65. No início de 1984, Rinaldo Buzaglo,
Celito Chaves, Edu do Banjo e Mestre Carlito viajaram para o Rio de Janeiro,
onde foram gravar o samba-enredo do GRES Sem Compromisso. As gravações foram
realizadas no estúdio Havaí, do respeitado produtor Bira Havaí, e contaram com
a participação de Dominguinhos do Estácio.
Era um compacto
duplo. De um lado o samba da Sem Compromisso e do outro um samba da Reino
Unido, que ainda era bloco de embalo. Os músicos entraram no estúdio na
segunda-feira de manhã e na terça à tarde já estavam acabando de finalizar a
“bolacha”.
Na
quarta-feira, Dominguinhos convidou os amazonenses para participarem de uma
roda de pagode que rolaria naquela noite, na quadra do bloco carnavalesco
Cacique de Ramos. Eles não se fizeram de rogado.
Por volta das
sete horas da noite, o quarteto já estava descendo de um táxi na quadra do
Cacique de Ramos e participando do fuá. Algumas horas depois, Mestre Carlito
chamou Edu do Banjo e indagou o porquê de Celito e Rinaldo estarem discutindo
tanto.
Bastante
gorozado, Rinaldo dizia:
– Assim que a
gente chegar em Manaus eu compro outro, meu compadre!
Mais gorozado
ainda, Celito rebatia:
– Mas não é a
mesma coisa, compadre, não é a mesma coisa...
– Deixa comigo,
compadre! – insistia Rinaldo. – Eu vou lá na Importadora Mundial e compro um
zerado, melhor do que aquele...
– Mas não vai
ter nenhum valor pra mim, compadre! – contestava Celito. – Pra mim, não vai ter
nenhum valor...
Edu entrou na
conversa:
– Êi, cara, o
quê que tá pegando? O Ademir Batera, o Bira Presidente, o Almir Guineto e o
Sereno estão ficando cada vez mais preocupados com essa discussão de vocês
dois. O pessoal do pagode já até parou de tocar. O quê qui tá pegando?...
Celito, quase
chorando, abriu o coração:
– Esse sacana
do meu compadre esqueceu o meu violão Alhambra, modelo C10, dentro do
porta-malas do táxi, Edu! Puta que pariu, Edu, aquele violão foi presente do
meu falecido pai. E eu ainda disse pra esse miserável não trazer o violão,
porque aqui tinha instrumentos pra todo mundo tocar...
– Mas aquele
violão tinha sido afinado por mim, compadre, e eu queria tocar nele! –
explicava candidamente Rinaldo. – Assim que a gente chegar em Manaus eu compro
outro, meu compadre! Eu vou lá na Importadora Mundial e compro outro,
igualzinho aquele! Pode deixar comigo!
– Eu sei
compadre, eu sei, mas não é a mesma coisa, compadre, não é a mesma coisa... –
insistia Celito. – Aquele tinha sido presente do meu velho pai...
A ladainha só
terminou em Manaus três dias depois. O violão Alhambra, claro, nunca mais foi
encontrado.

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