69. Fevereiro de 1978. Baile de Carnaval no Balneário Cetur, considerado um dos mais animados da cidade. No meio do fuzuê, o comerciante Luiz Paulo, fantasiado de tirolês, deixa sua esposa Ana Rita, fantasiada de odalisca, plantada sozinha na mesa e some no meio da multidão.
A
odalisca fica injuriada e começa a beber tudo a que tem direito. Com quinze
minutos, ela já está doidaça e começa a detonar o marido:
– Aquele Luiz
Paulo é um safado! Nem sei onde estou com a cabeça que também não saio por aí e
me agarro com o primeiro macho que aparecer...
O pessoal da
mesa ao lado, vendo a qualidade da mercadoria, começa a dar corda na odalisca.
– É, só mesmo
sendo muito safado pra deixar uma mulher linda como você sozinha aí na mesa...
– diz um pierrô.
– Aquele
cretino vai ver uma coisa, aquele cretino vai ver uma coisa! – repete a
odalisca, cada vez mais bêbada e injuriada.
– Homem não
presta, minha amiga, eles são todos iguais! – insiste uma colombina.
Nesse momento
chega o marido, que é interpelado rispidamente pela odalisca:
– Onde tu
andavas, cachorro? Já faz uma hora que você saiu pra fazer xixi!
A turma do lado
apura os ouvidos para acompanhar a discussão do casal, prevendo detalhes
interessante.
– Eu fui fumar
um cigarro lá fora! – informa o marido, sem muita convicção.
– Mentira!
Garanto que tu tava era se esfregando em alguma vagabunda por aí, seu cretino!
Eu te conheço, seu escroto! Tu tava mesmo era se agarrando com alguma
sirigaita, seu filho da puta! E depois, quando chega em casa, ainda quer
bundinha... Taqui pra ti! (e exibiu um majestoso cotoco)
A turma da mesa
ao lado caiu na maior gargalhada. O comerciante riu amarelo e depois sumiu de
novo no meio da multidão.

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