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quarta-feira, novembro 24, 2010

Como organizar uma suruba de classe mundial

Vamos começar pelo começo. Você resolveu patrocinar uma suruba? Ótimo.

Depois de definir o local e o clima, você só precisa contratar uma garota e um garoto de programa. Pra quê?

Bom, eles dois se infiltrarão na festa como um casal comum e, a um sinal seu, serão os primeiros a tirar a roupa e cair na gandaia.

Como é muito difícil manter a organização numa suruba – se fosse organizada, não seria suruba –, o casal de programa funciona como o “gatilho” da orgia.

Quando você sentir que há clima, dispare. A partir daí, é só relaxar e gozar.

Mas, se tudo der errado, não se desespere. No final, nós damos algumas dicas sobre o que você deve fazer se a suruba desandar.

Afinal de contas, quando a gente quer alguma coisa o universo conspira em nosso favor. Quem disse isso foi o Paulo Coelho. Você lê Paulo Coelho? Hummm...

Não se avexe. Como diria Chico Picadinho, vamos por partes.

Quem nunca deu uma suruba em casa é porque não quer que os convidados sujem e quebrem tudo, ou, então, tem medo de pagar um mico e cair em desgraça diante dos outros machos do seu círculo (sem trocadilho) de amizade.

De fato, não há nada pior do que uma suruba meia-boca, desanimada, que acaba cedo e não é comentada no dia seguinte.

Dá o mesmo trabalho para organizar que um bacanal do arromba (ops!) e, na noite em que acontece, acaba sendo um embaraço só.

Nós vamos dar a receita para uma suruba de sucesso.

Advertimos: não é coisa simples. Entretanto, a satisfação de ver sua casa cheia de gente bonita, dançando, flertando, transando, urrando, fungando, chupando e dando gritinhos de prazer compensa todo o trabalho preparatório.

Antes de tudo, precisamos definir o que queremos dizer com a palavra suruba. Claro que não é aquilo que se convencionou chamar de reunião social.

Uma reunião social na casa do jornalista Humberto Amorim, por exemplo, significa que as pessoas irão se encontrar, mas a música não passará de faixas obscuras de jazz em determinado volume, as luzes estarão bem acesas, vocês conversarão sobre vinhos franceses e charutos Cohibas e às 2 da manhã o último convidado já terá se retirado.

Há reuniões com comida e sem comida, mas todas elas terminam cedo e são bem comportadas, como as que rolam no Clube dos Discófilos Fanáticos.

Quem vai a uma suruba está pensando em comer, mas suruba não é exatamente um jantar.

Há jantares de todos os tamanhos e estilos – até jantares dançantes –, mas eles não são o que nós chamamos de suruba.

Para um macho de responsa, suruba é um encontro que começa às oito da noite, mas só acaba depois das 11h da manhã do dia seguinte, acontece na penumbra e ninguém é de ninguém.

Há que ter gente dançando com um som legal, gente beijando, gente bebendo, gente conversando e gente trepando animadamente.

Exige discrição dos presentes e uma fauna bem diversificada.

Gente bonita e glamurosa, na proporção de duas fêmeas para cada macho (os esquisitões presentes não contam), onde cinco fatores determinarão seu sucesso. São eles, em ordem de importância: convidados, local, bebidas, comida, som & vídeo.

Sim, suruba é parecida com uma festa rave na praia do Tropical Hotel.

A diferença é que na festa rave do Tropical Hotel ninguém come ninguém – com exceção dos seguranças, que sempre comem meia dúzia de pessoas na porrada.

Selecionando a audiência

A coisa mais importante para uma suruba fazer sucesso é garantir mais mulheres do que homens.

Não só isso, mas boa parte dessas mulheres terá de ser boa, bonita e gostosa.

Conseguindo isso, sua suruba certamente será um sucesso, porque o mulherio sarado atrai convidados da mesma forma que o cheiro do sangue atrai os espanhóis às arenas, as piranhas a uma rês ferida, e os críticos literários a um livro que eles não entendem.

Na real, acontece de muitas pessoas ligarem para o celular de quem já está na área para perguntar se tem muita mulher boa, bonita e gostosa disponível no pedaço.

Se a resposta for afirmativa, a suruba tornou-se obrigatória.

Se não, eles vão procurar outra suruba melhor.

Para quem tem dezenas de belas amigas, conseguir reuni-las não será muito difícil. Mas, se mulher bonita só entra na sua casa na foto de capa do CD da Jennifer Lopez, você terá trabalho dobrado para arregimentar as vacas.

Aí, não tem jeito: só resta apelar para aquele seu descolado amigo fotógrafo que agenda meninas de programa com poseur de modelos e ponto final.

Outra coisa importante: misture tipos diferentes.

Chame alguns canalhas de carteirinha, alguns biriteiros profissionais, alguns poetas minimalistas (poetas verborrágicos que gostam de declamar poesia laudatórias são, literalmente, o fim da picada!), alguns clubbers, alguns caras esquisitões, alguns publicitários, alguns playboys, alguns artistas e alguns certinhos – executivos, advogados, juízes, promotores, delegados, traficantes, prefeitos, secretários municipais, sindicalistas, o que for.

A variedade é o molho da suruba.

Evite convidar pessoas anti-sociais e travestis.

Não há nada mais deprimente numa suruba do que um cara se masturbando sozinho no canto da sala.

E travesti é que nem torresmo: pode até ser bom de comer, mas ninguém recomenda.

Os tipos seguintes, pelas razões expostas, não devem nem saber que você vai promover uma suruba: amigos jornalistas ou colunistas sociais. Eles vão espalhar o nome de todos os presentes e ainda inventar mentiras (“O Fábio Russomano? Deu pra todo mundo!”).

Amigos que ficam sentimentais depois que bebem (“Pô, shó eu que não thô comendo ninguém... Vochês shão todos uns canalhash!”).

Caras que tocam violão e que insistem em usar o instrumento em público (“Atenção, please! Atenção, please! Parem de gemer que agora eu vou cantar Bandolins...”).

O pessoal de Recursos Humanos da sua empresa (a não ser que você queira ser demitido por justa causa).

Qualquer um que seja de Ribeirão Preto (eles nãos sabem fazer suruba sigilosa. Filmam tudo, colocam na internet e depois dá o maior rolo).

Mulheres feias (raimundas têm o seu valor, mas catifundas, tribufus e mocréias não têm valor algum).

Gays não assumidos (Para estes há uma espécie de teste. Se o sujeito passa mais de três horas diárias na academia ou se ele reconhece que uma mulher está usando bolsa Prada, então tem boas chances de ser. Agora, se ele falar “essa festa é uó!”, “o DJ é um erro” e “essa calça é tudo”, pode ter certeza!).

O feng shui da orgia

Como você já deve saber, suruba precisa de espaço bem transado pra rolar legal.

Nada pior do que festa desorganizada, sem lugar pra sentar, deitar ou ficar de quatro.

Como bom anfitrião, é sua obrigação deixar seus convidados bem ajeitados – para que você também fique.

Por isso, esqueça mesas dobráveis, de pés finos e tampos de vidro. Elas poderão causar prejuízos materiais e, principalmente, decapitar ou capar alguém.

Prefira móveis sólidos como os de madeira certificada.

Espalhe grandes pufes pela sala: eles facilitam o encaixe das pessoas e podem ser movidos de lugar se o ambiente ficar congestionado.

Almofadas fofas são indispensáveis: são ótimas embaixo do joelho, para apoiar as costas e sabe-se lá pra que mais.

Sofás com encosto, só perto da parede, senão a visão da festa fica comprometida.

Espelhos, muitos espelhos! Por todos os cantos. Até no teto.

Tapetes felpudos são interessantes. Mas nunca em cores claras! Ninguém vai querer continuar se atracando em cima de manchas imensas de... bem, do que quer que seja.

Cadeiras são proibidas! Tendem a quebrar e fazer a galera tropeçar.

Evite tudo o que possa causar micos ou acidentes de percurso.

Se a suruba for rolar ao ar livre, compre tapetes antiderrapantes. Além de impedir que a galera escorregue como manteiga em frigideira quente, também evita joelhos ralados.

Mantenha várias toalhas, rolos de papel higiênico e de absorventes íntimos em lugares discretos e estratégicos. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Cuidado! Se os casais começarem a se atracar em volta da piscina, é bom que ela tenha camas infláveis: um cadáver boiando vai, definitivamente, cortar o tesão. A menos que tenha um necrófilo naquele trenzinho bem animado.

O bar do bacanal

Bebida não pode faltar nunca, em hipótese alguma. Precisa ser variada, pero no mucho.

Não se preocupe em arrumar suco de pêssego para os bellinis nem morangos para aquele seu amigo mala-sem-alça que, quando sai, só toma daiquiris.

O essencial é ter muito gelo, vodka, rum, tequila, pisco, conhaque, uísque (escocês, sempre. Whisk americano de milho, tipo Jack Daniel’s é coisa de viado!), água tônica, club soda, cerveja, cachaça, limão e açúcar para fazer caipirinha e coca-cola (light inclusive).

Se tiver energy drink para misturar com a vodka, melhor.

Se tiver vinho branco, ainda melhor.

O resto, se pintar, é lucro.

Saiba calcular a quantidade, para não comprar a mais e acabar estourando o limite do cheque especial.

Se você convidar 50 pessoas, irão à suruba entre 20 e 30. Então compre o suficiente para 30 convidados, que é o número máximo que pode aparecer.

Mande com o convite (mesmo que seja um bilhetinho transmitido por e-mail) uma observação no final pedindo aos machos que levem alguma bebida.

O inconveniente desse método é de não poder prever o que eles irão levar.

Se o tempo permitir, divida as tarefas, como no antigo “amigo secreto” da escola.

Peças aos seus amigos mais íntimos que levem, por exemplo, duas garrafas de uísque cada um.

Calcule que um ou outro chegará à suruba de mãos abanando e dirá que esqueceu.

Aos menos chegados, peça colaborações mais modestas, como um saco de gelo ou uma caixa de cervejas em lata.

Tenha um estoque de emergência para o caso de todos os seus amigos aparecerem de mãos abanando, com pelo menos meia dúzia de garrafas de uísque – a cerveja dá para comprar na loja de conveniência da esquina.

Qualquer barman vai querer tirar uma lasquinha das suas convidadas. Não contrate nenhum.

Deixe os birinaites dispostos sobre uma mesa bem forte. A gente garante que vai ser um dos locais mais procurados da festa.

Champanhe ou espumantes são fundamentais. Mostram que você é um cara sensível, sofisticado e que, imagina!, jamais pensaria que só por causa desse aperitivo sensual as mocinhas iriam liberar a franga.

Destilados são mais velozes na hora de destravar os tímidos. E é bom porque não incha a barriga e você não corre o risco de um golden shower (“cascata de mijo”) durante um cunnilingus mais caprichado.

Vinho é imprescindível para embriagar a mulherada. O único problema é que ele costuma levantar o astral, mas não o resto.

Se isso rolar com você (você toma vinho? Hummm...), comece uma dissertação sobre o radical de bacanal e ganhe tempo para o amigão se reanimar.

Arma latina: rum e coca-cola. Invente qualquer história sobre o nome da mistura (cuba libre, não esqueça) e diga: “Ah, isso me faz lembrar uma piada sobre um foguete cubano, mas deixa pra lá!”. Se ela rir com “Cuba lançando foguetes”, você está feito.

Gelo é indispensável: dá pra brincar de tobogã no corpo delas, serve para curar assaduras do amigão e pra atirar na cabeça de quem disser “aí não, meu, mais respeito!”

Ahã, você acha que não vai precisar beber nada durante o festerê? Espere um esquisitão chegar na moita e encostar em você, querendo sua opinião abalizada sobre o “Código de Da Vinci” (sim, é leitura de viado, claro. Você já leu e tem uma opinião formada a respeito? Hummm...).

Na pior das hipóteses, a melhor saída é dizer: “Escuta aqui, porra, eu vou ali buscar uma biritinha e não quero mais lhe ver pegando no meu pé, entendeu?...” (A palavra “pé” tem várias aplicações).

Para desopilar o figueiredo, energéticos são sempre bem-vindos. O perigo é tudo recomeçar rapidamente. Haja fôlego.

Água (inclusive com gás) é a salvação da lavoura. Água tônica também: nunca se sabe quando o estômago vai embrulhar.

Engov e afins são itens básicos. Se não tiver soro glicosado em casa nem souber como se faz soro caseiro (uma colher de chá de sal, outra de açúcar e meio litro d’água), armazene água de coco dentro da geladeira.

Pode fazer a diferença entre um coma alcoólico básico de um de seus convidados e o necrotério mais próximo.

Mas tem algumas bebidas que você não deve servir nem que lhe arranquem os colhões sob golpes de martelo.

Por exemplo, Keep Cooler. O nome já diz tudo.

Gim, porque deixa o cara de porre na segunda dose. Se um bimbo a dois já é difícil, imagine a três, a quatro, a cinco, com a cabeça cheia de gim. Só pode dar em merda.

Licores. Coisinha doce pode ser um elogio carinhoso para a perseguida da sua guria, mas, quando se trata de licores, é isso mesmo o que quer dizer “Êta coisinha doce da merda”... Dá ânsia de vômito.

Campari, Cinzano, Martini. Credo. Leia o que foi dito pra licores.

Batida de coco, nem fodendo. Se a garrafa cair, vai parecer que esporraram no mundo. Metade das mulheres mais pudicas vai sair correndo, com medo de emprenhar.

A comida do festim

É bom partir do princípio de que os convidados comem o que lhes é oferecido.

Se você comprar 10 sanduíches de metro, os 10 serão devorados. Se comprar 20, os 20 irão embora.

Compre apenas o suficiente para que ninguém passe fome. Isso significa uns 500 gramas de quitutes por convidados, no máximo.

Vá juntando os gramas relativos a cada aperitivo e faça o cálculo.

E nem pense em servir jantar: dá um baita trabalho, custa caríssimo e acaba engessando a suruba, porque nenhuma mulher vai ter pique de encarar um “frango assado” depois de traçar um pratarraz de paella valenciana.

Numa suruba, o mais importante é que todo mundo coma bem. Por isso, a comida deve ser leve.

Ninguém vai transar depois de comer feijoada ou maniçoba – mesmo que todas as suas amigas sejam cariocas ou paraenses.

Logo, trate de providenciar só comidinhas leves para a galera segurar a onda quando o rock rolar.

Melhor é providenciar quitutes que se possam comer com as mãos sem fazer sujeira, como canapés, bolinhos, sushis, sashimis, salgadinhos etc.

Sanduíches de metro, apesar de ficarem bonitos na mesa, fazem a maior sujeira, porque deixam vazar molhos e mostarda.

Se fizer questão, escolha recheios que fiquem firmes dentro do pão, como queijo, salame e presunto, em vez de ingredientes escorregadios, tipo salmão, patê ou requeijão.

Se estiver em dúvida, procure um bom bufê e peça sugestões de aperitivos.

Não estranhe se lhe sugerirem morangos silvestres com pimenta vermelha, abóbora confeitada com ameixas agridoces ou barcos de endívia com ovas de peixe. Recuse isso tudo.

Vá de aperitivos com mais chance de agradar a todos, como canapés de salmão com cream cheese, bolinhos de bacalhau, torradinhas, queijos (nada de gorgonzola, por favor!) e sanduíches de bisnaguinha, manteiga salgada, alface e peru.

A combinação pode soar estranha, mas faz um sucesso danado.

Outra coisa: calda de sorvetes de todos os sabores, mel e marshmallow têm grande utilidade.

Sendo que aquele tubinho da calda ainda pode servir para mais coisas depois...

Mas cuidado: é perigoso se cair em mãos inimigas.

Frutas leves e sugestivas, tipo uva itália, maçã, pêssego e banana-prata são bem-vindas.

A banana-prata também pode servir para um monte de outras coisas.

Nem pense em servir nozes.

Com elas vem o quebrador de nozes, e tudo o que possa servir de arma letal no meio da suruba deve ser evitado.

Evite também qualquer coisa com formato fálico, pela mesma razão.

Frituras também, nem pensar. Pode causar efeitos terríveis.

Outro alimento vetado deve ser ovos de codorna e amendoim.

Vai escancarar suas intenções e a festa vai ficar parecendo inferninho carioca do Posto Cinco.

Se a sua suruba for um sucesso, quando amanhecer o dia todo mundo já vai ter comido (ops!) bastante.

Guarde na geladeira, para o afterhours, coisas revigorantes e práticas, tipo sorvetes, refrigerantes, toddinhos e muita água.

Se tiver sopa de mocotó, melhor ainda.

O som da esbórnia

Você adora Cat Stevens cantando “With A Little Help From My Friends”? Bárbaro. Coloque o disco para tocar quando entrar no chuveiro de manhã. Na suruba, nunca – a não ser que queira pôr todo mundo para dormir.

O maior erro cometido por surubeiros amadores é teimar em tocar seu som predileto.

O importante é embalar quem está na pista de dança, ou seja, tocar músicas de que a maioria das pessoas goste.

E esse som que bota o pessoal para dançar muitas vezes não é o mesmo som que você ouve quando está sozinho em casa.

A mistura infalível é pop e house – que é a vertente da música eletrônica que mais se assemelha ao pop.

Não adianta torcer o nariz.

A palavra pop vem de popular – aquilo que agrada ao povo.

Quase todo mundo gosta de dançar ao som de Madonna, Prince e Michael Jackson. Fazer o quê? Inventar a roda?...

Antes de todo mundo querer dar pra todo mundo (esperamos que você não se inclua nessa categoria), a sua festinha animada é só uma festinha animada e, para virar uma esbórnia, ela tem um longo caminho, que passa, essencialmente, por gente animada e hormônios à flor da pele.

Portanto, fuja de qualquer coisa que possa ser identificada como música popular brasileira.

Já imaginou o que pode acontecer com o tesão coletivo quando o Cazuza mandar um “minha piscina está cheia de ratos/ suas idéias não correspondem aos fatos/ o tempo não pára”?

Ou o Renato Russo atacar de “todos os dias que acordo/ não tenho mais o tempo que passou”.

Todo mundo vai cantar junto, mas ninguém vai querer trepar.

Aí, fodeu geral. Ou melhor, ninguém mais vai foder.

Outra coisa. Não há tesão que resista a sertanejos, pagodeiros, freqüentadores do “Domingo Legal”, “Faustão” e afins.

Esqueça seus discos de rock pesado, tipo Led Zeppelin e Black Sabath, ou de rock inglês dos anos 80 (Smiths, Cure, Joy Division). Deprimido que é deprimido não come ninguém.

Também não emende um Abba (você tem disco do Abba? Hummm...) num Village People (hummm...) num Elton John (hummm...) numa Gloria Gaynor (hummm...) que, além de ser chato, vai pega mal pra caralho para a sua cinzelada reputação de espada matador.

Comece a festa com velhos sucessos de Diana Ross ou Donna Summer, para esquentar o clima.

Quando todo mundo já estiver embalado, é hora de passar para a música eletrônica com vocais, chamada house.

Mas o som pra liberar geral é muita black music, sensual e sacolejante: Marvin Gaye, Aretha Franklin, Isley Brothers, Sly and the Family Stone, George Clinton e coisas do gênero.

Dá vontade de dançar, rebolar, se esfregar, ficar de quatro, enfim...

Se tiver muita riponguinha no pedaço, encaixe (ops!) um Jorge Benjor na lista. Ou o eterno síndico e docemente cínico Tim Maia.

Esteja atento para que nunca role um silêncio total (pense nos seus amigos que gostam de gritar “Me chama de Shirley!” na hora agá. Eles podem se sentir acuados), mas também nenhum som que atrapalhe os gemidos.

Não deixe a música parar para evitar comentários constrangedores (“Não sabia que você tinha uma língua tão macia!”) ou supostos atos falhos (“Isso nunca me aconteceu ontem”).

Se todo mundo já estiver na suruba propriamente dita, dê preferência a um eletrônico calminho (Morcheba antigo, Groove Armada, Massive Attack, Lighthouse Family).

Mas se você não quer perder o melhor da festa, quem vai ficar comandando as pick-ups?

Nem pense em contratar um DJ profissional. Além de cobrarem uma fortuna e só aceitarem tocar em equipamentos de som profissionais, os sacanas ainda acabam comendo as mulheres mais bonitas da suruba.

O negócio é apelar pros mais chegados.

Sabe aquele seu amigão do peito, que nunca falta nas horas difíceis?

Peça a ele que fique operando o som a noite toda.

Faça uma seleção cuidadosa dos CDs e das músicas que ele deverá tocar.

Anote tudo num caderno e entregue ao voluntário.

Avise que se ele quiser inventar alguma merda estilo masshup, tentando fugir do script que tem em mãos, você vai surrá-lo pessoalmente.

Como você não quer perder tempo pesquisando sites na internet, eis aqui uma seqüência típica de som de suruba, que vai deixar a mulherada com a periquita molhadinha: “Love To Love Baby”, da Donna Summer, “Superfreak”, do Rick James, “Sexual Healing”, do Marvin Gaye, “I Want Your Sex”, do George Michael (você tem disco do George Michael? Hummm...), “Ring My Bell”, da Anita Ward, “You Sexy Thing”, do Hot Chocolate, “Disco Inferno”, dos Trammps, “Red Alert”, do Basement Jaxx, “U Don’t Know Me”, do Armand Van Helden, “Stand”, do Seal, “Tainted Love”, do Cabaret Voltaire, “Love Hangover”, da Diana Ross, “Boom Boom Pow”, dos Black Eyed Peas, e “You’re The First The Last My Everything”, do Barry White.

A etiqueta da suruba

O pessoal já dançou, já se esfregou, já se beijou, já se alisou, já se chupou, mas até agora ninguém ainda chegou aos finalmente.

Bom, que horas são? 10 horas da noite? Ainda é cedo. A suruba mal está começando.

De qualquer forma, não há combustível maior para ligar a moçada que uma sessãozinha de filme de sacanagem. Mas comece leve.

Se você chamar o pessoal pro sofá e colocar no Home Theather, por exemplo, “Rocco Arromba Todas”, poderá ser confundido com um tarado.

Além disso, o pau descomunal do cara numa tela de 76 polegadas vai deixar todo macho presente com vergonha do próprio pinto.

A idéia é não soar vulgar, mas também não parecer boiola: algo na linha de “9 e ½ Semanas de Amor” parece legal, para começar.

Se não souber o que pode esquentar sua platéia, tente títulos com a palavra “selvagem”. Tem vários: “Orquídea Selvagem”, “Instinto Selvagem”...

Qualquer um, menos documentário animal ou filme do Steve Seagal. Pensando bem, documentário animal pode ser uma boa.

Você também pode experimentar alguns filmes cult de sacanagem (que só viraram cult porque neguinho tarado tinha receio de levar a namorada para vem o Ron Jeremy em ação e ia assistir sozinho) ou exibir logo filmes com ménage à trois, à quatre, à cinq, do tipo “Três Formas de Amar”, “Férias de Verão”, “Calígula”.

E, se quiser mesmo arrasar, vá antes às locadoras e alugue todos os títulos pornôs nos quais constar a expressão “gang bang”.

Garanto que você não vai se arrepender.

Esqueça totalmente bestialidades (sexo com enguias, por exemplo). Pode causar gritinhos agudos e horrorizados nos mais sensíveis.

Qualquer título que dê vontade de rir, também deve ser vetado.

Isso inclui aquele vídeo que seus amigos fizeram quando você transava com a colega de faculdade no vestiário feminino.

Um dos grandes equívocos dos surubeiros é chegar na festa pelados.

Peça ao pessoal para chegar vestido, antes que a vizinhança telefone pra polícia.

Uma suruba deve começar naturalmente.

Não deixe ninguém entrar com máquinas fotográficas ou filmadoras.

Suruba não deve ser registrada: lembre-se daquela moçada de Ribeirão Preto.

Como acidentes acontecem, convide sempre um amigo médico – mas atenção para a área de atuação dele. Clínica geral, tudo bem. Ginecologia, não.

Se você convidar aquele seu amigo esquisitão, peça a ele para levar um acompanhante.

Dois esquisitões numa suruba é perfeitamente normal, mas um esquisitão à solta é um perigo constante.

Se você perceber esquisitões penetras na festa, não faça cena. Afaste-os delicadamente das pessoas, digamos, normais.

Leve os caras para o quarto da empregada e mostre sua coleção de CDs da Barbra Streisand (você tem coleção de CDs da Barbra Streisand? Hummm...).

Depois, tranque os caras lá dentro e jogue a chave fora.

Não seja o primeiro nem o último a tirar a roupa.

Comece pelos sapatos e evite tropeçar nas calças para não cair de boca (você gosta de cair de boca? Hummm...).

Depois que ficar pelado, esconda as roupas e a vergonha no armário.

Vomitar na parceira não chega a ser um must, mas é perfeitamente normal durante uma suruba.

A flatulência, por (ou pelo) outro lado, precisa e deve ser evitada.

Transar no banheiro, longe do olhar dos companheiros, é falta de etiqueta.

Se, durante o evento, um sujeito esquisitão chegar por trás e tentar se encaixar em você, não perca a compostura.

Explique, didaticamente, que você não é cantor tropicalista, crítico de arte ou programador de linguagem Java, e que, portanto, ele que vá se encaixar na casa do caralho!

Broxar é sempre broxante, principalmente em público.

Evite cenas dramáticas e seja polido. Diga que vai soltar um barro e caia fora.

Numa suruba, é perfeitamente educado introduzir-se em rodas já formadas.

No entanto, se o dono da roda reclamar, não insista.

Por outro lado, abrir novos horizontes sexuais é perfeitamente comum no ambiente descontraído e orgiástico da suruba.

Lembre-se, porém, que bunda e conselho só se dá a quem pede.

Evite comentários sobre as práticas ocorridas durante a suruba.

“Nossa, mas essa sua boca é uma ventosa!” ou “Caralho! Se eu soubesse que o teu anel de couro era tão frouxo tinha continuado na perseguida!” não são frases absolutamente adequadas. Principalmente na frente dos outros.

Ajude, com bom humor, seus companheiros a recuperar as roupas espalhadas pelo chão: organize um concurso para ver quem encontra mais calcinhas.

Seja ético. Roubar calcinhas, tudo bem. Roubar carteiras, não.

Suruba não funciona com hora marcada.

Por isso, é possível que alguns grupos ainda estejam engatados enquanto você procura cigarros pelo chão para praticar o famoso ritual do pós-coito.

Seja educado e não pise em cima de ninguém.

Também evite comentários sobre o órgão sexual dos seus amigos.

Se disser: “Noooossa, que coisa enooorme”, vão achar que você é esquisitão.

Se disser: “Putz, que piroca ridícula!”, vão achar que você é pretensioso.

Não é absolutamente de bom-tom discutir o relacionamento de casais envolvidos na suruba.

Comentários do tipo: “Pô, sua mulher é a maior vadia e dá pra todo mundo!” nunca são bem aceitos, não se sabe bem por quê.

Se mesmo com todo o seu esforço, sua suruba não passar de uma festinha de formatura da quarta série ginasial, não entre em pânico. Não corte os pulsos. Não mude de país. Não se ache um merda.

Tudo neste mundo tem jeito, menos a defesa vascaína.

Aqui vão algumas ótimas e práticas desculpas para um eventual insucesso:

Se os únicos a transarem for o casal de garotos de programa que você contratou, passe um sermão na garota (na frente de todos), fingindo-se injuriado.

Algo do tipo: “Você pensa que está aonde, sua vadia filha-da-puta? Isto é uma festa de família!”.

Expulse o garoto de programa à base de pescoções (sim, vocês ensaiaram tudo para uma emergência, mas ninguém precisa saber).

Em seguida, pegue a menina pelo braço, leve-a pra cozinha e a tranque lá dentro.

Depois que todos se retirarem, volte lá com a guria e faça o acerto de contas pelo serviço pago.

A suruba não rolou, mas pelo menos você não vai acabar a festa sem comer alguém.

No desespero, você também pode aproveitar pra sacanear algum amigo que tenha pisado na (sua) bola.

É só mudar o discurso anterior para: “Eu sabia que convidar a namorada do Zezão ia dar nisso. Que vagabunda! É só ele virar as costas que ela oferece as costas pro primeiro que aparece!”

Caso você queira se vingar pela decepção do fracasso de sua suruba, mande um e-mail “por engano” para sua lista completa de e-mails com a seguinte mensagem:

“Cara, você nem imagina! Sabe aquela festa ontem na minha casa? Pois é, bicho, de repente, sem ninguém esperar, virou o maior bacanal... A Patrícia, a Esterzinha, o Hamilton, a Paula, a Carlinha, o Pedro, o Zezão (eu nem te falo quem engatou nele!), a Sheila, a Amelinha, o Gustavo, o Pedrosa... Sei lá quem mais, bicho!... O certo é que todo mundo que estava lá rodou na pica... Quem não comeu, deu! Você precisava ver...”

Evidentemente, você será odiado eternamente. Mas nunca se divertirá tanto.

É assim que surgem as lendas.

Vai fundo, homeboy!

3 comentários:

Anônimo disse...

Cara fiz tudo que se fala deu mo certo .
Aluguei uma casa de festa , enchi de bebidas e chamei um monte de mulher e uns amigos, tinha tipo 4 mulheres para cada homem, isso vai fica pra historia..

Anônimo disse...

É... organizei a suruba e acabaram me comendo...

ZENAS JÚNIOR RODRIGUES disse...

OI, SOU DE MANAUS-BAIRRO DE FLORES
ME ADICIONA NO SKYPE: ZENASJR31
OU LIGA NO TIM: 041 92 8119 1282 VAMOS ORGANIZAR UMA FESTINHA, TENHO LOCAL OK.