segunda-feira, outubro 26, 2009

Asterix completa 50 anos em plena forma


Asterix, o pequeno guerreiro gaulês que conquistou várias gerações de leitores, celebra seu 50º aniversário no dia 29 de outubro com um novo livro, o de número 34 da série, e deve continuar resistindo à passagem dos anos.

O novo álbum tem por título "O Aniversário de Astérix e Obélix - O Livro de Ouro", e ao longo das suas 56 páginas compila diversas histórias curtas, todas inéditas assinadas por Uderzo, ao longo das quais podemos reencontrar cerca de 300 personagens que Asterix e Obélix cruzaram ao longo destes 50 anos.

A sua tiragem mundial será de 3 500 000 exemplares, dos quais 1,1 milhões somente na França. O album será lançado simultaneamente em 19 países, incluindo o Brasil.

Tudo começou em agosto de 1959 em um edifício de Bobigny, subúrbio do leste de Paris. René Goscinny e Albert Uderzo trocavam ideias sobre novos personagens para uma revista de quadrinhos que seria lançada em outubro.

E a ideia finalmente surgiu: dois gauleses, um baixinho e outro gordo. Em duas horas, Uderzo desenhou os primeiros esboços dos principais personagens: Abracurcix, o chefe da aldeia, Panoramix, o druida, Chatotorix, o bardo, e Ideiafix, o cão. Dois meses depois, Asterix e Obelix apareciam pela primeira vez no número um da revista Pilote.

Passados dois anos, chegou às lojas o primeiro livros de Asterix, com uma tiragem de 6.000 exemplares. O sucesso foi imediato. Asterix e seus gauleses passaram a fazer parte da vida dos franceses. Em setembro de 1966, a revista L'Express estampou em sua capa o que chamou de "o fenômeno Asterix".

Goscinny, filho de uma família judia de origem polonesa, e Uderzo, filho de imigrantes italianos, criaram uma mitologia francesa.

Na França dos anos 60, Asterix se transformou em um símbolo do orgulho recuperado, do pequeno que se recusa a capitular e resiste ao poder dos maiores.

Na época, eram publicados um ou dois livros por ano. Rapidamente, a série se popularizou para além do universo infantil, criando uma legião de fãs entre jovens e adultos. Foi a época dos primeiros desenhos animados. A partir de 1967, a primeira edição de cada livro começou a ultrapassar um milhão de exemplares.

O mais surpreendente, no entanto, foi que a história fez tanto sucesso na França quanto fora dela: em 50 anos, foram vendidos em todo o mundo mais de 325 milhões de exemplares das aventuras de Asterix, e a série já foi traduzida para 107 idiomas.

Este êxito fenomenal quase terminou em novembro de 1977, quando René Goscinny, o genial roteirista que encarnava o "espírito" de Asterix faleceu subitamente.



Albert Uderzo, no entanto, decidiu continuar a série sozinho e lançou mais dez títulos em 30 anos.

No final dos anos 90, o cinema fez reviver a célebre dupla de gauleses com três longa-metragens, que juntos tiveram mais de 60 milhões de espectadores.

O sucesso de Asterix desperta ambições, e houve muitas propostas para retomar a série. No fim de 2008, Uderzo decidiu vender à Hachette Livres a editora Albert René, criada por ele em 1979.

Asterix, então, passou dos quadrinhos aos tribunais, quando o desenhista foi acionado por sua única filha, Sylvie Uderzo, que reclamou das condições da venda.

Ao vender sua editora à Hachette, Albert Uderzo, hoje com 82 anos de idade, aceitou que as aventuras de Asterix continuem depois de sua morte. Para isso, encarregou oficialmente os desenhistas Fréderic e Thierry Mébarki, que trabalham com ele há anos. Resta encontrar um roteirista que aceite o desafio de criar novas histórias para os irredutíveis gauleses.

Resistência


É impossível deixar de associar o sucesso da criação de Goscinny e Uderzo ao sentimento de antiamericanismo que se seguiu à expansão, em escala planetária, do poder americano depois da 2ª Guerra Mundial.

A situação básica da série é uma evidente alegoria do sentimento dos franceses a essa expansão: o Império Romano ocupa toda a Gália, governa usando a força bruta ou estratégias desonestas, uniformiza seus hábitos, reduz seus habitantes à condição de criaturas de modos contidos, conversas superficiais, vidas monótonas.

Na costa norte da Gália, onde fica atualmente a região da Normandia, contudo, uma aldeia gaulesa resiste. Seus moradores são turbulentos, briguentos e tagarelas.

Qualquer coisa para eles é motivo para um banquete ou um debate. E, acima de tudo, se divertem bem mais que seus vizinhos, dão exemplo do que pode ser uma vida voltada para o prazer e a paz – referência nítida à maneira como os franceses gostam de se enxergar, um povo independente que se nega a seguir modos estrangeiros de viver e se orgulha de ser uma referência da sofisticação, do prazer para os sentidos e da cultura.

Fácil ver que nesse contexto há lugar para muito humor. Asterix, o gaulês foi criado antes que a ideia de “politicamente correto” se tornasse um dogma. Abre espaço, então, para uma visão até mesmo cruel dos mais diversos povos.

Os alemães, por exemplo, são identificados com os godos, um povo militarista e agressivo. Os helvéticos (suíços) estão tão preocupados com a ordem das coisas que não têm muito tempo para viver de verdade.

O humor politicamente incorreto não se limita aos estrangeiros: também as diversas comunidades francesas são satirizadas nas histórias, sempre com ironia depreciativa: os normandos são incapazes de comer qualquer coisa sem creme, os arvernos ciciam escandalosamente, o queijo dos corsos é a coisa mais fedorenta do mundo.

A maneira como cada povo fala brinca com as particularidades de sua língua, das ordens inversas das perguntas em certos idiomas até algumas sonoridades que são peculiares a determinada população ou do alfabeto.


Outra estratégia que Goscinny usou desde o primeiro volume e Uderzo manteve foi o uso humorístico de citações.

Quando criou Asterix e Cleópatra em 1965, por exemplo, tinha em mente que muitos de seus leitores haviam assistido ao filme Cleópatra, distribuído poucos anos antes. Não hesitou em dar a Cleópatra um rosto semelhante ao da atriz Elizabeth Taylor, estrela da película.

Em visita à Bretanha (Inglaterra), os heróis gauleses encontram quatro bardos (músicos) que são a cara dos Beatles.

Essas referências satíricas frequentemente ganhavam conotação política: o ex-presidente francês Jacques Chirac, por exemplo, é representado como um burocrata em Obelix & Cia.

Além disso, é comum o leitor se encontrar com piadas referentes ao noticiário da época em que cada história foi escrita, anedotas e bordões recorrentes, que ganham novas formas a cada volume e, com isso, remetem o público à própria série.

Mas as histórias dos divertidos gauleses não sobrevivem apenas pela qualidade de seu humor. Os enredos de Goscinny e, mesmo se em grau menor, os de Uderzo conquistam os leitores por seu tom humanista e libertário.

E os desenhos de Uderzo, sempre cheios de detalhes, são daquelas criações que praticamente convidam o leitor a vê-los novamente, para descobrir as sutilezas de que não havia tomado conhecimento na primeira leitura.

Do conjunto, salta uma espécie de crônica do ser humano na contemporaneidade, cheio de contradições, mas apto a superá-las – retrato estranho, já que representado por signos que, frequentemente, têm mais de 2 mil anos de idade, ou remetem àquela antiguidade.

O truque, como em toda boa obra, é a contemporaneidade do jeito como são juntados.

Convite - Entre as sombras


A Editora Valer tem a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do livro Entre as sombras, do escritor João Bosco Botelho, que acontecerá quarta-feira, dia 28 de outubro, às 19h30min, no Centro Cultural Palácio da Justiça.

Com a capacitação de sua competência intelectual, traçada em uma formatação de imagens que buscam no passado as bases sobre as quais explicita um poder descritivo que imanta o interesse do leitor, João Bosco Botelho promove através de brilhantes flashes históricos da Manaus ainda mergulhada no auge da riqueza produzida pela economia da borracha, uma descrição do que foi a urbes manauara no desenrolar dos seus instantes de projeção até no exterior, inclusive pela presença de estrangeiros aqui vindos apenas para enriquecer, promovendo ações maléficas, como a do inglês que furtou as sementes da preciosa seringueira, levando-as ao seu país.

João Bosco Botelho traça um painel – confirmado pela história – da existência de uma cidade que viveu dias de esplendor e de decadência e estagnação.

É nesse ambiente que o autor fez inserir, de forma aventuresca, porém não menos verdadeiras, o existir de pessoas que vivenciaram grande parte de suas existências, trocando experiências e registrando, algumas ainda pelos recursos da memória dos que restam, momentos expressivos da vida cotidiana.

O livro apresenta uma família de classe média tradicional da cidade, com um patriarca conservador e integrantes que de certa forma sempre dão um jeito de administrar os conflitos internos.

Entre as sombras, o primeiro romance de João Bosco Botelho, apresenta, na sensibilidade e emoção, a existência de personagens que povoam suas páginas, potencializando, para conhecimento de quem mergulhar em sua leitura, horas de apreensão, mas que foram também de coragem no enfrentar das circunstâncias. É, portanto, um livro destinado a quantos se interessam pelo que Manaus teve de autêntico, num momento crucial da existência do País.

O Autor


Dono de vasta cultura humanística, o professor Dr. João Bosco Botelho é reconhecidamente um dos principais mestres da Universidade Federal do Amazonas, onde atua como orientador de doutorado de biotecnologia. Também é professor do Curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas e da Universidade Nilton Lins.

Membro da Academia Amazonense de Medicina, conquistou seus títulos superiores com sua produtividade médica e científica principalmente como professor convidado da Universidade de Paris 7, na França, uma das mais antigas do mundo.

Autor de História da Medicina, Para o autor a medicina é um sacerdócio, renuncia, serenidade, bondade, tolerância, compreensão, respeito à vida humana físico e espiritual, competência e ética.

Sua obra literária é erudita e completa. Tem publicada as obras: Arqueologia do Prazer (1990); Os limites da cura (1998); O Deus genético (2000); História da Medicina: da abstração a materialidade (2004) e Medicina e religião (2005); Epidemias – a humanidade contra o medo da morte (2008).


Evento: Lançamento de livro
Título: Entre as sombras
Autor: João Bosco Botelho
Páginas: 156
Valor do livro: R$ 25,00
Data: 28 de outubro de 2009 (quarta-feira)
Horário: 19h30min
Local: Centro Cultural Palácio da Justiça - Av. Eduardo Ribeiro, 833 – Centro.
Contatos: 3635-1324 (Editora Valer); 8121-1067 / joaoboscobotelho@gmail.com (autor)

Convite - Anuário do Saci


Amigos,

Quem não vai ao lançamento mas quer comprar o Anuário, pode entrar em contato com a editora:

Editora Publisher Brasil
Rua Bruno Simoni, 170, Pinheiros • São Paulo-SP
CEP 05424-030 • (11) 3813.1836 • livros@publisherbrasil.com.br

Abraços.
Mouzar Benedito

Mora na filosofia!


Filósofo e mestrando em arqueologia pela PUC (SP), o bonequeiro e gauche Paulo de Tarso, mais conhecido como “Paulo Mamulengo”, tem uma longa história de amor por esta terra.

Como representante do Movimento de Reintegração dos Hansenianos (Mohan), ele chegou aqui há mais de 20 anos, para saber como estava o avanço da doença no Amazonas.

Em Lábrea, ouviu falar que o primeiro hospital de leprosos no Brasil havia sido instalado em Paricatuba.

Aportou lá, comprou uma casa na beira do Rio Negro e nunca mais saiu.

Segundo os moradores mais antigos, o hospital de Paricatuba foi instalado no início dos anos 20 por uma missão religiosa italiana ligada à igreja católica. Era um modelo para o país no tratamento e controle da hanseníase.

Até então não se sabia que a doença era decorrente, basicamente, da falta de condições mínimas de saúde e higiene nas moradias, associada à falta de comida na mesa das pessoas.

No início dos anos 50, um aspone piou para o governador Álvaro Maia que o aumento da incidência de lepra em Manaus era decorrente de o Hospital de Paricatuba estar localizado acima da área de captação das águas do rio Negro, que até hoje continua no bombeamento da Ponta do Ismael.

O governador acreditou na bobagem: que o bacilo de Hansen descia pelo Rio Negro e ia parar na casa dos moradores da capital pelo sistema de distribuição de água.

Em menos de seis meses, seus áulicos destruíram o Hospital de Paricatuba e confinaram todos os leprosos em uma área da zona rural de Manaus, batizada poeticamente de Hospital-Colônia Antonio Aleixo. Na prática, um campo de concentração.

Além de ter sido uma das maiores barbaridades do “Cabeleira”, aquilo significou um desastre inenarrável. Para os doentes e para seus familiares.

Em 2002, Paulão estava se formando em Filosofia e era presidente do Cafca, o centro acadêmico da faculdade. Durante um festejo qualquer, no ICHL, uma repórter da TV Amazonas resolveu entrevistá-lo em tempo real, sem cortes ou edição:

– Mas sim, presidente, como está o curso de Filosofia? – começou a repórter.

– Por mim, esse curso já devia ter sido fechado há muito tempo! – respondeu Paulão, sem disfarçar a irritação.

– Mas como assim... Ser fechado? – questionou a repórter.

– É evidente, minha filha. É impossível um curso de Filosofia sem filósofos! – afirmou Paulão. “Acompanhe o meu raciocínio...”

E o safado liberou sua verve:

– O Chefe do Departamento de Filosofia se chama Guaraciaba Tupinambá. Isso é nome de filósofo? – indagou Paulão. E ele mesmo respondeu: “Não, claro que não. Isso é nome de puxador de toadas ou de pajé de algum bumbá de Parintins...”

A repórter ficou muda. Paulão continuou:

– A coordenadora do curso se chama Marilina. Isso é nome de filósofa? Não! Isso é nome de gordura saturada. Você chega numa mercearia e diz: “Me vê oito pães e dois tabletes de marilina”.

A repórter continuou muda. Paulão foi em frente:

– O coordenador de Filosofia Antiga se chama Deodato. Isso é nome de filósofo? Não. Isso é nome de remédio pra escabiose. Você chega na farmácia e diz “me arruma um frasco de deodato de benzila pra eu matar essa curuba da muléstia!”.

A repórter continuou muda. Paulão continuou matando a cobra e mostrando o pau:

– O chefe do departamento de Filosofia Moderna se chama Paulo Monte. Isso é nome de filósofo? Não. Nome de filósofo é Heráclito de Éfeso, Zenão de Eléa, Tales de Mileto... Paulo Monte de quê? Só se for de bóstia...

A repórter encerrou a matéria no maior sufoco, querendo se esconder no primeiro buraco disponível.

Professor de Filosofia Comparada, Alderi Marques, que havia assistido a polêmica entrevista pela televisão, ficou puto. Na primeira oportunidade, peitou o desabusado aluno:

– Pô, Paulo, sacanagem! Você usou o espaço nobre da rede Globo pra esculhambar com a nossa honrada universidade...

– Olha, bicho, fica frio porque eu livrei a tua cara! – avisou Paulão.

– Livrou minha cara uma porra! – devolveu Alderi.

– Livrei sim, bicho! – explicou Paulo Mamulengo, sem se alterar. “Primeiro que Alderi não é nome de professor de Filosofia. Alderi é nome de dama fuleira. Procê ter uma idéia, só lá em Picos do Piauí, eu comi duas quengas chamadas Alderi e não paguei um tostão...”

O professor Alderi quase partiu para a ignorância.

O poeta, o pintor, o princípe e o galo de briga


Maio de 1960. O poeta Thiago de Mello estava participando de uma boca-livre na casa do pintor Pablo Picasso, em Paris, quando adentrou no recinto um aristocrático casal da realeza européia.

A mulher do príncipe herdeiro da Casa Real de Habsburgo estava interessada em adquirir uma obra do pintor, de sua fase “galos de briga”.

Picasso explicou que não havia nenhum trabalho disponível e que só poderia fazer um novo quadro dali a quatro semanas. E, para se ver logo livre dos dois, estipulou um preço astronômico: 75 mil dólares.

O príncipe nem regateou. Depois de alguns minutos conversando com outros convivas, o casal foi embora.

Um mês depois, Thiago estava de novo em outra boca-livre na casa do pintor catalão, quando chegou o mesmo casal para adquirir o galo de briga.

Picasso nem se lembrava mais da encomenda. Na maior tranquilidade, ele pediu que o casal se servisse de alguma bebida, ficasse à vontade e aguardasse um pouco, que ele ia ver o que poderia ser feito. Dito isso, sumiu da sala.

Meia hora depois, Picasso reaparece no recinto trazendo nas mãos um magnífico galo de briga, de uma beleza estonteante, provavelmente o melhor galo de briga que ele já havia pintado.

Ele entrega o quadro à princesa. Quando ela faz menção de enrolar a obra, Picasso adverte:

– Não faça isso. Deixe secar um pouco que a tinta ainda está meio úmida.

O príncipe verifica que o quadro havia acabado de ser pintado naquele instante.

Enquanto preenchia o cheque no valor estipulado, ele fez uma observação capciosa:

– É, Dom Pablo Picasso, o senhor tem mesmo o dom para fazer fortuna... É inacreditável, mas o senhor levou apenas trinta minutos para pintar um galo e ganhar 75 mil dólares...

Picasso nem gaguejou:

– Meu príncipe, o senhor está enganado... Eu não levei apenas trinta minutos para pintar esse galo... Para pintar esse galo, eu levei 78 anos...

Só depois de alguns minutos, a ficha caiu. O príncipe não tinha levado em conta o tempo em que o pintor catalão passou estudando, praticando, errando, fazendo de novo, estudando, praticando, tentando mais uma vez, errando e corrigindo, até acertar a mão.

Thiago de Mello aprendeu tão bem a lição que nunca mais escreveu de graça pra ninguém.

E se hoje alguém reclama do valor cobrado dizendo que ele não levou nem duas horas para escrever aquilo ele retruca: “Duas horas?... Eu levei 83 anos...”

sábado, outubro 24, 2009

Gracias a la vida!


Márcio, Marcelo, meu velho pai Simão e Vinicius, no colo do Márcio

Há quatro anos (lembro, porque estava começando a trabalhar no jornal Correio Amazonense), um dos meus primogênitos (sim, tive gêmeos), Marcelo, ligou pra redação. Sua esposa, Cida, estava tendo problemas com a primeira gestação.

Pela primeira vez na vida fiquei nervoso. Tive seis filhos com três mulheres diferentes e nenhuma delas (a exceção foi a Veremity, com a minha caçula Marisa, que segurou uma pré-ecamplisia e no final deu tudo certo) teve problemas pra parir.

Não lembro bem o que conversei com o Marcelo, mas recomendei que a Aparecida fosse internada imediatamente na recém-inaugurada maternidade Ana Braga. Ele seguiu meu conselho.

Uma semana depois, Marcelo me telefonou de novo. A Cida havia dado luz a um menino, Guilherme, mas ele havia nascido prematuramente. Pesava menos de dois quilos e estava na UTI do hospital.

O meu nervosismo inicial se transformou em desespero. Liguei para todos os meus amigos médicos conhecidos explicando o drama. Eles e a equipe médica da maternidade fizeram o possível e o impossível pro meu neto sobreviver. Guilherme preferiu ir embora. Registrei o esforço dos médicos na coluna que escrevia no jornal.

Fui ao hospital ver o moleque, com uma sensação de morte na garganta. Quando vi aquela criaturinha indefesa, que caberia perfeitamente dentro de uma das caixas dos meus tênis, meu mundo desabou.

O choro sofrido saiu quase naturalmente. Impotente, eu tentava entender aquela situação. E se o Marcel tivesse morrido quando nasceu junto com o Marcelo e ficou internado na maternidade enquanto o outro foi pra casa?

Pela primeira vez na vida eu sentia a merda de perder um neto - e estive muito perto de perder um filho, mas falo disso outro dia. Fiquei inconformado.

Dor semelhante eu só havia sentido quando a doce Celeste, minha mãe, havia partido pro Céu em 1978, na flor dos seus 46 anos.

Mais uma vez fiquei revoltado com Deus. Infelizmente, o filho da puta não me respeita.

Marcelo estava cuidando das coisas práticas. Pretendia enterrar o Guilherme no cemitério do Parque Tarumã, do outro lado da cidade, lá na zona oeste.

Fiquei puto. Se a nossa família tinha (tem) um jazigo perpétuo no cemitério do São João Batista, na zona sul, onde já repousavam minha mãe Celeste, minha avó Rosa e meu tio Zé Bandeira, por que meu neto teria que ser exilado?

Telefonei pro papai e expliquei a situação. Desconfio até hoje que ele ficou assustado com a minha argumentação raivosa. Mas acabou concordando. Guilherme foi enterrado ao lado de sua avó, de sua bisavó e de seu tio em segundo grau.

Há um ano, a doce Cida emprenhou de novo. Nasceu o Vinicius, tão lindo quanto o Guilherme (que, papo sério, tinha a minha cara!) e o Matheus (filho da doce, zelosa e querida Maíra – jornalista de talento que nem o pai, é bom frisar!), que tem a cara do grande André, alma gêmea da minha Maíra.


Esse é o Vinicius, o sacaninha com jeito de espada matador que nem o avô


Hoje, a gente vai comemorar o primeiro ano do safado. E comemorar também o fato de ele ser o primeiro macho da família, na terceira geração, a perpetuar o sobrenome “Pessoa”. Não é pouca porcaria.

Ave, Vinicius! Os que vão morrer - começando pelo teu avô - te saúdam!

Feliz aniversário, moleque!

E, a exemplo dos varões e das molecas da família, espero que você também seja um gauche na vida.

Pra dar um toque mais técnico na coisa, transcrevo abaixo o “Poema de Sete Faces”, do Carlos Drummond de Andrade, que espero, um dia, seja sua bússola e farol:

Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
Não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonastes
Se sabias que eu não era Deus
Se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo,
Seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
Mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
Mas essa lua
Mas esse conhaque
Botam a gente comovido como o diabo.


Post Scrimptum pra Marcelo e Cida: obrigado por tudo! Amo vocês!

sexta-feira, outubro 23, 2009

Três histórias de Mestre Carlito


1
Cego de nascença e considerado um dos mais hábeis violonistas da história do Amazonas, Mestre Carlito estava descansando em casa, numa tarde de sábado, quando chegou Alderico, seu amigo de longa data, implorando por um violão emprestado.

Carlito relutou, mas o papo de Alderico foi tão convincente, que ele acabou cedendo seu inseparável violão espanhol Alhambra, modelo 8C, com tampo de cedro maciço, fundos e laterais de jacarandá indiano, escala de ébano e tarrachas do tipo Alhambra Deluxe Gold Plated.

O sujeito explicou que devolveria o instrumento no mesmo dia. O domingo amanheceu e nem sombra do violão.

Uma semana depois, Carlito começou a ficar preocupado. O sujeito havia tomado chá de sumiço. Ele se queixou da presepada para seu inseparável parceiro, o também músico Rinaldo Buzaglo.

Duas semanas depois, Rinaldo Buzaglo descobriu onde Alderico morava. Ele passou na casa de Carlito, embarcou o violonista no carro e rumaram para o moquifo do sujeito, lá pras banda da Praça 14 de Janeiro.

A dona da vila onde Alderico morava não tinha notícias do violão, mas concordou em ensinar o endereço da empresa onde o rapaz trabalhava, lá na Cidade Nova.

Os dois rumaram pra lá. Alderico recebeu Carlito com frieza, disse que estava muito ocupado e que só podia cuidar de assuntos particulares depois do expediente.

Eram 9 horas da manhã. Rinaldo e Carlito resolveram montar campana em um bar perto da empresa e aguardaram pacientemente pelo final do expediente do sujeito.

Seis horas da tarde, voltaram a abordar Alderico. Ele embarcou no carro e os três rumaram para a Praça 14.

Quando estavam se aproximando da rua Nhamundá, Alderico mandou Reinaldo pegar à direita. Carlito protestou:

– Que é isso, cara? A tua casa é nessa rua, mas dobrando à esquerda...

– Eu sei, meu mano, eu sei! – explicou Alderico. “Mas nós não vamos lá em casa não. Nós vamos passar primeiro ali na casa da mãe Ângela de Iansã, chegada recentemente de Codó, no Maranhão. Ela é uma cartomante poderosa e a única pessoa capaz de colocar vidência e descobrir o paradeiro do teu violão...”

Nunca mais o velho Alhambra foi encontrado.

2
Mestre Carlito estava acompanhando Chico da Silva em uma excursão pelo Pará, tocando em cada um dos 5 mil garimpos de Itaituba e aproveitando as horas de folga para fazer um arranjo diferente para uma nova música de Rinaldo Buzaglo.

Numa manhã de domingo, o cantor parintinense foi participar de uma animada “pelada” com os garimpeiros do “Vai Quem Quer” e o violonista ficou sozinho no saguão do hotel, tentando tirar novos acordes para a música do Rinaldo.

Depois do café da manhã, Mestre Carlito se sentou numa mesa perto da piscina do hotel e continuou entretido naquela tarefa de tirar acordes dissonantes do seu instrumento, quando, numa mesa ao lado, dois garimpeiros mortos de bêbados começaram a discutir. Um deles foi peremptório:

– Olha, caralho, a gente não precisa ir muito longe não! – explicou o sujeito, visivelmente irritado, colocando com estardalhaço um revolver Taurus calibre 38 cano longo em cima da mesa. “Todo vascaíno que eu conheço é ladrão, corno, viado, maconheiro, filho da puta, bandido, mau caráter, trambiqueiro, nojento, safado, vagabundo, trampolineiro, vigário, qualira e tem a mãe na zona! Eu tenho nojo de vascaíno! Não posso ver um vascaíno que tenho logo vontade de passar bala. Ô raçazinha de filhos da putas, essa dos vascaínos!”

Aí, virando-se subitamente para o músico, questionou:

- Você não concorda, parente?

Vascaíno até a alma, Mestre Carlito teve que concordar, assentindo alegremente com a cabeça.

3
Morador do conjunto Beverly Hills, o violonista Altairzinho tinha um pastor alemão chamado Ringo, que ganhou esse nome porque era tão ou mais violento quanto o famoso pistoleiro do cinema: o cão “não perdoava, matava!”

E matava qualquer coisa que tivesse vida própria e entrasse em seu campo de ação.

Num determinado domingo, Mestre Carlito e Rinaldo Buzaglo estavam enchendo a cara no boteco de um posto de gasolina, próximo do conjunto Santos Dumont, quando bateu uma saudade inexplicável do Altairzinho.

– Vamos fazer uma serenata pro Altairzinho, compadre? – propôs Rinaldo.

– Só se for agora! – devolveu Mestre Carlito.

Eram quase cinco horas da manhã de segunda-feira. Pra lá de Marrakesh, os dois entraram no fusquinha de Rinaldo e rumaram para o conjunto Beverly Hills. Lá chegando, pularam o muro da casa.

Mestre Carlito retirou a gaita do bolso, se agachou embaixo da janela de Altairzinho e começou os primeiros acordes de “Diamante cor-de-rosa”. Rinaldo entrou com o violão, logo na seqüência.

Ouvindo aquilo, Altairzinho abriu a janela e acendeu a luz com o coração apreensivo: se Ringo escutasse aquilo iria estraçalhar os “invasores”. Ele quase caiu pra trás, com a cena.

Ainda agachado, com uma das mãos Mestre Carlito tentava afastar as patas de Ringo dos seus ombros – enquanto o cão insistia em lhe lamber o rosto – e com a outra mão livre continuava soprando a gaita.

Para Altairzinho só havia uma explicação: no fundo, no fundo, o seu violento pastor alemão nutria um desejo secreto de ser guia de deficiente visual.

E se Mestre Carlito não fosse cego, com certeza teria saído correndo com a aparição do famigerado cachorro.

Tudo pronto para o Boi Manaus


Mais de mil e duzentos profissionais foram mobilizados pela Prefeitura para garantir segurança e tranqüilidade ao público que for ao Sambódromo nas três noites de Boi Manaus.

O evento, cujo público tem sido superior a 100 mil pessoas por noite, começa às 20 horas desta sexta-feira (23) e vai até domingo (25), mas a equipe de trabalho, entre organizadores, artistas, ambulantes e seguranças, já está em ação há dois meses numa verdadeira engrenagem para que a festa seja um sucesso.

Serão vinte e nove artistas divididos nas três noites e em três trios elétricos, cuja potência de som será ampliada por uma estrutura que conta com cerca de cem técnicos e operadores.

Cada artista convoca seus músicos e dançarinos somando mais de duzentos profissionais.

Outros 150 dançarinos dos bumbás Garantido e Caprichoso estarão distribuídos em pontos estratégicos dos 400 metros de pista do Sambódromo dançando as coreografias das toadas.

A ManausCult terá uma equipe de 55 funcionários estrategicamente posicionados entre os camarotes, a concentração onde os trios são preparados e toda a área interna do Sambódromo.

A segurança contratada conta com 200 homens treinados para lidar com o público em grandes festas populares como o Boi Manaus que somados aos 220 funcionários da Guarda Metropolitana e aos 425 policiais militares à disposição da festa, em cada uma das noites, devem manter a tranqüilidade que tem marcado o evento há doze anos.

Equipes com 20 agentes do Juizado da Infância e Juventude ficarão responsáveis por não permitir o uso bebidas alcoólicas e evitar ocorrências entre jovens com menos de 18 anos.

O atendimento médico terá uma equipe de 15 enfermeiros e paramédicos preparados para qualquer tipo de ocorrências apoiados por duas ambulâncias e uma tenda para atendimentos leves.

Uma equipe de 130 “laranjinhas” coloca seu bloco na pista do Sambódromo às 4 horas da manhã com uma disposição invejável para garantir que o espaço do Boi Manaus esteja limpo para a segunda noite do evento.

Toada em ritmo techno é novidade do Boi Manaus

Nove DJs serão responsáveis por comandar a festa na tenda Eletro Bumbá Beats, a grande novidade programada pela ManausCult para o Boi Manaus que começa amanhã às 20 horas no Sambódromo.

Três DJs de São Paulo e seis amazonenses estão trabalhando há alguns dias na releitura de algumas das toadas mais populares dos bumbás Garantido e Caprichoso.

A ideia é experimentar e trocar a batida cadenciada tradicional das toadas por uma batida ainda mais forte, com ritmo eletrônico.

Conhecidos internacionalmente e badaladíssimos no cenário techno os DJs paulistas Ricardo Copini, Andy e Deepllick aceitaram o desafio e trazem os resultados de seu trabalho para a inauguração da tenda montada no lado direito da entrada do Sambódromo.

Os amazonenses Raid Rebelo, Graciano Rebelo, Renato Rocha, Pedro Gaiotto e Fernando Araújo responsáveis por algumas das mais animadas festas de Manaus também se revelam ansiosos para mostrar as toadas em ritmo tecno.

O novo espaço tem capacidade para mil pessoas e promete seduzir o público mais jovem.

Programação do Boi Manaus

Sexta-Feira (23/10)

20 hs – Carlos Batata e Cezar Pinheiro

21 hs – Boi Bumbá Garanhão

22 hs – Israel Paulain

23 hs – Prince do Boi

24 hs - Robson Jr.

1 h – Boi Bumbá Brilhante

2 h – Carlinhos do Boi

3 h – Klinger Araújo


Sábado (24/10)

20 hs – Fábio Casagrande e Tuãn

21 hs – Boi Bumbá Corre Campo

22 hs – Marujada e Grupo Kamayurá

23 hs – Zezinho Corrêa

24 hs – David Assayag

1 h – Ricardo Lyra

2 h – Jr. Paulain

3 h – Batucada do Garantido e Leonardo Castelo


Domingo (25/10)

19 hs – Hamiraldo da Mata e Fabiano Neves

20 hs – Helen Veras e Clécio Brasil

21 hs – Arlindo Jr.

22 hs – Renato Freitas

23 hs – Tony Medeiros

24 hs – Edilson Santana

1 h – Canto da Mata



Mais informações:

Assessoria de Imprensa – Boi Manaus

Contato: 3672-1599

quinta-feira, outubro 22, 2009

Uma fábula fabulosa


Filho de um tintureiro semi-analfabeto e de uma dona-de-casa com o primeiro ano primário, Gilberto Miranda nasceu em São José dos Campos (SP), em 1946. Garotão bonito, físico de atleta, ele chegou a Brasília em 1967 para tentar a vida. Arrumou emprego de professor de natação em uma escola pública de bom nome, CIEM. Fernando Collor de Mello e Paulo Octávio estudaram lá e foram seus alunos.

Entrou para uma faculdade particular, a única na época, o Ceub, e conseguiu diploma de bacharel em Direito. Em outro emprego, professor de natação do Iate Clube, conheceu um sujeito que mais tarde mudaria sua vida, Aloísio Campelo. Guardem esse nome que adiante ele entra em nossa história.

Praticante de artes marciais, Gilberto Miranda dava aulas de Natação durante o dia e trabalhava à noite como leão-de-chácara do restaurante Gaf, no Centro Comercial Gilberto Salomão, que se transformara em um badalado reduto de políticos, socialites e endinheirados.

Em virtude de uma queda de cavalo, o então Chefe do SNI, general João Figueiredo, sofria de dores intermináveis nas costas. No restaurante Gaf, ele ficou sabendo que o garboso leão-de-chácara também era um massagista de mão cheia. Gilberto começou a cuidar das dores lombares do general com técnicas de shiatsu, dando início a uma grande amizade.

Em 1973, Gilberto sacou sua carteirinha da OAB e anunciou que iria tentar a sorte grande no Rio ou São Paulo. “Vou arrumar um baú”, informou aos amigos, que caíram na gargalhada. Entenda-se por baú isso mesmo que vocês estão pensando: o mais do que manjado golpe do baú.

Chegou o bacharel primeiro ao Rio de Janeiro. Não deu certo. Mudou-se para São Paulo, onde o ajudou um antigo e rico amigo de piscinas olímpicas. Vivia ele de procurar no Diário Oficial empresários autuados pelo governo, INPS, Receita Federal, esses probleminhas menores. Detectada a presa, então se oferecia para resolver o assunto em Brasília, em contrato de risco.

Certo dia fechou um acerto com a Gentek. A empresa tinha mandado vir do Japão uma partida de contrabando de máquinas de calcular e os caixotes estavam detidos no depósito da Suframa, em Manaus.

Gilberto Miranda lembrou-se de que conhecia o chefão do órgão, o supracitado Aloísio Campelo, e foi lá tentar liberar a muamba, na maior cara-de-pau. Doutor Campelo gostava do rapaz e deu o toque: “Olha, quem fizer fábrica aqui em Manaus vai ficar rico”.

Com a frase na cabeça, Giba voltou para São Paulo com todo o contrabando legalizado sob o eufemismo de “mercadoria importada”. Logo depois, surgiu em sua vida um negociante, Mário Lander, representante no Brasil de uma indústria sueca de calculadoras, a Facit.

O hoje digníssimo empresário procurou-o para que apresentasse um projetozinho à Suframa para montar uma fábrica de calculadoras maquiadas. Era aquele tipo de empresa que queria importar tudo mais ou menos pronto, contratar uns peões para apertar uns parafusos e pregar a etiqueta “Made in ZFM”.

“Sabe, sei que o cara lá é seu amigo...”, insinuou Lander. Gilberto Miranda topou o desafio, com uma exigência. Não queria pagamento em espécie alguma. “Quero ser sócio”. Hoje ele conta: “Eu não tinha um puto no bolso. O cara foi embora e três dias depois voltou, aceitando o negócio”.

Foi isso que Gilberto Miranda fez a vida inteira. É disso que vive até hoje. Detecta indústria que estão a fim de montar fábricas em Manaus e consegue a liberação dos projetos em troca de participação acionária.

Conseguiu levar, segundo sua própria contabilidade, cerca de 250 empresas para a Zona Franca e aprovou uns 200 projetos. Vende as ações quando estão valorizadas e gasta a grana comprando bens de neo-pobres. Já foi sócio de Dílson Funaro, Mathias Machline e ainda é sócio de Mário Amato, entre outros.

Retornemos àquele início de vida. O general Figueiredo foi responsável por introduzir seu novo massagista particular no mundo empresarial paulista. Em 1974, outro fato relevante surgiu para alavancar nosso herói emergente: apareceu o “baú”.

Ele conheceu a socialite Ana Alicia Scarpa, filha de Don Nicolau Scarpa e prima do playboy Chiquinho Scarpa. Casou-se com a moça rapidinho e tratou de fazer de cara seus herdeiros. Nasceram duas meninas.

Nessa mesma época, ele também conheceu o jornalista e advogado Orestes Quércia, que acabara de deixar a Prefeitura de Campinas. Os dois montaram um escritório de advocacia na Avenida 9 de Julho, em São Paulo.

Quando o general Figueiredo assumiu a presidência, em 15 de março de 1979, a carreira de lobista de Gilberto Miranda começou a deslanchar. Seu escritório de advocacia foi encarregado de fazer a renegociação das dívidas que os grandes conglomerados industriais do País tinham com o extinto INPS.

Com carta branca para estabelecer novos prazos para pagamento parcelado das dívidas (50, 100, 150 ou 200 anos, com juros de pai pra filho), aquilo foi uma moleza semelhante a pescar em balde. Quando as renegociações terminaram, Miranda era um novo milionário.

Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito.

O senador declara possuir uma ilha em Ilhabela (5 milhões), uma casa de campo (5 milhões), duas casas no Jardim Europa (3,5 e 2 milhões), um jatinho Lear Jet 36 (2 milhões), quatro fazendas em São Paulo (preços incalculáveis), oito carros importados (1 milhão), parte menor de um patrimônio total de R$ 1 bilhão e faturamento anual de 600 milhões em cerca de 20 empresas.


Ainda nos anos 80, Gilberto Miranda começou a se interessar pela política local. Em 1986, ele foi primeiro suplente do candidato ao senado Carlos Alberto Di Carli, tendo investido R$ 2 milhões na campanha. Depois de eleito, Di Carli se licenciou durante 120 dias para que Gilberto Miranda assumisse o senado pela primeira vez.

Em 1990, quando Gilberto Mestrinho disputou o governo do Estado pela terceira vez, Gilberto Miranda foi escalado como primeiro suplente do ex-governador Amazonino Mendes, candidato ao Senado. Investiu R$ 4 milhões na campanha.

Quando Amazonino renunciou ao mandato, em 1992, para disputar a Prefeitura de Manaus, Gilberto Miranda assumiu a vaga e seis anos de mandato.

Em 1996, o ex-massagista era senador do PMDB e contavam com seu voto para eleger o peemedebista Íris Rezende presidente do Senado. Rezende disputava com Antonio Carlos Magalhães, do PFL.

De repente, sem que até hoje se saiba o porquê, Miranda bandeou-se para o PFL. Garantiu a vitória de ACM e caiu-lhe nas graças, até a morte do babalorixá baiano.

O senador sem voto foi relator do orçamento da união, do polêmico projeto Sivam e do novo Código Brasileiro de Trânsito. Teve atuação destacada na CPI dos Precatórios.

Foi dele o projeto que propôs a extinção dos juízes classistas e o que propõe a legalização dos jogos de azar, dois entre dezenas dos que apresentou.

Em 1998, Gilberto Miranda foi o segundo suplente do candidato a senador Gilberto Mestrinho (o primeiro era o ex-deputado federal João Thomé, filho de Mestrinho).

O empresário investiu R$ 5 milhões na campanha e por muito pouco o candidato petista Marcos Barros, ex-reitor da Ufam, não conquistou a vaga.

O derramamento de grana no interior para reverter o quadro (Marcos Barros havia colocado uma diferença de quase 100 mil votos em Manaus) até hoje ainda tira muita gente do sério.

Em novembro de 2004, Gilberto Miranda assumiu a cadeira de senador pelo Amazonas, em lugar do titular Gilberto Mestrinho (PMDB), que se licenciou por motivo de saúde até o dia 31 de março de 2005.

Miranda ocupou o lugar de Mestrinho porque o primeiro suplente, João Thomé Mestrinho, também se licenciou por motivos particulares. Aquela foi a terceira vez que Miranda assumiu uma cadeira no Senado sem ter tido um único voto.

De quase tudo em que o senador sem votos se meteu surgiram denúncias de interesses ocultos. No caso Sivam, Gilberto Miranda foi citado no diálogo grampeado entre o embaixador Júlio César Ferreira Gomes e o empresário José Affonso, dono da Líder e representante da Raytheon no Brasil.

Ambos reclamavam que o senador, alegando irregularidades, dificultava as coisas para a empresa americana. “Você já pagou para este cara?”, perguntou, na conversa gravada, o embaixador a José Affonso. O “cara” era Miranda, que negou tudo.

No caso dos precatórios, o senador foi citado como defensor dos interesses de Paulo Maluf e Celso Pitta, ex-prefeitos de São Paulo. Em troca, teria direito a ingerências na prefeitura na gestão Pitta.

Quando rompeu com o marido, Nicea Pitta citou Miranda. “Ele pressionava o Celso para que a prefeitura pagasse as dívidas da OAS, construtora do genro de Antonio Carlos Magalhães”, mantém Nicea até hoje.

O último imbróglio envolvendo Miranda foi o chamado dossiê Cayman – papelada falsificada sobre suposta empresa e depósitos em paraísos fiscais que seria uma sociedade entre os tucanos Sérgio Motta e Mario Covas, além do ministro José Serra e do presidente Fernando Henrique.

O dossiê começou a circular, clandestino, no fim da campanha eleitoral de 1998. Só veio à luz depois da eleição de Fernando Henrique. As primeiras citações a Miranda registram um suposto encontro com o advogado Marcio Tomaz Bastos, representante do PT (e ex-Ministro da Justiça do presidente Lula), quando teria exibido o dossiê.

O advogado teria convencido a direção do partido a não usar a papelada e teria prometido segredo sobre o encontro com Miranda, que negou qualquer envolvimento.


Em 2007, Gilberto Miranda se casou com a estilista Caroline Andraus Lane – sócia da grife de moda praia Beach Couture –, numa festa de arromba.

Os padrinhos eram ilustres personagens do cenário político nacional, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana Sarney, acompanhada pelo marido, Jorge Murad.

Entre os 300 exclusivíssimos convidados, o publicitário e apresentador Roberto Justus e a atriz Ticiane Pinheiro, a estilista Cris Barros, a modelo Mariana Weickert, o publicitário Nizan Guanaes e a empresária Donata Meirelles, o cantor Paulo Ricardo e a arquiteta Raquel Silveira e Marina Mantega, filha do ministro da fazenda Guido Mantega.

Naquele mesmo ano, a Fundação José Sarney recebeu R$ 300 mil de uma empresa de fachada, a KKW do Brasil, que representa duas “offshores” (firmas no exterior), com sedes na Inglaterra e no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Apesar de ter capital social de R$ 80 milhões (cifra de uma empreiteira de grande porte), a KKW não tem negócios visíveis, site ou sede própria.

Seus endereços e telefones correspondem aos da casa e do escritório de Gilberto Miranda em São Paulo, onde funcionam outras firmas atribuídas ao ex-senador, igualmente registradas (integral ou parcialmente) em nome de “offshores”.

As “offshores”, em especial as que têm sede em paraísos fiscais, são costumeiramente usadas para repatriar dinheiro que deixou o país de forma ilegal, em regra via doleiros.

Resumo da ópera: às vezes, ser um simples massagista pode transformar alguém em bilionário da noite pro dia. Basta que ele obtenha os contatos certos na hora certa. Comecem a aprender shiatsu, homeboys!

quarta-feira, outubro 21, 2009

Antologia Poetatu no Palacete Imperial


O poeta e agitador cultural Marco Gomes está convidando os interessados em “poesia, diversão e arte” a comparecerem nessa sexta-feira, a partir das 19h, no Palacete Imperial, ali na Praça da Polícia, para prestigiarem o lançamento da nova antologia poética “Poetatu”, dedicada ao saudoso Aníbal Beça.

Entre os autores presentes na antologia estão Dori Carvalho, Carlos Araújo, Celestino Neto, Inácio Oliveira, Jersey Nazareno, Marcos Castro, Aldisio Filgueiras, Anisio Mello e Almir Graça.

Além de birita “de grátis”, vai rolar um show do cantor Cileno e a apresentação do humorístico “O Mais Boiola de Todos”, do grupo Guadalupe de Monserrat.

Segundo o poeta Zemaria Pinto, que também está participando da antologia, “o Poetatu é, antes de mais nada, um gesto de rebeldia. Uma manifestação de independência, buscando mostrar aos que se acham donos da cultura amazonense que, quando um quer, todos partem pra porrada.

Mas é também um brinquedo, o lance lúdico da poesia, que não abole o ocaso... (atenção, revisão: é ocaso, mesmo)

O Poetatu, por fim, é a retomada de um tempo em que não tínhamos certeza de nada - exatamente como agora, ou melhor, como sempre.

Despimo-nos das máscaras cotidianas e encaramos a fantasia de ser poetas: desfilar nus, para desespero do rei...”

Eu estou participando da antologia com alguns poemas porno-eróticos dos livros "Mulheres", "Matou Bashô e foi ao cinema" e "Guarânia com guaraná".

A antologia será distribuida gratuitamente.

Quem perder é mulher de padre!

Joana Doceira: quem tivesse um tostão guardava para ela


Amaral Cavalcante (*)

Joana Doceira vendia iscas de mamão cristalizado, jenipapo seco, umas balas de mel pegajosas e doce batido em tacho de cobre.

O de batata vinha com grânulos esquisitos, o de goiaba açucarava em cima. Agora, no de araçá, o azedinho enganoso de fruta mal lavada até que compensava.

Mas só a meninada lhe fazia freguesia.

É que tinha também um quebra queixo briguento, impossível de morder por cariados e banguelas, inesquecível.

Do tabuleiro lodento ela extirpava com certo esforço uma lasquinha do doce e competia a nós, meninos de Simão Dias, brigar a ferro e foice para degustá-lo com a precária dentição que, descuidada, doía-nos em cáries e incomodações.

O quebra-queixo na boca resistia um tanto, mas ia liberando pouco a pouco os seus mistérios de açúcar: lembranças de cocadas velhas, tons longínquos de maria-mole e sobressaltos de baunilha.

Joana Doceira deixava restar no quebra-queixo o gosto primordial da maravilha: o sabor de goiabas amassadas, um gosto de chão arrematado nas frutas do quintal, maduras de preguiça e alumbramento.

Ficava no oitão da minha casa a venda dela, que nem platibanda tinha. Lá dentro, após o batente de ardósia polida por gerações de pezinhos, um escuro balcão paupérrimo de festa.

Prateleiras destroncadas expunham pucumãns e intrincados alfenims de bosta de mosca. Falanges de baratas bêbadas crocritavam babadinhos de celofane, tão senhoras de si que pareciam coadjuvantes, aprendizes da cozinha se apresentando à rara freguesia que chegava com seus tostões em punho.

Sá Joana Doceira estava muito velha!

Tínhamos que gritar três vezes e esmurrar o balcão com vigorosos chamamentos para que, lentamente, balançando os peitões e arrumando a carapinha, Sá Joana aparecesse.

Adernava a bundona enorme, parcamente disfarçada num camisolão de madrasto. Vinha desentalando os panos do fiofó, certamente imundo, enquanto abria um sorriso de negra velha com o olho derramado em nossos dez tostões.

Um dia fui além do balcão. Tinha vontade de ver os armários de imundície de onde imergiam o corrompido sabor dos meus doces queridos.

Desci dois degraus. No catre à esquerda, lençóis sujos. Na parede, uma Senhora Sant’Ana ensinava Maria a rezar. Um cotoco de vela na prateleirinha pedia por Joana, que adjutórios quereria ela?

Depois, a cozinha: trecos, pandarecos, um fogão de lenha crepitando aceso cozinhava doces. Mais eis que daí uma meia porta de tramelas fáceis me acessou o quintal!

Esta crônica chega até aqui para maravilhar o leitor. O quintal de Joana era um segredo palato, guardado nas assombradas cavernas da infância de qualquer um.

Sombreado de goiabeiras e romãns, tomado pela natureza afável dos quintais recônditos, era um lugar de sonhos. Um pé de maracujá guerreava com as telhas sob as bênçãos de um sapotizeiro, tão velho quanto a cristandade. No chão, acompanhando o rego de águas detritas, a colorida procissão de cravos.

Lá longe, ao pé da cerca, uma roseira tenaz ria de tudo, com seu cheiro de amor e rococós de pétalas. Um pé de abacate havia, goiabeiras perebentas, uma floresta de araçá.

Dois mamoeiros heráldicos e uma jenipapeira decente sombreavam verbênias de vários matizes, e adálias de tronco esguio perguntando vida a dezenas de enxeridas margaridas, doidas pra serem colhidas. Elas sim, que se multiplicam elegantes e satisfeitas margaridam a vida.

Nunca voltei de lá. Fiquei no mundo doce de açúcares imemoriais onde Joana vivia a inventar paladares. Bruxa velha, imunda e boa, a Joana Doceira dos meus sujos sabores.




(*) Amaral Cavalcante é jornalista, poeta e boêmio. Contatos através do email: folha.da.praia@terra.com.br

segunda-feira, outubro 19, 2009

O araçari do poeta


Lendo este post sobre o araçari do Altino Machado, me lembrei de uma história ocorrida há um bocado de tempo.

Tarde de sábado, em algum mês de 1985. A gente estava bebendo animadamente no “Recanto dos Crocodilos”, na casa do Aníbal Beça, quando fomos surpreendidos pelos gritos da Eugênia: uma cobra cipó havia invadido os domínios do poeta e avançava solertemente em direção à piscina.

Munido de um pedaço de pau, Aníbal Beça expulsou a invasora de volta para seu pântano particular – um verdadeiro matagal cheio de detritos, piuns e muriçocas, que começava nos fundos da residência do poeta e supostamente pertencia ao clube Guanabara.

Para evitar futuros acidentes, Aníbal Beça resolveu urbanizar o pantanal – e seu quintal foi aumentado em cinco metros.

Na nova área, ele e Eugênia plantaram diversas palmeiras (açaí, buriti, bacaba e patauá), árvores frutíferas, plantas medicinais e criaram um pequeno canteiro de rosas. O novo pomar afugentou as cobras, piuns e muriçocas.

Muitos anos depois, algum vizinho invejoso e dedo-duro (Odivaldo Guerra? Mauro Lima? H. Dias?) resolveu denunciar a presepada ao clube Guanabara e os diretores do clube entraram com uma ação de reintegração de posse contra o Anibal.

Ao mesmo tempo, convocaram seus acólitos para orquestrar uma campanha de difamação do poeta pelas páginas dos jornais. Nas várias colunas sociais, colunas políticas e colunas de opinião dos jornalões, Aníbal Beça passou a ser chamado de “latifundiário”, “invasor de terras alheias” e outras cretinices do gênero.

Munido de fotos aéreas (para mostrar que ele havia construído um oásis no meio de um pântano, já que o clube do Guanabara insistia em utilizar aquela área como lixeira viciada das casas de veraneio existentes em seu próprio terreno), Anibal foi se defender na Justiça. Eu e Antonio Paulo Graça éramos suas testemunhas.

A argumentação era de que se tratavam de terras devolutas, pertencentes ao estado, e que o poeta estava se valendo do instrumento do usucapião para tomar posse e urbanizar o lugar, até então um foco permanente de doenças.

Em agosto de 1993, enquanto a briga corria nos tribunais, o pomar do poeta estava cada vez mais bonito e atraía vários pássaros. Um tucano araçari começou a aparecer diariamente no local para se fartar dos frutos de buriti. Virou o quindim do poeta.


Naquele mesmo mês, Aníbal Beça ficou sabendo pelos jornais sobre o episódio conhecido como “Massacre do Haximu” e entrou em uma depressão de dar dó (o “brujo” sempre teve uma verdadeira simpatia pelos nossos índios).

Denunciado à Funai em agosto de 1993 pelos próprios yanomami, o massacre do Haximu foi mais um dos muitos nefastos episódios decorrentes da invasão da terra indígena por garimpeiros.

À época do massacre, estimava-se que aquela escaramuça dos invasores tivesse eliminado cerca de 70 índios, ou seja, praticamente todos os habitantes de duas malocas no Haximu, localizadas próximo à fronteira do Brasil, na Venezuela.

Após semanas de informações desencontradas e grande comoção nacional e internacional, um levantamento feito pelo antropólogo Bruce Albert, da Comissão Pró-Yanomami, constatou tratar-se de 16 yanonami, majoritariamente mulheres, velhos e crianças, mortos a tiros e golpes de terçados (facões).

O número de mortes só não foi maior porque grande parte da população do Haximu estava concentrada em outra maloca para a realização de rituais.

Segundo relatos recolhidos pelo antropólogo, a ação foi planejada por empresários de garimpo conhecidos em Roraima que, após o massacre, evadiram-se da área.

Baseado em detalhados relatos dos sobreviventes, Albert estimou que 14 garimpeiros protagonizaram a chacina.

Entretanto, apenas a metade pôde ser identificada pelos apelidos e codinomes e cinco foram condenados. Eles continuam presos até hoje por crime de genocídio.

Para sair da depressão, Aníbal Beça escreveu um poema em que associava o araçari que freqüentava seu pomar à alma de um dos indiozinhos mortos no massacre.

Alguns anos depois, o poema seria musicado por Armandinho de Paula e se transformaria em uma das composições mais conhecidas do poeta:

Sunimá Muiritepê
Curumim yanomami
Quer brincar com araçari
Mas o tucano pequeno
Fugiu do fogo da mata

Araçari do bico de ouro
Voou voou no vento de arribação

Comeu cajá no Mucajaí
Parou em Caracaraí
Foi beber água no Tarumã

Conheceu outra selva
Estranha no seu mormaço
E pousou num buriti
Araçari do papo azulado
Traz a chuva e leva o sol
Vem bincar no meu quintal
Clarear o meu lençol

No bico trouxe um açaí
Prenda roxa pra chunhantaí (Bis)

Quanto ao processo na Justiça? Bom, a ação foi julgada pela então juíza Graça Bandeira, que deu ganho de causa ao poeta.

Aníbal Beça aproveitou para estender seus domínios até às margens do igarapé (hoje conhecido como “Passeio do Mindu”), no que foi rapidamente seguido pelos demais moradores do conjunto Débora – incluindo, possivelmente, o vizinho invejoso e dedo-duro. Acontece.

Semana de C&T – Projeto Memória da Ciência e da Cultura na Amazônia


De hoje até sexta-feira, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, serão apresentados no hall do restaurante do INPA, cinco documentários do Projeto Memória da Ciência e da Cultura na Amazônia, da Associação dos Pesquisadores do INPA (ASPI). Cada documentário terá duas sessões diárias: às 12h15 e às 13h15.

O Projeto Memória da Ciência e da Cultura na Amazônia tem o objetivo de legar às atuais e futuras gerações a memória e a experiência de cientistas e artistas que produziram (ou produzem) o essencial de seus trabalhos na Amazônia.

Para tanto, são produzidos documentários em vídeo e catalogados e digitalizados os acervos pessoais e institucionais (fotográficos, iconográficos, fonográficos) dos pesquisadores e artistas seniores com gravação de depoimentos, destes, e de seus contemporâneos.

Já foram produzidos seis documentários com pesquisadores do INPA e gravados materiais para outros quatro. Paralelamente foram digitalizadas mais de 3 mil fotografias e documentos de acervos institucionais (INPA, Assinpa, ASPI) e pessoais. Os documentários ainda não foram apresentados nas TVs.

Inicialmente o Projeto Memória se voltava exclusivamente para os cientistas, mas agora passou também a tratar dos produtores culturais.

A incursão do Projeto Memória na área cultural vem sendo facilitada pelo bom relacionamento da ASPI e Assinpa com os artistas locais dado o grande sucesso do Projeto Cultural Uakti (1989-) que é analisado - 20 anos depois de sua realização - pelo grande e saudoso Poeta Aníbal Beça (1946-2009) no mais recente documentário do Projeto Memória.

A ASPI possui um acervo de mais de mil fotos, recortes de jornal, folderes, cartazes, CDs e DVDs do músicos, poetas, atores, bailarinos, artistas plásticos, fotógrafos, jornalistas, políticos, pesquisadores e intelectuais freqüentadores do Uakti.

Em reconhecimento pelo seu trabalho a ASPI recebeu da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas uma moção de apoio pelo Projeto Memória e a mídia amazônica tem sempre prestigiado os lançamentos.


Veja abaixo uma sinopse do catálogo de produções da ASPI em parceria com a EDD Vídeo.

Reunião dos Pioneiros do INPA – Em comemoração aos 20 anos da ASPI (19/10/06), a direção da entidade reuniu sete dos fundadores do INPA para falarem sobre suas contribuições na institucionalização do INPA. Participaram: Afonso Celso Maranhão Nina, Dionísio Fernandes Coelho, Jerônimo Ferreira de Sousa, José Alberto Sampaio Nunes de Melo, Luiz Fernandes Coelho, Maria de Nazaré Góes Ribeiro e William Antonio Rodrigues.

Algenir Ferraz Suano da Silva (74 anos) – Partindo do zero, a Profa. Algenir ajudou a criar no INPA em meados do Século XX aquela que é hoje considerada a terceira maior biblioteca de Amazônia do mundo. Algenir foi fundamental para formar as primeiras gerações de biblioteconomistas do Amazonas e consolidou a trajetória de sucesso da Editora da UFAM (EDUA).

Antonio Azevedo Correia (67 anos) – Natural de ilha do Marajó (PA), seguiu a carreira do tio químico formado na Universidade de Cornell na década de 1950. Veio para Manaus ainda jovem onde fundou, no INPA, os estudos do papel, celulose e carvão vegetal. Azevedo fala da trajetória do INPA durante o período militar quando foi construído o campus atual do INPA.

Arthur Araújo Loureiro (75 anos) – Organizador da xiloteca do INPA (coleção de amostras de madeiras). É um dos maiores especialistas na identificação e uso comercial das madeiras e essências madeireiras da Amazônia.

Ilse Walker (77 anos) – Suíça, se dedica há 30 anos aos estudos da fauna de igarapé e é uma da maiores autoridades mundiais em Biologia Teórica. Critica a forma de se fazer Ciência hoje.Recebeu a Ordem Nacional do Mérito Cientifico.

“10 anos sem Glória” – Homenagem póstuma à pesquisadora Glória Regina de Souza Moreira (1961-1997), criadora e curadora da coleção de répteis e anfíbios do INPA e importante liderança política fundadora da Assinpa, ASPI e Sindsep-AM.

O Projeto Cultural Uakti analisado pelo Poeta Aníbal Beça 20 anos depois – No final da década de 1980, um movimento cultural reuniu durante 21 semanas na Assinpa o que havia de mais expressivo em Manaus em termos de poesia, música, artes plásticas, teatro, dança, expressões afros e artesanato indígena, integrando as comunidades artística e científica. Vinte anos depois o poeta Aníbal Beça (1926-2009) fala daquele período e da importância de se promover a integração entre ciência e arte. Tudo envolto em algumas centenas de fotos, cartazes, notícias de jornal e folderes daquele período.



Próximos Lançamentos:

William Antonio Rodrigues – Um dos maiores botânicos do Brasil e fundador dos estudos botânicos do INPA.

Em Preparação:

Teixeira de Manaus – O ícone da Música de Beiradão analisa o movimento beradeiro surgido na década de 1970 e que dominou os bailes ribeirinhos. (Recursos pleiteados junto à Manaus Cult).



Ficha Técnica

Projeto Memória da Ciência e da Cultura na Amazônia

Associação dos Pesquisadores do INPA – ASPI

EDD Vídeo

Idealização e Coordenação Geral – William Gama

Produção: Susana Freitas

Edição: Priscila Ribeiro e Jorge Edu

Animação Gráfica: R. Jovino

Digitalização: Newton Freitas e Alice Margareth

Capas: Carlos Palácio, Gabriela Moura, Vitória Frausin, Raymond de Sá



Maiores informações: William (3632-0512, 9134-9786) William@inpa.gov.br, aspi.inpa@gmail.com

sábado, outubro 17, 2009

Fogo destrói obras de Hélio Oiticica no Rio de Janeiro


Um incêndio destruiu, no final da noite de sexta-feira, parte da residência do pintor e arquiteto César Oiticica, irmão do pintor, escultor e artista plástico Hélio Oiticica, morto em 1980, aos 42 anos. A casa fica na região do Jardim Botânico, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio,

No local estavam cerca de 2 mil obras do artista. "Perdemos cerca de 200 milhões de dólares, mas esse não é o valor principal, o valor em dinheiro não significa nada. É uma perda que o mundo inteiro irá lastimar. A cultura brasileira ficou ferida. Eu me sinto pessimamente", disse César, em entrevista à Rádio CBN.

Viaturas do quartel de Humaitá foram deslocadas para a residência, mas ainda não se sabe o que teria causado o incêndio, que começou no primeiro andar da casa. Segundo a família, os bombeiros demoraram para chegar na casa e começar o combate ao fogo.

Hélio Oiticica tem entre suas obras mais importantes a "Tropicália", que inspirou e deu nome ao movimento cultural brasileiro que revolucionou a música, o cinema, o design, a moda e as artes do país nos anos 70. A obra faz parte da coleção permanente da galeria Tate Modern, de Londres, que adquiriu o trabalho em 2007.

O artista, que compareceu a uma escola pela primeira vez aos dez anos, teve sua formação influenciada pelo pai, José Oiticica Filho - um dos mais importantes fotógrafos brasileiros - e pelo avô José Oiticica, intelectual filólogo, professor, escritor e jornalista.

Em 1953, Oiticica começou a estudar pintura com Ivan Serpa, após tomar contato com a obra de Paul Klee, Alexander Calder, Piet Mondrian e Pablo Picasso durante a segunda Bienal de Arte Moderna de São Paulo. Em 1954, entrou para o Grupo Frente e junto fez a sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna.

Nessa época, Oiticica começou a conviver com artistas e críticos, como Lygia Clark, Ferreira Gullar e Mário Pedrosa. Sua obra desse período, entre 1955 e 1957, são pinturas geométricas sob guache e cartão, que resultou em 27 trabalhos nessa técnica, intitulados 'Secos', que foram expostos no Rio de Janeiro, na Exposição Nacional de Arte Concreta.


Em 1959, convidado por Lygia Clark e Gullar, integrou o Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro e passou a realizar pinturas a óleo sobre tela e compensado. São obras monocromáticas que incluem pinturas triangulares em vermelho e branco.

Também em 1959, o artista participou da quinta Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1960 trabalhou como auxiliar técnico de seu pai, José Oiticica Filho, no Museu Nacional.

A partir do início dos anos 60, Oiticica começou a definir qual seria o seu papel nas artes plásticas brasileiras e a conceituar uma nova forma de trabalhar, fazendo uso de maneiras que rompiam com a ideia de contemplação estática da tela. Surgiu aí uma proposta da apreciação sensorial mais ampla da obra, através do tato, do olfato, da audição e do paladar.

Entre as obras os "Penetráveis", criados para serem vivenciados (ou penetrados) pelo espectador. Nestas obras, o artista passa a criar espaços de convivência que rompem com a relação formal entre arte e observador e pedem presença ativa e distendida no tempo.

Parangolé


Em 1964, o artista aproximou-se da cultura popular e passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, tornando-se passista e integrando-se na comunidade do morro. Vem dessa época o uso da palavra "parangolé" que passou a designar as obras que estava trabalhando naquele momento.

Os primeiros parangolés se compunham de tenda, estandarte e bandeira e P4, a primeira capa para ser usada sobre o corpo. São obras que causaram polêmicas e ele definia como "antiarte por excelência".

Em 1965, o artista começou carreira internacional e realizou a exposição - Soundings Two - em Londres, ao lado de obras de Duchamp, Klee, Kandinsky, Mondrian, Léger, entre outros.

Em 1967, iniciou suas propostas supra-sensoriais, com os bólides da "Trilogia Sensorial", além dos penetráveis PN2 e PN3 que faziam parte da obra Tropicália, mostrada na exposição Nova Objetividade Brasileira, no MAM, Rio de Janeiro.

Em 1972, usou o formato super 8 e realizou o filme Agripina é Roma - Manhattan. O cinema passou a ser uma referência, e em 1973 criou o projeto Quase-cinema, com a obra "Helena inventa Ângela Maria", série de slides que evocam a carreira da cantora Ângela Maria.

Uma nova série de penetráveis intitulados Magic Square e os objetos Topological ready-made landscapes foram mostrados na exposição Projeto construtivo brasileiro, MAM, Rio de Janeiro, em 1977. Em 1979, criou o seu último penetrável chamado "Azul in azul". Neste ano, Ivan Cardoso realizou o filme "HO", retratando a obra de Hélio Oiticica.

No dia 22 de março de 1980 o artista morreu após sofrer um acidente vascular cerebral no Rio de Janeiro.

Palavra de índio!


1
Em 1995, uma epidemia de cólera na aldeia Belém do Solimões, em Tabatinga, vitimou nove tikunas.

A Equipe de Saúde Indígena (Esai) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) esteve no local e constatou que os índios consumiam as águas sujas do rio Solimões, sem nenhum tipo de tratamento.

Análise feita na água dos igarapés que cortavam a aldeia atestou que eles também estavam contaminados pela bactéria intestinal chamada escherichia coli.

Crianças com até cinco anos de idade eram as maiores vítimas da diarréia aguda provocada pela bactéria. Havia mais de 60 curumins com a doença.

Localizada num platô, tendo pela frente o rio Solimões e na parte de trás um pântano semelhante aos Everglades, da Flórida, a aldeia Belém do Solimões possui 3 mil tikunas que vivem, basicamente, da pesca.

É impossível produzir qualquer coisa, além de mosquitos da malária, naquele chavascal fedorento.

Os técnicos da Funasa prometeram colocar um poço artesiano no local, aplicaram o tratamento básico de água de superfície nos igarapés, ensinaram os tikunas a colocar hipoclorito de sódio na água para consumo humano e tomaram chá de sumiço. Nunca mais voltaram na aldeia.

Em julho de 1998, o candidato a governador pela oposição, Eduardo Braga, acompanhado do seu pequeno Exército de Brancaleone (o deputado Joaquim Corado, os vereadores Ari Moutinho, Bosco Gomes e Chico Preto, o levantador de toadas Arlindo Jr., o advogado Julio Pinheiro e o jornalista Eduardo Gomes), encostou o barco de campanha no porto de Belém do Solimões e foi recebido por um bando de tikunas de cara fechada. Há três anos eles aguardavam pela desforra.

Mal a comitiva subiu o barranco e colocou os pés na aldeia, o cacique deu logo a decisão:

– Sifô pra mintí, pode imbora...

Cinquenta guerreiros armados de bordunas cercaram os intrusos. Eduardo Braga tomou um susto. Foi um custo convencer o cacique de que ele não tinha nada a ver com a epidemia de cólera e diarréia que atingira a aldeia.

Os culpados eram o presidente Fernando Henrique Cardoso, que havia reduzido o orçamento da Funai para combater o déficit público, e o governador Amazonino Mendes, que abandonara os índios à própria sorte. Eles dois, explicou Eduardo, eram candidatos à reeleição.

Para mudar aquele estado de coisas, os tikunas teriam que votar nos candidatos da oposição: Eduardo pra governador e Lula pra presidente.

O cacique ouviu calado as ponderações do candidato e deu a decisão:

– Tikuna nué iguá branco, qui mente. Tikuna tem palavra. Nós vai votá nupusição. Vai votá sim.

Em setembro, Eduardo voltou à aldeia para garantir definitivamente os 1.235 votos tikunas. Ficou surpreso ao perceber um verdadeiro carnaval no platô, motivado por um pequeno trator (“jerico”) pilotado desajeitadamente por um tikuna.

Havia dezenas de índios encarapitados no veículo e uma multidão acompanhava aos gritos as idas e vindas do jerico pelas ruas da comunidade.

– Que diabo é isso? – questionou Eduardo, divertido.

– Ah, prisente do governadô Mazonino – explicou o cacique. “É do Tecero Chico. Veio junto furno de manioca pra fazê farini e antene pirabólica...”

– Mas vocês vão usar o trator aonde? O solo aqui não serve pra agricultura... – insistiu Eduardo.

– Vamo usá qui mermo. Só passeio. Aldeia gosta, curumim brinca, todo mundo alegri. Bom, muito bom – contra-argumentou o cacique.

– De qualquer forma, aquele nosso acordo ainda continua de pé, não é não, cacique? – desesperou-se Eduardo.

– Tikuna nué iguá branco, qui mente. Tikuna tem palavra. Nós vai votá no Mazonino e Frando Irriki. Vamo votá sim.

Eduardo deixou a aldeia bufando de raiva. Quando as urnas foram abertas, Amazonino e FHC obtiveram 90% dos votos da aldeia. Tikuna tem palavra.

2
Quase um mês depois, ainda ressabiado pela desfeita do cacique, Eduardo levou um susto quando o deputado Joaquim Corado o convidou para um encontro com os capitães tikunas da aldeia Campo Alegre, em São Paulo de Olivença.

– Não vou perder meu tempo lá não, Corado. Não quero mais papo com esses índios!

– Mas lá vai ser diferente – avisou o deputado. “Campo Alegre e Betânia são as duas principais comunidades de índios batistas do Solimões”.

– E daí?... Eu estou atrás de votos, não estou atrás de oração – explodiu o candidato, que já estava com os nervos à flor da pele.

Eduardo Braga acabou sendo convencido pelo argumento definitivo do vereador Bosco Saraiva, candidato a deputado federal:

– Porra, Dudu Nobre, pra quem já está no inferno, não custa nada dar um abraço no Diabo... Vamos lá, meu brother!

Depois de seis horas de voadeira, a comitiva chegou a Campo Alegre. A aldeia estava de ponta-cabeça. Índios brigando, índios discutindo, índios vomitando, índios tropeçando nos arbustos e se arrebentando no chão. Um verdadeiro inferno.

O contato do deputado Corado, um dos capitães da tribo, foi recepcionar a comitiva, completamente desolado:

– Discupa, deputado, num dá pra fazê reunião hoje não. Hoje é domingo, tá todo mundo truvisco. Tão até o tucupi de pajauaru. Mas pode deixá que nós vai votá em vocês...

Puto da vida, Eduardo não quis nem provar do pajauaru (cachaça feita de mandioca fermentada) oferecido pelo capitão. Aboletou-se na voadeira e tocou de volta para Tabatinga.

Quando as urnas foram abertas, Bosco, Corado, Eduardo e Lula, obtiveram 90% dos votos da aldeia. Tikuna tem palavra.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Nossos ídolos ainda são os mesmos!


Cena 1

Ontem à noite, depois de me enfastiar assistindo Brasil e Venezuela, escrever alguns causos políticos para um novo livro e derrubar quinze garrafas de antarcticas, resolvi enviar um e-mail pro Millor Fernandes. Transcrevo abaixo:

Caríssimo Millor Fernandes

Antes de mais nada, gostaria de agradecer por aquela notinha simpática com que você resenhou o Manual do Canalha em sua coluna, na revista Veja.

Para mim, caboquinho perreché aqui de Manaus, foi mais ou menos como ter recebido o Nobel de literatura.

Na qualidade de seu fã de carteirinha desde 1973, quando adquiri a pequena obra-prima “Trinta anos de mim mesmo” (editora Nórdica) e de lá pra cá não parei mais de comprar seus livros, só senti alegria semelhante quando o saudoso Fausto Wolff esteve aqui na taba e falou que eu era uma espécie de sua “alma gêmea”.

Ter sido elogiados por dois humanistas da estatura de vocês já é suficiente para eu entrar no Paraíso chutando a porta do saloon.

Mas vamos ao que interessa.

Negócio seguinte.

Devido a quantidade de gente que andou entrando em contato com a editora (o livro estava esgotado desde 1998, mas você foi mexer nos maribondos), o Zemario Pereira, da Topbooks, quer fazer uma nova edição do Manual do Canalha. E também quer colocar aquele seu comentário na nova edição.

Assim sendo e se não for pedir muito, você nos autorizaria colocar aquela notinha simpática que saiu na Veja na quarta capa do livro, com os créditos devidos?

Como sei que você continua tão ocupado quanto no início da carreira (e já faz um bom tempo, né não?), não quero tomar seu tempo e despeço-me, aguardando ansiosamente uma resposta positiva.

Abracadabraços fraternos

Simão Pessoa



Cena 2

Depois que o porre amainou, fiquei matutando:

Caralho, fiz a maior cagada! O Millor é um cara super ocupado, deve receber uns trocentos e-mails por dia e ainda aparece um zé-mané lá de Manaus para encher seu saco... Porra, esse negócio de usar internet cheio da truaca é a maior roubada... Que merda!

Bom, apesar de cair na real, fiquei com vergonha de pagar um novo mico pedindo desculpas pela impertinência anterior por meio de um novo e-mail. Preferi ir dormir.


Cena 3

No começo da tarde, fui abrir a caixa de e-mails e lá estava o Millor me respondendo. Transcrevo abaixo:

Claro que a resposta é positiva, Simão. E se elogiei não estava fazendo nenhum favor. É porque você realmente escreveu um negócio duca. E quem vai editar é o Zé Mário?. Pô, é um grande editor.


Conclusão

Se o Millor Fernandes já era meu ídolo desde a adolescência, vou agora entronizá-lo no mais alto posto de meu panteão supremo de gênios da raça!

Sorry, periferia!

As safadinhas encantadas de nossa velha infância

Se você tem mais de 40 anos, teve uma boa infância e gostava de HQs, é quase impossível que em algum dia de sua vida não tenha se deparado com a coleção “Clássicos Disney em Quadrinhos”, uma série de contos de fadas famosos (“Branca de Neve”, “Cinderela”, “Peter Pan”, “A Espada era a lei”, “A Bela adormecida”, etc) ricamente ilustrados pelos lendários desenhistas do estúdio Disney.

E se você era verdadeiramente espada-matador desde a primeira infância, também é quase impossível que não tenha tido sonhos molhados recorrentes com, digamos, a Sininho e aquele seu indescritível (e delicioso) saiote verde musgo. Sim, éramos docemente pervertidos desde pequenos, fazer o que?

Pois agora você já pode extrapolar seus desejos mais secretos com essa coletânea de fotos criadas por J-Scott-Campbell e coloridas por Bakanekonei, a cargo do estúdio Deviant Art. Pra ficar com mais tesão, clique nas imagens.

Dados os esclarecimentos necessários, mãos à obra. Mas não esqueça de trancar bem o banheiro e depois dar descarga no vaso sanitário, seu nojento!










Porque tenho ódio de Mahmoud Ahmadinejad

O aloprado presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, um ex-membro da Guarda Revolucionária – conhecida por exercer um forte controle ideológico no Irã – foi reeleito presidente há pouco tempo, ainda sob preocupações da comunidade internacional de que a sua posição de extrema-direita poderia minar as negociações da comunidade européia com o país, na tentativa de interromper o programa nuclear iraniano.

Em suma, trata-se de uma besta quadrada que só desperta simpatias em espécimes de sua laia.

Sua hostilidade contra o Estado de Israel veio à tona há seis anos, quando resgatou a idéia do aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã, e parafraseou sua descrição de Israel como “um tumor canceroso que deve ser erradicado”.

Suas palavras idiotas despertaram a reprovação da comunidade internacional e levaram Israel a ameaçar iniciar os trâmites oficiais para pedir a expulsão do Irã da ONU.

Além de ter condecorado o falastrão Hugo Chavez com a Medalha Suprema da República Islâmica do Irã e falar bobagens do tipo “fabricaram uma lenda sob o nome de massacre dos judeus, e dão mais importância a isso do que a Deus, à religião e aos profetas”, sugerindo que o holocausto não existiu, o maluco de plantão também faz coisas ainda mais abusivas e nojentas como mostram as fotos abaixo.

Olhem o que esses sacripantas fazem com as hóstias sagradas da civilização cristã, incluindo o sagrado Johnnie Walker Red Label. Um horror!

Sinceramente, dá ou não dá pra ter um ódio homicida daquele sacripanta aloprado e de sua merdalhenta guarda revolucionária?

Aliás, esses fio da égua tem mais é que se transformarem em homens-bomba e irem pra puta que pariu. Pronto. Desabafei.