para começar a sessão de “descarrego”. Quieto como um cordeiro às vésperas de ser imolado, Vasco Ribeiro tirou a camisa e, de cabeça baixa, concentrado como um autista, ficou aguardando o desfecho da história.
O pai-de-santo começou a passar as mãos nas costas do candidato e soprar a fumaça do charuto no local, enquanto repetia:
– Zifio tá muito carregado... Tem muita coisa ruim aqui...
Se virando para Dedé da Bia, que assistia a tudo visivelmente apreensivo, Pai Cardoso começou a passar a mão no cóccix do candidato e apelou para uma cumplicidade que não existia:
– Ó só cumo zifio tá carregado... Chega o couro tá liso...
Como se estivesse pensando em voz alta, Dedé da Bia não perdoou:
– Liso tu vai ver quando chegar no bolso dele...
Nem o pai-de-santo segurou a gargalhada. Foi um pandemônio. Assustados, os exus pegaram o beco enquanto os cambonos caíam no chão, rolando de tanto rir. A sessão de descarrego foi suspensa, claro.
E Gláucio Gonçalves trucidou o “candidato liso” nas urnas.
As letras em primeiro lugar!
Meu brother Euclides Amaral é poeta, letrista, produtor, pesquisador e outras coisas mais da MPB.
Nasceu no subúrbio carioca, Brás de Pina, no Rio de Janeiro. Entre 1973 e 1978 publicou poemas em várias antologias, periódicos e fanzines por todo o Brasil. Em 1977 foi para Brasília onde permaneceu por um ano. Voltou ao Rio de Janeiro e logo depois, foi para Lavras, Minas Gerais, em 1981, onde ficou um ano.
Já trabalhou como diagramador e arte-finalista de jornais e livros - escreveu artigos e matérias para diversos jornais e revistas. Trabalhou em emissora de rádio AM escrevendo roteiros para programas. É formado em Comunicação Social (Publicidade & Propaganda) - publicou vários livros de poesias, tem suas letras gravadas por uma infinidade de artistas.
Atualmente, Euclides Amaral está divulgando seu livro “Alguns Aspectos da MPB” que saiu pela Esteio Editora, com 321 páginas, em segunda edição. Nessa entrevista concedida a Elias Nogueira, ele conta um pouco de sua carreira.
Elias Nogueira: Fale do inicio de sua carreira.
Euclides Amaral: Comecei a escrever letras com 13 anos e até aos 17 somente me arriscava em fazê-las. Adorava poesia, mas nunca tinha feito uma, apenas colocava letras nas músicas do meu cunhado e do meu irmão, que tocavam violão e cavaquinho. Lá pelos 15 anos comecei a fazer letras pra outros parceiros músicos, entre os quais o Marko Andrade, aí a coisa tomou outro rumo. Profissionalmente comecei a participar de eventos, festivais, bares - liberar show na Polícia Federal (pelos idos de 1974/75 era necessário levar roteiro do show e as letras, fitinha cassete com a música) para fazer shows em Sescs etc. De mochila parei em Brasília em 1976, onde fiz letra pra samba-enredo de uma escola local e voltei pro Rio no final de 1977, já com um livro de poesia “Sapo c/ Arroz” que publiquei mimeografado, em 1979. A partir de 1976 participei da imprensa nanica da época publicando poesia por todo o país. Depois fui pra Lavras (MG) em 1981 agitando produção de shows, vendendo o meu livro de poesia “Fragmentos de Carambola” nas pracinhas e portas de shows etc. Voltei pro Rio em 1982 e fiz letras para peças de teatro e pequenos musicais com diversos parceiros (Marko Andrade, Rubens Cardoso e Moisés Costa), além de participar como ator e co-autor em três deles.
Você é formado em quê?
Sou formado em Comunicação Social (Publicidade & Propaganda – redação publicitária), contudo, sempre atuei mais no jornalismo impresso, como diagramador e arte-finalista de jornais, livros, revistas etc, além de escrever sobre cultura em geral, principalmente crítica sobre teatro (Nélson Rodrigues, meu ídolo) música, cinema e literatura. Atuei em emissora AM criando programas de ufologia, música latina e literatura, principalmente o cubofuturismo russo de Vlaldimir Maiakovski, Vielimir Klebenikov, Vassili Kameinski e Bóris Paternak, além de falar besteiras sobre horóscopo, que nunca acreditei.
Você é músico?
Não! Só escrevo letras e mesmo assim depois que a melodia chega pra mim, mas musicaram vários poemas meus. Não faço melodia. Tenho parceiros músicos muito mais capacitados pra isso. Além do mais, violão é o instrumento mais fácil de ser mal tocado e nessa turma já me incluíram e eu concordei.
Quantos livros publicados?
Publiquei seis livros de poesia, a saber: “Sapo com Arroz” (1979/2ª ed. 1984), “Fragmentos de Carambola” (1981), “Balaio de Serpentes” (1984), “O Cão Depenado” (1985), “Sobras Futuristas” (1986) e “Cynema Bárbaro” (1989). Publiquei um livro de contos em 1995 “Emboscadas e Labirintos” (Editora Aldeia) com influência de Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa, Edgar Allan Poe e Rubens Fonseca, meus ídolos, além das influências dos HQs e RPGs. Publiquei em 2008 o livro de ensaios “Alguns Aspectos da MPB” e no ano seguinte “O Guitarrista Victor Biglione & a MPB” (Edições Baleia Azul) biografia do meu amigo Victor Biglione, que fiquei feliz quando ele me chamou pra escrevê-la. Grande músico e compositor. Como pessoa humana nem se fala, viramos amigos de infância. Só tem dois defeitos: ser botafoguense e salgueirense. Como portenlense e flamenguista estou tentando melhorá-lo! (risos) Foi do Victor a ideia do ensaio “A Contribuição estrangeira na MPB do século XVI ao XXI”, editado em 2008 no meu livro, porque o livro sobre ele só sairia no ano seguinte. Mas a brilhante idéia foi dele em nossos papos-etílicos pelos botequins de Copacabana.
Atualmente você está trabalhando em quais projetos pessoais?
Na divulgação da 2ª edição, pela Esteio Editora, do meu livro de ensaios “Alguns Aspectos da MPB” com 321 páginas e oito ensaios sobre o “Samba”, “Choro”, “Hip-hop”, “Funk” “Os letristas e a herança do provençal do século XI ao XXI”, “A MPB no cinema nacional de 1896 a 2010”, “A nova geração da MPB no século XXI” e “A contribuição estrangeira na MPB do século XVI ao XXI”, fruto do meu trabalho entre os anos de 1999 e 2010, atuando como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC - Rio, FINEP, CNPq e Instituto Cultural Cravo Albin, para o qual produzi verbetes para as vertentes “Rock”, “Gospel”, “Choro”, “Samba”, “Pop” “Hip-hop e funk” editados no site dicionariompb.com.br, também utilizados no Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira (Editora Paracatu, 2006). Trabalho também no meu disco “Compasso brasileiro” (poemas & letras) com convidados interpretando minhas parcerias.
E sobre suas músicas gravadas?
A partir de 1978, produzi discos para selos, gravadoras e artistas independentes. Tenho gravadas parcerias com Big Otaviano, Bóris Garay, Cacaso, Carlos Dafé, Claudio Latini, Ivan Wrigg, Lúcio Sherman, Marko Andrade, Milton Sívans, Moisés Costa, Olten Jorge, Paolo Vinaccia, Renato Piau, Rubens Cardoso, Sidney Mattos e Xico Chaves. Entre meus intérpretes constam Anna Pessoa, Banda Du Black, Ceiça, Denise Krammer, Edir Silva, Elza Maria, Jane Reis, Jorge de Souza, Luiza Dionízio, Luiz Melodia, Martha Loureiro, Paulinho Miranda e Solange Pereira. Também gravei poemas nos CDs Conexão Carioca 3 (vários/2002), Quem são os novos da MPB? (vários/2003), Boas novas (de Sidney Mattos/2004), As tribos (de Rubens Cardoso/2006) e Receita para a vida (de Claudio Latini/2006-Noruega). Produzi o CD da minha parceria querida Eliane Faria (Alma Feminina – Selo ICCA, 2003), a série Conexão Carioca (1, 2 e 3) entre 1999 e 2002; disco do meu parceiro Marko Andrade (Aldeias Urbana, em 2000), enfim... uns 20. Em 2010 comecei a produção do meu primeiro disco de poemas e músicas. Já incrustei nove poemas das 15 músicas escolhidas e interpretadas por Elza Maria, Anna Pessoa, Marko Andrade, Reizilan, Namay Mendes, Ceiça, Pecê Ribeiro, Claudio Latini, Rubens Cardoso, Joel Nascimento, Sidney Mattos, Carlos Dafé, Lúcio Sherman e Big Otaviano.
E a nova geração da MPB?
No meu livro tem o ensaio “A nova geração da MPB no século XXI” que traça um pequeno painel dessa geração mais recente, além das táticas de guerrilha cultural empreendidas como estratégia na luta, desigual, contra grandes corporações que detêm esse mercado. Há uma luz no fim do túnel e não é um trem bala na contramão, como muitos queriam que fosse. O disco dependente (independente é o feito pelas gravadoras – independe do artista até a escolha do repertório que irá gravar) e toda a produção em home estúdio é hoje em dia responsável por quase 80% da prensagem de CD/DVD/SMD e Blue ray, entre outras mídias, das grandes indústrias do ramo. A Internet e todos os sites de relacionamento e disponibilização de áudio e vídeo vieram pra pulverizar essa distribuição artística, dando chances a artistas de exporem seus produtos. Às grandes corporações só restaram rever seu nefasto comportamento de 108 anos, se contarmos a partir de 1902 quando foram feitas as primeiras gravações mecânicas no Brasil pelas mãos de Fred Figner. Dessa nova geração gosto, também, além dos supracitados, da Dorina, Juliana Diniz, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Heloisa Helena, Karen Keldani e Fabiana Bittencourt, do Rio de Janeiro; Mariana Aydar, Luíza Maita, Fabiana Cozza, Verônica Ferriani e Terreiro Grande, de São Paulo; Mônica Feijó (PE); Socorro Lira (PB); César Nascimento (PI); Maninal e Katia Rocha do Espírito Santo; Aninha Portal (PA); Bárbara Mendes (MG); Ana Martel (AP) e outros que não lembro agora.
Nasceu no subúrbio carioca, Brás de Pina, no Rio de Janeiro. Entre 1973 e 1978 publicou poemas em várias antologias, periódicos e fanzines por todo o Brasil. Em 1977 foi para Brasília onde permaneceu por um ano. Voltou ao Rio de Janeiro e logo depois, foi para Lavras, Minas Gerais, em 1981, onde ficou um ano.
Já trabalhou como diagramador e arte-finalista de jornais e livros - escreveu artigos e matérias para diversos jornais e revistas. Trabalhou em emissora de rádio AM escrevendo roteiros para programas. É formado em Comunicação Social (Publicidade & Propaganda) - publicou vários livros de poesias, tem suas letras gravadas por uma infinidade de artistas.
Atualmente, Euclides Amaral está divulgando seu livro “Alguns Aspectos da MPB” que saiu pela Esteio Editora, com 321 páginas, em segunda edição. Nessa entrevista concedida a Elias Nogueira, ele conta um pouco de sua carreira.
Elias Nogueira: Fale do inicio de sua carreira.
Euclides Amaral: Comecei a escrever letras com 13 anos e até aos 17 somente me arriscava em fazê-las. Adorava poesia, mas nunca tinha feito uma, apenas colocava letras nas músicas do meu cunhado e do meu irmão, que tocavam violão e cavaquinho. Lá pelos 15 anos comecei a fazer letras pra outros parceiros músicos, entre os quais o Marko Andrade, aí a coisa tomou outro rumo. Profissionalmente comecei a participar de eventos, festivais, bares - liberar show na Polícia Federal (pelos idos de 1974/75 era necessário levar roteiro do show e as letras, fitinha cassete com a música) para fazer shows em Sescs etc. De mochila parei em Brasília em 1976, onde fiz letra pra samba-enredo de uma escola local e voltei pro Rio no final de 1977, já com um livro de poesia “Sapo c/ Arroz” que publiquei mimeografado, em 1979. A partir de 1976 participei da imprensa nanica da época publicando poesia por todo o país. Depois fui pra Lavras (MG) em 1981 agitando produção de shows, vendendo o meu livro de poesia “Fragmentos de Carambola” nas pracinhas e portas de shows etc. Voltei pro Rio em 1982 e fiz letras para peças de teatro e pequenos musicais com diversos parceiros (Marko Andrade, Rubens Cardoso e Moisés Costa), além de participar como ator e co-autor em três deles.
Você é formado em quê?
Sou formado em Comunicação Social (Publicidade & Propaganda – redação publicitária), contudo, sempre atuei mais no jornalismo impresso, como diagramador e arte-finalista de jornais, livros, revistas etc, além de escrever sobre cultura em geral, principalmente crítica sobre teatro (Nélson Rodrigues, meu ídolo) música, cinema e literatura. Atuei em emissora AM criando programas de ufologia, música latina e literatura, principalmente o cubofuturismo russo de Vlaldimir Maiakovski, Vielimir Klebenikov, Vassili Kameinski e Bóris Paternak, além de falar besteiras sobre horóscopo, que nunca acreditei.
Você é músico?
Não! Só escrevo letras e mesmo assim depois que a melodia chega pra mim, mas musicaram vários poemas meus. Não faço melodia. Tenho parceiros músicos muito mais capacitados pra isso. Além do mais, violão é o instrumento mais fácil de ser mal tocado e nessa turma já me incluíram e eu concordei.
Quantos livros publicados?
Publiquei seis livros de poesia, a saber: “Sapo com Arroz” (1979/2ª ed. 1984), “Fragmentos de Carambola” (1981), “Balaio de Serpentes” (1984), “O Cão Depenado” (1985), “Sobras Futuristas” (1986) e “Cynema Bárbaro” (1989). Publiquei um livro de contos em 1995 “Emboscadas e Labirintos” (Editora Aldeia) com influência de Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa, Edgar Allan Poe e Rubens Fonseca, meus ídolos, além das influências dos HQs e RPGs. Publiquei em 2008 o livro de ensaios “Alguns Aspectos da MPB” e no ano seguinte “O Guitarrista Victor Biglione & a MPB” (Edições Baleia Azul) biografia do meu amigo Victor Biglione, que fiquei feliz quando ele me chamou pra escrevê-la. Grande músico e compositor. Como pessoa humana nem se fala, viramos amigos de infância. Só tem dois defeitos: ser botafoguense e salgueirense. Como portenlense e flamenguista estou tentando melhorá-lo! (risos) Foi do Victor a ideia do ensaio “A Contribuição estrangeira na MPB do século XVI ao XXI”, editado em 2008 no meu livro, porque o livro sobre ele só sairia no ano seguinte. Mas a brilhante idéia foi dele em nossos papos-etílicos pelos botequins de Copacabana.
Atualmente você está trabalhando em quais projetos pessoais?
Na divulgação da 2ª edição, pela Esteio Editora, do meu livro de ensaios “Alguns Aspectos da MPB” com 321 páginas e oito ensaios sobre o “Samba”, “Choro”, “Hip-hop”, “Funk” “Os letristas e a herança do provençal do século XI ao XXI”, “A MPB no cinema nacional de 1896 a 2010”, “A nova geração da MPB no século XXI” e “A contribuição estrangeira na MPB do século XVI ao XXI”, fruto do meu trabalho entre os anos de 1999 e 2010, atuando como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC - Rio, FINEP, CNPq e Instituto Cultural Cravo Albin, para o qual produzi verbetes para as vertentes “Rock”, “Gospel”, “Choro”, “Samba”, “Pop” “Hip-hop e funk” editados no site dicionariompb.com.br, também utilizados no Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira (Editora Paracatu, 2006). Trabalho também no meu disco “Compasso brasileiro” (poemas & letras) com convidados interpretando minhas parcerias.
E sobre suas músicas gravadas?
A partir de 1978, produzi discos para selos, gravadoras e artistas independentes. Tenho gravadas parcerias com Big Otaviano, Bóris Garay, Cacaso, Carlos Dafé, Claudio Latini, Ivan Wrigg, Lúcio Sherman, Marko Andrade, Milton Sívans, Moisés Costa, Olten Jorge, Paolo Vinaccia, Renato Piau, Rubens Cardoso, Sidney Mattos e Xico Chaves. Entre meus intérpretes constam Anna Pessoa, Banda Du Black, Ceiça, Denise Krammer, Edir Silva, Elza Maria, Jane Reis, Jorge de Souza, Luiza Dionízio, Luiz Melodia, Martha Loureiro, Paulinho Miranda e Solange Pereira. Também gravei poemas nos CDs Conexão Carioca 3 (vários/2002), Quem são os novos da MPB? (vários/2003), Boas novas (de Sidney Mattos/2004), As tribos (de Rubens Cardoso/2006) e Receita para a vida (de Claudio Latini/2006-Noruega). Produzi o CD da minha parceria querida Eliane Faria (Alma Feminina – Selo ICCA, 2003), a série Conexão Carioca (1, 2 e 3) entre 1999 e 2002; disco do meu parceiro Marko Andrade (Aldeias Urbana, em 2000), enfim... uns 20. Em 2010 comecei a produção do meu primeiro disco de poemas e músicas. Já incrustei nove poemas das 15 músicas escolhidas e interpretadas por Elza Maria, Anna Pessoa, Marko Andrade, Reizilan, Namay Mendes, Ceiça, Pecê Ribeiro, Claudio Latini, Rubens Cardoso, Joel Nascimento, Sidney Mattos, Carlos Dafé, Lúcio Sherman e Big Otaviano.
E a nova geração da MPB?
No meu livro tem o ensaio “A nova geração da MPB no século XXI” que traça um pequeno painel dessa geração mais recente, além das táticas de guerrilha cultural empreendidas como estratégia na luta, desigual, contra grandes corporações que detêm esse mercado. Há uma luz no fim do túnel e não é um trem bala na contramão, como muitos queriam que fosse. O disco dependente (independente é o feito pelas gravadoras – independe do artista até a escolha do repertório que irá gravar) e toda a produção em home estúdio é hoje em dia responsável por quase 80% da prensagem de CD/DVD/SMD e Blue ray, entre outras mídias, das grandes indústrias do ramo. A Internet e todos os sites de relacionamento e disponibilização de áudio e vídeo vieram pra pulverizar essa distribuição artística, dando chances a artistas de exporem seus produtos. Às grandes corporações só restaram rever seu nefasto comportamento de 108 anos, se contarmos a partir de 1902 quando foram feitas as primeiras gravações mecânicas no Brasil pelas mãos de Fred Figner. Dessa nova geração gosto, também, além dos supracitados, da Dorina, Juliana Diniz, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Heloisa Helena, Karen Keldani e Fabiana Bittencourt, do Rio de Janeiro; Mariana Aydar, Luíza Maita, Fabiana Cozza, Verônica Ferriani e Terreiro Grande, de São Paulo; Mônica Feijó (PE); Socorro Lira (PB); César Nascimento (PI); Maninal e Katia Rocha do Espírito Santo; Aninha Portal (PA); Bárbara Mendes (MG); Ana Martel (AP) e outros que não lembro agora.
Hoje tem roda de samba especial na quadra do GRES Reino Unido da Liberdade
A Escola de Samba Reino Unido da Liberdade estará realizando nesta sexta-feira, 3 de setembro, a grande mostra de todos os sambas inscritos para participarem das eliminatórias que acontecerão nas sextas-feiras seguintes, dias 10 e 17.
Passando por estas eliminatórias, os sambas classificados com a maior pontuação estarão na grande final no próximo dia 24, quando será conhecido o samba que irá embalar a família reionidense em mais um belo carnaval.
No próximo carnaval, a Reino Unido estará exaltando o papel das mulheres do mundo com o enredo Num Reino de Maravilhas e Esplendor, a Mulher é Deusa, Guerreira, Sedutora e Bela. Luz que não se apaga.
Uma justa homenagem àquelas coisinhas lindas que foram e sempre serão a razão maior da nossa existência. Pelo menos, pros que são chegados...
Já neste próximo dia 5 de setembro, domingo, o escola comemora 29 anos de existência.
A programação de aniversario começa hoje e se estende pelo sábado, sob a batuta do Pagode da Resistência, com uma gigantesca salva de fogos de artifícios e a cantoria do “Parabens pra você” a partir da meia-noite.
Durante estes 29 anos, a Reino Unido da Liberdade têm sido uma das peças importantíssimas nas questões sócio-culturais do Morro da Liberdade, chegando, inclusive, a ser comparada a um divisor no comportamento social da comunidade: o Morro antes e o Morro depois do surgimento da Reino Unido da Liberdade.
São dois momentos que se entrelaçam e fortalecem a beleza que o Morro tem e não faz questão de esconder.
Contato: Ivan de Oliveira (Dir. de Comunicação da Escola)
Tel. 9966.9758
Passando por estas eliminatórias, os sambas classificados com a maior pontuação estarão na grande final no próximo dia 24, quando será conhecido o samba que irá embalar a família reionidense em mais um belo carnaval.
No próximo carnaval, a Reino Unido estará exaltando o papel das mulheres do mundo com o enredo Num Reino de Maravilhas e Esplendor, a Mulher é Deusa, Guerreira, Sedutora e Bela. Luz que não se apaga.
Uma justa homenagem àquelas coisinhas lindas que foram e sempre serão a razão maior da nossa existência. Pelo menos, pros que são chegados...
Já neste próximo dia 5 de setembro, domingo, o escola comemora 29 anos de existência.
A programação de aniversario começa hoje e se estende pelo sábado, sob a batuta do Pagode da Resistência, com uma gigantesca salva de fogos de artifícios e a cantoria do “Parabens pra você” a partir da meia-noite.
Durante estes 29 anos, a Reino Unido da Liberdade têm sido uma das peças importantíssimas nas questões sócio-culturais do Morro da Liberdade, chegando, inclusive, a ser comparada a um divisor no comportamento social da comunidade: o Morro antes e o Morro depois do surgimento da Reino Unido da Liberdade.
São dois momentos que se entrelaçam e fortalecem a beleza que o Morro tem e não faz questão de esconder.
Contato: Ivan de Oliveira (Dir. de Comunicação da Escola)
Tel. 9966.9758
quinta-feira, setembro 02, 2010
Estréia histérica
Aldir Blanc
Uma estréia é uma estréia é uma estréia, como dizia a Gertrude antes de ir dar uns Tokles na Alice B., mas também pode ser um estrago, um ataque histérico. Tomado de natural ansiedade pela responsa, vi-me, de repente, envolto pelas brumas do saldo negativo, não aquele do Vila-Matas, mas o de meu prosaico balanço bancário. O miúra, crivado de bandarilhas antes da estocada final, suspira: diante do vermelho, olé, é preciso caprichar.
Penso na Rua dos Artistas, casas simples, cadeiras na calçada, Natais faraônicos aos olhos do menino, aniversários cujo emblema de prosperidade era a cascata de camarão, o Ano Novo saudado com pauladas no poste, o quentão e o melaço ao redor das fogueiras nas festas de São João. Os festejos juninos ainda estão por aí, cooptados por políticos sem escrúpulos, mas, caramba, e o frio, que fim levou o frio - a não ser aquele do bolero, cada dia mais presente, en el alma? Mudou Vila Isabel ou mudei eu?
Estréia. Dei uma repassada nos modismos que nos assolam. O que fazer? Apelar para um rap, periférico feito fimose estrangulada? Dissecar o passado cinzento do Papão na artilharia nazista? Plantar à lisboeta sorrateiras perguntas em entrevistas com respostas prontas desancando desafetos? Contar que fui assistente do ginecologista de Camilla Parker 61 Bowles? Chorar sobre as chacinas nossas de cada dia? Esmiuçar casos de pedofilia no Senado? Resolvi transformar o pepino em cenoura e abri, gilete azul na jogada, a veia mística. Aqui vai, de folha seca, a parábola.
O Apagão do Guerreiro da Luz e a Princesa Persa Acesa
Ah, é de manhã, é de madrugada, é de manhã. Acordo, com a habitual verve guerreira, e não enxergo chongas. Tateio sob a seda em busca da espada: recolhidinha. Grito por meu fiel Ackel el-Akhar (Ackel, o ácaro), joalheiro, despachante e almoxarife do serralho:
- Vai agora no Mini Max e compra lanternas, candeeiros, velas, fósforos, pilhas, isqueiros Bic e marca uma consulta com meu oftalmologista. Por via das dúvidas, passa na farmácia e arrebata o estoque de Viagra e Celides.
Expedidas as ordens, deitei-me de novo com uma faixa púrpura sobre os olhos. Ouvi um gaiato na rua gritar:
- Cabô o eclipse!
Isso não vai ficar assim. Vou botar toda essa despesa inútil na conta do Rocco.
Dirigi-me ao serralho para dar uma relaxada. A princesa persa, minha favorita, ateava fogo aos sete véus, armando a maior quizumba.
- Eu quero zahir de caza, zohar boraí com o Zuenir, zanzar com o Ziraldo, dar pro Szafhir, tocar o zaralho, armar uma zorra, ô zura!
Assim não há Guerreiro da Luz que agüente.
Uma estréia é uma estréia é uma estréia, como dizia a Gertrude antes de ir dar uns Tokles na Alice B., mas também pode ser um estrago, um ataque histérico. Tomado de natural ansiedade pela responsa, vi-me, de repente, envolto pelas brumas do saldo negativo, não aquele do Vila-Matas, mas o de meu prosaico balanço bancário. O miúra, crivado de bandarilhas antes da estocada final, suspira: diante do vermelho, olé, é preciso caprichar.
Penso na Rua dos Artistas, casas simples, cadeiras na calçada, Natais faraônicos aos olhos do menino, aniversários cujo emblema de prosperidade era a cascata de camarão, o Ano Novo saudado com pauladas no poste, o quentão e o melaço ao redor das fogueiras nas festas de São João. Os festejos juninos ainda estão por aí, cooptados por políticos sem escrúpulos, mas, caramba, e o frio, que fim levou o frio - a não ser aquele do bolero, cada dia mais presente, en el alma? Mudou Vila Isabel ou mudei eu?
Estréia. Dei uma repassada nos modismos que nos assolam. O que fazer? Apelar para um rap, periférico feito fimose estrangulada? Dissecar o passado cinzento do Papão na artilharia nazista? Plantar à lisboeta sorrateiras perguntas em entrevistas com respostas prontas desancando desafetos? Contar que fui assistente do ginecologista de Camilla Parker 61 Bowles? Chorar sobre as chacinas nossas de cada dia? Esmiuçar casos de pedofilia no Senado? Resolvi transformar o pepino em cenoura e abri, gilete azul na jogada, a veia mística. Aqui vai, de folha seca, a parábola.
O Apagão do Guerreiro da Luz e a Princesa Persa Acesa
Ah, é de manhã, é de madrugada, é de manhã. Acordo, com a habitual verve guerreira, e não enxergo chongas. Tateio sob a seda em busca da espada: recolhidinha. Grito por meu fiel Ackel el-Akhar (Ackel, o ácaro), joalheiro, despachante e almoxarife do serralho:
- Vai agora no Mini Max e compra lanternas, candeeiros, velas, fósforos, pilhas, isqueiros Bic e marca uma consulta com meu oftalmologista. Por via das dúvidas, passa na farmácia e arrebata o estoque de Viagra e Celides.
Expedidas as ordens, deitei-me de novo com uma faixa púrpura sobre os olhos. Ouvi um gaiato na rua gritar:
- Cabô o eclipse!
Isso não vai ficar assim. Vou botar toda essa despesa inútil na conta do Rocco.
Dirigi-me ao serralho para dar uma relaxada. A princesa persa, minha favorita, ateava fogo aos sete véus, armando a maior quizumba.
- Eu quero zahir de caza, zohar boraí com o Zuenir, zanzar com o Ziraldo, dar pro Szafhir, tocar o zaralho, armar uma zorra, ô zura!
Assim não há Guerreiro da Luz que agüente.
Foi-se embora!
Amaral Cavalcante
Passou um engenho de rapadura, um carcará pousado na cerca. A vaquinha de ar pensativo regurgitava capim - o olho abestalhado de quem sabe tudo, mas nem taí. Um alvoroço de preás chispa invisível na beira do mato. O calango também tomou um susto danado e ficou imóvel no pé de mulungú, só o olho rodando o mundo em volta, até a próxima trovoada.
No mar de capim gordura, o vento assanhava as nhampupés e na clareira da encosta umas casinhas de pano-de-prato fumegam o café, as chaminés pendendo enegrecidas como navios encalhados no oceano verdão do pasto. Foram ficando pra trás.
Ia-se embora em cima de um caminhão!
Queria sair de si, dos corredores da casa onde os fantasmas brincavam de esconde-esconde, das besteiras sem serventia nos alfarrábios- guardiões de poeiras cotidianas. Queria fugir dos horizontes impossíveis na sua cidade interior.
Juntou cacos no bornal, pegou sua coleção de auroras, tudo o que lhe restava em valentia e decidiu partir. Ia ser um coletor de sonhos trepidantes, o resto da vida engolindo estrada na carroceria de um caminhão.
Então, chegou de tardinha! O sol rajava em aquarelas sanguíneas. Traços surreais reinventavam a paisagem em impossíveis croquis. Um mourão se alongando como minarete, loooongo, se espreguiçando na estrada. Mais longe, uma pedra derramava ouro sobre um fio de água. O velho dicurizeiro impedindo a passagem, estendido em sombra e veracidade no chão da rodagem, passou. Passou um mandacaru rezando agoniado que as coisas iam se envultando.
O cruzeiro na serra se incendiava, o carneiro dourado acomodado aos seus pés. A paisagem pedia silêncio. Na sombra da mata um bordado de nuvens céleres, acenava. Ovelhinhas e ogros tristes a procurar repouso, que era chegada a hora!
De tardinha, o sono grená dos passarinhos peja os umbuzeiros dessa paz restrita às criaturas de Deus, quando o por do sol pinta dourado o rumor da vida e silencia o clamor das coisas. Então, o pé de jaca também já vai dormir que embaixo dele uma vaca malhada lambe a cria e recomenda em sussurro: bezeeeerro, vamos dorrrrmir.
Só ele inda corria o mundo.
Bateu uma dorzinha não sei onde, que nem dor direito era. Era uma tristeza banal sem pé nem cabeça, a falta de não sei o que lhe incomodando. Falta de ar não era que ele engolia o vento veloz, a natureza lhe invadindo o nariz em lufadas e cheiros. Ar, novos ares lhe soprando vida, o peito inflando em possibilidades. Não viesse ninguém dormir nos seus cabelos que o alvoroço ali era tanto.
Escancarava a boca engolindo as alfaias da noite e, corajoso ainda, guardava o sopro do mundo a lhe invadir o peito. Mas escureceu de vez. A dor fininha muito doida pinicando! Onde dormiria ele, cadê seus lençóis, as quenturas do quarto, uma moringa esfriando no peitoril da janela? Era a saudade dos pés no chão, da vida jabá nos becos da vida, das vielas confortáveis na cidade. Saudade?
Para! que ele desce aqui.
Amaral Cavalcante é jornalista, poeta e boêmio. Contatos através do email: folha.da.praia@terra.com.br
Passou um engenho de rapadura, um carcará pousado na cerca. A vaquinha de ar pensativo regurgitava capim - o olho abestalhado de quem sabe tudo, mas nem taí. Um alvoroço de preás chispa invisível na beira do mato. O calango também tomou um susto danado e ficou imóvel no pé de mulungú, só o olho rodando o mundo em volta, até a próxima trovoada.
No mar de capim gordura, o vento assanhava as nhampupés e na clareira da encosta umas casinhas de pano-de-prato fumegam o café, as chaminés pendendo enegrecidas como navios encalhados no oceano verdão do pasto. Foram ficando pra trás.
Ia-se embora em cima de um caminhão!
Queria sair de si, dos corredores da casa onde os fantasmas brincavam de esconde-esconde, das besteiras sem serventia nos alfarrábios- guardiões de poeiras cotidianas. Queria fugir dos horizontes impossíveis na sua cidade interior.
Juntou cacos no bornal, pegou sua coleção de auroras, tudo o que lhe restava em valentia e decidiu partir. Ia ser um coletor de sonhos trepidantes, o resto da vida engolindo estrada na carroceria de um caminhão.
Então, chegou de tardinha! O sol rajava em aquarelas sanguíneas. Traços surreais reinventavam a paisagem em impossíveis croquis. Um mourão se alongando como minarete, loooongo, se espreguiçando na estrada. Mais longe, uma pedra derramava ouro sobre um fio de água. O velho dicurizeiro impedindo a passagem, estendido em sombra e veracidade no chão da rodagem, passou. Passou um mandacaru rezando agoniado que as coisas iam se envultando.
O cruzeiro na serra se incendiava, o carneiro dourado acomodado aos seus pés. A paisagem pedia silêncio. Na sombra da mata um bordado de nuvens céleres, acenava. Ovelhinhas e ogros tristes a procurar repouso, que era chegada a hora!
De tardinha, o sono grená dos passarinhos peja os umbuzeiros dessa paz restrita às criaturas de Deus, quando o por do sol pinta dourado o rumor da vida e silencia o clamor das coisas. Então, o pé de jaca também já vai dormir que embaixo dele uma vaca malhada lambe a cria e recomenda em sussurro: bezeeeerro, vamos dorrrrmir.
Só ele inda corria o mundo.
Bateu uma dorzinha não sei onde, que nem dor direito era. Era uma tristeza banal sem pé nem cabeça, a falta de não sei o que lhe incomodando. Falta de ar não era que ele engolia o vento veloz, a natureza lhe invadindo o nariz em lufadas e cheiros. Ar, novos ares lhe soprando vida, o peito inflando em possibilidades. Não viesse ninguém dormir nos seus cabelos que o alvoroço ali era tanto.
Escancarava a boca engolindo as alfaias da noite e, corajoso ainda, guardava o sopro do mundo a lhe invadir o peito. Mas escureceu de vez. A dor fininha muito doida pinicando! Onde dormiria ele, cadê seus lençóis, as quenturas do quarto, uma moringa esfriando no peitoril da janela? Era a saudade dos pés no chão, da vida jabá nos becos da vida, das vielas confortáveis na cidade. Saudade?
Para! que ele desce aqui.
Amaral Cavalcante é jornalista, poeta e boêmio. Contatos através do email: folha.da.praia@terra.com.br
Declaração de voto para governador: Omar 33
Sou amigo do governador Omar Aziz há 20 anos, apesar de conhecê-lo desde 1986.
No início daquele ano, Omar Aziz, Francisco Deodato, Paulino Gonçalves (irmão do João Pedro), Durango Duarte, George Tasso e outros militantes do PCdoB abandonaram a legenda para apoiar o candidato a governador Amazonino Mendes.
O PCdoB continuou apoiando Artur Neto.
Eu era presidente municipal do PDT e continuava firme e forte na oposição (o PDT havia indicado Serafim Correa para vice do Artur Neto) – o que desagradou enormemente meus camaradas do PCB, que também haviam embarcado no bonde do “Negão”.
Apesar de ser mais ligado à velha guarda do PCdoB (Eron Bezerra, Edson Ramos, Levino, Vanessa, Crizólogo, Arminda Mourão, etc), eu sabia que os companheiros que haviam abandonado o barco eram valorosos e que não cabia nenhuma espécie de juízo de valor a respeito de suas decisões.
Todos eles haviam apanhado da polícia de Gilberto Mestrinho durante a luta pela meia-passagem estudantil, por exemplo.
E nenhum deles coonestava a selvageria da ditadura militar que nos azucrinava.
De repente, eles estarem do outro lado da barricada era uma coisa que não me agradava, mas que também não me tirava o sono. Cada qual com seu cada qual.
Continuei mantendo com eles a mesma civilidade e camaradagem que dedicamos aos verdadeiros companheiros de luta – apesar de estarmos em trincheiras diferentes.
Conforme se sabe, Amazonino ganhou a eleição e os ex-stalinistas foram premiados com vários cargos no governo.
Salvo engano, Omar ficou responsável por uma Fundação de Apoio às Comunidades Urbanas – o sonho de consumo de qualquer militante de esquerda.
Dois anos depois, por pressão do PCB, eu é que havia mudado de lado.
Deixei o PDT e voltei para o PMDB, para apoiar a candidatura de Gilberto Mestrinho contra Artur Neto (foi a única vez na vida em que não votei nele).
Meu candidato a vereador era o queridíssimo Chico Fera, ex-diretor financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos, que também havia deixado o PDT.
Conforme se sabe, Artur Neto ganhou a eleição, virou prefeito de Manaus e eu quase perdi um amigo: o Chico Fera, sem qualquer apoio logístico ou financeiro do PMDB, teve quase 700 votos.
O PDT elegeu o Miquéias Fernandes com 900 votos.
Estivéssemos, eu e Chico Fera, ainda no PDT, a gente teria atingido mais de mil votos.
Chico Fera, com razão, me culpa até hoje pela tragédia.
Pior: em 1990, o ano em que me tornei verdadeiramente amigo do Omar, o Miquéias Fernandes se elegeu deputado estadual e assumiu na CMM, em seu lugar, o primeiro suplente de vereador do PDT, um cangaceiro gente boa, que tinha tido pouco mais de 500 votos, chamado Francisco Praciano.
Quer dizer, nas duas hipóteses aventadas (poderia ter sido o primeiro ou o segundo candidato mais votado do PDT), o Chico Fera tinha razão em querer me matar.
Bom, mas em 1990, eu fui candidato a deputado estadual pelo PMDB. O Omar Aziz também foi candidato, quero crer, pelo PDC.
Começamos a conversar – e se tornar amigos de infância – na ante-sala do saudoso boto navegador, quando ele morava ali numa transversal da estrada da Ponta Negra, enquanto esperávamos pacientemente que uma de suas filhas (Leila? Maria?) nos fornecesse os chorados caraminguás para colocar a tropa na rua.
Em valores de hoje, recebi R$ 10 mil, “cash”, e 2 mil cartazes. Quando descubro hoje que tem deputado estadual que gasta R$ 3 milhões pra se eleger, chego a sentir vertigem.
O fato é que ambos (eu e Omar) apoiávamos Gilberto Mestrinho.
E o fato é que ambos perdemos (acho que tive uns ridículos 900 votos – a maior parte dos meus votos engrossou o mapismo do deputado Simão Barros), mas o boto navegador foi eleito.
Encerrei minha infame carreira política naquela eleição. Omar seguiu em frente.
Em 1992, Omar foi eleito vereador e, na seqüência, presidente da CMM.
Dois anos depois, ele foi eleito deputado estadual e líder do governador Amazonino Mendes na ALE.
E, acreditem se quiser, o Omar continuou sendo um cara de esquerda, com legítimas preocupações sociais.
Sei disso porque acompanhei sua luta pela criação da Ageesma, pela valorização da cultura popular – notadamente o folclore amazônico –, pelo incentivo à criação das associações de moradores, pela força que dava aos esportes amadores e por aí afora.
Nesses 20 anos, Omar fez uma única bobagem na vida – e, por causa dela, acabou colocando seu hoje principal opositor no tabuleiro político do Amazonas.
Pra quem não sabe, Alfredo Pereira do Nascimento nasceu em Martins (RN) e começou sua vida profissional como meia-direita ciscador do modesto time América, de Natal.
Ele abandonou o futebol depois de uma série de contusões e fez concurso para cabo da Aeronáutica, no final dos anos 70.
Foi aprovado, andou por Brasília estudando mecânica de aeronaves e depois foi transferido para a Base Aérea de Manaus, na função de controlador de voo e taifeiro.
Aprovado no vestibular da FUA, o cabo Pereira começou a fazer o curso de Letras e conseguiu um estágio no Instituto Euvaldo Lodi (IEL), subordinado à Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).
Quando o presidente da Fieam, João Furtado, assumiu a Prefeitura de Manaus no início dos anos 80, em substituição ao prefeito nomeado Paulo Nery, o cabo Pereira foi nomeado assessor técnico de um aspone do novo prefeito.
Em 1983, o governador Gilberto Mestrinho nomeou o empresário Amazonino Mendes prefeito de Manaus.
O cabo Pereira fazia parte da equipe de transição e, apesar de ser um funcionário do terceiro escalão, foi o responsável por passar para o novo alcaide a maioria das informações sobre a administração passada.
Alfredo acabou conquistando o cargo de secretário municipal de Administração, substituindo o competentíssimo José Seráfico.
Falo sobre a rasteira aplicada pelo cangaceiro potiguar em um próximo post – e de sua habilidade manual para descascar tucumãs-arara para o prefeito.
Alfredo deixou a prefeitura no início de 1986, para coordenar a campanha de Amazonino Mendes ao governo. Em troca, foi nomeado conselheiro diretor da Empresa de Processamento de Dados do Amazonas (Prodam).
Em 1987, quando Amazonino assumiu o governo pela primeira vez, o cabo Pereira foi nomeado secretário estadual de Administração e descascador oficial de tucumãs.
Em 1988, irritado com as “lambanças” da administração municipal, o governador Amazonino Mendes fez uma intervenção na prefeitura, afastando o prefeito Manuel Ribeiro (hoje no IMTU) e nomeando o cabo Pereira como interventor.
O cabo Pereira gostou muito do novo cargo. Tanto que, meses depois, quando Manuel Ribeiro, com o apoio do senador De’ Carli e do deputado federal Carrel Benevides, conseguiu derrubar em Brasília a famigerada intervenção, ele não quis devolver a chave da casa.
Pelo contrário. O cangaceiro colocou um cadeado gigantesco na porta da prefeitura e se trancou lá dentro, com seus assessores mais próximos.
Parecia cena de comédia mexicana. O prefeito Manuel Ribeiro com o mandado de “reintegração de posse” na mão gritando para Alfredo Nascimento abrir a porta e receber a intimação e o cabo Pereira lá dentro, fazendo ouvido de mercador.
Carrel Benevides não teve dúvidas: sacou um três-oitão do bolso e deu três tiros no cadeado, que quebrou. Com um pisão que desmontou a porta, Manuel Ribeiro entrou de novo em seu castelo.
Ao ouvir os estampidos, o cabo Pereira e sua turma conseguiram pular o muro traseiro do anexo da prefeitura e ganharam o mundo correndo pela Bernardo Ramos.
No Salão Oval da prefeitura, o cabo Pereira havia entronizado um quadro com a foto do governador Amazonino Mendes.
Puto da vida, Manuel Ribeiro deu um muro no quadro, o vidro quebrou e quase lhe decepou a mão. Saiu de lá para ser hospitalizado e só tomou posse no dia seguinte. Coisas de português.
O cabo Pereira voltou para a Secretaria de Administração, onde permaneceu até abril de 1990, quando Amazonino deixou o cargo para concorrer ao cargo de senador.
Eleito senador, Amazonino convenceu o presidente Fernando Collor a nomear o cabo Pereira para superintendente da Suframa, o que ocorreu em março de 1991.
Alfredo deixou o cargo em agosto de 92, para coordenar a campanha de Amazonino Mendes para a Prefeitura de Manaus.
Amazonino derrotou Zé Dutra no segundo turno e assumiu a prefeitura, tendo Eduardo Braga como vice.
Em 1994, tendo o cabo Pereira como candidato a vice, o prefeito Amazonino Mendes disputou praticamente sozinho a eleição para o governo do Estado, derrotando Nonato Oliveira (PL) e Aloysio Nogueira (PT) no primeiro turno, com quase o triplo dos votos somados dos dois candidatos.
Eduardo Braga assumiu a Prefeitura de Manaus. O cabo Pereira foi nomeado secretário estadual de Administração.
O cacife eleitoral de Amazonino contagiou seu grupo político. Todo mundo acreditava que o “Negão” seria capaz de eleger até um poste para a Prefeitura de Manaus.
Então, em 1996, na sucessão do prefeito Eduardo Braga, apareceram cinco supostos “postes” dispostos a se matar pela indicação: os deputados estaduais Omar Aziz, Ronaldo Tiradentes, Lupércio Ramos e Beto Michilles, e o deputado federal Pauderney Avelino.
O governador chamou o cabo Pereira num canto e pediu para ele secretariar uma reunião dos cinco postulantes ao cargo, de onde deveria sair um nome de consenso que atendesse aos interesses políticos do grupo inteiro.
Como todos eles se julgavam as “pregas da Odete”, o impasse continuou. Ninguém queria nem pensar na possibilidade de retirar o nome para apoiar alguém.
Lá, pelas tantas, Omar Aziz deve ter achado que aquilo era uma partida de pôquer e resolveu “blefar”:
– Olha, pessoal, eu não vou retirar meu nome porque tenho mais densidade eleitoral, sou mais conhecido pelo povo e tenho mais amigos na mídia do que vocês. Eu conheço cada um de vocês e sei quanto vocês são ambiciosos pelo cargo. Eu só retiraria meu nome se fosse para apoiar uma pessoa sem ambição política, uma pessoa assim como o Alfredo, que, além de ser humilde e prestativo, ainda une o grupo...
O cabo Pereira tomou um susto.
– Êi, Omar, para com essa conversa. Eu só vim aqui secretariar a reunião. Não tenho nenhum interesse em cargo eletivo. Nem venham com esse papo pra cima de mim, que não vai colar...
Colocados no canto do ringue pelos argumentos demolidores de Omar, os outros quatro postulantes resolveram contra-atacar com os mesmos golpes baixos do “blefador”, crentes de que o cabo Pereira era mesmo uma carta fora do baralho. Um “poste” sem pedigree.
– Eu também só retiraria meu nome se fosse para apoiar o Alfredo, que em termos políticos é quase um zé mané! – ironizou Ronaldo Tiradentes, querendo, com isso, forçar a discussão a voltar para o seu ponto inicial.
– É, se o Alfredo aceitasse, eu também retiraria o meu nome! – alfinetou Lupércio Ramos, sem muita convicção.
– Eu também! – disseram em uníssono Beto e Pauderney, supostamente encerrando o festival de lambanças.
A reunião terminou como havia começado: no mesmo impasse.
Uma nova rodada de negociações foi marcada para o dia seguinte.
Ocorre que, no mesmo dia, Amazonino passou na “base” e quis saber o resultado das conversas. Levou um puta susto.
– Eles disseram que o único nome de consenso é o meu e que se eu for candidato todos eles abrem mão de suas candidaturas! – explicou timidamente o cabo Pereira.
– Por mim, tudo bem! – avisou Amazonino, com o pragmatismo de um caboco suburucu. “Agora, chama a imprensa e anuncia a tua candidatura, que amanhã mesmo a gente coloca o nosso bloco na rua. E te prepara para ser prefeito de Manaus”.
Quando souberam o que havia acontecido, os cinco postulantes queriam meter uma bala na cabeça. Na deles ou na do cabo Pereira. Deu no que deu.
Nessa eleição, o Omar Aziz está tendo a oportunidade de corrigir aquela bobajada feita há 14 anos e que só causou prejuízos inenarráveis ao Amazonas.
Eu não quero nem falar da Nova Veneza, do Expresso, das palmeirinhas imperiais, dos portos submarinos (Parintins e Humaitá) e do fato de que um dos rebentos do ex-ministro ficou milionário aos 21 anos porque sabe falar inglês.
Meu filho caçula, Marcus Vinicius Pessoa (aka "Mavipe"), fala fluentemente inglês, italiano, espanhol e russo, e ainda está ralando para conseguir grana pro seu mestrado em Design, na Itália, depois de ter sido o único representante do Norte-Nordeste a ser aprovado na prova de seleção.
Deve ser porque o pai do Mavipe nunca foi ladrão.
É por isso que estou com Omar (“Diga 33!”) – e qualquer pessoa de bom senso deve fazer o mesmo.
No início daquele ano, Omar Aziz, Francisco Deodato, Paulino Gonçalves (irmão do João Pedro), Durango Duarte, George Tasso e outros militantes do PCdoB abandonaram a legenda para apoiar o candidato a governador Amazonino Mendes.
O PCdoB continuou apoiando Artur Neto.
Eu era presidente municipal do PDT e continuava firme e forte na oposição (o PDT havia indicado Serafim Correa para vice do Artur Neto) – o que desagradou enormemente meus camaradas do PCB, que também haviam embarcado no bonde do “Negão”.
Apesar de ser mais ligado à velha guarda do PCdoB (Eron Bezerra, Edson Ramos, Levino, Vanessa, Crizólogo, Arminda Mourão, etc), eu sabia que os companheiros que haviam abandonado o barco eram valorosos e que não cabia nenhuma espécie de juízo de valor a respeito de suas decisões.
Todos eles haviam apanhado da polícia de Gilberto Mestrinho durante a luta pela meia-passagem estudantil, por exemplo.
E nenhum deles coonestava a selvageria da ditadura militar que nos azucrinava.
De repente, eles estarem do outro lado da barricada era uma coisa que não me agradava, mas que também não me tirava o sono. Cada qual com seu cada qual.
Continuei mantendo com eles a mesma civilidade e camaradagem que dedicamos aos verdadeiros companheiros de luta – apesar de estarmos em trincheiras diferentes.
Conforme se sabe, Amazonino ganhou a eleição e os ex-stalinistas foram premiados com vários cargos no governo.
Salvo engano, Omar ficou responsável por uma Fundação de Apoio às Comunidades Urbanas – o sonho de consumo de qualquer militante de esquerda.
Dois anos depois, por pressão do PCB, eu é que havia mudado de lado.
Deixei o PDT e voltei para o PMDB, para apoiar a candidatura de Gilberto Mestrinho contra Artur Neto (foi a única vez na vida em que não votei nele).
Meu candidato a vereador era o queridíssimo Chico Fera, ex-diretor financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos, que também havia deixado o PDT.
Conforme se sabe, Artur Neto ganhou a eleição, virou prefeito de Manaus e eu quase perdi um amigo: o Chico Fera, sem qualquer apoio logístico ou financeiro do PMDB, teve quase 700 votos.
O PDT elegeu o Miquéias Fernandes com 900 votos.
Estivéssemos, eu e Chico Fera, ainda no PDT, a gente teria atingido mais de mil votos.
Chico Fera, com razão, me culpa até hoje pela tragédia.
Pior: em 1990, o ano em que me tornei verdadeiramente amigo do Omar, o Miquéias Fernandes se elegeu deputado estadual e assumiu na CMM, em seu lugar, o primeiro suplente de vereador do PDT, um cangaceiro gente boa, que tinha tido pouco mais de 500 votos, chamado Francisco Praciano.
Quer dizer, nas duas hipóteses aventadas (poderia ter sido o primeiro ou o segundo candidato mais votado do PDT), o Chico Fera tinha razão em querer me matar.
Bom, mas em 1990, eu fui candidato a deputado estadual pelo PMDB. O Omar Aziz também foi candidato, quero crer, pelo PDC.
Começamos a conversar – e se tornar amigos de infância – na ante-sala do saudoso boto navegador, quando ele morava ali numa transversal da estrada da Ponta Negra, enquanto esperávamos pacientemente que uma de suas filhas (Leila? Maria?) nos fornecesse os chorados caraminguás para colocar a tropa na rua.
Em valores de hoje, recebi R$ 10 mil, “cash”, e 2 mil cartazes. Quando descubro hoje que tem deputado estadual que gasta R$ 3 milhões pra se eleger, chego a sentir vertigem.
O fato é que ambos (eu e Omar) apoiávamos Gilberto Mestrinho.
E o fato é que ambos perdemos (acho que tive uns ridículos 900 votos – a maior parte dos meus votos engrossou o mapismo do deputado Simão Barros), mas o boto navegador foi eleito.
Encerrei minha infame carreira política naquela eleição. Omar seguiu em frente.
Em 1992, Omar foi eleito vereador e, na seqüência, presidente da CMM.
Dois anos depois, ele foi eleito deputado estadual e líder do governador Amazonino Mendes na ALE.
E, acreditem se quiser, o Omar continuou sendo um cara de esquerda, com legítimas preocupações sociais.
Sei disso porque acompanhei sua luta pela criação da Ageesma, pela valorização da cultura popular – notadamente o folclore amazônico –, pelo incentivo à criação das associações de moradores, pela força que dava aos esportes amadores e por aí afora.
Nesses 20 anos, Omar fez uma única bobagem na vida – e, por causa dela, acabou colocando seu hoje principal opositor no tabuleiro político do Amazonas.
Pra quem não sabe, Alfredo Pereira do Nascimento nasceu em Martins (RN) e começou sua vida profissional como meia-direita ciscador do modesto time América, de Natal.
Ele abandonou o futebol depois de uma série de contusões e fez concurso para cabo da Aeronáutica, no final dos anos 70.
Foi aprovado, andou por Brasília estudando mecânica de aeronaves e depois foi transferido para a Base Aérea de Manaus, na função de controlador de voo e taifeiro.
Aprovado no vestibular da FUA, o cabo Pereira começou a fazer o curso de Letras e conseguiu um estágio no Instituto Euvaldo Lodi (IEL), subordinado à Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).
Quando o presidente da Fieam, João Furtado, assumiu a Prefeitura de Manaus no início dos anos 80, em substituição ao prefeito nomeado Paulo Nery, o cabo Pereira foi nomeado assessor técnico de um aspone do novo prefeito.
Em 1983, o governador Gilberto Mestrinho nomeou o empresário Amazonino Mendes prefeito de Manaus.
O cabo Pereira fazia parte da equipe de transição e, apesar de ser um funcionário do terceiro escalão, foi o responsável por passar para o novo alcaide a maioria das informações sobre a administração passada.
Alfredo acabou conquistando o cargo de secretário municipal de Administração, substituindo o competentíssimo José Seráfico.
Falo sobre a rasteira aplicada pelo cangaceiro potiguar em um próximo post – e de sua habilidade manual para descascar tucumãs-arara para o prefeito.
Alfredo deixou a prefeitura no início de 1986, para coordenar a campanha de Amazonino Mendes ao governo. Em troca, foi nomeado conselheiro diretor da Empresa de Processamento de Dados do Amazonas (Prodam).
Em 1987, quando Amazonino assumiu o governo pela primeira vez, o cabo Pereira foi nomeado secretário estadual de Administração e descascador oficial de tucumãs.
Em 1988, irritado com as “lambanças” da administração municipal, o governador Amazonino Mendes fez uma intervenção na prefeitura, afastando o prefeito Manuel Ribeiro (hoje no IMTU) e nomeando o cabo Pereira como interventor.
O cabo Pereira gostou muito do novo cargo. Tanto que, meses depois, quando Manuel Ribeiro, com o apoio do senador De’ Carli e do deputado federal Carrel Benevides, conseguiu derrubar em Brasília a famigerada intervenção, ele não quis devolver a chave da casa.
Pelo contrário. O cangaceiro colocou um cadeado gigantesco na porta da prefeitura e se trancou lá dentro, com seus assessores mais próximos.
Parecia cena de comédia mexicana. O prefeito Manuel Ribeiro com o mandado de “reintegração de posse” na mão gritando para Alfredo Nascimento abrir a porta e receber a intimação e o cabo Pereira lá dentro, fazendo ouvido de mercador.
Carrel Benevides não teve dúvidas: sacou um três-oitão do bolso e deu três tiros no cadeado, que quebrou. Com um pisão que desmontou a porta, Manuel Ribeiro entrou de novo em seu castelo.
Ao ouvir os estampidos, o cabo Pereira e sua turma conseguiram pular o muro traseiro do anexo da prefeitura e ganharam o mundo correndo pela Bernardo Ramos.
No Salão Oval da prefeitura, o cabo Pereira havia entronizado um quadro com a foto do governador Amazonino Mendes.
Puto da vida, Manuel Ribeiro deu um muro no quadro, o vidro quebrou e quase lhe decepou a mão. Saiu de lá para ser hospitalizado e só tomou posse no dia seguinte. Coisas de português.
O cabo Pereira voltou para a Secretaria de Administração, onde permaneceu até abril de 1990, quando Amazonino deixou o cargo para concorrer ao cargo de senador.
Eleito senador, Amazonino convenceu o presidente Fernando Collor a nomear o cabo Pereira para superintendente da Suframa, o que ocorreu em março de 1991.
Alfredo deixou o cargo em agosto de 92, para coordenar a campanha de Amazonino Mendes para a Prefeitura de Manaus.
Amazonino derrotou Zé Dutra no segundo turno e assumiu a prefeitura, tendo Eduardo Braga como vice.
Em 1994, tendo o cabo Pereira como candidato a vice, o prefeito Amazonino Mendes disputou praticamente sozinho a eleição para o governo do Estado, derrotando Nonato Oliveira (PL) e Aloysio Nogueira (PT) no primeiro turno, com quase o triplo dos votos somados dos dois candidatos.
Eduardo Braga assumiu a Prefeitura de Manaus. O cabo Pereira foi nomeado secretário estadual de Administração.
O cacife eleitoral de Amazonino contagiou seu grupo político. Todo mundo acreditava que o “Negão” seria capaz de eleger até um poste para a Prefeitura de Manaus.
Então, em 1996, na sucessão do prefeito Eduardo Braga, apareceram cinco supostos “postes” dispostos a se matar pela indicação: os deputados estaduais Omar Aziz, Ronaldo Tiradentes, Lupércio Ramos e Beto Michilles, e o deputado federal Pauderney Avelino.
O governador chamou o cabo Pereira num canto e pediu para ele secretariar uma reunião dos cinco postulantes ao cargo, de onde deveria sair um nome de consenso que atendesse aos interesses políticos do grupo inteiro.
Como todos eles se julgavam as “pregas da Odete”, o impasse continuou. Ninguém queria nem pensar na possibilidade de retirar o nome para apoiar alguém.
Lá, pelas tantas, Omar Aziz deve ter achado que aquilo era uma partida de pôquer e resolveu “blefar”:
– Olha, pessoal, eu não vou retirar meu nome porque tenho mais densidade eleitoral, sou mais conhecido pelo povo e tenho mais amigos na mídia do que vocês. Eu conheço cada um de vocês e sei quanto vocês são ambiciosos pelo cargo. Eu só retiraria meu nome se fosse para apoiar uma pessoa sem ambição política, uma pessoa assim como o Alfredo, que, além de ser humilde e prestativo, ainda une o grupo...
O cabo Pereira tomou um susto.
– Êi, Omar, para com essa conversa. Eu só vim aqui secretariar a reunião. Não tenho nenhum interesse em cargo eletivo. Nem venham com esse papo pra cima de mim, que não vai colar...
Colocados no canto do ringue pelos argumentos demolidores de Omar, os outros quatro postulantes resolveram contra-atacar com os mesmos golpes baixos do “blefador”, crentes de que o cabo Pereira era mesmo uma carta fora do baralho. Um “poste” sem pedigree.
– Eu também só retiraria meu nome se fosse para apoiar o Alfredo, que em termos políticos é quase um zé mané! – ironizou Ronaldo Tiradentes, querendo, com isso, forçar a discussão a voltar para o seu ponto inicial.
– É, se o Alfredo aceitasse, eu também retiraria o meu nome! – alfinetou Lupércio Ramos, sem muita convicção.
– Eu também! – disseram em uníssono Beto e Pauderney, supostamente encerrando o festival de lambanças.
A reunião terminou como havia começado: no mesmo impasse.
Uma nova rodada de negociações foi marcada para o dia seguinte.
Ocorre que, no mesmo dia, Amazonino passou na “base” e quis saber o resultado das conversas. Levou um puta susto.
– Eles disseram que o único nome de consenso é o meu e que se eu for candidato todos eles abrem mão de suas candidaturas! – explicou timidamente o cabo Pereira.
– Por mim, tudo bem! – avisou Amazonino, com o pragmatismo de um caboco suburucu. “Agora, chama a imprensa e anuncia a tua candidatura, que amanhã mesmo a gente coloca o nosso bloco na rua. E te prepara para ser prefeito de Manaus”.
Quando souberam o que havia acontecido, os cinco postulantes queriam meter uma bala na cabeça. Na deles ou na do cabo Pereira. Deu no que deu.
Nessa eleição, o Omar Aziz está tendo a oportunidade de corrigir aquela bobajada feita há 14 anos e que só causou prejuízos inenarráveis ao Amazonas.
Eu não quero nem falar da Nova Veneza, do Expresso, das palmeirinhas imperiais, dos portos submarinos (Parintins e Humaitá) e do fato de que um dos rebentos do ex-ministro ficou milionário aos 21 anos porque sabe falar inglês.
Meu filho caçula, Marcus Vinicius Pessoa (aka "Mavipe"), fala fluentemente inglês, italiano, espanhol e russo, e ainda está ralando para conseguir grana pro seu mestrado em Design, na Itália, depois de ter sido o único representante do Norte-Nordeste a ser aprovado na prova de seleção.
Deve ser porque o pai do Mavipe nunca foi ladrão.
É por isso que estou com Omar (“Diga 33!”) – e qualquer pessoa de bom senso deve fazer o mesmo.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Festival de música eletrônica terá Fatboy Slim, Groove Armada e Moby
O Ultra Music Festival, tradicional evento anual de música eletrônica de Miami, terá em 6 de novembro sua primeira edição em São Paulo. Dentre as apresentações já confirmadas, destacam-se os DJs Carl Cox e Fatboy Slim, assim como Groove Armada e Moby (foto), que também farão “DJ set”.
Segundo a organização, o evento terá 14 horas de duração. O local ainda não foi divulgado (será montada uma arena na Marginal Pinheiros), assim como os valores das entradas, que serão vendidas a partir de 1º de setembro no site www.ingressorapido.com.br e em lojas a serem divulgadas no www.ultramusicfestival.com.br.
Xxxperience
A rave Xxxperience também divulgou nesta segunda-feira (30) as atrações da edição de 2010, em 14 de novembro, na Fazenda Maeda, em Itu, interior de São Paulo. O DJ Calvin Harris, produtor de artistas como Kylie Minogue, é o principal nome ao lado de Paul van Dyk. A Xxxperience terá ao todo 40 atrações divididas em quatro palcos - o principal terá telão 3D.
Os ingressos já podem ser comprados em pontos de venda disponíveis no endereço www.mundoxxxperience.com.br. As entradas custam de R$ 50 (pista) a R$ 235 - valor do ingresso masculino no camarote open bar.
Segundo a organização, o evento terá 14 horas de duração. O local ainda não foi divulgado (será montada uma arena na Marginal Pinheiros), assim como os valores das entradas, que serão vendidas a partir de 1º de setembro no site www.ingressorapido.com.br e em lojas a serem divulgadas no www.ultramusicfestival.com.br.
Xxxperience
A rave Xxxperience também divulgou nesta segunda-feira (30) as atrações da edição de 2010, em 14 de novembro, na Fazenda Maeda, em Itu, interior de São Paulo. O DJ Calvin Harris, produtor de artistas como Kylie Minogue, é o principal nome ao lado de Paul van Dyk. A Xxxperience terá ao todo 40 atrações divididas em quatro palcos - o principal terá telão 3D.
Os ingressos já podem ser comprados em pontos de venda disponíveis no endereço www.mundoxxxperience.com.br. As entradas custam de R$ 50 (pista) a R$ 235 - valor do ingresso masculino no camarote open bar.
James Cameron diz que esboços para Avatar 2 e 3 já estão prontos
O diretor e roteirista James Cameron quer fazer outras duas versões do recordista de bilheterias "Avatar", que nos próximos dias voltará aos cinemas em uma edição especial que inclui oito minutos de cenas inéditas.
"Eu gostaria dirigir duas sequências de 'Avatar'", explica Cameron em entrevista publicada nesta quarta-feira (1) pelo jornal francês "Le Figaro".
Cameron disse ainda que já fez anotações e esboços para as duas partes seguintes de "Avatar", mas atualmente sua prioridade é terminar de escrever o livro sobre a aventura, que começará a ser vendido entre o fim deste ano e o início de 2011.
"Não quero que ninguém invente qualquer coisa e escreva um romance cheio de erros", disse, em referência à versão escrita de "Avatar", o filme que mais dinheiro arrecadou em bilheteria na história: US$ 2,7 bilhões.
O diretor revelou que "Avatar: Special Edition" mostrará cenas nunca vistas antes e incluirá novas criaturas e episódios de ação.
Além disso, o diretor disse que destinou "uma grande parte do ano" a efetuar a conversão em 3D do filme "Titanic", "um trabalho muito custoso, que tomou muito tempo".
"Eu gostaria dirigir duas sequências de 'Avatar'", explica Cameron em entrevista publicada nesta quarta-feira (1) pelo jornal francês "Le Figaro".
Cameron disse ainda que já fez anotações e esboços para as duas partes seguintes de "Avatar", mas atualmente sua prioridade é terminar de escrever o livro sobre a aventura, que começará a ser vendido entre o fim deste ano e o início de 2011.
"Não quero que ninguém invente qualquer coisa e escreva um romance cheio de erros", disse, em referência à versão escrita de "Avatar", o filme que mais dinheiro arrecadou em bilheteria na história: US$ 2,7 bilhões.
O diretor revelou que "Avatar: Special Edition" mostrará cenas nunca vistas antes e incluirá novas criaturas e episódios de ação.
Além disso, o diretor disse que destinou "uma grande parte do ano" a efetuar a conversão em 3D do filme "Titanic", "um trabalho muito custoso, que tomou muito tempo".
Morre fotógrafa que teria criado tendência 'heroin chic' na moda
A fotógrafa de moda Corinne Day morreu na última sexta-feira (27), aos 48 anos, em sua casa na Inglaterra.
Um aviso sobre a morte da artista foi postado em seu website e informa que ela faleceu "após uma longa doença", sem especificar a causa da morte.
Renomada no mundo da moda, Corinne ficou famosa por fotografias que fez da top Kate Moss no início dos anos 1990.
A artista é tida como a precursora do movimento "heroin chic", com ensaios fotográficos protagonizados por modelos extremamente magras e que parecem ter consumido drogas.
Moss 'jovem e morta'
À época de seus primeiros trabalhos, Corinne recebeu críticas de veículos como a revista "Cosmopolitan" e o jornal "The New York Times". Para o diário norte-americano, as fotografias de Moss a mostravam como "muito jovem e muito morta".
A repercussão sobre os cliques de Corinne chegou até a Casa Branca. Em comunicado, o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton chegou a dizer que "as fotografias de moda estavam fazendo com que a heroína parecesse uma droga glamurosa e legal".
Corinne era colaboradora assídua da revsita Vogue em suas edições britânica, italiana e japonesa.
Um aviso sobre a morte da artista foi postado em seu website e informa que ela faleceu "após uma longa doença", sem especificar a causa da morte.
Renomada no mundo da moda, Corinne ficou famosa por fotografias que fez da top Kate Moss no início dos anos 1990.
A artista é tida como a precursora do movimento "heroin chic", com ensaios fotográficos protagonizados por modelos extremamente magras e que parecem ter consumido drogas.
Moss 'jovem e morta'
À época de seus primeiros trabalhos, Corinne recebeu críticas de veículos como a revista "Cosmopolitan" e o jornal "The New York Times". Para o diário norte-americano, as fotografias de Moss a mostravam como "muito jovem e muito morta".
A repercussão sobre os cliques de Corinne chegou até a Casa Branca. Em comunicado, o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton chegou a dizer que "as fotografias de moda estavam fazendo com que a heroína parecesse uma droga glamurosa e legal".
Corinne era colaboradora assídua da revsita Vogue em suas edições britânica, italiana e japonesa.
Após alta, Chico Anysio ensaia para apresentação no sábado
Após ficar 19 dias internado, o humorista Chico Anysio está nesta quarta-feira (1º) ensaiando para sua volta aos palcos sábado (4), no espetáculo "Chico.Tom".
A apresentação única do show que já correu outras cidades do país, junto com o humorista Tom Cavalcante, acontece no Citibank Hall, na Zona Oeste do Rio.
Os dois já trabalharam na "Escolinha do Professor Raimundo", como Professor Raimundo e João Canabrava, mas é a primeira vez que os dois humoristas sobem ao palco juntos.
Também trabalhando atualmente no programa "Zorra total", da TV Globo, Chico teve alta na noite de segunda-feira (30), no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho deu entrada no hospital com um quadro de hemorragia digestiva no dia 11 de agosto. Ainda de acordo com a assessoria, o problema provavelmente foi causado por uma infecção no intestino grosso. No dia 14, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de parte do órgão.
Na manhã do dia 18, passou por uma nova operação para a revisão do trânsito intestinal após apresentar uma obstrução por conta de uma reação do organismo depois o primeiro procedimento — dois dias antes, também teve diagnosticado uma pneumonia.
No ano passado, o humorista também esteve internado, para curar-se de uma pneumonia.
A apresentação única do show que já correu outras cidades do país, junto com o humorista Tom Cavalcante, acontece no Citibank Hall, na Zona Oeste do Rio.
Os dois já trabalharam na "Escolinha do Professor Raimundo", como Professor Raimundo e João Canabrava, mas é a primeira vez que os dois humoristas sobem ao palco juntos.
Também trabalhando atualmente no programa "Zorra total", da TV Globo, Chico teve alta na noite de segunda-feira (30), no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho deu entrada no hospital com um quadro de hemorragia digestiva no dia 11 de agosto. Ainda de acordo com a assessoria, o problema provavelmente foi causado por uma infecção no intestino grosso. No dia 14, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de parte do órgão.
Na manhã do dia 18, passou por uma nova operação para a revisão do trânsito intestinal após apresentar uma obstrução por conta de uma reação do organismo depois o primeiro procedimento — dois dias antes, também teve diagnosticado uma pneumonia.
No ano passado, o humorista também esteve internado, para curar-se de uma pneumonia.
Fim do mundo: Sex Pistols lança perfume nos Estados Unidos
O Sex Pistols, assim como Britney Spears e Sean “Diddy” Combs, lançou um perfume com o nome da banda.
Previsto para ser lançado nos Estados Unidos em 10 de setembro, a fragrância leva o nome do grupo e tem a famosa imagem da capa do single “God save the queen” estampada em sua embalagem.
O perfume foi criado pela empresa francesa Etat Libre d'Orange e, de acordo com a revista “Billboard”, começou a ser vendido em julho na França, nas lojas da rede de cosméticos Sephora, por €40.
O grupo francês planeja lançar também para o final do ano um sabonete inspirado no álbum “Never mind the bollocks”, assim como um novo perfume do Sex Pistols em 2011.
Previsto para ser lançado nos Estados Unidos em 10 de setembro, a fragrância leva o nome do grupo e tem a famosa imagem da capa do single “God save the queen” estampada em sua embalagem.
O perfume foi criado pela empresa francesa Etat Libre d'Orange e, de acordo com a revista “Billboard”, começou a ser vendido em julho na França, nas lojas da rede de cosméticos Sephora, por €40.
O grupo francês planeja lançar também para o final do ano um sabonete inspirado no álbum “Never mind the bollocks”, assim como um novo perfume do Sex Pistols em 2011.
Fãs pagam US$ 30 mil para filme sobre Pirate Bay ser finalizado
O diretor sueco Simon Klose passou os últimos dois anos acompanhado os três jovens que criaram o site de hospedagem de arquivos de torrent Pirate Bay. Desde então foram 200 horas de filmagem, segundo suas contas.
Para finalizar o documentário “The Pirate Bay: away from keaboard”, ele criou uma campanha na internet para arrecadar US$ 20 mil: o objetivo é contratar um editor e uma sala de edição profissionais para que se possa fazer a montagem da produção.
Em apenas três dias, mais de mil usuários do site doaram US$ 30 mil ao projeto. Segundo Klose, o valor excedente será revertido para a criação de animações e também na produção e edição do material, assim como na sua divulgação pelo mundo.
Em menos de um mês começará em Estocolmo, na Suécia, o início do julgamento do recurso que condenou, em abril de 2009, os três criadores do Pirate Bay e um investidor há um ano de prisão e a pagarem US$ 4,5 milhões de multa por crimes de propriedade intelectual – a página lista links para se baixar arquivos torrents de filmes, músicas e programas televisivos, principalmente.
As sessões judiciais também farão parte do documentário, que deverá ser lançado em 2011. Além de ser registrado com a licença de código aberto, e livre de direitos autorais, Creative Commons, o filme será distribuído gratuitamente na internet - os usuários do site já manifestaram interesse em ajudar na tradução do sueco para o inglês, espanhol, alemão, português, e assim por diante.
De acordo com Klose, o longa não será paradoxal por mostrar um site que, justamente, é acusado de acabar com a indústria do cinema. “Dizem que compartilhamento de arquivos é matar a criatividade, mas para mim a resposta é simples: não acredito nisso. Acredito em novas formas de se premiar a cultura. Essa [campanha] é uma maneira”.
Para finalizar o documentário “The Pirate Bay: away from keaboard”, ele criou uma campanha na internet para arrecadar US$ 20 mil: o objetivo é contratar um editor e uma sala de edição profissionais para que se possa fazer a montagem da produção.
Em apenas três dias, mais de mil usuários do site doaram US$ 30 mil ao projeto. Segundo Klose, o valor excedente será revertido para a criação de animações e também na produção e edição do material, assim como na sua divulgação pelo mundo.
Em menos de um mês começará em Estocolmo, na Suécia, o início do julgamento do recurso que condenou, em abril de 2009, os três criadores do Pirate Bay e um investidor há um ano de prisão e a pagarem US$ 4,5 milhões de multa por crimes de propriedade intelectual – a página lista links para se baixar arquivos torrents de filmes, músicas e programas televisivos, principalmente.
As sessões judiciais também farão parte do documentário, que deverá ser lançado em 2011. Além de ser registrado com a licença de código aberto, e livre de direitos autorais, Creative Commons, o filme será distribuído gratuitamente na internet - os usuários do site já manifestaram interesse em ajudar na tradução do sueco para o inglês, espanhol, alemão, português, e assim por diante.
De acordo com Klose, o longa não será paradoxal por mostrar um site que, justamente, é acusado de acabar com a indústria do cinema. “Dizem que compartilhamento de arquivos é matar a criatividade, mas para mim a resposta é simples: não acredito nisso. Acredito em novas formas de se premiar a cultura. Essa [campanha] é uma maneira”.
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